quarta-feira, 18 de dezembro de 2019
sábado, 14 de dezembro de 2019
Porque é que eu acredito que Cristo regressou
Por Vahid Houston Ranjbar.
Há muito tempo que as pessoas aguardam o regresso de Cristo ou o Dia do Juízo Final; isto significa que qualquer pretensão de cumprimento dessas profecias é vista com uma dose saudável de cepticismo.
Temos boas razões para esse cepticismo: muitas previsões de cataclismos, afirmações fantásticas, e pretensos messias que congregam seguidores ao seu redor e satisfazem com práticas e crenças bizarras. No entanto, na maioria das vezes, nada acontece.
Como Bahá’í, estou plenamente convicto que este momento extraordinário ocorreu em meados do século XIX.
Na verdade, vou ao ponto de dizer que o regresso de Cristo é quase óbvio para quem quer que examine as circunstâncias, a história e o carácter de Bahá’u’lláh, do Báb e dos Seus seguidores. O evento em si nada tem a ver com as visões espectaculares de estrelas a cair do céu e de um ser luminoso a descer fisicamente à Terra, como algumas pessoas imaginam. Este tipo de imagens populares e fantasistas fazem parte do entendimento comum sobre este evento – uma interpretação literal e não-metafórica do Novo-Testamento.
Longe deste cenário fantástico, os acontecimentos que rodeiam o nascimento da Fé Bahá’í são compreensíveis – pelo menos superficialmente.
Começou em 1844, quando um comerciante com 24 anos de idade, residente na cidade de Shiraz, na Pérsia, assumiu o título de “O Báb” – uma palavra árabe que significa “Porta”. Ele afirmou ser o Prometido do Islão Xiita e disse que vinha preparar o caminho de alguém ainda maior, tal como João Baptista fizera em relação a Cristo. Ele declarou que a Sua revelação anunciava o advento de “Aquele que Deus tornará Manifesto”, o mensageiro divino que cumpriria as profecias de todas as religiões do passado.
Surpreendentemente, o breve e tumultuoso ministério do Báb tem muitos paralelismos com a vida de Cristo. Ele reuniu ao seu redor muito discípulos devotos, realizou milagres (apesar do Báb ter proibido que fossem atribuídos milagres à Sua pessoa), pregou contra as instituições clericais corruptas e foi executado em 1850 por um governo que temia a rápida disseminação da sua Fé. Mais tarde, em 1863, um jovem da nobreza persa com o título “Bahá’u’lláh” – que significa “a glória de Deus” – que tinha apoiado a causa do Báb e sido encarcerado e exilado, declarou ser Ele o prometido pelo Báb:
A história das religiões Babi e Bahá’í inclui heróis como Tahirih, considerada a primeira mártir moderna pela emancipação feminina; Mulla Husayn, o estudioso, investigador, primeiro discípulo e combatente heróico pela Causa do Báb; e, mais tarde, ‘Abdu’l-Bahá - o filho mais velho de Bahá’u’lláh, nascido na mesma noite em que o Báb fez a Sua declaração, em 1844 - cuja vida personifica e própria essência dos ensinamentos de Cristo. Vale a pena ouvir a narrativa das suas histórias, nem que seja apenas pelo drama e felicidade que evidenciam. Estas almas notáveis parecem ter sido esculpidas em mármore, enquanto estiveram neste mundo mortal. Toda uma geração de iranianos de todas as classes sociais foi afectada pela força das revelações do Báb e de Bahá’u’lláh; milhares deram as suas vidas preferindo não renunciar à sua nova fé.
Frequentemente, quando falo com pessoas com tendência mais fundamentalistas, o seu cepticismo centra-se em torno da natureza não-extraordinária do advento de Bahá’u’lláh – e do princípio Bahá’í de aceitação de outras dispensações religiosas como parte do plano de Deus. Mas se pensarmos um pouco sobre qualquer uma destas objecções, elas desmoronam-se sob uma análise lógica.
Se a capacidade para criar fenómenos físicos miraculosos é a medida para aceitar a autoridade espiritual, então não deveriam ser os cientistas os mais venerados, pois eles são os mais bem-sucedidos nesta área? Se lermos os Evangelhos nesta perspectiva, torna-se óbvio que o principal poder atribuído a Cristo e a base da Sua autoridade se baseiam nos atributos não físicos do amor, da bondade e compaixão que Ele manifestava – e não em supostos milagres que ele realizava.
As maravilhas físicas que a Bíblia descreve, podem ter alguma faceta histórica, mas são mais importantes se entendidas pelo seu conteúdo metafórico. Repetidamente, a espiritualidade é colocada acima da aparência física do mundo. Então faz sentido, que a realização ou o surgimento de “maravilhas físicas” não podem ser usadas como prova para justificar ou rejeitar pretensões.
Por outro lado, parece-me lógico que se Cristo regressou, Ele será o juiz final para decidir se as outras religiões são ou não inspiradas por Deus. É óbvio que o juízo humano sobre este assunto não poderá superar o Seu. Por exemplo, quando durante o Seu primeiro advento, Cristo quebrou o sábado ou proclamou a sua Divindade, aqueles que O rejeitaram com base nisso tiveram alguma razão? No fundo, aqueles que O rejeitaram e O crucificaram fizeram-no porque os Seus ensinamentos não pareciam estar de acordo com o seu entendimento das Escrituras.
Se um Cristão racional levar a sério a promessa do regresso de Cristo, não pode, de forma alguma, ter a arrogância de pensar que compreende a Escritura melhor que Deus ou o Seu Mensageiro. Primeiramente, deve libertar-se de ideias pré-concebidas sobre o que Ele dirá ou ensinará; caso contrário, irá rejeitá-Lo exactamente pelas mesmas razões que Ele foi rejeitado no Seu primeiro advento. Quando estiver livre desses preconceitos, pode reflectir na história e circunstâncias do nascimento da Fé Bahá’í e perceber como cumprem esta promessa de regresso.
