domingo, 24 de janeiro de 2021

Encontrar contentamento na vida

Por David Langness.


Ó FILHO DA LUZ!
Esquece-te de tudo, menos de Mim, e comunga com o Meu espírito. Esta é a essência do Meu mandamento; portanto, volta-te para ele.

Ó FILHO DO HOMEM!
Contenta-te Comigo e não procures outro auxílio, pois nunca ninguém, salvo Eu, te será suficiente.

Ó FILHO DO ESPÍRITO!
Não Me peças o que não te desejamos; assim, contenta-te com o que decretámos para teu bem, pois isto é o que te beneficia, se com isso te contentares. (Bahá'u'lláh, As Palavras Ocultas, do árabe, #16, #17, #18)

Estas três Palavras Ocultas expressam o âmago dos conselhos de Deus para a humanidade.

Esquecer tudo salvo Deus, ficar satisfeito apenas com Deus, e comungar com o Seu espírito é o que Bahá’u’lláh nos pede. Esta advertência e conselho - tão antigo quanto a história e afirmado novamente nos ensinamentos Bahá’ís - pode trazer-nos paz, satisfação e felicidade. Pode levar-nos ao nosso próprio desejo íntimo e inescrutável de fusão com o eterno.

Tal como a maioria dos textos místicos nas Escrituras Bahá’ís, e como a maioria dos livros sagrados de todas as religiões, estes versículos não devem ser entendidos literalmente. Pelo contrário, eles falam numa forma poética, imaginativa e simbólica, chamando-nos para um nível mais elevado de entendimento e compreensão, apelando-nos a que tentemos captar o mistério da vida e nos esforcemos para conhecer o incognoscível. Apenas a linguagem do amor e da paixão podem expressar verdades tão profundamente. Os grandes poetas sabiam isto:

O verdadeiro amado é o teu princípio e o teu fim
Quando o encontrares,
não esperarás qualquer outra coisa. 
(Rumi)

Todas as fontes com o rio se fundem
E os rios com o oceano;
Os ventos, pelos ares, uns aos outros se unem
Com fragrante emoção;
Nada fica sozinho neste mundo;
Tudo, por fado antigo,
Entre si se mistura e se confunde:—
Porque não eu consigo?

Olha! As montanhas beijam o firmamento,
A onda, a onda enlaça;
Nenhuma flor-irmã tem valimento
Se o irmão não abraça;
A luz do Sol envolve a terra à roda,
Raios do luar beijam os mares: —
Mas toda esta ternura que me importa
Se tu não me beijares?
(Percy Bysshe Shelley, tradução de Herculano de Carvalho)

Os poetas falam de amor, os trovadores cantam o amor e os artistas tentam retratar o amor. Este instinto profundamente humano de unidade, contentamento e ligação leva-nos a passar as nossas vidas à procura dele. Todos temos este grande anseio do coração humano - não apenas pelo amor romântico, mas por uma fusão mais ampla e poderosa das nossas almas com o Criador.

Esse tema universal mostra que as formas superiores de arte tendem a concentrar-se na exploração do desejo primordial dos nossos corações pelo amor. Nessa grande arte - os sonetos de Shakespeare, a poesia mística de Rumi, Ibn Arabi e Hafiz, o melhor gospel e rock and roll e música tribal - o amor romântico torna-se uma metáfora, um símbolo do amor apaixonado entre a humanidade e o Divino.

E finalmente, o nosso destino colectivo chama-nos para esse encontro transcendente com o amor de Deus. Nas Palavras Ocultas de Bahá’u’lláh, este mesmo tema poético e místico está presente em vários momentos ao longo do livro. E no Livro da Certeza, Bahá’u’lláh insta-nos a olhar em frente, no decorrer das nossas vidas, para o nosso inevitável encontro com a realidade espiritual:

Ó meu irmão! Dai o passo do espírito, para que, rápido como um piscar de olhos, possais passar rapidamente pelos desertos do afastamento e da privação, e atinjas o Ridvan da reunião eterna, e com um folego comungar com os Espíritos celestiais. Pois com pés humanos nunca podereis esperar atravessar estas distâncias imensuráveis, nem atingir o vosso objectivo. Que a paz esteja sobre aquele a quem a luz guiou a toda a verdade, e que, em nome de Deus, se manteve no caminho da Sua causa, na praia do verdadeiro entendimento. (Baha’u’llah, The Kitab-i-Iqan, ¶44)

Os ensinamentos Bahá’ís dizem-nos que esta existência terrena nos prepara para uma vida eterna. Bahá’u’lláh diz-nos que se conseguimos encontrar contentamento e paz aqui, entraremos na próxima fase da nossa existência com consciência desenvolvida, espírito preparado e coração aberto:

