sábado, 9 de abril de 2016

Procurar o Espírito de Cristo

Por Russell Ballew.


...quem procurar Cristo no Seu corpo físico, terá procurado em vão e ficará afastado Dele como que por um véu. Mas quem aspirar encontrá-lo em espírito, crescerá júbilo, dia após dia… Neste novo e maravilhoso dia, compete-te procurar o espírito de Cristo. (‘Abdu’l-Bahá, Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, p. 143)
Nascido numa família de sete irmãos, Joseph Wolf tentou convencer o seu vizinho que Israel triunfaria com a chegada do Messias. Em resposta, o vizinho encorajou-o a ler o capítulo 53 do livro de Isaías. Explicou-lhe que Jesus de Nazaré era o Cristo Prometido, cujo sacrifício é enaltecido nas seguintes frases:
... fomos curados pelas suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas perdidas, cada um seguindo o seu caminho. Mas o Senhor carregou sobre ele todos os nossos crimes. (Isaías 53:5-6)
O jovem perguntou ao pai qual era o significado daquele texto, mas o rabino Wolff não lhe deu resposta. Isso estimulou no rapaz o desejo de ler e reconciliar as profecias Judaicas com as pretensões Cristãs. Uma das mais importantes dessas profecias era que Elias precederia o Messias. O Antigo Testamento declara:
Eis que vou enviar-vos o profeta Elias, antes que chegue o Dia do Senhor, dia grande e terrível. (Malaquias 3:23)
Os Cristãos afirmam que João Baptista era o prometido Elias. No entanto, João declarou que ele não era o Elias. “E perguntaram-lhe: «Quem és, então? És tu Elias?» Ele disse: «Não sou.» «És tu o profeta?» Respondeu: «Não.»” (Jo 1:21). Os Cristãos argumentam que João era o Elias porque Cristo assim o afirmou:
… Jesus começou a falar às multidões a respeito de João… É aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu mensageiro diante de ti, para te preparar o caminho... E, quer acrediteis ou não, ele é o Elias que estava para vir. (Mateus, 11:7-14)
Para quem aceita Jesus Cristo como manifestante de Deus, a Sua declaração é suficiente. No entanto, muita gente considera estes dois textos bíblicos como contraditórios. Apliquemos o rigor da ciência numa analogia que nos pode ajudar a perceber a diferença entre forma e a função de um fenómeno. Com isto poderemos percebem como João e Jesus estão ambos correctos, cada um na sua perspectiva específica.

Vejamos especificamente a tendência comum para confundir causa e correlação. Em climas temperados no hemisfério norte, desejamos ansiosamente a chegada da Primavera no final de Março. Mas qual é a causa da Primavera? A data do equinócio ou o degelo? Na verdade, não é nenhum deles. O Inverno dá lugar à Primavera quando o movimento orbital da Terra coloca o hemisfério norte mais próximo do Sol. Mas na perspectiva de um agricultor, a primavera chega com o degelo.

É neste momento que o poder e influência do sol são mais evidentes; literalmente o mundo é trazido da morte para a vida. Do mesmo modo, o advento de um profeta de Deus assinala uma primavera espiritual, em que o Sol da Verdade descongela o materialismo e o ódio que endurecem o coração humano, gerando frutos de amor e abnegação.

Para Joseph Wolf e alguns Judeus da sua geração que se converteram ao Cristianismo, o aparecimento de Jesus cumpriu a profecia. Na sua opinião, João desempenhou o papel de Elias ao dizer: “Eu sou a voz de quem grita no deserto: Rectificai o caminho do Senhor” (João 1:23). João Baptista e Elias eram o mesmo no seu propósito, mas eram inteiramente distintos em pessoa, no tempo e o espaço.

