sábado, 13 de julho de 2024

Como devo viver?

Por David Langness.


Numa conceituada universidade britânica, uma placa colocada à entrada do departamento de filosofia ironizava: “Filosofia: temos todas as perguntas”.

Provavelmente, a maioria destas questões surgiram primeiramente com Sócrates, o filósofo grego, hoje conhecido como o Pai da Filosofia. Sócrates foi o primeiro a colocar muitas das questões filosóficas com as quais ainda hoje nos debatemos, mas colocou a famosa questão mais importante a que a ciência não consegue responder: “Como devemos viver?”

Naquela época, e agora, nenhum conhecimento científico nos pode ajudar com esta questão humana fundamental.

Desde 400 a.C. que as pessoas tentam responder a Sócrates. Poucos sabem que ele inicialmente colocou a questão devido ao desespero pessoal sobre a condição humana – especificamente, a nossa tendência para a violência e a guerra. Veterano da Guerra do Peloponeso entre Atenas e Esparta, Sócrates serviu como hoplita, um soldado cidadão ateniense que lutava com uma lança e um escudo num combate corpo a corpo, brutal e sangrento.

Depois da guerra, Sócrates começou a questionar todas as coisas relacionadas com a vida humana. Utilizou o seu famoso método de questionamento (o diálogo socrático), fazendo perguntas a todos os que encontrava na sua busca para encontrar a verdade. “A vida não examinada não vale a pena ser vivida”, disse ele; por isso os seus questionamentos tentavam levar as pessoas a olharem para dentro de si mesmas para responder à sua maior e mais séria questão:

Vês, portanto, sobre o que são as nossas discussões – e há algo sobre o qual um homem, mesmo com pouca inteligência, seria mais sério do que isto: de que maneira devemos viver? – Sócrates, conforme citado por Platão nos seus Diálogos.

Pela sua sabedoria e mente independente, os ensinamentos Bahá’ís elogiam Sócrates e os antigos filósofos gregos que ele orientou. Bahá’u’lláh referiu Sócrates como “sábio, talentoso e honrado”, dizendo:

Que visão penetrante na filosofia este homem eminente possuía! Ele é o mais distinto entre todos os filósofos e era altamente versado em sabedoria. Testemunhamos que ele é um dos heróis neste campo e um ilustre campeão dedicado a isso. Ele tinha um conhecimento profundo das ciências correntes entre os homens, bem como daquelas que estavam veladas das suas mentes. Parece-Me que ele bebeu uma porção quando o Mais Grandioso Oceano transbordava de águas cintilantes e vivificadoras. Foi ele quem se apercebeu de uma natureza única, temperada e penetrante nas coisas, tendo a maior semelhança com o espírito humano, e descobriu que esta natureza era distinta da substância das coisas na sua forma refinada. (Tablets of Baha’u’llah, p. 146)

'Abdu'l-Bahá, o exemplo Bahá'í, também elogiou Sócrates e a sua profunda compreensão da realidade:

... ele [Sócrates] promulgou duas crenças: uma, a unidade de Deus, e a outra, a imortalidade da alma após a sua separação do corpo; estes conceitos, tão estranhos ao seu pensamento, suscitaram grande comoção entre os Gregos, até que no final lhe deram veneno e o mataram... pois os gregos acreditavam em muitos deuses, e Sócrates estabeleceu o facto de que Deus é um, o que estava obviamente em conflito com as crenças gregas. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, p. 54.)

Quanto aos filósofos deístas, como Sócrates, Platão e Aristóteles, eles são de facto dignos de apreço e dos mais altos elogios, pois prestaram serviços distintos à humanidade. (‘Abdu’l-Bahá, Tablet to August Forel, p. 7.)

Viver simplesmente sem examinar profundamente o “porquê” de estarmos vivos, acreditava Sócrates, conduziria inevitavelmente a uma vida desperdiçada. Em vez disso, defendeu o auto-questionamento e o autodomínio, e ilustrou estes pontos com a analogia de um carro puxado por dois cavalos – um deles, teimoso e obstinado, representando o nosso desejo animal de perseguir o prazer egoísta sem restrições; e o outro cavalo, sensato e gentil, representando a nossa natureza superior e mais altruísta e a nossa capacidade humana de pensar e raciocinar.

Cada um de nós, dizia Sócrates, desempenha o papel de cocheiro desse carro, controlando um cavalo e deixando o outro correr. Nós decidimos qual deles controla o nosso movimento para a frente.

De acordo com os ensinamentos Bahá’ís, cada ser humano tem de lidar com essas mesmas duas forças ao longo do percurso da vida:

É evidente, portanto, que o homem tem um aspecto dual: enquanto animal, está sujeito à natureza, mas no seu ser espiritual ou consciente, transcende o mundo da existência material. Os seus poderes espirituais, sendo mais nobres e superiores, possuem virtudes das quais a natureza intrinsecamente não tem qualquer evidência; portanto, triunfam sobre as condições naturais. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 81.)

