sábado, 21 de fevereiro de 2026

Será que eu tenho uma alma?

Por David Langness.

A crença consiste em aceitar as afirmações da alma; a descrença, em negá-las. (Ralph Waldo Emerson)

          A vida é real! A vida é séria!
          E o túmulo não é o seu fim,
          És pó e ao pó voltarás,
          Não falava da alma.
          (Henry Wadsworth Longfellow)

O homem não possui um corpo distinto da sua alma; pois aquilo a que chamamos corpo é uma porção da alma, percebida pelos cinco sentidos, as principais vias de acesso da alma nesta era. (William Blake)

Qual é a crença humana mais antiga, mais persistente e mais profunda? É a existência de uma alma imortal.

A maioria dos grandes poetas e filósofos acreditava profundamente na alma humana. E você?

Se pensa assim, saiba que não está sozinho. Muitos antropólogos teorizam que a ideia de alma remonta a mais de 200.000 anos, praticamente na mesma altura em que acreditam que a consciência humana começou a surgir. Assim que desenvolvemos linguagem, acreditam os antropólogos, os humanos começaram a expressar o conceito de alma por palavras.

Nessa altura da história humana primitiva, a nossa raça viveu uma explosão cultural, expressa na arte, no vestuário, na linguagem e nos primórdios da religião. Pintávamos grutas, ornamentávamo-nos com símbolos, decorávamos os nossos túmulos com figuras e representações religiosas e, claramente, começávamos a pensar de forma abstrata. Nessa fase do nosso desenvolvimento, tínhamos ultrapassado as necessidades de alimentação e abrigo e começado a utilizar o nosso tempo livre, os nossos impulsos criativos e a nossa capacidade intelectual inexplorada para transcender o meramente físico e começar a contemplar o espiritual.

Mas como surgiu a ideia de uma alma imortal, ou qualquer tipo de espiritualidade humana?

Provavelmente surgiu com o mistério da morte.

Ao contrário de qualquer animal, os seres humanos têm a capacidade de projectar as suas mentes para o futuro e contemplar a própria morte. Assim que soubemos que podíamos morrer, teorizaram os cientistas, começámos a compreender e a acreditar que alguma parte inata de nós continuava a existir. Este espírito ou alma imortal, exemplificado nas primeiras pinturas rupestres e nas inscrições simbólicas em túmulos, emergiu naturalmente da nossa própria descoberta da consciência e da autoconsciência.

Talvez isto explique porque é que todas as culturas, mesmo hoje, têm algum conceito de alma ou espírito que sobrevive ao corpo. Não importa de onde vêm, os seres humanos parecem compelidos a verem-se como algo mais do que a soma das suas partes biológicas.

Pesquisas recentes mostram que entre 65% e 80% da população mundial acredita na existência da alma. Independentemente da religião ou da ausência dela, a grande maioria de nós aceita que algo espiritual, alguma essência interior inata que todos possuímos, nos anima enquanto os nossos corpos vivem e continua a existir após a nossa morte.

Naturalmente, a Fé Bahá’í, assim como todas as outras grandes religiões globais, partilha esta crença:

Enquanto o corpo se transforma de uma condição para outra, a alma permanece imutável. Por exemplo, a forma jovem do corpo humano envelhece, mas a alma permanece a mesma; o corpo enfraquece, mas a alma não; o corpo sofre alguma deficiência ou paralisia, mas a alma permanece inalterada. Quantas vezes um membro pode ser amputado do corpo, mas a alma permanece a mesma, nunca se altera. Portanto, enquanto o corpo sofre alterações, a alma não muda. E, por ser imutável, a alma é imortal. Pois o ponto crucial da mortalidade é a mudança e a transformação.

No mundo dos sonhos, o corpo humano jaz indefeso, sem forças; os olhos não vêem, os ouvidos não ouvem e o corpo não se mexe. Mas a alma vê, ouve, viaja e resolve problemas. Assim sendo, torna-se evidente que, com a morte do corpo, a alma não morre; com o falecimento do corpo, a alma não perece; quando o corpo dorme, a alma não dorme, antes, compreende e descobre coisas; voa e viaja.

O corpo pode estar aqui, mas a alma pode estar presente no Oriente ou no Ocidente. Enquanto está no Ocidente, trata das coisas do Oriente e, no Oriente, descobre as coisas do Ocidente. Organiza e dirige os assuntos vitais das nações. Enquanto o corpo está num só lugar, a alma viaja por diferentes países e continentes. Em Espanha, por exemplo, descobre a América. Assim, o poder e a influência que pertencem à alma estão ausentes no corpo. O corpo não vê, mas a alma vê e explora. Portanto, a sua vida não depende do corpo. (‘Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 9, pp. 307-308)

Nesta breve série de artigos, vamos explorar o conceito de alma e colocar as questões que todos se colocam sobre o seu espírito interior: Como posso provar que ela existe? Onde está ela? O que significa ela para a minha vida aqui neste universo físico? O que significa ela para a minha vida depois da morte?

