sábado, 31 de dezembro de 2016

A Religião segundo os Grandes Pensadores



A religião é a resposta da humanidade à orientação Divina. Deus inicia-a através dos Profetas e nós observamos, ignoramos, rejeitamos ou distorcemos essa orientação. A religião é a professora e a geradora da civilização - uma estrutura social e cultural construída sobre virtudes universais como a bondade, a compaixão, o serviço, a veracidade, a paz, a justiça, a sabedoria e a unidade. Seguidamente, apresento um conjunto de citações que seleccionei ao longo dos anos, definindo a religião como era entendida pelas mentes e corações dos Profetas de Deus e grandes pensadores.

Al-Ghazali: “O cerne da experiência religiosa não pode ser apreendido pelo estudo, mas apenas pela experiência imediata, prova, êxtase e mudança moral”.

Immanuel Kant: “Duas coisas enchem a mente com espanto e temor crescentes... o céu estrelado acima de nós... e a lei moral dentro de nós...”

Georg Hegel: “A religião é a consciência de Deus... o Espírito Absoluto (ou a potencialidade pura) ... que se reconcilia progressivamente com a autoconsciência humana (nas formas de ciência, arte, religião e filosofia)”.

William Ellery Channing: “A luz Infinita estaria para sempre oculta de nós, se não lançasse os raios da aurora e brilhasse dentro de nós”.

Karl Marx: “A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem coração, assim como é o espírito de uma situação sem espírito. É o ópio do povo”.

Arnold Toynbee: “A religião é a força condutora da história... ajuda a humanidade a transcender o egocentrismo ... e descobre uma relação directa e pessoal com a realidade transcendente dentro, atrás e além do universo”.

Carl Jung: “A religião autêntica é... uma experiência viva e irrefutável de uma relação intensamente pessoal entre o homem e uma autoridade extra-mundana”.

Robert Bellah: “Deixem-me definir a religião como um conjunto de formas simbólicas e actos que relacionam o homem com as condições finais da sua existência”.

Patricia Mische: “A religião evoluiu a partir de um sentido humano de uma realidade maior do que o eu, maior do que a soma total de factos, fenómenos físicos, económicos, políticos ou sociais quantificáveis... As religiões constituem uma força moral poderosa... uma forma de governação nos assuntos humanos”.

Livro de Tiago: “A religião pura e sem mácula diante daquele que é Deus… é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e não se deixar contaminar pelo mundo”.

Bahá’u’lláh: “A religião é o principal instrumento para o estabelecimento da ordem no mundo e tranquilidade entre os seus povos… é uma luz radiante e uma fortaleza inexpugnável par a protecção e bem-estar dos povos do mundo”.

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Harold é um educador inter-religioso mestrados em educação, religião e filosofia; gosta de facilitar o entendimento e a cooperação inter-religiosa. Lecciona cursos sobre religiões mundiais para audiências universitárias e comunitárias. O seu livro Founders of Faith: The Parallel Lives of God’s Messengers sobre os ensinamentos de Moisés, Zoroastro, Krishna, Buda, Cristo, Maomé e Bahá’u’lláh surgiu da sua experiência nestes cursos. Está agora a escrever um livro sobre a história da humanidade e o papel da religião na ascensão, queda e renovação das civilizações.


quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

“Princípio” ou “Começo” ?

A referência ao início (ou origem) da criação (ou do mundo) é comum aos textos sagrados do Judaísmo, Cristianismo e Islão. Trata-se de uma alusão a um momento que está para lá dos registos históricos ou da compreensão humana. Tentando entender alegoricamente, diríamos que se trata de uma referência à “Primeira Causa”, ou a algo que, sendo a origem de tudo, está para lá do tempo, tal como o entendemos. E se considerarmos a criação como eterna (tal como nos dizem as Escrituras Bahá’ís), podemos dizer que se trata de um momento de transformação primordial, em que a criação começa a assumir a forma que tem hoje.

No texto bíblico este conceito é descrito com a palavra “princípio”. Vejamos alguns exemplos da tradução de João Ferreira de Almeida:

No princípio criou Deus os céus e a terra… (Gn 1:1)

Como falou pela boca dos seus santos profetas, desde o princípio do mundo (Lc 1:70)

Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho e fêmea (Mc 10:6)

Porque haverá então grande aflição, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem tampouco há de haver. (Mt 24:21)

Eu sou o Alfa e o Omega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há-de vir, o Todo-Poderoso. (Ap 1:8)

As traduções Capuchinhos e Figueiredo (1821) também usam a palavra “princípio” para descrever este conceito. Note-se ainda que o próprio Pe. António Vieira também usa a palavra “princípio” para aludir à origem do mundo (ver Sermão de Sto. António aos Peixes).

Na tradução inglesa da Bíblia (King James Version) – cujo estilo é modelo para as traduções das Escrituras Bahá’ís – este conceito é descrito com a palavra “beginning”.

