quarta-feira, 4 de janeiro de 2017
sábado, 31 de dezembro de 2016
A Religião segundo os Grandes Pensadores
Por Harold Rosen.
A religião é
a resposta da humanidade à orientação Divina. Deus inicia-a através dos
Profetas e nós observamos, ignoramos, rejeitamos ou distorcemos essa
orientação. A religião é a professora e a geradora da civilização - uma
estrutura social e cultural construída sobre virtudes universais como a bondade,
a compaixão, o serviço, a veracidade, a paz, a justiça, a sabedoria e a unidade.
Seguidamente, apresento um conjunto de citações que seleccionei ao longo dos
anos, definindo a religião como era entendida pelas mentes e corações dos
Profetas de Deus e grandes pensadores.
Al-Ghazali: “O
cerne da experiência religiosa não pode ser apreendido pelo estudo, mas apenas
pela experiência imediata, prova, êxtase e mudança moral”.
Immanuel
Kant: “Duas coisas enchem a mente com espanto e temor crescentes... o céu
estrelado acima de nós... e a lei moral dentro de nós...”
Georg Hegel:
“A religião é a consciência de Deus... o Espírito Absoluto (ou a potencialidade
pura) ... que se reconcilia progressivamente com a autoconsciência humana (nas
formas de ciência, arte, religião e filosofia)”.
William
Ellery Channing: “A luz Infinita estaria para sempre oculta de nós, se não lançasse
os raios da aurora e brilhasse dentro de nós”.
Karl Marx:
“A religião é o suspiro da criatura oprimida, o coração de um mundo sem
coração, assim como é o espírito de uma situação sem espírito. É o ópio do
povo”.
Arnold
Toynbee: “A religião é a força condutora da história... ajuda a humanidade a
transcender o egocentrismo ... e descobre uma relação directa e pessoal com a
realidade transcendente dentro, atrás e além do universo”.
Carl Jung: “A
religião autêntica é... uma experiência viva e irrefutável de uma relação
intensamente pessoal entre o homem e uma autoridade extra-mundana”.
Robert
Bellah: “Deixem-me definir a religião como um conjunto de formas simbólicas e actos
que relacionam o homem com as condições finais da sua existência”.
Patricia
Mische: “A religião evoluiu a partir de um sentido humano de uma realidade
maior do que o eu, maior do que a soma total de factos, fenómenos físicos, económicos,
políticos ou sociais quantificáveis... As religiões constituem uma força moral
poderosa... uma forma de governação nos assuntos humanos”.
Livro de
Tiago: “A religião pura e sem mácula diante daquele que é Deus… é esta: visitar
os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e não se deixar contaminar pelo
mundo”.
Bahá’u’lláh:
“A religião é o principal instrumento para o estabelecimento da ordem no mundo
e tranquilidade entre os seus povos… é uma luz radiante e uma fortaleza
inexpugnável par a protecção e bem-estar dos povos do mundo”.
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Texto original: Religion Defined byGreat Thinkers (www.bahaiteachings.org)
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Harold é um
educador inter-religioso mestrados em educação, religião e filosofia; gosta de
facilitar o entendimento e a cooperação inter-religiosa. Lecciona cursos sobre
religiões mundiais para audiências universitárias e comunitárias. O seu livro Founders
of Faith: The Parallel Lives of God’s Messengers sobre os ensinamentos de
Moisés, Zoroastro, Krishna, Buda, Cristo, Maomé e Bahá’u’lláh surgiu da sua experiência
nestes cursos. Está agora a escrever um livro sobre a história da humanidade e
o papel da religião na ascensão, queda e renovação das civilizações.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
“Princípio” ou “Começo” ?
A referência ao início (ou origem) da criação (ou do mundo)
é comum aos textos sagrados do Judaísmo, Cristianismo e Islão. Trata-se de uma
alusão a um momento que está para lá dos registos históricos ou da compreensão
humana. Tentando entender alegoricamente, diríamos que se trata de uma
referência à “Primeira Causa”, ou a algo que, sendo a origem de tudo, está para
lá do tempo, tal como o entendemos. E se considerarmos a criação como eterna
(tal como nos dizem as Escrituras Bahá’ís), podemos dizer que se trata de um
momento de transformação primordial, em que a criação começa a assumir a forma
que tem hoje.
No texto bíblico este conceito é descrito com a palavra
“princípio”. Vejamos alguns exemplos da tradução de João Ferreira de Almeida:
No princípio criou Deus os céus e a terra… (Gn 1:1)
Como falou pela boca dos seus
santos profetas, desde o princípio
do mundo (Lc 1:70)
Porém, desde o princípio da criação, Deus os fez macho
e fêmea (Mc 10:6)
Porque haverá então grande
aflição, como nunca houve desde o princípio
do mundo até agora, nem tampouco há de haver. (Mt 24:21)
Eu sou o Alfa e o Omega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é,
e que era, e que há-de vir, o Todo-Poderoso. (Ap 1:8)
As traduções Capuchinhos e Figueiredo (1821) também usam a
palavra “princípio” para descrever este conceito. Note-se ainda que o próprio
Pe. António Vieira também usa a palavra “princípio” para aludir à origem do
mundo (ver Sermão de Sto. António aos Peixes).
Na tradução inglesa da Bíblia (King James Version) – cujo
estilo é modelo para as traduções das Escrituras Bahá’ís – este conceito é
descrito com a palavra “beginning”.