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Texto original: Do You Have a Soul? (www.bahaiteachings.org

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Como é que uma comunidade religiosa pacífica resiste à repressão?

Por Caroline Fowler.


As diferenças absolutas entre a Fé Bahá’í e do regime nazi no que toca às perspectivas políticas e sociais são evidentes nas cartas da liderança da Fé à comunidade Bahá’í alemã.

Esta orientação - que respondeu directamente aos acontecimentos repressivos cada vez mais preocupantes que tiveram início da década de 1930 e eram dirigidos à comunidade Bahá’í alemã pelo regime nazi - pode ajudar-nos a compreender como reage uma comunidade religiosa pacífica à repressão.

Em 1934, Shoghi Effendi escreveu à Comunidade Bahá’í da Alemanha, respondendo às suas perguntas sobre como proceder sob o regime nazi no contexto da Fé. Na sua carta, Shoghi Effendi enfatizou a suprema importância da obediência e da paz, mas reconheceu que as políticas e ideias de Hitler "não podem ser totalmente reconciliadas" com a "filosofia Bahá'í de organização social e política".

O Guardião alertou ainda que a “onda de nacionalismo, tão agressiva e tão contagiosa”, que “varre não só a Europa, mas grande parte da humanidade”, contradiz fundamentalmente os ensinamentos Bahá’ís de “paz e fraternidade”. Advertiu ainda que “o mundo está cada vez mais perto de uma catástrofe universal” porque os governos estão a caminhar numa direcção extremista. Afirmou que, embora a obediência seja crucial, a crença e a prática da Fé não devem ser comprometidas de forma alguma, mesmo que isso possa resultar na morte. Aconselhou que os Bahá'ís:

...devem obedecer ao governo sob o qual vivem, mesmo correndo o risco de sacrificar todos os seus assuntos e interesses administrativos, e em caso algum devem permitir que as suas crenças e convicções religiosas mais íntimas sejam violadas e transgredidas por qualquer autoridade.

Em 1938, um ano após os nazis terem proibido a Fé Bahá’í na Alemanha, Shoghi Effendi escreveu aos Bahá’ís alemães (através do seu secretário) para delinear uma estratégia de resposta às autoridades locais alemãs e à Gestapo. Os Bahá’ís tinham escrito ao Guardião a pedir conselhos sobre como proceder depois de terem sido notificados de que as actividades Bahá’ís estavam proibidas e dos seus objectos religiosos terem sido confiscados permanentemente. Em resposta, o Guardião alertou os Bahá'ís alemães, particularmente na região de Estugarda, de que uma insubordinação contra o regime poderia "desagradar" à polícia secreta e que os seguidores deveriam "manter total silêncio e não insistir mais no seu caso ao dirigir qualquer apelo às autoridades de Estugarda ou de Berlim". O Guardião sugeriu, em vez disso, que, se viável e seguro, os seguidores deveriam "procurar novas formas de abordagem", contactando oficiais de alto de topo da Gestapo, considerando que a sua organização "é soberana na Alemanha de hoje".

Tal como na sua carta anterior, o Guardião terminou a sua mensagem dizendo que o mundo está a tornar-se cada vez mais tenso e dividido, instando as pessoas a "prepararem-se para desenvolvimentos ainda muito mais sérios".

Contudo, o Guardião afirmou que os Bahá’ís da Alemanha podiam estar "seguros e confiantes" na sua Fé e na promessa de 'Abdu'l-Bahá de um futuro brilhante para a sua comunidade. Ambas as cartas de Shoghi Effendi reflectem uma perspectiva de profunda preocupação e esperança, e serviram de guia aos Bahá’ís alemães sobre as atitudes pessoais e as suas actividades religiosas sob opressão. A fé inabalável patente nos textos de Shoghi Effendi estava também presente em muitos Bahá’ís alemães, especialmente naqueles que sofreram as consequências mais severas devido às suas crenças.

Lídia Zamenhof
Um exemplo da extrema perseguição que os Bahá’ís enfrentaram sob o regime nazi foi a prisão e execução de Lídia Zamenhof na Polónia controlada pelos nazis. Lídia, nascida em 1904 em Varsóvia, foi professora, escritora e tradutora, e envolveu-se com a Fé Bahá’í ainda jovem. Filha do oftalmologista de Varsóvia Zamenhof, criador do esperanto, a língua auxiliar universal, Lídia foi responsável pela tradução de vários textos essenciais da Fé Bahá’í e escrevia e viajava frequentemente para ensinar os princípios da Fé. Depois de ter passado algum tempo nos Estados Unidos com a comunidade Bahá’í americana, Zamenhof regressou à sua terra natal, a Polónia, em 1938, pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial. Após a invasão alemã da Polónia, a casa de Zamenhof foi bombardeada, e ela e a sua família foram presas.

