"Povo de Bahá" é uma expressão frequentemente utilizada nas Escrituras Bahá'ís para designar os crentes em Bahá'u'lláh, i.e., os Bahá’ís.
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quinta-feira, 29 de abril de 2021
domingo, 25 de abril de 2021
sexta-feira, 23 de abril de 2021
terça-feira, 20 de abril de 2021
segunda-feira, 19 de abril de 2021
Celebrar o Primeiro Dia de Ridvan
Durante os próximos 12 dias, os Bahá’ís em todo o mundo estarão a celebrar o “Rei dos Festivais”. São os dias mais sagrados do calendário Bahá’í.
Estas celebrações assinalam o nascimento da Fé Bahá’í em 1863, num magnífico jardim de rosas numa ilha no meio do rio Tigre, perto da antiga cidade de Bagdade. Designado Jardim de Ridvan (pronuncia-se “riz-van” e significa “paraíso”), este local florido e repleto de pássaros, foi, durante doze dias, o local exacto onde Bahá’u’lláh anunciou a Sua missão, e com isso deu início ao surgimento da mais nova religião mundial.
A extraordinária declaração de Bahá’u’lláh aconteceu durante aqueles dozes dias, antes do Seu exílio para Constantinopla (actual Istambul), capital do Império Otomano.
Bahá’u’lláh tinha sido expulso da Pérsia e encontrava-se exilado em Bagdade desde 1853; o governo persa temia a propagação e impacto dos Seus ensinamentos na sociedade persa. Agora, em Abril de 1863, porque os Seus ensinamentos se continuavam a propagar e eram considerados ameaçadores por autoridades religiosas, o sultão otomano chamou-O para residir na capital do império. O momento foi descrito por Jinab-i-Fadil, na revista Star of the West (vol. 8):
Por fim, os inimigos da Causa conseguiram que as autoridades governamentais emitissem um decreto que expulsava Bahá’u’lláh de Bagdade. Primeiramente dizia-se que Ele deveria ir sozinho. Depois, porém, isso foi alterado, e permitiram que a Sua família e alguns seguidores O acompanhassem. O grupo de exilados abandonou deixou Bagdade e fez a sua primeira paragem num belo jardim fora da cidade. Aqui eles mantiveram-se durante doze dias. Foi erguida uma tenda para Bahá’u’lláh, e ao seu redor ergueram as tendas para os outros. Esses dias no jardim são chamados de “Os dias de Ridvan” e são de importância suprema, pois foi nessa ocasião que Bahá’u’lláh declarou, a alguns seguidores, a Sua grande missão e começou a construir o palácio da paz e unidade para o mundo. Ele revelou muitos versículos maravilhosos que entoam as melodias do Novo Dia de Deus.
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| Jardim de Ridvan, em Bagdade - o local onde Bahá'u'lláh anunciou a Sua missão. |
Adib Taherzadeh, um dos biógrafos de Bahá’u’lláh, conta a história desse dia no seu livro “A Revelação de Bahá’u’lláh” (vol. 1):
A partida de Bahá’u’lláh de Sua casa testemunhou uma comoção como Bagdade raramente tinha visto. Pessoas de todas as camadas sociais, homens e mulheres, ricos e pobres, jovens e velhos, homens de conhecimento e da cultura, príncipes, funcionários do governo, comerciantes e trabalhadores, e acima de tudo, os Seus companheiros, amontoaram-se nos acessos à Sua casa e encheram as ruas e telhados situados ao longo do Seu caminho até ao rio. Lamentavam e choravam a partida d’Aquele que, durante uma década, lhes havia transmitido o calor do Seu amor e o esplendor do Seu espírito, que tinha sido um refúgio e guia para todos eles…
Abdu'l-Bahá descreveu como, após a Sua chegada ao jardim, Bahá’u’lláh declarou a Sua missão para alguns dos Seus companheiros que estavam presentes e anunciou com grande alegria a inauguração do Festival de Ridvan.
A tristeza e a dor desapareceram e os crentes ficaram plenos de alegria com este anúncio. Embora Bahá’u’lláh estivesse a caminho do exílio para terras distantes e conhecesse os sofrimentos e tribulações que estavam reservados para Ele e para os Seus seguidores, ainda assim, através desta Declaração histórica, Ele transformou toda a tristeza em alegria e passou o tempo mais encantador do Seu ministério no Jardim de Ridvan. De facto, numa das Suas epístolas, Ele referiu o primeiro dia de Ridvan como o “Dia da felicidade suprema”, e apelou aos Seus seguidores a que se “regozijassem, com alegria imensa” em memória daquele dia.