A primeira vida, que pertence ao corpo elementar, acabará, conforme foi revelado por Deus: “Toda alma provará a morte.” Mas a segunda vida, que surge do conhecimento de Deus, não conhece morte alguma… Ó Meu irmão! Abandona os teus próprios desejos, volta a tua face para o teu Senhor, e não sigas os passos daqueles que tomam as suas inclinações corruptas como o seu deus, para que, talvez, encontres abrigo no âmago da existência, sob a sombra redentora d’Aquele que capacita todos os nomes e atributos. (Gems of Divine Mysteries, ¶65-¶66)

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Texto original: Finding Contentment in Life (www.bahaiteachings.org)

 
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 16 de janeiro de 2021

A escolha fundamental na Vida

Por David Langness


Ó FILHO DO HOMEM!
Tu és o Meu domínio, e o Meu domínio não perece; porque receias perecer? És a Minha luz, e a Minha luz jamais se extinguirá; por que temes extinção? És a Minha glória, e a Minha glória não desvanece; és o Meu manto, e o Meu manto jamais se desgastará. Mantem-te, pois, no teu amor por Mim, para que possas encontrar-Me no reino da glória.

Ó FILHO DA PALAVRA!
Volve a tua face para a Minha e renuncia a tudo salvo a Mim, pois a Minha soberania perdura e o Meu domínio não perece. Se buscares outro que não Eu, ainda que procures eternamente no universo, a tua busca será em vão. (Bahá’u’lláh, As Palavras Ocultas, do árabe, #14, #15)

Quando Bahá’u’lláh escreveu estas duas Palavras Ocultas, ao caminhar nas margens do rio Tigre, em Bagdade, Ele estava exilado da Sua terra natal há mais de cinco anos, e tinha enfrentado privações e tortura numa terrível prisão.

No entanto, estas Palavras Ocultas encorajam-nos a pensar na vida depois da morte, dando-nos esperança de uma existência imortal. Os ensinamentos Bahá’ís afirmam assertivamente que esta breve vida terrena é uma preparação para uma consciência espiritual eterna, uma segunda vida que, como diz Bahá’u’lláh, é interminável.

As Palavras Ocultas repetem várias vezes este tópico. Dizem-nos que a alma vem de Deus e não se decompõe, nem morre; que a luz em nós reflecte o esplendor do Criador; que a nossa essência eterna significa que vamos viver eternamente.

Na segunda citação anterior, Bahá’u’lláh diz-nos que podemos viver eternamente se voltarmos a face para Deus e transcendermos esta existência temporal. Se nos apegamos ao temporário e ao efémero, se procuramos o significado das nossas vidas noutras coisas, então a nossa busca, diz-nos Bahá’u’lláh, será em vão.

O Budismo Zen tem um ensinamento muito semelhante. Muita da sabedoria Zen tem origem nos koans Zen, frases místicas e curtas que transmitem conhecimento, frequentemente na forma de enigma ou paradoxo. Um dos mais conhecidos e profundos koans Zen diz o seguinte: “Se morreres antes de morrer, quando morreres, não morrerás.

Podemos pensar e reflectir um pouco sobre este koan. Mas se o colocarmos no contexto dos ensinamentos de Bahá’u’lláh, percebemos a sua profunda sabedoria.

É óbvio que este koan se refere a dois tipos de “morte” – o fim da vida física e a morte do ego. Diz-nos que a morte do ego precede o desenvolvimento de uma consciência espiritual; e permite-nos ver que a alma, quando livre do ego individual e de todos os seus apegos e barreiras, pode viver eternamente.

As escrituras de Bahá’u’lláh abordam este tema poderoso e universal. Afirma-se que toda a alma viverá eternamente:

A primeira vida, que se refere ao corpo elementar, terá um fim, tal como foi revelado por Deus: “Toda a alma provará a morte”. Mas a segunda vida, que surge do conhecimento de Deus, não conhece a morte... (Bahá'u'lláh, Gems of Divine Mysteries, pp. 41-42)

Os Bahá’ís não acreditam seguramente em qualquer conceito de inferno, purgatório ou condenação eterna – essas ideias punitivas não têm lugar nos ensinamentos Bahá'ís de vida depois da morte. No entanto, os ensinamentos Bahá'ís dizem claramente que que o progresso da alma e o seu nível de consciência na fase seguinte da sua existência depende do nosso desenvolvimento neste plano terreno:

...o homem é imortal e vive eternamente. Para os que acreditam em Deus, que têm fé e amor de Deus, a vida é excelente; mas para aqueles que estão velados de Deus, apesar de terem vida, eles vivem nas trevas e a as suas vidas, em comparação com as dos crentes, são a não-existência. ('Abdu'l-Bahá, Some Answered Questions, ch 67)

Isto significa que podemos escolher, que podemos seguir um caminho para a espiritualidade ou seguir um caminho para uma vida mais materialista. Podemos enaltecer e educar o espírito humano, ou podemos enfatizar o físico. Podemos servir a humanidade e trabalhar pela paz e justiça no mundo, ou podemos seguir os nossos prazeres egoístas e sensuais. Podemos trabalhar pelo bem comum ou podemos concentramo-nos nas nossas necessidades e desejos individuais. Esta escolha humana fundamental pode transformar-nos em seres espirituais que transcendem este plano de existência e que alcançam a vida eterna.