O dicionário Inglês-Português da Porto Editora apresenta os
seguintes significados para a palavra inglesa beginning:
(nome) começo; princípio; início;
at the beginning of no princípio de;
at the very beginning mesmo no início;
from the beginning desde o princípio;
in the beginning no princípio
from beginning to end do princípio até ao fim
No entanto, nas traduções portuguesas das Escrituras
Bahá’ís, este conceito foi traduzido com a palavra “começo”. Vejamos alguns
exemplos:
E foi esta incomparável Fonte de
sabedoria que no começo da fundação
do mundo ascendeu a escada do significado interior e, entronizada no púlpito da
expressão, através da operação da Vontade divina, proclamou duas palavras. (Epístolas
de Bahá’u’lláh, Palavras do Paraíso)
Perguntaste sobre o assunto da
Volta. Sabe tu que o fim é semelhante ao começo.
Assim como consideras o começo, de
igual modo deves considerar o fim, e ser daqueles que verdadeiramente percebem.
Não, antes, considera tu o começo
como sendo o próprio fim, e assim, inversamente, a fim de poderes adquirir uma
percepção clara. (Epístolas de Bahá’u’lláh, Súriy-i-Vafá)
As maravilhas de Sua generosidade
não podem cessar, e jamais será detido o fluxo de Sua graça misericordiosa. O
processo de Sua criação não teve começo,
nem poderá ter fim. (Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh, XXVI)
Poderá ele conceber para esses
Luminares Divinos, essas Luzes resplandecentes, um começo ou um fim? (Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh, XXVII)
Desde o começo que não tem começo,
a insígnia que proclama as palavras "Ele faz qualquer coisa que Lhe
apraza" tem sido desdobrada em todo o seu esplendor diante de Seu
Manifestante. (Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh, CII)
Percebe-se que, ao usar a palavra beginning, a tradução inglesa das Escrituras pretende reflectir o
mesmo conceito que existe no texto bíblico. Para o leitor de língua inglesa, minimamente
familiarizado com a Bíblia, torna-se fácil perceber que o conceito é comum ao
Cristianismo e à Fé Bahá’í.
No entanto, para o leitor de língua portuguesa,
familiarizado com a Bíblia, a utilização da palavra “começo” em vez de
“princípio” pode levá-lo a questionar se o conceito é comum ao Cristianismo e à
Fé Bahá’í. Assim, é legítimo questionarmos porque é que a tradução inglesa
reflecte um conceito bíblico e a tradução portuguesa não o faz.
Lembro que uma tradução não é uma mera substituição de
termos de uma língua por outra. Os contextos culturais das línguas de origem e
destino devem ser considerados sempre que se faz uma tradução. E tratando-se de
uma tradução de um texto religioso, é fundamental que os tradutores estejam
familiarizados com a literatura religiosa em ambas as línguas, de forma a garantir a qualidade e o rigor das traduções.
Espero, pois, que futuras edições destas traduções
portuguesas das Escrituras Bahá’ís sejam corrigidas e a palavra “princípio”
seja usada para descrever este conceito de origem da criação.
quarta-feira, 28 de dezembro de 2016
sábado, 24 de dezembro de 2016
O primeiro Natal de 'Abdu'l-Bahá
Por David Langness.
Por um único motivo foram os
Profetas, sem excepção, enviados à terra. Foi por isso que Cristo Se
manifestou, foi por isso que Bahá’u’lláh ergueu o apelo do Senhor: para que o
mundo do homem se torne o mundo de Deus; que este domínio inferior se torne o
Reino; que esta luz negra, esta perversidade satânica se transforme nas
virtudes do homem – e a unidade, a camaradagem e o amor sejam conquistados por
toda a raça humana, que a unidade orgânica reapareça e os alicerces da
discórdia sejam destruídos e a vida eterna e a graça eterna sejam a colheita da
humanidade. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, #15)
Hoje quero
falar-vos sobre o primeiro Natal de ‘Abdu’l-Bahá em Inglaterra. Mas antes disso
vamos preparar o cenário, explorando a história do feriado, que poucas pessoas
compreendem, ou conhecem.
Alguma vez
ouviu falar de Sexto Júlio Africano?
Provavelmente
não. Inicialmente, Sexto Júlio era um soldado pagão nas legiões romanas, no
final do séc. II; depois converteu-se ao Cristianismo e tornou-se um
historiador e autor Cristão muito viajado. Tal como o seu último nome sugere,
ele era provavelmente africano - possivelmente oriundo da região a que hoje
chamamos Líbia - falava várias línguas e viajou muito pelo Médio Oriente.
Sexto Júlio
Africano escreveu uma história do mundo em cinco volumes, chamada Chronographiai. Tanto quanto se sabe,
nenhum exemplar sobreviveu, mas alguns dos seus escritos ainda existem, graças
a historiadores posteriores, como Eusébio, e tiveram um grande impacto - em pelo
menos dois aspectos - sobre quem hoje vive na idade moderna.
Primeiro,
ele determinou a idade do mundo.
Depois, ele
determinou a data exacta do Natal.
Foi assim
que ele fez: no seu trabalho de cinco volumes, Sexto Júlio escreveu a
cronologia do mundo desde a história da criação no livro do Génesis até ao ano
221 EC. Esse período de tempo - meticulosamente reunido e calculado a partir de
uma leitura cuidadosa de toda a história genealógica e das várias
“descendências” na Bíblia Hebraica e no Novo Testamento - totaliza 5723 anos,
segundo as suas contas. Os seus cálculos apresentam 5500 anos entre a criação e
a encarnação (ou Anunciação) de Jesus Cristo, que colocou a imaculada concepção
de Jesus em 25 de Março do ano 1 AEC. Adicionando os nove meses do tempo normal
de gestação humana, Júlio obteve o 25 de Dezembro, o dia em que o mundo celebra
o Natal.
Já no séc.
II EC ninguém conseguia precisar a data em que tinha ocorrido o nascimento de
Cristo. Muito antes do uso generalizado de calendários, certidões de nascimento
ou celebração regular de nascimentos, a grande distância temporal tornava
impossível a verificação de datas históricas. Por esse motivo, Sexto Júlio
Africano teve de fazer cálculos. Apesar das suas evidências, alguns
historiadores e cientistas – incluindo Isaac Newton – acreditam que o mundo
cristão escolheu o 25 de Dezembro porque os Romanos celebravam o Solstício de
Inverno nesse dia, a que chamavam Bruma ou Sol Invicto.