Quando terminaram os doze dias de celebração e festividade, começou um penoso exílio. Jinab-i-Fadil prossegue:
Quando os doze dias terminaram, o grupo, montado em cavalos e em burros, e escoltado por soldados turcos, partiu novamente. Os crentes que não puderam acompanhá-los ficaram com o coração totalmente despedaçado. Era como se Bahá’u’lláh fosse um rei iniciando uma viagem gloriosa. Aparentemente, era um exilado - mas no seu espírito brilhava uma grande luz.
A viagem extenuante que os exilados fizeram até Constantinopla, através dos desertos e montanhas da Ásia Menor no calor do verão, durou quatro meses. Durante esse período, Bahá’u’lláh proclamou a missão da sua nova Fé - a unidade da humanidade e a paz entre todas as nações - para um círculo cada vez maior de crentes. Com este anúncio marcante, Bahá’u’lláh transformou o momento: aparente crise do Seu exílio passou a ser uma vitória.
Hoje, os Bahá’ís e os seus amigos em todo o mundo recordam esse momento que antecedeu o exílio de Bahá’u’lláh de Bagdade para Constantinopla, não como um momento de tristeza, pesar ou derrota, mas como um jubiloso festival de revelação e renovação. Os dias sagrados de Ridvan demonstram o poder do profeta de Deus para criar o bem no meio do mal, de trazer a luz entre as trevas e alcançar o triunfo face a uma aparente sujeição. ’Abdu’l-Bahá, o filho mais velho de Bahá’u’lláh, escreveu:
O governo persa acreditava que o exílio [de Bahá’u’lláh] da Pérsia exterminaria a Sua causa nesse país. Estes governantes perceberam então que se espalhava mais rapidamente. O Seu prestígio aumentava, os Seus ensinamentos circulavam mais amplamente. Os líderes da Pérsia usaram então a sua influência para que Bahá’u’lláh fosse exilado de Bagdade. Ele foi chamado a Constantinopla pelas autoridades turcas. Quando estava em Constantinopla, Ele ignorou todas as restrições, especialmente a hostilidade dos ministros de estado e do clero. Os representantes oficiais da Pérsia usaram novamente a sua influência sobre as autoridades turcas e conseguiram que Bahá’u’lláh fosse desterrado de Constantinopla para Adrianópolis, com o objectivo de o manter o mais afastado possível da Pérsia e tornar as Suas comunicações com esse país ainda mais difíceis. No entanto, a causa continuava a espalhar-se e a fortalecer-se.
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Traduzido e adaptado de: The Baha’i Festival of Paradise: the 1st Day of Ridvan (www.bahaiteachings.org)
sexta-feira, 19 de abril de 2013
Celebrando o 150º aniversário da Declaração de Bahá'u'lláh
Artigo de Shastri Purushotma, publicado no Huffington Post.
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No dia 21 de Abril deste ano, a Comunidade Bahá’í vai celebrar o 150º aniversário do dia em que Bahá'u'lláh, fundador da Fé Bahá'í, anunciou em público pela primeira vez a Sua missão num jardim de Bagdade, dando origem assim à Comunidade Bahá’í que hoje compreende praticamente todos os grupos étnicos humanidade em mais de 200 países e territórios.
Num certo sentido, as festividades globais que envolvem pessoas de milhares de grupos étnicos são uma característica da mensagem central da Fé Bahá'í: chegou um momento de felicidade para toda a raça humana que gradualmente evolui de um estado de adolescência colectiva para uma fase de maturidade e plenitude. "Nós desejamos o bem do mundo e a felicidade das nações", disse Bahá'u'lláh para Edward Granville Browne, o académico da Universidade de Cambridge, que o entrevistou em 1890, "que os laços de afecto e união entre os filhos dos homens se fortaleçam... que mal há nisso?... essas lutas infrutíferas, essas guerras ruinosas hão de passar, e a «Mais Grandiosa Paz» virá". Estas palavras apresentam um esboço do objectivo dos ensinamentos de Bahá'u'lláh e do trabalho da comunidade Bahá’í nos dias de hoje.
Mirzá Husayn Ali era um seguidor proeminente da religião Bábí que teve inicio em Shiraz, Pérsia, 19 anos antes; era conhecido pelos membros desta comunidade por "Bahá'u'lláh" (uma expressão árabe que significa "Glória de Deus"). Um dos ensinamentos centrais da religião Bábí era a expectativa do iminente aparecimento de outro Mensageiro Divino que iria cumprir muitas das promessas implícitas na religião - não diferentes das expectativas no Hinduísmo, Judaísmo, Budismo, Zoroastrismo, Cristianismo e Islamismo a respeito de um tempo futuro de cumprimento e realização.