O dicionário Inglês-Português da Porto Editora apresenta os seguintes significados para a palavra inglesa beginning:

(nome) começo; princípio; início;
at the beginning of no princípio de;
at the very beginning mesmo no início;
from the beginning desde o princípio;
in the beginning no princípio
from beginning to end do princípio até ao fim

No entanto, nas traduções portuguesas das Escrituras Bahá’ís, este conceito foi traduzido com a palavra “começo”. Vejamos alguns exemplos:

E foi esta incomparável Fonte de sabedoria que no começo da fundação do mundo ascendeu a escada do significado interior e, entronizada no púlpito da expressão, através da operação da Vontade divina, proclamou duas palavras. (Epístolas de Bahá’u’lláh, Palavras do Paraíso)

Perguntaste sobre o assunto da Volta. Sabe tu que o fim é semelhante ao começo. Assim como consideras o começo, de igual modo deves considerar o fim, e ser daqueles que verdadeiramente percebem. Não, antes, considera tu o começo como sendo o próprio fim, e assim, inversamente, a fim de poderes adquirir uma percepção clara. (Epístolas de Bahá’u’lláh, Súriy-i-Vafá)

As maravilhas de Sua generosidade não podem cessar, e jamais será detido o fluxo de Sua graça misericordiosa. O processo de Sua criação não teve começo, nem poderá ter fim. (Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh, XXVI)

Poderá ele conceber para esses Luminares Divinos, essas Luzes resplandecentes, um começo ou um fim? (Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh, XXVII)

Desde o começo que não tem começo, a insígnia que proclama as palavras "Ele faz qualquer coisa que Lhe apraza" tem sido desdobrada em todo o seu esplendor diante de Seu Manifestante. (Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh, CII)

Percebe-se que, ao usar a palavra beginning, a tradução inglesa das Escrituras pretende reflectir o mesmo conceito que existe no texto bíblico. Para o leitor de língua inglesa, minimamente familiarizado com a Bíblia, torna-se fácil perceber que o conceito é comum ao Cristianismo e à Fé Bahá’í.

No entanto, para o leitor de língua portuguesa, familiarizado com a Bíblia, a utilização da palavra “começo” em vez de “princípio” pode levá-lo a questionar se o conceito é comum ao Cristianismo e à Fé Bahá’í. Assim, é legítimo questionarmos porque é que a tradução inglesa reflecte um conceito bíblico e a tradução portuguesa não o faz.

Lembro que uma tradução não é uma mera substituição de termos de uma língua por outra. Os contextos culturais das línguas de origem e destino devem ser considerados sempre que se faz uma tradução. E tratando-se de uma tradução de um texto religioso, é fundamental que os tradutores estejam familiarizados com a literatura religiosa em ambas as línguas, de forma a garantir a qualidade e o rigor das traduções.

Espero, pois, que futuras edições destas traduções portuguesas das Escrituras Bahá’ís sejam corrigidas e a palavra “princípio” seja usada para descrever este conceito de origem da criação.

sábado, 24 de dezembro de 2016

O primeiro Natal de 'Abdu'l-Bahá



Por um único motivo foram os Profetas, sem excepção, enviados à terra. Foi por isso que Cristo Se manifestou, foi por isso que Bahá’u’lláh ergueu o apelo do Senhor: para que o mundo do homem se torne o mundo de Deus; que este domínio inferior se torne o Reino; que esta luz negra, esta perversidade satânica se transforme nas virtudes do homem – e a unidade, a camaradagem e o amor sejam conquistados por toda a raça humana, que a unidade orgânica reapareça e os alicerces da discórdia sejam destruídos e a vida eterna e a graça eterna sejam a colheita da humanidade. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, #15)

Hoje quero falar-vos sobre o primeiro Natal de ‘Abdu’l-Bahá em Inglaterra. Mas antes disso vamos preparar o cenário, explorando a história do feriado, que poucas pessoas compreendem, ou conhecem.

Alguma vez ouviu falar de Sexto Júlio Africano?

Provavelmente não. Inicialmente, Sexto Júlio era um soldado pagão nas legiões romanas, no final do séc. II; depois converteu-se ao Cristianismo e tornou-se um historiador e autor Cristão muito viajado. Tal como o seu último nome sugere, ele era provavelmente africano - possivelmente oriundo da região a que hoje chamamos Líbia - falava várias línguas e viajou muito pelo Médio Oriente.

Sexto Júlio Africano escreveu uma história do mundo em cinco volumes, chamada Chronographiai. Tanto quanto se sabe, nenhum exemplar sobreviveu, mas alguns dos seus escritos ainda existem, graças a historiadores posteriores, como Eusébio, e tiveram um grande impacto - em pelo menos dois aspectos - sobre quem hoje vive na idade moderna.

Primeiro, ele determinou a idade do mundo.

Depois, ele determinou a data exacta do Natal.

Foi assim que ele fez: no seu trabalho de cinco volumes, Sexto Júlio escreveu a cronologia do mundo desde a história da criação no livro do Génesis até ao ano 221 EC. Esse período de tempo - meticulosamente reunido e calculado a partir de uma leitura cuidadosa de toda a história genealógica e das várias “descendências” na Bíblia Hebraica e no Novo Testamento - totaliza 5723 anos, segundo as suas contas. Os seus cálculos apresentam 5500 anos entre a criação e a encarnação (ou Anunciação) de Jesus Cristo, que colocou a imaculada concepção de Jesus em 25 de Março do ano 1 AEC. Adicionando os nove meses do tempo normal de gestação humana, Júlio obteve o 25 de Dezembro, o dia em que o mundo celebra o Natal.

Já no séc. II EC ninguém conseguia precisar a data em que tinha ocorrido o nascimento de Cristo. Muito antes do uso generalizado de calendários, certidões de nascimento ou celebração regular de nascimentos, a grande distância temporal tornava impossível a verificação de datas históricas. Por esse motivo, Sexto Júlio Africano teve de fazer cálculos. Apesar das suas evidências, alguns historiadores e cientistas – incluindo Isaac Newton – acreditam que o mundo cristão escolheu o 25 de Dezembro porque os Romanos celebravam o Solstício de Inverno nesse dia, a que chamavam Bruma ou Sol Invicto.