Lídia passou cinco meses na prisão antes de ser enviada para o Gueto de Varsóvia. O seu tempo no gueto foi marcado pelas suas tentativas de conseguir alimentos e medicamentos para os mais vulneráveis. Ela recusou uma oferta de fuga de um soldado alemão Bahá’í, a fim de proteger os outros residentes do gueto das represálias nazis.

A recusa de Zamenhof em partir acabou por resultar no seu trágico fim, quando foi transportada num vagão de gado do Gueto de Varsóvia para Treblinka em 1942, onde foi morta na câmara de gás logo à chegada. Na sua última carta conhecida, ela escreveu: “… Sei que devo morrer, mas sinto que é meu dever permanecer com o meu povo. Deus permita que, dos nossos sofrimentos, possa surgir um mundo melhor. Acredito em Deus. Sou Bahá’í e morrerei Bahá’í. Tudo está nas Suas mãos.

Eva Toren, uma jovem conhecida de Zamenhof e sobrevivente de Treblinka, esteve com Lídia nas suas últimas horas. Enquanto os nazis gritavam e agrediam as suas vítimas, Toren descreveu Lídia como "caminhando majestosamente, direita, com orgulho, ao contrário da maioria das outras vítimas que estavam compreensivelmente em pânico". A história de Lídia Zamenhof é apenas um exemplo trágico das consequências que os Bahá’ís enfrentaram simplesmente por praticarem a sua Fé, mas as suas comunicações e conduta finais demonstram uma recusa absoluta em comprometer as suas crenças, sabendo que isso significaria a sua morte.

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Texto original: How Does a Peaceful Faith Community Resist Repression? (www.bahaiteachings.org)

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Caroline Fowler é natural de Austin, Texas. Está a fazer um doutoramento em Neurociência Comportamental na Universidade de Baylor. Recentemente, licenciou-se pelo Austin College, após ter concluído a sua tese de honra em neurociência. A sua investigação futura irá explorar a relação entre o cérebro e o sistema imunitário, especificamente no que diz respeito à fadiga e à depressão relacionadas com o cancro. Embora seja uma apaixonada pela ciência, tem um profundo amor pela história, com particular ênfase na Europa de Leste e na Alemanha.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Glenford E. Mitchell (1935–2026)


Glenford E. Mitchell, antigo membro da Casa Universal de Justiça, faleceu no passado dia 7 de fevereiro de 2026 em Decatur, Geórgia, Estados Unidos. Tinha 90 anos.

A Casa Universal de Justiça enviou a seguinte mensagem a todas as Assembleias Espirituais Nacionais.

* * *

O falecimento de Glenford E. Mitchell priva o mundo Bahá'í de um ilustre, realizado e profundamente espiritual servo de Bahá'u'lláh. Com corações pesarosos, lamentamos profundamente a perda do nosso querido ex-colega, recordando com pesar a sua profunda capacidade de discernimento e o seu invulgar bom senso, aliados a um domínio excepcional da linguagem — uma combinação de qualidades raras que respondeu a tantas exigências durante a sua actividade como membro da Casa Universal de Justiça. Este período, que se estendeu por mais de um quarto de século, coroou uma vida inteira de serviço e seguiu-se a catorze anos em que ocupou o cargo de Secretário da Assembleia Espiritual Nacional dos Estados Unidos. Durante a sua vida, os seus dons de carácter, competência e compreensão serviram-lhe bem como jornalista, autor e educador inspirador para jovens. Desde cedo, o seu coração e a sua mente foram galvanizados pelos escritos do amado Guardião e pela visão que estes encapsulavam de uma nova Ordem Mundial, baseada na justiça e funcionando segundo o princípio fundamental da unidade da humanidade. A esta visão luminosa, consagrada na Revelação de Bahá'u'lláh, ele dedicou toda a sua vida.

Apresentamos as nossas condolências à sua querida esposa, Bahia, e à sua filha, Tarissa, pela sua perda, e asseguramos-lhes as nossas súplicas para que a sua nobre alma receba um acolhimento jubiloso no reino eterno. Os amigos de todo o mundo são convidados a realizar reuniões memoriais dignas em sua honra, incluindo em todas as Casas de Adoração.

