terça-feira, 30 de agosto de 2016

Empresário Bahá'í e filha detidos em Shiraz, Irão


No passado sábado, 27 de Agosto de 2016 vários agentes policiais fizeram uma rusga à residência do Sr. Nematollah Bangaleh, tendo ele e a sua filha sido detidos. Vários bens no interior da residência foram destruídos no decorrer da operação. Foram apreendidos computadores, telefones, livros e imagens sagradas.

O Sr. Bangaleh é um empresário que há alguns meses atrás viu várias mercadorias retidas na alfândega durante muito tempo. Esta não é a primeira vez que os Bahá'ís economicamente bem-sucedidos vêem as suas empresas e residências serem alvo de ataques.

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FONTE: Baha’i Businessman Arrested with His Daughter in Shiraz, Iran (Iran Press Watch)

sábado, 27 de agosto de 2016

A Ascensão do Cristianismo e a Ruína da Ciência

Por Maya Bohnhoff.


Um dos mitos mais comuns sobre ciência e religião é que o crescimento da fé - ou da ortodoxia - provocou a ruína das ciências nascentes.

Um modelo usado para sustentar esta ideia é o confronto clássico entre Galileu e a Igreja Católica. Outro é o martírio da matemática egípcia, Hipátia, no século V. Segundo a lenda, Hipátia foi arrastada da sua carruagem e morta numa igreja de Alexandria, por uma multidão de cristãos fanáticos. Havia um panfleto escrito sobre ela em 1720 por um tal John Toland com este título impressionante (respire fundo antes de ler): A História de uma Mulher Belíssima; que foi despedaçada pelo clero de Alexandria para satisfazer o orgulho, a rivalidade, e a crueldade do Arcebispo, comummente, mas imerecidamente, intitulado São Cirilo.

Esta história foi apresentada durante séculos como um exemplo do que acontece quando a ciência iluminada entra em conflito com qualquer forma de crença religiosa. Mas será uma história fidedigna? Segundo uma biografia recente de Hipátia, escrita por Maria Dzielska, a resposta é não. Dzielska revela que Hipátia estava envolvida numa luta política local com o referido Cirilo de duvidosa santidade - que Dzielska descreve como "um clérigo ambicioso e implacável, desejando alargar a sua autoridade" - e Orestes, o Perfeito Imperial Romano da região, e também um amigo Hipátia.

O martírio de Hipátia, em Alexandria
Orestes, tal como Cirilo, era cristão. Mas Cirilo não gostava de Orestes porque o Prefeito desafiou a sua própria autoridade e ambições. Cirilo invocou a amizade de Orestes com a pagã Hipácia para denegrir a sua reputação. Para apimentar a história, Cirilo acusou a mulher de feitiçaria.

Orestes era o verdadeiro alvo de Cirilo, e não Hipátia. Era um alvo por razões políticas, e não religiosas ou científicas. Cirilo nunca perseguiu os filósofos naturais como classe, embora tenha atacado violentamente os pagãos. Apesar das suas acções, as ciências e a matemática floresceram em Alexandria nas décadas seguintes. Os registos históricos não confirmam a alegação de que a ascensão do Cristianismo como religião foi o toque de finados do desenvolvimento científico.

O falecido historiador da ciência David C. Lindberg apresentou a ideia de que os relatos enganadores encontrados em obras como The Closing of the Western Mind de Charles Freeman são "tentativas de manter vivo um mito antigo: a imagem do cristianismo primitivo como um refúgio de anti- intelectualismo, uma fonte de sentimento anticientífico", e a causa do que se tornou conhecido como Idade das Trevas na Europa.

Então, de onde vem o mito?

Lindberg olha para as declarações de Tertuliano e outros filósofos religiosos que eram expressão de um certo desdém para com "Atenas" (sinónimo de erudição pagã). Taciano, um estudioso da Mesopotâmia do século II e contemporâneo de Tertuliano, perguntou:
Que coisas nobres produziste na tua busca pela filosofia? Qual dos teus homens mais eminentes se libertaram da vanglória?... Portanto, não te deixes levar pelas assembleias solenes de filósofos que não são filósofos, que dogmatizam as fantasias rudes do momento. (Galileo Goes to Jail, p. 11)
Aqui, Taciano foca-se nos "frutos" da filosofia, naquilo que ela realmente produz. Bahá'u'lláh expressou um sentimento semelhante:
Conhecimento é semelhante a asas para o ser (do homem) e como uma escada para subir. Compete a todos adquirir conhecimento, mas daquelas ciências que podem beneficiar o povo da terra, e não aquelas ciências que são meras palavras e terminam em meras palavras. (Baha’i World Faith, p. 189)
Mas, em seguida, acrescenta o seguinte:
Os possuidores de ciências e artes têm uma grande prerrogativa entre os povos do mundo. Na verdade, o verdadeiro tesouro do homem é o seu conhecimento. O conhecimento é o instrumento da honra, prosperidade, alegria, alegria, felicidade e exaltação. (Idem).
O contexto é fundamental. Tertuliano e Taciano não denegriram o conhecimento, mas antes o dogmatismo construído sobre "fantasias rudes" e tendências intelectuais. A sua atitude para com o dogmatismo filosófico deve ser considerada no contexto do facto de que eles e os seus colegas utilizarem os métodos da filosofia grega nas suas próprias áreas de estudo e pensamento. Eles alinharam as suas ideias com aqueles parceiros agradáveis como as escolas filosóficas do platonismo ou neoplatonismo, estoicismo, aristotelismo e neopitagorismo.

