segunda-feira, 28 de março de 2016

A Experiência Quase-Morte de Renee Pasarow



Em 1966, Renee Pasarow era uma adolescente quando teve uma experiência quase-morte, em resultado de uma reacção alérgica extrema.

Esteve clinicamente morta durante 45 minutos, até que um médico conseguiu reanimá-la e trazê-la de regresso à vida.

Antes desta experiência quase-morte, Renee tinha tido um único contacto com a Fé Bahá’í. Após esta experiência, Renee aceitou à Fé Bahá’í.

Em 1991, a AEL dos Baha’is de Moopark (California, EUA) divulgou este vídeo com uma palestra em que Renee descreveu a sua experiência.

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Artigos com a perspectiva Baha’i sobre a vida depois da morte:

-- As experiências de quase-morte provam alguma coisa?
-- A Incrível Consistência das Experiências Quase-Morte
-- As Experiências Quase-Morte segundo Platão, Sócrates e Bosch

-- Video copiado do canal Rahmat1919 --

quarta-feira, 23 de março de 2016

Pode a Unidade impedir o próximo ataque terrorista?

Por David Langness.


As religiões divinas devem ser a causa de união entre os homens, e instrumentos da unidade e do amor; devem promulgar a paz universal, libertar o homem de todo preconceito, conceder alegria e júbilo, exercer bondade para com todos os homens e eliminar qualquer diferença ou distinção. (‘Abdu’l-Bahá, Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, p. 28.)
Ontem, bombas terroristas explodiram no aeroporto e numa estação de metro de Bruxelas, matando dezenas de pessoas e ferindo centenas.

A Europa e os Estados Unidos sofreram um crescente número de ataques terroristas ao longo dos últimos meses. Estes ataques aproveitaram a abertura e vulnerabilidade das sociedades Ocidentais, com a sua liberdade pessoal, espaços públicos acessíveis e relativa facilidade para atravessar fronteiras nacionais. Grupos terroristas como o Daesh ou a al-Qaeda juraram atacar alvos na Europa e na América, ameaçando com novos ataques no Ocidente.

A situação geral não mostra sinais de acalmia para breve. As bombas usadas em Bruxelas, dispositivos rudimentares cheios de pregos para infligir o maior número de baixas, foram detonados pelos bombistas suicidas que pretendiam lançar o caos e o medo, e dar as suas vidas ao fazê-lo. Inacreditavelmente, qualquer pessoa com as motivações erradas, pode agora construir uma arma destas – os materiais estão disponíveis em quase toda a parte, e é simples encontrar as instruções detalhadas para construir bombas. Enquanto os terroristas continuarem a acreditar que o Ocidente pode ser responsabilizado pelos conflitos sangrentos em certas partes do mundo – e sejamos claros, enquanto o Ocidente continuar a envolvido em guerras por proxy no Médio Oriente com tropas, bombas e drones – estas mortes aleatórias de civis inocentes irão provavelmente continuar.

Então o que podemos fazer em relação a isto?

Os ensinamentos Bahá’ís têm três sugestões muito específicas: unidade internacional; um crescente nível de integração e unidade nas nossas cidades segregadas; e uma cultura ampla e concertada destinada a eliminar o preconceito religioso.

Primeiro: um dos problemas mais persistentes que impede o mundo de combater o terrorismo de forma eficiente deve-se às suas redes de segurança fragmentadas, isoladas e não comunicantes. Muitos países Europeus, por exemplo, não partilham entre si informações sobre terroristas conhecidos e seus associados. A desconfiança e preconceitos históricos contribuem para o problema. Algumas nações até têm agências de segurança que competem entre si nas suas burocracias nacionais e não partilham prontamente informação entre elas.

Se a União Europeia conseguir reduzir os obstáculos na partilha de informação de segurança, ultrapassar animosidades históricas e preconceitos entre nações, e transmitir de forma mais eficiente informação relevante sobre segurança entre os seus Estados membros, a ameaça de mais ataques pode ser significativamente reduzida. Se as nações do mundo se unirem de forma determinada para parar o terrorismo, poderão conseguir fazê-lo. A dificuldade é apenas a falta de unidade.