Nos ensinamentos Bahá’ís, ‘Abdu’l-Bahá explica:
... se aqui considerarmos não a individualidade da pessoa, mas a realidade das suas perfeições - isto é dizer, as mesmas perfeições que Elias possuía também se percebiam em João Baptista. Assim, João Baptista era o prometido Elias. O que está aqui a ser considerado não é a essência, mas os atributos. (Some Answered Questions, newly revised edition, p. 150)
Joseph Wolf converteu-se ao Cristianismo porque percebeu que João Baptista era o regresso de Elias e observou na vida e ensinamentos de Jesus as funções do prometido Messias. Tornou-se missionário e viajou pelo Médio Oriente e pela Europa. Estava convencido que o trabalho realizado por ele e por outros cumpria Mateus 24:14: “Este Evangelho do Reino será proclamado em todo o mundo, para se dar testemunho diante de todos os povos…” Ele não estava só.

John Wolf convenceu várias pessoas com os seus argumentos, incluindo Harriet Livermore. Ela era tão influente que foi convidada a falar ao Presidente e ao Congresso dos Estados Unidos, em Janeiro de 1827. O fervor milenarista fervilhava enquanto os estudiosos da Bíblia compreendiam a revelação das profecias divinas

Por exemplo, em 23 de Março de 1844, o Império Otomano publicou o Édito da Tolerância, abrindo as portas ao regresso dos Judeus à sua pátria. Houve quem considerasse que isto era o cumprimento de Lucas 21:24: “Serão passados a fio de espada, serão levados cativos para todas as nações; e Jerusalém será calcada pelos gentios, até se completar o tempo dos pagãos.

Nos próximos textos desta série, continuaremos a explorar as mais extraordinárias profecias bíblicas associadas à data do advento de Cristo, e a fascinante história da descoberta da Sua segunda vinda.

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Texto original: Seeking After The Spirit Of Christ (www.bahaiteachings.org)

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Escola Bahá'í de Verão - Alemanha, 1936



Breve filme sobre uma Escola Baha'i de Verão realizada na Alemanha, em 1936.

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Artigos sobre os Bahá'ís no tempo do Nazismo:
  -- Os Bahá'ís e os Nazis
  -- Sub-Humanos

sábado, 2 de abril de 2016

Ciência, Clero e Cegueira Espiritual

Por Russell Ballew.


... os sacerdotes do seu dia impediram as pessoas de alcançar o caminho da verdade. Disto dão testemunho os registos de todas as escrituras e livros celestiais. (Bahá'u'lláh, The Book of Certitude,¶177)
Nicolau Copérnico criou um conceito muito radical; uma ideia que ameaçava a ordem estabelecida e até sua própria vida.

Na verdade, ele tinha tanto medo que o mundo não estivesse pronto para sua hipótese científica revolucionária que adiou a publicação da sua tese até que estar no seu leito de morte, em 24 de Maio de 1543. A sua teoria de que a Terra girava em torno do Sol desafiou a sabedoria convencional e a tradição religiosa. O mundo teve que esperar mais 67 anos até que outra alma corajosa - Galileo Galilei, usando um telescópio rudimentar em 1610 – pudesse testar a hipótese de Copérnico. Galileu demonstrou uma das implicações levantadas pelos detractores de Copérnico que argumentavam: "Se as suas doutrinas fossem verdade, Vénus teria fases como a Lua."

Quando Galileu desenvolveu um telescópio, conseguiu a admiração dos líderes políticos e militares de Veneza. A sua invenção permitiu ver navios de guerra no horizonte muito antes da sua chegada - uma inovação tão valiosa que lhe valeu uma pensão vitalícia.

Depois, Galileu voltou a sua atenção para a importância dos céus. Ao longo de vários de meses, no final de 1610, observou Vénus passar por um conjunto completo de fases. Concluiu que, se Vénus girasse em torno da Terra nunca seria possível vê-lo completamente iluminado, a partir da Terra. Isso só seria possível se Vénus era uma estrela gerando a sua própria luz.

Galileu concluiu que a sua observação apoiava a hipótese de Copérnico de que a Terra gira em redor do Sol.

