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quarta-feira, 20 de março de 2019

3 Coisas a Fazer para Acabar com o Terror



O recente massacre numa mesquita da Nova Zelândia – e todos os que o precederam – pretende separar-nos, criar desconfianças entre nós, criar mais ódio, dividir-nos enquanto seres humanos.

Como sabemos isso? São os terroristas que o dizem. No seu pretenso “manifesto”, o assassino da Nova Zelândia afirmou que matava pessoas inocentes para “incitar à violência, retaliação e fomentar a divisão”.

A palavra “terror” vem originalmente da palavra francesa terreur, que significa “terror, medo ou pavor”. É isso que os terroristas fazem: tentam provocar o medo, não apenas do futuro, mas também entre as pessoas. Eles querem que sintamos ódio, que fiquemos polarizados, que tenhamos medo dos outros, que vivamos em terror. Querem que fiquemos divididos e não unidos.

Então como pode uma pessoa sensata responder a estes actos hediondos? Como pode cada um de nós lidar com o ódio nesta dimensão? O que pode qualquer pessoa fazer?

Em momentos destes, quando desesperamos e nos sentimos desamparados, quando nos perguntamos como pode alguém perder a sua humanidade mais básica de forma tão completa, tendemos naturalmente a voltarmo-nos para a beleza, a espiritualidade e a clareza moral da fé. Os profetas e os fundadores das religiões encorajaram-nos a sanar as nossas divisões e a amar-nos uns aos outros – a trabalhar pela unidade, pela unicidade e pela paz:

Os Profetas de Deus devem ser considerados como médicos cuja tarefa consiste em promover o bem-estar do mundo e dos seus povos, para que, através do espírito da unidade, possam curar a doença de uma humanidade dividida. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, XXXIV)

…é evidente que os Profetas de Deus vieram para unir os filhos dos homens e não para os dispersar, para estabelecer a lei do amor e não da inimizade. Consequentemente, devemos pôr de parte todos os preconceitos – sejam religiosos, raciais, políticos ou patrióticos; devemos tornar-nos o motivo da unificação da raça humana. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, pp. 162-163)

Estas instruções vindas dos profundos tesouros espirituais da Fé Bahá’í dão-nos respostas claras às perguntas desagradáveis que o terrorismo levanta.

Em poucas palavras, estes ensinamentos pedem-nos que façamos três coisas vitais e muito específicas em resposta aos que semeiam ódio e divisão: ver todas as religiões como uma só; “por de parte todos os preconceitos”; e pessoalmente, ser “motivo da unificação da raça humana”.

Em primeiro lugar, os ensinamentos Bahá’ís dizem que devemos ver todos os profetas como médicos que trazem a cura para a doença da divisão. As suas mensagens não são hostis, nem rivalizam; pelo contrário, as suas mensagens são essencialmente a mesma – amar o próximo, aceitar o outro, ver amigos e não estranhos, adorar o mesmo Deus aceitando todas as pessoas como uma criação comum. A Fé Bahá’í enfatiza a unidade de todas as religiões, enfatizando as suas verdades essenciais e não as suas diferenças superficiais:

Todas estas divisões que vemos em todos os lados, todas estas disputas e confrontos, são causadas por homens que se agarram a rituais e aspectos aparentes, e esquecem a verdade simples e essencial. São as práticas visíveis que são diferentes; são elas que causam as disputas e as inimizades – mas a realidade é sempre a mesma e é uma só. A Realidade é a Verdade, e a verdade não tem divisão. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, pp. 120-121)

Em segundo lugar, os ensinamentos Bahá’ís pedem-nos que respondamos ao ódio e à divisão, trabalhando pessoalmente para derrotar e destruir os nossos próprios preconceitos. Todos temos preconceitos. Todas as pessoas formam opiniões e crenças baseadas nas suas experiências de vida, que frequentemente as leva a desenvolver medos, fobias e ódios. E esse trabalho espiritual interior – uma tarefa essencial e vitalícia de todo o Bahá’í, e dos crentes de qualquer religião – pede-nos que vejamos a luz do Criador nos olhos de todos os seres humanos que encontramos:

Não é próprio de um homem amaldiçoar outro; não é digno que um homem lance trevas sobre outro; não é adequado que um ser humano considere outro ser humano como maligno; pelo contrário, todos os humanos são servos de um único Deus; Deus é o Pai de todos; não há uma única excepção para esta lei. Não existem pessoas de Satanás; todos pertencem ao Misericordioso. Não existem trevas; tudo é luz. Todos são servos de Deus, e o homem deve amar a humanidade no seu coração. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 266)

Temos de reconhecer que não é uma tarefa fácil. Se queremos eliminar todo o ódio do mundo, parece correcto que comecemos por eliminá-lo dos nossos corações. Quando lhe foi pedido que resumisse os ensinamentos Bahá’ís, ‘Abdu’l-Bahá disse aos Bahá’ís:

… estabelecer a base do amor e da amizade, erguer a melodia do afecto e a unicidade do Reino da humanidade; transformar a tirania e a perseguição em amor e fidelidade; eliminar os rastos da carnificina; construir o edifício da reconciliação; dispersar as trevas das separação; difundir a luz da unidade; trocar o veneno da animosidade pelo mel do afecto carinhoso; destruir preconceitos religiosos, nacionais e sociais nos membros da humanidade; viver e agir com os outros como se fossem todos de uma raça, um país, uma religião e uma espécie. (‘Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 1, p. 5)

Em terceiro lugar, os ensinamentos Bahá’ís desafiam todas as pessoas a tornarem-se motivo de unificação da raça humana.