![]() |
| Uma rua de Londres, Natal de 1911 |
Mas Sexto Júlio
calculou a data segundo a cronologia bíblica e dominou a opinião popular e o
calendário gregoriano durante mil e oitocentos anos. Os seus cálculos originais
são a razão que levam alguns fundamentalistas a insistir que o mundo tem apenas
seis mil anos de idade, e também são o motivo para observamos o nascimento de
Cristo no dia 25 de Dezembro. Com a excepção da Igreja Ortodoxa Oriental, que
normalmente celebra o Natal no dia 7 de Janeiro, o 25 de Dezembro tornou-se o
Natal para as massas – o que nos traz de volta ao tema do primeiro Natal do
'Abdu'l-Bahá.
Só em 1911,
quando viajou para o Ocidente, ‘Abdu’l-Bahá teve o primeiro contacto com as
celebrações modernas do Natal, na sua forma Ocidental. Libertado após 40 anos
de exílio, chegou a Inglaterra, vindo do Médio Oriente e no meio do agitado
calendário de discursos, reuniões e palestras, ‘Abdu’l-Bahá…
…assistiu à peça “Eager Heart”
(Coração Ansioso), uma peça de Natal na Church House, Westminster, a primeira
peça de teatro que Ele assistiu e cuja representação gráfica da vida e
sofrimentos de Jesus Cristo O levaram às lágrimas”. (Shoghi Effendi, God PassesBy, p. 284)
A peça,
escrita pela poetisa e dramaturga inglesa Alice Mary Buckton, que mais tarde
recebeu 'Abdu'l-Bahá na sua casa em Byfleet Surrey, conta a história trágica de
uma mulher que se prepara fervorosamente para a visita Natalícia de Jesus,
Maria e José, mas depois vacila quando uma família de refugiados sem-abrigo
aparece à sua porta. Leia a peça em sua forma original aqui.
Esta
descrição da reacção profundamente emocional de 'Abdu'l-Bahá à peça Eager
Heart, escrita por Lady Blomfield no seu livro The Chosen Highway, menciona uma
ocorrência notável:
[‘Abdu’l-Bahá] chorou durante a cena
em que a Criança Sagrada e os Seus pais, vencidos pela fadiga e sofrendo com a
fome e a sede, foram recebidos pela hesitação do Coração Ansioso em deixá-los
entrar no abrigo de repouso que ela tinha preparado; obviamente, ela não
conseguiu reconhecer os visitantes sagrados. Posteriormente, [‘Abdu’l-Bahá],
juntou-se ao grupo de actores.
Foi uma cena impressionante. Num
cenário oriental. O Mensageiro nas suas vestes orientais, falando-lhes, nas
suas belas palavras orientais, sobre o significado Divino dos eventos que
tinham sido representados. (The Baha’i World, Volume 4, p. 379)
Tente
imaginar esta cena de Natal, se for capaz. Após o fim dos aplausos e depois do
público se ter retirado, no palco, entre os cenários da peça, o filho do mais
recente profeta do Médio Oriente, vestido com a Sua túnica, fala aos actores
sobre os verdadeiros sofrimentos de Jesus Cristo, tal como semelhantes aos sofrimentos
de Bahá’u’lláh e da Sua família. Recentemente libertado após quatro décadas de
exílio e prisão, ‘Abdu’l-Bahá reúne um grupo de actores ao Seu redor e explica
o verdadeiro significado do Natal.
E porque os
Bahá’ís acreditam que todos os profetas de Deus são semelhantes, aqueles
actores incrivelmente afortunados, em vez de se basearem em interpretações
demasiado humanas sobre o significado e o momento do Natal, escutam isso
literalmente da fonte.
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Texto original: Abdu’l-Baha’s First Christmas (www.bahaiteachings.org)
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David
Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor
e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
Abandonar as Pretensões Religiosas de Exclusivismo e Finalidade
As religiões
mundiais podem abandonar as suas pretensões de exclusividade e finalidade?
Construir
sociedades inclusivas exige uma profunda mudança de mentalidade, é a opinião da
Comunidade Internacional Baha'i (BIC) num discurso na Cimeira Global sobre
Religião, Paz e Segurança realizada no passado mês de Novembro, no Palácio das
Nações, em Genebra.
Com o apoio
da União Europeia e do governo de Espanha, o evento foi co-organizado pelo
Escritório das Nações Unidas para a Prevenção do Genocídio e a Responsabilidade
de Proteger, bem como pela Associação Internacional para a Defesa da Liberdade
Religiosa. Concentrou-se no papel e importância da liberdade religiosa na
prevenção do extremismo violento e dos crimes de atrocidade e explorou a
relação entre estes.
Os
participantes incluíram o Conselheiro Especial da ONU para a Prevenção do
Genocídio, Adama Dieng; Assessor Principal da Cultura do Fundo de População das
Nações Unidas, Azza Karam; Embaixador Geral da Aliança das Civilizações,
Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação da Espanha, Belen Alfaro
Hernandez; e o Enviado Especial da União Europeia para a Promoção da Liberdade
Religiosa ou Crença fora da UE, Jan Figel, entre outros.
Dirigindo-se
ao fórum, Diane Ala'i, representante da Comunidade Internacional Bahá'í para as
Nações Unidas em Genebra, falou sobre o papel crítico que a liderança religiosa
desempenha no desenvolvimento de mentalidades inclusivas e tolerantes.
"Construir sociedades pacíficas e salvaguardar a liberdade de religião e
crença dependem do abandono das pretensões de exclusividade e finalidade por
líderes religiosos", afirmou.
