sábado, 19 de setembro de 2020

O Caminho, a Verdade e a Vida

Por Maya Bohnhoff.


Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes firmado a vossa confiança. Porque, se, de facto, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito. Se, porém, não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras? (5: 45-47)
Quando era Cristã, sempre me pareceu claro que o Judaísmo e o Cristianismo eram etapas reveladas progressivamente da mesma fé. Vários textos bíblicos fazem referência a isto. Um delas, Hebreus 1:1-2, afirma:
Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho…
Outra, em Actos 3:20-22, cita o apóstolo Pedro:
... e que envie ele o Cristo, que já vos foi designado, Jesus, ao qual é necessário que o céu receba até aos tempos da restauração de todas as coisas, de que Deus falou por boca dos seus santos profetas desde a antiguidade. Disse, na verdade, Moisés: O Senhor Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim; a ele ouvireis em tudo quanto vos disser.
Esta passagem é especialmente importante porque mostra a forma como os discípulos entendiam Cristo como “um profeta semelhante a mim”, tal como Moisés profetizara. Na verdade, Pedro cita o livro do Deuteronómio, usando palavras de Moisés.

Isto define a essência da revelação progressiva.

Se o Judaísmo e os Cristianismo são a mesma fé aos olhos de Deus, não será lógico as religiões ensinadas por Krishna, Buda, Zoroastro, Maomé e Bahá’u’lláh sejam também etapas progressivamente reveladas da mesma Fé?

Eu acredito que é assim que trabalha o Deus que Cristo revela nos Evangelhos. O Deus de Cristo é um Pai que ama TODOS os Seus filhos, não apenas alguns favorecidos, Jesus afirma que Deus não alimenta, veste e educa apenas uma criança e deixa outras com fome, com frio e na ignorância. Assim, é lógico que se Deus nos enviou profetas “desde o princípio do mundo”, Ele teria enviado alguns desses profetas aos Seus filhos por todo esse mundo. Ele teria enviado Krishna e Buda à Índia, Zoroastro à Pérsia, Maomé aos povos da Arábia, etc.

Os teólogos Cristãos defendem que Deus tem algumas “providências” para as almas que nunca conheceram Moisés ou Jesus. Os Bahá’ís acreditam que essas providências são semelhantes à providência que Ele ofereceu aos Judeus: o aparecimento de um novo profeta para ensinar a Sua Palavra.

Isto leva-me à segunda questão transmitida por um leitor: “Jesus disse que Ele era o único caminho para conhecer Deus; então como pode existir outro caminho?

Fechámos o círculo na resposta à primeira pergunta sobre como religiões aparentemente diferentes podem ser uma única.

A Bíblia mostra que Deus revela a Sua religião progressivamente, segundo a capacidade da audiência. Mostra que Moisés e Jesus ensinaram a mesma Fé, mas para pessoas com diferentes capacidades e em diferentes momentos. Por isso, esta é a pergunta que se segue: Se Jesus é o único caminho eterno, então os Judeus foram enganados quando seguiram Moisés?

A maioria dos Cristãos rejeita esta ideia. Eles entendem que Moisés era diferentes de outros profetas, conforme se diz explicitamente no Antigo Testamento:
...se entre vós há profeta, eu, o Senhor, em visão a ele, me faço conhecer ou falo com ele em sonhos. Não é assim com o meu servo Moisés, que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a forma do Senhor… (Números 12:6-8)

Falava o Senhor a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo. (Êxodo 33:11)
Jesus venerava Moisés como o único entre os homens que tinha visto a “forma” de Deus. Jesus afirma esta mesma distinção, conforme registado em João 6:45-46:
Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim. Não que alguém tenha visto o Pai, salvo aquele que vem de Deus; este o tem visto.
Nesta passagem e noutras, Jesus afirma – tal como Moisés – que Ele viu Deus face a face. Tal como Moisés, Ele fala com a autoridade de Deus. Seria de admirar que que Ele tivesse enfurecido os Fariseus?

Então, vamos assumir que Deus queria ensinar os Seus outros filhos – os não-Judeus que vivam noutras partes do mundo. Não iria Ele enviar-lhes mensageiros e profetas como Moisés ou Jesus? Vamos supor que sim. Se Moisés e Jesus não são rivais, então porque poderíamos supor que os outros profetas seriam rivais?