Em 21 de Abril de 1863, quando estava prestes a ser exilado de Bagdade para Constantinopla, Bahá'u'lláh permaneceu durante 12 dias num jardim em Bagdade, conhecido como "Jardim de Ridván (Paraíso)" e foi aqui que Ele deu a conhecer aos membros da comunidade Bábí ali reunida que Ele era o prometido eles aguardavam.
Este foi um momento de grande alegria para o Bábís, que tinham sofrido nos anos anteriores a execução do fundador da sua religião (conhecido como "O Báb") e o massacre de mais de 20 mil membros da sua comunidade. Uma das pessoas presentes no jardim Ridván deixou um relato da cena que descreve o sentimento da ocasião:
Bahá'u'lláh descreveu esta ocasião como "O Mais Grandioso Festival", o "Rei dos Festivais", e o "Festival de Deus". Os Bahá’ís comemoram o primeiro (21 de Abril), o nono (29 de Abril) e o último dia (02 de Maio) dos 12 dias do Festival Ridván como dias sagrados e sempre que possível não trabalham nessas ocasiões. O significado de cada um é o seguinte: o primeiro dia de Ridván é quando Bahá'u'lláh entrou no jardim e anunciou a Sua missão; o nono é quando Sua família se juntou a Ele; e foi no décimo-segundo que Ele abandonou o jardim e continuou a viagem de exílio para Constantinopla.
Nos anos seguintes a este anúncio para um pequeno grupo de Bábís no jardim Ridván, e apesar das limitações impostas por ser um prisioneiro e exilado, Bahá'u'lláh escreveu aos governantes do mundo daquela época e delineou um plano para a paz unificação da raça humana. Foram escritas cartas para Napoleão III de França, o Kaiser Guilherme I da Alemanha, a Rainha Vitória da Inglaterra, o Sultão Abdul-Aziz, o Papa Pio IX e outros. Apesar de ter sido ignorado na época, algumas das ideias nestas cartas foram parcialmente implementadas algumas gerações mais tarde, pelo Presidentes dos EUA Woodrow Wilson e Franklin D. Roosevelt, logo após a Primeira e Segunda Guerras Mundiais.
É sempre benéfico para pessoas com, ou sem, formação religiosa saber mais sobre os Fundadores de sistemas religiosos do mundo, pois esse conhecimento permite entender melhor as suas próprias crenças, e também relacionar-se com os outros. Os leitores perceberão que aprender sobre Bahá'u'lláh é particularmente fascinante, porque Ele, além de reafirmar os ensinamentos morais essenciais de todas as grandes religiões mundiais, também escreveu sobre questões globais e sociais, actuais e futuras, como a diplomacia, a segurança colectiva, o papel dos meios de comunicação, a língua internacional, os problemas económicos, a vida em outros lugares do universo, a medicina, os sonhos, o meio-ambiente, a energia, a governação global, a agricultura, educação e muitos outros.
Se você nunca leu escrituras de Bahá'u'lláh, talvez possa descobrir que uma maneira muito agradável para passar os belos dias da primavera entre 21 de Abril a 02 de Maio deste ano é saborear um chá da manhã (ou um café ou qualquer bebida matinal à sua escolha), junto a um monte de rosas e com algumas obras de Bahá'u'lláh, para perceber porque é que aquele grupo estava tão entusiasmado em Bagdade, há 150 anos atrás.
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Texto original em Inglês: Celebrating the 150th Anniversary of Baha'u'llah's Declaration
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No dia 21 de Abril deste ano, a Comunidade Bahá’í vai celebrar o 150º aniversário do dia em que Bahá'u'lláh, fundador da Fé Bahá'í, anunciou em público pela primeira vez a Sua missão num jardim de Bagdade, dando origem assim à Comunidade Bahá’í que hoje compreende praticamente todos os grupos étnicos humanidade em mais de 200 países e territórios.