No entanto, isso não estava de acordo com a tradição da Igreja. Alguns dos seus contemporâneos, incluindo astrónomos, professores e clérigos apresentaram queixas contra Galileu, o que levou a Igreja Católica a condenar sua conclusão como "falsa" e "totalmente contrária à Sagrada Escritura". Depois de publicar Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo em 1632, para reconciliar as observações da ciência e as interpretações da Bíblia, Galileu foi julgado pela Inquisição. Foi considerado "fortemente suspeito de heresia", as suas publicações foram proibidas, e ficou em prisão domiciliária durante os nove anos seguintes da sua vida.

Mais de 380 anos depois, a teoria de Copérnico e a demonstração de Galileu prevaleceram. Então, porque é que a igreja se opôs tão inflexivelmente a Galileu e à sua ciência? No fundo, ele era um católico devoto, cujas inovações já tinham feito muito para melhorar a sua nação e o mundo.

A resposta é simples: a sua tese revolucionária desafiou não só a forma como vemos os céus da Terra, mas também como exploramos o reino dos céus na terra. A sua descoberta desfez aquilo que compreendíamos sobre a criação de Deus, e a forma como entendíamos os mandamentos de Deus.

As ideias de Galileu desafiaram as fundações da autoridade religiosa, ao permitir que as pessoas descubram as suas próprias interpretações da realidade, e por extensão o significado e aplicação da Palavra de Deus. Neste aspecto, a hipótese de Copérnico foi considerada errada não por ser uma tese radical avançado, mas porque as autoridades clericais acreditavam só a Igreja tinha o direito de interpretar a vontade de Deus e, por extensão, o funcionamento das Suas maravilhas no universo.

Um dos sinais da maturidade é a capacidade para apreciar como a própria estrutura de referência tem impacto na observação e na interacção com a realidade. Essa constatação, apoiada pelas experiências de Werner Heisenberg (físico teórico e vencedor do Prémio Nobel), ajuda-nos a perceber o impacto da perspectiva de observação.

O Princípio de Incerteza de Heisenberg afirma que toda a matéria tem tanto estado (estático) e propriedades de onda (dinâmicas) e a tentativa de medir um compromete o outro. Por outras palavras, a forma como se avalia qualquer fenómeno afecta, de facto, aquilo que se observa, pois em última análise, determina aquilo que se vê. Os ensinamentos Bahá'ís sugerem o mesmo princípio, muito antes de Heisenberg:
A retina da visão exterior, embora sensível e delicada, pode, no entanto, ser um obstáculo à visão interior que é a única que pode perceber. As dádivas de Deus que se manifestam em toda a vida dos fenómenos, são por vezes ocultadas pelos véus da visão mortal e mental que tornam o homem espiritualmente cego e incapaz, mas quando essas camadas forem removidas e os véus despedaçados, então os grandes sinais de Deus tornar-se-ão visíveis e ele testemunhará a luz eterna enchendo o mundo. As dádivas de Deus estão total e continuamente manifestas. As promessas do céu estão sempre presentes. Os favores de Deus abrangem tudo, mas se a visão consciente da alma do homem permanecer velada e obscurecida, ele será levado a negar esses sinais universais e permanecerá privado dessas manifestações de bondade divina. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 90)
Ao longo dos próximos artigos, vamos analisar o trabalho pioneiro de três estudiosos milenaristas cristãos distintos, cuja investigação da Bíblia os levou a concluir que o regresso de Cristo ocorreria por volta de 1840. Vamos analisar o seu quadro de referência, o seu processo e as suas conclusões à luz do raciocínio científico. O nosso objectivo é a criação de uma estrutura sólida de referência que nos permita avaliar a relação entre a revelação de Jesus Cristo e que o advento de Bahá'u'lláh

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Texto original: Science, the Clergy and Spiritual Blindness (www.bahaiteachings.org)

segunda-feira, 28 de março de 2016

A Experiência Quase-Morte de Renee Pasarow



Em 1966, Renee Pasarow era uma adolescente quando teve uma experiência quase-morte, em resultado de uma reacção alérgica extrema.

Esteve clinicamente morta durante 45 minutos, até que um médico conseguiu reanimá-la e trazê-la de regresso à vida.