Na sua Apologia, Platão citou Sócrates perguntando:

Ó meu amigo, porque é que tu,... te preocupas tanto em acumular a maior quantidade de dinheiro, honra e reputação, e tão pouco com sabedoria, verdade e o maior aperfeiçoamento da alma, a qual tu nunca consideras ou dás atenção? Não tens vergonha disso?

Sócrates acreditava que esta busca – a perfeição da alma humana – era o mais elevado e o melhor objetivo da vida. Recomendou voltar os olhos da mente para dentro, e analisar tanto a sua verdadeira natureza como os valores que orientam a sua vida. Fazê-lo significa descobrir o estado da alma e avaliar o que realmente conduz à felicidade.

Muitas pessoas assumem ingenuamente que sabem lutar pela felicidade. Se levam uma vida não examinada, consideram frequentemente o sucesso, o estatuto, a autoindulgência e a aceitação social como os seus objetivos. Tendem a pensar no auto-sacrifício, na dor e na morte como coisas que devem ser evitadas a todo o custo. Sócrates discordou veementemente e viu esta visão do bem e do mal não só como errada, mas também prejudicial.

Naturalmente, fazemos o que fazemos nesta vida porque acreditamos que isso nos fará felizes. Para Sócrates, pensar neste tipo de felicidade material como boa, e em qualquer coisa que possa produzir algum sofrimento como má, significa que passaremos as nossas vidas procurando coisas que não nos podem trazer felicidade – mesmo quando as alcançamos.

Em vez disso, se nos dedicarmos ao autoconhecimento e à investigação independente da verdade, disse Sócrates, podemos começar a compreender o que realmente significa o verdadeiro bem. Na sua filosofia, Sócrates descreveu esse bem supremo como o desenvolvimento da virtude humana – a mesma perfeição da alma humana que é altamente elogiado pelos ensinamentos Bahá’ís:

... a honra do reino humano é o alcançar da felicidade espiritual no mundo humano, a aquisição do conhecimento e do amor de Deus. A honra atribuída ao homem é a aquisição das virtudes supremas do mundo humano. Esta é a sua verdadeira felicidade e felicidade. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 166.)

Em última análise, Sócrates ensinou o mesmo que a Fé Bahá’í e todas as outras religiões verdadeiras ensinam – que o aperfeiçoamento gradual da alma inclui o mais elevado esforço humano e a forma como todos devemos viver:

A vida de alguns homens está exclusivamente ocupada com as coisas deste mundo; as suas mentes estão tão circunscritas pelos costumes exteriores e pelos interesses tradicionais que ficam cegos para qualquer outro domínio da existência, para o significado espiritual de todas as coisas! Pensam e sonham com a fama terrena, com o progresso material. Prazeres sensuais e ambientes confortáveis delimitam o seu horizonte, as suas ambições mais elevadas centram-se nos sucessos das condições e circunstâncias mundanas! Não restringem as suas tendências mais baixas; comem, bebem e dormem! Tal como o animal, não pensam para além do seu próprio bem-estar físico. É certo que estas necessidades devem ser eliminadas. A vida é um fardo que deve ser carregado enquanto estamos na terra, mas não se deve permitir que os cuidados com as coisas inferiores da vida monopolizem todos os pensamentos e aspirações de um ser humano. As ambições do coração deveriam ascender a um objectivo mais glorioso, a actividade mental deveria elevar-se a níveis superiores! Os homens devem manter nas suas almas a visão da perfeição celestial e preparar aí uma morada para a generosidade inesgotável do Espírito Divino. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, pp. 98-99.)

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Texto original: How Should I Live? (www.bahaiteachings.org)


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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 6 de julho de 2024

A humanidade precisa de educadores universais?

Por David Langness.


Poderá a evolução da humanidade ter ocorrido de uma forma completamente aleatória, ou tivemos alguma forma de ajuda transcendente na nossa ascensão evolutiva?

A ciência forneceu-nos alguns conhecimentos interessantes sobre esta questão. Durante a maior parte da existência humana, que a maioria dos cientistas estima em 300.000 anos ou mais, o homo sapiens utilizou simples ferramentas de pedra e viveu de forma bastante rudimentar. Viviam em grupos nómadas de caçadores-recolectores centrados na família e provavelmente tinham contactos limitados com os outros elementos fora desses pequenos grupos.

Mas há cerca de 40 a 50 mil anos, aconteceu algo surpreendente e sem precedentes: os seres humanos começaram a evoluir muito mais rapidamente.