Assim, não é surpreendente que cada um desses Mensageiros tenha usado expressões semelhantes para definir a sua relação com Deus e com os seres humanos.
Eu sou o Caminho e o Mestre que ensina em silêncio; o teu amigo e teu abrigo e a tua morada da paz. Eu sou o princípio, o meio e o fim de todas as coisas; a sua semente de Eternidade e seu Tesouro supremo. (Krishna, Bhagavad Gita 9:16-18)

Em verdade, este é o caminho – não existe outro – para a purificação da visão. Segui este Caminho. Ensinei-vos o Caminho… fazer o esforço é convosco. (Gautama Buddha, Dhammapada vs. 274-276)

Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim. Se vós me tivésseis conhecido, conheceríeis também a meu Pai. Desde agora o conheceis e o tendes visto. (João 14:6-7)

Este é o caminho do Senhor, que conduz à rectidão: detalhámos os sinais para aqueles que receberam a advertência. Para eles haverá um lar de paz na presença do seu Senhor: Ele será amigo deles porque eles praticaram [a rectidão]. (Alcorão 6:126-127)

...Ele manifestou aos homens as Estrelas do Dia da Sua orientação Divina, os Símbolos da sua unidade divina, e decretou que o conhecimento destes Seres santificados fosse idêntico ao conhecimento do Seu próprio Ser. Quem os reconheceu, reconheceu Deus. Quem deu ouvidos aos Seus chamamentos, deu ouvidos à voz de Deus, e quem testemunhou a verdade das suas revelações, testemunhou a verdade do próprio Deus… Cada um deles é o Caminho de Deus que liga este mundo aos reinos do alto… Eles são as Manifestações de Deus entre os homens, as evidências da Sua Verdade, os sinais da Sua glória. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, XXI)
Por isto, todas as fés podem ser uma única, e todas conduzem ao bem – da mesma forma que a fé ensinada por Abraão, José, Moisés e Jesus era apenas uma.

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Texto original: The Way, the Truth, the Life (www.bahaiteachings.org)


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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.


sábado, 12 de setembro de 2020

Os Bahá’ís são Capitalistas ou Socialistas?

Por David Langness.



Os princípios Bahá'ís, à semelhança dos ensinamentos das grandes religiões mundiais, ou talvez ainda mais, dão uma enorme atenção ao aliviar da situação precária dos pobres. Mas isto significa que os Bahá'ís são socialistas?

Assunto constante e consistente nas escrituras de Bahá'u'lláh e 'Abdu'l-Bahá, a pobreza e a sua diminuição representam uma prioridade essencial para todos os Bahá'ís individuais e para todas as instituições administrativas Bahá'ís. Não há qualquer dúvida que Bahá’u’lláh instou repetidamente a humanidade a dar prioridade, a proteger e a cuidar dos pobres:
Sede dignos de confiança na terra e não recuseis aos pobres as coisas que vos foram dadas por Deus através da Sua graça. (Baha’u’llah, The Summons of the Lord of Hosts, ¶149)

Ó ricos da terra! Se encontrardes um pobre, não o trateis com desdém. Reflecti sobre aquilo do qual fostes criados. Cada um de vós foi criado de um pobre embrião. (Idem, ¶151)

Ó filho do espírito! Não te enalteças acima do pobre, pois Eu guio-o no seu caminho, enquanto te contemplo na tua condição perversa e te confundo para sempre. (Bahá’u’lláh, As Palavras Ocultas, #25, do árabe)

Ó filho do homem! Entrega a Minha riqueza aos Meus pobres, para que no céu possas obter uma abundância de esplendor imperecível e tesouros de glória perpétua. Mas por Minha vida! Oferecer a tua alma é a coisa mais gloriosa, se apenas pudesses ver com os Meus olhos. (Bahá’u’lláh, As Palavras Ocultas, #57, do árabe)

Ó filhos do pó! Falai aos ricos sobre os suspiros nocturnos do pobre, para que a imprudência não os conduza ao caminho da destruição e os privem da Árvore da Riqueza. Dar e ser generoso são atributos Meus; bem-aventurado quem se adorna com as Minhas virtudes. (Bahá’u’lláh, As Palavras Ocultas, #49, do persa)
Quando as pessoas conhecem os ensinamentos Bahá'ís e começam a estudá-los, esta ênfase na erradicação da pobreza pode levar a pensar que os Bahá'ís defendem uma abordagem socialista tradicional – mas isso seria um erro.