Esse enorme empreendimento pode por vezes parecer-se com escalar uma grande montanha. Vivemos em culturas que separam as pessoas por raça, religião, classe social e nacionalidade. Vivemos em bairros diferentes, raramente socializamos, construímos muros entre nós. Então como é que uma pessoa, num mundo onde as forças da divisão e do ódio parecem tão universais, pode ser motivo de unidade para todos os povos?

Apenas nos tornamos motivo de unificação quando nos juntamos a outros para fazer isso acontecer.

Assim, podemos perguntar-nos: quando foi que estive com um grupo diferente para planear ou fazer algo unificador? As minhas redes sociais – as verdadeiras, não as virtuais – incluem pessoas de diferentes raças, origens religiosas e classes sociais? Quando foi que eu saí das minhas rotinas para me encontrar com pessoas com as quais não tenho muito em comum? Consegui chegar a alguém diferente, apenas para mostrar que quero atravessar as barreiras que nos separam? Que coisas fiz que motivassem a unidade?

Amai todas as religiões e todas as raças com um amor que seja verdadeiro e sincero, e mostrai esse amor através de actos e não apenas através da língua, porque esta última não tem importância, pois a maioria dos homens, nas palavras, é bem-intencionada; mas as acções são melhores. (‘Abdu’l-Bahá, Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, p. 69)

Se as suas respostas àquelas perguntas não o satisfazem, e não sabe como se tornar um motivo de unidade, pense no que pode mudar na sua vida e como pode reorganizar-se para criar uma comunidade que apoia a pratica os valores do amor e da unidade. A comunidade Bahá’í recebe todos os que se quiserem juntar e ser motivo de unificação da raça humana.

Quando se faz parte desse movimento – o maior, o mais global movimento social alguma vez imaginado e realizado – trabalha-se a todo o momento para derrotar o ódio e o preconceito divisivo que alimenta o terrorismo.

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Pode a Unidade impedir o próximo ataque terrorista?

Por David Langness.


As religiões divinas devem ser a causa de união entre os homens, e instrumentos da unidade e do amor; devem promulgar a paz universal, libertar o homem de todo preconceito, conceder alegria e júbilo, exercer bondade para com todos os homens e eliminar qualquer diferença ou distinção. (‘Abdu’l-Bahá, Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, p. 28.)
Ontem, bombas terroristas explodiram no aeroporto e numa estação de metro de Bruxelas, matando dezenas de pessoas e ferindo centenas.

A Europa e os Estados Unidos sofreram um crescente número de ataques terroristas ao longo dos últimos meses. Estes ataques aproveitaram a abertura e vulnerabilidade das sociedades Ocidentais, com a sua liberdade pessoal, espaços públicos acessíveis e relativa facilidade para atravessar fronteiras nacionais. Grupos terroristas como o Daesh ou a al-Qaeda juraram atacar alvos na Europa e na América, ameaçando com novos ataques no Ocidente.

A situação geral não mostra sinais de acalmia para breve. As bombas usadas em Bruxelas, dispositivos rudimentares cheios de pregos para infligir o maior número de baixas, foram detonados pelos bombistas suicidas que pretendiam lançar o caos e o medo, e dar as suas vidas ao fazê-lo. Inacreditavelmente, qualquer pessoa com as motivações erradas, pode agora construir uma arma destas – os materiais estão disponíveis em quase toda a parte, e é simples encontrar as instruções detalhadas para construir bombas. Enquanto os terroristas continuarem a acreditar que o Ocidente pode ser responsabilizado pelos conflitos sangrentos em certas partes do mundo – e sejamos claros, enquanto o Ocidente continuar a envolvido em guerras por proxy no Médio Oriente com tropas, bombas e drones – estas mortes aleatórias de civis inocentes irão provavelmente continuar.

Então o que podemos fazer em relação a isto?

Os ensinamentos Bahá’ís têm três sugestões muito específicas: unidade internacional; um crescente nível de integração e unidade nas nossas cidades segregadas; e uma cultura ampla e concertada destinada a eliminar o preconceito religioso.

Primeiro: um dos problemas mais persistentes que impede o mundo de combater o terrorismo de forma eficiente deve-se às suas redes de segurança fragmentadas, isoladas e não comunicantes. Muitos países Europeus, por exemplo, não partilham entre si informações sobre terroristas conhecidos e seus associados. A desconfiança e preconceitos históricos contribuem para o problema. Algumas nações até têm agências de segurança que competem entre si nas suas burocracias nacionais e não partilham prontamente informação entre elas.

Se a União Europeia conseguir reduzir os obstáculos na partilha de informação de segurança, ultrapassar animosidades históricas e preconceitos entre nações, e transmitir de forma mais eficiente informação relevante sobre segurança entre os seus Estados membros, a ameaça de mais ataques pode ser significativamente reduzida. Se as nações do mundo se unirem de forma determinada para parar o terrorismo, poderão conseguir fazê-lo. A dificuldade é apenas a falta de unidade.