Os cientistas chamam às acentuadas mudanças deste período a “Revolução do Paleolítico Superior” porque provavelmente marca as primeiras evidências generalizadas de criação artística, a formação de povoações humanas organizadas e o início do desenvolvimento de competências linguísticas complexas e abstractas. Alguns estudiosos concluíram que a cooperação humana começou neste momento da pré-história, quando a reduzida população de humanos da Terra começou a aumentar suficientemente para colocar os primeiros humanos em contacto mais frequente entre si.

Então, será que estes traços culturais e comportamentais em expansão – linguagem, arte e música, pensamento simbólico complexo, criatividade tecnológica e a clara evidência arqueológica de sistemas de crenças abstractos e místicos – se desenvolveram espontaneamente? Ou terão vindo, como dizem os ensinamentos Bahá’ís, da influência de um educador divino?

Se não houvesse um educador, os meios de conforto, a civilização e as virtudes humanas não poderiam de forma alguma ter sido conseguidos. Se um homem for deixado sozinho num deserto onde não vê ninguém da sua espécie, a vontade tornar-se-á, sem dúvida, um mero animal. Portanto, é claro que é necessário um educador…

Este educador deve ser inegavelmente perfeito em todos os sentidos e distinto de todos os homens. Pois se fosse como os outros, nunca poderia ser o seu educador... deve educar as mentes e os pensamentos humanos de tal modo que estes se possam tornar capazes de um progresso substancial, que a ciência e o conhecimento se possam expandir, que as realidades das coisas, os mistérios do universo e as propriedades de tudo o que existe possam ser revelados, que a aprendizagem, as descobertas e os grandes empreendimentos possam aumentar de dia para dia, e que as questões do intelecto podem ser deduzidas e transmitidas através do sensível...

É claro, porém, que o mero poder humano é incapaz de cumprir esta grande função, e que os resultados do pensamento humano só por si não podem assegurar essas recompensas... É, pois, necessário um poder divino e espiritual que lhe permita cumprir esta missão... o Educador universal deve ser ao mesmo tempo um educador material, humano e espiritual e, elevando-se acima do mundo da natureza, deve ser possuidor de outro poder, para que possa assumir a posição de um professor divino. (‘Abdu’l-Bahá, Some Answered Questions, newly revised edition, pp. 9-12.)

Cada cultura humana, explicam os ensinamentos Bahá’ís, recebe um educador divino:

Dá ouvidos, ó Meu servo, àquilo que te está a ser enviado do Trono do teu Senhor, o Inacessível, o Mais Grandioso. Não há outro Deus senão Ele. Ele chamou à existência as Suas criaturas, para que O conheçam, Compassivo, Todo-Misericordioso. Às cidades de todas as nações Ele enviou os Seus Mensageiros, a quem encarregou de anunciar aos homens as novas do Paraíso da Sua boa vontade e para os atrair para junto do Abrigo de segurança permanente, a Sede da santidade eterna e da glória transcendente. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, LXXVI)

É claro que aquele tempo longínquo da pré-história humana, muito antes do aparecimento da linguagem escrita ou dos registos, não nos deixou vestígios dos nomes ou dos ensinamentos destes primeiros educadores. Então, como sabemos que eles realmente existiram? Podemos dizer, dizem as Escrituras Bahá’ís, pelos seus frutos:

Assim como um espelho imaculado recebe os raios do sol e reflecte a sua generosidade para os outros, também o Espírito Santo é o mediador da luz da santidade, que transmite do Sol da Verdade às almas santificadas. Este espírito está adornado com todas as perfeições divinas. Sempre que aparece, o mundo é revitalizado, um novo ciclo é inaugurado, e o corpo da humanidade é vestido com uma roupa nova. É como a primavera: quando chega, transporta o mundo de uma condição para outra. Com o advento da maré primaveril, a terra negra, os campos e os prados tornam-se verdejantes e viçosos; brotam flores e ervas perfumadas de todos os tipos; as árvores são dotadas de uma nova vida; produzem-se frutos maravilhosos; e um novo ciclo é inaugurado.

O mesmo acontece com a manifestação do Espírito Santo: sempre que aparece, investe o mundo da humanidade de uma vida nova e dota as realidades humanas de um espírito novo. Ela reveste toda a existência com um traje glorioso, dispersa as trevas da ignorância e faz brilhar resplandecente a luz das perfeições humanas. (‘Abdu’l-Bahá, Some Answered Questions, newly revised edition, cap. 36)

Nos momentos da história humana em que ocorrem saltos significativos no progresso evolutivo, sugerem os ensinamentos Bahá’ís, podemos identificar retrospectivamente os efeitos a longo prazo de mais uma mensagem divina e o seu profundo impacto na civilização humana:

O homem, portanto, tem extrema necessidade do único Poder pelo qual é capaz de receber ajuda da Realidade Divina, o único Poder que o coloca em contacto com a Fonte de toda a vida.