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Texto original: Why I Believe Christ Has Returned (www.bahaiteachings.org)
Vahid Houston Ranjbar é um físico que trabalha no Relativistic Heavy Ion Collider no Brookhaven National Labs.
Há muito tempo que as pessoas aguardam o regresso de Cristo ou o Dia do Juízo Final; isto significa que qualquer pretensão de cumprimento dessas profecias é vista com uma dose saudável de cepticismo.
Temos boas razões para esse cepticismo: muitas previsões de cataclismos, afirmações fantásticas, e pretensos messias que congregam seguidores ao seu redor e satisfazem com práticas e crenças bizarras. No entanto, na maioria das vezes, nada acontece.
Como Bahá’í, estou plenamente convicto que este momento extraordinário ocorreu em meados do século XIX.
Na verdade, vou ao ponto de dizer que o regresso de Cristo é quase óbvio para quem quer que examine as circunstâncias, a história e o carácter de Bahá’u’lláh, do Báb e dos Seus seguidores. O evento em si nada tem a ver com as visões espectaculares de estrelas a cair do céu e de um ser luminoso a descer fisicamente à Terra, como algumas pessoas imaginam. Este tipo de imagens populares e fantasistas fazem parte do entendimento comum sobre este evento – uma interpretação literal e não-metafórica do Novo-Testamento.
Longe deste cenário fantástico, os acontecimentos que rodeiam o nascimento da Fé Bahá’í são compreensíveis – pelo menos superficialmente.
Começou em 1844, quando um comerciante com 24 anos de idade, residente na cidade de Shiraz, na Pérsia, assumiu o título de “O Báb” – uma palavra árabe que significa “Porta”. Ele afirmou ser o Prometido do Islão Xiita e disse que vinha preparar o caminho de alguém ainda maior, tal como João Baptista fizera em relação a Cristo. Ele declarou que a Sua revelação anunciava o advento de “Aquele que Deus tornará Manifesto”, o mensageiro divino que cumpriria as profecias de todas as religiões do passado.
Surpreendentemente, o breve e tumultuoso ministério do Báb tem muitos paralelismos com a vida de Cristo. Ele reuniu ao seu redor muito discípulos devotos, realizou milagres (apesar do Báb ter proibido que fossem atribuídos milagres à Sua pessoa), pregou contra as instituições clericais corruptas e foi executado em 1850 por um governo que temia a rápida disseminação da sua Fé. Mais tarde, em 1863, um jovem da nobreza persa com o título “Bahá’u’lláh” – que significa “a glória de Deus” – que tinha apoiado a causa do Báb e sido encarcerado e exilado, declarou ser Ele o prometido pelo Báb:
Ó povos do mundo! O Sol da Verdade ergueu-se para iluminar toda a terra e espiritualizar a comunidade do homem. Louváveis são os seus resultados e frutos, abundantes são as evidências sagradas que provêm da sua graça. Isto é misericórdia perfeita e a mais pura dádiva; é luz para o mundo e todos os seus povos; é harmonia e camaradagem, amor e solidariedade; de facto, é compaixão e unidade, e deixarmos de nos vermos como estranhos; é sermos um, em completa dignidade e liberdade, com toda a terra. (‘Abdu’l-Bahá, Selections from the Writings of ‘Abdu’l-Bahá, p. 1)Esta história notável – com heróis que preenchem a história inicial da Fé Bahá’í – contém os grandes arquétipos que permanecerão durante eras na consciência humana; são a base de mitos e lendas.
A história das religiões Babi e Bahá’í inclui heróis como Tahirih, considerada a primeira mártir moderna pela emancipação feminina; Mulla Husayn, o estudioso, investigador, primeiro discípulo e combatente heróico pela Causa do Báb; e, mais tarde, ‘Abdu’l-Bahá - o filho mais velho de Bahá’u’lláh, nascido na mesma noite em que o Báb fez a Sua declaração, em 1844 - cuja vida personifica e própria essência dos ensinamentos de Cristo. Vale a pena ouvir a narrativa das suas histórias, nem que seja apenas pelo drama e felicidade que evidenciam. Estas almas notáveis parecem ter sido esculpidas em mármore, enquanto estiveram neste mundo mortal. Toda uma geração de iranianos de todas as classes sociais foi afectada pela força das revelações do Báb e de Bahá’u’lláh; milhares deram as suas vidas preferindo não renunciar à sua nova fé.
Frequentemente, quando falo com pessoas com tendência mais fundamentalistas, o seu cepticismo centra-se em torno da natureza não-extraordinária do advento de Bahá’u’lláh – e do princípio Bahá’í de aceitação de outras dispensações religiosas como parte do plano de Deus. Mas se pensarmos um pouco sobre qualquer uma destas objecções, elas desmoronam-se sob uma análise lógica.
Primeiramente, suponhamos que, de facto,
aparecia mesmo um ser luminoso descendo dos céus e afirmando ser Cristo. Se
este acto aparentemente miraculoso fosse a característica distintiva do
salvador, então como teríamos a certeza de que ele era o verdadeiro salvado,
tendo em conta aquilo que sabemos sobre as possibilidades da tecnologia humana?
Como dizia o escritor de ficção científica Arthur C. Clarke, “Qualquer
tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia”. A possibilidade
simples mortais tecnologicamente avançados criarem um tal espectáculo de
efeitos especiais poderia ser posta de parte?
As maravilhas físicas que a Bíblia descreve, podem ter alguma faceta histórica, mas são mais importantes se entendidas pelo seu conteúdo metafórico. Repetidamente, a espiritualidade é colocada acima da aparência física do mundo. Então faz sentido, que a realização ou o surgimento de “maravilhas físicas” não podem ser usadas como prova para justificar ou rejeitar pretensões.
Por outro lado, parece-me lógico que se Cristo regressou, Ele será o juiz final para decidir se as outras religiões são ou não inspiradas por Deus. É óbvio que o juízo humano sobre este assunto não poderá superar o Seu. Por exemplo, quando durante o Seu primeiro advento, Cristo quebrou o sábado ou proclamou a sua Divindade, aqueles que O rejeitaram com base nisso tiveram alguma razão? No fundo, aqueles que O rejeitaram e O crucificaram fizeram-no porque os Seus ensinamentos não pareciam estar de acordo com o seu entendimento das Escrituras.