Lindberg coloca uma questão fascinante e simultaneamente crítica: "O que é que essas tradições religiosas e filosóficas têm a ver com a ciência?"

Naquele momento da história, a "ciência" não existia como uma disciplina, e seu progenitor - a chamada filosofia natural - não se distinguia da religião ou filosofia em geral. Havia, é claro, crenças sobre a natureza, medicina, bem-estar, doença, fenómenos naturais e a vida em geral. Essas coisas eram estudadas e escrevia-se sobre elas, muitas vezes com ênfase na sua relação com Deus ou deuses. A ideia de que pessoas religiosas desse tempo fossem foram patetas que não pensavam em nada senão as páginas da Bíblia (se é que possuíam esse documento), é uma caricatura, na melhor das hipóteses. O estudo do mundo natural foi um ramo do saber para pensadores cristãos e pensadores não-cristãos. Passariam séculos antes que essas áreas do saber fossem assinaladas com rótulos onde se lia "Ciência" e "Religião".

Na verdade, o que os filósofos cristãos discutiam era o propósito do conhecimento e a atitude apropriada para com o que se poderia retirar da realidade física. No decurso deste debate, eles revelaram uma profunda compreensão e domínio das metodologias utilizadas também nas filosofias a que se opunham. De facto, eles não se opunham à filosofia natural, mas a certos princípios filosóficos que concluíram - racionalmente - serem irrelevantes, infrutíferos, ou mesmo enganadores. Considerando a ênfase de Cristo na vida frutífera do cristão, isto não é surpreendente.

Longe de denegrir o conhecimento, os primeiros pensadores cristãos promoveram os benefícios de uma congregação bem informada. Foi neste contexto que Agostinho lamentou a ignorância de alguns dos seus companheiros cristãos:
Mesmo um não-cristão sabe alguma coisa sobre a terra, os céus, e os outros elementos... sobre o movimento e órbita das estrelas... e assim por diante, e é esse conhecimento ele defende, como sendo correcto segundo a razão e a experiência. Agora é uma coisa vergonhosa e perigosa para um infiel [um não-cristão] ouvir um cristão... a dizer disparates sobre esses assuntos; e devemos tomar todas as medidas para evitar uma situação tão embaraçosa, em que as pessoas vêem uma vasta ignorância num Cristão e riem-se em desprezo.
Agostinho e os seus companheiros aplicaram metodologias filosóficas greco-romanas aos fenómenos naturais e à interpretação bíblica. Não surpreende, portanto, que algumas das maiores conquistas e descobertas científicas que sustentam a ciência ocidental tenham sido feitas por estudiosos da religião, ou que o principal agente a incentivar esta descoberta e conquista tenha sido a igreja Cristã.

Além das multidões de fanáticos de ambos os "lados" (cristãos e não-cristãos citaram Tertuliano para defender os seus pontos de vista) a diferença entre as ideologias "científica" e "religiosa" estava em grande parte na atitude. Os filósofos naturais Cristãos defendiam o conhecimento aplicado - um conhecimento que não era um fim em si mesmo, mas sim uma ferramenta para ser usada na compreensão do propósito da existência humana.

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Texto original: The Rise of Christianity and the Demise of Science (www.bahaiteachings.org)

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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.

sábado, 20 de agosto de 2016

Religião e Política: podemos mantê-las separadas?

Por David Langness.


Sede as personificações da justiça e da equidade entre toda a criação. (Bahá'u'lláh, The Most Holy Book, p. 87)
... A religião não se deve preocupar com questões políticas. A religião preocupa-se com coisas do espírito, a política com as coisas do mundo. A religião tem de trabalhar com o mundo do pensamento, enquanto o campo da política está no mundo das condições externas. ('Abdu'l-Bahá, Paris Talks, pp 132-133)
Inicialmente, quando me tornei Bahá’í - tenho que admitir - debati-me com o princípio Bahá'í de não-envolvimento na política partidária, que facilmente se tornou para mim o novo conceito espiritual mais difícil entender e seguir.