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Texto original: The Question at the End of Life (www.bahaiteachings.org)


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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 9 de janeiro de 2021

Volta os teus olhos para ti próprio...

Por David Langness.


Ó FILHO DO ESPÍRITO!
Criei-te rico; porque te empobreces? Fiz-te nobre; com que é que te rebaixas? Da essência do conhecimento, dei-te existência; porque procuras iluminação de outro além de Mim? Do barro do amor, moldei-te; como é que te ocupas com outro? Volta os teus olhos para ti próprio, para que dentro de ti possas encontrar-Me, forte, poderoso, subsistindo por Mim próprio.

No último artigo desta série de reflexões sobre As Palavras Ocultas de Bahá'u'lláh, explorámos uma das múltiplas implicações da citação anterior. Tal como o nome do livro sugere, existem vários significados em cada uma das Palavras Ocultas; assim este texto irá focar-se numa outra – a noção de que a alma é um espelho polido com capacidade para reflectir o Sol da Verdade.

Há pouco mais de cem anos, o primeiro Bahá’í americano, um executivo de uma companhia de seguros chamado Thornton Chase, escreveu uma carta a 'Abdu'l-Bahá, que estava na Terra Santa. Esta prática, comum entre os primeiros Bahá’ís do Ocidente, resultava por vezes em respostas que apresentavam uma compreensão totalmente nova dos ensinamentos e das Escrituras Bahá'ís. Thornton Chase, curioso sobre a frase “Volta os teus olhos para ti próprio, para que dentro de ti possas encontrar-Me, forte, poderoso, subsistindo por Mim próprio”, pediu a 'Abdu'l-Bahá que a explicasse. A frase (que inicialmente tinha sido traduzida como “Volta a tua face, para que possas encontrar-Me dentro de ti, Forte, Poderoso e Supremo”) tinha despertado o interesse de Chase e recordava-lhe um texto bíblico. ‘Abdu’l-Bahá respondeu:

Esta é a frase que Sua Santidade o Cristo, dirigiu aos Seus Apóstolos no Evangelho, dizendo “O Pai está no Filho e o Filho está em vós”.

Isto é evidente quando os corações são puros e através da educação divina e ensinamentos celestiais se tornam manifestadores de perfeições infinitas, eles são como espelhos limpos, e o Sol da Verdade reflectir-se-á com força, poder e omnipotência nesses espelhos, a tal ponto que tudo o estiver à sua frente ficará iluminado e incandescido. Esta é uma interpretação breve devido à falta de tempo. Portanto, reflecte e pondera nela, para que as portas do significado se possam abrir perante os teus olhos. (‘Abdu’l-Bahá: Extract from Tablet to Thornton Chase, June 1911: Star of the West Vol. II, Nos. 7 and 8, pp. 11-12)

Esta metáfora - com o Sol e os espelhos – tem uma beleza impressionante e surge várias vezes nas Escrituras Bahá’ís, descrevendo a relação entre Deus e o Manifestante, e a forma como cada um de nós se relaciona com a luz e a glória de uma nova revelação.

‘Abdu’l-Bahá pediu a Thornton Chase que reflectisse e meditasse nesta metáfora, e nós também o podemos fazer. Neste outro excerto que usa a analogia do espelho, Bahá’u’lláh elucida a chave do seu simbolismo:

Sobre a mais íntima realidade de todas as coisas criadas, Ele derramou a luz de um dos Seus nomes, e fê-la um recipiente da glória de um dos Seus atributos. Sobre a realidade do homem, porém, Ele focou o esplendor de todos os Seus nomes e atributos, e fê-lo um espelho do Seu próprio Ser. Único entre todas as coisas criadas, o homem foi escolhido para uma tão grande graça, uma dádiva tão duradoura.