Se um Cristão racional levar a sério a promessa do regresso de Cristo, não pode, de forma alguma, ter a arrogância de pensar que compreende a Escritura melhor que Deus ou o Seu Mensageiro. Primeiramente, deve libertar-se de ideias pré-concebidas sobre o que Ele dirá ou ensinará; caso contrário, irá rejeitá-Lo exactamente pelas mesmas razões que Ele foi rejeitado no Seu primeiro advento. Quando estiver livre desses preconceitos, pode reflectir na história e circunstâncias do nascimento da Fé Bahá’í e perceber como cumprem esta promessa de regresso.
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Texto original: Why I Believe Christ Has Returned (www.bahaiteachings.org)
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Vahid Houston Ranjbar é um físico que trabalha no Relativistic Heavy Ion Collider no Brookhaven National Labs.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2019
sábado, 7 de dezembro de 2019
Como a Objectificação leva à Violência contra as Mulheres
Por Radiance Talley.
O dia 25 de Novembro assinalou o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres.
Segundo a UNICEF, “em todo o mundo, há aproximadamente 15 milhões de meninas adolescentes, entre os 15 e os 19 anos, que em determinado momento das suas vidas, foram forçadas a ter relações sexuais”.
Os Bahá'ís condenam estes abusos e todas as formas de opressão sexual:
Quando somos constantemente retratadas de forma sexual, que percepção é que a sociedade tem do nosso valor? Quando os media e a indústria de entretenimento destacam os nossos corpos como pouco mais que objectos decorativos, como é que isso influencia a forma como os homens nos vêem e nos tratam? Poderemos ser tratadas como seres humanos se nos vêem como objectos?
As Escrituras Bahá'ís salientam a necessidade de sermos justos e tratar as pessoas com a máxima compaixão:
Especialistas em psicologia social descobriram que quanto mais as mulheres são objectificadas, menos são percebidas como seres humanos; e isso reduz a empatia para com elas. Segundo um estudo recente publicado na Cortex, dirigido por Giorgia Silani e uma equipa internacional de investigadores da Universidade de Viena, tanto homens como mulheres sentem uma diminuição da sua capacidade de sentir e reconhecer as emoções de uma mulher objectificada sexualmente.
Isto é assustador! Um estudo da Universidade Wesleyan descobriu que quando as mulheres surgem nos anúncios das revistas masculinas, elas são objectificadas em 76% das vezes. Os media muitas vezes tornam a mulher alvo de comentários e comportamentos sexistas, facto que encoraja os homens a agir desta forma na vida real. Numa série de estudos publicados no Journal of Social Issues, os investigadores descreveram que 94% das estudantes universitárias foram tratadas como objectos sexuais através de comentários e comportamentos, pelo menos uma vez durante um semestre. Eu, e a maioria das mulheres, podemos contar sobre piropos e comentários degradantes feitos de homens.
A objectificação sexual é, infelizmente, uma ocorrência normal para muitas mulheres e trouxe-nos a um mundo onde uma em cada cinco mulheres será violada em algum momento da sua vida.
Na universidade, nunca me senti confortável quando andava sozinha à noite, sabendo que tinham ocorrido 70 casos de conduta sexual imprópria apenas num dos anos em que lá estive – e esses eram só os casos denunciados. A nível mundial, apenas 1% das meninas que são violadas pedem ajuda. E porque é que elas pediriam ajuda, quando vemos incontáveis casos de pessoas que não acreditam na versão das mulheres e os homens agressores se safam apenas com uma advertência? As mulheres que sobrevivem a ataques e violência sexual sentem efeitos traumáticos, nomeadamente, depressão, distanciamento, stress pós-traumático, uso de drogas, pensamentos e tentativas suicidas.
Os ensinamentos Bahá'ís abominam esta força e violência hedionda:
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Texto original: How Objectification Leads to Violence Against Women (www.bahaiteachings.org)
Radiance Talley é licenciada em comunicação pela Universidade de Maryland. Além da escrita, do desenho, e da comunicação em público, Radiance tem um profundo conhecimento da teoria da construção, técnicas de negociação, gestão de conflitos, comunicação organizacional e intercultural, antropologia e sociologia.
O dia 25 de Novembro assinalou o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres.
Segundo a UNICEF, “em todo o mundo, há aproximadamente 15 milhões de meninas adolescentes, entre os 15 e os 19 anos, que em determinado momento das suas vidas, foram forçadas a ter relações sexuais”.
Os Bahá'ís condenam estes abusos e todas as formas de opressão sexual:
O uso de força pelos fisicamente fortes… como meio de impor a vontade de uma pessoa e realizar os seus desejos, é uma transgressão flagrante dos Ensinamentos Bahá'ís. Não há qualquer justificação para obrigar outra pessoa, através do uso da força ou da ameaça da violência, a fazer aquilo que ela não quer…Há alguns meses, escrevi um artigo sobre como a objectificação da mulher; nesse texto abordava os efeitos negativos da auto-objectificação da mulher na sua própria saúde. No entanto, a objectificação da mulher nos media e na indústria de entretenimento tem um impacto maior do que a pressão que nós mulheres possamos interiorizar.
A ausência de valores espirituais na sociedade leva à degradação das atitudes que devem reger uma relação entre sexos, sendo a mulher tratada como pouco mais do que objecto para gratificação sexual e sendo-lhes negado o respeito e a cortesia a que todos os seres humanos têm direito. (A Casa Universal de Justiça, Violence and Sexual Abuse of Women and Children, 24 January 1993)
Quando somos constantemente retratadas de forma sexual, que percepção é que a sociedade tem do nosso valor? Quando os media e a indústria de entretenimento destacam os nossos corpos como pouco mais que objectos decorativos, como é que isso influencia a forma como os homens nos vêem e nos tratam? Poderemos ser tratadas como seres humanos se nos vêem como objectos?