Uma rua de Londres, Natal de 1911
Mas Sexto Júlio calculou a data segundo a cronologia bíblica e dominou a opinião popular e o calendário gregoriano durante mil e oitocentos anos. Os seus cálculos originais são a razão que levam alguns fundamentalistas a insistir que o mundo tem apenas seis mil anos de idade, e também são o motivo para observamos o nascimento de Cristo no dia 25 de Dezembro. Com a excepção da Igreja Ortodoxa Oriental, que normalmente celebra o Natal no dia 7 de Janeiro, o 25 de Dezembro tornou-se o Natal para as massas – o que nos traz de volta ao tema do primeiro Natal do 'Abdu'l-Bahá.

Só em 1911, quando viajou para o Ocidente, ‘Abdu’l-Bahá teve o primeiro contacto com as celebrações modernas do Natal, na sua forma Ocidental. Libertado após 40 anos de exílio, chegou a Inglaterra, vindo do Médio Oriente e no meio do agitado calendário de discursos, reuniões e palestras, ‘Abdu’l-Bahá…

…assistiu à peça “Eager Heart” (Coração Ansioso), uma peça de Natal na Church House, Westminster, a primeira peça de teatro que Ele assistiu e cuja representação gráfica da vida e sofrimentos de Jesus Cristo O levaram às lágrimas”. (Shoghi Effendi, God PassesBy, p. 284)

A peça, escrita pela poetisa e dramaturga inglesa Alice Mary Buckton, que mais tarde recebeu 'Abdu'l-Bahá na sua casa em Byfleet Surrey, conta a história trágica de uma mulher que se prepara fervorosamente para a visita Natalícia de Jesus, Maria e José, mas depois vacila quando uma família de refugiados sem-abrigo aparece à sua porta. Leia a peça em sua forma original aqui.

Esta descrição da reacção profundamente emocional de 'Abdu'l-Bahá à peça Eager Heart, escrita por Lady Blomfield no seu livro The Chosen Highway, menciona uma ocorrência notável:

[‘Abdu’l-Bahá] chorou durante a cena em que a Criança Sagrada e os Seus pais, vencidos pela fadiga e sofrendo com a fome e a sede, foram recebidos pela hesitação do Coração Ansioso em deixá-los entrar no abrigo de repouso que ela tinha preparado; obviamente, ela não conseguiu reconhecer os visitantes sagrados. Posteriormente, [‘Abdu’l-Bahá], juntou-se ao grupo de actores.

Foi uma cena impressionante. Num cenário oriental. O Mensageiro nas suas vestes orientais, falando-lhes, nas suas belas palavras orientais, sobre o significado Divino dos eventos que tinham sido representados. (The Baha’i World, Volume 4, p. 379)

Tente imaginar esta cena de Natal, se for capaz. Após o fim dos aplausos e depois do público se ter retirado, no palco, entre os cenários da peça, o filho do mais recente profeta do Médio Oriente, vestido com a Sua túnica, fala aos actores sobre os verdadeiros sofrimentos de Jesus Cristo, tal como semelhantes aos sofrimentos de Bahá’u’lláh e da Sua família. Recentemente libertado após quatro décadas de exílio e prisão, ‘Abdu’l-Bahá reúne um grupo de actores ao Seu redor e explica o verdadeiro significado do Natal.

E porque os Bahá’ís acreditam que todos os profetas de Deus são semelhantes, aqueles actores incrivelmente afortunados, em vez de se basearem em interpretações demasiado humanas sobre o significado e o momento do Natal, escutam isso literalmente da fonte.

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Abandonar as Pretensões Religiosas de Exclusivismo e Finalidade


As religiões mundiais podem abandonar as suas pretensões de exclusividade e finalidade?

Construir sociedades inclusivas exige uma profunda mudança de mentalidade, é a opinião da Comunidade Internacional Baha'i (BIC) num discurso na Cimeira Global sobre Religião, Paz e Segurança realizada no passado mês de Novembro, no Palácio das Nações, em Genebra.

Com o apoio da União Europeia e do governo de Espanha, o evento foi co-organizado pelo Escritório das Nações Unidas para a Prevenção do Genocídio e a Responsabilidade de Proteger, bem como pela Associação Internacional para a Defesa da Liberdade Religiosa. Concentrou-se no papel e importância da liberdade religiosa na prevenção do extremismo violento e dos crimes de atrocidade e explorou a relação entre estes.

Os participantes incluíram o Conselheiro Especial da ONU para a Prevenção do Genocídio, Adama Dieng; Assessor Principal da Cultura do Fundo de População das Nações Unidas, Azza Karam; Embaixador Geral da Aliança das Civilizações, Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação da Espanha, Belen Alfaro Hernandez; e o Enviado Especial da União Europeia para a Promoção da Liberdade Religiosa ou Crença fora da UE, Jan Figel, entre outros.

Dirigindo-se ao fórum, Diane Ala'i, representante da Comunidade Internacional Bahá'í para as Nações Unidas em Genebra, falou sobre o papel crítico que a liderança religiosa desempenha no desenvolvimento de mentalidades inclusivas e tolerantes. "Construir sociedades pacíficas e salvaguardar a liberdade de religião e crença dependem do abandono das pretensões de exclusividade e finalidade por líderes religiosos", afirmou.