Estas energias com as quais o Sol da dádiva Divina e Fonte da guia celestial dotou a realidade do homem, porém, jazem latentes nele tal como uma chama se oculta numa vela e os raios de luz estão potencialmente presentes na lâmpada. O esplendor destas energias pode ser obscurecido pelos desejos mundanos tal como a luz do sol se pode ocultar sob a poeira e as impurezas que cobrem o espelho. Nem a vela nem a lâmpada podem acender-se através do seu próprio esforço e sem ajuda, nem será alguma vez possível ao espelho libertar-se das suas impurezas. É claro e evidente que até que uma chama se acenda, a lâmpada não poderá dar luz, e até que as impurezas sejam removidas, a face do espelho nunca poderá apresentar o sol, nem reflectir a sua luz e glória. (Bahá’u’lláh, Gleanings from the Writings of Bahá’u’lláh, XXVII)

Bahá’u’lláh diz-nos aqui que cada um de nós tem todos estes atributos divinos dentro de si, e que acender a lâmpada ou limpar o espelho das nossas almas poderá acontecer se voltarmos o nosso olhar para dentro de nós próprios. Se limparmos os nossos espelhos interiores ao adquirir esses atributos tornamo-nos, dizem os ensinamentos Bahá’ís, uma tocha de fogo de amor de Deus – a personificação brilhante e viva da humildade e espiritualidade.

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Texto original: Turn Your Sight Inward (www.bahaiteachings.org)


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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 2 de janeiro de 2021

O Significado Espiritual do Número 9

Por Radiance Talley.


Alguma vez se perguntou porque é que os diferentes números têm diferentes níveis de significado para si? Talvez tenha reparado que na sua vida alguns números parecem surgir mais vezes do que outros, e consequentemente sente-se mais ligado(a) a eles. Ou pode sentir-se mais ligado a um certo número devido ao simbolismo que têm na sua família, cultura ou religião.

As pessoas interessadas em numerologia acreditam que o número 9 simboliza a plenitude – o fim de um ciclo e um outro possível começo. Também é um número com o qual muito Bahá’ís sentem uma ligação especial devido ao seu significado especial.

O significado especial do número 9 na Fé Bahá’í

As escrituras Bahá’ís afirmam que o número nove é “o número da perfeição” e “o maior dígito, simbolizando assim a vastidão, o apogeu.”

Shoghi Effendi, o Guardião da Fé Bahá’í, escreveu que o nove “é considerado pelo Bahá’ís como sagrado, porque simboliza a perfeição da Revelação Bahá’í que constitui a nona na linha das religiões existentes, a mais recente e mais completa Revelação que a humanidade alguma vez conheceu”.

É por este motivo que um dos nossos símbolos na Fé Bahá’í é a estrela de nove pontas, que representa a unidade, a verdade e a unicidade de todas as religiões. De facto, todos os templos Bahá’ís têm nove lados. Por exemplo, a Casa de Adoração em Chicago (EUA) tem nove entradas, nove jardins adjacentes e nove versículos sobre as portas.

Shoghi Effendi acrescentou que “o motivo do seu uso na forma do Templo deve-se ao facto do 9 ser o valor numérico exacto de Bahá (na numerologia associada ao alfabeto árabe) e Bahá é o nome do Revelador da nossa Fé, Bahá’u’lláh”.

Numa carta escrita em 1932 em nome de Shoghi Effendi, explica-se: “Nas línguas semitas – árabe e hebreu – cada letra do alfabeto tem um valor numérico; assim, em vez de usar dígitos para referir números, eles usaram letras e composições de letras. Assim, todas as palavras têm um significado literal e um significado numérico… E porque a palavras Baha representa o número nove, também pode ser usada como alternativa ao número.”

Além de ser visível nos nossos símbolos e templos, o número nove também se reflecte no número de pessoas que são eleitas para servir nas assembleias espirituais Bahá’ís. As assembleias espirituais locais em cada comunidade, as assembleias espirituais nacionais em cada país e a Casa Universal de Justiça, têm - todas elas - nove crentes Bahá’ís que desejam ser uma fonte de amor, encorajamento e apoio na comunidade Bahá’í.

O Significado do Número 9 nas outras Religiões


O número 9 também tem um significado espiritual noutras tradições religiosas. No Budismo, acredita-se que Buda tinha nove virtudes.

Segundo a Bíblia são nove os “frutos do espírito”, que são atributos específicos – amor, alegria, paz, paciência, generosidade, bondade, fidelidade, gentileza e auto-controle – que se diz serem o resultado da influência do Espírito Santo na vida cristã. Além disso, Jesus morreu na nona hora. Mateus 27:46 relata: “Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?

No Hinduísmo, nove é o número de Brahma, o criador. E o Ramadão, tempo do jejum e reflexão espiritual para os Muçulmanos, é o nono mês do calendário Islâmico.

E é claro que o número nove surge de diversas formas nas nossas vidas. Vemos, por exemplo, que a gravidez é um processo que demora nove meses. A beleza do número nove pode ter muitos significados para diversas pessoas, e isso mostra o quão unificador pode ser este número.

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Texto original: The Spiritual Meaning and Significance of the Number 9 (www.bahaiteachings.org)


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Radiance Talley é licenciada em comunicação pela Universidade de Maryland. Além da escrita, do desenho, e da comunicação em público, Radiance tem um profundo conhecimento da teoria da construção, técnicas de negociação, gestão de conflitos, comunicação organizacional e intercultural, antropologia e sociologia.

sábado, 26 de dezembro de 2020

O Sentido de Humor de ‘Abdu’l-Bahá

Por Hussein Ahdieh.