Segundo: muitos países Europeus, e muitas cidades Americanas, criaram de forma inadvertida - ou talvez, propositada - guetos de emigrantes estrangeiros. As populações muçulmanas nestas áreas urbanas, amontoadas em bairros pobres, em vez de serem distribuídos e integrados na sociedade mais ampla, tendem a manter as suas práticas culturais e preconceitos trazidos dos seus países de origem. Este isolamento e segregação forçadas podem alimentar um sentimento de alienação em relação ao país de acolhimento, pode fomentar uma desconfiança nas leis locais, pode criar a base de um ódio prolongado, e pode tornar-se um local de refúgio onde jihadistas esperam esconder-se e escapar à justiça.

Se a Europa e a América fizerem esforços concertados para pôr fim à prática de segregação de refugiados e emigrantes, e impedirem a prática comum - intencional, ou não - de criar guetos que impedem a aculturação e a absorção de grandes grupos de pessoas de outros lugares, então podemos começar a livrar as populações de potenciais terroristas e jihadistas. Este tipo de dispersão aceleraria o processo de integração e unificação.

Conseguir este objectivo a longo prazo exige, obviamente, um esforço concertado de muitos sectores da sociedade Ocidental. Podemos começar agora, a nível individual e pessoal, tentando alcançar, encontrar e comunicar com pessoas que vivem em enclaves de emigrantes nas nossas cidades. Só reduzindo o afastamento, travando conhecimento e fazendo amizades com pessoas de diferentes religiões e tradições culturais, e derrubando barreiras entre culturas, podemos começar a integrar e unificar eficientemente as nossas sociedades.

Terceiro: um contra-terrorismo eficiente não significa apenas meios de segurança e integração. Também significa libertar-mo-nos de preconceitos que tradicionalmente assolam as religiões. Desenvolver o entendimento, as ligações e a unidade entre religiões é a solução derradeira para o terrorismo. Isso será o baluarte contra a separação, contra a desconfiança e contra a violência que sempre resulta dessa separação:
O ódio e o rancor religioso são um fogo que consome o mundo, e cuja extinção é muito difícil, a menos que a mão do poder divino liberte o homem desta calamidade infrutífera.
Acautelai-vos com o preconceito; a luz é boa em qualquer lâmpada que brilhe. Uma rosa é bela em qualquer jardim que possa florescer. Uma estrela tem a mesma radiância, se brilhar no oriente ou no ocidente.

Todos os Profetas de Deus vieram para unir os filhos dos homens e não para os dividir; ponham em prática a lei do amor e não a inimizade.

Devemos banir o preconceito. Preconceitos religiosos, patrióticos e raciais devem desaparecer, pois são destruidores da sociedade humana.

Devemos tornar-nos causa de unidade da raça humana. (‘Abdu’l-Bahá, Divine Philosophy, p. 25.)

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Texto original: How Unity Could Stop the Next Brussels Bombing (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 12 de março de 2016

quinta-feira, 10 de março de 2016

Na tomada de posse de Marcelo

A Comunidade Baha'i esteve presente na cerimónia inter-religiosa na Mesquita Central de Lisboa que assinalou a a tomada de posse do Presidente da Republica.

Reportagem da Renascença aqui.


sábado, 5 de março de 2016

Será a minha Fé Bahá’í compatível com o Feminismo?

Por Saba Farbodkia.


Como mulher Bahá'í, muitas vezes me pergunto se o feminismo é compatível com a religião. E na maioria das vezes, tendo a responder que não. O feminismo é definido como um movimento para acabar com o sexismo, que é depois definido como preconceito, estereótipo ou discriminação, geralmente contra as mulheres, com base no sexo. Um movimento desses deve tentar erradicar as normas sociais e valores religiosos e culturais que pressionam as pessoas a adoptar determinadas funções, atributos ou obrigações, ou limitam os seus direitos e responsabilidades, com base no seu sexo. Por outro lado, as religiões atribuem muitas vezes funções, obrigações e direitos para as pessoas com base no seu sexo. Uma religião só pode ser compatível com o feminismo se estiver em silêncio no tema do sexo das pessoas, ou se afirmar que o sexo não é um factor determinante nos papéis e estilos de vida das pessoas.