As Escrituras Bahá'ís salientam a necessidade de sermos justos e tratar as pessoas com a máxima compaixão:
O Reino de Deus baseia-se na equidade e na justiça, e também na misericórdia, compaixão e gentileza para com todas as almas viventes. Esforçai-vos pois, com todo o vosso coração para tratar compassivamente toda a humanidade… ('Abdu'l-Bahá, Selections from the Writings of 'Abdu'l-Bahá, p. 158)Então, porque é que todos os membros da família humana não sentem empatia pelo sofrimento feminino e ajudam a parar a pandemia global de violência contra as mulheres?
Especialistas em psicologia social descobriram que quanto mais as mulheres são objectificadas, menos são percebidas como seres humanos; e isso reduz a empatia para com elas. Segundo um estudo recente publicado na Cortex, dirigido por Giorgia Silani e uma equipa internacional de investigadores da Universidade de Viena, tanto homens como mulheres sentem uma diminuição da sua capacidade de sentir e reconhecer as emoções de uma mulher objectificada sexualmente.
Isto é assustador! Um estudo da Universidade Wesleyan descobriu que quando as mulheres surgem nos anúncios das revistas masculinas, elas são objectificadas em 76% das vezes. Os media muitas vezes tornam a mulher alvo de comentários e comportamentos sexistas, facto que encoraja os homens a agir desta forma na vida real. Numa série de estudos publicados no Journal of Social Issues, os investigadores descreveram que 94% das estudantes universitárias foram tratadas como objectos sexuais através de comentários e comportamentos, pelo menos uma vez durante um semestre. Eu, e a maioria das mulheres, podemos contar sobre piropos e comentários degradantes feitos de homens.
A objectificação sexual é, infelizmente, uma ocorrência normal para muitas mulheres e trouxe-nos a um mundo onde uma em cada cinco mulheres será violada em algum momento da sua vida.
Na universidade, nunca me senti confortável quando andava sozinha à noite, sabendo que tinham ocorrido 70 casos de conduta sexual imprópria apenas num dos anos em que lá estive – e esses eram só os casos denunciados. A nível mundial, apenas 1% das meninas que são violadas pedem ajuda. E porque é que elas pediriam ajuda, quando vemos incontáveis casos de pessoas que não acreditam na versão das mulheres e os homens agressores se safam apenas com uma advertência? As mulheres que sobrevivem a ataques e violência sexual sentem efeitos traumáticos, nomeadamente, depressão, distanciamento, stress pós-traumático, uso de drogas, pensamentos e tentativas suicidas.
Os ensinamentos Bahá'ís abominam esta força e violência hedionda:
Neste ciclo do Deus Omnipotente, a violência e a força, a coacção e a opressão, são todas condenadas. ('Abdu'l-Bahá, Selections from the Writings of 'Abdu'l-Bahá, p. 149)Os Bahá'ís trabalham pelos direitos e liberdades de todas as pessoas; e pela igualdade de sexos, pela capacitação das mulheres, falam em seu nome e protegem-nas. 'Abdu'l-Bahá afirmou:
Enquanto a realidade da igualdade entre homem e mulher não for plenamente estabelecida e alcançada, o mais avançado desenvolvimento social da humanidade não é possível. (The Promulgation of Universal Peace, p. 72)Este mandato para a igualdade exige que ponhamos fim às atitudes machistas e que responsabilizemos e julguemos os homens que fazem comentários depreciativos ou degradantes, e que cometem crimes hediondos contra as mulheres. Leva-nos a apoiar organizações que combatem a violência contra mulheres – como a Tahirih Justice Center, de inspiração Bahá'í – assim como a boicotar tudo o que enaltece a agressividade e os ataques sexuais. Pede-nos para acreditar naquelas mulheres que tiveram a coragem de dar a cara e contar as histórias das suas experiências; e que compreendamos que é uma honra se uma mulher se sente suficientemente corajosa para partilhar a sua dor e dizer “Eu também” (#metoo)
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Texto original: How Objectification Leads to Violence Against Women (www.bahaiteachings.org)
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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019
terça-feira, 3 de dezembro de 2019
Terapia Divina - Excertos das Escrituras Bahá'ís
A expressão “Bom Pastor” é uma metáfora usada pelos textos bíblicos para descrever o papel dos mensageiros de Deus que guiam e protegem as ovelhas do seu rebanho. As Escrituras Bahá'ís propõem uma nova metáfora: os mensageiros de Deus são “Médicos Omniscientes”: examinam a condição da humanidade, percebem a complexidade e origem de todas as suas enfermidades e recomendam a terapia adequada.
O propósito deste livro é levar o leitor ao encontro de uma pequena colectânea das Escrituras Bahá'ís. Ao conhecer os princípios e ensinamentos da Fé Bahá’í, segundo as palavras dos seus fundadores, o leitor poderá identificar nestes ensinamentos as instruções de uma terapia divina para os actuais problemas da humanidade.
“Os Profetas de Deus devem ser vistos como médicos cuja tarefa consiste em promover o bem-estar do mundo e dos seus povos, para que, através do espírito da unidade, possam curar a doença de uma humanidade dividida…”
Bahá'u'lláh (1817-1892)
Este livro pode ser comprado ou encomendado em qualquer livraria em Portugal.
Também pode ser adquirido online nos seguintes sites:
sábado, 30 de novembro de 2019
O Poder e o Propósito da Aliança Bahá’í
Por Maya Bohnhoff.