Ala'i também discutiu a importância de cultivar a unidade entre populações diferentes. "Viver lado a lado não é suficiente", explicou. "Pessoas de diferentes crenças devem aprender a viver juntas".

"Estamos a descobrir", prosseguiu, "que o serviço colectivo ao bem comum é um poderoso factor para dissipar mal-entendidos entre as pessoas".

Mais uma vez, existe alguma acção no mundo que seria mais nobre que o serviço ao bem comum? Há alguma bênção maior concebível para um homem, do que ele tornar-se a causa da educação, do desenvolvimento, da prosperidade e da honra dos seus semelhantes? Não, pelo Senhor Deus! A mais elevada honra de todas é que as almas abençoadas segurem as mãos dos desamparados e as libertem da sua ignorância, humilhação e pobreza, e com motivos puros e somente por causa de Deus, se levantem e se dediquem energicamente ao serviço das massas, esquecendo-se da sua própria vantagem mundana e trabalhando apenas para servir o bem comum. (‘Abdu'l-Bahá, The Secret of Divine Civilization, p. 103)

Baseando-se no exemplo da resposta da comunidade Bahá’í no Irão à perseguição patrocinada pelo Estado, Ala’i explicou: "A comunidade tem sido capaz de contribuir para a mudança de corações e mentes no país através da resistência construtiva que tem demonstrado face a décadas de opressão, trabalhando lado a lado com outros cidadãos para o melhoramento da sociedade iraniana."

"Na sua abordagem construtiva à mudança social, testemunhou um nível crescente do apoio de iranianos dentro e fora do país nos últimos anos."

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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Assembleia Geral da ONU condena o Governo Iraniano

Pela 29ª vez desde 1985, a Assembleia-Geral das Nações Unidas condenou o governo iraniano devido à situação dos direitos humanos naquele país. O texto da resolução - apresentado pelo Canadá e patrocinado por outros 41 países - foi adoptado com 85 votos a favor, 35 contra e 63 abstenções.

Intitulado “Situação dos Direitos Humanos na Republica Islâmica do Irão”, o texto da resolução expressa "séria preocupação" com a alta taxa de execuções no Irão sem protecções legais, uso contínuo de tortura, detenções arbitrárias generalizadas, limites rigorosos à liberdade de reunião, expressão e crença religiosa, e discriminação contínua contra mulheres, minorias étnicas e religiosas, incluindo os Bahá’ís.

"A votação de hoje deixa claro que o mundo continua profundamente preocupado com o modo como o Irão trata os seus próprios cidadãos, ao mesmo tempo que levanta questões sobre a genuína vontade do Irão em cumprir as suas obrigações como membro da comunidade internacional", disse Bani Dugal, representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas.

"Infelizmente, a lista de violações dos direitos humanos no Irão é longa", continuou Dugal. "Apesar dos representantes iranianos negarem, é difícil perceber sinais de progresso. Isto é especialmente verdadeiro para os Bahá'ís iranianos que enfrentam, entre outras formas de opressão, uma política de "apartheid económico" por parte do seu governo, que a qualquer momento os pode privar de empregos, educação e liberdade para praticar Sua religião conforme dita a sua consciência."

"No início de Novembro, por exemplo, 124 lojas e empresas Bahá'ís foram seladas pelo governo depois dos seus proprietários fecharam por dois dias para observar um importante dia sagrado Bahá’í. Além disso, os Bahá'ís continuam impedidos de frequentar livremente a universidade e estão sujeitos a todo o tipo de restrições. Também enfrentam detenção arbitrária e prisão por actividades religiosas legítimas", acrescentou Dugal.

Dugal salientou que cerca de 86 Bahá'ís estão actualmente presos e que, desde 2005, mais de 900 Bahá’ís foram presos e pelo menos 1100 incidentes de exclusão económica foram documentados. "A situação não melhorou sob a administração do presidente Hassan Rouhani", acrescentou.

Entre outras coisas, a resolução hoje aprovada pede ao Irão que elimine "todas as formas de discriminação, incluindo restrições económicas" contra as minorias religiosas no Irão. Também pede a libertação de "todos os praticantes religiosos detidos devido à sua participação ou actividades em nome de um grupo religioso minoritário reconhecido ou não reconhecido, incluindo os sete líderes Bahá’ís".

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sábado, 17 de dezembro de 2016

A Revolução Científica libertou a Ciência da Religião?




A religião e a ciência são duas asas com as quais a inteligência do homem pode subir às alturas, com as quais a alma humana pode progredir. Não é possível voar apenas com uma asa! Se um homem tentar voar apenas com a asa da religião cairá rapidamente no atoleiro da superstição, enquanto se tentar apenas com a asa da ciência não conseguirá qualquer progresso, mas cairá no lamaçal desesperante do materialismo. (‘Abdu’l-Bahá, excerto de uma palestra na Rue Camoens, Paris, 12-Novembro-1911)

A Revolução Científica libertou a ciência da religião. A nova ciência libertou o espírito da matéria. A razão e a experiência substituíram a revelação como fonte de conhecimento no mundo. Após a Revolução Científica tornou-se inevitável que Deus acabasse por ser totalmente afastado da natureza e que a ciência negasse a existência de Deus. (Margaret J. Osler, Professora de História e Professora Adjunta de Filosofia na Universidade de Calgary e autora do livro Reconfiguring the World: Nature, God,and Human Understanding in Early Modern Europe)

No seu ensaio no livro Galileo goes to Jail, a professora Osler prossegue o raciocínio anterior com estas palavras:

“Estas afirmações não fundamentadas fizeram o seu percurso na história popular da ciência e são frequentemente repetidas”. Osler apresenta uma lista de pessoas das facções religiosa e secular do debate que “repetem este mantra reforçando a crença de que o séc. XVII testemunhou o divórcio entre ciência e religião”.