Ala'i também
discutiu a importância de cultivar a unidade entre populações diferentes.
"Viver lado a lado não é suficiente", explicou. "Pessoas de
diferentes crenças devem aprender a viver juntas".
"Estamos
a descobrir", prosseguiu, "que o serviço colectivo ao bem comum é um
poderoso factor para dissipar mal-entendidos entre as pessoas".
Mais uma vez, existe alguma acção no
mundo que seria mais nobre que o serviço ao bem comum? Há alguma bênção maior
concebível para um homem, do que ele tornar-se a causa da educação, do
desenvolvimento, da prosperidade e da honra dos seus semelhantes? Não, pelo
Senhor Deus! A mais elevada honra de todas é que as almas abençoadas segurem as
mãos dos desamparados e as libertem da sua ignorância, humilhação e pobreza, e
com motivos puros e somente por causa de Deus, se levantem e se dediquem energicamente
ao serviço das massas, esquecendo-se da sua própria vantagem mundana e trabalhando
apenas para servir o bem comum. (‘Abdu'l-Bahá, The Secret of Divine Civilization,
p. 103)
Baseando-se
no exemplo da resposta da comunidade Bahá’í no Irão à perseguição patrocinada
pelo Estado, Ala’i explicou: "A comunidade tem sido capaz de contribuir
para a mudança de corações e mentes no país através da resistência construtiva
que tem demonstrado face a décadas de opressão, trabalhando lado a lado com outros
cidadãos para o melhoramento da sociedade iraniana. "
"Na sua
abordagem construtiva à mudança social, testemunhou um nível crescente do apoio
de iranianos dentro e fora do país nos últimos anos."
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FONTE: Abandoning Religious Claims of Exclusivity and Finality (www.bahaiteachings.org)
terça-feira, 20 de dezembro de 2016
Assembleia Geral da ONU condena o Governo Iraniano
Pela 29ª vez
desde 1985, a Assembleia-Geral das Nações Unidas condenou o governo iraniano
devido à situação dos direitos humanos naquele país. O texto da resolução -
apresentado pelo Canadá e patrocinado por outros 41 países - foi adoptado com
85 votos a favor, 35 contra e 63 abstenções.
Intitulado
“Situação dos Direitos Humanos na Republica Islâmica do Irão”, o texto da
resolução expressa "séria preocupação" com a alta taxa de execuções no
Irão sem protecções legais, uso contínuo de tortura, detenções arbitrárias
generalizadas, limites rigorosos à liberdade de reunião, expressão e crença
religiosa, e discriminação contínua contra mulheres, minorias étnicas e
religiosas, incluindo os Bahá’ís.
"A
votação de hoje deixa claro que o mundo continua profundamente preocupado com o
modo como o Irão trata os seus próprios cidadãos, ao mesmo tempo que levanta
questões sobre a genuína vontade do Irão em cumprir as suas obrigações como
membro da comunidade internacional", disse Bani Dugal, representante da
Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas.
"Infelizmente,
a lista de violações dos direitos humanos no Irão é longa", continuou
Dugal. "Apesar dos representantes iranianos negarem, é difícil perceber sinais
de progresso. Isto é especialmente verdadeiro para os Bahá'ís iranianos que
enfrentam, entre outras formas de opressão, uma política de "apartheid
económico" por parte do seu governo, que a qualquer momento os pode privar
de empregos, educação e liberdade para praticar Sua religião conforme dita a
sua consciência."
"No
início de Novembro, por exemplo, 124 lojas e empresas Bahá'ís foram seladas
pelo governo depois dos seus proprietários fecharam por dois dias para observar
um importante dia sagrado Bahá’í. Além disso, os Bahá'ís continuam impedidos de
frequentar livremente a universidade e estão sujeitos a todo o tipo de restrições.
Também enfrentam detenção arbitrária e prisão por actividades religiosas
legítimas", acrescentou Dugal.
Dugal
salientou que cerca de 86 Bahá'ís estão actualmente presos e que, desde 2005,
mais de 900 Bahá’ís foram presos e pelo menos 1100 incidentes de exclusão económica
foram documentados. "A situação não melhorou sob a administração do
presidente Hassan Rouhani", acrescentou.
Entre outras
coisas, a resolução hoje aprovada pede ao Irão que elimine "todas as
formas de discriminação, incluindo restrições económicas" contra as
minorias religiosas no Irão. Também pede a libertação de "todos os
praticantes religiosos detidos devido à sua participação ou actividades em nome
de um grupo religioso minoritário reconhecido ou não reconhecido, incluindo os
sete líderes Bahá’ís".
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sábado, 17 de dezembro de 2016
A Revolução Científica libertou a Ciência da Religião?
Por Maya Bohnhoff.
A religião e a ciência são duas asas
com as quais a inteligência do homem pode subir às alturas, com as quais a alma
humana pode progredir. Não é possível voar apenas com uma asa! Se um homem
tentar voar apenas com a asa da religião cairá rapidamente no atoleiro da
superstição, enquanto se tentar apenas com a asa da ciência não conseguirá
qualquer progresso, mas cairá no lamaçal desesperante do materialismo. (‘Abdu’l-Bahá,
excerto de uma palestra na Rue Camoens, Paris, 12-Novembro-1911)
A Revolução Científica libertou a
ciência da religião. A nova ciência libertou o espírito da matéria. A razão e a
experiência substituíram a revelação como fonte de conhecimento no mundo. Após
a Revolução Científica tornou-se inevitável que Deus acabasse por ser
totalmente afastado da natureza e que a ciência negasse a existência de Deus. (Margaret
J. Osler, Professora de História e Professora Adjunta de Filosofia na
Universidade de Calgary e autora do livro Reconfiguring the World: Nature, God,and Human Understanding in Early Modern Europe)
No seu
ensaio no livro Galileo goes to Jail,
a professora Osler prossegue o raciocínio anterior com estas palavras:
“Estas
afirmações não fundamentadas fizeram o seu percurso na história popular da
ciência e são frequentemente repetidas”. Osler apresenta uma lista de pessoas
das facções religiosa e secular do debate que “repetem este mantra reforçando a
crença de que o séc. XVII testemunhou o divórcio entre ciência e religião”.