Costumo dizer que o espírito da Aliança de Bahá'u'lláh entrou no meu coração tal como estas palavras das Escrituras Bahá'ís prometeram:
A observação: esta humilde pessoa em cujas mãos o profeta de Deus pôs o governo da sua Fé não se intitulava Mestre. Ele intitulava-se ‘Abdu'l-Bahá – o Servo de Bahá. Ele dizia que existia para servir e ajudar os outros:
A nota histórica: um dos irmãos de 'Abdu'l-Bahá e a Sua família mais próxima recusaram-se a aceitar o estatuto de ‘Abdu'l-Bahá como Centro da Aliança de Bahá'u'lláh. Durante o tempo em que este grupo de violadores da Aliança possuía a mansão de Bahji - a casa em que Bahá'u'lláh viveu até ao fim da Sua vida – ‘Abdu'l-Bahá ia regularmente com um grupo de crentes até junto dos muros do jardim e orava pelas almas dos que estavam lá dentro. Aquelas pessoas enfrentavam e insultavam ‘Abdu'l-Bahá e os seus companheiros, mas Ele continuava a orar por elas.
Este homem, o Centro da Aliança, foi dado à humanidade – escreveu Bahá'u'lláh – como um exemplo perfeito do que significa ser Bahá'í. Vejamos outro exemplo: quando vivia em Acre, na Palestina, ‘Abdu'l-Bahá visitava diariamente um Muçulmano que padecia de uma doença tão repugnante, que a própria família o abandonara. Ele amaldiçoou ‘Abdu'l-Bahá todos os dias durante vinte e quatro anos, e até cuspia no Mestre quando Ele cuidava das suas necessidades. E passados vinte e quatro anos, este homem percebeu finalmente que ‘Abdu'l-Bahá era seu amigo, e não inimigo. Mesmo com a humanidade a entrar relutantemente na sua idade adulta, poucos de nós conseguimos algo semelhante. Mas temos consciência do objectivo e compreendemos que temos de o alcançar para bem da nossa espécie.
Graças à Aliança e ao seu Centro brilhante, os Bahá'ís têm a orientação para atingir esse objectivo. Se formos fiéis à Aliança, não andaremos à deriva no mundo, usando apenas o nosso ponto de vista pessoal como um modelo para a nossa existência. ‘Abdu'l-Bahá recorda-nos:
As palavras de ‘Abdu'l-Bahá sobre a Aliança dificilmente fariam sentido se esta não persistisse. Tal como o Seu Pai antes dele, ‘Abdu'l-Bahá, no Seu Testamento, nomeou um sucessor – o seu neto Shoghi Effendi, como Guardião da Fé. Esta sucessão atribuiu-lhe um conjunto de prioridades e prerrogativas consistentes com as necessidades da recém-nascida comunidade Bahá'í, e tornou-o intérprete autorizado dos ensinamentos Bahá'ís. ‘Abdu'l-Bahá deu a Shoghi Effendi a tarefa gigantesca de construir as fundações da ordem administrativa concebida por Bahá'u'lláh.
(...)
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Texto original: The Power and Purpose of the Baha'i Covenant (www.bahaiteachings.org)
Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
Costumo dizer que o espírito da Aliança de Bahá'u'lláh entrou no meu coração tal como estas palavras das Escrituras Bahá'ís prometeram:
Ó amado de Deus, sabe que a constância e a firmeza nesta nova e maravilhosa Aliança é, de facto, o espírito que desperta os corações que transbordam com o amor do Senhor Glorioso; em verdade, é o poder que penetra nos corações dos povos do mundo! ('Abdu'l-Bahá, Baha'i World Faith, p. 357)Que esta pessoa – 'Abdu'l-Bahá – que Bahá'u'lláh referiu como Mestre e Mistério de Deus seja o intérprete nomeado da revelação do seu Pai, é algo que me parece absolutamente espantoso. Durante milénios, o mundo das religiões tem sido dilacerado por cismas; aqui está um antídoto para esse conflito. O carácter da personagem era ainda mais inspirador. Penso que isso pode ficar claro com uma observação e uma nota histórica.
A observação: esta humilde pessoa em cujas mãos o profeta de Deus pôs o governo da sua Fé não se intitulava Mestre. Ele intitulava-se ‘Abdu'l-Bahá – o Servo de Bahá. Ele dizia que existia para servir e ajudar os outros:
O Meu Nome é 'Abdu'l-Bahá. A Minha Realidade é 'Abdu'l-Bahá. E o serviço a toda a raça humana é a minha religião perpétua… (de uma carta enviada aos Bahá'ís de Nova Iorque, 01/Janeiro/1907)
![]() |
| 'Abdu'l-Bahá em New Hampshire (1912) |
Este homem, o Centro da Aliança, foi dado à humanidade – escreveu Bahá'u'lláh – como um exemplo perfeito do que significa ser Bahá'í. Vejamos outro exemplo: quando vivia em Acre, na Palestina, ‘Abdu'l-Bahá visitava diariamente um Muçulmano que padecia de uma doença tão repugnante, que a própria família o abandonara. Ele amaldiçoou ‘Abdu'l-Bahá todos os dias durante vinte e quatro anos, e até cuspia no Mestre quando Ele cuidava das suas necessidades. E passados vinte e quatro anos, este homem percebeu finalmente que ‘Abdu'l-Bahá era seu amigo, e não inimigo. Mesmo com a humanidade a entrar relutantemente na sua idade adulta, poucos de nós conseguimos algo semelhante. Mas temos consciência do objectivo e compreendemos que temos de o alcançar para bem da nossa espécie.
Graças à Aliança e ao seu Centro brilhante, os Bahá'ís têm a orientação para atingir esse objectivo. Se formos fiéis à Aliança, não andaremos à deriva no mundo, usando apenas o nosso ponto de vista pessoal como um modelo para a nossa existência. ‘Abdu'l-Bahá recorda-nos:
Se não fosse o poder protetor da Aliança para defender o forte inexpugnável da Causa de Deus, surgiriam entre os Bahá'ís, num único dia, milhares de diferentes seitas, tal como aconteceu em eras anteriores. Mas nesta Dispensação Abençoada, a bem da estabilidade da Causa de Deus e para evitar a discórdia entre o povo de Deus, a Beleza Abençoada … através da Pena Suprema escreveu a Aliança e o Testamento; Ele nomeou um Centro, o Intérprete do Livro e o anulador das disputas… O propósito explícito desta última Vontade e Testamento é pôr de lado as disputas no mundo. (‘Abdu'l-Bahá, Baha'i World Faith, p. 359)Esta é uma grande ideia – um grupo diversificado de pessoas de todo o mundo veja um ponto único como guia central da sua fé porque o próprio Profeta assim o decretou. Também isto é único na história. Mas o propósito da Aliança de Bahá'u'lláh é muito mais do que unir os membros de uma religião. ‘Abdu'l-Bahá afirmou: “… que o eixo da unicidade da humanidade não é senão o poder da Aliança.” (citado por Shoghi Effendi em The World Order of Baha'u'llah, p. 239.)