Segundo: muitos países Europeus, e muitas cidades Americanas, criaram de forma inadvertida - ou talvez, propositada - guetos de emigrantes estrangeiros. As populações muçulmanas nestas áreas urbanas, amontoadas em bairros pobres, em vez de serem distribuídos e integrados na sociedade mais ampla, tendem a manter as suas práticas culturais e preconceitos trazidos dos seus países de origem. Este isolamento e segregação forçadas podem alimentar um sentimento de alienação em relação ao país de acolhimento, pode fomentar uma desconfiança nas leis locais, pode criar a base de um ódio prolongado, e pode tornar-se um local de refúgio onde jihadistas esperam esconder-se e escapar à justiça.

Se a Europa e a América fizerem esforços concertados para pôr fim à prática de segregação de refugiados e emigrantes, e impedirem a prática comum - intencional, ou não - de criar guetos que impedem a aculturação e a absorção de grandes grupos de pessoas de outros lugares, então podemos começar a livrar as populações de potenciais terroristas e jihadistas. Este tipo de dispersão aceleraria o processo de integração e unificação.

Conseguir este objectivo a longo prazo exige, obviamente, um esforço concertado de muitos sectores da sociedade Ocidental. Podemos começar agora, a nível individual e pessoal, tentando alcançar, encontrar e comunicar com pessoas que vivem em enclaves de emigrantes nas nossas cidades. Só reduzindo o afastamento, travando conhecimento e fazendo amizades com pessoas de diferentes religiões e tradições culturais, e derrubando barreiras entre culturas, podemos começar a integrar e unificar eficientemente as nossas sociedades.

Terceiro: um contra-terrorismo eficiente não significa apenas meios de segurança e integração. Também significa libertar-mo-nos de preconceitos que tradicionalmente assolam as religiões. Desenvolver o entendimento, as ligações e a unidade entre religiões é a solução derradeira para o terrorismo. Isso será o baluarte contra a separação, contra a desconfiança e contra a violência que sempre resulta dessa separação:
O ódio e o rancor religioso são um fogo que consome o mundo, e cuja extinção é muito difícil, a menos que a mão do poder divino liberte o homem desta calamidade infrutífera.
Acautelai-vos com o preconceito; a luz é boa em qualquer lâmpada que brilhe. Uma rosa é bela em qualquer jardim que possa florescer. Uma estrela tem a mesma radiância, se brilhar no oriente ou no ocidente.

Todos os Profetas de Deus vieram para unir os filhos dos homens e não para os dividir; ponham em prática a lei do amor e não a inimizade.

Devemos banir o preconceito. Preconceitos religiosos, patrióticos e raciais devem desaparecer, pois são destruidores da sociedade humana.

Devemos tornar-nos causa de unidade da raça humana. (‘Abdu’l-Bahá, Divine Philosophy, p. 25.)

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Texto original: How Unity Could Stop the Next Brussels Bombing (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

domingo, 27 de dezembro de 2015

Paris, U2, e “Jesus, Jew, Muhammad, It’s True”

Por David Langness.


Nesta nova e maravilhosa dispensação os véus da superstição foram rasgados e os preconceitos dos povos orientais estão condenados. Entre certas nações do Oriente, a música era considerada repreensível, mas nesta nova era a Luz Manifesta, nas suas sagradas Epístolas, proclamou especificamente que a música, cantada ou tocada, é alimento espiritual para a alma e coração. ('Abdu'l-Bahá, Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, #74)
Quem foi ao recente concerto dos U2 no AccorHotel Arena, em Paris, juntamente com 20.000 de seus melhores amigos, ou viu o concerto na televisão em qualquer lugar do mundo, teve a oportunidade de viver um momento verdadeiramente notável. Muito mais do que apenas concerto de rock, esta actuação usou o poder da música para espalhar a verdade sobre a unicidade da religião.

Tudo começou a acontecer quando U2 tocaram os seus comoventes hinos à paz, igualdade e liberdade com paixão e vigor. Os concertos da banda em Paris, originalmente programados para começar no dia seguinte aos ataques de 13 de Novembro, assumiram uma nova e simbólica importância, com o seu regresso desafiador.

Os nomes de todas as vítimas dos atentados de Novembro foram projectados num
enorme ecrã onde se viam as cores da bandeira francesa e um símbolo da paz.
Bono criou a dinâmica ao falar (em francês e inglês) entre as músicas, sobre a tragédia dos ataques terroristas de Paris. "Somos todos parisienses", afirmou. E acrescentou que o terrorismo não pode parar a música e que tínhamos de transformar o medo em amor.

O entusiasmo e a intensidade na arena aumentaram ainda mais quando a banda tocou o tema icónico "Pride: In the Name of Love", sobre Martin Luther King, Jr. e outros defensores da liberdade. A canção foi um hino de homenagem às 130 pessoas que morreram nos ataques de Paris, ao mostrar os nomes de cada vítima num enorme ecrã de vídeo, juntamente com os símbolos da paz e do amor.

A multidão ovacionou, obviamente inspirada pela solidariedade que sentia.

Então Bono surpreendeu todos os presentes quando teve a coragem de dizer: "Nós estamos com aqueles cujas vidas foram dilaceradas por uma ideologia que é uma perversão da bela religião do Islão."

E continuou: "Tanto quanto sei, o Islão significa ‘submissão’". E então pediu à multidão para alargar a sua simpatia e orações às famílias e parentes dos próprios terroristas, "por muito difícil que isso seja".