Antes desta experiência quase-morte, Renee tinha tido um único contacto com a Fé Bahá’í. Após esta experiência, Renee aceitou à Fé Bahá’í.

Em 1991, a AEL dos Baha’is de Moopark (California, EUA) divulgou este vídeo com uma palestra em que Renee descreveu a sua experiência.

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Artigos com a perspectiva Baha’i sobre a vida depois da morte:

-- As experiências de quase-morte provam alguma coisa?
-- A Incrível Consistência das Experiências Quase-Morte
-- As Experiências Quase-Morte segundo Platão, Sócrates e Bosch

-- Video copiado do canal Rahmat1919 --

quarta-feira, 23 de março de 2016

Pode a Unidade impedir o próximo ataque terrorista?

Por David Langness.


As religiões divinas devem ser a causa de união entre os homens, e instrumentos da unidade e do amor; devem promulgar a paz universal, libertar o homem de todo preconceito, conceder alegria e júbilo, exercer bondade para com todos os homens e eliminar qualquer diferença ou distinção. (‘Abdu’l-Bahá, Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, p. 28.)
Ontem, bombas terroristas explodiram no aeroporto e numa estação de metro de Bruxelas, matando dezenas de pessoas e ferindo centenas.

A Europa e os Estados Unidos sofreram um crescente número de ataques terroristas ao longo dos últimos meses. Estes ataques aproveitaram a abertura e vulnerabilidade das sociedades Ocidentais, com a sua liberdade pessoal, espaços públicos acessíveis e relativa facilidade para atravessar fronteiras nacionais. Grupos terroristas como o Daesh ou a al-Qaeda juraram atacar alvos na Europa e na América, ameaçando com novos ataques no Ocidente.

A situação geral não mostra sinais de acalmia para breve. As bombas usadas em Bruxelas, dispositivos rudimentares cheios de pregos para infligir o maior número de baixas, foram detonados pelos bombistas suicidas que pretendiam lançar o caos e o medo, e dar as suas vidas ao fazê-lo. Inacreditavelmente, qualquer pessoa com as motivações erradas, pode agora construir uma arma destas – os materiais estão disponíveis em quase toda a parte, e é simples encontrar as instruções detalhadas para construir bombas. Enquanto os terroristas continuarem a acreditar que o Ocidente pode ser responsabilizado pelos conflitos sangrentos em certas partes do mundo – e sejamos claros, enquanto o Ocidente continuar a envolvido em guerras por proxy no Médio Oriente com tropas, bombas e drones – estas mortes aleatórias de civis inocentes irão provavelmente continuar.

Então o que podemos fazer em relação a isto?

Os ensinamentos Bahá’ís têm três sugestões muito específicas: unidade internacional; um crescente nível de integração e unidade nas nossas cidades segregadas; e uma cultura ampla e concertada destinada a eliminar o preconceito religioso.

Primeiro: um dos problemas mais persistentes que impede o mundo de combater o terrorismo de forma eficiente deve-se às suas redes de segurança fragmentadas, isoladas e não comunicantes. Muitos países Europeus, por exemplo, não partilham entre si informações sobre terroristas conhecidos e seus associados. A desconfiança e preconceitos históricos contribuem para o problema. Algumas nações até têm agências de segurança que competem entre si nas suas burocracias nacionais e não partilham prontamente informação entre elas.

Se a União Europeia conseguir reduzir os obstáculos na partilha de informação de segurança, ultrapassar animosidades históricas e preconceitos entre nações, e transmitir de forma mais eficiente informação relevante sobre segurança entre os seus Estados membros, a ameaça de mais ataques pode ser significativamente reduzida. Se as nações do mundo se unirem de forma determinada para parar o terrorismo, poderão conseguir fazê-lo. A dificuldade é apenas a falta de unidade.