Fui criado sem qualquer religião real e numa época de grande agitação social; quando era jovem comecei a acreditar que a forma de mudar o mundo para melhor incluía mudar a nossa liderança política. Afinal, pensei, se fossemos governados por políticos mais pacíficos e menos preconceituosos, eles poderiam levar-nos a uma nova e mais esclarecida sociedade. E seguidamente, vários líderes - o Presidente Kennedy, o seu irmão Robert, Malcolm X e Martin Luther King, Jr. - todos foram vítimas de balas de assassinos no espaço de meia década.

Após esses acontecimentos trágicos, quando, posteriormente, o meu país elegeu muitos líderes que continuaram as suas guerras, não conseguiram resolver adequadamente o problema do racismo e frustraram os esforços para construir a unidade internacional, comecei a perceber que os políticos só podem fazer o que a população em geral decide e permite que eles façam. Os líderes só podem liderar aqueles que os querem seguir. Qualquer líder que se coloque muito longe à frente das opiniões dos povos corre o risco de ver a sua carreira terminar abruptamente.

Quando estudei os ensinamentos Bahá’ís, descobri que a verdadeira mudança tem que vir de baixo e não pode ser imposta de cima - e a verdadeira mudança, tal como todos os profetas de Deus ensinaram, começa no coração e no espírito humano:
A religião diz respeito a assuntos do coração, do espírito e da moral.

A política ocupa-se com as coisas materiais da vida. Os professores religiosos não devem invadir o domínio da política; eles devem preocupar-se com a educação espiritual do povo; eles devem sempre dar bons conselhos aos homens, tentando servir Deus e a espécie humana; eles devem-se esforçar para despertar a ambição espiritual, e esforçar-se por ampliar a compreensão e o conhecimento da humanidade, por melhorar a moral, e por aumentar o amor pela justiça.

Isto está de acordo com os Ensinamentos de Bahá'u'lláh. No Evangelho também está escrito: "Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus." ('Abdu'l-Bahá, Paris Talks, pp 158-159)
Estas breves palavras de 'Abdu'l-Bahá resumem claramente os ensinamentos Bahá'ís sobre a separação entre religião e política. Os Bahá’ís acreditam que os dois não se misturam bem:
Sempre que os líderes da gloriosa religião de Deus e os pilares da Sua poderosa Lei intervieram nos assuntos políticos, concebendo esquemas e elaborando planos, isso, inevitavelmente destruiu a unidade dos crentes e dispersou as fileiras dos fiéis; a chama de sedição foi ateada e o fogo de hostilidade consumiu o mundo; o país foi pilhado e saqueado; e as pessoas caíram nas mãos dos medíocres. ('Abdu'l-Bahá, o Tratado sobre a Política, citado pela Casa Universal de Justiça, numa carta a um indivíduo Bahá'í, 18 de Abril de 2001)

A Comunidade Bahá'í é uma organização mundial que procura estabelecer a paz verdadeira e universal na terra. Se um Bahá’í trabalha para um partido político para superar outro, isso é uma negação do próprio espírito da Fé. Assim, a filiação em qualquer partido político, implica necessariamente o repúdio de alguns ou de todos os princípios de paz e unidade proclamados por Bahá'u'lláh. (Carta às Assembleias Espirituais Nacional Africanas, 08 de Fevereiro de 1970, The Universal House of Justice, Messages 1963 to 1986, p. 163)
Portanto, a fim de se tornarem, tal como pede Bahá'u'lláh, "a personificação da justiça e da equidade entre toda a criação", os Bahá’ís abstêm-se de participar na política partidária, aderir aos partidos políticos ou fazer campanha pelos candidatos. Os Bahá’ís são livres para tomar parte na vida cívica através do voto, defendendo causas humanitárias e até mesmo concorrendo e aceitando cargos não-partidários de serviço civil e público - mas não participando em debates, eleições e sistemas políticos divisivos.