A Fé Bahá'í, definitivamente, não é assim. Nascida há cerca 170 anos, no Irão, a Fé Bahá'í é uma religião relativamente nova, supostamente adequada aos tempos actuais. Ainda assim, tem situações particulares de atribuição de diferentes papéis para mulheres e homens no nível da vida individual, familiar e social. Os homens, por exemplo, são obrigados a fazer uma peregrinação se tiverem capacidade financeira para tal, e as mulheres têm o direito a fazê-la, mas não são obrigadas. As mulheres podem decidir não jejuar, e dizer orações obrigatórias ou uma oração alternativa, durante a menstruação. As mulheres estão privadas do direito de ser eleitas como membros da Casa Universal de Justiça. As mães têm o direito ao apoio financeiro dos seus maridos, mas o contrário não acontece. Um homem necessita dar um dote à mulher para o casamento. Nas situações em que não existe um Testamento de uma pessoa falecida (o que não é suposto acontecer com muita frequência, pois os Bahá'ís são obrigados por Bahá’u’lláh a escrever um testamento para definir como desejam distribuir os seus bens), alguns dos seus familiares do sexo feminino recebem uma herança um pouco menor do que os parentes do sexo masculino. As meninas têm prioridade na educação, se as oportunidades para educar as crianças forem limitadas.

A Fé Bahá'í, tal como muitas outras religiões, não é completamente compatível com o objectivo feminista de acabar com "a discriminação em função do sexo." No entanto, é definitivamente compatível com o objectivo de acabar com preconceitos e estereótipos com base no sexo. Com efeito, o princípio da "igualdade entre homens e mulheres" é um dos princípios fundamentais da Fé, todos eles focados no objectivo final da unidade da humanidade. 'Abdu'l-Bahá, o filho do fundador da Fé Bahá'í e Seu sucessor nomeado como líder da Fé Bahá'í, descreve homens e mulheres como "iguais aos olhos de Deus" e dotados de "perfeições e inteligência [...] sem diferenciação ou distinção quanto à superioridade [1]"; considerar as mulheres como inferiores não está de acordo com o plano de Deus. Também explicou que a única razão para o atraso das mulheres é a "falta de educação e formação, [... e] de igualdade de oportunidades [2]". Este ponto de vista não é o único aspecto promissor que podemos encontrar na Fé Bahá'í sobre as mulheres.

A Fé Bahá'í ainda tem o potencial para melhorar a actual opinião do mundo em relação a assuntos que ainda são um problema, mesmo no Ocidente. Por exemplo, ‘Abdu’l-Bahá reconhece que a desigualdade entre homens e mulheres não é apenas uma questão feminina: Ele descreve o mundo da humanidade como um pássaro, em que uma das asas são mulheres e a outra são os homens, e afirma que o pássaro não pode voar, a menos que as duas asas sejam suficientemente fortes. Portanto, a desigualdade actual é uma questão que provoca sofrimento a todos, independentemente do seu sexo, e que atrasa o progresso da nossa civilização pode fazer neste mundo.

Outro exemplo é o reconhecimento implícito de 'Abdu'l-Bahá do assim chamado "efeito menina". Ao descrever porque é que se deve dar prioridade à educação das meninas quando as oportunidades são limitadas, ‘Abdu’l-Bahá afirma que isto se deve ao facto de elas virem a ser mães e as primeiras educadoras dos filhos. O "efeito menina" refere-se a uma descoberta recente na área do desenvolvimento socio-económico sobre como tornar as meninas a primeira prioridade na educação nas áreas pobres faz com que os programas de desenvolvimento sejam mais sustentáveis, evitando gravidezes precoces e ter filhos pobres, permitindo-lhes criar os filhos capacitados que não precisam de tanta ajuda caridade quando crescem na geração seguinte.