A Casa Universal de Justiça, o corpo administrativo mundial da Comunidade Bahá’í, descreveu a posição Bahá’í sobre esta ideologias económicas do capitalismo e do socialismo, numa mensagem de 1985, intitulada A Promessa da Paz Mundial:
Lamentavelmente, muitas dessas ideologias, em vez de abraçarem o conceito de unidade da humanidade e promoverem o aumento da concórdia entre os diversos povos, manifestaram tendência a deificar o Estado, a sujeitar o resto da humanidade ao domínio de uma nação, raça ou classe, a procurar suprimir toda a discussão e o intercâmbio de ideias, ou a abandonar friamente milhões de seres humanos à sorte de um sistema de mercado que, de forma mais que patente, está a agravar as difíceis condições em que se encontra a maioria da humanidade, ao mesmo tempo que permite que pequenas parcelas vivam em condições de riqueza, com que os nossos antepassados dificilmente poderiam sonhar.
Cada um destes dois modelos económicos dominantes - salientam os ensinamentos Bahá'ís – baseia-se numa doutrina de materialismo, que define as pessoas essencialmente como egoístas e seres consumistas que sempre dão prioridade aos seus próprios interesses. O capitalismo – que dá prioridade ao lucro – e o socialismo – que dá prioridade à redistribuição de riqueza - têm este conceito essencial em comum. Ambos os sistemas evoluíram na era moderna em torno de uma filosofia de interesses próprios que consagrou ideais materialistas como forças dominantes na vida humana. A Fé Bahá’í baseia os seus ensinamentos económicos numa base completamente diferente: nós, os seres humanos, temos a capacidade para desenvolver as nossas capacidades espirituais e altruístas na busca da justiça, unidade e equidade para todos os povos, ultrapassando os egoísmos e desenvolvendo uma sociedade global sustentável.



Não somos indivíduos essencialmente gananciosos e egoístas; pelo contrário, dizem-nos as Escrituras Bahá’ís, somos seres nobres, com capacidade de expressar amor e compaixão pelos outros

Neste sentido, os Bahá’ís consideram que não são socialistas, nem capitalistas. Em vez disso, os ensinamentos Bahá’ís reconciliam e combinam os melhores aspectos de ambos os sistemas económicos, e evitam os elementos de cada um que conduzem à opressão e à injustiça.

Considerando a grande disparidade na distribuição da riqueza do mundo, a Casa Universal de Justiça apelou à humanidade e aos governos que avaliassem seriamente os impactos morais destes dois sistemas económicos mundiais:
Chegou o momento em que aqueles que pregam os dogmas do materialismo, quer do Leste ou do Oeste, tanto o capitalismo quanto o socialismo, terão de apresentar contas da tutela moral que têm presumido exercer. Onde está o "novo mundo" prometido por essas ideologias? Onde está a paz internacional a cujos ideais proclamaram a sua devoção? Onde estão os avanços para novos domínios de progresso cultural, produzidos pelo enaltecimento desta raça, daquela nação ou de determinada classe? Porque é que a vasta maioria dos povos do mundo está se afundando cada vez mais na fome e na miséria, enquanto os árbitros actuais dos afazeres humanos têm a sua disposição riquezas incalculáveis, numa escala jamais concebida pelos Faraós e pelos Césares, e nem mesmo pelas potências imperialistas do século passado?

Muito em especial, é na glorificação das conquistas materiais – simultaneamente origem e característica comum de todas essas ideologias – que encontramos as raízes da falsa crença de que seres humanos são incorrigivelmente egoístas e agressivos. E é aqui que o terreno tem de ser desobstruído para a edificação de um novo mundo digno dos nossos descendentes.

O facto dos ideais materialistas, quando examinados à luz da experiência, terem sido incapazes de satisfazer as necessidades da humanidade, exige reconhecimento honesto de que agora deve ser feito um novo esforço para encontrar soluções para os problemas angustiantes do planeta. (Idem)
Os Bahá'ís acreditam, simplesmente que todos nós temos almas e que cada uma das nossas almas têm um destino superior aos seus meros interesses pessoais. Além disso, cada um de nós tem potencial, capacidade e vontade de amar os outros, ao ponto de nos podermos considerar todos como membros de uma única família humana:
Certamente, alguns sendo tremendamente ricos e outros lamentavelmente pobres, torna-se necessária uma organização para controlar e melhorar este estado de coisas. É importante limitar as riquezas, assim como é importante limitar a pobreza. Qualquer um dos extremos não é bom. Estar colocado no meio é o mais desejável. Se é correcto que um capitalista possui uma grande fortuna, é igualmente justo que o seu operário tenha meios de subsistência suficientes. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks)
Comprometermo-nos com este tipo de equidade e justiça, e com a estrutura necessário que a torne uma realidade, significa que cada um de nós pode contribuir para as soluções espirituais dos problemas causados negligência ou indiferença dos actuais sistemas económicos. Todos podemos ajudar os sem-abrigo de muitas maneiras, com um sorriso, ou uma refeição, ou trabalhando com outros para lhes proporcionar alojamentos e serviços. Quando nos focamos nas nossas realidades espirituais, podemos voluntariar-nos no serviço aos outros, e certamente que alguns desses actos de serviço altruísta elevarão e enriquecerão as nossas almas:
Assim, desejo que os vossos corações se possam dirigir ao Reino de Deus, que as vossas intenções possam ser puras e sinceras, que os vossos propósitos se voltem para realizações altruístas esquecidos do vosso próprio bem-estar; pelo contrário, que todas as vossas intenções se centrem no bem-estar da humanidade e possais sacrificar-vos no caminho da devoção à humanidade. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace)