Esse momento unificador lembrou concertos dos U2 após os ataques terroristas do 11 de Setembro nos Estados Unidos e depois dos atentados de 2005 em Londres, quando Bono usou a faixa "Coexist" no cenário do palco, e num apelo à unidade religiosa, cantou “Jesus, Jew, Muhammad, it’s true. All sons of Abraham. Father Abraham, speak to your sons. Tell them ‘No More!’” ("Jesus, Judeu, Maomé, é verdade. Todos os filhos de Abraão. Pai Abraão, fala aos seus filhos. Diz-lhes 'Nunca Mais!'")

Membros da banda U2 colocaram flores junto ao Bataclan,
numa homenagem às vítimas dos atentados de Paris.
Para os Bahá'ís, a declaração de Bono tem um nível especial de percepção, não só sobre a descendência de Abraão, mas sobre a ligação progressiva de todas as religiões:
... os descendentes de Abraão receberam a bênção especial de todos os Profetas da Casa de Israel terem surgido no seu seio. Isto é uma bênção que Deus concedeu a essa linhagem. Moisés, tanto através do Seu pai e da Sua mãe; Cristo, através da Sua mãe; Maomé; O Bab, e todos os profetas e os Santos de Israel pertencem a essa linhagem. Também Bahá'u'lláh é descendente directo de Abraão, pois Abraão teve outros filhos além de Ismael e Isaac, que naqueles dias emigraram para as regiões da Pérsia e Afeganistão, e a Abençoada Beleza [Bahá'u'lláh] é um dos seus descendentes. ('Abdu'l-Bahá, Some Answered Questions, newly revised edition, pp. 246-247)
Depois veio o final, uma apoteose musical inspiradora em que os membros do público e da banda cantaram a plenos pulmões, com uma vontade profunda que o amor, a alegria e a música triunfem sobre o medo.

Há pouco mais de cem anos atrás, em Paris, a cidade dos corações, ‘Abdu'l-Bahá fez soar o apelo unificador da Fé Bahá'í, agora transmitido para todo o mundo:
Todos os Profetas de Deus vieram por amor a este único e grande objectivo.

Vede como Abraão se esforçou para trazer a fé e o amor entre o povo; como Moisés tentou unir o povo através de leis sólidas; como o Senhor Cristo sofreu a morte para levar a luz do amor e da verdade a um mundo em trevas; como Maomé tentou conseguir a unidade e a paz entre as várias tribos incivilizadas com quem Ele habitava. E por fim, Bahá'u'lláh sofreu quarenta anos pela mesma causa - o propósito nobre e único de espalhar o amor entre os filhos dos homens - e para a paz e a unidade do mundo o Bab deu a Sua vida.

Assim, esforçai-vos para seguir o exemplo destes Seres Divinos, bebei da Sua fonte, iluminai-vos com a Sua luz, e sede para o mundo como símbolos da Misericórdia e do Amor de Deus. Sede para o mundo como chuva e nuvens da misericórdia, como sóis da verdade; sede um exército celestial, e, na verdade, conquistareis a cidade de corações. ('Abdu'l-Bahá, Paris Talks, pp 171-172)
Por vezes é necessário partilhar experiências culturais e emocionais como esta para entender que a sociedade pode realmente reencontrar-se em amor, perdão, compaixão espiritual e unidade.

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Texto original: Paris, U2, and “Jesus, Jew, Muhammad, It’s True” (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 18 de julho de 2015

Podemos acabar com o Terrorismo?

Por Rodney Richards.


O terrorismo, segundo a utilização contemporânea mais amplamente aceite deste termo, é fundamental e inerentemente político. É também inevitavelmente sobre o poder: a busca do poder, a conquista do poder e o uso do poder para conseguir a mudança política. O terrorismo é, portanto, a violência - ou, igualmente importante, a ameaça da violência - usada e dirigida em busca de, ou ao serviço de, um objectivo político. Com este ponto essencial claramente esclarecido, pode-se apreciar o significado da definição adicional de “terrorista” fornecido pelo dicionário: “Pessoa que tenta promover os seus pontos de vista através de um sistema de intimidação coerciva". Esta definição destaca claramente outra característica fundamental do terrorismo: trata-se de um acto planeado, calculado, e metódico. (Inside Terrorism, por Bruce Hoffman)
Todo o tipo terrorismo destrói a paz mundial e a ordem mundial.

O terrorismo é o epítome da desumanidade do homem para com o homem. O terrorismo é também tomar deliberadamente a vida e os bens dos nossos semelhantes. Faz uso aleatório da violência e ameaça intimidar ou coagir, especialmente com objectivos políticos ou religiosos. A guerra aberta, a prisão justa ou injusta e a tortura, ainda mantêm mantenha a esperança de um fim ou de uma libertação; mas isso não acontece com o terrorismo.

Estação de Bolonha (Itália), 1980
O terrorismo está enraizado na necessidade de cada ser humano de pertencer a um grupo de parceiros. Nestes tempos, tornou-se ideologicamente aceitável matar indiscriminadamente inocentes para alcançar o objectivo terrorista: a ordem social baseada na sua única concepção do que é bom para eles e para todos os outros, sem excepções. Exigem obediência imediata, exacta e completa às suas ordens e princípios, como se verifica pelas acções de bombistas suicidas. Entre 1982 e Janeiro de 2015, foram documentados mais de 4283 ataques suicidas em 40 países, provocando dor e destruição indescritíveis.

