Por Tom Tai-Seale.
Onde devemos procurar Deus? De certa forma, a resposta é: em qualquer lugar.
Na sua obra "Da Verdadeira Religião" (De vera religione), Santo Agostinho reconheceu claramente que há vestígios de Deus em tudo. Como poderia ser diferente, se Deus é o Criador de tudo? O Antigo Testamento proclama: "Toda a terra está cheia da sua glória" (Isaías 6:3). O Novo Testamento anuncia que Deus pode ser "compreendido pelas coisas criadas" (Romanos 1:20). Da mesma forma, o Alcorão declara: "A Deus pertencem o Oriente e o Ocidente; para onde quer que vos volteis, aí está a face de Deus; Deus é Omnipresente, Omnisciente" (2:109). E o Bhagavad Gita afirma: "O Senhor está em todo o lado e é sempre perfeito" (6:37).
As primeiras religiões começaram provavelmente com o reconhecimento de que havia uma força vital (Deus) em tudo. Esta ideia, chamada panteísmo, contém um elemento de profunda verdade. Não é uma conquista pequena ver Deus em tudo. As Escrituras Bahá'ís explicam:
A existência realiza-se e torna-se possível pela graça de Deus, tal como o raio ou a chama que emana desta lâmpada se realiza pela graça da lâmpada de onde é originária. Da mesma forma, todos os fenómenos se realizam pela graça divina, e a explicação da verdadeira afirmação e princípio panteísta é que os fenómenos do universo encontram realização através do único poder que anima e domina todas as coisas; e todas as coisas são apenas manifestações da sua energia e graça. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 286)
Embora a maioria das novas religiões rejeite o panteísmo, porque Deus não está "dentro" nem "fora" de nada, todas as grandes religiões ensinam que tudo emana da vontade de Deus.
Mas, embora a generosidade de Deus sustente e crie tudo, a medida da divindade refletida em cada coisa está condicionada pela sua capacidade, dignidade e mérito intrínseco. Os minerais refletem a glória de Deus na medida da sua capacidade. As plantas e os animais reflectem os atributos de Deus de acordo com as suas diversas capacidades; e as pessoas reflectem ainda mais o esplendor de Deus. Mas existem reinos acima do nosso, onde ainda mais da glória de Deus se pode reflectir, e estes devem ser tão misteriosos para nós como nós somos para os animais, ou os animais para as plantas. Então, onde devemos procurar para encontrar Deus?
Toda as grandes religiões nos pedem que comecemos por olhar para a própria criação.
Qualquer pessoa que já tenha passado algum tempo perto do oceano, numa floresta imponente ou numa montanha acidentada, experimentou a admiração e a beleza que Deus infundiu na natureza. Como a nossa humanidade é fundamentalmente espiritual, e como a própria natureza humana provém das nossas origens na Terra, as nossas almas gravitam no mundo natural.
Talvez seja por isso que muitas vezes nos sentimos tão carentes da natureza e da sua beleza – a maioria de nós vive em ambientes urbanos ou suburbanos onde o mundo natural foi subjugado, pavimentado e domesticado. Organizamos as nossas vidas de forma que, muitas vezes, incluam muito pouco da criação de Deus. Nas nossas cidades, à noite, mal conseguimos ver o vasto céu estrelado por cima de nós. Muitos de nós não experimentamos nada além do ambiente construído à nossa volta todos os dias, com casas, centros comerciais, estradas e arranha-céus a obscurecer o solo fértil onde as coisas costumavam crescer livremente. Os nossos filhos têm aquilo a que os cientistas começaram recentemente a chamar de “perturbação de défice de natureza”, a grave falta de qualquer ligação com o ambiente natural orgânico. E todo este cimento, asfalto, aço e vidro pode privar-nos de algo ainda mais importante – a nossa crença num Criador.
Aqueles que estudam a história da religião comparada descobriram que as populações urbanas têm uma probabilidade muito menor de se identificarem com um determinado sistema de crenças ou filiação religiosa do que as populações rurais. Os investigadores costumavam acreditar que estas diferenças podiam ser atribuídas a diferenças educacionais – mas mesmo quando o nível de escolaridade é igual, as pessoas que vivem mais perto da terra e do ambiente natural tendem a ter uma crença mais forte e activa numa Força Criadora no universo.
Portanto, o primeiro lugar para procurar Deus é lá fora. Vá a algum lugar onde possa realmente sentir e compreender o mundo natural, e refletir e meditar sobre quem o criou.
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Texto Original: Looking For God in Nature (www.bahaiteachings.org)
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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas AM University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahá’í: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press.