A Casa Universal de Justiça

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FONTE: Glenford E. Mitchell, 1935–2026 (BWNS)

sábado, 7 de fevereiro de 2026

De onde vem a Sabedoria dos Filósofos?

Por David Langness.


Alguma vez se perguntou de onde é que os filósofos obtiveram a sua sabedoria? Quando leio Aristóteles ou Sócrates, fico impressionado — as suas ideias ainda hoje parecem actuais e relevantes.

É claro que a cultura ocidental tem as suas raízes tradicionais naqueles grandes gregos, os filósofos da liberdade. Na maioria das descrições do crescimento e da evolução do pensamento ocidental, eles são as sementes que germinaram a planta que se tornou a árvore de toda a cultura. A sua sabedoria, percepção e profunda compreensão do espírito humano deram origem à forma como pensamos, como agimos uns com os outros e como vemos o mundo.

Por exemplo:

Considero mais corajoso aquele que supera os seus desejos do que aquele que conquista os seus inimigos; pois a vitória mais difícil é sobre si mesmo. (Aristóteles)

Aquele que é ofendido não deve retribuir a injúria, pois de modo algum pode ser correcto cometer uma injustiça; e não é correcto retribuir uma ofensa ou fazer mal a qualquer homem, por mais que tenhamos sofrido com ele. (Sócrates)

Em termos de pura compreensão da natureza humana, os antigos filósofos gregos — Platão, Sócrates, Aristóteles, Plínio, Galeno e outros — tiveram um enorme impacto na sua época, e até nos dias de hoje. Alguns afirmam que toda a estrutura da cultura ocidental foi construída com base nas suas percepções. O grande estudioso e filósofo contemporâneo Alfred North Whitehead afirmou: "A caracterização geral mais segura da tradição filosófica europeia é que ela consiste numa série de notas de rodapé de Platão".

Se traçarmos a influência histórica dos filósofos gregos clássicos, descobriremos que estes fizeram uma série notável de contribuições para a filosofia islâmica primitiva, depois para o Renascimento europeu e para o Iluminismo, e, por fim, para a nossa cultura moderna. Baseamos grande parte da nossa governação, da nossa ciência e do nosso modo de vida básico na filosofia grega clássica.

Então, de onde é que os antigos filósofos gregos obtiveram as suas ideias incríveis, férteis, profundamente sábias e duradouras? Eram inteiramente originais, embora poucas ideias o sejam? Ou os gregos incluíram no seu pensamento ideias de outros?

Muitos estudiosos do período chegaram à conclusão de que a base conceptual da filosofia grega era proveniente do Oriente. Um dos mais respeitados estudiosos modernos da área, Martin Litchfield West, de Oxford, escreveu um livro baseado numa extensa investigação sobre o tema, intitulado "A Face Oriental de Helicon: Elementos Asiáticos Ocidentais na Poesia e nos Mitos Gregos". O livro de West concluiu que houve uma longa e rica interacção entre as culturas grega e romana no período pré-cristão e os profetas e praticantes do judaísmo do Oriente:

O contacto com a cosmologia e a teologia orientais ajudou a libertar a imaginação dos primeiros filósofos gregos; deu-lhes certamente muitas ideias sugestivas…

Esta conclusão fascinante – que ainda é tema de intenso debate entre os historiadores – subverte uma boa parte do pensamento ocidental tradicional. E se os fundamentos e as raízes da cultura ocidental remontassem a um passado anterior aos gregos?

Os ensinamentos Bahá’ís afirmam claramente que sim:

Em verdade, os filósofos não negaram o Ancião de Dias... Considerai Hipócrates, o médico. Foi um dos filósofos eminentes que acreditavam em Deus e reconheciam a Sua soberania. Depois dele, veio Sócrates, que, de facto, era sábio, talentoso e honrado. Praticava a abnegação, reprimia as inclinações por desejos egoístas, e afastava-se dos prazeres materiais. Retirou-se para as montanhas, onde morava numa caverna. Dissuadiu os homens de adorar ídolos e ensinou-lhes o caminho de Deus, o Senhor da Misericórdia, até que os ignorantes se levantaram contra ele. Prenderam-no e mataram-no na prisão. Assim te relata esta Pena veloz. Que visão penetrante na filosofia este homem eminente possuía! Ele é o mais distinto entre todos os filósofos e era altamente versado em sabedoria. Testemunhamos que ele é um dos heróis neste campo e um defensor excepcional, dedicado a ela. Ele tinha um conhecimento profundo das ciências correntes entre os homens, bem como daquelas que estavam veladas das suas mentes. Parece-Me que ele bebeu uma porção quando o Mais Grandioso Oceano transbordava de águas cintilantes e vivificadoras. Foi ele que se apercebeu de uma natureza única, temperada e abrangente nas coisas, que se assemelha muito ao espírito humano, e descobriu que esta natureza era distinta da substância das coisas na sua forma refinada. Tem uma declaração especial sobre este importante tema…