Num certo sentido, as festividades globais que envolvem pessoas de milhares de grupos étnicos são uma característica da mensagem central da Fé Bahá'í: chegou um momento de felicidade para toda a raça humana que gradualmente evolui de um estado de adolescência colectiva para uma fase de maturidade e plenitude. "Nós desejamos o bem do mundo e a felicidade das nações", disse Bahá'u'lláh para Edward Granville Browne, o académico da Universidade de Cambridge, que o entrevistou em 1890, "que os laços de afecto e união entre os filhos dos homens se fortaleçam... que mal há nisso?... essas lutas infrutíferas, essas guerras ruinosas hão de passar, e a «Mais Grandiosa Paz» virá". Estas palavras apresentam um esboço do objectivo dos ensinamentos de Bahá'u'lláh e do trabalho da comunidade Bahá’í nos dias de hoje.
Mirzá Husayn Ali era um seguidor proeminente da religião Bábí que teve inicio em Shiraz, Pérsia, 19 anos antes; era conhecido pelos membros desta comunidade por "Bahá'u'lláh" (uma expressão árabe que significa "Glória de Deus"). Um dos ensinamentos centrais da religião Bábí era a expectativa do iminente aparecimento de outro Mensageiro Divino que iria cumprir muitas das promessas implícitas na religião - não diferentes das expectativas no Hinduísmo, Judaísmo, Budismo, Zoroastrismo, Cristianismo e Islamismo a respeito de um tempo futuro de cumprimento e realização.
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| Santuário de Bahá'u'lláh, no norte de Acre, na Terra Santa (clique na imagem para ampliar) |
Em 21 de Abril de 1863, quando estava prestes a ser exilado de Bagdade para Constantinopla, Bahá'u'lláh permaneceu durante 12 dias num jardim em Bagdade, conhecido como "Jardim de Ridván (Paraíso)" e foi aqui que Ele deu a conhecer aos membros da comunidade Bábí ali reunida que Ele era o prometido eles aguardavam.
Este foi um momento de grande alegria para o Bábís, que tinham sofrido nos anos anteriores a execução do fundador da sua religião (conhecido como "O Báb") e o massacre de mais de 20 mil membros da sua comunidade. Uma das pessoas presentes no jardim Ridván deixou um relato da cena que descreve o sentimento da ocasião:
"Todos os dias, antes da hora da madrugada, os jardineiros iria colher as rosas que eram alinhadas ao longo das quatro alamedas do jardim, e empilhadas no centro do chão da Sua tenda (de Bahá'u'lláh). Tão grande era o amontoado que quando os Seus companheiros se reuniram para beber o chá da manhã na Sua presença, não eram capazes de se ver uns aos outros através deste."
Bahá'u'lláh descreveu esta ocasião como "O Mais Grandioso Festival", o "Rei dos Festivais", e o "Festival de Deus". Os Bahá’ís comemoram o primeiro (21 de Abril), o nono (29 de Abril) e o último dia (02 de Maio) dos 12 dias do Festival Ridván como dias sagrados e sempre que possível não trabalham nessas ocasiões. O significado de cada um é o seguinte: o primeiro dia de Ridván é quando Bahá'u'lláh entrou no jardim e anunciou a Sua missão; o nono é quando Sua família se juntou a Ele; e foi no décimo-segundo que Ele abandonou o jardim e continuou a viagem de exílio para Constantinopla.
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| Um "Taj" (chapéu) usado por Bahá'u'lláh (clique na imagem para ampliar) |
Nos anos seguintes a este anúncio para um pequeno grupo de Bábís no jardim Ridván, e apesar das limitações impostas por ser um prisioneiro e exilado, Bahá'u'lláh escreveu aos governantes do mundo daquela época e delineou um plano para a paz unificação da raça humana. Foram escritas cartas para Napoleão III de França, o Kaiser Guilherme I da Alemanha, a Rainha Vitória da Inglaterra, o Sultão Abdul-Aziz, o Papa Pio IX e outros. Apesar de ter sido ignorado na época, algumas das ideias nestas cartas foram parcialmente implementadas algumas gerações mais tarde, pelo Presidentes dos EUA Woodrow Wilson e Franklin D. Roosevelt, logo após a Primeira e Segunda Guerras Mundiais.
É sempre benéfico para pessoas com, ou sem, formação religiosa saber mais sobre os Fundadores de sistemas religiosos do mundo, pois esse conhecimento permite entender melhor as suas próprias crenças, e também relacionar-se com os outros. Os leitores perceberão que aprender sobre Bahá'u'lláh é particularmente fascinante, porque Ele, além de reafirmar os ensinamentos morais essenciais de todas as grandes religiões mundiais, também escreveu sobre questões globais e sociais, actuais e futuras, como a diplomacia, a segurança colectiva, o papel dos meios de comunicação, a língua internacional, os problemas económicos, a vida em outros lugares do universo, a medicina, os sonhos, o meio-ambiente, a energia, a governação global, a agricultura, educação e muitos outros.