Acho interessante que ela use a ideia de divórcio – como se a ciência e a religião fossem um casal numa crise de meia-idade que trocam a sua vida a dois por fantasias de juventude e carros desportivos. Olhando para o álbum dos anos em que ciência e religião estiveram juntas, é claro que a palavra não foi escolhida por acaso.

Até ao século XIX, a ciência ainda não era ciência; era “filosofia natural” ou “história natural”. Nem existiam cientistas, conhecidos como tal. Os homens e mulheres que se dedicavam à ciência eram, muito frequentemente, pessoas de fé, e muitas vezes, membros do clero. Como referi anteriormente, a filosofia natural era parte integrante dos currículos de todas as universidades medievais, e tinha poucas referências à doutrina da Igreja. A teologia era ensinada como uma área de estudos distinta, numa faculdade especializada.

A filosofia natural focava-se em temas como a origem do universo ou a Primeira Causa, as leis que regiam a criação e a sua concepção, a natureza da alma e do corpo humano. Nesses tempos, a ciência incipiente estava próximo do significado do seu nome scientia – isto é, o conhecimento real da essência das coisas. Aos olhos de alguns, isto impediu a “filosofia natural” de se tornar uma verdadeira ciência (scientia) porque as observações dos seres humanos eram imperfeitas, e consequentemente incapazes do nível de rigor necessário para conhecer a essência de qualquer coisa.

Johannes Kepler
Quando li sobre a história da filosofia mecânica, que tenta explicar todos os fenómenos naturais em termos mecanicistas, assumi que os seus promotores pretendiam eliminar Deus do processo. Mas fiquei surpreendida ao descobrir que eles eram profundamente religiosos. Entre eles incluíam-se luminárias como Gassendi, Descartes e Boyle. Até mesmo Johannes Kepler, com a sua certeza que Deus tinha criado um universo que exibia ordem e harmonia mecânica, podia ser contado entre os proponentes da filosofia mecânica.

A analogia que me vem à ideia quando penso na alegada dicotomia entre filosofia mecânica e filosofia espiritual é a escrita. Quando penso no que é necessário para escrever um romance desde o primeiro brilho nos olhos até ao último parágrafo, vejo dois grandes processos em funcionamento: místico e mecânico. O místico inclui a geração da ideia para a história – o nascimento e génese das personagens, os momentos de inspiração e voo da imaginação, a paixão que liga eventos, personagens e linhas do enredo e traduzi-lo por palavras. Por outro lado, a actividade mecânica de passar estas palavras e ideias para uma forma física – escrever, tal como escrevi este texto – exige que que elas sejam elaboradas de forma a serem experimentadas por outras pessoas.

Estes dois processos dependem mutuamente um do outro. As ideias ficam no campo dos sonhos se não as colocamos no papel; se isso acontecer, nunca se tornarão uma história. Por outro lado, sem essas ideias, essas interligações, essas personagens, o meu amor por elas e a minha paixão pela história, não haverá nada para o processo mecânico registar, e também não haverá história. Parafraseando a professora Osler: até numa criação mecânica há espaço (ou necessidade) de um propósito e de um desenho.

O romance existe porque eu pego no produto do meu processo intelectual/espiritual e aplico-lhe o processo mecânico. As palavras que escrevo revelam o intelecto por trás de si. Também são evidências do processo espiritual.

Não me surpreende descobrir que vários filósofos naturais expressaram a opinião de que, tal como disse Osler, "a filosofia natural, devidamente seguida, leva ao conhecimento do Criador". Entre os que sustentavam essa visão estava Lord Kelvin (físico matemático e engenheiro) que aconselhou:

Não tenham medo de ser livre pensadores. Se pensarem com força suficiente, serão forçados pela ciência a acreditar em Deus, que é a base de toda Religião. Descobrirão que a ciência não é antagónica, mas útil à religião. (William Thomson, 1º Barão Kelvin)

Opiniões semelhantes têm surgido de vozes religiosas – especialmente de Bahá'u'lláh, que escreveu "O princípio de todas as coisas é o conhecimento de Deus", e do Seu filho 'Abdu'l-Bahá, que escreveu: "A ciência é o esplendor do Sol da Realidade, o poder de investigar e descobrir as verdades do universo, o meio pelo qual o homem encontra um caminho para Deus".

Isaac Newton escreveu no Principia que:

... todo o discurso sobre Deus é derivado de uma certa semelhança das coisas humanas, que, embora não sendo perfeita, é, no entanto, um certo tipo de semelhança... E abordar o Deus dos fenómenos é certamente parte da filosofia natural.

Por outras palavras, por muito imperfeita que seja a nossa capacidade de compreensão, a criação pode dizer-nos alguma coisa sobre as qualidades do Criador, tal como a minha escrita diz ao leitor algo sobre mim.

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Texto original: Did the ScientificRevolution Liberate Science from Religion? (www.bahaiteachings.org)

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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Deus “faz” Milagres?



O meu amigo ateu "Maynard" faz esta pergunta: Deus pode interferir em eventos onde e quando quiser, infringindo as leis naturais e mudando o seu curso (isto é, realizar milagres)?