Os Bahá’ís não rejeitam a liderança política correcta e honesta, nem se opõem a esses líderes - na verdade, os Bahá’ís aceitam e louvam os governantes justos, são fiéis aos seus governos e cumprem a lei. Em vez de tentar realizar mudanças através das velhas ferramentas do partidarismo e do seu divisionismo inerente, os Bahá’ís concentram os seus esforços no aperfeiçoamento do carácter interior humano, na promoção mundial da justiça social, e na construção de uma ordem administrativa Bahá'í diversificada, global e unificada, apresentando-a ao mundo como um modelo para uma futura sociedade internacional:
Que se abstenham de se associar, seja por palavras ou por actos, com as actividades políticas dos seus respectivos países, com as políticas dos seus governos e os esquemas e programas dos partidos e das facções... Que afirmem a sua firme determinação em manter-se, firmemente e sem reservas, no caminho de Bahá'u'lláh, para evitar os enredos e questiúnculas inseparáveis das actividades do político, e a tornarem-se agentes dignos desse Política Divina que encarna o propósito imutável de Deus para todos os homens... (Shoghi Effendi, Carta aos Bahá’ís dos Estados Unidos e Canadá, 21 de Março de 1932)
Os Bahá’ís trabalham pela unidade da raça humana, e não pela sua desunião:
A nossa esperança é que os líderes religiosos do mundo e os seus governantes se ergam unidos pela reforma desta era e pela reabilitação do seu destino. Que eles, depois de meditar sobre as suas necessidades, consultem em conjunto e, por deliberação inquieta e plena, administrem a um mundo doente e penosamente aflito o remédio que necessita... Queira Deus, que os povos do mundo possam ser levados, como resultado dos altos esforços exercidos pelos seus governantes e pelos sábios e eruditos entre os homens, a reconhecer os seus melhores interesses. Durante quanto tempo vai a humanidade persistir na sua obstinação? Durante quanto tempo continuará a injustiça? Durante quanto tempo reinarão o caos e confusão entre os homens? Durante quanto tempo vai a discórdia agitar a face da sociedade? (Bahá'u'lláh, SEB, CX)
A resposta a estas questões profundas, de acordo com os ensinamentos Bahá’ís, é a unidade.

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Texto original: Religion and Politics—Can We Keep them Apart? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Irão: Casa de Bahá’u’lláh em Teerão em foco na comunicação social


No passado dia 1 de Maio, a Casa de Bahá'u'lláh situada numa rua próxima da Pamenar Street, em Teerão, foi selada, na sequência de uma decisão judicial, tendo sido salientado que qualquer tentativa para reabrir a casa seria alvo de um processo judicial. O edifício é de propriedade do governo e foi renovado em 2013.

Pelas informações recebidas, não está claro o que se conseguiu com o encerramento da casa. De acordo com a comunicação social controlada pelo governo iraniano, os Bahá’ís tinham tentado comprar as propriedades vizinhas "para desenvolver o edifício histórico como um local para reuniões religiosas e devocionais" (ou, mais provavelmente, impedir que um promotor imobiliário pudesse destruir a área). De acordo com esta comunicação social, a negligência, a ignorância e a má gestão do edifício histórico por parte dos funcionários do Ministério do Património Cultural levou-os a pedir aos Bahá’ís que tentassem - sem sucesso - registar a casa como monumento cultural.

A idade e a beleza do edifício não deixam margem para dúvidas, de acordo com estes meios de comunicação, que a recusa de registo do edifício se deveu ao preconceito anti-Bahá’í. Mas a casa não está ligada apenas à comunidade Bahá’í; é parte da história do Irão e pertence a todos os iranianos. Embora a casa seja um local sagrado para os Bahá’ís, estes, para evitar problemas, abstiveram-se de realizar actividades nas proximidades, e até mesmo de caminhar nas redondezas.


Alguns observadores salientam que o registo do edifício como monumento cultural, em particular se for incluído na lista de património mundial da UNESCO, impediria a construção de edifícios modernos na área adjacente. O encerramento judicial impede a manutenção e o processamento do registo do local como património cultural.

O Ministério dos Lugares Culturais e do Artesanato, com responsabilidades na protecção do património e no desenvolvimento do turismo, está a ser responsabilizado por não conseguir registar o edifício (por causa do preconceito anti-Bahá’í) e por trabalhar com Bahá’ís para tentar conseguir o registo! Não se percebe porque é que o assunto surgiu agora na imprensa, pois o encerramento ocorreu em Maio tendo isso sido noticiado de forma limitada nessa ocasião.

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FONTES:
House of Baha’u’llah in Tehran in the news in Iran (Sen’s Daily)
پلمپ بیت مبارک حضرت بهاالله پیشوای دیانت بهایی (Gold News)

ARTIGO RELACIONADO:
Casa de Bahá'u'lláh em Teerão: uma polémica pré-eleitoral no Irão (com várias fotos)

São os actos que nos distinguem...


domingo, 14 de agosto de 2016

Dilúvio e Cataclismo: o que acontece com a subida do nível do Mar?

Por David Langness.


Foi feita menção em certos livros sobre um dilúvio que fez com que tudo o que existia na terra, registos históricos assim como outras coisas, fosse destruído. Além disso, ocorreram muitos cataclismos que eliminaram os vestígios de muitos eventos. (Bahá’u’lláh, SEB, LXXXVII)

As mudanças climáticas antropogénicas não são inevitáveis; a humanidade escolhe as suas relações com o mundo natural. (The Baha’i International Community, Shared Vision and Shared Volition - Choosing Our Global Future, Statement to the Paris Climate Conference, December, 2015)
Todos conhecemos a história de Noé e do dilúvio. Originalmente surgiu na tradição judaico-cristã, certo?