Se você nunca leu escrituras de Bahá'u'lláh, talvez possa descobrir que uma maneira muito agradável para passar os belos dias da primavera entre 21 de Abril a 02 de Maio deste ano é saborear um chá da manhã (ou um café ou qualquer bebida matinal à sua escolha), junto a um monte de rosas e com algumas obras de Bahá'u'lláh, para perceber porque é que aquele grupo estava tão entusiasmado em Bagdade, há 150 anos atrás.
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Texto original em Inglês: Celebrating the 150th Anniversary of Baha'u'llah's Declaration
terça-feira, 22 de abril de 2008
Uma mensagem de Pervez Musharraf
Acontece, com cada vez mais regularidade, que Presidentes, Monarcas e Chefes de Governo felicitem a Comunidade Baha’i por ocasião dos seus dias festivos. Acontece no Naw-Ruz (o Ano novo) e também acontece no Ridvan (que celebramos durantes estes dias). Estas mensagens são considerados gestos de cortesia e reflectem um reconhecimento da importância que a Comunidade Baha’i atingiu nesse país.
Mas quando uma mensagem dessas vem de um chefe de Estado de um país maioritariamente muçulmano, então o facto é surpreendente. Segundo o jornal paquistanês The News, o Presidente Pervez Musharraf, enviou à comunidade Bahá'í do Paquistão uma mensagem de felicitações por ocasião do Festival de Ridvan que agora se comemora.
Na mensagem lia-se: "As minorias são um elemento sagrado para Paquistão. O fundador da nação afirmou este princípio na criação do Paquistão, dizendo que deve ser assegurada uma política de igualdade, liberdade e segurança para todas as comunidades".
O presidente Musharraf também afirmou que todas as religiões ensinam valores elevados, como a igualdade, a justiça social e os direitos humanos, tal como o Islão defende um tratamento justo e igualdade para todos. "O Ridvan é também uma oportunidade para nos lembrarmos e reafirmarmos o nosso empenho no trabalho duro em benefício da humanidade. Desejo um Ridvan muito feliz à comunidade Baha'i, em especial aos que vivem no Paquistão.”
A mensagem reflecte uma boa dose de coragem por parte do Presidente Musharraf. Recorde-se que a situação política do Paquistão é bastante instável e este acto poderá ser usado contra ele. Imagino que não faltarão vozes extremistas a denunciá-los como “amigo dos Bahá'ís”.
Mas quando uma mensagem dessas vem de um chefe de Estado de um país maioritariamente muçulmano, então o facto é surpreendente. Segundo o jornal paquistanês The News, o Presidente Pervez Musharraf, enviou à comunidade Bahá'í do Paquistão uma mensagem de felicitações por ocasião do Festival de Ridvan que agora se comemora.
Na mensagem lia-se: "As minorias são um elemento sagrado para Paquistão. O fundador da nação afirmou este princípio na criação do Paquistão, dizendo que deve ser assegurada uma política de igualdade, liberdade e segurança para todas as comunidades".
O presidente Musharraf também afirmou que todas as religiões ensinam valores elevados, como a igualdade, a justiça social e os direitos humanos, tal como o Islão defende um tratamento justo e igualdade para todos. "O Ridvan é também uma oportunidade para nos lembrarmos e reafirmarmos o nosso empenho no trabalho duro em benefício da humanidade. Desejo um Ridvan muito feliz à comunidade Baha'i, em especial aos que vivem no Paquistão.”
A mensagem reflecte uma boa dose de coragem por parte do Presidente Musharraf. Recorde-se que a situação política do Paquistão é bastante instável e este acto poderá ser usado contra ele. Imagino que não faltarão vozes extremistas a denunciá-los como “amigo dos Bahá'ís”.
terça-feira, 1 de maio de 2007
Ridvan (3)
TRÊS ANÚNCIOS
Numa epístola escrita alguns anos após o exílio em Bagdade, Bahá'u'lláh declarou que no primeiro dia de Ridvan foram feitos três anúncios. O primeiro proibia a guerra para expandir ou defender a fé. A guerra santa (jihad) tinha sido permitida no Islão e sob certas condições nas leis reveladas pelo Báb. O segundo sustentava que não apareceria outro Profeta enquanto não se completassem mil anos. O terceiro anúncio tinha um carácter místico e poético: afirmava que nesse momento os Nomes de Deus manifestavam-se plenamente em todas as coisas.