Deus intervém nos processos naturais? Eu terei que dizer: "Não sei", pela simples razão que não sei. Eu não sei tudo sobre as leis naturais e como elas funcionam e o que constitui a sua "infracção" em oposição à simples utilização dessas leis de formas anteriormente não concebíveis. Mas Ele pode? Certamente. Pessoalmente, penso que Ele intervém através dos processos naturais.

Houve uma época, não há muito tempo atrás, em que designávamos o voo humano como uma infracção das leis naturais. As pessoas não voam pela simples razão que as pessoas não têm asas. Os seres humanos não podem viver no espaço, mas nós também fizemos isso, utilizando cápsulas onde se replica a atmosfera que respiramos na terra. O que estes dois milagres exigem é uma compreensão tecnológica substancialmente avançada (que, como o escritor de ficção científica Arthur C. Clarke referiu, é indistinguível da magia). Se conseguimos fazer essas coisas com o pouco de conhecimento subjectivo que temos, o que poderá fazer o Ser que criou todo o sistema e conhece o seu potencial?

Eu vejo as acções de Deus como racionais e como tendo um propósito. O que me intriga sobre alguns dos supostos milagres (estátuas sangrando, etc.) é o seu propósito. Eles provam alguma coisa? Se sim, o quê? 'Abdu'l-Bahá levantou a questão do propósito quando falou sobre o livro bíblico de Daniel:

[Milagres] não constituem provas e evidências para todos os povos da terra, e eles não são provas definitivas, mesmo para aqueles que os vêem; Eles podem pensar que eles são apenas feitiços. (Some Answered Questions, p. 37)

São atribuídos a Cristo muitos milagres físicos que parecem infringir as leis da natureza. Podem até não ser infracções das leis naturais, mas sim a manipulação dessas leis por um Ser que as entende muito melhor do que nós. Em qualquer caso, para mim, o maior milagre é o facto de um filho de um pobre carpinteiro das periferias do Império Romano, há 2000 anos atrás, inspirar milhões de almas que hoje valorizam as Suas palavras e se identificam com o Seu nome. Esquecemos completamente as pessoas desse tempo que tinham riqueza e poder; no entanto, Jehoshuah ben Joseph transformou inúmeras vidas durante dois milénios.

Apenas uma dúzia de pessoas em toda a história conseguiram este milagre. E, apesar da transformação das vidas humanas e das sociedades durante esse período de tempo não exigir a infracção das leis da natureza (embora alguns argumentem que sim), essa transformação foi miraculosa. Os Bahá’ís acreditam que esta é a principal forma de "intervenção" de Deus na história - enviando seres como Cristo, Moisés, Maomé, Krishna, Buda e Bahá’u’lláh para nos guiar através das Suas palavras e acções.

Isaías (por Miguel Ângelo)
Há uma passagem no livro bíblico de Isaías que descreve eloquentemente este assunto. Acho que todos concordariam que um mundo unido e a paz global seriam um milagre. O texto profético sobre esta eventualidade diz:

No fim dos tempos o monte do templo do Senhor estará firme, será o mais alto de todos, e dominará sobre as colinas. Acorrerão a ele todas as gentes, virão muitos povos e dirão: «Vinde, subamos à montanha do Senhor, à casa do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos, e nós andaremos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor. Ele julgará as nações e dará as suas leis a muitos povos, os quais transformarão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças, em foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se adestrarão mais para a guerra. Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor. (Is 2:2-5)

Este texto demonstra a forma como Deus intervém. A Sua "casa" é estabelecida (Ele tem uma presença na terra) e as pessoas "visitam-na" de bom grado. A Sua lei é proclamada e, como resultado, a humanidade transforma "as suas espadas em arados" - isto é, transforma instrumentos de destruição em instrumentos produtivos. O ponto crítico? O que o versículo NÃO diz. Não diz que Deus fará essas coisas por nós. Diz que nós faremos essas coisas em resposta à presença e à lei de Deus.

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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Aliança ou Convénio?

A literatura Bahá’í traduzida no Brasil e a terminologia usada pelos Bahá’ís de Portugal apresentam a palavra inglesa Covenant traduzida como Convénio.

No entanto, a palavra “convénio” é rara na literatura religiosa portuguesa. Não consta nas duas traduções mais comuns da Bíblia para português-PT (Capuchinhos e João Ferreira de Almeida), nem português-BR (Bíblia de Jerusalém). Também não a encontro nas obras do Pe. António Vieira.

Nestas traduções Bíblicas - e na esmagadora maioria de literatura religiosa em Português - este conceito é descrito como Aliança. Assim, penso que é legítimo questionar a utilização do termo convénio na literatura Bahá’í.

Vamos começar por ver o que nos dizem os dicionários sobre o significado destas palavras.

No dicionário Inglês-Português da Porto-Editora, encontramos as seguintes traduções possíveis para a palavra Covenant:

covenant, 1. s. ajuste, pacto, tratado; convénio || Ark of the C. (bíbl.) Arca da Aliança || land of the C., terra Prometida; 2. vt. e i. concordar, convir

Podemos perceber que a tradução literal da palavra covenant para convénio está correcta. Mas num contexto religioso também é adequado usar a palavra aliança.

No dicionário de Língua Portuguesa da Porto-Editora (2004) encontramos as seguintes definições:

aliança s.f. 1. acto ou efeito de aliar; 2. laço entre pessoas ou entidades que se prometem mútuo auxílio; pacto; acordo; 3. anel de casamento; 4. casamento

convénio s.m. 1. convenção política; 2. pacto internacional; 3. ajuste; acordo

Graças a estas definições, percebemos que a palavra Aliança tem um significado mais amplo do que Convénio. Mais do que um mero acordo, uma Aliança implica um laço, uma ligação entre as partes envolvidas.