É necessário um intermediário para relacionar os dois extremos. Riqueza e pobreza, abundância e necessidade: sem um poder intermédio não poderia haver relação entre estes pares de opostos.

Por isso, podemos dizer que deve existir um Mediador entre Deus e o Homem, e este não é outro senão o Espírito Santo, que coloca a terra criada em relação com o “Inconcebível”, a Realidade Divina. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, p. 59.)

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Texto original: Does Humanity Need Universal Educators? (www.bahaiteachings.org)


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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 29 de junho de 2024

Será que Deus existe?

Por David Langness.
 

Será que Deus existe? A ciência, porque lida com o mundo material, não pode responder a esta questão – mas cada um de nós pode testemunhar a existência da criação. Será que este facto óbvio implica que também existe um Criador?

Este grande mistério – facilmente o assunto mais proeminente na longa história da filosofia humana – levou as pessoas a explorar intensamente o assunto durante milhares de anos.

Em última análise, este discurso contínuo levou a maioria dos grandes pensadores da história à conclusão de que só poderiam abordar a existência de um Criador através de provas fundamentadas, sem confiar apenas na autoridade das Escrituras. Utilizando esta abordagem filosófica puramente racional, chegamos a alguns argumentos muito persuasivos e penetrantes a favor ou contra a existência de um Ser Supremo, geralmente categorizados de quatro formas: cosmológico, moral, ontológico e teleológico.

Nesta exploração do assunto, vamos cingir-nos apenas a uma destas categorias, a prova ontológica da existência de um Criador. A palavra ontologia, a ciência do que realmente existe e tem existência, provém das palavras gregas ontos, que significa ser; e logia, que significa lógica – logo, a lógica do ser.

Muitos filósofos ocidentais, começando por Sócrates, Aristóteles e Platão, abordaram esta grande questão. Mais tarde, Anselmo, Descartes, Liebniz e uma multidão de outros opinaram com as suas versões e sugeriram aperfeiçoamentos da prova ontológica. Mas o lendário e influente filósofo islâmico Mulla Sadra, na sua principal obra filosófica al-asfar al-arba’a (Quatro Jornadas), apresentou uma das provas ontológicas mais conhecidas e logicamente consistentes da existência de um Criador, a que chamou o Argumento dos Justos. É assim:
  • Temos a existência; e não podemos conceber uma existência mais perfeita
  • Por definição, Deus é a perfeição personificada
  • A existência é una – o que significa que não existe pluralismo metafísico
  • A existência tem níveis de perfeição
  • A escala da perfeição deve ter um ponto limite, um ponto de maior intensidade
  • Essa maior intensidade, por definição, é Deus.
Acontece que, desde Mulla Sadra, a maioria das provas ontológicas da existência de um Ser Supremo centram-se em torno deste ponto subtil e poderoso, que envolve a imperfeição e a perfeição.

Afinal – se alguma coisa é imperfeita, isso não implica a existência da perfeição?

Se vemos uma cadeira frágil, por exemplo, com apenas três pernas e o assento partido, compreendemos imediatamente as imperfeições da cadeira. Podemos ver imediatamente a sua óbvia falta de utilidade como cadeira funcional. Mas só podemos fazer este julgamento porque a nossa mente contém o conceito de uma cadeira perfeita, que inclui as quatro pernas e, portanto, é completa, íntegra e funcional em todos os aspetos. Da mesma forma, dizem os ensinamentos Bahá’ís, a própria existência da imperfeição prova a existência da perfeição a todos os níveis da criação:

...todos os seres criados são limitados, e esta mesma limitação de todos os seres prova a realidade do Ilimitado; pois a existência de um ser limitado denota a existência de um Ser Ilimitado. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, #21)

À primeira vista, isto pode parecer um argumento obscuro e abstrato, mas tem uma lógica interna inegável:

É possível que o trabalho manual seja perfeito e o artesão imperfeito? Será possível que uma pintura seja uma obra-prima e o pintor seja imperfeito no seu ofício, apesar de ser o seu criador? Não: a pintura não pode ser como o pintor, caso contrário ter-se-ia pintado a si própria. E por mais perfeita que seja a pintura, em comparação com o pintor é totalmente imperfeita.

Assim, o mundo contingente é a fonte das imperfeições e Deus é a fonte da perfeição. As próprias imperfeições do mundo contingente testemunham as perfeições de Deus. Por exemplo, quando consideramos o homem, vemos que ele é fraco, e esta mesma fraqueza da criatura implica o poder d’Aquele que é Eterno e Todo-Poderoso; pois se não fosse o poder, a fraqueza não poderia ser imaginada... Sem poder não poderia haver fraqueza. Esta fraqueza torna evidente que existe um poder no mundo.