Apesar dos Bahá’ís serem sérios e focados nos seus esforços persistentes para construir uma civilização em progresso constante, os ensinamentos Bahá’ís também nos pedem para sermos alegres.

De facto, as Escrituras Bahá'ís dão uma grande ênfase à alegria, ao riso e à felicidade:

Os mensageiros divinos vieram trazer alegria a esta terra, pois este é o planeta das tribulações e das tormentas, e a missão dos grandes mestres é afastar os homens destas ansiedades e incutir vida com alegria infinita. (‘Abdu’l-Bahá, Divine Philosophy, pp. 69-70)

Mesmo durante o exílio e o encarceramento, Bahá’u’lláh – o profeta fundador da Fé Bahá’í – instou os Seus seguidores a serem alegres:

Nos primeiros dias da Fé, as condições eram difíceis e dolorosas. Bahá’u’lláh e a Sagrada Família passaram décadas na prisão. ‘Abdu’l-Bahá referiu várias vezes que foram a alegria e o humor dos amigos na prisão que preservaram o seu bem-estar. As condições eram fisicamente e emocionalmente tão terríveis, e era sabido que a força contrária da alegria e do humor era necessária para combater os sentimentos de desespero. Os crentes reuniam-se, em especial à noite, e contavam histórias para se entreterem uns aos outros e em algumas ocasiões Bahá’u’lláh juntava-se a eles. (H. M. Balyuzi, ‘Abdul-Bahá, p. 31)

‘Abdu’l-Bahá era o filho mais velho de Bahá'u'lláh e foi nomeado como Seu sucessor; Ele era o verdadeiro exemplo do que significa ser Bahá’í, e foi uma figura única na história da humanidade. Ficou conhecido pela Sua profunda sabedoria e pelas Suas vastas contribuições para a civilização humana. ‘Abdu’l-Bahá também era conhecido pelo Seu grande sentido de humor. Gostava de rir. Por vezes ria tanto, que o Seu turbante caía e lágrimas de alegria corriam dos Seus olhos. Ele disse:

O Meu lar é o lar da paz. O Meu lar é o lar da alegria e do deleite. O Meu lar é o lar do riso e do júbilo. Quem entra através das portas desta casa, deve sair com o coração feliz. Este é o lar da luz; quem entrar aqui deve ficar iluminado… (Star of the West, Volume 5, p. 40)

Um dia, um Bahá’í estava com ‘Abdu’l-Bahá e perguntou: “…é verdade que Bahá’u’lláh disse que toda a gente deve ir para o paraíso?” (os ensinamentos Bahá’ís dizem que não existe inferno – todas as pessoas prosseguem uma outra forma de existência após a morte). ‘Abdu’l-Bahá respondeu que, pela graça de Deus, toda a gente iria para o paraíso. O homem prosseguiu: “Pensa que o Gengis Khan, o rei mongol que matou milhões de pessoas também irá?” ‘Abdu’l-Bahá disse que sim. “Então, e Napoleão que causou tanta destruição e morte?”; “E o Nasirridin Shah que decretou a execução do amado Báb?” “Eles também vão para o paraíso?” “Se sim, então quem vai para o inferno?” ‘Abdu’l-Bahá sorriu e respondeu: “Aqueles que fazem muitas perguntas.”

O sr. John Bosh, o fundador da Bosh Bahá’í School, no norte da Califórnia, foi a Nova Iorque para visitar ‘Abdu’l-Bahá. Disse a ‘Abdu’l-Bahá que tinha viajado 5000 quilómetros, da Califórnia até Nova Iorque, para O visitar. ‘Abdu’l-Bahá respondeu que Ele tinha viajado 13.000 quilómetros para o ver.

Uma vez, Lady Blomfield, uma escritora e filantropa britânica, co-fundadora da organização humanitária Save the Children, insistia para que ‘Abdu’l-Bahá comesse, apesar de Ele não ter fome. ‘Abdu’l-Bahá riu-se e disse às pessoas que aqueles dois reis da Pérsia e do Império Otomano, não o podiam obrigar a fazer nada, mas que Lady Blomfield o obrigava a comer. (H. M. Balyuzi, ‘Abdu’l-Bahá, p. 35)

As cartas e epístolas de ‘Abdu’l-Bahá mantinham unida a recém-nascida comunidade Bahá’í – e algumas dessas epístolas eram muito engraçadas. Uma vez, alguém contou a ‘Abdu’l-Bahá que uma certa pessoa se havia tornado o vigilante do Centro Bahá’í em Isfahan, na Pérsia. O Mestre enviou-lhe uma carta, dizendo que tinha sabido que ele se tornara o vigilante, e garantindo-lhe que ele estava a fazer um excelente trabalho. Depois a carta pedia ao vigilante que se lembrasse que ‘Abdu’l-Bahá era o servo dos Bahá’ís - e que tivesse cuidado para não ficar com o Seu trabalho, ou seria levado a tribunal.