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Texto original: Are Baha’is Capitalists or Socialists? (www.bahaiteachings.org)


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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.






sábado, 5 de setembro de 2020

Compreender os Mandamentos dos Homens

Por Maya Bohnhoff.


Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de Mim. E em vão Me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos de homens. (Mateus 15:8-9)
No artigo anterior, analisei a resposta à pergunta sobre o porquê das religiões – supondo que vêm do mesmo Deus – parecem tão diferentes ao observador casual. Resumi a resposta em duas palavras: revelação progressiva.

O conhecimento é cumulativo. Para aprender qualquer coisa – por exemplo, cálculo – uma criança necessita duas coisas: 1) conceitos básicos para compreender conceitos avançados de cálculo; 2) capacidade para perceber as implicações desses conceitos e ideias. Os professores das crianças, independentemente das suas próprias capacidades e conhecimentos mais profundos, apenas ensinam aquilo que a criança pode compreender; e em cada fase ajudam-na a aumentar um pouco mais os seus conhecimentos.

De igual modo, os profetas de Deus também nos trazem conceitos básicos: devemos compreendê-los e agir com base neles. Este facto dá-nos a resposta para a segunda parte a resposta à questão sobre diferenças entre as religiões – a capacidade humana:
Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha… E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que edificou a sua casa sobre a areia… (Mateus 7:24-26)
Quando uma criança pequena é agredida por outra, ela irá retaliar instintivamente. A maioria dos pais tenta explicar que bater não resolve a agressão. Numa família religiosa, isto torna-se frequentemente num momento para ensinar à criança um princípio espiritual aparentemente simples conforme expresso na Regra de Ouro (“Não faças aos outros o que não gostarias que fizessem a ti”), ou a exortação de Maomé sobre as pequenas amabilidades, ou o ensinamento de Bahá’u’lláh de que devemos responder ao mal com o bem. Os ensinamentos Bahá’ís resumem estas lições da seguinte forma:
Comportai-vos de acordo com os conselhos do Senhor, ou seja, erguei-vos de tal modo e com tais qualidades que o corpo deste mundo seja dotado por vós com uma alma viva, e essa criança - a humanidade - seja conduzida à idade adulta. Tanto quanto vos for possível, acendei uma vela de amor em cada reunião e, com ternura, regozijai e alegrai cada coração. Cuidai do estranho assim como cuidais de um dos vossos; mostrai aos estrangeiros a mesma benevolência que concedeis aos vossos amigos fiéis. Se alguém vos agredir, procurai tornar-vos amigos dele; se alguém vos ferir o coração, sede vós um bálsamo curador para as suas feridas; se alguém vos atormentar ou escarnecer, acolhei-o com amor. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, #16)
Estas lições não se aprendem rapidamente. A capacidade das crianças cresce ao longo do tempo, e apenas gradualmente conseguem reconhecer a verdade da mensagem e a confiar que pode ser posta em prática. Mesmo após aceitar o ideal de “dar a outra face” ou ser o “bálsamo curador” do agressor, a maioria das crianças ainda pode explodir ocasionalmente quando provocada, ou retribuir críticas mostrando petulância. Mesmo os adultos não conseguem "entender". Eles perdem a paciência, por vezes de forma trágica. Todos os dias, eles cedem aos seus medos, preconceitos e raiva.

A humanidade é aquela criança que se esforça para aprender cálculo divino. Temos ouvido sobre a Regra de Ouro há vários milénios, mas, enquanto espécie, parece que não a entendemos como um objectivo de vida, uma carta régia para um mundo melhor, um mandamento divino, ou uma premissa lógica – por isso ela é repetida.