A maioria dos actos terroristas que vemos hoje já não encaixa no velho ditado "Terrorista para uma pessoa é combatente pela liberdade para outra". Veja-se, por exemplo, a atitude da Alemanha nazi contra os grupos de resistência que se opunham à ocupação dos seus países pela Alemanha, rotulando-os de "terroristas". Nem as antigas tácticas de guerrilha perdoavam isso. Lutar pela liberdade, pela justiça e pela igualdade não é o mesmo que lutar pela repressão e pela subjugação.

O terrorista, tal como o egoísta, não considera importantes os sentimentos ou as vidas dos outros:
O homem que só pensa em si próprio e desconsidera os outros... [Ele] ... é sem dúvida inferior ao animal, porque o animal não possui da faculdade de raciocínio. O animal tem desculpa; mas no homem existe a razão, a faculdade de justiça, a faculdade de misericórdia. Possuindo todas essas faculdades ele não deve deixar de utilizá-las. Quem tem o coração tão endurecido que apenas pensa no seu próprio conforto, não será chamado homem. (‘Abdu’l-Bahá, Foundations of World Unity, p. 42)
Até agora, as falsidades das ideologias e das acções terroristas revelaram-se como evidentes e auto-destrutivas. É reconhecido aos governos e às pessoas de bem em todos os lugares o dever expor as suas filosofias fúteis e justificações infundadas para matar inocentes. Os ensinamentos Bahá'ís dizem que a propagação do terrorismo expõe um dos falhanços mais profundos na forma como a humanidade tratou dos seus assuntos:
Os defeitos na ordem prevalecente estão patentes na incapacidade dos Estados soberanos, organizados nas Nações Unidas, em exorcizar o espectro da guerra, na ameaça de colapso da ordem económica internacional, no alastramento da anarquia e do terrorismo, e no sofrimento intenso que estas e outras aflições causam a milhões crescentes. (A Casa Universal de Justiça, A Promessa da Paz Mundial)
É claro, que os governos também matam pessoas inocentes com bombas, mísseis e drones. Os Bahá’ís acreditam que todas essas acções - perpetradas com a máscara do terrorismo ou do governo - devem parar. Como vimos no passado, destruição e morte só produzem mais destruição e morte.

Em vez disso, os ensinamentos Bahá'ís dizem que devemos adoptar uma estrutura genuína e universal que pode regular, conter e, por fim, parar as violentas explosões terroristas no mundo. Essa estrutura exige uma nova forma de organizar o mundo, baseada na justiça e na unidade:
A aceitação da unidade da humanidade é o primeiro pré-requisito fundamental para a reorganização e administração do mundo como um só país, o lar da humanidade. A aceitação universal deste princípio espiritual é essencial para o sucesso de qualquer tentativa para estabelecer a paz mundial. Por isso, deve ser universalmente proclamado, ensinado nas escolas, e constantemente afirmado em todas as nações como preparação para a transformação orgânica da estrutura da sociedade que isso implica.

Na perspectiva Baha'i, o reconhecimento da unidade da humanidade "exige nada menos do que a reconstrução e a desmilitarização de todo o mundo civilizado - um mundo organicamente unificado em todos os aspectos essenciais da sua vida, na sua máquina política, na sua ambição espiritual, no seu comércio e nas suas finanças, na sua escrita e língua, e também na infinita diversidade das características nacionais das suas unidades federadas" (Idem)

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Texto original: How Can We End Terrorism? (bahaiteachings.org)

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Rodney Richards é escritor técnico de profissão e trabalhou durante 39 anos para o Governo Estadual de New Jersey. Reformou-se em 2009 e dedicou-se à escrita (prosa e poesia),tendo publicado o seu primeiro livro de memórias Episodes: A poetic memoir. É casado, orgulha-se dos seus filhos adultos, e permanece um elemento activo na sua comunidade.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Fareed Zakaria: O Mundo Pós-Americano (4)

A Mediatização da Violência

A propósito dos recentes ataques terroristas em Mumbai, tenho de partilhar convosco mais este pequeno excerto do livro de Fareed Zakaria, O Mundo Pós-Americano:
O carácter imediato das imagens e a intensidade das notícias num ciclo de vinte e quatro horas combinam-se para produzir exageros constantes. Todas as alterações climáticas são «a tempestade do século». Cada bomba que explode aparece nas NOTÍCIAS DE ÚLTIMA HORA. É difícil relativizar tudo isto porque a revolução na informação é muito recente. Não tivemos imagens diárias dos cerca de 2 milhões de pessoas que morreram nos campos do Cambodja na década de 1970 ou do milhão de pessoas que pereceram na guerra Irão-Iraque na década de 1980. Nem sequer tivemos imagens da guerra no Congo na década de 1990, na qual morreram milhões de pessoas. Mas agora vemos quase diariamente filmagens ao vivo dos efeitos de bombas improvisadas, de carro armadilhados ou de mísseis - acontecimentos trágicos, é verdade, mas que a maior parte das vezes não causam mais de dez vítimas. O carácter aleatório da violência terrorista, o facto de o alvo serem civis e a facilidade com que as sociedades modernas são penetradas por este tipo de violência aumentam a nossa preocupação. «Podia ter sido eu», dizem as pessoas depois de um ataque terrorista.