Segundo: muitos países Europeus, e muitas cidades Americanas, criaram de forma inadvertida - ou talvez, propositada - guetos de emigrantes estrangeiros. As populações muçulmanas nestas áreas urbanas, amontoadas em bairros pobres, em vez de serem distribuídos e integrados na sociedade mais ampla, tendem a manter as suas práticas culturais e preconceitos trazidos dos seus países de origem. Este isolamento e segregação forçadas podem alimentar um sentimento de alienação em relação ao país de acolhimento, pode fomentar uma desconfiança nas leis locais, pode criar a base de um ódio prolongado, e pode tornar-se um local de refúgio onde jihadistas esperam esconder-se e escapar à justiça.

Se a Europa e a América fizerem esforços concertados para pôr fim à prática de segregação de refugiados e emigrantes, e impedirem a prática comum - intencional, ou não - de criar guetos que impedem a aculturação e a absorção de grandes grupos de pessoas de outros lugares, então podemos começar a livrar as populações de potenciais terroristas e jihadistas. Este tipo de dispersão aceleraria o processo de integração e unificação.

Conseguir este objectivo a longo prazo exige, obviamente, um esforço concertado de muitos sectores da sociedade Ocidental. Podemos começar agora, a nível individual e pessoal, tentando alcançar, encontrar e comunicar com pessoas que vivem em enclaves de emigrantes nas nossas cidades. Só reduzindo o afastamento, travando conhecimento e fazendo amizades com pessoas de diferentes religiões e tradições culturais, e derrubando barreiras entre culturas, podemos começar a integrar e unificar eficientemente as nossas sociedades.

Terceiro: um contra-terrorismo eficiente não significa apenas meios de segurança e integração. Também significa libertar-mo-nos de preconceitos que tradicionalmente assolam as religiões. Desenvolver o entendimento, as ligações e a unidade entre religiões é a solução derradeira para o terrorismo. Isso será o baluarte contra a separação, contra a desconfiança e contra a violência que sempre resulta dessa separação:
O ódio e o rancor religioso são um fogo que consome o mundo, e cuja extinção é muito difícil, a menos que a mão do poder divino liberte o homem desta calamidade infrutífera.
Acautelai-vos com o preconceito; a luz é boa em qualquer lâmpada que brilhe. Uma rosa é bela em qualquer jardim que possa florescer. Uma estrela tem a mesma radiância, se brilhar no oriente ou no ocidente.

Todos os Profetas de Deus vieram para unir os filhos dos homens e não para os dividir; ponham em prática a lei do amor e não a inimizade.

Devemos banir o preconceito. Preconceitos religiosos, patrióticos e raciais devem desaparecer, pois são destruidores da sociedade humana.

Devemos tornar-nos causa de unidade da raça humana. (‘Abdu’l-Bahá, Divine Philosophy, p. 25.)

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Texto original: How Unity Could Stop the Next Brussels Bombing (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 12 de março de 2016

quinta-feira, 10 de março de 2016

Na tomada de posse de Marcelo

A Comunidade Baha'i esteve presente na cerimónia inter-religiosa na Mesquita Central de Lisboa que assinalou a a tomada de posse do Presidente da Republica.

Reportagem da Renascença aqui.


sábado, 5 de março de 2016

Será a minha Fé Bahá’í compatível com o Feminismo?

Por Saba Farbodkia.


Como mulher Bahá'í, muitas vezes me pergunto se o feminismo é compatível com a religião. E na maioria das vezes, tendo a responder que não. O feminismo é definido como um movimento para acabar com o sexismo, que é depois definido como preconceito, estereótipo ou discriminação, geralmente contra as mulheres, com base no sexo. Um movimento desses deve tentar erradicar as normas sociais e valores religiosos e culturais que pressionam as pessoas a adoptar determinadas funções, atributos ou obrigações, ou limitam os seus direitos e responsabilidades, com base no seu sexo. Por outro lado, as religiões atribuem muitas vezes funções, obrigações e direitos para as pessoas com base no seu sexo. Uma religião só pode ser compatível com o feminismo se estiver em silêncio no tema do sexo das pessoas, ou se afirmar que o sexo não é um factor determinante nos papéis e estilos de vida das pessoas.