Depois de Sócrates veio o divino Platão, que foi aluno do primeiro e ocupou a cátedra da filosofia como seu sucessor. Ele reconheceu a sua crença em Deus e nos Seus sinais que impregnam tudo o que foi e será. Depois veio Aristóteles, o célebre homem de conhecimento. Foi ele que descobriu o poder da matéria gasosa. Estes homens, que se destacam como líderes do povo e são preeminentes entre eles, reconheceram todos a sua crença no Ser imortal que detém nas Suas mãos as rédeas de todas as ciências. (Bahá’u’lláh, Epístola da Sabedoria, ¶28-¶29)

Os ensinamentos Bahá’ís elogiam os filósofos gregos clássicos em diversas ocasiões e realçam também que se inspiraram no Oriente. Sobre este tema, ‘Abdu’l-Bahá cita as histórias do Oriente:

Está registado nas histórias do oriente que Sócrates viajou para a Palestina e para a Síria e aí, com homens versados nas coisas de Deus, adquiriu certas verdades espirituais; que, ao regressar à Grécia, promulgou duas crenças: uma, a unidade de Deus, e a outra, a imortalidade da alma após a separação do corpo; que estes conceitos, tão estranhos ao seu pensamento, causaram grande comoção entre os Gregos, até que, por fim, o envenenaram e mataram.

E isso é autêntico; pois os gregos acreditavam em muitos deuses, e Sócrates estabeleceu o facto de que Deus é uno, o que obviamente entrava em conflito com as crenças gregas. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, p. 54)

Devemos muito a Sócrates e à filosofia que nos legou, mas talvez esta dívida seja, na verdade, para com Abraão e Moisés, os verdadeiros fundadores das verdades espirituais em que baseamos as nossas civilizações.

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Texto original: Where Do Philosophers Get their Wisdom? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 31 de janeiro de 2026

Morte, Funeral e Natureza Humana

Por David Langness.


Quando era criança, vi um filme antigo que me fez reflectir profundamente sobre a morte. Chamava-se "On Borrowed Time" (“Tempo Emprestado”), e apresentava uma nova versão de uma antiga fábula grega sobre a Morte presa numa árvore, incapaz de realizar o seu trabalho.

É necessário ver o filme para perceber todo o seu impacto, mas vou resumir: basicamente, para salvar o seu amado avô, um rapaz engana o Sr. Brink – também conhecido como Ceifador, Morte, Tânatos – fazendo-o subir a uma árvore que o aprisiona.

Consequentemente, em todo o lado, as pessoas param de morrer.

Alerta spoiler: o rapaz depressa percebe que a morte é uma parte essencial da vida e que impedi-la significa prolongar o sofrimento de milhões e atrasar o progresso do mundo – e de cada alma individual.

A morte, no fundo, é essencial para a vida. A vida depende da morte, desenhando um ciclo que se repete desde sempre.

Talvez este filme me tenha ajudado a conhecer a Fé Bahá’í, que descobri e comecei a investigar alguns anos mais tarde, na adolescência. Os ensinamentos de Bahá’u’lláh sobre a vida e a morte tocaram-me profundamente assim que os ouvi:

  • A primeira vida, que pertence ao corpo elementar, terminará, como foi revelado por Deus: “Toda a alma provará a morte”. Mas a segunda vida, que provém do conhecimento de Deus, não conhece a morte...
  • Ó Filho da Mundanidade! Agradável é o reino do ser, se o alcançares; glorioso é o domínio da eternidade, se ultrapassares o mundo da mortalidade; doce é o êxtase sagrado se beberes do cálice místico… Se alcançares esta posição, serás libertado da destruição e da morte, do trabalho e do pecado.
  • ...a verdadeira vida não é a vida da carne, mas a vida do espírito. Pois a vida da carne é comum tanto aos homens como aos animais, enquanto a vida do espírito é possuída apenas pelos puros de coração que beberam do oceano da fé e provaram do fruto da certeza. Esta vida não conhece a morte, e esta existência é coroada pela imortalidade.

Percebi cedo, depois de atingir a idade adulta e de sofrer com a morte dos pais, dos avós e de uma querida irmã mais nova, que uma das maiores e mais importantes tarefas que temos de enfrentar nesta existência física passa por aceitar a realidade da morte.

Todo o ser humano enfrenta essa mesma luta existencial.