E ao lidar com a nossa própria falta de aptidão, ficamos aquém do objectivo. Construímos dogmas que explicam a nossa necessidade de transformar. Recriamos Deus e a religião à nossa própria imagem. Em vez de tentarmos encontrar a unidade com as pessoas que são "os outros" - como dizem todos os ensinamentos religiosos – vamo-nos ocupando a fazer selecções e extrapolações das escrituras para justificar porque é que eles não estão incluídos nos conselhos de Deus sobre o amor pelos nossos semelhantes.

Quando comecei a ler os Evangelhos e as Epístolas para chegar às minhas próprias conclusões, percebi algo perturbador – as coisas que os pastores e os teólogos identificaram como os princípios essenciais da fé Cristã (a minha fé) não eram as coisas que Jesus tinha ensinado nos Evangelhos, mas coisas que eles tinham extrapolado e transformado em doutrina. As palavras de Cristo sobre os aspectos básicos da Sua fé estavam nos sermões, mas eram ensinados como se não fossem aspectos fundamentais para a salvação ou para o modo como os Cristãos se devem integrar no mundo.

O motivo pelo qual, num primeiro olhar, a religião parece tão diferente é que pegámos na mensagem que nos foi dada por Cristo, por Maomé, por Krishna, por Buda e alterámo-la para se adequar às nossas sensibilidades infantis. A lógica sectária da doutrina, do ritual e da prática é muitas vezes a lógica de uma criança: Sim, nunca se deve bater em ninguém, A MENOS que te batam primeiro ... ou se eles estiverem a olhar para ti como se estivessem a pensar em bater-te... ou se ouviste rumores de que eles batiam nas pessoas.

Frequentemente ouço o argumento de que Deus ama todos os Seus filhos, mas não ama gays, não-Cristãos, imigrantes ilegais porque no fundo não filhos d’Ele. Não estão abrangidos pelo Sermão da Montanha ou pela Regra de Ouro ou pela parábola do Bom Samaritano porque… (arranja-se uma justificação qualquer…)

A realidade é que é muito difícil amar alguém que não faz parte dos nossos.

Jesus falou desta dificuldade quando nos deu a Regra de Ouro:
Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas. Entrai pela porta estreita… porque estreita é a porta, e apertado, o caminho que conduz para a vida, e são poucos os que acertam com ela. (Mat 7:12-14)
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Texto original: Understanding the Commandments of Men (www.bahaiteachings.org)


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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.


sábado, 29 de agosto de 2020

A Revelação Divina terminou?

Por Maya Bohnhoff.


O Propósito do Deus Uno e Verdadeiro - exaltada seja a Sua Glória - em revelar-Se aos homens, é pôr à mostra aquelas joias que jazem ocultas na mina dos seus próprios verdadeiros e mais íntimos seres. Que às diversas comunhões da terra e aos múltiplos sistemas de crença nunca seja permitido fomentar sentimentos de animosidade entre os homens é, neste Dia, a Essência da Fé de Deus e da Sua Religião. Estes princípios e leis, estes sistemas firmemente estabelecidos e poderosos, proveem de uma única Origem e são os raios de uma única Luz. O facto de que diferirem uns dos outros deve ser atribuído aos diversos requisitos das épocas em que foram promulgados. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, CXXXII)
Recentemente um leitor apresentou-me uma série de questões de um amigo Cristão que falava ao coração das crenças Bahá’ís. As questões focavam-se especificamente nos ensinamentos de Bahá’u’lláh que descrevem a Fé de Deus como revelando-se progressivamente e de acordo com a nossa capacidade, em contraste com a crença prevalecente entre o Cristianismo de que Jesus é, para todo o sempre, a única fonte de orientação divina.

A primeira pergunta: se os Bahá’ís acreditam em todas estas religiões anteriores, como explicam as inconsistências entre elas? Não podem ser todas verdadeiras, pois não?

A segunda pergunta: Jesus disse várias vezes aos Seus seguidores que Ele era o único caminho para conhecer Deus; então como pode existir outro caminho?

Estou bastante familiarizada com estas perguntas - porque são as mesmas que coloquei quando ouvi falar da Fé Bahá’í pela primeira vez. Fiquei surpreendida com as respostas e com o local onde as encontrei: a Bíblia.

Como Cristã, eu entendia que aquilo a que eu chamava Antigo Testamento era a Tanakh da fé Judaica. Esta escritura é constituída pela Lei (a Torá), os Profetas (Neviim) e as Escrituras (Ketuvim). O principal Profeta da fé Judaica é Moisés. E também entendia o seguinte: apesar dos teólogos Judaicos terem considerado a mensagem de Jesus como sendo contraditória com a fé ensinada por Moisés, Jesus não considerava a Sua fé dessa forma. E nem eu, nem nenhum Cristão considerávamos contraditória. Pelo contrário, acreditávamos que Jesus cumprira a fé de Moisés.