Não. A conhecida história de Noé no Génesis apenas representa uma das muitas versões de uma antiga narrativa.

A maioria das religiões mundiais – e antigas civilizações – apresenta alguma variante do conhecido mito do dilúvio. Provavelmente iniciou-se na antiga região agrícola da Mesopotâmia, naquilo que os historiadores designam como o antigo período Babilónico, vinte séculos antes de Cristo, muito antes da revelação da Torá. Temos pelo menos nove versões do mito do dilúvio que precedem o de Noé; o primeiro é conhecido como o Dilúvio Sumério. A mais conhecida destas histórias – o Épico de Gilgamesh, a mais antiga obra literária da humanidade – data de 2100 a.C. Nessa história, o papel de Noé é desempenhado por um imortal chamado Utnapishtim, que significa “aquele que encontrou a vida”.

Assim, praticamente todas as culturas têm uma história sobre o dilúvio. Estes mitos do dilúvio vieram da Mesopotâmia, da mitologia grega, do Génesis (na Torá), da mitologia nórdica, de fontes Hindus na Índia, do Alcorão, e de muitos povos indígenas como os Maias e os grupos tribais Ojíbuas nas Américas. O que poderia ter inspirado essa história tão conhecida?

As gigantescas inundações que se seguiram ao último período glacial, que terminou há cerca de 10.000 anos, podem ser a fonte destes mitos culturais persistentes e muito difundidos. Durante esse período, o Homo Sapiens migrou do seu lar original em África, e começou a habitar as regiões quentes da Terra. Quando o último período glacial terminou e o mundo começou a aquecer, os glaciares que cobriam grande parte do Hemisfério Norte derreteram e recuaram.

Com a água do degelo dos glaciares formaram-se grandes mares interiores, muito maiores que o Lago Baikal (Rússia) ou os Grandes Lagos (EUA). O nível dos mares subiu rapidamente, inundando vastas áreas anteriormente secas e redesenhando as linhas costeiras. Podemos imaginar como as diversas culturas desenvolveram as suas histórias sobre o dilúvio se pensarmos nas inundações catastróficas criadas pelo degelo dos glaciares.

Os cientistas acreditam que a humanidade está prestes a enfrentar grandes inundações, recuo dos glaciares e aumento do nível dos mares, tudo causado pelo aquecimento da Terra resultante das alterações climáticas. E pensam que isto acontecerá muito mais rapidamente.

Na verdade, um novo estudo realizado por oito cientistas especializados em clima publicado na prestigiada revista Nature descobriu que as elevadas e continuadas emissões de gases de efeito de estufa podem provocar a desintegração das duas maiores camadas de gelo em algumas décadas, lançando água suficiente no oceano para fazer subir o nível dos mares 1 a 2 metros, em 2100. Se isto acontecer, obrigaria a deslocar metade da população mundial, criando um enorme caos e sofrimento, e causado um tremendo prejuízo económico.

Os investigadores também descobriram que o aumento do nível do mar poderia aumentar exponencialmente no próximo século, a um ritmo superior a 30 cm por década. Os cientistas documentaram esses aumentos rápidos num passado geológico distante, quando camadas de gelo muito maiores entraram em colapso; mas a maioria dos cientistas assumia que que seria impossível chegar a cadências tão extremas com as pequenas camadas de gelo que agora existem na Groenlândia e na Antárctida. Essa suposição revelou-se falsa; isso que significa a humanidade enfrentará uma inundação catastrófica de proporções míticas num futuro próximo.

Os cientistas que escreveram o novo relatório basearam as suas conclusões em melhoramentos feitas num modelo computorizado da Antárctida que inclui factores recentemente descobertos que põem em risco a estabilidade da maior camada de gelo do mundo. A nova ferramenta de modelação por computador permite que os cientistas, pela primeira vez, reproduzam os elevados níveis do mar no passado. Agora é possível seguir com precisão os níveis do mar imediatamente após a última Era Glacial, quando estes eram muito mais elevados do que os seus níveis actuais, e usar esses níveis para criar um modelo dos efeitos do derretimento das calotas polares num futuro próximo.

Como pode a humanidade evitar os piores efeitos desta crise provocada pelo ser humano?