A Fé Bahá'í, definitivamente, não é assim. Nascida há cerca 170 anos, no Irão, a Fé Bahá'í é uma religião relativamente nova, supostamente adequada aos tempos actuais. Ainda assim, tem situações particulares de atribuição de diferentes papéis para mulheres e homens no nível da vida individual, familiar e social. Os homens, por exemplo, são obrigados a fazer uma peregrinação se tiverem capacidade financeira para tal, e as mulheres têm o direito a fazê-la, mas não são obrigadas. As mulheres podem decidir não jejuar, e dizer orações obrigatórias ou uma oração alternativa, durante a menstruação. As mulheres estão privadas do direito de ser eleitas como membros da Casa Universal de Justiça. As mães têm o direito ao apoio financeiro dos seus maridos, mas o contrário não acontece. Um homem necessita dar um dote à mulher para o casamento. Nas situações em que não existe um Testamento de uma pessoa falecida (o que não é suposto acontecer com muita frequência, pois os Bahá'ís são obrigados por Bahá’u’lláh a escrever um testamento para definir como desejam distribuir os seus bens), alguns dos seus familiares do sexo feminino recebem uma herança um pouco menor do que os parentes do sexo masculino. As meninas têm prioridade na educação, se as oportunidades para educar as crianças forem limitadas.

A Fé Bahá'í, tal como muitas outras religiões, não é completamente compatível com o objectivo feminista de acabar com "a discriminação em função do sexo." No entanto, é definitivamente compatível com o objectivo de acabar com preconceitos e estereótipos com base no sexo. Com efeito, o princípio da "igualdade entre homens e mulheres" é um dos princípios fundamentais da Fé, todos eles focados no objectivo final da unidade da humanidade. 'Abdu'l-Bahá, o filho do fundador da Fé Bahá'í e Seu sucessor nomeado como líder da Fé Bahá'í, descreve homens e mulheres como "iguais aos olhos de Deus" e dotados de "perfeições e inteligência [...] sem diferenciação ou distinção quanto à superioridade [1]"; considerar as mulheres como inferiores não está de acordo com o plano de Deus. Também explicou que a única razão para o atraso das mulheres é a "falta de educação e formação, [... e] de igualdade de oportunidades [2]". Este ponto de vista não é o único aspecto promissor que podemos encontrar na Fé Bahá'í sobre as mulheres.

A Fé Bahá'í ainda tem o potencial para melhorar a actual opinião do mundo em relação a assuntos que ainda são um problema, mesmo no Ocidente. Por exemplo, ‘Abdu’l-Bahá reconhece que a desigualdade entre homens e mulheres não é apenas uma questão feminina: Ele descreve o mundo da humanidade como um pássaro, em que uma das asas são mulheres e a outra são os homens, e afirma que o pássaro não pode voar, a menos que as duas asas sejam suficientemente fortes. Portanto, a desigualdade actual é uma questão que provoca sofrimento a todos, independentemente do seu sexo, e que atrasa o progresso da nossa civilização pode fazer neste mundo.

Outro exemplo é o reconhecimento implícito de 'Abdu'l-Bahá do assim chamado "efeito menina". Ao descrever porque é que se deve dar prioridade à educação das meninas quando as oportunidades são limitadas, ‘Abdu’l-Bahá afirma que isto se deve ao facto de elas virem a ser mães e as primeiras educadoras dos filhos. O "efeito menina" refere-se a uma descoberta recente na área do desenvolvimento socio-económico sobre como tornar as meninas a primeira prioridade na educação nas áreas pobres faz com que os programas de desenvolvimento sejam mais sustentáveis, evitando gravidezes precoces e ter filhos pobres, permitindo-lhes criar os filhos capacitados que não precisam de tanta ajuda caridade quando crescem na geração seguinte.