De facto, é o próprio Jesus que o afirma: “Não penseis que vim revogar a Lei ou os Profetas; não vim para revogar, vim para cumprir.” (Mt 5:17)
Assim, isto levanta uma outra pergunta: serão o Judaísmo e o Cristianismo religiões diferentes ou fases diferentes da mesma religião?

No mínimo, os Cristãos concordam que não estão em conflito – Moisés não era falso porque Jesus era verdadeiro e vice-versa. E agora temos ainda mais uma pergunta: porque é que têm ensinamentos diferentes? Porque é que Jesus manteve algumas coisas – os mandamentos essenciais de amar a Deus e aos nossos semelhantes – e alterou outras – as leis do divórcio e do Sábado?

Esta questão não requer interpretação: Jesus explica-a em Mateus 19:7-9 quando os Fariseus perguntaram porque é que Moisés lhes deu uma lei de divórcio diferente. Ele diz: “Por causa da dureza do vosso coração é que Moisés vos permitiu repudiar vossa mulher; entretanto, não foi assim desde o princípio.

É isto que Bahá’u’lláh pretende dizer quando fala de revelação progressiva. Moisés ensinou uma coisa devido à dureza do coração humano (isto é, a falta de capacidade espiritual num certo momento); Jesus ensinou algo diferente, não porque Deus mudou, mas porque nós mudámos. Além disso, Jesus diz aos Seus discípulos que não lhes deu um conhecimento completo, porque eles não o poderiam suportar. João 16: 12-13 afirma: “Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da Verdade, ele vos guiará a toda a verdade…

Por este motivo, a Bíblia ilustra uma única fé, progressivamente revelada por Moisés e Jesus – mensageiros ungidos de um único Deus. Existe continuidade: Moisés ensinou certas coisas, algumas das quais Cristo continuaria a ensinar e outras iria alterar. E Cristo omitiu coisas porque nem os Seus próprios discípulos as poderiam compreender, e prometeu que outro Mensageiro (o Espírito da Verdade) virá ensinar mais tarde.

Isto, em parte, explica as diferenças entre a fé ensinada por Moisés e a fé ensinada por Jesus. Estas focam-se em diferentes necessidades e capacidades. Da mesma forma que um professor não ensina as mesmas coisas a alunos do primeiro e do nono ano, também Moisés e Cristo ensinaram coisas diferentes aos Seus alunos. Bahá’u’lláh descreve isso desta maneira:
O Médico Omnisciente tem o Seu dedo no pulso da humanidade. Ele percebe a doença e, na Sua sabedoria infalível, prescreve o remédio. Cada era tem o seu próprio problema, e cada alma a sua aspiração particular. O remédio que o mundo necessita nas suas aflições actuais nunca poderá ser o mesmo exigido numa era posterior. Preocupai-vos impacientemente com as necessidades da era em que viveis e concentrai as vossas deliberações nas suas exigências e nos seus requisitos. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, CVI)
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Texto original: Has Revelation Ceased? (www.bahaiteachings.org)


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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.




sábado, 22 de agosto de 2020

Será que todos adoramos o mesmo Deus?

Por Joseph Roy Sheppherd.



Será que todos adoramos o mesmo Deus? Sim, os ensinamentos Bahá’ís dizem inequivocamente que sim. Apesar das nossas diferenças linguísticas, culturais, e históricas, somos todos iguais aos olhos de um Deus único.

Independentemente da Fé que seguimos ou de como designamos o Criador, é o mesmo Deus que ouve as nossas orações.

Bahá’u’lláh explicou que a criação está separada do Criador. No entanto, os ensinamentos Bahá´ís indicam que em toda a criação podemos ver indícios do trabalho de Deus. Desde o majestoso movimento das estrelas e planetas na nossa galáxia até aos próprios átomos que a compõem, tudo reflecte o espantoso e impressionante trabalho do Criador:
Todo o louvor à unidade de Deus e toda a honra a Ele, o Senhor soberano, o incomparável e todo glorioso Governante do universo, Que do nada absoluto criou a realidade de todas as coisas, Que do nada trouxe para a existência os mais refinados e subtis elementos da Sua criação, e Que, salvando as Suas criaturas da humilhação do afastamento e dos perigos da derradeira extinção, as recebeu no Seu reino de glória incorruptível. Nada salvo a Sua graça abrangente, a Sua misericórdia omnipresente, poderia consegui-lo. (…)