As palavras de ‘Abdu'l-Bahá sobre a Aliança dificilmente fariam sentido se esta não persistisse. Tal como o Seu Pai antes dele, ‘Abdu'l-Bahá, no Seu Testamento, nomeou um sucessor – o seu neto Shoghi Effendi, como Guardião da Fé. Esta sucessão atribuiu-lhe um conjunto de prioridades e prerrogativas consistentes com as necessidades da recém-nascida comunidade Bahá'í, e tornou-o intérprete autorizado dos ensinamentos Bahá'ís. ‘Abdu'l-Bahá deu a Shoghi Effendi a tarefa gigantesca de construir as fundações da ordem administrativa concebida por Bahá'u'lláh.
(...)
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Texto original: The Power and Purpose of the Baha'i Covenant (www.bahaiteachings.org)
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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
quarta-feira, 27 de novembro de 2019
sábado, 23 de novembro de 2019
Compreender a Aliança de Bahá’u’lláh
Por Maya Bohnhoff.
Os Bahá'ís acreditam que a característica mais distintiva da sua Fé é a providência específica que Bahá'u'lláh tomou ao nomear um centro da Sua aliança:
No passado nunca existiu qualquer instrução escrita para os crentes sobre a fonte da orientação após a ascensão do fundador da Fé. É certo que cada Profeta de Deus tinha um discípulo principal. Para Krishna, foi Arjuna; para Buda, foi Ananda; para Cristo, foi Pedro; para Maomé, foi Ali. A frase de Cristo dirigida a Pedro, dizendo “...tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja” é entendida por alguns Cristãos como significando que Pedro foi nomeado por Cristo como líder da Fé. Esta crença está na base da Igreja Católica, mas as doutrinas Cristãs baseiam-se, essencialmente, nas cartas do apóstolo Paulo. Maomé nomeou verbalmente como sucessor o Seu genro Ali, mas os mais velhos entre os seus seguidores acharam que Ali era demasiado jovem para exercer um poder temporal e devia ser apenas líder espiritual.
Os estudantes de história e crentes aprofundados sabem certamente que as antigas religiões sofreram múltiplos cismas após o falecimento dos seus profetas. O Budismo dividiu-se quase imediatamente em duas grandes correntes, e posteriormente em vários ramos. Existem milhares de igrejas Cristãs, algumas nascidas após episódios de horrível violência entre Cristãos. O Islão dividiu-se nas facções pró e contra Ali – uma divisão que ainda hoje é motivo de conflito. Nenhuma destas religiões têm uma autoridade central única. Além disso, nenhum Profeta desde Moisés deixou um plano para as instituições que deveriam servir a comunidade dos crentes. Bahá’u’lláh, porém, aboliu o sacerdócio e – para proteger a unidade da Sua Fé – deixou instruções explicitas no Seu Testamento para os crentes se voltarem apenas para ‘Abdu’l-Bahá após a Sua ascensão:
É por isso que a “mais grandiosa característica” da Fé Bahá’í consiste numa cláusula que conserva e protege a sua unidade.
Não esqueçamos o carácter único do tempo em que vivemos. Possuímos instrumentos que podem destruir o mundo ou uni-lo. A tecnologia dá-nos armas poderosas, viagens rápidas, comunicações instantâneas, enormes populações que falam a mesma língua (ou línguas). Da mesma forma, devemos recordar-nos do derradeiro propósito da Fé de Bahá'u'lláh: unir a humanidade. Por isso, não é surpreendente que Bahá’u’lláh tenha deixado instruções escritas para a protecção da sua unidade:
Hoje o poder dinâmico no mundo da existência é o poder da Aliança que é como uma artéria que pulsa no corpo do mundo contingente e protege a unidade Bahá’í.
Aos Bahá’ís é ordenado que estabeleçam a unicidade da humanidade; se eles não se conseguirem unir em torno de um ponto, como conseguirão realizar unidade a humanidade?
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Texto original: Understanding Baha’u’llah’s Covenant (www.bahaiteachings.org)
Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
Os Bahá'ís acreditam que a característica mais distintiva da sua Fé é a providência específica que Bahá'u'lláh tomou ao nomear um centro da Sua aliança:
Quanto à mais grandiosa característica da Revelação de Bahá'u'lláh - um ensinamento específico que não foi dado por qualquer Profeta do passado – é a ordenação e nomeação do Centro da Aliança. Com esta nomeação e disposição, Ele salvaguarda e protege a religião de Deus contra diferenças e cismas, tornando impossível que qualquer pessoa crie uma seita ou facção de crença. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, pp. 455-456)“A mais grandiosa característica da Revelação de Bahá'u'lláh”. Isto soa a algo muito importante, certo? Mas o que é que ‘Abdu’l-Bahá pretende dizer com “Centro da Aliança” e o que a torna tão importante e singular?
No passado nunca existiu qualquer instrução escrita para os crentes sobre a fonte da orientação após a ascensão do fundador da Fé. É certo que cada Profeta de Deus tinha um discípulo principal. Para Krishna, foi Arjuna; para Buda, foi Ananda; para Cristo, foi Pedro; para Maomé, foi Ali. A frase de Cristo dirigida a Pedro, dizendo “...tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha igreja” é entendida por alguns Cristãos como significando que Pedro foi nomeado por Cristo como líder da Fé. Esta crença está na base da Igreja Católica, mas as doutrinas Cristãs baseiam-se, essencialmente, nas cartas do apóstolo Paulo. Maomé nomeou verbalmente como sucessor o Seu genro Ali, mas os mais velhos entre os seus seguidores acharam que Ali era demasiado jovem para exercer um poder temporal e devia ser apenas líder espiritual.