Os Bahá’ís acreditam na concordância entre ciência e religião; como consequência, os ensinamentos Bahá’ís apresentam soluções viáveis para estes tremendos problemas globais:

A religião e a ciência apresentam perspectivas complementares na formação da vida colectiva e individual. Ambas influenciam as escolhas e as prioridades, e ambas são necessárias para organizar de forma justa e sustentável os assuntos da humanidade.
Abordar as alterações climáticas globais é um trabalho que, em última análise, gira em torno do propósito de vidas humanas bem vividas. Isto é um objectivo acalentado por povos, culturas e religiões em todo o mundo. Nele podemos encontrar um poderoso ponto de unidade que pode apoiar o trabalho que temos pela frente. (The Baha’i International Community Statement to the Lima, Peru Climate Change Conference, 2008)
O que significa a frase “vidas humanas bem vividas”? No próximo texto vamos ver a definição Bahá’í para este termo e explorar algumas das suas implicações mais profundas para a resolução de problemas para a crise da subida dos níveis dos mares.

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Texto original: Deluge and Cataclysm: What Happens when the Oceans Rise? (www.bahaiteachings.org)
Artigo anterior: O Materialismo e o próximo Dilúvio

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

30 jovens Bahá’ís detidos no Iémen


Segundo a agência Reuters, agentes armados do Gabinete Nacional de Segurança do Iémen, um organismo dos Serviços de Informação controlados pelos Houthis invadiram uma convenção de jovens Bahá’ís, na passada quarta-feira (ou quinta-feira, segundo outras fontes) e prenderam 30 jovens de ambos os sexos.

Fontes não confirmadas da comunidade Bahá’í afirmam o número de jovens detidos atinge os 50.

Os Houthis são um grupo Xiita Zaidi que se supõe ser apoiado pelo Irão.

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FONTES:
Air strikes near Yemen's capital wound six: residents (Reuters)
30 Bahai youth arrested in Yemen (Sen's Daily)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

5 coisas que gostava de ter sabido antes da morte da minha Mãe

Por Kathy Roman.



Há quatro dias atrás, a minha mãe faleceu de forma repentina e inesperada. Há cinco coisas que eu gostava de ter sabido antes de ela ter morrido:

1. Tentar viver sem mágoas


Senti, e ainda sinto, uma dor profunda após a morte da minha mãe - o que me surpreende. Afinal, eu e ela conversámos, muitas vezes ao longo dos anos, sobre a ida dela para o outro mundo. Ambas pensávamos que estávamos preparadas. Como Bahá’í, eu não temia a morte para mim ou para ela:
Fiz a morte de um mensageiro de alegria para ti. Porque te lamentas? Fiz a luz derramar sobre ti o seu esplendor. Porque que tu ocultas disso? (Bahá'u'lláh, As Palavras Ocultas, do Árabe, #32)
Então, porque é que eu não consegui libertá-la para Deus com um coração radiante, como sempre esperei? Quando reflecti sobre a fonte da minha dor, percebi que esta não era a minha mãe. Estou completamente confiante que ela encontrou a felicidade ilimitada num lugar de paz e amor sem dimensão. A minha dificuldade em continuar agora vem dos meus remorsos por não lhe ter dado mais do meu tempo, da minha atenção e do meu amor. Embora me digam que isso é normal, ainda dói:
Diz, ó Meu povo! Mostrar grande respeito pelos vossos pais e prestai-lhes homenagem. Isso fará com que bênçãos desçam sobre vós das nuvens das dádivas do vosso Senhor, o Excelso, o Grande. (Bahá'u'lláh, excerto de uma epístola a um crente individual)

2. Perdoe, mesmo que apenas para si próprio


O meu coração tinha recordações, algumas inconscientes, de mágoas do passado. Quando tive os meus próprios filhos, essas memórias surgiram novamente. Falei com a minha mãe sobre isso e pensei que tinha deixado passar a maior parte. Tornámo-nos mais próximas e à medida que ela envelhecia, visitei-a todos os dias e tentei tratar bem dela. Apesar de me esforçar por perdoar, ainda lhe negava uma pequena parte do meu coração que sentia que ela não merecia. O que eu fiz foi magoar-me a mim própria, pois impedi que o amor dentro de mim fluísse livremente:
Temos que nos lembrar, quando perdoamos não estamos a fazer isso apenas pela outra pessoa; nós estamos fazendo isso para nosso próprio bem. Quando insistimos em não perdoar e vivemos com rancor nos nossos corações, tudo o que estamos a fazer é construindo muros de separação. (Joel Osteen)

O perdão é a forma final do amor. (Reinhold Niebuhr)

3. Libertar-se de ressentimentos


Sem nos livrarmos de ressentimentos profundamente enraizados, não conseguiremos encontrar plenamente o nosso caminho para o perdão. A verdade é que todos nós cometemos erros e fazemos o melhor que podemos, pois em qualquer nível de desenvolvimento espiritual encontramo-nos nessa situação. Ninguém é perfeito, e a verdade, na maioria das vezes, é que a forma como as pessoas nos tratam tem muito mais ver com aquilo que elas são, do que aquilo que nós somos. O ressentimento também ocupa um espaço valioso nos nossos corações; um espaço que poderia ser preenchido com coisas mais felizes:
O coração é como um jardim. Ele pode cultivar compaixão ou medo, ressentimento ou amor. Que sementes vais ali plantar? (Buddha Gautama)