Alguns autores sugerem que nestes três anúncios Bahá'u'lláh faz uma proclamação implícita da sua Missão como Manifestante. Na minha opinião, nestes três anúncios percebe-se o surgimento de uma nova religião. Há alguém numa comunidade cuja autoridade e prestígio é reconhecido e que proclama novas leis e ensinamentos. Assim, parece natural que os dois primeiros anúncios antecipem leis que ficaram registados no Kitab-i-Aqdas; o terceiro anúncio repete-se em vários textos revelados pelo fundados da religião bahá’í:
Numa epístola escrita alguns anos após o exílio em Bagdade, Bahá'u'lláh declarou que no primeiro dia de Ridvan foram feitos três anúncios. O primeiro proibia a guerra para expandir ou defender a fé. A guerra santa (jihad) tinha sido permitida no Islão e sob certas condições nas leis reveladas pelo Báb. O segundo sustentava que não apareceria outro Profeta enquanto não se completassem mil anos. O terceiro anúncio tinha um carácter místico e poético: afirmava que nesse momento os Nomes de Deus manifestavam-se plenamente em todas as coisas.
Alguns autores sugerem que nestes três anúncios Bahá'u'lláh faz uma proclamação implícita da sua Missão como Manifestante. Na minha opinião, nestes três anúncios percebe-se o surgimento de uma nova religião. Há alguém numa comunidade cuja autoridade e prestígio é reconhecido e que proclama novas leis e ensinamentos. Assim, parece natural que os dois primeiros anúncios antecipem leis que ficaram registados no Kitab-i-Aqdas; o terceiro anúncio repete-se em vários textos revelados pelo fundados da religião bahá’í:
"Aquele que é o Desejo das Nações derramou sobre os reinos do invisível e visível o esplendor da luz dos Seus Mais Excelsos Nomes, e os envolveu com o brilho dos luminares dos Seus mais graciosos favores - favores que ninguém pode avaliar salvo Ele"De certa forma a chegada de Bahá'u'lláh ao Jardim de Ridvan assinala um momento de viragem na história da religião bahá’í. Não é só a revelação de um segredo a algumas pessoas que o torna relevante; é todo o relacionamento entre a Humanidade e o Criador que entra numa nova fase.
domingo, 29 de abril de 2007
Ridvan (2)
O MOMENTO DA REVELAÇÃO
Como já escrevi em posts anteriores, durante o Festival de Ridvan os Bahá’ís celebram a declaração de Bahá'u'lláh feita em 1863, quando Ele anunciou a Sua missão profética. Sobre o momento exacto da Declaração feita pelo fundador da religião Bahá'í, Shoghi Effendi escreveu:
A filha de Bahá'u'lláh, Bahiyyih Khanum, porém, terá dito que Bahá'u'lláh nesse dia anunciou a Sua missão em privado a 'Abdu'l-Bahá e outras quatro pessoas. De acordo com o seu relato, “Ele ordenou-lhes que mantivessem segredo pois ainda não tinha chegado o momento de uma declaração pública; mas havia motivos que O levavam a pensar que era necessário fazer aquela revelação apenas para alguns”[3]. Devido ao carácter reservado do anúncio, a que a maioria dos Babis (incluindo os que estavam exilados com Bahá'u'lláh) apenas tomaram conhecimento da Sua declaração alguns anos mais tarde, durante o exílio em Adrianópolis.
Independentemente das circunstâncias em que este anúncio ocorreu, nas escrituras de Bahá'u'lláh reveladas durante o exílio em Bagdade é possível identificar excertos que sugerem de forma implícita que Ele era o Manifestante prometido pelo Báb.
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NOTAS
[1] - Um meio-irmão de Bahá'u'lláh que era considerado líder dos Babis.
[2] - Presença de Deus, Cap. 9
[3] - The Master in Akka, p. 39
Como já escrevi em posts anteriores, durante o Festival de Ridvan os Bahá’ís celebram a declaração de Bahá'u'lláh feita em 1863, quando Ele anunciou a Sua missão profética. Sobre o momento exacto da Declaração feita pelo fundador da religião Bahá'í, Shoghi Effendi escreveu:
"Sobre as circunstâncias exactas que rodearam esta declaração histórica, estamos, infelizmente, pouco informados. As palavras pronunciadas por Bahá'u'lláh nessa ocasião, a forma como apresentou a Sua declaração, a reacção que esta produziu, o impacto causado em Mirza Yahyá[1], a identidade daqueles que tiveram o privilégio de ouvir Bahá'u'lláh, tudo está envolto numa obscuridade que os historiadores futuros terão dificuldade em discernir"[2]Dos escassos relatos que existem, destacam-se dois testemunhos de familiares de Bahá'u'lláh. 'Abdu'l-Bahá afirmou que na tarde da Sua chegada ao jardim de Ridvan, Bahá'u'lláh revelou ser "Aquele que Deus tornará Manifesto" (o Profeta prometido pelo Báb).