A perda de um ente querido pode atingir-nos com muita, muita força. Sofremos, lamentamos e choramos, e a nossa dor pode dominar-nos. Descobri, na minha própria vida, que ajuda poder recordar e ter uma recordação física da presença deste ente querido – um lugar a visitar, onde a memória e a meditação possam evocar o espírito da pessoa que partiu.

O luto é, na verdade, apenas o amor expresso na ausência do ente querido, e por essa razão os ensinamentos Bahá’ís recomendam o enterro. 'Abdu'l-Bahá, numa carta que escreveu a Laura Clifford Barney sobre o enterro versus a cremação, disse:

… embora a alma humana tenha cortado a sua ligação com o corpo, os amigos e os entes queridos continuam veementemente apegados ao que resta, e não suportam vê-lo destruído instantaneamente. Não conseguem, por exemplo, ver o rosto do defunto apagado e espalhado, embora uma fotografia seja apenas a sua sombra e, no final, também deva desaparecer. Na medida do possível, protegem qualquer vestígio que lhes reste, seja um fragmento de barro, uma árvore ou uma pedra. Quão mais prezam a sua forma terrena! Nunca o coração pode aceitar contemplar o corpo querido de um amigo, de um pai, de uma mãe, de um irmão, de um filho, e vê-lo desfazer-se instantaneamente em nada — e esta é uma exigência do amor.

Porque guardamos as fotografias, vídeos e cartas dos nossos familiares falecidos? Guardamo-los porque nos recordam o amor que sentimos por eles.

Como sugere o antigo filme sobre o Sr. Brink, todos nós vivemos num tempo emprestado, as nossas vidas afastam-se constantemente do nosso primeiro nascimento e aproximam-se cada vez mais do segundo. Podemos ajudar-nos a nós próprios e às pessoas que amamos reconhecendo este facto e preparando-nos para a sua chegada inevitável. Parte desta preparação passa por planear dois eventos, respondendo a estas questões: Qual a melhor forma de desenvolver o meu espírito enquanto ainda estou aqui neste plano de existência material? E o que quero fazer com o meu corpo quando ele terminar a sua função?

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Texto original: Death, Burial, and Human Nature (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 24 de janeiro de 2026

Um Profeta, Muitas Revelações

Por David Langness.

Os Profetas de Deus foram enviados, os Livros Sagrados foram escritos, para que o homem possa ser libertado. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, p. 178)

Se fizer uma longa caminhada pela história do passado da humanidade, encontrá-la-á repleta de mestres espirituais, profetas divinos e mensageiros celestiais.

Cada época e cultura tem um poeta sagrado, um profeta de um futuro mais espiritual, um portador da luz que chama as pessoas para um propósito mais elevado, que brilha nos céus da consciência humana como um sol brilhante, que conduz e guia as almas humanas à paz, ao amor, à bondade e ao serviço altruísta à humanidade:

… os homens sempre foram ensinados e guiados pelos Profetas de Deus. Os Profetas de Deus são os Mediadores de Deus. Todos os Profetas e Mensageiros provêm de um único Espírito Santo e trazem a Mensagem de Deus, adequada à era em que surgem. A Luz Única está neles e eles são apenas Um entre si. (‘Abdu’l-Bahá in London, p. 23)

Mais do que qualquer outra mensagem, esta representa o princípio central da Fé Bahá’í — que todas as religiões são uma só. Os Bahá’ís acreditam que o Criador tem dado à humanidade um ensinamento espiritual contínuo ao longo do tempo, que constitui um sistema interligado de crença e verdade. Os Bahá’ís acreditam que este sistema único, trazido por profetas e mensageiros com nomes diferentes, de diferentes lugares e em diferentes épocas da história, tem uma única Fonte.

Esta visão da história humana, apresentada nas Escrituras Bahá’ís, enfatiza a unidade dos fundadores das religiões do mundo e o seu profundo impacto na humanidade:

É claro e evidente para ti que todos os Profetas são os Templos da Causa de Deus, Que surgem vestidos com diferentes trajes. Se observares com olhos que discernem, contemplá-los-ás habitando no mesmo tabernáculo, voando no mesmo céu, sentados no mesmo trono, proferindo o mesmo discurso e proclamando a mesma Fé. Assim é a unidade dessas Essências do Ser, aqueles Luminares de esplendor infinito e imensurável. (Bahá’u’lláh, O Livro da Certeza, ¶162)

E se, perguntam os ensinamentos Bahá'ís, todos estes profetas de Deus forem "apenas Um entre si?" E se os mensageiros de que temos ouvido falar ao longo dos séculos — Abraão, Krishna, Buda, Moisés, Jesus, Maomé e agora Bahá’u’lláh, o profeta da Fé Bahá’í e o mais recente fundador de uma religião global — forem um e o mesmo?