4. Fale a sua verdade


Agora que a minha mãe partiu, já não terei a oportunidade de lhe dizer o que estava escondido no meu coração. Acredito que poderia ter partilhado amorosamente os meus sentimentos e ressentimentos mais profundos, e que ela teria tentado compreender. Sei que um dia teremos esta oportunidade, mas eu gostaria que isso tivesse acontecido neste mundo. Por não querer agitar as águas, provocar confrontos ou dor, recusei a oportunidade de nos tornarmos ainda mais próximas. A honestidade que é bondosa e amorosa não tem de ser dolorosa, mas pode tapar as lacunas criadas por anos de mal-entendidos:
Embelezai as vossas línguas, ó povo, com a veracidade, e adornai as vossas almas com o ornamento da honestidade. (Bahá'u'lláh, SEB, CXXXVI)

A veracidade é a base de todas as virtudes do mundo humano. Sem a veracidade, o progresso e o sucesso em todos os mundos de Deus são impossíveis para uma alma. ('Abdu'l-Bahá, Star of the West, Volume 4, p. 183)

5. Amar agora com todo o coração


Ame agora, com todo o teu coração, sem pensar se é merecido ou que valor isso tem. Faça isso para o seu próprio bem, porque pode vir o dia em que você não poderá mais fazê-lo.

No momento em que minha mãe faleceu, todas as ofensas, grandes e pequenas, desapareceram completamente. Isto foi uma libertação maravilhosa, mas ao mesmo tempo um remorso doloroso. Perguntava-me: porque é que não tinha feito isso mais cedo? Agora eu tinha o coração completamente aberto e pronto para amar com todo o coração, mas ela tinha partido. Ao retrair-me e ao não perdoar completamente com todo o meu ser, eu tinha sufocado o amor dentro de mim.
Se um de vocês tiver sido ferido no coração pelas palavras ou acções de outro, durante o ano passado, perdoai-o agora; que, na pureza de coração e de perdão amoroso, possais celebrar em alegria, e erguer-vos, renovados no espírito. ('Abdu'l-Bahá, Vignettes from the Life of Abdu’l-Baha, p. 49)
Assim, esta noite, reflicto em lágrimas. Agora sou eu quem está a pedir perdão; lamentando todo o momento em que não fui generosa com todo o meu coração. Com grande misericórdia de Deus, sou lembrada do Seu perdão infalível. A minha mente inunda-se com pensamentos sobre as muitas vezes que mostrei amor de todo o coração à minha mãe, e esses pensamentos confortam-me.

Então decidi que não voltará a haver tempo perdido com ressentimentos ou julgamentos. De agora em diante vou tentar que o meu amor seja incondicional para os outros, independentemente de como sou tratada. O amor puro é para dar sem medida ou merecimento. É assim que Deus nos ama.

Ao concluir este texto uma grande calma apoderou-se de minha alma. Sei que minha mãe ouviu o que está no meu coração. A partir deste momento só haverá amor e alegria entre nós, até nos reunirmos mais uma vez.
Para lá das ideias de certo e errado, existe um campo. Vou encontrar-te lá. Quando a alma se deita sobre aquela relva, o mundo fica cheio demais para que falemos dele. (Rumi)

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Texto original: 5 Things I Wish I’d Known before My Mother Died (www.bahaiteachings.org)

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Kathy Roman é educadora reformada, aspirante a escritora, esposa e mãe de dois filhos que vive em Elk Grove, California (EUA), onde serve como responsável de Informação Pública Bahá’í.

sábado, 6 de agosto de 2016

O Materialismo e o próximo Dilúvio

Por David Langness.


O mar do materialismo está em maré alta e todas as nações do mundo estão submersas. ('Abdu'l-Bahá, Divine Philosophy, p. 138)
No sul do planeta, lá na Antárctida onde vivem os pinguins, o gelo está a derreter. Rapidamente.

Na Gronelândia, no norte do planeta, o degelo ainda é mais rápido.

Se o gelo da Antárctida derreter, juntamente com o da Gronelândia, isso irá inundar o mundo, submergindo a maioria das grandes cidades costeiras do mundo.

Porquê? Bem, o gelo é tremendamente espesso na Antárctida - mais de um quilómetro de profundidade na maioria dos lugares. Cerca de setenta por cento - 70% - de água doce do mundo está na massa de gelo da Antárctida.

