Por David Langness.
Que critérios utilizamos para determinar a validade de um profeta de Deus?
Ao reflectir sobre isto, a maioria de nós perceberá que esta decisão pode afectar toda a sua vida e a também vida dos seus descendentes. Se encontrar um mensageiro ou mestre que traga realmente uma nova mensagem divina à humanidade, e a aceitar e tentar segui-la, essa decisão poderá ter grandes impactos positivos ao longo desta vida — e da próxima — não só para si pessoalmente, mas para todas as gerações seguintes.
Se rejeitar esta mensagem, poderá perder a orientação e a sabedoria espiritual de que todos necessitamos para viver uma vida feliz e plena. Por outro lado, rejeitar a mensagem de um falso profeta pode também evitar muita dor e sofrimento.
Quase todos as pessoas que lêem os livros sagrados das principais religiões do mundo conhecem os critérios tradicionais para identificar um profeta de Deus. Um verdadeiro profeta precisa de: a) cumprir as profecias das religiões anteriores; b) revelar um livro sagrado com leis, princípios e ensinamentos que orientem as acções da humanidade para o amor e a unidade; c) exemplificar plenamente essas acções na sua própria vida; e d) ter impacto suficiente no mundo para atrair um número significativo de seguidores e adeptos para estes novos ensinamentos. Por outras palavras, um verdadeiro profeta produz os "frutos" que a árvore da nova fé promete.
Pelos seus frutos os reconhecereis. (Mateus 7:16)
Os ensinamentos Bahá’ís dizem exactamente a mesma coisa: que só uma verdadeira árvore da vida produz frutos verdadeiros:
Esta é a sabedoria do aparecimento dos Profetas: educar a humanidade, para que este pedaço de carvão se transforme num diamante e esta árvore estéril seja enxertada e produza frutos da mais absoluta doçura e delicadeza. (‘Abdu’l-Bahá, Some Answered Questions, newly revised edition, p. 273)
Numa das Suas palestras nos Estados Unidos, em 1912, ‘Abdu’l-Bahá apresentou um resumo ainda mais sucinto das formas de identificar conclusivamente um educador divino, um profeta de Deus. Enumerou três critérios distintos:
A prova da validade de um Manifestante de Deus reside na difusão e poder da Sua Palavra, no desenvolvimento dos atributos celestiais nos corações e nas vidas dos Seus seguidores e na transmissão da educação divina à humanidade. Esta é a prova absoluta. O mundo é uma escola na qual devem existir Mestres da Palavra de Deus. A evidência da capacidade destes Mestres é a educação eficaz dos alunos que se formam. (The Promulgation of Universal Peace, p. 340)
Vamos então enumerar estes três critérios e ver se conseguimos demonstrar racional e historicamente a sua eficácia:
- A difusão e a poder da sua palavra
- O desenvolvimento de atributos celestiais nos corações e nas vidas dos seus seguidores
- A transmissão da educação divina ao mundo da humanidade.
Vemos nesta breve lista, que ‘Abdu’l-Bahá omitiu qualquer referência a profecias ou milagres de qualquer tipo. Ele explicou que apoiarmo-nos em argumentos tradicionais deste tipo nunca convenceria uma mente racional e, por isso, concentrou-se em provas racionais, que qualquer pessoa imparcial pudesse compreender e aceitar.
Eis, dessa mesma palestra, a explicação racional de ‘Abdu’l-Bahá sobre a prova da missão divina de Cristo:
O propósito e a missão dos santos Mensageiros divinos é a instrução e o progresso da humanidade, o desenvolvimento dos frutos divinos nos jardins dos corações humanos, o reflexo do esplendor celestial nos espelhos das almas humanas, o desenvolvimento da capacidade mental e o aumento da sensibilidade espiritual. Quando estes resultados e desenvolvimentos são testemunhados na humanidade, a função e a missão dos Manifestantes tornam-se inconfundíveis. Cristo, único e solitário, sem escolaridade ou educação formal, e instruído para trabalhar na oficina de um carpinteiro, apareceu no mundo na época em que a nação judaica se encontrava na sua maior humilhação. Este jovem radiante, sem riquezas, poder militar ou prestígio, resgatou os judeus que nele acreditaram da tirania e da degradação, elevando-os ao mais alto nível de desenvolvimento e glória. Pedro, o seu discípulo, era pescador. Através do poder de Cristo, Ele iluminou todos os horizontes do mundo. Além disso, diversos povos das nações grega, romana, egípcia e assíria estavam unidos em harmonia e concórdia; onde antes havia guerra e derramamento de sangue, agora manifestava-se a humildade e o amor, e os fundamentos da religião divina estavam estabelecidos, para nunca serem destruídos. Isto prova que Cristo foi um Mestre e Educador celestial para toda a humanidade, pois tais evidências são históricas e irrefutáveis, não baseadas na tradição ou em relatos circunstanciais. O poder da Sua Palavra em unir estas nações é tão claro e evidente como o sol ao meio-dia. Não há necessidade de mais demonstrações. (Idem, pags. 340-341)
Sabemos historicamente que a palavra de Cristo entrou nos corações e nas almas dos Seus seguidores. Sabemos também que estes primeiros cristãos desenvolveram atributos celestiais nas suas acções, como resultado dos ensinamentos de Jesus, que concedeu "educação divina ao mundo da humanidade". Os ensinamentos Bahá’ís afirmam que só os profetas de Deus conseguem ajudar a humanidade a passar do progresso material para uma civilização divina.
Bahá’u’lláh ensina que a civilização material está incompleta, é insuficiente e que a civilização divina deve ser estabelecida. A civilização material diz respeito ao mundo da matéria ou dos corpos, mas a civilização divina é o domínio da ética e da moral. Enquanto o nível moral das nações não avançar e as virtudes humanas não atingirem um nível elevado, a felicidade da humanidade será impossível. Os filósofos fundaram a civilização material. Os profetas fundaram a civilização divina. Cristo foi o Fundador da civilização celestial. A humanidade recebe as dádivas da civilização material, bem como da civilização divina, dos profetas celestiais. A capacidade para alcançar um progresso extraordinário e louvável é concedida por Eles através do sopro do Espírito Santo, e a civilização celestial não seria possível de alcançar ou realizar de outra forma. Isto evidencia que a humanidade necessita de dádivas celestiais, e enquanto dádivas celestiais não forem recebidas, a felicidade eterna não poderá ser alcançada. (Idem, pag. 375)
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Texto original: The 3 Criteria of a True Prophet (www.bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.