A filha de Bahá'u'lláh, Bahiyyih Khanum, porém, terá dito que Bahá'u'lláh nesse dia anunciou a Sua missão em privado a 'Abdu'l-Bahá e outras quatro pessoas. De acordo com o seu relato, “Ele ordenou-lhes que mantivessem segredo pois ainda não tinha chegado o momento de uma declaração pública; mas havia motivos que O levavam a pensar que era necessário fazer aquela revelação apenas para alguns”[3]. Devido ao carácter reservado do anúncio, a que a maioria dos Babis (incluindo os que estavam exilados com Bahá'u'lláh) apenas tomaram conhecimento da Sua declaração alguns anos mais tarde, durante o exílio em Adrianópolis.
Independentemente das circunstâncias em que este anúncio ocorreu, nas escrituras de Bahá'u'lláh reveladas durante o exílio em Bagdade é possível identificar excertos que sugerem de forma implícita que Ele era o Manifestante prometido pelo Báb.
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NOTAS
[1] - Um meio-irmão de Bahá'u'lláh que era considerado líder dos Babis.
[2] - Presença de Deus, Cap. 9
[3] - The Master in Akka, p. 39
sábado, 21 de abril de 2007
Ridvan (1)
Inicia-se hoje o Festival de Ridvan (em português, "Rizvan"). Trata-se de um período de 12 dias em que os bahá'ís celebram o momento em que Bahá'u'lláh anunciou pela primeira vez a Sua missão divina. O evento ocorreu em Bagdade, em 1863, imediatamente antes de Bahá'u'lláh, Sua família e alguns companheiros partirem para um novo exílio em Istambul.
O primeiro, o nono e o último dia deste Festival são dias sagrados; actualmente, os baha’is aproveitam este Festival para eleger as suas Assembleias Espirituais (os órgãos que administram as comunidades locais e nacionais).
O FIM DO EXÍLIO EM BAGDADE
Ao longo de dez anos de exílio em Bagdade, Bahá'u'lláh foi estabelecendo relações cordiais e de amizade com muitas e diversificadas pessoas daquela capital provincial otomana. Funcionários do governo, clérigos, peregrinos persas e muitos cidadãos comuns. Também se tinha tornado um líder da comunidade Babí (os seguidores do Báb).
Mas Bagdade, tão perto da fronteira iraniana e de santuários xiitas (Najaf e Kerbala), residência de exilados políticos iranianos e local de passagem de peregrinos persas era um antro de intriga política. Temendo que Bahá'u'lláh usasse a Sua influência e prestigio para ameaçar o governo persa, o Embaixador em Istambul (Mushiru'd-Dawlih) começou a pressionar o Governo Otomano para que aquele Exilado fosse levado para um local mais distante. Como fruto dessas pressões, o Grão Vizir ('Ali Pasha) e o Ministro dos Negócios Estrangeiros (Fu'ad Pasha) decidiram convocar Bahá'u'lláh à capital do Império. A convocação foi feita na forma de um convite cordial.
Ao receber o documento de convocação, o governador do Iraque (Namiq Pasha) ficou relutante em entregá-lo a Bahá'u'lláh; também ele não escondia a sua simpatia e admiração por aquele Exilado. Por fim, o peso da autoridade do governo imperial levou-o a chamar Bahá'u'lláh à sede do governo provincial; dois dias mais tarde, encontrou-se com Bahá'u'lláh; o líder Babí concordou imediatamente em viajar para Istambul, com a família e alguns companheiros.
As semanas seguintes foram muito atarefadas. Enquanto se faziam os preparativos para a viagem, Bahá'u'lláh ia recebendo muitos visitantes (por vezes, revelando epístolas para alguns deles). Foi então que Bahá'u'lláh decidiu instalar-se no jardim de Najibiyyih (que ficaria conhecido como Ridvan), do outro lado do rio, recebendo aí os visitantes e dando à Sua família a tranquilidade necessária para preparar a viagem.