...É certo que todo o mundo contingente está sujeito a uma ordem e a uma lei que nunca poderá desobedecer. Até o homem está forçado a submeter-se à morte, ao sono e a outras condições – isto é, em certos assuntos ele é compelido, e esta mesma compulsão implica a existência d’Aquele Que é Todo-Dominante. Enquanto o mundo contingente for caracterizado pela dependência, e enquanto esta dependência for um dos seus requisitos essenciais, deve haver Alguém que, na Sua própria Essência, seja independente de todas as coisas. ('Abdu’l-Bahá, Some Answered Questions, newly revised edition, cap. 2)

Assim, como salientam os ensinamentos Bahá’ís, as dualidades essenciais que existem em toda a vida – fraqueza e força, dependência e independência, impotência e poder, e assim por diante – tornam óbvio que a escala da perfeição deve culminar naquilo a que chamamos o Criador.

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Texto original: Does God Exist? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.


domingo, 23 de junho de 2024

Desejei que a minha mãe fosse rapidamente executada. Não queria que ela fosse torturada.

Professora universitária iraniana expatriada descreve a cruel opressão sofrida pela comunidade Bahá'í e as suas mulheres nas mãos do regime islâmico.

Mona Mahmoudi recorda como o regime iraniano assassinou os seus pais na década de 1980

Os pais de Mona Mahmoudi estavam entre os primeiros membros da minoria religiosa Bahá’í do Irão a serem executados durante a longa repressão da República Islâmica.

Quando a sua mãe, a primeira meteorologista do país, foi presa juntamente com outras sete pessoas, a sua filha desejou que ela fosse rapidamente executada.

“Eu sabia que eles seriam executados e esperava que isso acontecesse mais cedo do que tarde”, afirmou ao The Telegraph durante um evento Bahá’í em Londres. “Houve muitos casos de Bahá’ís que eram torturados na prisão”, acrescentou, “e eu não queria que eles fossem torturados”.

A Sra. Mahmoudi estava na zona leste de Londres para um evento em memória ao 40º aniversário de um capítulo sombrio na perseguição aos Bahá'ís no Irão – a execução pública de 10 mulheres Bahá'ís, incluindo uma jovem de 17 anos.

Os pais de Mona, Houshang e Zhinus, assassinados no Irão

A opressão das mulheres no Irão tem sido suportada pela comunidade Bahá’í "há muitos e muitos anos", afirmou ao The Telegraph, Omid Djalili, um comediante britânico-iraniano que é Bahá’í. “O regime está esforçar-se muito para impedir que as pessoas pensem sobre a perseguição contra os Bahá’ís”, disse ele.

A Sra. Mahmoudi diz que a sua família tinha uma “vida boa e tranquila” antes da revolução de 1979, que levou o clero ao poder. A família de cinco pessoas, com a sua mãe meteorologista e o seu pai apresentador de programa infantil de TV no comando, ia para o litoral no norte do Irão nos fins de semana na década de 1970. A Revolução Islâmica, como uma tempestade repentina e violenta, virou do avesso o mundo dos Mahmoudis.

A sua fé, outrora a pedra angular da sua identidade, tornou-se um alvo da ira do novo regime. Da noite para o dia, os pais da Sra. Mahmoudi passaram de profissionais respeitados a párias perseguidos.

O casal foi demitido dos seus empregos e obrigado a devolver os seus salários de anos ao novo governo.

A família se viu presa no centro de uma tempestade política e religiosa. O novo regime proibiu a Fé Bahá’í e desencadeou uma torrente de perseguição.

Milhares foram presos, as suas terras confiscadas e o seu direito ao ensino superior revogado.

O Islão Xiita é a religião do estado no Irão. A constituição reconhece várias religiões minoritárias, incluindo o Cristianismo, o Judaísmo e o Zoroastrismo, mas não a Fé Bahá’í.

Desde Setembro de 2022, quando Mahsa Amini morreu sob detenção após ser presa por supostamente violar as regras do hijab e os subsequentes protestos nacionais, o governo iraniano intensificou a sua repressão à comunidade Bahá'í.

No ano passado, as autoridades prenderam centenas deles, além de confiscar ou destruir propriedades pessoais e os seus cemitérios. Diariamente, são realizadas buscas nas residências dos cidadãos Bahá'ís em todo o país.

A jovem Mona Mahmoudi com a sua família que foi destroçada por um regime cruel

A escalada da perseguição contra os Bahá'ís após os protestos segue um padrão familiar do regime iraniano visando grupos minoritários em tempos de tensão social e política mais ampla.

Houshang Mahmoudi, o pai de Mona, também era advogado e membro da Assembleia Nacional dos Bahá'ís no Irão, responsável por supervisionar os assuntos da comunidade Bahá'í.