Tendo criado o mundo e tudo o que nele vive e se move, Ele, através da operação directa da Sua Vontade irrestrita e soberana, decidiu conferir ao homem a distinção e capacidade únicas de O conhecer e amar – uma capacidade que deve necessariamente ser vista como o impulso gerador e propósito principal subjacente a toda a criação… (Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh, XXVII)
As escrituras Bahá’ís dizem que a existência do universo e o processo dinâmico que governa o aparecimento da própria vida são uma prova de que tudo emana da Vontade Divina. Deus criou não só a interacção física complexa de forças que actuam na natureza, mas também planos mais subtis de existência, dimensões invisíveis aos olhos humanos, cuja existência está para lá da percepção dos sentidos e da mente, um cosmos imaterial que interage com a nossa natureza espiritual. Estas múltiplas dimensões constituem uma realidade maior do que o universo físico:
É verdadeiramente um crente na Unidade de Deus quem reconhece em cada coisa criada um sinal da revelação d’Aquele Que é a Verdade Eterna, e não aquele que sustenta que a criatura é indistinguível do Criador. (Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh, XCIII)
Para o individuo, Bahá’u’lláh ensinou que o propósito da nossa criação é conhecer e amar Deus:
Sabei que o vosso verdadeiro adorno consiste no amor a Deus e no vosso desprendimento de tudo salvo d’Ele, e não nos luxos que possuis. Abandonai-os para aqueles que os procuram e volvei-vos para Deus, O que faz fluir os rios. (Baha’u’llah, The Summons of the Lord of Hosts, p. 61)
Mas como Podemos conhecer Deus, se Deus é incognoscível? Nas escrituras Bahá’ís, Deus é referido por atributos e não por descrições: o Omnisciente, a Suprema Sabedoria, o Que Sempre Perdoa, o Mais Generoso, o Omnipotente, o Todo-Glorioso, o Mais Gracioso, etc.

Estas qualidades divinas são descritas com palavras cujo significado mais simples está ao alcance da compreensão humana, mas que apenas podem ser aludidas dentro dos limites da linguagem – pois nunca poderíamos desenvolver um vocabulário espiritual adequado para descrever os atributos de Deus. A utilização destes termos qualificativos nas escrituras Bahá’ís demonstra claramente que Deus transcende as noções de forma ou constituição, raça ou género.

Esta existência não tem local ou condição e refere uma essência incognoscível que não se pode antropomorfizar. Assim, Deus não é um velho de barbas brancas, sustentado por uma hoste de anjos, conforme retratado por Michelangelo; Deus não é uma mulher nua coberta de estrelas arqueada sobre a terra, conforme mostra a iconografia egípcia; Deus não é qualquer imagem modelar com um halo circular, radiante, flamejante ou triangular. Deus não é uma série de coisas. Deus não é criado à nossa imagem, nem à imagem de qualquer linguagem simbólica que criámos no passado. Deus é aquilo que é – e os ensinamentos de muitas religiões dizem-nos que nós fomos criados à imagem de Deus.

Bahá’u’lláh ensina-nos que a nossa parte etérea, a nossa realidade espiritual, reflecte a imagem divina.

Por outras palavras, os seres humanos são essencialmente criaturas espirituais com corpos físicos que mudam de forma e dimensão no decorrer da vida, mas cujo ser interior não é afectado e continua a progredir independentemente da condição do veículo físico que o contém. Colectivamente, enquanto espécie, os seres humanos sempre possuíram almas e o potencial para reconhecer a existência do nosso Criador, independentemente da forma particular que os nossos corpos possam ter assumido ao longo da nossa existência material. Somos entidades portadoras de alma cuja razão de ser sempre foi conhecer e amar Deus:
O propósito de Deus ao criar o homem sempre foi, e sempre será, permitir-lhe conhecer o seu Criador e alcançar a Sua Presença. Deste propósito excelso, deste objectivo supremo, dão testemunho inequívoco todos os livros celestiais e todas as poderosas Escrituras divinamente reveladas. (Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh, XXIX)
O tempo de duração da nossa existência física é infinitesimal quando comparado com a extensão e duração do universo ao nosso redor; a nossa vida na Terra é um momento efémero e uma pequena parte do motivo pelo qual Deus nos criou.

Conhecer e amar Deus – ensinou Bahá’u’lláh – constitui um processo eterno que continua após a vida física. Em cada um de nós existe uma identidade espiritual perfeitamente adequada a este processo eterno; uma realidade imortal, parte de uma dimensão espiritual invisível. Todo o universo físico está envolvido e impregnado por esta dimensão espiritual, uma infinidade dentro de uma infinidade.