Diz-se que um homem de Yazd foi visitar ‘Abdu’l-Bahá e Lhe disse que faria tudo pela Fé, mas que não queria ser mártir. Ser Bahá’í na Pérsia durante os primeiros anos era perigoso e muitos Bahá’í perderam a vida em perseguições. O homem sentiu que ‘Abdu’l-Bahá lhe dera a garantia que não morreria por ser Bahá’í. Alguns anos mais tarde, este homem estava no mercado quando alguém o reconheceu como sendo Bahá’í, e uma multidão começou a persegui-lo. E ao fugir, saiu da cidade e correu para as montanhas. Pensou em ‘Abdu’l-Bahá, olhou para o céu e gritou “Prometeste que eu não seria mártir!” Nesse mesmo momento caiu numa pequena vala e a multidão passou por ele sem o ver. Depois de terem passado, ele olhou novamente para o céu e disse “Ainda bem que te lembrei!”

Shoghi Effendi, o Guardião da Fé Bahá’í, afirmou que os Bahá’ís não devem ser constantemente sisudos e solenes – qua a alegria e o humor é parte da vida Bahá’í. ‘Abdu’l-Bahá foi um exemplo deste conselho.

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Texto original: Abdu’l-Baha’s Joyous Sense of Humor (www.bahaiteachings.org)


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Hussein Ahdieh nasceu em Nayriz, no Irão. Na sua adolescência foi viver para os Estados Unidos, onde mais tarde estudou História da Europa e concluiu um Doutoramento em Educação. Foi um elemento chave na criação da Harlem Preparatory School, de Nova Iorque; foi director do Programa de Estudos Superiores da Universidade de Fordham. É autor dos livros Abdu'l-Bahá in New York, AWAKENING: A History of the Babí and Bahá'í Faiths in Nayriz e de numerosos artigos e ensaios.

sábado, 19 de dezembro de 2020

A Crise do Nacionalismo das Vacinas em 2021

Por David Langness.


Aqui está um novo termo relacionado com a pandemia para pensarmos e digerirmos: nacionalismo das vacinas: têm alguma ideia do que isto significa?

Provavelmente consegue adivinhar o significado. “Nacionalismo das vacinas” descreve o que acontece quando os primeiros países que desenvolvem vacinas contra doenças agressivas guardam componentes vitais dessas vacinas vitais e têm um acesso prioritário às mesmas.

Ou, tal como uma investigação da RAND Corporation descreve este assunto:

A experiência mostra que, em resposta às pandemias, os governos nacionais tendem a seguir os seus próprios interesses em vez de tomar uma abordagem coordenada globalmente. Este comportamento nacionalista pode ter consequências negativas na forma como é gerida e contida a pandemia global do COVID-19.

Como é que isto funciona?

Se alguns países – os países mais ricos – conseguirem imunizar a maior parte das suas populações e os países pobres não conseguirem fazer o mesmo, o nosso planeta continuará a enfrentar uma crise grave e debilitante. Porquê? Porque – tal como dizem os ensinamentos Bahá’ís – vivemos agora num mundo interdependente:

... todos os membros da família humana, sejam povos ou governos, cidades ou aldeias, tornaram-se cada vez mais interdependentes. A auto-suficiência já não é possível, pois os laços políticos unem todos os povos e nações, e as ligações no comércio e na indústria, na agricultura e na educação, estão a ser fortalecidas todos os dias. Por isso a unidade de toda humanidade pode ser alcançada neste dia.

‘Abdu’l-Bahá, o filho e sucessor de Bahá’u’lláh, escreveu estas palavras há mais de um século atrás. Desde então, a nossa interdependência tem crescido.

As fronteiras nacionais tornaram-se cada vez menos relevantes. O mundo desenvolveu tanto o comércio internacional em produtos alimentares, bens e serviços que nenhum país pode afirmar ser auto-suficiente. A maioria de nós, em especial os que vivem em áreas urbanas, depende deste ecossistema global e do seu fluxo constante para a nossa sobrevivência diária. A maioria de nós não produz comida, não gere a distribuição de água nem produz energia, não fabrica carros, computadores ou telemóveis/celulares; por esse motivo, dependemos de outras pessoas, noutros locais. A maioria de nós recebe o seu sustento diário desta enorme rede que se espalhou pelo planeta, e da qual temos pouco conhecimento. Mas se esta rede fosse interrompida, não poderíamos viver nem mais um dia.