Isto sugere algum tipo de reencarnação? Não, dizem os ensinamentos Bahá'ís. Em vez disso, sugere uma ligação essencial e mística entre estes mensageiros divinos, um laço de unidade que existe porque todos eles refletem a mesma luz da mesma fonte:

Se és um dos habitantes desta cidade no oceano da unidade divina, verás todos os Profetas e Mensageiros de Deus como uma só alma e um só corpo, como uma só luz e um só espírito, de tal modo que o primeiro entre eles será o último e o último será o primeiro. Pois todos eles Se ergueram para proclamar a Sua Causa e estabeleceram as leis da sabedoria divina. São, todos eles, os Manifestantes do Seu Ser, os Repositórios do Seu poder, os Tesouros da Sua Revelação, os Alvoreceres do Seu esplendor e as Auroras da Sua luz. Através deles manifestam-se os sinais de santidade nas realidades de todas as coisas e os símbolos de unidade nas essências de todos os seres. Através deles revelam-se os elementos da glorificação nas realidades celestiais e os expoentes do louvor nas essências eternas. Deles procedeu toda a criação e a eles regressará tudo o que foi mencionado. E uma vez que nos seus Seres mais íntimos são os mesmos Luminares e os mesmos Mistérios, deves ver as suas condições exteriores sob a mesma luz, para que os possas reconhecer todos como um Ser, ou melhor, encontrá-los unidos nas Suas palavras, discurso e expressão. (Bahá’u’lláh, Gems of Divine Mysteries, pp. 32-34)

Se o mundo pudesse começar a compreender os fundadores de todas as religiões como um só ser, cessariam imediatamente o conflito, a dor e a miséria causados pelas disputas religiosas. Unir-se-iam as crenças, unir-se-iam os povos e forjar-se-iam novos laços entre as nações. Permitir-se-ia que todos nós víssemos a comunhão nas nossas causas e as verdades partilhadas subjacentes nas nossas esperanças mais profundas.

Também nos permitiria ver a história humana como um único e grande processo de revelação progressiva:

Entre as dádivas de Deus está a revelação. Portanto, a revelação é progressiva e contínua. Ela nunca termina. É necessário que a realidade da Divindade, com todas as suas perfeições e atributos, resplandeça no mundo humano. A realidade da Divindade é como um oceano ilimitado. A revelação pode ser comparada à chuva. Consegue imaginar o parar da chuva? Sempre à face da Terra, algures, a chuva está a cair. Em resumo, o mundo da existência é progressivo. Está sujeito a desenvolvimento e crescimento...

Portanto, Bahá’u’lláh apareceu do horizonte do Oriente e restabeleceu as fundações essenciais dos ensinamentos religiosos do mundo. As desgastadas crenças tradicionais vigentes entre os homens foram eliminadas. Fez com que existisse camaradagem e concórdia entre os representantes das diferentes confissões, pelo que o amor se manifestou entre as religiões em conflito. Criou uma condição de harmonia entre as seitas hostis e ergueu a bandeira da unidade do mundo humano. Estabeleceu os alicerces da paz internacional, fez com que os corações das nações se unissem e conferiu uma nova vida aos vários povos. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, pp. 377-379)

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Texto original: One Prophet, Many Revelations (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 17 de janeiro de 2026

O que aconteceu aos Bahá’ís alemães durante o regime Nazi?

Por Caroline Fowler.


A Fé Bahá’í surgiu na Pérsia em meados do século XIX, mas rapidamente se espalhou pela Europa e a América do Norte. Na Alemanha, porém, os nazis tentaram impedi-la.

A implantação da Fé Bahá’í na Alemanha começou em 1905, quando um pequeno grupo de Bahá’ís vindo dos Estados Unidos se instalou no país.

Duas pessoas deste grupo inicial tinham origens alemãs: Edwin Fischer e Alma Knobloch. Edwin Fischer, dentista, emigrou da Alemanha para Nova Iorque em 1878, tornou-se Bahá’í e depois regressou a Estugarda. Entusiasta da Fé Bahá’í, Fischer falava dos ensinamentos Bahá’ís com frequência, incluindo aos seus pacientes. A outra Bahá’í alemã, Alma Knobloch, aceitou a Fé nos Estados Unidos em 1903 e chegou à Alemanha vinda da casa da sua família em Washington, D.C., em 1907. Pouco depois, alguns alemães começaram a converter-se à Fé Bahá’í, e em 1908, formou-se a primeira Assembleia Espiritual Local.

Cinco anos mais tarde, em 1913, ‘Abdu’l-Bahá, o líder da Fé e filho do fundador, Bahá’u’lláh, viajou para Estugarda, Esslingen e Bad Mergentheim, consolidando o lugar da religião na Alemanha.