Parece um mundo muito perigoso. Mas não é. A probabilidade de morrermos em consequência da violência organizada é baixa e está a diminuir. Os dados revelam que a tendência geral se afasta da das guerras entre grandes países, o tipo de conflito que causa de facto grande quantidade de vítimas. (p. 17-18)
Não será caso para pedir um pouco mais de responsabilidade aos media? Afinal que qualidade tem um meio de comunicação social que corre desesperadamente atrás do imediatismo da notícia e esquece aquilo que verdadeiramente é notícia?

domingo, 18 de fevereiro de 2007

Condenar os bandidos

Quase três anos depois, sentam-se no banco dos réus os acusados pelo maior atentado terrorista em Espanha. São 29, dos quais 18 estão detidos e comparecem no tribunal. Do enorme processo constam 200 provas de ADN que podem contribuir para a descoberta dos responsáveis pelos 191 mortos e 1824 feridos do dia 11 de Março de 2004. Mais do que a retórica, eis uma boa oportunidade para mostrar a superioridade de uma civilização, de uma modelo: julgar rapidamente, com imparcialidade, sem preconceitos e sem ter receio de condenar quem é bandido

Editorial do Expresso, 17 de Fevereiro de 2007

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

"Padecemos de atraso"

Dhiyaa Al-Musawi é um intelectual do Bahrain cujas opiniões sobre o extremismo islâmico apenas podem despertar a nossa admiração e aplauso. Numa entrevista à Abu Dhabi TV em Dezembro (ver aqui com legendas em inglês), este autor deixou uma mensagem muito clara às sociedades árabes: "Padecemos de atraso". Nessa mesma entrevista, Al-Musawi defende um humanismo tolerante do Islão em relação ao resto do mundo, e condena a lavagem ao cérebro a que tantos jovens muçulmanos são sujeitos com o objectivo de se tornarem bombas humanas.

Alguns excertos da entrevista:
... Não nos desenvolvemos ao ponto de admitir a derrota. Temos que admitir a nossa derrota cultural. No passado tivemos uma civilização na Andaluzia e noutras partes, mas hoje estamos a regredir – exportamos violência, aterrorizamos países inteiros, ameaçamos a segurança nacional, e muitas outras coisas...

...este problema tem raízes políticas, mas quem paga o preço? O país, a sociedade, a sociedade civil, e o jovem a quem é dito que tem virgens de olhos negros que o aguardam às portas do paraíso, e que tudo o que ele tem a fazer é explodir-se. Ele pode fazer explodir a sua família e filhos para obter as virgens do paraíso. Esta é a linguagem e a cultura da morte. Não nascemos neste mundo para morrer desta maneira. A beleza do homem está vida a favor da sua terra, e não em morrer matando outras pessoas...

Em minha casa, tenho uma imagem de Jesus, e sempre que olho para esta imagem, palavras de paz e amor abrem-se perante mim. Foi Jesus que disse: “Ama os teus inimigos, abençoa os que te amaldiçoam” Necessitamos esta linguagem de beleza na nossa sociedade. Também tenho uma imagem de Gandhi, que considero uma pessoa magnifica, e cuja [imagem] devia estar plantada nas mentes dos nossos jovens...

Alguns de nós dizem: "Que Deus amaldiçoe os Judeus e os Cristãos, descendentes de macacos e porcos". Isto é a linguagem do progresso? Isto é a linguagem do esclarecimento e da tolerância? Se você tivesse nascido em Roma, seria cristão, Se tivesse nascido em Teerão seria xiita, se tivesse nascido na Arábia Saudita seria sunita e assim por diante. Como seria maravilhoso se todas estas pessoas se unissem em amor em torno da mesa da humanidade...

Penso que se o Islão tivesse mais pessoas como o Dr. Dhiyaa Al-Musawi e menos radicais, a sua imagem no Ocidente seria tão popular quanto a do Budismo.

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A ler:
Transcrição completa da entrevista: An interview with Bahraini intellectual Dhiyaa Al-Musawi

quarta-feira, 13 de julho de 2005

Londres, Netanya e Bagdade

Quase uma semana após os atentados no Metro de Londres, e ainda sob efeito de alguma histeria mediática (deu-se grande relevo a uma evacuação do Metro de Varsóvia e a uma bomba no País Basco), quase passou despercebido o que aconteceu hoje a dezenas de crianças em Bagdade (ver BBC e Diário Digital) e ontem à entrada de um centro comercial em Netanya (ver BBC e TSF).

Ignoro os critérios com que os media ordenam e apresentam as notícias. É verdade que existem factores comerciais que condicionam esses critérios; mas gostava de ver um pouco mais coerência. Os atentados de ontem em Israel e hoje no Iraque encaixam-se na série de ataques terroristas que, um pouco por todo o mundo, ceifam vidas de civis inocentes. Será que por ocorrerem em países do Médio Oriente estes eventos devem ser tratados como banais?

Foi devido a esta indiferença, esta dualidade de critérios, que o Nuno Guerreiro perguntou: "Hoje somos todos israelitas?"