Outro exemplo é a culpabilização das vítimas. Bahá'u'lláh, o fundador da Fé Bahá'í sugere que nenhuma mulher merece ser agredida, independentemente do seu aspecto ou onde que esteja:
"O meu objectivo ao vir a este mundo corrupto [...] é estabelecer, através do poder de Deus e Seu poder, as forças da justiça, confiança, segurança e fé. Por exemplo, se uma mulher [...], que seja insuperável na sua beleza e adornada com as mais requintadas e valiosas jóias, viajar sozinha e sem véu, do oriente ao ocidente, passando por todas as terras e visitando todos os países, haverá um tal padrão de justiça, confiança e fé por um lado, e a ausência de traição e degradação por outro, que não se encontraria alguém que gostasse de lhe roubar os seus bens ou lhe lançasse um olhar pérfido e lascivo sobre a sua bela castidade! [3]"
Considerando isto no contexto de onde Bahá’u’lláh veio, onde todas as mulheres costumavam usar véu e viajar sem um guardião masculino seria considerado quase uma impossibilidade, isto foi bastante revolucionário. A Fé Bahá'í afirme que os seus mandamentos são enviados por Deus para os tempos actuais, e válidos durante pelo menos alguns séculos; sendo assim, isto acaba por não ser uma surpresa, e até se poderia esperar ainda mais!

Tendo em conta todos os seus princípios e ensinamentos por um lado positivo, e todas as discriminações que faz com base no sexo do outro lado, eu ainda não tenho resposta clara para esta pergunta: Será a Fé Bahá'í, tal como ela é, e sem qualquer filtro, compatível com o feminismo?

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NOTAS:
[1] The Promulgation of Universal Peace; p.174
[2] Ibid
[3] Adib Taherzadeh’s The Revelation of Bahá’u’lláh v 2, p. 141

TEXTO ORIGINAL: Is My Baha’i Faith Compatible with Feminism? (www.feminismandreligion.com)

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Saba Farbodkia é um estudante de Doutoramento em Neurociência na Queen’s University, Ontario (Canadá). Nascida no Irão numa família Bahá'í, aceitou a Fé Bahá'í aos 15 anos, e fez os seus estudos universitários em biologia e Neurociência no Irão, no Baha’i Institute for Higher Education (BIHE). O seu interesse pelo feminismo começou como uma resposta à influência de uma cultura repressiva das mulheres no Irão. O contacto com livros progressistas muçulmanos levou-a ao encontro de questões relacionadas com a Fé Bahá’í e o feminismo.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Porque é que os Bahá’ís fazem jejum?

Por Faraneh Hedayati.


Em verdade vos digo, o jejum é o remédio supremo e a mais grandiosa cura para a doença de ego e da paixão. (Bahá'u'lláh, p. XVII, The Importance of Obligatory Prayer and Fasting)
Este Jejum leva à limpeza da alma de todos os desejos egoístas, à aquisição de atributos espirituais, à atracção das brisas do Todo-Misericordioso, e ao atear do fogo do amor divino... O jejum é a causa da elevação da condição espiritual de uma pessoa. ('Abdu'l-Bahá, Ibid, pp XXVI-XXVII)
No dia 2 de Março, milhões de Bahá'ís, em todo o mundo, vão voluntariamente deixar de comer e beber entre o nascer e o pôr-do-sol durante dezanove dias consecutivos. Porquê?

Durante o jejum Bahá'í, os Bahá'ís abstêm-se de comida e bebida entre o nascer ao pôr-do-sol de cada dia durante o mês Bahá'í de Ala, que compreende os dezanove dias que antecedem o equinócio da primavera. Shoghi Effendi, o Guardião da Fé Bahá'í, explica que este jejum Bahá'í anual:
... é essencialmente um período de meditação e oração, de recuperação espiritual, durante o qual o crente se deve esforçar para fazer os reajustamentos necessários na sua vida interior, e para refrescar e revigorar as forças espirituais latentes na sua alma. O seu significado e propósito são, portanto, fundamentalmente de carácter espiritual. (Directives from the Guardian, p. 28)
Pode não saber, mas a maioria das religiões têm um período de jejum durante uma época do ano - Cristãos, Judeus, Hindus, Taoistas, Muçulmanos e Jainistas, todos praticam alguma forma de jejum anual. Os Judeus cumpridores jejuam durante seis dias, especialmente no Yom Kippur e Tisha B'Av; os Muçulmanos jejuam entre nascer e pôr-do-sol durante 30 dias no mês lunar do Ramadão; os Católicos jejuam durante a Quaresma e outros dias sagrados; diferentes denominações cristãs jejuam individualmente e voluntariamente; os Hindus jejuam em várias épocas do ano; muitas práticas Budistas também incluem o jejum.