Vejamos agora como são usadas estas palavras na Bíblia.

Na tradução Capuchinhos (português-PT) da Bíblia encontramos diversas referências à aliança de Deus com os que aceitam a revelação do Seu Manifestante. Como sabemos, esta é a Eterna Aliança que se renova com o aparecimento de cada Manifestante de Deus. Vejamos alguns exemplos:

Abrão tinha noventa e nove anos, quando o Senhor lhe apareceu e lhe disse: «Eu sou o Deus supremo. Anda na minha presença e sê perfeito. Quero fazer uma aliança contigo e multiplicarei a tua descendência até ao infinito. (Gn 17: 1-2)

Deus respondeu: Vou fazer uma aliança contigo: na presença de todo o povo, realizarei prodígios, como jamais se fizeram em parte alguma, nem em nenhuma nação; e o povo que te cerca há-de ver então a obra do Senhor, porque espantosas são as coisas que vou fazer por teu intermédio. (Ex 34:10)

Em seguida, tomou um cálice, deu graças e entregou-lho, dizendo: «Bebei dele todos. Porque este é o meu sangue, sangue da Aliança, que vai ser derramado por muitos, para perdão dos pecados. (Mt 26:27-28)

As traduções de João Ferreira de Almeida (português-PT) e Jerusalém (português-BR) também usam a palavra Aliança para definir este mesmo conceito. A palavra Convénio nunca está presente nestas traduções. Nas traduções inglesas da Bíblia, este conceito é descrito com a palavra covenant.

No entanto, esta mesma Aliança é referida como Convénio nas traduções Bahá’ís em português-BR e em português-PT.

Na minha opinião, a utilização da palavra convénio como tradução da palavra inglesa covenant, é uma tradução literal que empobrece e descontextualiza os textos.

Recordemo-nos que uma tradução não é apenas uma conversão de um texto de uma língua para outra. Frequentemente a tradução exige também a transposição de uma cultura para outra e até mesmo uma fusão de culturas.

No caso da tradução da palavra covenant para português, é necessário fazer a transposição cultural. O uso do termo convénio - estranho à cultura religiosa e à literatura religiosa portuguesa - não só empobrece o texto (retirando-lhe o significado mais correcto e abrangente) como também o torna mais difícil de perceber por pessoas de origens cristãs.

Uma tradução que considera o contexto religioso do texto - i.e., onde é feita a transposição cultural - leva-nos a usar a palavra aliança para descrever a ligação estalecida entre Deus e a Humanidade desde os tempos de Abraão (a “Eterna Aliança”) e a ligação estabelecida entre Bahá’u’lláh e os Seus seguidores para preservar a unidade da Comunidade (a “Aliança de Bahá’u’lláh”).

Por último, recordemo-nos que a Fé Bahá’í é herdeira das religiões do passado; por esse motivo deve usar terminologia conhecida quando se trata de designar os conceitos comuns a essas religiões.

Por todos estes motivos, sugiro que sejam corrigidas as traduções existentes.


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Exemplos de utilização da palavra “Aliança” na literatura Bahá’í.

Nas Escrituras do Báb

O Senhor do universo jamais levantou um profeta, nem fez descer um Livro, sem que tivesse estabelecido a Sua aliança com todos os homens, apelando à sua aceitação da Revelação seguinte e do Livro seguinte…  (Selections from the Writings of the Bab, pag. 88)

Nas Escrituras de Bahá’u’lláh

Recitai os versículos de Deus cada manhã e noite. Quem não os recita, em verdade falhou no seu compromisso com a Aliança de Deus e Seu Testamento, e quem, neste dia, se afastou deles, afastou-se de Deus desde os tempos imemoriais. (Spiritual Foundations, p. 1)

Este é o Dia, ó meu Senhor, que revelaste a toda a espécie humana como o Dia em que revelarias o Teu Próprio Ser... Além disso, celebraste uma aliança com eles, nos Teus Livros e nas Tuas Escrituras, nos Teus Pergaminhos e nas Tuas Epístolas, sobre Aquele que é a Alvorada da Tua Revelação, e nomeaste o Bayán para ser o Arauto do Teu Mais Grandioso e Todo-Glorioso Manifestante... (Prayers and Meditations, pag. 275)

... Os que violaram a Aliança de Deus desobedecendo aos Seus mandamentos e voltando as costas, esses têm errado severamente aos olhos de Deus, o Possuidor de Tudo, o Altíssimo. (GWB, CLV)


Nas Escrituras de ‘Abdu’l-Bahá

Enquanto não atingirdes esta condição, não podereis dizer ter sido fiéis à Aliança e Testamento de Deus. Pois Ele, através de Textos irrefutáveis, celebrou uma Aliança vinculativa com todos nós, exigindo que agíssemos de acordo com as Suas sagradas instruções e conselhos". (SWAB, #35)