Após a Primeira Guerra Mundial, a comunidade Bahá’í na Alemanha continuou a crescer, tornando-se mais activa e visível, como evidenciado pelo criação uma editora de livros Bahá’ís e pela realização de conferências nacionais. A Fé cresceu e espalhou-se, o que levou à eleição de Assembleias Espirituais Locais Bahá’ís em diversas cidades alemãs.

No entanto, esta dinâmica começaria a mudar em 1936, quando os estabelecimentos comerciais pertencentes a Bahá’ís em Estugarda foram vandalizados e os proprietários ameaçados, fazendo eco do preconceito do regime nazi contra os judeus – dado que muitos dos novos Bahá’ís alemães eram de origem judaica. Em 1937, o Reichsführer nazi das SS, Heinrich Himmler, um dos principais arquitectos do Holocausto, emitiu uma lei que proibia a Fé Bahá'í e todas as suas instituições devido às suas "tendências internacionalistas e pacifistas".

Embora os Bahá’ís não se envolvam na política partidária, os ensinamentos Bahá’ís apelam assertivamente ao fim da guerra e à unidade de todas as nações, como declarou ‘Abdu’l-Bahá:

… o propósito do Manifestante de Deus e do alvorecer das luzes ilimitadas do Invisível é educar as almas dos homens e aperfeiçoar o carácter de cada ser humano – para que os indivíduos abençoados, que se libertaram das trevas do mundo animal, ascendam com as qualidades que são os adornos da realidade humana. … que os desprovidos recebam a sua parte do mar ilimitado, e os ignorantes se saciem na fonte viva do conhecimento; que os sedentos de sangue abandonem a sua selvajaria, e os que têm garras afiadas se tornem gentis e tolerantes, e os que amam a guerra procurem, em vez disso, a verdadeira conciliação; que os brutos, com as suas garras afiadas como navalhas, usufruam dos benefícios da paz duradoura; que os impuros aprendam que existe um reino de pureza, e os corruptos encontrem o caminho para os rios da santidade. (Selections from the Writings of ‘Abdu’l‑Bahá, #2)

O decreto de Himmler lançou uma perseguição aos Bahá’ís – os nazis destruíram vários memoriais Bahá’ís, confiscaram ou destruíram todos os arquivos e a maioria dos livros particulares e, por fim, em 1939, começaram a prender membros da Assembleia Espiritual Nacional dos Bahá’ís da Alemanha.

Em 1942, ocorreram múltiplas detenções, tendo alguns Bahá’ís alemães sido enviados para campos de concentração, onde acabaram por morrer. Os dirigentes Bahá’ís presos foram julgados em Darmstadt em 1944, com claros indícios de que o veredicto já estava pré-determinado. Apesar da forte defesa, o governo nazi considerou todos os seguidores culpados, aplicando-lhes multas elevadas e ordenando a dissolução de todas as actividades e convívios Bahá’ís.

A história da Fé Bahá’í na Alemanha, especialmente antes e durante a Segunda Guerra Mundial, é relativamente escassa, incluindo para os próprios Bahá’ís. O governo destruiu a maioria dos documentos administrativos, livros publicados e textos pessoais durante este período. No entanto, algumas histórias angustiantes e trágicas da perseguição aos Bahá’ís na Alemanha nazi estão hoje disponíveis através de cartas, relatos de testemunhas oculares, entrevistas e memórias. Ao estudar estes casos específicos de perseguição, incluindo prisões e assassinatos, podemos compreender o tratamento frequentemente negligenciado dado aos grupos religiosos minoritários sob o regime de Hitler.

O compromisso das vítimas com os princípios fundamentais da Fé Bahá’í e a sua recusa em afastarem-se das actividades Bahá’ís exemplificaram uma prática de dissidência fiel a um sistema que se opunha às suas crenças. Himmler e o regime nazi sentiram-se ameaçados por Bahá’ís que desejavam a paz e unidade internacional; mas, apesar da repressão e da crueldade, não conseguiram impedir a realização destes objectivos pelos Bahá’ís alemães.

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Texto original: What Happened to Germany’s Baha’is During the Nazi Regime? (www.bahaiteachings.org)

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Caroline Fowler é natural de Austin, Texas. Está a fazer um doutoramento em Neurociência Comportamental na Universidade de Baylor. Recentemente, licenciou-se pelo Austin College, após ter concluído a sua tese de honra em neurociência. A sua investigação futura irá explorar a relação entre o cérebro e o sistema imunitário, especificamente no que diz respeito à fadiga e à depressão relacionadas com o cancro. Embora seja uma apaixonada pela ciência, tem um profundo amor pela história, com particular ênfase na Europa de Leste e na Alemanha.