Assim, o jejum tem sido praticado em diferentes formas e épocas ao longo de milénios como parte da vida religiosa, mas o princípio permanece o mesmo - o jejum simboliza desprendimento do mundo físico e do ego. Os Bahá'ís vêem o jejum como um exercício espiritual, mas, recentemente, a ciência lançou uma nova luz sobre o seu papel importante na biologia e fisiologia humana (outro exemplo do acordo entre ciência e religião, um dos princípios básicos Bahá'ís).

De acordo com estudos recentes, o jejum intermitente tem benefícios significativos para a saúde. Promove a saúde física ideal, reduzindo o risco de muitas doenças crónicas, especialmente para quem sofre de obesidade. Com base nas provas existentes de estudos em animais, o jejum tem efeitos consideráveis sobre indicadores de saúde, incluindo uma maior sensibilidade à insulina, níveis reduzidos de pressão arterial, gordura corporal, insulina, glicose, lípidos aterogénicos, e inflamações. O jejum alivia processos de doença e melhora os resultados clínicos em distúrbios, tais como enfarto do miocárdio, diabetes, acidente vascular cerebral, doença de Alzheimer e de Parkinson.

O jejum, com o seu mecanismo geral de desencadear respostas adaptadas ao stress celular, causa um aumento da capacidade para lidar com o stress mais intenso, o que impede processos de doença desde o início. O jejum também protege as células de danos no ADN, suprime o crescimento de células e intensifica a apoptose de células danificadas, facto que, consequentemente, evita a formação e o crescimento de cancros. O jejum ajuda a reduzir a obesidade, a hipertensão, a asma e a artrite reumatóide. Os investigadores já começaram a mostrar que o jejum ainda tem o potencial de retardar o envelhecimento.

Com todos estes benefícios para a saúde, é o jejum difícil? Quem já fez jejum sabe que o corpo se adapta gradualmente a uma nova rotina, e em condições normais pode lidar bem com a falta de alimento durante doze horas. Mas os ensinamentos Bahá'ís dizem que o jejum não pode ajudar o processo de cura, se uma pessoa já está doente. Em alguns casos, tal como os diabéticos, o jejum pode ser prejudicial:
... a oração obrigatória e o jejum ocupam uma posição elevada aos olhos de Deus. É, no entanto, num estado de saúde de que a sua virtude se pode perceber. Em tempos de problemas de saúde não é permissível observar tais obrigações... (Bahá'u'lláh, The Most Holy Book, p. 134)
Os Bahá'ís jejuam desde a idade de maturidade (que os ensinamentos Bahá'ís dizem que começa aos 15 anos) até aos 70 anos de idade. Aqueles que estão doentes, grávidas e mães que amamentam, quem executa trabalhos pesados, e mesmo aqueles que fazem longas viagens estão isentos do jejum.

Gostaria de tentar jejuar durante o jejum Bahá'í deste ano? Pode aumentar a sua saúde física e espiritual, e conseguir um novo despertar:
O jejum é a causa do despertar do homem. O coração torna-se terno e a espiritualidade do homem aumenta. Isto é causado pelo facto dos pensamentos do homem estarem confinados à comemoração de Deus, e através desse despertar e estimulo certamente se seguirão progressos ideais. ('Abdu'l-Bahá, Star of the West, Volume 3, p. 305)
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Texto original: Why Do Baha’is Fast Every Year? (www.bahaiteachings.org)

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Acreditar na Criação ou na Eternidade?

Por David Langness.