Os estudantes de história e crentes aprofundados sabem certamente que as antigas religiões sofreram múltiplos cismas após o falecimento dos seus profetas. O Budismo dividiu-se quase imediatamente em duas grandes correntes, e posteriormente em vários ramos. Existem milhares de igrejas Cristãs, algumas nascidas após episódios de horrível violência entre Cristãos. O Islão dividiu-se nas facções pró e contra Ali – uma divisão que ainda hoje é motivo de conflito. Nenhuma destas religiões têm uma autoridade central única. Além disso, nenhum Profeta desde Moisés deixou um plano para as instituições que deveriam servir a comunidade dos crentes. Bahá’u’lláh, porém, aboliu o sacerdócio e – para proteger a unidade da Sua Fé – deixou instruções explicitas no Seu Testamento para os crentes se voltarem apenas para ‘Abdu’l-Bahá após a Sua ascensão:
A Vontade do Testador divino é esta: incumbe aos Aghsan, aos Afnan [descendentes de Bahá’u’lláh e do Báb] e aos Meus Parentes – todos sem excepção – voltar as suas faces para o Mais Grandioso Ramo [um dos títulos de ‘Abdu’l-Bahá]. Considerai aquilo que revelámos no Nosso Livro Mais Sagrado: “Quando o oceano da Minha presença tiver vazado e o Livro da Minha Revelação estiver terminado, voltai as vossas faces para Aquele Que Deus propôs, Que ramificou desta Raiz Antiga”. O objecto deste versículo sagrado não é outro senão o Mais Grandioso Ramo. (Bahá’u’lláh, Tablets of Bahá’u’lláh, p. 221)Agora, poder-se-ia supor que com instruções claras como estas, ninguém que acreditasse em Bahá’u’lláh tentaria sequer violar esta Aliança explicita. Mas a verdade é que esta Aliança explicita tem sido repetidamente desafiada. A Aliança de Bahá’u’lláh não impede, como que por magia, que as pessoas a desafiem. No entanto, a sua função protectora tem garantido que todos os que surgem para a desafiar acabam por ser incapazes de destruir a unidade Fé Bahá’í.
É por isso que a “mais grandiosa característica” da Fé Bahá’í consiste numa cláusula que conserva e protege a sua unidade.
Não esqueçamos o carácter único do tempo em que vivemos. Possuímos instrumentos que podem destruir o mundo ou uni-lo. A tecnologia dá-nos armas poderosas, viagens rápidas, comunicações instantâneas, enormes populações que falam a mesma língua (ou línguas). Da mesma forma, devemos recordar-nos do derradeiro propósito da Fé de Bahá'u'lláh: unir a humanidade. Por isso, não é surpreendente que Bahá’u’lláh tenha deixado instruções escritas para a protecção da sua unidade:
Hoje o poder dinâmico no mundo da existência é o poder da Aliança que é como uma artéria que pulsa no corpo do mundo contingente e protege a unidade Bahá’í.
Aos Bahá’ís é ordenado que estabeleçam a unicidade da humanidade; se eles não se conseguirem unir em torno de um ponto, como conseguirão realizar unidade a humanidade?
O propósito da Abençoada Beleza ao criar esta Aliança e Testamento foi reunir todos os seres existentes em torno de um ponto para que almas imprevidentes – que em todos os ciclos e gerações têm sido causa de discórdia – não possam debilitar a Causa. ('Abdu'l-Bahá, Selections from the Writings of 'Abdu'l-Bahá, #183)Seguidamente iremos explorar o significado o significado desta função protectora única.
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Texto original: Understanding Baha’u’llah’s Covenant (www.bahaiteachings.org)
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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
quarta-feira, 20 de novembro de 2019
sábado, 16 de novembro de 2019
Aliança e Administração: um Projecto Divino
Por Maya Bohnhoff.
O dicionário define a palavra “aliança” como “laço entre pessoas ou entidades que se prometem mútuo auxílio; pacto; acordo”. Mas o que significa “aliança” num contexto religioso ou teológico?
Quando comecei a investigar a Fé Bahá’í, eu era abertamente hostil. A minha jornada até à fé teve diversas etapas de investigação. Talvez por isso os textos místicos de Bahá'u'lláh, “Os Sete Vales” e “Os Quatro Vales”, são os meus preferidos. Mas além do estudo da vida e Escrituras de Bahá'u'lláh e de 'Abdu'l-Bahá - e de as comparar e contrastar com a minha experiência pessoal de fé enquanto crente em Cristo - houve uma coisa que me pareceu surpreendente e revolucionária na Fé de Bahá'u'lláh: a ordem administrativa Bahá’í e a Aliança Bahá’í que a criou.
Como sabemos, a Fé Bahá’í não tem clero. A sua organização administrativa – constituída por instituições eleitas democraticamente a nível local, nacional e internacional – toma as decisões que governam a comunidade Bahá’í de uma forma única e sem precedentes: envolvendo todos os crentes.
Era diferente de tudo o que já tinha visto, ouvido, ou sonhado ser possível. Vou descrever essa ordem administrativa o melhor que puder, noutros artigos; mas por agora quero explorar a sua característica mais visível: os seus alicerces assentam numa Aliança entre Deus, Bahá'u'lláh, os Bahá'ís e toda a humanidade
Quando descobri os ensinamentos Bahá’ís, eu era Cristã e já compreendia o conceito de Aliança. As Escrituras que eu conhecia – a Bíblia – descrevem a nossa relação com Deus na forma de uma Aliança, simbolizada no arco-íris de Noé, a arca de Moisés, e aos rituais Cristãos do baptismo e da eucaristia. Mas a Fé Bahá’í pedia-me que entendesse este conceito de outra maneira.