Não consigo imaginar o que seja a dor de todas as pessoas que nas últimas semanas perderam os seus familiares em actos terroristas um pouco por todo o mundo. Apenas sei que as famílias que sofrem essa dor são famílias como as nossas. Como já escrevi num post anterior, estes actos são um ataque à humanidade. E quando acontecem temos que ser mais do que madrilenos, londrinos, israelitas ou iraquianos. Quando estes ataques ocorrem devemos ser cidadãos do mundo.

segunda-feira, 11 de julho de 2005

Os Atentados de Londres(3)

No dia seguinte aos atentados, o Jornal de Notícias titulava: "O medo voltou". Por vezes tenho a sensação que os media gostam de criar medo nas suas audiências. Medo do terrorismo, medo do declínio moral, medo da desintegração social, medo da decadência e fanatismo religioso, medo de tantas doenças físicas e psíquicas da sociedade moderna.

As reacções a todos estes medos são diversas. Há quem sonhe num regresso a um passado utópico; há quem prefira refugiar-se em álcool ou drogas; e outros desejam uma solução apocalíptica que simplifique toda a existência. A violência verbal com que hoje se debatem assuntos como manipulação genética, casamento de homossexuais e lésbicas e utilização de energia nuclear, parecem mais uma manifestação de medo e apreensão perante o desconhecido, do que uma postura séria, racional equilibrada perante os factos.

Neste cenário é legítima a pergunta: estará a civilização em risco? É uma pergunta tão velha quanto a própria civilização. Segundo a perspectiva baha’i, a humanidade evolui através de transformações cíclicas (é um conceito que também existe no Hinduísmo e no Budismo). Ao contrário da escatologia cristã onde se aguarda o "fim dos tempos" (e a segunda vinda de Cristo), os ensinamentos baha'is mostram-nos que estes ciclos de transformação se iniciam com um aparecimento de um Profeta; a Sua mensagem é geradora de um novo impulso espiritual e material, a que inevitavelmente se sucedem o declínio e o colapso.

Assim, como baha'i vivendo nesta sociedade aparentemente sitiada pelo medo, é impossível não recordar as palavras de Sto Agostinho aos habitantes de Cartago quando lhe descreviam as invasões bárbaras do império romano como sendo "o fim do mundo". O santo respondia. "Não é o fim do mundo; é o princípio de um mundo novo".

sexta-feira, 8 de julho de 2005

O Atentado de Londres (2)

Após os atentados terroristas de ontem, o desejo de vingança pode ser uma reacção natural; mas, acima de tudo, é uma reacção destrutiva. O desejo de vingança leva a que se atinjam pessoas inocentes ou a que se cometam novos actos de terrorismo. A vingança é um acto impulsivo e irracional. Pelo contrário, a justiça é um acto deliberado que se pretende seja exercido de acordo com os factos. E é ao Estado que compete o exercício da justiça.

Notei como Tony Blair se apressou a fazer a distinção entre os autores dos atentados em Londres e a comunidade muçulmana. Foi uma atitude muito sensata. Na verdade, o Islão, é mal conhecido no Mundo Ocidental. Quanto mais soubermos sobre o Islão e a sua história, melhor compreenderemos que quem comete este tipo de actos não segue os seus ensinamentos, tal como aqueles que colocam bombas em clínicas que praticam abortos invocando o nome de Jesus também não seguem os Seus ensinamentos.

Na ressaca destes actos terroristas em Londres, a ignorância, o preconceito e o desejo de vingança podem ser incentivos para ataques contra muçulmanos inocentes. Depois das famílias afectadas pela tragédia de ontem, a imensa maioria da comunidade muçulmana - que, tal como nós, ficou chocada com o ataque - merece o nosso apoio.

Aos leitores deste blog, convido-os a ler um bom livro sobre o Islão.

segunda-feira, 14 de março de 2005

11-M.- Representantes de las 3 religiones se concentran en Valencia para recordar a las víctimas y contra la violencia

VALENCIA, 12 (EUROPA PRESS)

Un centenar de personas se concentró hoy en la Plaza de la Virgen de Valencia para recordar a las víctimas de los atentados del 11-M y mostrar su rechazo ante el terrorismo y ante cualquier forma de violencia. Al acto, convocado por el Centro Cultural Islámico de la Comunidad Valenciana (CCIV) junto con la Cátedra de las tres religiones y otras entidades, asistieron representantes de las tres confesiones (cristiana, judía y musulmana), así como miembros de la comunidad budista y bahai.

Los asistentes a la concentración, que se desarrolló sin que se registraran incidentes, portaban dos pancartas en las que se podía leer 'Unidos por la paz' y 'Juntos podremos', ambas firmadas por el CCIV. Asimismo, en el suelo descansaban tres grandes letras que formaban la palabra 'Paz', sobre las que unos niños colocaron decenas de velas que recordaban a las víctimas de los atentados del 11-M cometidos ahora hace un año.

Los participantes en el acto corearon cánticos como 'No al terrorismo, sí a la paz' y 'Viva la paz', con los que mostraron su más firme rechazo ante cualquier forma de violencia.

El acto contó con la participación de representantes de las tres religiones, que leyeron textos, interpretaron cánticos y recitaron poesías en favor de la paz. Así, la concentración comenzó con la llamada a la oración en árabe que, según comentó uno de los presentes, "también encierra una llamada a la paz".

El presidente del CCIV, Ridha El Barouni, destacó que se encontraban allí para decir "alto y claro que estamos con la Comunidad Valenciana y con la sociedad española". "Nos consideramos --añadió-- una parte de esa comunidad y denunciamos todos los actos de violencia y terrorismo".