Quando a Assembleia de nove membros realizou uma reunião em 21 de agosto de 1980, as suas esperanças e planos para sua comunidade sitiada ainda estavam vivos, mas rapidamente as forças do recém-formado Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) caíram sobre eles.

Num instante, toda a liderança da comunidade Bahá'í no Irão desapareceu – sequestrada, para nunca mais ser vista.

“Foi uma sensação devastadora”, diz a Sra. Mahmoudi. “Se eles tivessem sido presos e estivessem na prisão, seria uma sensação diferente, mas eles simplesmente desapareceram.”

A Sra. Mahmoudi acredita que o seu pai e outros membros da Assembleia foram executados imediatamente, sem o conhecimento das suas famílias.

Sem se deixarem intimidar pela perda, os Baha’is imediatamente elegeram uma nova Assembleia Nacional. Entre os escolhidos para liderar estava Zhinus Mahmoudi, a mãe de Mona.

Mas a tempestade que eliminou a primeira Assembleia estava longe de ter terminado. Em 13 de Dezembro de 1981, a história repetiu-se com uma precisão cruel.

Quando Zhinus e os seus companheiros da Assembleia se reuniam, o IRGC atacou novamente. Dessa vez, não havia mistério, nem desaparecimento no desconhecido.

“Minha mãe foi eleita para a Assembleia Nacional seguinte”, conta a Sra. Mahmoudi. “Cerca de um ano e meio depois, quando eles estavam reunidos, o IRGC fez outra rusga e prendeu todos eles.” Os membros da Assembleia foram levados para a conhecida prisão de Evin.

Durante duas semanas, Mona viveu num estado de ansiedade agonizante. Mas, diferente da incerteza que envolvia o destino do seu pai, ela sabia o que estava por vir. Todos os oito membros detidos, incluindo Zhinus, foram executados sem julgamento.

Evocação do 40º aniversário da execução de 10 mulheres Baha'is, incluindo uma jovem de 17 anos

 A mulher que anteriormente lia os céus do Irão, que se apresentou para liderar a sua comunidade religiosa no seu momento mais sombrio, foi silenciada para sempre.

A Sra. Mahmoudi morava na Califórnia nessa época e foi informada por telefone pela Assembleia Nacional dos Bahá'ís nos EUA sobre as execuções.

“Eles tiveram uma vida muito frutífera e estou muito orgulhosa deles”, diz ela.

“Os meus pais puderam escolher. Eles podiam deixar o Irão, mas queriam ficar e servir, mesmo sabendo que o preço disso seria as suas vidas.”

A Sra. Mahmoudi, uma especialista reformada em segurança cibernética e professora universitária de Phoenix, agora tem uma fundação com os seus irmãos em homenagem aos seus pais, oferecendo educação para crianças em países carenciados, incluindo outras atividades.

Narges Mohammadi, a laureada com o Prémio Nobel da Paz de 2023 e várias outras prisioneiras proeminentes condenaram o regime no mês passado pelas suas intensificadas “pressões implacáveis e injustiças que os Bahá'ís sofrem devido às suas crenças”.

Enquanto os participantes do evento em Londres se aproximavam, um pequeno cartão estava no chão. E nele estava escrito: “O coro do amanhecer é a explosão do canto dos pássaros”. “No Irão, as execuções são realizadas ao romper do amanhecer e logo antes do chamado matinal para a oração.”

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Texto original: ‘I wished my mother a speedy execution, I didn’t want her to be tortured’ (The Telegraph)

sábado, 22 de junho de 2024

Porque é que existem coisas em vez de não existirem?

Por David Langness.


Alguma vez se perguntou porque é que existimos? Claro que sim — essa pergunta ocorre a todos nós, em algum momento. A ciência também faz essa pergunta, geralmente nesta forma mais ampla: porque é que tudo existe em vez de nada existir?

Em outras palavras, porque é que a existência existe? Porque é que este universo incrivelmente complexo e toda a sua vida maravilhosa surgiram?

Muitas tradições culturais e religiosas têm uma história da criação que explica como tudo começou; e algumas pessoas religiosas simplesmente responderão à pergunta com uma única palavra: "Deus". Mas essa resposta não convence todos, e por isso, a filosofia e a ciência têm-se envolvido repetidamente em várias tentativas de encontrar uma resposta.

Considerada como “a questão fundamental da metafísica” por filósofos prestigiados como Leibniz e Heidegger, a questão pede àqueles que não aceitam a crença aristotélica do “Motor Imóvel” que façam algo que muitos acham impossível: deduzir a existência de todas as coisas sem usar nenhuma explicação existencial. A ciência, é claro, tentou – a questão motivou milhares de experiências e enormes especulações durante séculos.