Quanto à referência n'As Palavras Ocultas sobre a Aliança estabelecido no Monte Paran, isto significa que aos olhos de Deus, o passado, o presente e o futuro são um só e o mesmo... E é um princípio básico da Lei de Deus que em cada Missão Profética, Ele estabelece uma Aliança com todos os crentes – uma Aliança que se mantém até ao fim dessa Missão, até ao dia prometido em que a personagem estipulada no início da Missão se torna manifesta. Considerai Moisés... Em verdade, no Monte Sinai, Moisés estabeleceu uma Aliança referente ao Messias, com todos aqueles que viveriam no tempo do Messias. E essas almas, apesar de terem aparecido séculos depois de Moisés, estavam - no que se refere à Aliança que é intemporal - ali presentes com Moisés. (SWAB, #181)

... com a Sua própria pena Ele escreveu o Livro da Sua Aliança, dirigindo-se aos Seus familiares e a todos os povos do mundo, dizendo: «Em verdade, nomeei Aquele que é o Centro da Minha Aliança. Todos devem obedecer-Lhe; Ele é o Explicador do Meu Livro, e Ele está informado sobre o Meu propósito. Todos se devem voltar para Ele. Qualquer coisa que Ele diga está correcto...» O propósito desta afirmação é que nunca exista discórdia ou divergência entre os Bahá'ís, mas que estejam sempre unidos e em concórdia... Assim, quem obedece ao Centro da Aliança nomeado por Bahá'u'lláh obedece a Bahá'u'lláh; e quem Lhe desobedece, desobedece a Bahá'u'lláh... (PUP, pag. 322-323)

Os verdadeiros amantes da beleza de Abhá, e aqueles que sorveram do Cálice da Aliança, não temem calamidade, não desanimam na hora da provação... (SWAB, #229)


Nos textos de Shoghi Effendi

[Existe uma] Aliança geral que, conforme inculcam os ensinamentos Bahá'ís, o próprio Deus estabelece com a humanidade quando inaugura uma nova Dispensação. (WOB, pag. 137)

Então, [quando se estabelecer a Comunidade Mundial Bahá'í] a maturidade de toda a espécie humana será proclamada e celebrada por todos os povos e nações da terra. Então, o estandarte da Mais Grandiosa Paz será hasteado. Então, a soberania mundial de Bahá'u'lláh - o Fundador do Reino do Pai predito pelo Filho, e antevisto pelos Profetas de Deus antes e depois d'Ele - será reconhecido, aclamado e firmemente estabelecida. Então, uma civilização mundial nascerá, florescerá e perpetuar-se-á, uma civilização com uma plenitude de vida como o mundo nunca viu, nem pode ainda conceber. Então, a Eterna Aliança cumprir-se-á plenamente. Então, a promessa contida nos Livros de Deus será redimida, e todas as profecias proferidas pelos Profetas do passado cumprir-se-ão, as visões dos videntes e poetas realizar-se-ão. Então, o planeta... será... capaz de cumprir esse destino indescritível que lhe foi determinado desde tempos imemoriais, pelo amor e sabedoria do Seu Criador". (PDC, pag. 123-124)

No que respeita ao significado da Aliança Bahá’í, duas formas de Aliança... A primeira é a Aliança que todos os Profetas fazem com... o Seu povo para que aceite e siga o Manifestante seguinte... A segunda forma de Aliança é do género que Bahá'u'lláh fez com o Seu povo para que aceitassem o Mestre. Isto é apenas para estabelecer e fortalecer a sucessão de uma série de Luzes que surgem após cada Manifestante. Sob a mesma categoria encontra-se a Aliança do Mestre feita com os Bahá'ís para que aceitassem a Sua administração depois d'Ele... (Escrito em nome de Shoghi Effendi, Lights of Guidance, pag. 147)


Nos textos da Casa Universal de Justiça

Existe, por exemplo, a Grande Aliança que todos os Manifestantes de Deus fazem com os Seus seguidores, prometendo que na plenitude dos tempos será enviado um novo Manifestante, e recebendo deles o compromisso de O aceitarem quando isso ocorrer. Também existe a Aliança Menor que o Manifestante de Deus faz com os Seus seguidores para que depois d'Ele aceitem o Seu sucessor nomeado. (The Power of the Covenant, Part II, 4)

[É] a Aliança de Bahá'u'lláh… que liga o passado e o futuro com etapas progressivas em direcção ao cumprimento da antiga Promessa de Deus... Concentração neste tema permitir-nos-á a todos obter uma mais profunda apreciação do significado e propósito da Sua Revelação As questões a que este estudo cuidadoso deverá responder devem indubitavelmente incluir o significado da Aliança Bahá'í, a sua origem e qual deve ser a nossa atitude em relação a ela" (Mensagem de Ridván, 1987)


Cada Bahá'í é livre, ou melhor, é instado, a expressar livremente a sua opinião e compreensão sobre os Ensinamentos, mas tudo isto está numa categoria totalmente diferente de um Bahá'í que se opõe claramente aos Ensinamentos de Bahá'u'lláh, ou que expressa a sua opinião como uma interpretação correcta e autorizada dos Ensinamentos, e que ataca ou opõe-se às próprias instituições que Bahá'u'lláh criou para proteger a Sua Aliança. Quando uma pessoa declara a sua aceitação de Bahá'u'lláh como Manifestante de Deus, ela torna-se parceira da Aliança, e aceita a totalidade da Sua Revelação. Se ela depois muda de posição, ataca Bahá'u'lláh ou a instituição central da Fé, ela viola a Aliança. Se isto acontece, devem-se fazer todos os esforços para ajudar essa pessoa a ver o erro e falta de lógica das suas acções; mas se ela persistir, de acordo com as instruções do próprio Bahá'u'lláh, ela deve ser afastada como violadora da Aliança. (carta de 23/Março/1975)