Asimismo, el presidente del CCIV manifestó que "el Islam es un camino de paz" y que "juntos podemos llegar a nuestra meta que es la convivencia". La Cátedra de las tres religiones también se sumó a la concentración a través de un manifiesto, que fue leído por el hermano Youssef.

A continuación fue el turno para un texto de la fe Bahai, que correspondía a su fundador Baha'u''llah. Además, los miembros del coro infantil del CCIV también se sumaron al acto con sus cánticos "para decirle al mundo que viva en paz, pureza y amor, y que no desaparezca la sonrisa", tal y como decían algunos de los estribillos que corearon.

Tras los cánticos se recitaron una serie de poesías "por la paz y contra la violencia", que contenían el mismo mensaje que quisieron transmitir los representantes de la Comunidad Judía, así como el representante del Centro de Estudios para la Integración y la Formación de Inmigrantes (CEIM), que leyó una oración de San Francisco de Asís.

La concentración terminó con la lectura de un 'Manifiesto por la paz y contra los atentados terroristas del 11-M. El texto señalaba lo "afectados" que los musulmanes se han sentido por los cientos de inocentes que murieron en Madrid en los atentados terroristas del 11-M.

Asimismo, indicaba que "se ha cometido un acto incalificable y reprobable utilizando el adjetivo 'islámico', estableciendo un nexo entre el terror y el Islam, algo que ha tenido serias y negativas consecuencias para toda la comunidad musulmana".

Por todo ello, señalaba que "las entidades que convocamos esta concentración hemos querido tener un acto dedicado a la paz y a la interreligiosidad". Así, estas entidades señalaban en el manifiesto que "rechazamos categóricamente todo acto de violencia y toda actitud que incite o justifique la misma", y añadían que "el Islam es un camino de paz contrario a la violencia".

Asimismo, mostraban su solidaridad con las víctimas del 11-M, con las sus familias y con el pueblo de Madrid, y reivindicaban "la educación y la integración plena de todas las personas en la sociedad para evitar el camino de la marginación, que puede terminar en actitudes radicales o violentas".

MUSULMANES DETENIDOS

En otro orden de cosas, el presidente del CCIV respondió, en el transcurso del acto, a las preguntas que le formularon los medios de comunicación allí congregados respecto a la posible relación del centro islámico con grupos extremistas. Al respecto, señaló que "el CCIV goza de la confianza de las autoridades, así como de la subvención de la Generalitat y de la confianza de toda la Comunidad Valenciana". Asimismo, calificó de "falsa" cualquier información que relacione a radicales islámicos con el CCIV, y añadió que "no hay ningún informe policial que pueda decir esto".

Preguntado acerca de los dos musulmanes detenidos ayer tras interrumpir un acto por la paz que se celebraba en la mezquita de Xúquer en Valencia, Ridha El Barouni dijo que se trata de "gente ignorante que no entiende el mensaje del Islam", y añadió que representan "una minoría insignificante dentro de la Comunidad Musulmana".

"Todos los musulmanes que están viviendo aquí --comentó-- están rechazando rotundamente el terrorismo y la violencia, y están trabajando y esforzándose para conseguir la convivencia pacífica dentro de la Comunidad Valenciana".

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Artigo publicado no Yahoo! Noticias(Espanha), em 12 de Março de 2005
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quarta-feira, 17 de março de 2004

Terrorismo: um perspectiva bahá'í

Raízes e possíveis Soluções
Quais as razões do terrorismo? Que meios podem ser utilizados para combater este problema internacional, em relação ao qual os estado modernos são extremamente vulneráveis? Poderá a actual ordem mundial responder adequadamente a este desafio?
O artigo publicado na revista One Country em 2002 aborda estas questões e merece ser lido mais uma vez.

The Theology of Osama Bin Laden
Um breve ensaio de Susan Maneck, descreve os conceitos básicos em que assenta a ideologia/teologia do grupo da Al-Qaeda. Trata-se de um pequeno texto, mas nem por isso pouco interessante. Percebemos imediatamente como este grupo terrorista possui uma visão muito parcial e distorcida do Islão.

sexta-feira, 12 de março de 2004

TERRORISMO, NÃO!

Os acontecimentos de ontem mexeram comigo (e com todos nós!). A dimensão da tragédia retira-me a tranquilidade necessária para escrever muita coisa. Por enquanto, ficam apenas duas citações.

"Os povos são suficientemente engenhosos para inventar ainda mais formas de guerra, e para usar a comida, as matérias-primas, o poder financeiro, o poder industrial, a ideologia e o terrorismo para se subverterem uns aos outros numa busca incessante pela supremacia e pelo domínio."

(Casa Universal de Justiça, A Promessa da Paz Mundial, 1985)

"Estas lutas infrutíferas, estas guerras ruinosas cessarão, e a Mais Grandiosa Paz virá."

(Bahá'u'lláh, 1891)

quinta-feira, 11 de março de 2004

Barbárie de Madrid

Desta vez os alvos da carnificina são os civis madrilenos. Que fizeram eles de mal? Que culpas têm eles?

Tinha a ideia (mas posso estar enganado!) que a ETA costumava atacar essencialmente alvos políticos (ministros e autarcas) e militares (a Guardia Civil).

Este tipo de ataques quase simultâneos e coordenados contra alvos civis parece obra de algum grupo ligado à Al-Qaeda.