sábado, 21 de janeiro de 2012

A Epístola da Sabedoria (3)

O QUE MOTIVA BAHÁ'U'LLÁH A REVELAR ESTA EPÍSTOLA?

NOTA: entre parentesis rectos [ ] encontram-se referências aos parágrafos da Epístola da Sabedoria.

A principal motivação de Bahá'u'lláh para revelar esta Epístola reside nas questões colocadas por Nabil; Não era a primeira vez que Bahá'u'lláh abordava o tema dessas questões. Esses assuntos já tinham sido objecto de diálogo entre Nabil e Bahá'u'lláh durante o Seu primeiro exílio no Iraque. [19]

Mas a Abençoada Beleza fala de outras motivações. Refere, por exemplo, que desejou revelar o que servisse de lembrança aos povos para que colocassem de lado as ideias prevalecentes entre eles [2]. Isto sugere que muitas das ideias existentes sobre os temas abordados na Epístola serão perspectivas parciais ou distorcidas da realidade.

Noutras ocasiões, Bahá'u'lláh refere que não há necessidade de tomar como referência as ideias prevalecentes em tempos antigos ou em tempos mais recentes [15, 17](a). Bahá'u'lláh também refere que é por "amor a Deus" que menciona na Epístola alguns relatos sobre os sábios para que o povo compreenda que Deus é a realidade última de todas as coisas [23].

No final da Epístola, Bahá'u'lláh declara que não falou por vontade própria, mas apenas proferiu aquilo que Deus "instilou" no Seu coração[32] e acrescenta que não teria pronunciado uma única palavra da Epístola se não fosse a estima que nutre por Nabil.[33]

O fundador da Fé Bahá’í recorda ainda que o Seu conhecimento não é fruto de estudo ou de reflexão[34]. Acrescenta que o Seu coração está purificado "dos conceitos dos eruditos e palavras dos sábios"[35], revelando apenas a vontade de Deus.

A Fonte da Sabedoria de Bahá'u'lláh

Escola tradicional em Teerão (1900)
Enquanto membro da aristocracia persa, Bahá'u'lláh tinha alguma educação, mas o Seu nível de educação estava abaixo dos padrões da intelectualidade muçulmana da época. A Sua justificação para falar em assuntos teológicos, ou filosóficos assenta apenas no Seu conhecimento inato e inspiração divina.

Ele próprio afirma – e outras fontes confirmam - que não estudou em nenhuma mesquita, seminário ou madrassa (escola de lei islâmica). Nunca estudou o curriculum elementar do pensamento islâmico com algum professor conhecido. Dificilmente seria considerado qualificado para frequentar aulas de filosofia que eram leccionadas pelos professores mais eruditos do Seu tempo.

No mundo islâmico a credibilidade para falar sobre certos assuntos era concedida pelos professores e mestres apenas depois de longos estudos de certos textos.

Bahá'u'lláh criticou a imitação cega das tradições do passado que era tão importante para os especialistas em lei islâmica. Na Epístola da Sabedoria, Bahá'u'lláh declara que podia ver e ler livros que nunca tinha lido:
Bem sabes que Nós não folheámos os livros que os homens possuem, nem adquirimos a erudição corrente entre eles e, no entanto, sempre que desejamos citar as palavras dos eruditos e sábios, imediatamente aparece diante da face do teu Senhor, na forma de epístola, tudo o que apareceu no mundo e está revelado nas Escrituras e nos Livros Sagrados. Assim registámos por escrito o que os olhos percebem.[34]

A comparação que Bahá'u'lláh faz entre o Seu conhecimento e a erudição prevalecente na época encontra paralelo nas palavras reveladas na Epístola ao Xá da Pérsia:
Ó Rei! Eu era apenas um homem como os outros, adormecido em meu leito, quando eis que os sopros do Todo-Glorioso manaram sobre Mim e Me deram o conhecimento de tudo o que já existia. Isso não provém de Mim, mas d’Aquele que é Todo-Poderoso e Omnisciente. E Ele ordenou-Me que levantasse a Minha voz entre a terra e o céu, e por isso Me sucedeu o que fez correr lágrimas de todo os homens de compreensão. A erudição comum entre os homens, não a estudei; nem entrei nas suas escolas. Pergunta na cidade em que residi, a fim de teres a certeza de que Eu não sou dos que falam falsamente. Este Ser é apenas uma folha movida pelos ventos da Vontade do teu Senhor, o Todo-Poderoso, Alvo de todo louvor.

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(a) - Na Epístola é referido um conceito neo-testamentário "Eles estão cheios de espírito"(Efésios 5:18; Actos 2:4; 10:44-48; 10:44-48; 19:1-7) para exemplificar uma ideia que tem sido mal compreendida. Houve quem pensasse que o espírito penetra literalmente no corpo e várias pessoas seguiram esta ideia [26].

1 comentário:

Olimpio Palhares Ferreira disse...

Uma das Epístolas mais esclarecedoras de Bahá'u'lláh que quanto mais vc. lê e medita surge uma nova concepção da história, ciência e filosofia!!!