É por isso que devemos ter uma abordagem global para enfrentar esta pandemia

Digamos, por exemplo, que amanhã os Estados Unidos tinham a capacidade para vacinar efectivamente toda a sua população contra o coronavírus. Isso iria levar o país novamente para o pleno emprego e o crescimento económico? A resposta – segundo vários economistas – é NÃO. Na verdade, esse tipo de programa de prevenção nacionalista e limitado seria equivalente vacinar um único estado dos EUA (ou do Brasil) e pensar que todos os residentes desse estado iriam ficam protegidos. As fronteiras e os oceanos não nos protegem – especialmente de um vírus.

Os Estados Unidos, tal como todas as outras nações, têm a sua economia dependente de trocas, do comércio e das viagens internacionais. Tal como muitas outras nações “desenvolvidas”, os EUA compram muitos produtos que são fabricados nos países “sub-desenvolvidos”; isto significa que já não tem capacidade industrial para sustentar a sua própria população.

Assim, considerando estas realidades durante esta pandemia global, enfrentamos agora um ponto de inflexão sem precedentes e muito profundo: não podemos resolver um problema que afecta todo o planeta com uma solução baseada em nações. A solução, por definição, deve dar resposta a todo o problema e não apenas a uma pequena parte do problema.

Os Bahá’ís acreditam que esta nova dinâmica - tal como descreveu a Casa Universal de Justiça em Abril de 1992 - acabará por exigir a unificação de toda a humanidade sob uma nova ordem mundial:

O apelo à unidade e a uma nova ordem mundial é audível de muitas direcções. A mudança na sociedade mundial caracteriza-se por uma velocidade fenomenal. Uma característica desta mudança é a brusquidão, ou a precipitação, que parece ser a consequência de alguma força misteriosa e agressiva. Os aspectos positivos desta mudança revelam uma invulgar abertura a conceitos globais, um movimento em direcção à colaboração regional e internacional, uma tendência para as partes em conflito optarem por soluções pacíficas, uma busca por valores espirituais.

Este conceito de colaboração internacional que leve a uma solução globalmente coordenada para a pandemia não é um mero desejo altruísta ou humanitário.

O estudo recente da RAND Corporation sobre o nacionalismo das vacinas conclui que custaria aproximadamente 25 mil milhões de dólares (aprox. 20 mil milhões de euros) fornecer esta vacinas aos países mais pobres. Por outro lado, os Estados Unidos, a União Europeia e outros países ricos poderão perder (no seu conjunto) 119 mil milhões de dólares (aprox. 97 mil milhões de euros) por ano se os países pobres não tiverem acesso às vacinas – porque a disseminação não controlada da doença fará diminuir drasticamente o fluxo de bens e serviços.

E se fizermos os cálculos, vemos que se os países ricos financiarem a vacinação das populações de todos os países pobres, isso produz um custo-benefício 4,8 para 1 – para não falar nas vidas que seriam salvas. Por outras palavras, por cada dólar gasto, os países ricos obteriam quase 5 dólares de retorno. É difícil imaginar um investimento mais lucrativo, certo?

Estranhamente, este tipo de raciocínio orientado a sistemas globalizados parece não ter sido compreendido por alguns líderes mundiais. Esperemos que em 2021, possamos corrigir essa visão distorcida e demonstrar a unicidade do mundo da humanidade com a erradicação do COVID-19

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Texto original: 2021’s Coming Crisis of Vaccine Nationalism (www.bahaiteachings.org)


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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA. >

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Quem deve receber a vacina? E quando?

Por David Langness.



Entrámos finalmente no último mês deste horrendo ano de 2020. Foi um ano difícil – uma pandemia global deu a todos nós uma boa razão para ficarmos angustiados. As vacinas estão a chegar. Mas estarão disponíveis para todas as pessoas?

Antes de analisar este problema premente, vamos recuar um pouco, usar a ciência e ver como estamos um ano após o início desta doença. 
  • A pandemia global do coronavírus começou no início de 2020, após a primeira infecção ter sido conhecida em 1 de Dezembro de 2019.
  • Este novo vírus, chamado COVID-19 (abreviatura de COronaVIrus Disease 2019) ou SARS-CoV-2 (que significa Severe Acute Respiratory Syndrome Corona Virus 2) é um vírus ARN de cadeia simples positiva; é altamente contagioso e provavelmente terá tido origem em morcegos, e não existente nos humanos (o que significa que não temos imunidade).
  • O vírus é mortal, transmite-se rapidamente entre pessoas assintomáticas e continua a espalhar-se de forma descontrolada. Em todo o mundo existem cerca de 60 milhões de pessoas que contraíram a doença; neste último ano, o vírus foi a causa de morte de cerca de 1,5 milhões de pessoas. Segundo os peritos de saúde pública, estes números subestimam a totalidade de casos reais de contágios e mortes. 
  • No espaço de um ano, a doença provocou a maior recessão económica global desde a Grande Depressão, causando a perda de milhões de empregos em todo o mundo.
Estes factos levaram a comunidade científica a um esforço global sem precedentes com o objectivo de desenvolver uma vacina preventiva, terapêuticas ou uma cura. Como resultado, estão a ser desenvolvidas centenas de vacinas. Mas será necessário mais do que vacinas para acabar com a crise do Coronavírus – vai ser necessário garantir que todos os seres humanos têm acesso equitativo às vacinas.