Acho
interessante que ela use a ideia de divórcio – como se a ciência e a religião
fossem um casal numa crise de meia-idade que trocam a sua vida a dois por
fantasias de juventude e carros desportivos. Olhando para o álbum dos anos em
que ciência e religião estiveram juntas, é claro que a palavra não foi
escolhida por acaso.
Até ao
século XIX, a ciência ainda não era ciência; era “filosofia natural” ou
“história natural”. Nem existiam cientistas, conhecidos como tal. Os homens e
mulheres que se dedicavam à ciência eram, muito frequentemente, pessoas de fé,
e muitas vezes, membros do clero. Como referi anteriormente, a filosofia
natural era parte integrante dos currículos de todas as universidades
medievais, e tinha poucas referências à doutrina da Igreja. A teologia era
ensinada como uma área de estudos distinta, numa faculdade especializada.
A filosofia
natural focava-se em temas como a origem do universo ou a Primeira Causa, as
leis que regiam a criação e a sua concepção, a natureza da alma e do corpo
humano. Nesses tempos, a ciência incipiente estava próximo do significado do
seu nome scientia – isto é, o
conhecimento real da essência das coisas. Aos olhos de alguns, isto impediu a
“filosofia natural” de se tornar uma verdadeira ciência (scientia) porque as observações dos seres humanos eram imperfeitas,
e consequentemente incapazes do nível de rigor necessário para conhecer a
essência de qualquer coisa.
![]() |
| Johannes Kepler |
Quando li
sobre a história da filosofia mecânica, que tenta explicar todos os fenómenos
naturais em termos mecanicistas, assumi que os seus promotores pretendiam
eliminar Deus do processo. Mas fiquei surpreendida ao descobrir que eles eram
profundamente religiosos. Entre eles incluíam-se luminárias como Gassendi,
Descartes e Boyle. Até mesmo Johannes Kepler, com a sua certeza que Deus tinha
criado um universo que exibia ordem e harmonia mecânica, podia ser contado
entre os proponentes da filosofia mecânica.
A analogia
que me vem à ideia quando penso na alegada dicotomia entre filosofia mecânica e
filosofia espiritual é a escrita. Quando penso no que é necessário para
escrever um romance desde o primeiro brilho nos olhos até ao último parágrafo,
vejo dois grandes processos em funcionamento: místico e mecânico. O místico
inclui a geração da ideia para a história – o nascimento e génese das
personagens, os momentos de inspiração e voo da imaginação, a paixão que liga
eventos, personagens e linhas do enredo e traduzi-lo por palavras. Por outro
lado, a actividade mecânica de passar estas palavras e ideias para uma forma
física – escrever, tal como escrevi este texto – exige que que elas sejam
elaboradas de forma a serem experimentadas por outras pessoas.
Estes dois
processos dependem mutuamente um do outro. As ideias ficam no campo dos sonhos
se não as colocamos no papel; se isso acontecer, nunca se tornarão uma
história. Por outro lado, sem essas ideias, essas interligações, essas personagens,
o meu amor por elas e a minha paixão pela história, não haverá nada para o
processo mecânico registar, e também não haverá história. Parafraseando a
professora Osler: até numa criação mecânica há espaço (ou necessidade) de um
propósito e de um desenho.
O romance
existe porque eu pego no produto do meu processo intelectual/espiritual e
aplico-lhe o processo mecânico. As palavras que escrevo revelam o intelecto por
trás de si. Também são evidências do processo espiritual.
Não me
surpreende descobrir que vários filósofos naturais expressaram a opinião de
que, tal como disse Osler, "a filosofia natural, devidamente seguida, leva
ao conhecimento do Criador". Entre os que sustentavam essa visão estava
Lord Kelvin (físico matemático e engenheiro) que aconselhou:
Não tenham medo de ser livre pensadores.
Se pensarem com força suficiente, serão forçados pela ciência a acreditar em
Deus, que é a base de toda Religião. Descobrirão que a ciência não é antagónica,
mas útil à religião. (William Thomson, 1º Barão Kelvin)
Opiniões
semelhantes têm surgido de vozes religiosas – especialmente de Bahá'u'lláh, que
escreveu "O princípio de todas as coisas é o conhecimento de Deus", e
do Seu filho 'Abdu'l-Bahá, que escreveu: "A ciência é o esplendor do Sol da
Realidade, o poder de investigar e descobrir as verdades do universo, o meio
pelo qual o homem encontra um caminho para Deus".
Isaac Newton
escreveu no Principia que:
... todo o discurso sobre Deus é
derivado de uma certa semelhança das coisas humanas, que, embora não sendo
perfeita, é, no entanto, um certo tipo de semelhança... E abordar o Deus dos fenómenos
é certamente parte da filosofia natural.
Por outras
palavras, por muito imperfeita que seja a nossa capacidade de compreensão, a
criação pode dizer-nos alguma coisa sobre as qualidades do Criador, tal como a
minha escrita diz ao leitor algo sobre mim.
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Texto original: Did the ScientificRevolution Liberate Science from Religion? (www.bahaiteachings.org)
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Maya
Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção
científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora
(juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View
Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na
www.commongroundgroup.net.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
sábado, 10 de dezembro de 2016
Deus “faz” Milagres?
Por Maya Bohnhoff.