Os filósofos da Grécia - como Aristóteles, Sócrates, Platão e outros - dedicavam-se à investigação dos fenómenos naturais e espirituais. Nas suas escolas falavam sobre o mundo da natureza, assim como o mundo sobrenatural. Hoje a filosofia e lógica de Aristóteles são conhecidas em todo o mundo. Porque eles estavam interessados tanto na filosofia natural como na divina, e promoviam o desenvolvimento do mundo físico da humanidade, assim como o intelectual, eles prestaram um serviço louvável à humanidade. Este foi o motivo do triunfo e sobrevivência dos seus ensinamentos e princípios. O homem deve continuar estas duas linhas de pesquisa e investigação para que todas as virtudes humanas, exteriores e interiores, se possam tornar possíveis. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 322)
Está preparado para um tema verdadeiramente profundo? Esta é uma das questões mais antigas e mais profundas da humanidade: Como começou a existência do universo? Ou será que nunca começou? Será que um Criador todo-poderoso (ou, talvez a própria energia e matéria) criou o universo num momento específico no tempo - ou será que sempre existiu? Dependendo de como se responde a essas perguntas, podemos ser "criacionistas" ou "eternalistas". Vamos examinar esse enigma basilar e cada um pode decidir por si próprio.

Na filosofia clássica, nenhum debate se prolongou tanto como este argumento da eternidade.

Um dos lados do debate, geralmente designado como "Criacionismo ex nihilo", argumenta que um Criador criou todo o universo ex nihilo , ou seja, a partir do nada .

O outro lado afirma que o universo é eterno, isto é, sempre existiu.

Nenhuma explicação científica, incluindo a Teoria do Big Bang, conseguiu provar de forma definitiva uma ou outra posição. Os defensores da teoria do Big Bang, incluindo o padre Lemaître, o sacerdote católico que primeiramente a defendeu em 1927, dizem que esta se encaixa o modelo criacionista. Os defensores da teoria eternalista afirmam que a ciência provou que nenhuma coisa pode emergir do nada, e que a natureza abomina o vazio.

Maimónides
A maior parte da defesa do Criacionismo ex nihilo veio de teólogos e de filósofos tradicionais que acreditavam na existência de um Deus. Filósofos Judeus, Cristãos e Muçulmanos (com algumas excepções, como o filósofo muçulmano Averróis) e o clero em geral apoiaram esta posição ao longo da história. Geralmente argumentam que a criação de Deus teve de começar a existir em algum momento no tempo; e que antes da criação de Deus, por definição, nada existia, excepto Deus. O famoso teólogo e filósofo Judeu Maimónides, provavelmente o mais conhecido dos criacionistas, apresentou fortes argumentos em defesa desta posição, que ele considerava uma verdade absoluta bíblica.

Do outro lado do debate, o chefe eternalista, o grande filósofo grego Aristóteles, desenvolveu vários argumentos científicos e filosóficos convincentes sobre a eternidade. Afirmou que "essa geração que ocorreria a partir do nada" era obviamente impossível, uma vez que sabemos que a matéria vem sempre de uma causa pré-existente ou outra forma de matéria. Acrescentou que a própria existência de movimento no universo significa que as coisas sempre se moveram. E afirmou que um vácuo completo é uma impossibilidade natural e, portanto, o vazio absoluto não pode existir, e nunca existiu.

Várias religiões orientais - Hinduísmo, Budismo, Jainismo - também apoiam o ponto de vista eternalista; as suas escrituras apontam que o universo não teve início.

Isto deixa-nos com a cabeça a andar à roda, não é? A minha fica, com certeza. Acho que é incrivelmente difícil conceber um universo atemporal, sem início nem fim, e acho que é igualmente difícil imaginar um vazio completo cheio de um nada absoluto. Na verdade, não consigo pensar em perguntas mais complicadas do que esta.

A resposta Bahá’í para este debate pode ser surpreendente:
Sabe que é uma das questões mais obscuras da divindade a de que o mundo da existência - isto é, esse infinito universo - não teve início.