Aparentemente fizemos alguns progressos à procura de por uma resposta. No nosso estado actual de entendimento científico, a mecânica quântica diz-nos que não existe algo como o vazio completo. E hoje sabemos que até mesmo o vácuo mais perfeito conhecido é preenchido com nuvens de partículas subatómicas e antipartículas – que aparecem e desaparecem quase imediatamente. Por causa da sua curta vida útil, não podemos observar essas chamadas "partículas virtuais" directamente, mas sabemos que elas existem devido aos seus efeitos.

Agora conseguimos provar que até o espaço interestelar — anteriormente considerado um vácuo de baixa densidade, baixa pressão e perfeitamente vazio — contém um tênue plasma criado por ventos solares e povoado por partículas carregadas, incluindo grandes números de fotões; elementos livres como hidrogénio, hélio e oxigénio; campos eletromagnéticos; e radiação cósmica de fundo.

Por outras palavras, tanto quanto sabemos, não existe um verdadeiro vácuo. O universo, mesmo as partes que podem parecer completamente vazias, está cheio de matéria e energia – o que leva a uma conclusão profunda: não existe o nada. Esse facto levou muitos cientistas a concluir, que a ciência em si não pode responder a todas as perguntas:

A ciência diz-nos muita coisa sobre o nosso mundo! Agora entendemos, mais ou menos, de que é feita a realidade e quais forças empurram e puxam o material da existência para frente e para trás. Os cientistas também construíram uma narrativa plausível e empiricamente fundamentada da história do cosmos e da vida na Terra. Mas quando os cientistas insistem que resolveram, ou resolverão em breve, todos os mistérios, incluindo o maior mistério de todos, eles prestam um mau serviço à ciência; eles tornam-se as imagens espelhadas dos fundamentalistas religiosos que desprezam. (John Horgan, Director of the Center for Science Writings at the Stevens Institute of Technology, in Science Will Never Explain Why There’s Something Rather Than Nothing, Scientific American, April 23, 2012.)

O que nos leva de volta à pergunta inicial: se a existência começou como absolutamente nada – um vácuo completo sem espaço, tempo, matéria ou energia, nem mesmo contendo as condições iniciais propícias à sua criação, então como é que alguma coisa veio magicamente à existência a partir do nada? A ciência nunca respondeu a essa pergunta fundamental, mas os ensinamentos Bahá'ís já responderem:

O poder de Deus é eterno e sempre houve seres para manifestá-lo; é por isso que dizemos que os mundos de Deus são infinitos – nunca houve um tempo em que eles não existissem. Não se pode trazer algo a partir do nada, da mesma forma que aquilo que existe nunca é destruído; a aniquilação aparente é meramente transmutação. ('Abdu’l-Bahá, Divine Philosophy, p. 106)

O argumento cosmológico (frequentemente chamado de lei de causa e efeito) significa que todos os efeitos podem, em última análise, ser rastreados até uma “Primeira Causa” – geralmente considerada como um Criador omnisciente e omnipresente que sempre existiu e, portanto, não precisa de causalidade. Platão, Aristóteles, Aquino, Hume e Russell, entre muitos, muitos outros filósofos e teólogos, apresentaram versões dessa prova profunda. Os ensinamentos Bahá’ís referem este argumento desta forma:

A existência é de dois tipos: uma é a existência de Deus que está além da compreensão do homem. Ele, o Invisível, o Sublime e o Incompreensível, não é precedido por nenhuma causa, mas, pelo contrário, é o Originador da causa das causas. Ele, o Antigo, não teve começo e é o Independente de Tudo. O segundo tipo de existência é a existência humana. É uma existência comum, compreensível para a mente humana, não é antiga, é dependente e tem uma causa associada. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, #30)

Esta afirmação – de que a Primeira Causa, Deus, sempre existiu – tende a confundir a mente. Os seres humanos vivem no plano físico temporal e aceitam a realidade de uma existência limitada ao tempo; por isso, todos nós temos dificuldade em compreender uma existência atemporal. Mesmo assim, a ideia de uma Primeira Causa, um Motor Imóvel, dá-nos uma resposta profunda que explica por que existem as coisas em vez de nada existir:

É claro e evidente que o Deus uno e verdadeiro – glorificada seja a Sua menção – está santificado acima do mundo e de tudo o que nele há...

Tudo provém das moradas do pó e ao pó regressará, enquanto o Deus uno e verdadeiro, só e único, está instalado no Seu Trono, um Trono que está para lá dos limites do tempo e do espaço, está santificado acima de toda a palavra ou expressão, sugestão, descrição e definição, e está exaltado cima de toda a noção de humilhação e glória. (Baha’u’llah, The Summons of the Lord of Hosts, ¶210214)

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Texto original: Why Is There Something Rather than Nothing? (www.bahaiteachings.org)


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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 15 de junho de 2024

Gerir a Ansiedade sobre o Futuro

Por Makeena Rivers.