O meu amigo
ateu "Maynard" faz esta pergunta: Deus pode interferir em eventos onde e quando quiser, infringindo as
leis naturais e mudando o seu curso (isto é, realizar milagres)?
Deus
intervém nos processos naturais? Eu terei que dizer: "Não sei", pela
simples razão que não sei. Eu não sei tudo sobre as leis naturais e como elas
funcionam e o que constitui a sua "infracção" em oposição à simples
utilização dessas leis de formas anteriormente não concebíveis. Mas Ele pode?
Certamente. Pessoalmente, penso que Ele intervém através dos processos
naturais.
Houve uma
época, não há muito tempo atrás, em que designávamos o voo humano como uma infracção
das leis naturais. As pessoas não voam pela simples razão que as pessoas não
têm asas. Os seres humanos não podem viver no espaço, mas nós também fizemos
isso, utilizando cápsulas onde se replica a atmosfera que respiramos na terra.
O que estes dois milagres exigem é uma compreensão tecnológica substancialmente
avançada (que, como o escritor de ficção científica Arthur C. Clarke referiu, é
indistinguível da magia). Se conseguimos fazer essas coisas com o pouco de
conhecimento subjectivo que temos, o que poderá fazer o Ser que criou todo o
sistema e conhece o seu potencial?
Eu vejo as acções
de Deus como racionais e como tendo um propósito. O que me intriga sobre alguns
dos supostos milagres (estátuas sangrando, etc.) é o seu propósito. Eles provam
alguma coisa? Se sim, o quê? 'Abdu'l-Bahá levantou a questão do propósito
quando falou sobre o livro bíblico de Daniel:
[Milagres] não constituem provas e
evidências para todos os povos da terra, e eles não são provas definitivas,
mesmo para aqueles que os vêem; Eles podem pensar que eles são apenas feitiços.
(Some Answered Questions, p. 37)
São
atribuídos a Cristo muitos milagres físicos que parecem infringir as leis da
natureza. Podem até não ser infracções das leis naturais, mas sim a manipulação
dessas leis por um Ser que as entende muito melhor do que nós. Em qualquer
caso, para mim, o maior milagre é o facto de um filho de um pobre carpinteiro
das periferias do Império Romano, há 2000 anos atrás, inspirar milhões de almas
que hoje valorizam as Suas palavras e se identificam com o Seu nome. Esquecemos
completamente as pessoas desse tempo que tinham riqueza e poder; no entanto,
Jehoshuah ben Joseph transformou inúmeras vidas durante dois milénios.
Apenas uma dúzia
de pessoas em toda a história conseguiram este milagre. E, apesar da
transformação das vidas humanas e das sociedades durante esse período de tempo
não exigir a infracção das leis da natureza (embora alguns argumentem que sim),
essa transformação foi miraculosa. Os Bahá’ís acreditam que esta é a principal forma
de "intervenção" de Deus na história - enviando seres como Cristo,
Moisés, Maomé, Krishna, Buda e Bahá’u’lláh para nos guiar através das Suas
palavras e acções.
![]() |
| Isaías (por Miguel Ângelo) |
Há uma
passagem no livro bíblico de Isaías que descreve eloquentemente este assunto.
Acho que todos concordariam que um mundo unido e a paz global seriam um
milagre. O texto profético sobre esta eventualidade diz:
No fim dos tempos o monte do templo
do Senhor estará firme, será o mais alto de todos, e dominará sobre as colinas.
Acorrerão a ele todas as gentes, virão muitos povos e dirão: «Vinde, subamos à
montanha do Senhor, à casa do Deus de Jacob. Ele nos ensinará os seus caminhos,
e nós andaremos pelas suas veredas; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém,
a palavra do Senhor. Ele julgará as nações e dará as suas leis a muitos povos,
os quais transformarão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças, em
foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se adestrarão mais
para a guerra. Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor. (Is 2:2-5)
Este texto
demonstra a forma como Deus intervém. A Sua "casa" é estabelecida
(Ele tem uma presença na terra) e as pessoas "visitam-na" de bom
grado. A Sua lei é proclamada e, como resultado, a humanidade transforma "as
suas espadas em arados" - isto é, transforma instrumentos de destruição em
instrumentos produtivos. O ponto crítico? O que o versículo NÃO diz. Não diz
que Deus fará essas coisas por nós. Diz que nós faremos essas coisas em
resposta à presença e à lei de Deus.
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Texto
original: Does God “Do” Miracles? (www.bahaiteachings.org)
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Maya
Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção
científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora
(juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View
Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na
www.commongroundgroup.net.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
Aliança ou Convénio?
A literatura Bahá’í traduzida no Brasil e a
terminologia usada pelos Bahá’ís de Portugal apresentam a palavra inglesa Covenant traduzida como Convénio.
No entanto, a palavra “convénio” é rara na literatura
religiosa portuguesa. Não consta nas duas traduções mais comuns da Bíblia para português-PT
(Capuchinhos e João Ferreira de Almeida), nem português-BR (Bíblia de
Jerusalém). Também não a encontro nas obras do Pe. António Vieira.
Nestas traduções Bíblicas - e na esmagadora maioria de
literatura religiosa em Português - este conceito é descrito como Aliança. Assim, penso que é legítimo
questionar a utilização do termo convénio
na literatura Bahá’í.
Vamos começar por ver o que nos dizem os dicionários sobre o
significado destas palavras.
No dicionário Inglês-Português da Porto-Editora,
encontramos as seguintes traduções possíveis para a palavra Covenant:
covenant, 1. s. ajuste, pacto, tratado; convénio || Ark of the C. (bíbl.) Arca da Aliança
|| land of the C., terra Prometida; 2.
vt. e i. concordar, convir
Podemos perceber que a tradução literal da palavra covenant para convénio está correcta. Mas num contexto religioso também é adequado
usar a palavra aliança.