As coisas funcionam do seguinte modo: a Terra tem duas "camadas de gelo" – dois enormes glaciares de dimensão continental que cobrem grandes massas terrestres. A menor camada de gelo do mundo cobre a maior parte da Gronelândia (1,7 milhões de quilómetros quadrados); a maior camada de gelo cobre a Antárctica (14 milhões de quilómetros quadrados - o tamanho conjunto dos Estados Unidos e do México). Estas duas camadas possuem a maioria (mais de 95%) - da água doce do mundo, congelada naquele gelo azul profundo.

Variação da Massa de Gelo da Antárctica desde 2002
Se tudo derretesse - Antárctica e a Gronelândia – o nível do mar subiria quase 70 metros.

Isto seria uma verdadeira catástrofe global. Iria desalojar grande parte da população mundial, pois cerca de metade dos seres humanos vivem actualmente a uma distância inferior ou igual a 60 quilómetros do mar. Todas as zonas de baixa altitude, áreas costeiras ou próximas dos oceanos seriam inundadas. Três quartos das principais cidades do mundo situam-se junto a um oceano. Então, adeus Nova Iorque, Sydney, Los Angeles, Hong Kong, Xangai, Londres, Calcutá, Banguecoque, Tóquio, Miami, etc, etc. Quer ver como seria o mapa-mundo do pós-gelo? A National Geographic tem um mapa interactivo.

Porque é que eu estou a levantar este tema assustador? Porque um novo estudo muito importante, foi lançado em Fevereiro de 2016 pela Academia Nacional de Ciências dos EUA, concluiu que o nível do mar poderia subir 1 a 2 metros durante este século, fazendo desaparecer cidades costeiras e forçando a deslocação de milhões de refugiados para o interior.

Basicamente, este novo estudo diz que anteriormente subestimámos a velocidade, os efeitos e o impacto das alterações climáticas que provocam a subida do nível do mar. Em vez de levarem séculos a acontecer, o colapso das camadas de gelo do mundo poderá acontecer dentro de algumas décadas.

Os cientistas que realizaram o estudo constataram que uma acentuada subida do nível do mar e inundações vão certamente ocorrer, independentemente do que possa acontecer. Mesmo que reduzíssemos drasticamente a poluição da nossa atmosfera queimando menos combustíveis fósseis, o calor já retido pelos nossos oceanos e atmosfera fará com que o nível do mar aumente e as inundações costeiras se tornem muito mais frequentes. No entanto, se as nações do mundo seguirem os Acordos Internacionais de Paris sobre o clima, e mantiverem o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus centígrados, o nível do mar poderia ainda subir entre 20 a 60 centímetros até ao ano 2100. Mas se não formos capazes de cumprir os Acordos de Paris, afirma o estudo, o nível do mar vai subir entre 1 a 3 metros. Isso tornará inabitáveis muitas cidades costeiras. Quem estiver a pensar em comprar uma casa de praia, desista.

O que vai fazer a diferença entre um aumento do nível do mar problemático, mas relativamente seguro de 60 cm e um aumento catastrófico de 3 metros? Numa palavra: consumo.

Esta ampla diferença nos níveis de potenciais subidas do nível do mar que nossos filhos e netos herdarão, dependerá do nosso consumo de combustíveis fósseis, alimentos e bens materiais. Se continuarmos a consumir estas coisas da mesma forma que fizemos no passado, vamos inundar as zonas costeiras do planeta. Se reduzirmos o nosso consumo, através da conversão para fontes de energia renováveis, desperdiçando menos alimentos e usando dietas mais moderadas à base de plantas, e se encontrarmos maneiras de controlar os nossos hábitos materialistas e irresponsáveis enquanto consumidores, ainda temos uma possibilidade de evitar a submersão das grandes cidades do mundo.

Talvez ‘Abdu'l-Bahá tivesse estas condições futuras em mente quando disse: " O mar do materialismo está em maré alta e todas as nações do mundo estão submersas."

Os ensinamentos Bahá’ís, e todas as grandes religiões anteriores, há muito tempo que apelam ao fim desse materialismo:
Todos os Profetas vieram para promover dádivas divinas, para fundar a civilização espiritual e ensinar os princípios de moralidade. Portanto, devemos esforçar-nos com todas as nossas forças para que as influências espirituais possam alcançar a vitória, pois as forças materiais têm atacado a humanidade. O mundo da humanidade está submerso num mar de materialismo. Os raios do Sol da Realidade apenas se vêem vaga e obscuramente através de óculos opacos. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 12)
Assim, neste curta série de ensaios, vamos explorar o que o materialismo tem a ver com a subida do nível dos mares; e como podemos impedir que ambos nos afoguem.

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Texto original: Materialism and the Coming Flood (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.