... Sabe que um senhor sem vassalos não é imaginável; um soberano sem súbditos não pode existir; um professor sem alunos não pode ser nomeado; um criador sem a criação é impossível; um fornecedor sem os receptores é inconcebível - pois todos os nomes e atributos divinos apelam à existência das coisas criadas. Se fôssemos imaginar um tempo em que as coisas criadas não existissem, isso seria equivalente a negar a divindade de Deus.

Além disto, a não-existência absoluta não tem capacidade para alcançar a existência. Se o universo fosse um puro nada, a existência nunca teria acontecido. Assim, tal como a Essência da Unidade, ou o ser divino, é eterno e perpétuo - isto é, não tem início nem fim - sucede que o mundo da existência, esse universo ilimitado, da mesma forma, também não tem início. Para ter certeza, é possível que alguma parte da criação - um dos globos celestes - seja recém-formada ou se desintegre; mas os outros incontáveis globos continuarão a existir e o mundo da existência em si não se desfaz nem se destrói. Pelo contrário, a sua existência é perpétua e imutável. Agora, como cada globo tem um início, também deve inevitavelmente ter um fim, pois toda a composição, seja universal ou particular, deve necessariamente decompor-se. No máximo, alguns outros desintegram-se rapidamente e outros lentamente, mas é impossível que algo que é composto, não acabe, finalmente, por se decompor. (‘Abdu’l-Bahá, Some Answered Questions, newly revised edition, pp. 207-208)
Os ensinamentos Bahá’ís afirmam claramente que a existência do universo “é perpétua e imutável”. No entanto, Bahá’u’lláh escreveu que toda a criação “é antecedida por uma causa”:
O Deus uno e verdadeiro existiu eternamente, e continuará a existir eternamente. A Sua criação, de igual modo, não teve início e não terá fim. Tudo o que é criado, porém, é antecedido por uma causa. Este facto, só por si, estabelece, sem sombra de dúvida, a unidade do Criador. (Bahá'u'lláh , Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh , LXXXII)
Poderia esta resposta nos dão um meio-termo entre o criacionismo e o eternalismo? Qual a sua opinião?

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Texto original: Do You Believe in Creation or Eternity? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Pode a Administração Bahá’í tornar-se um Governo Mundial?

Por David Langness.


Vários pensadores, sábios e filósofos contemporâneos (que não são Bahá'ís) sugeriram que o sistema de organização Bahá'í - uma estrutura eleita democraticamente, unificada, não-politizada e com órgãos de governo locais, regionais, nacionais e internacionais - pode servir como modelo para um futuro governo mundial; ou mesmo, um dia, tornar-se esse governo.

Alfred W. Martin, autor e estudioso da religião Unitária foi um dos primeiros a avançar com esta ideia, no seu livro de 1926 Comparative Religion and the Religion of the Future:
A coroa de glória do movimento Bahá'í é que, enquanto censura o sectarismo na sua pregação, tem praticado fielmente aquilo que pregou, evitando tornar-se ele próprio uma seita... Os seus representantes não tentam impor quaisquer crenças aos outros, seja por argumento ou suborno; em vez disso, preferem colocar crenças que iluminaram as suas próprias vidas ao alcance daqueles que sentem que precisam de iluminação. Não, não é uma seita, não é uma parte da humanidade isolada do resto, vivendo para si própria e com o objectivo de converter todo o resto em material para o seu próprio crescimento; Não, não é isso, mas um fermento, provocando uma fermentação espiritual em todas as religiões despertando-as com o espírito da catolicidade e do fraternalismo... Quem dirá que, tal como o pequeno grupo de viajantes do Mayflower, que desembarcaram em Plymouth Rock, provou ser o pequeno começo de uma poderosa nação, o embrião ideal de uma democracia que, se continuar fiel aos seus princípios, deve ainda alcançar todo o globo habitável, também o pequeno grupo de Bahá'ís exilados da sua casa persa pode ainda vir a ser o pequeno começo do movimento mundial, o embrião ideal da democracia na religião, a Igreja Universal da Humanidade? (pag. 88, 91)
No entanto, as escrituras Bahá'ís proíbem especificamente a Ordem Administrativa Bahá'í de "substituir o governo dos seus respectivos países."