No dicionário de Língua Portuguesa da Porto-Editora
(2004) encontramos as seguintes definições:
aliança s.f. 1. acto ou efeito de aliar; 2. laço entre pessoas ou entidades que
se prometem mútuo auxílio; pacto; acordo; 3.
anel de casamento; 4. casamento
convénio s.m. 1. convenção política; 2. pacto internacional; 3. ajuste; acordo
Graças a estas definições, percebemos que a palavra Aliança
tem um significado mais amplo do que Convénio. Mais do que um mero acordo, uma
Aliança implica um laço, uma ligação entre as partes envolvidas.
Vejamos agora como são usadas estas palavras na Bíblia.
Na tradução Capuchinhos (português-PT) da Bíblia encontramos
diversas referências à aliança de Deus com os que aceitam a revelação do Seu
Manifestante. Como sabemos, esta é a Eterna Aliança que se renova com o
aparecimento de cada Manifestante de Deus. Vejamos alguns exemplos:
Abrão tinha noventa e nove anos,
quando o Senhor lhe apareceu e lhe disse: «Eu sou o Deus supremo. Anda na minha
presença e sê perfeito. Quero fazer uma aliança contigo e multiplicarei a tua descendência
até ao infinito. (Gn 17: 1-2)
Deus respondeu: Vou fazer uma aliança contigo: na
presença de todo o povo, realizarei prodígios, como jamais se fizeram em parte
alguma, nem em nenhuma nação; e o povo que te cerca há-de ver então a obra do Senhor,
porque espantosas são as coisas que vou fazer por teu intermédio. (Ex 34:10)
Em seguida, tomou um cálice, deu
graças e entregou-lho, dizendo: «Bebei dele todos. Porque este é o meu sangue,
sangue da Aliança,
que vai ser derramado por muitos, para perdão dos pecados. (Mt 26:27-28)
As traduções de João Ferreira de Almeida (português-PT) e
Jerusalém (português-BR) também usam a palavra Aliança para definir este mesmo
conceito. A palavra Convénio nunca está presente nestas traduções. Nas
traduções inglesas da Bíblia, este conceito é descrito com a palavra covenant.
No entanto, esta mesma Aliança é referida como Convénio nas
traduções Bahá’ís em português-BR e em português-PT.
Na minha opinião, a utilização da palavra convénio como tradução da palavra
inglesa covenant, é uma tradução
literal que empobrece e descontextualiza os textos.
Recordemo-nos que uma tradução não é apenas uma conversão de
um texto de uma língua para outra. Frequentemente a tradução exige também a
transposição de uma cultura para outra e até mesmo uma fusão de culturas.
No caso da tradução da palavra covenant para português, é necessário fazer a transposição
cultural. O uso do termo convénio - estranho à cultura religiosa e à
literatura religiosa portuguesa - não só empobrece o texto (retirando-lhe o
significado mais correcto e abrangente) como também o torna mais difícil de
perceber por pessoas de origens cristãs.
Uma tradução que considera o contexto religioso do texto - i.e.,
onde é feita a transposição cultural - leva-nos a usar a palavra aliança
para descrever a ligação estalecida entre Deus e a Humanidade desde os tempos
de Abraão (a “Eterna Aliança”) e a ligação estabelecida entre Bahá’u’lláh e os
Seus seguidores para preservar a unidade da Comunidade (a “Aliança de
Bahá’u’lláh”).
Por último, recordemo-nos que a Fé Bahá’í é herdeira das
religiões do passado; por esse motivo deve usar terminologia conhecida quando
se trata de designar os conceitos comuns a essas religiões.
Por todos estes motivos, sugiro que sejam corrigidas as
traduções existentes.
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Exemplos de
utilização da palavra “Aliança” na literatura Bahá’í.
Nas Escrituras do Báb
O Senhor do universo jamais levantou um profeta, nem
fez descer um Livro, sem que tivesse estabelecido a Sua aliança com todos os homens,
apelando à sua aceitação da Revelação seguinte e do Livro seguinte… (Selections from the Writings
of the Bab, pag. 88)
Nas Escrituras de Bahá’u’lláh
Recitai os versículos de Deus cada manhã e noite. Quem
não os recita, em verdade falhou no seu compromisso com a Aliança de Deus e Seu
Testamento, e quem, neste dia, se afastou deles, afastou-se de Deus desde os
tempos imemoriais. (Spiritual Foundations, p. 1)
Este é o Dia, ó meu Senhor, que revelaste a toda a
espécie humana como o Dia em que revelarias o Teu Próprio Ser... Além disso,
celebraste uma aliança com eles, nos Teus Livros e nas Tuas Escrituras, nos
Teus Pergaminhos e nas Tuas Epístolas, sobre Aquele que é a Alvorada da Tua
Revelação, e nomeaste o Bayán para ser o Arauto do Teu Mais Grandioso e
Todo-Glorioso Manifestante... (Prayers and Meditations, pag. 275)
... Os que violaram a Aliança de Deus desobedecendo
aos Seus mandamentos e voltando as costas, esses têm errado severamente aos
olhos de Deus, o Possuidor de Tudo, o Altíssimo. (GWB, CLV)
Nas Escrituras de
‘Abdu’l-Bahá
Enquanto não atingirdes esta condição, não podereis dizer ter
sido fiéis à Aliança e Testamento de Deus. Pois Ele, através de Textos
irrefutáveis, celebrou uma Aliança vinculativa com todos nós, exigindo que agíssemos
de acordo com as Suas sagradas instruções e conselhos". (SWAB, #35)
Quanto à referência n'As Palavras Ocultas sobre a Aliança estabelecido
no Monte Paran, isto significa que aos olhos de Deus, o passado, o presente e o