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Texto original: Do We All Worship the Same God? (www.bahaiteachings.org)


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Joseph Sheppherd faleceu 2015. Foi um antropólogo e arqueólogo linguístico e cultural. Viveu nos Estados Unidos, Reino Unido, Panamá, Colômbia e Eslováquia. Passou vários anos entre os povos das selvas dos Camarões e da Guiné Equatorial. Foi professor, escritor, escultor, artista gráfico, artesão e pintor. Publicou 10 livros onde abordou diversos temas, desde assuntos profissionais até aos temas Bahá'ís, passando pela poesia, ficção e literatura infantil.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Uma cura espiritual para a fadiga do Zoom

Por Makeena Rivers.



Recentemente comecei a sentir-me cansada do Zoom, como se me arrastasse para o painel dos meus compromissos. Uma reunião devocional – também no Zoom – ajudou-me a conseguir outra perspectiva.

Juntei-me a um encontro devocional online de mulheres que algumas amigas minhas organizavam mensalmente há já algum tempo. Nestes tempos de isolamento social, comecei a sentir que me era cada vez mais difícil participar em qualquer reunião online com motivação e alegria. E apesar desta reunião ser devocional, antes de começar, percebi que começava a sentir uma irritação subtil que também sentia antes de outros compromissos no Zoom.

No entanto, quando a reunião começou, notei imediatamente que a minha atitude mudou. Começámos com uma conversa leve, e a natureza genuína e informal do grupo aliviaram o meu humor. Deixei de pensar na reunião como uma obrigação e fiquei mais à vontade – desliguei a câmara quando me levantei para ir fazer um chá e acabei por esquecer da influência da pandemia nas nossas vidas. A certa altura, começámos a dizer as intenções das nossas orações. Cada mulher do grupo disse o propósito da sua oração, que iam desde um relacionamento amoroso mais intenso ao bem-estar ambiental.



Senti que me envolvia na conversa, entusiasmada por orar com o grupo de mulheres. ‘Abdu’l-Bahá, o filho do profeta fundador da Fé Bahá’í, disse: “A alegria dá-nos asas! Nos momentos de alegria a nossa força é mais vigorosa, o nosso intelecto é mais perspicaz, e a nossa compreensão menos confusa. Sentimo-nos mais capazes de enfrentar com o mundo e encontrar a nossa esfera de utilidade.” Percebi que estávamos a construir alegria através de conversas honestas e significativas, mesmo quando falávamos das tensões e lutas que cada uma de nós enfrentava.

As Escrituras Bahá’ís descrevem a oração como uma plataforma para pedirmos a Deus qualquer coisa que desejamos. Um trecho encoraja-nos: “Fecha os teus olhos para todas as outras coisas, e abre-os para o reino do Todo-Glorioso. Pede qualquer coisa que desejes apenas a Ele; procura qualquer coisa que pretendas apenas n’Ele. Com um olhar, Ele concede cem mil desejos, com um vislumbre Ele cura cem mil doenças incuráveis, com um aceno Ele coloca um bálsamo em todas as feridas, e num relance Ele liberta os corações dos grilhões da dor.”

Ao oscilar entre altos e baixos da quarentena e estando cansada do Zoom, tento manter a oração em primeiro plano na minha mente. É uma das coisas que alivia a minha irritabilidade e me ajuda a sentir focada, presente e feliz.

‘Abdu’l-Bahá também escreveu: “Quando um homem encontra a alegria da vida num local, ele regressa a esse mesmo local à procura de mais alegria. Quando um homem encontra uma mina de ouro, ele regressa a essa mina para escavar à procura de mais ouro. Isto mostra que existe a força interna e o instinto natural que Deus deu ao homem, e o poder da energia vital que nasce nele.”

Sim, por vezes ainda me sinto cansada do Zoom, e também gostava que todos os dias pudéssemos fazer orações juntos e presencialmente. Mas gosto da maneira como continuamos a encontrar formas criativas de nos ligarmos e de nos apoiarmos espiritualmente. Ser acessível, honesta e conversadora na minha oração com pessoas que me são queridas é uma fonte maravilhosa de alegria que me protege de tensões emocionais.

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Texto original: A Spiritual Cure to My Zoom Burnout (www.bahaiteachings.org)


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Makeena Rivers é uma recém-graduada pela Columbia School of Social Work (Nova Iorque) onde se focou em assuntos de raça, reclusão, educação e classe. Anteriormente tinha estudado psicologia e sociologia na Emory University.