Segundo dicionário, uma aliança religiosa é um “acordo que cria uma relação de compromisso entre Deus e o Seu povo”. Assim, temos duas partes nesta Aliança: Deus e a humanidade. Cada parte tem deveres na relação com esta aliança; cada um faz as suas promessas. Deus promete a guia eterna e uma existência espiritualmente enriquecida; Os crentes prometem obediência à Palavra de Deus.
Isto não é uma disposição arbitrária. Como Bahá'u'lláh escreve:
No próximo ensaio desta série vamos explorar a aliança de Bahá’u’lláh e a forma como esta constitui a base espiritual da ordem administrativa Bahá’í.
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Texto original: Covenant and Administration: A Divine Design (www.bahaiteachings.org)
Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
O dicionário define a palavra “aliança” como “laço entre pessoas ou entidades que se prometem mútuo auxílio; pacto; acordo”. Mas o que significa “aliança” num contexto religioso ou teológico?
Quando comecei a investigar a Fé Bahá’í, eu era abertamente hostil. A minha jornada até à fé teve diversas etapas de investigação. Talvez por isso os textos místicos de Bahá'u'lláh, “Os Sete Vales” e “Os Quatro Vales”, são os meus preferidos. Mas além do estudo da vida e Escrituras de Bahá'u'lláh e de 'Abdu'l-Bahá - e de as comparar e contrastar com a minha experiência pessoal de fé enquanto crente em Cristo - houve uma coisa que me pareceu surpreendente e revolucionária na Fé de Bahá'u'lláh: a ordem administrativa Bahá’í e a Aliança Bahá’í que a criou.
Como sabemos, a Fé Bahá’í não tem clero. A sua organização administrativa – constituída por instituições eleitas democraticamente a nível local, nacional e internacional – toma as decisões que governam a comunidade Bahá’í de uma forma única e sem precedentes: envolvendo todos os crentes.
Era diferente de tudo o que já tinha visto, ouvido, ou sonhado ser possível. Vou descrever essa ordem administrativa o melhor que puder, noutros artigos; mas por agora quero explorar a sua característica mais visível: os seus alicerces assentam numa Aliança entre Deus, Bahá'u'lláh, os Bahá'ís e toda a humanidade
Quando descobri os ensinamentos Bahá’ís, eu era Cristã e já compreendia o conceito de Aliança. As Escrituras que eu conhecia – a Bíblia – descrevem a nossa relação com Deus na forma de uma Aliança, simbolizada no arco-íris de Noé, a arca de Moisés, e aos rituais Cristãos do baptismo e da eucaristia. Mas a Fé Bahá’í pedia-me que entendesse este conceito de outra maneira.
Segundo dicionário, uma aliança religiosa é um “acordo que cria uma relação de compromisso entre Deus e o Seu povo”. Assim, temos duas partes nesta Aliança: Deus e a humanidade. Cada parte tem deveres na relação com esta aliança; cada um faz as suas promessas. Deus promete a guia eterna e uma existência espiritualmente enriquecida; Os crentes prometem obediência à Palavra de Deus.
Isto não é uma disposição arbitrária. Como Bahá'u'lláh escreve:
Aqueles que Deus dotou com discernimento reconhecerão prontamente que os preceitos estabelecidos por Deus constituem o meio mais elevado para manutenção de ordem no mundo e segurança dos seus povos. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, CLV)Como referi anteriormente, o conceito de aliança entre Deus e a humanidade está registada em Escrituras que têm milhares de anos. ‘Abdu’l-Bahá - o filho mais velho de Bahá’u’lláh e centro da Sua Aliança - descreveu-a assim:
Sua Santidade Abraão, que a paz esteja com Ele, fez uma aliança em relação a Sua Santidade Moisés e deu as boas-novas da Sua vinda. Sua Santidade Moisés fez uma aliança em relação ao Prometido, ou seja, Sua Santidade Cristo, e anunciou as boas novas da Sua Manifestação ao mundo. Sua Santidade Cristo fez uma aliança em relação ao Paracleto e deu as boas novas da Sua vinda. Sua Santidade o Profeta Maomé fez uma aliança em relação a Sua Santidade o Báb… O Báb fez uma Aliança em relação à Beleza Abençoada de Bahá’u’lláh e deu as boas novas da Sua vinda, pois a Beleza Abençoada era o Prometido por Sua Santidade o Báb. Bahá’u’lláh fez uma aliança em relação a um Prometido que se manifestará após mil ou milhares de anos. (Baha’i World Faith, p. 358)Note-se que ‘Abdu’l-Bahá refere especificamente o lado de Deus na Aliança – Aquele que sempre guiará a humanidade. Os ensinamentos Bahá’ís descrevem como cada educador e guia da humanidade faz uma aliança com outro que surgirá no futuro:
Os Portadores da Confiança de Deus tornam-se manifestos aos povos da terra com Expoentes de uma nova Causa e Reveladores de uma nova Mensagem. Uma vez que estas Aves do Trono celestial são enviadas do paraíso da Vontade de Deus, e porque todos eles se erguem para proclamar a sua Fé irresistível, eles devem, portanto, ser considerados como uma alma e a mesma pessoa, pois todos bebem do Cálice do amor de Deus, e todos partilham o fruto da mesma Árvore da Unicidade. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, XXII)Abraão, Krishna, Zoroastro, Buda, Cristo, Maomé e Bahá'u'lláh, cada manifestante de Deus (tal como Bahá’u’lláh os designa) faz parte de uma ponte prometida e eterna entre nós e Deus. Cada um destes avatares, educadores ou profetas universais que invariavelmente oferecem a vida espiritual eterna e em troca os seres humanos devem amar-se uns aos outros.
No próximo ensaio desta série vamos explorar a aliança de Bahá’u’lláh e a forma como esta constitui a base espiritual da ordem administrativa Bahá’í.
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Texto original: Covenant and Administration: A Divine Design (www.bahaiteachings.org)
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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.
quarta-feira, 13 de novembro de 2019
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