futuro são um só e o mesmo... E é um princípio básico da Lei de Deus que em
cada Missão Profética, Ele estabelece uma Aliança com todos os crentes – uma
Aliança que se mantém até ao fim dessa Missão, até ao dia prometido em que a
personagem estipulada no início da Missão se torna manifesta. Considerai
Moisés... Em verdade, no Monte Sinai, Moisés estabeleceu uma Aliança referente
ao Messias, com todos aqueles que viveriam no tempo do Messias. E essas almas,
apesar de terem aparecido séculos depois de Moisés, estavam - no que se refere à
Aliança que é intemporal - ali presentes com Moisés. (SWAB, #181)
... com a Sua própria pena Ele escreveu o Livro da Sua
Aliança, dirigindo-se aos Seus familiares e a todos os povos do mundo, dizendo:
«Em verdade, nomeei Aquele que é o Centro da Minha Aliança. Todos devem
obedecer-Lhe; Ele é o Explicador do Meu Livro, e Ele está informado sobre o Meu
propósito. Todos se devem voltar para Ele. Qualquer coisa que Ele diga está
correcto...» O propósito desta afirmação é que nunca exista discórdia ou divergência
entre os Bahá'ís, mas que estejam sempre unidos e em concórdia... Assim, quem
obedece ao Centro da Aliança nomeado por Bahá'u'lláh obedece a Bahá'u'lláh; e
quem Lhe desobedece, desobedece a Bahá'u'lláh... (PUP, pag. 322-323)
Os verdadeiros amantes da beleza de Abhá, e aqueles
que sorveram do Cálice da Aliança, não temem calamidade, não desanimam na hora
da provação... (SWAB, #229)
Nos textos de Shoghi
Effendi
[Existe uma] Aliança geral que, conforme inculcam os
ensinamentos Bahá'ís, o próprio Deus estabelece com a humanidade quando
inaugura uma nova Dispensação. (WOB, pag. 137)
Então, [quando se estabelecer a Comunidade Mundial Bahá'í] a
maturidade de toda a espécie humana será proclamada e celebrada por todos os
povos e nações da terra. Então, o estandarte da Mais Grandiosa Paz será
hasteado. Então, a soberania mundial de Bahá'u'lláh - o Fundador do Reino do
Pai predito pelo Filho, e antevisto pelos Profetas de Deus antes e depois d'Ele
- será reconhecido, aclamado e firmemente estabelecida. Então, uma civilização
mundial nascerá, florescerá e perpetuar-se-á, uma civilização com uma plenitude
de vida como o mundo nunca viu, nem pode ainda conceber. Então, a Eterna
Aliança cumprir-se-á plenamente. Então, a promessa contida nos Livros de Deus
será redimida, e todas as profecias proferidas pelos Profetas do passado cumprir-se-ão,
as visões dos videntes e poetas realizar-se-ão. Então, o planeta... será...
capaz de cumprir esse destino indescritível que lhe foi determinado desde tempos
imemoriais, pelo amor e sabedoria do Seu Criador". (PDC, pag. 123-124)
No que respeita ao significado da Aliança Bahá’í, duas
formas de Aliança... A primeira é a Aliança que todos os Profetas fazem com...
o Seu povo para que aceite e siga o Manifestante seguinte... A segunda forma de
Aliança é do género que Bahá'u'lláh fez com o Seu povo para que aceitassem o
Mestre. Isto é apenas para estabelecer e fortalecer a sucessão de uma série de
Luzes que surgem após cada Manifestante. Sob a mesma categoria encontra-se a
Aliança do Mestre feita com os Bahá'ís para que aceitassem a Sua administração
depois d'Ele... (Escrito em nome de Shoghi Effendi, Lights of Guidance,
pag. 147)
Nos textos da Casa
Universal de Justiça
Existe, por exemplo, a Grande Aliança que todos os
Manifestantes de Deus fazem com os Seus seguidores, prometendo que na plenitude
dos tempos será enviado um novo Manifestante, e recebendo deles o compromisso
de O aceitarem quando isso ocorrer. Também existe a Aliança Menor que o
Manifestante de Deus faz com os Seus seguidores para que depois d'Ele aceitem o
Seu sucessor nomeado. (The Power of the Covenant, Part II, 4)
[É] a Aliança de Bahá'u'lláh… que liga o passado e o futuro
com etapas progressivas em direcção ao cumprimento da antiga Promessa de
Deus... Concentração neste tema permitir-nos-á a todos obter uma mais profunda
apreciação do significado e propósito da Sua Revelação As questões a que este
estudo cuidadoso deverá responder devem indubitavelmente incluir o significado
da Aliança Bahá'í, a sua origem e qual deve ser a nossa atitude em relação a ela"
(Mensagem de Ridván, 1987)
Cada Bahá'í é livre, ou melhor, é instado, a expressar
livremente a sua opinião e compreensão sobre os Ensinamentos, mas tudo isto
está numa categoria totalmente diferente de um Bahá'í que se opõe claramente
aos Ensinamentos de Bahá'u'lláh, ou que expressa a sua opinião como uma
interpretação correcta e autorizada dos Ensinamentos, e que ataca ou opõe-se às
próprias instituições que Bahá'u'lláh criou para proteger a Sua Aliança. Quando
uma pessoa declara a sua aceitação de Bahá'u'lláh como Manifestante de Deus,
ela torna-se parceira da Aliança, e aceita a totalidade da Sua Revelação. Se
ela depois muda de posição, ataca Bahá'u'lláh ou a instituição central da Fé,
ela viola a Aliança. Se isto acontece, devem-se fazer todos os esforços para
ajudar essa pessoa a ver o erro e falta de lógica das suas acções; mas se ela
persistir, de acordo com as instruções do próprio Bahá'u'lláh, ela deve ser
afastada como violadora da Aliança. (carta de 23/Março/1975)
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