Equidade nas Vacinas


Os ensinamentos Bahá’ís pedem que todos pratiquemos justiça e equidade, os dois princípios orientadores que Bahá’u’lláh, o fundador da Fé Bahá’í, descreveu como “guardiões gémeos que cuidam dos homens”. No Seu livro Epístola ao Filho do Lobo, Bahá’u’lláh escreve sobre estes princípios, chamando-lhes “… a causa do bem-estar do mundo e protecção das nações.

O ensinamento central da Fé Bahá’í – a unicidade da humanidade – pede-nos que reconheçamos a nossa unidade e interdependência em relação aos outros, e que sejamos justos e equitativos para com toda a família humana. Bahá’u’lláh explicou que “… a equidade é a mais fundamental de todas as virtudes humanas. A avaliação de todas as coisas deve necessariamente depender dela.

'Abdu'l-Bahá, filho e sucessor de Bahá’u’lláh, escreveu extensamente sobre este tema da equidade humana:

O Reino de Deus assenta na equidade e na justiça, e também na misericórdia, compaixão e gentileza para com todas as almas existentes. Esforçai-vos com todo o vosso coração para tratar compassivamente toda a humanidade.

Sede da Organização Mundial de Saúde


Como podemos distribuir equitativamente as vacinas do COVID-19?


As Nações Unidas descreveram a distribuição das vacinas do coronavírus como “o desafio global determinante de 2021”. Estaremos à altura desse desafio? Seremos capazes de distribuir essas vacinas vitais de acordo com o método universal que os ensinamentos Bahá’ís recomendam – “tratar compassivamente toda a humanidade”?

No fundo, o mundo nunca estará seguro em relação ao vírus, e a economia global nunca recuperará, a não ser que os países subdesenvolvidos também recebam vacinas.

Como poderemos conseguir esse tipo de equidade compassiva na família humana quando temos uma pandemia global? Como poderemos distribuir as novas vacinas de forma justa e proporcional entre aqueles que têm dinheiro e aqueles que não têm? Como podemos garantir – sendo um só povo e um só planeta – que as pessoas mais vulneráveis em todos os países são vacinadas de forma mais rápida e eficiente?

Governos e organizações humanitárias internacionais já começaram a preparar e planear respostas as estas importantes questões. A cooperação e colaboração entre os países do mundo – outro princípio importante da Fé Bahá’í – tem por objectivo ajudar as nações a ultrapassar a pandemia. Apesar de 182 nações (a maioria dos países do mundo) se terem juntado a estes esforços internacionais, duas potências mundiais – Estados Unidos e Rússia – recusaram colaborar. Este tipo de excepcionalismo e egoísmo global deve acabar para que os esforços altruístas com base científica possam avançar.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), por exemplo, está a trabalhar em colaboração com cientistas, empresas e instituições globais de saúde através de um consórcio chamado ACT Accelerator para acelerar e equalizar a resposta mundial à pandemia. Assim que existir uma vacina eficiente e segura, uma organização internacional chamada COVAX (que significa Acesso Global às Vacinas COVID-19) mobilizará os seus recursos para distribuir e facilitar o acesso equitativo a essas vacinas, de forma a proteger as pessoas em todos os países – e não apenas aqueles que vivem em países desenvolvidos, que têm meios económicos para vacinar toda a sua população.

Claro que assim que existirem vacinas aprovadas, estes esforços internacionais darão prioridade às pessoas mais vulneráveis – trabalhadores da saúde, população idosa, e aqueles cujas condições de saúde sejam especialmente débeis. Um aspecto importante: isso será feito simultaneamente em países desenvolvidos e subdesenvolvidos, desde o mais rico até ao mais pobre.

Isto é um passo especialmente importante. Se apenas vacinarmos aqueles que vivem nos países desenvolvidos, a pandemia continuará a alastrar e não será apenas nos países subdesenvolvidos. Inevitavelmente, também continuará a infectar os países ricos.

Os vírus não discriminam, e nós também não devemos discriminar. Em 2021, o mundo enfrentará o seu primeiro grande teste de cooperação internacional contra um inimigo comum. Esperemos e oremos para que tudo corra bem.

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Texto original: Who Should Get the Vaccine—and When? (www.bahaiteachings.org)


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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.