Para eliminar qualquer confusão, 'Abdu'l-Bahá escreveu um tratado importante sobre o assunto chamado Resaleh-ye Siyasiyyeh, que foi traduzido em francês como La Politique (A Política) e em alemão como Eine Abhandlung Uber Politik (Um ensaio sobre Política). Os vários tradutores concordam na essência sobre a força principal deste importante texto Bahá'í: que as funções de líderes religiosos e as funções de líderes políticos devem permanecer separadas. No Seu tratado 'Abdu'l-Bahá afirma claramente que, sempre que os líderes da religião procuram uma função na esfera política, dissolve-se a unidade entre os crentes - e adverte os Bahá'ís não procurarem essas funções.

Mas vamos especular por um momento. E se os crentes ou a religião em si não procurassem essa função? E se a sociedade em geral escolhesse livremente a ser administrada e regida por princípios dessa religião, ou usasse a ordem administrativa religiosa como modelo para o seu governo civil?

Por outras palavras, poderia alguma vez o modelo de governação Bahá'í, a sua ordem administrativa democrática globalmente unificada, tornar-se mais do que apenas um modelo para um governo civil? Poderia a Fé Bahá'í um dia tornar-se a religião de estado de um país? Poderia esse país adoptar as leis Bahá'ís como suas? Poderia uma nação - ou o mundo - verdadeiramente utilizar a ordem administrativa Bahá'í como o seu órgão de governação em algum momento distante no futuro?

Sim, a Casa Universal de Justiça tem dito, que todas essas coisas são passíveis de acontecer, numa etapa futura em que sociedade esteja completamente despolitizada e unificada. Mas os próprios Bahá'ís não podem forçar qualquer uma dessas possibilidades - essa mudança radical no rumo da sociedade teria que ser uma escolha livre e sem constrangimento da própria sociedade. Assim, enquanto uma tal evolução parece agora remota e quase inconcebível, a Casa Universal de Justiça diz que um dia isso pode ocorrer:
Apenas à luz desses factos, é evidente que o crescimento das comunidades Bahá'ís para a dimensão em que um estado não-Bahá'í adoptasse a Fé como Religião do Estado, ou até mesmo a situação em que o Estado aceitasse a Lei de Deus como a sua própria lei e a Casa Nacional de Justiça como seu legislador, deverá ser um processo democrático e absolutamente voluntário. (Separation of Church and State, from The Universal House of Justice, April 27, 1995)
Membros eleitos da Casa Universal de Justiça
Vamos tentar imaginar. Dado um novo modelo pós-secular de harmonia e complementaridade entre uma ordem religiosa pluralista e o Estado, que trabalham de maneiras diferentes para o bem-estar da humanidade; e dado uma comunidade mundial unificada com um sistema federado de nações; e talvez até mesmo dada uma população maioritariamente Bahá'í, (ou que a maioria da população apoiasse os ideais Bahá'ís), então esse "processo democrático e absolutamente voluntário" teria que incluir dois aspectos críticos: protecção completa dos direitos de quaisquer minorias; e o acordo amplo e livre de toda a sociedade futura na adopção de princípios Bahá'ís.

Este tipo de mudança governamental e espiritual sem precedentes - que agora é tão difícil de antever, com o nosso mundo actual tão emaranhado e tão profundamente dividido entre interesses contrários e agendas políticas nacionais - exigiria, obviamente, um grande realinhamento de valores, interesses geopolíticos e perspectivas religiosas. Salvo uma mudança abrupta ou catastrófica nos destinos do mundo, levará provavelmente muito tempo, talvez séculos, para chegar à fase de maturidade humana colectiva necessária para tal acordo pacífico e democrático sobre um conjunto unificador de princípios espirituais.

Enquanto isso, o principal objectivo da Fé Bahá'í, independentemente da forma como isso acontece ou como poderá vir a acontecer, foca-se um objectivo final - a unificação pacífica de toda a raça humana.

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Texto original: Could the Baha’i Administration Ever Become a World Government? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.