Em 22 de Abril de 1863, Bahá'u'lláh abandonou definitivamente a Sua casa em Bagdade. Caminhou pelas ruas acompanhado pelos Seus filhos, pelo Seu secretário (Mirza Aqa Jan), uma multidão de amigos, simpatizantes e curiosos e dirigiu-Se ao rio Tigre, onde um pequeno barco O levou até ao jardim. Chegou ao jardim a meio da tarde e durante os 11 dias seguintes ali recebeu as despedidas de vários amigos a simpatizantes, incluindo do próprio Governador.
Doze dias após a chegada ao jardim, chegara o momento da partida. Nesse dia, o jardim estava apinhado de gente para as despedidas finais. Ao final da tarde a comitiva pôs-se em movimento, entre manifestações de afecto e dor. Começaram por fazer uma pequena viagem de cinco quilómetros ao longo do rio, até Firayjat. Aí aguardaram durante uma semana que Mirza Musa, o irmão de Bahá'u'lláh se juntasse a eles. Também durante esses dias, as visitas eram constantes.
Finalmente, no dia 9 de Maio, iniciaram uma viagem de três meses que os levaria a Istambul.
O primeiro, o nono e o último dia deste Festival são dias sagrados; actualmente, os baha’is aproveitam este Festival para eleger as suas Assembleias Espirituais (os órgãos que administram as comunidades locais e nacionais).
O FIM DO EXÍLIO EM BAGDADE
Ao longo de dez anos de exílio em Bagdade, Bahá'u'lláh foi estabelecendo relações cordiais e de amizade com muitas e diversificadas pessoas daquela capital provincial otomana. Funcionários do governo, clérigos, peregrinos persas e muitos cidadãos comuns. Também se tinha tornado um líder da comunidade Babí (os seguidores do Báb).
Mas Bagdade, tão perto da fronteira iraniana e de santuários xiitas (Najaf e Kerbala), residência de exilados políticos iranianos e local de passagem de peregrinos persas era um antro de intriga política. Temendo que Bahá'u'lláh usasse a Sua influência e prestigio para ameaçar o governo persa, o Embaixador em Istambul (Mushiru'd-Dawlih) começou a pressionar o Governo Otomano para que aquele Exilado fosse levado para um local mais distante. Como fruto dessas pressões, o Grão Vizir ('Ali Pasha) e o Ministro dos Negócios Estrangeiros (Fu'ad Pasha) decidiram convocar Bahá'u'lláh à capital do Império. A convocação foi feita na forma de um convite cordial.
Ao receber o documento de convocação, o governador do Iraque (Namiq Pasha) ficou relutante em entregá-lo a Bahá'u'lláh; também ele não escondia a sua simpatia e admiração por aquele Exilado. Por fim, o peso da autoridade do governo imperial levou-o a chamar Bahá'u'lláh à sede do governo provincial; dois dias mais tarde, encontrou-se com Bahá'u'lláh; o líder Babí concordou imediatamente em viajar para Istambul, com a família e alguns companheiros.
As semanas seguintes foram muito atarefadas. Enquanto se faziam os preparativos para a viagem, Bahá'u'lláh ia recebendo muitos visitantes (por vezes, revelando epístolas para alguns deles). Foi então que Bahá'u'lláh decidiu instalar-se no jardim de Najibiyyih (que ficaria conhecido como Ridvan), do outro lado do rio, recebendo aí os visitantes e dando à Sua família a tranquilidade necessária para preparar a viagem.
Em 22 de Abril de 1863, Bahá'u'lláh abandonou definitivamente a Sua casa em Bagdade. Caminhou pelas ruas acompanhado pelos Seus filhos, pelo Seu secretário (Mirza Aqa Jan), uma multidão de amigos, simpatizantes e curiosos e dirigiu-Se ao rio Tigre, onde um pequeno barco O levou até ao jardim. Chegou ao jardim a meio da tarde e durante os 11 dias seguintes ali recebeu as despedidas de vários amigos a simpatizantes, incluindo do próprio Governador.
Doze dias após a chegada ao jardim, chegara o momento da partida. Nesse dia, o jardim estava apinhado de gente para as despedidas finais. Ao final da tarde a comitiva pôs-se em movimento, entre manifestações de afecto e dor. Começaram por fazer uma pequena viagem de cinco quilómetros ao longo do rio, até Firayjat. Aí aguardaram durante uma semana que Mirza Musa, o irmão de Bahá'u'lláh se juntasse a eles. Também durante esses dias, as visitas eram constantes.
Finalmente, no dia 9 de Maio, iniciaram uma viagem de três meses que os levaria a Istambul.
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