Outro exemplo é a culpabilização das vítimas. Bahá'u'lláh, o fundador da Fé Bahá'í sugere que nenhuma mulher merece ser agredida, independentemente do seu aspecto ou onde que esteja:
"O meu objectivo ao vir a este mundo corrupto [...] é estabelecer, através do poder de Deus e Seu poder, as forças da justiça, confiança, segurança e fé. Por exemplo, se uma mulher [...], que seja insuperável na sua beleza e adornada com as mais requintadas e valiosas jóias, viajar sozinha e sem véu, do oriente ao ocidente, passando por todas as terras e visitando todos os países, haverá um tal padrão de justiça, confiança e fé por um lado, e a ausência de traição e degradação por outro, que não se encontraria alguém que gostasse de lhe roubar os seus bens ou lhe lançasse um olhar pérfido e lascivo sobre a sua bela castidade! [3]"
Considerando isto no contexto de onde Bahá’u’lláh veio, onde todas as mulheres costumavam usar véu e viajar sem um guardião masculino seria considerado quase uma impossibilidade, isto foi bastante revolucionário. A Fé Bahá'í afirme que os seus mandamentos são enviados por Deus para os tempos actuais, e válidos durante pelo menos alguns séculos; sendo assim, isto acaba por não ser uma surpresa, e até se poderia esperar ainda mais!

Tendo em conta todos os seus princípios e ensinamentos por um lado positivo, e todas as discriminações que faz com base no sexo do outro lado, eu ainda não tenho resposta clara para esta pergunta: Será a Fé Bahá'í, tal como ela é, e sem qualquer filtro, compatível com o feminismo?

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NOTAS:
[1] The Promulgation of Universal Peace; p.174
[2] Ibid
[3] Adib Taherzadeh’s The Revelation of Bahá’u’lláh v 2, p. 141

TEXTO ORIGINAL: Is My Baha’i Faith Compatible with Feminism? (www.feminismandreligion.com)

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Saba Farbodkia é um estudante de Doutoramento em Neurociência na Queen’s University, Ontario (Canadá). Nascida no Irão numa família Bahá'í, aceitou a Fé Bahá'í aos 15 anos, e fez os seus estudos universitários em biologia e Neurociência no Irão, no Baha’i Institute for Higher Education (BIHE). O seu interesse pelo feminismo começou como uma resposta à influência de uma cultura repressiva das mulheres no Irão. O contacto com livros progressistas muçulmanos levou-a ao encontro de questões relacionadas com a Fé Bahá’í e o feminismo.

quarta-feira, 2 de março de 2016

Porque é que os Bahá’ís fazem jejum?

Por Faraneh Hedayati.


Em verdade vos digo, o jejum é o remédio supremo e a mais grandiosa cura para a doença de ego e da paixão. (Bahá'u'lláh, p. XVII, The Importance of Obligatory Prayer and Fasting)
Este Jejum leva à limpeza da alma de todos os desejos egoístas, à aquisição de atributos espirituais, à atracção das brisas do Todo-Misericordioso, e ao atear do fogo do amor divino... O jejum é a causa da elevação da condição espiritual de uma pessoa. ('Abdu'l-Bahá, Ibid, pp XXVI-XXVII)
No dia 2 de Março, milhões de Bahá'ís, em todo o mundo, vão voluntariamente deixar de comer e beber entre o nascer e o pôr-do-sol durante dezanove dias consecutivos. Porquê?

Durante o jejum Bahá'í, os Bahá'ís abstêm-se de comida e bebida entre o nascer ao pôr-do-sol de cada dia durante o mês Bahá'í de Ala, que compreende os dezanove dias que antecedem o equinócio da primavera. Shoghi Effendi, o Guardião da Fé Bahá'í, explica que este jejum Bahá'í anual:
... é essencialmente um período de meditação e oração, de recuperação espiritual, durante o qual o crente se deve esforçar para fazer os reajustamentos necessários na sua vida interior, e para refrescar e revigorar as forças espirituais latentes na sua alma. O seu significado e propósito são, portanto, fundamentalmente de carácter espiritual. (Directives from the Guardian, p. 28)
Pode não saber, mas a maioria das religiões têm um período de jejum durante uma época do ano - Cristãos, Judeus, Hindus, Taoistas, Muçulmanos e Jainistas, todos praticam alguma forma de jejum anual. Os Judeus cumpridores jejuam durante seis dias, especialmente no Yom Kippur e Tisha B'Av; os Muçulmanos jejuam entre nascer e pôr-do-sol durante 30 dias no mês lunar do Ramadão; os Católicos jejuam durante a Quaresma e outros dias sagrados; diferentes denominações cristãs jejuam individualmente e voluntariamente; os Hindus jejuam em várias épocas do ano; muitas práticas Budistas também incluem o jejum.