Entre as redes sociais e as notícias, por vezes parece impossível evitar pensar nas muitas realidades catastróficas da nossa sociedade.

A lista inclui questões profundas e de longa data — crises ambientais, guerra, pobreza, as muitas formas de racismo institucional e as muitas manifestações de misoginia cultural, só para mencionar apenas algumas. As Escrituras Bahá'ís reconhecem a dureza dessas dificuldades que muitos de nós enfrentamos regularmente. 'Abdu'l-Bahá, filho de Bahá'u'lláh, o profeta e fundador da Fé Bahá'í, referiu isso numa carta escrita em 1920 dirigida a Martha Root, uma feminista e Bahá'í americana:

Verás como o mundo está abalado com conflitos internos, e muitos lugares estão manchados com sangue humano, ou antes, a terra está amassada com sangue. A chama da guerra está tão inflamada que este confronto terrível não encontra paralelo nos registos de guerra de qualquer era antiga ou recente. As cabeças tornaram-se como grãos e a guerra como pedras de moinho, ou ainda pior. As terras florescentes estão arruinadas, as cidades completamente destruídas e vilas prósperas aniquiladas. Os pais perderam os seus filhos, os filhos ficaram órfãos, e as mães derramaram lágrimas de sangue pela morte dos seus filhos jovens.

As crianças ficam órfãs, as mulheres ficam desamparadas e o mundo da humanidade é forçado a retroceder em todos os aspectos. O pranto das crianças sem pai é erguido no exterior, e a lamentação comovente das mães chega aos céus. A fonte de todas essas catástrofes é o fanatismo racial, o fanatismo patriótico, o fanatismo religioso e o fanatismo político. A fonte desses fanatismos são imitações antigas, imitações religiosas, imitações raciais, imitações patrióticas e imitações políticas. Enquanto persistirem essas imitações, os próprios alicerces da humanidade serão destruídos, e o mundo humano estará em grande perigo.

Um dos princípios enfatizados pela Casa Universal de Justiça, o corpo governante democraticamente eleito da comunidade Bahá’í global, é a participação universal. Há um entendimento de que toda a humanidade precisa estar envolvida na abordagem às nossas questões sociais — que as pessoas se “devem amar umas às outras, encorajar umas às outras constantemente, trabalhar juntas, ser como uma única alma um único corpo e, ao fazer isto, tornar-se um verdadeiro corpo, orgânico e saudável, animado e iluminado pelo espírito.”

Mas o que acontece quando não conseguimos conceber uma solução? O que devemos fazer quando nos sentimos esmagados pela situação mundial, e parece impossível envolvermo-nos com todos como parte da solução?

Ao mesmo tempo em que nos encorajam a concentrar muitos esforços na construção de um futuro mais sustentável e a prestar bastante atenção às duras realidades do mundo, as Escrituras Bahá'ís também nos encorajam a manter a esperança. Como disse 'Abdu'l-Bahá numa palestra na Northwestern University em 1912, "Ele deve afastar-se de ideias que degradam a alma humana, para que dia a dia, e hora a hora, ele possa evoluir cada vez mais em direção à percepção espiritual da continuidade da realidade humana."

Para ter esperança, temos de nos libertar da ideia de que alguma pessoa — ou um grupo de pessoas — vão resolver todos os problemas. A nossa sociedade pode impor-nos ideias individualistas, mesmo quando pensamos em estabelecer a paz. Os Bahá'ís consideram as mudanças individuais, comunitárias e sistemáticas como componentes essenciais para melhorar a situação da humanidade. Como a Casa Universal de Justiça afirmou recentemente, “o progresso é alcançado através do desenvolvimento de três participantes — o indivíduo, as instituições e a comunidade”.

Assim, quando pensamos em superar a ansiedade que vem de uma sensação de desespero, podemos situar adequadamente as nossas acções para trabalhar em direcção à mudança. Mesmo quando o esforço é pequeno, e os problemas parecem urgentes e generalizados, cada passo que damos pode repercutir e ter um impacto mais amplo.

Se aceitarmos isto, começaremos a sentir-nos menos paralisados pela dimensão dos problemas. Isso não significa que somos ingénuos ao ponto de acreditar que ser amigo de um vizinho ou fazer uma doação para uma organização de vez em quando resolverá os problemas mais urgentes do mundo. Mas estamos cientes de que podemos fazer algo que pode mover-nos colectivamente na direcção certa em cada um dos nossos dias.

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Texto original: Managing Anxiety About the Future (www.bahaiteachings.org)


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Makeena Rivers é uma recém-graduada pela Columbia School of Social Work (Nova Iorque) onde se focou em assuntos de raça, reclusão, educação e classe. Anteriormente tinha estudado psicologia e sociologia na Emory University.