Assim, o jejum tem sido praticado em diferentes formas e épocas ao longo de milénios como parte da vida religiosa, mas o princípio permanece o mesmo - o jejum simboliza desprendimento do mundo físico e do ego. Os Bahá'ís vêem o jejum como um exercício espiritual, mas, recentemente, a ciência lançou uma nova luz sobre o seu papel importante na biologia e fisiologia humana (outro exemplo do acordo entre ciência e religião, um dos princípios básicos Bahá'ís).

De acordo com estudos recentes, o jejum intermitente tem benefícios significativos para a saúde. Promove a saúde física ideal, reduzindo o risco de muitas doenças crónicas, especialmente para quem sofre de obesidade. Com base nas provas existentes de estudos em animais, o jejum tem efeitos consideráveis sobre indicadores de saúde, incluindo uma maior sensibilidade à insulina, níveis reduzidos de pressão arterial, gordura corporal, insulina, glicose, lípidos aterogénicos, e inflamações. O jejum alivia processos de doença e melhora os resultados clínicos em distúrbios, tais como enfarto do miocárdio, diabetes, acidente vascular cerebral, doença de Alzheimer e de Parkinson.

O jejum, com o seu mecanismo geral de desencadear respostas adaptadas ao stress celular, causa um aumento da capacidade para lidar com o stress mais intenso, o que impede processos de doença desde o início. O jejum também protege as células de danos no ADN, suprime o crescimento de células e intensifica a apoptose de células danificadas, facto que, consequentemente, evita a formação e o crescimento de cancros. O jejum ajuda a reduzir a obesidade, a hipertensão, a asma e a artrite reumatóide. Os investigadores já começaram a mostrar que o jejum ainda tem o potencial de retardar o envelhecimento.

Com todos estes benefícios para a saúde, é o jejum difícil? Quem já fez jejum sabe que o corpo se adapta gradualmente a uma nova rotina, e em condições normais pode lidar bem com a falta de alimento durante doze horas. Mas os ensinamentos Bahá'ís dizem que o jejum não pode ajudar o processo de cura, se uma pessoa já está doente. Em alguns casos, tal como os diabéticos, o jejum pode ser prejudicial:
... a oração obrigatória e o jejum ocupam uma posição elevada aos olhos de Deus. É, no entanto, num estado de saúde de que a sua virtude se pode perceber. Em tempos de problemas de saúde não é permissível observar tais obrigações... (Bahá'u'lláh, The Most Holy Book, p. 134)
Os Bahá'ís jejuam desde a idade de maturidade (que os ensinamentos Bahá'ís dizem que começa aos 15 anos) até aos 70 anos de idade. Aqueles que estão doentes, grávidas e mães que amamentam, quem executa trabalhos pesados, e mesmo aqueles que fazem longas viagens estão isentos do jejum.

Gostaria de tentar jejuar durante o jejum Bahá'í deste ano? Pode aumentar a sua saúde física e espiritual, e conseguir um novo despertar:
O jejum é a causa do despertar do homem. O coração torna-se terno e a espiritualidade do homem aumenta. Isto é causado pelo facto dos pensamentos do homem estarem confinados à comemoração de Deus, e através desse despertar e estimulo certamente se seguirão progressos ideais. ('Abdu'l-Bahá, Star of the West, Volume 3, p. 305)
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Texto original: Why Do Baha’is Fast Every Year? (www.bahaiteachings.org)