O profeta fundador da Fé Bahá’í, Bahá’u’lláh, deixou este mundo às 3h da manhã do dia 29 de Maio de 1892. Morreu prisioneiro e exilado, e o seu filho ‘Abdu’l-Bahá escreveu:
O Sol da Verdade, essa Luz Suprema, apagou-se no horizonte do mundo para surgir com esplendor imortal sobre o Reino do Ilimitado.
Quando o fundador de uma religião falece, os seus seguidores ficam desolados e em luto; mas o que acontece a essa nova religião? Normalmente, luta para sobreviver.
Mas, após esta luta inicial, um número relativamente pequeno de grandes religiões globais cresceu exponencialmente após a morte dos seus fundadores. O Hinduísmo perdura há milhares de anos. O Judaísmo, a mais antiga das religiões abraâmicas, também resistiu ao teste do tempo. O Budismo, a maior religião do Oriente, continua a expandir-se. O Cristianismo tornou-se a maior e mais difundida religião do mundo dois mil anos após a morte de Jesus. O Islão, com catorze séculos de existência, só está atrás do cristianismo em tamanho.
A mais recente destas religiões globais, a Fé Bahá’í, tem vindo a crescer desde o falecimento do seu fundador, Bahá’u’lláh, em 1892.
Este pequeno grupo de seis religiões globais, todas transcendendo as suas origens culturais e geográficas, espalhou-se pelo mundo e têm hoje milhões de seguidores. Cada uma delas sobreviveu ao teste do tempo. Todas possuem histórias escritas ricas e heroicas de proporções míticas. Todas cresceram muito para além do seu ponto de origem. Todas desenvolveram instituições administrativas, construíram santuários e templos e deram importantes contributos para as culturas que influenciaram.
Juntas, estas seis religiões contam com quase 80% da população mundial como fiéis devotos. Os seus fundadores – Krishna, Abraão, Moisés, Buda, Cristo, Muhammad e Bahá’u’lláh – continuam a inspirar imensa devoção nas mentes, corações e almas dos seus milhões de seguidores.
No entanto, quando os seus fundadores faleciam – muitas vezes em consequência da violenta oposição que os seus ensinamentos radicais inicialmente geraram entre as culturas predominantes em que surgiram – as religiões que criaram geralmente lutavam para sobreviver. Perseguidos, incompreendidos, exilados, torturados e presos, os primeiros Judeus, Budistas, Cristãos, Muçulmanos e Bahá’ís sofreram e morreram em grande número pelas suas crenças. Reis, clérigos e até governos tentaram exterminá-los. Expulsos das suas sociedades como hereges e apóstatas, interrogavam-se, nos seus momentos de maior fragilidade, se as suas novas religiões poderiam sobreviver.
Esta mesma dinâmica ocorreu quando o fundador da Fé Bahá’í, Bahá’u’lláh, faleceu no final do século XIX.
Bahá'u'lláh, repetidamente perseguido, exilado, preso e torturado pelos Seus ensinamentos progressistas, morreu em 1892. Expulso da Pérsia pelo governo e sucessivamente exilado para Bagdade em 1852; depois de Bagdade para Constantinopla (actual Istambul) em 1863; depois para Adrianópolis (actual Edirne) nesse mesmo ano; e finalmente para a cidade-prisão de Acre (Akká), na Palestina Otomana (actual Israel), em 1867; Bahá’u’lláh passou, em última análise, quarenta anos como prisioneiro de consciência. Não tinha infringido qualquer lei, tal como os profetas que o antecederam, mas apenas anunciado o advento de um novo sistema espiritual.
Bahá’u’lláh fundou uma nova Fé com princípios novos e progressistas: a investigação independente da verdade, a unidade essencial de todas as religiões, a unicidade do Criador e da sua criação, o estabelecimento de um parlamento mundial e a paz mundial, a igualdade entre homens e mulheres, a concordância entre ciência e religião.
Estes ideais altruístas levaram os governos persa e otomano a submeter Bahá’u’lláh a quatro décadas de castigos cruéis e incomuns. Bahá’u’lláh sofreu terrivelmente por promulgar os princípios pacíficos de uma nova Fé, que desafiava corajosamente a ortodoxia, a estrutura de poder e a corrupção endémica da ordem governamental, social e religiosa vigente.
Num discurso proferido nos Estados Unidos em 1912, o filho e sucessor de Bahá’u’lláh, ‘Abdu’l-Bahá, disse que o Seu pai suportou este tratamento terrível, como todos os profetas e mensageiros de Deus que sofreram perseguições, como um sacrifício por toda a humanidade. Disse que Bahá'u'lláh:
… suportou todas estas provações e calamidades para que os nossos corações se inflamassem e se tornassem radiantes, os nossos espíritos fossem glorificados, as nossas faltas se tornassem virtudes, a nossa ignorância fosse transformada em conhecimento; para que pudéssemos alcançar os verdadeiros frutos da humanidade e adquirir graças celestes; para que, embora peregrinos na terra, trilhássemos o caminho do Reino celeste e, embora necessitados e pobres, pudéssemos receber os tesouros da vida eterna. (The Promulgation of Universal Peace, pag.28)
Mas, apesar do falecimento de Bahá’u’lláh, a Fé Bahá’í continua a crescer, a desenvolver-se e a prosperar – o que prova que uma mensagem poderosa sobrevive a todos nós. Os ensinamentos de Bahá’u’lláh enfatizam a paz, a unidade e a harmonia entre todos os povos. Inspiraram milhões de pessoas em todo o mundo, e a Fé que Bahá’u’lláh revelou há tanto tempo juntou-se ao panteão das principais religiões do mundo.
Assim, os Bahá’ís de todo o mundo reúnem-se para observar e celebrar o aniversário do falecimento de Bahá’u’lláh. Nestas milhares de ocasiões solenes e de oração realizadas a meio da noite em todo o planeta, os Bahá’ís de todo o lado reflectirão sobre os ensinamentos iluminados desta fé global relativamente nova e recordarão os sacrifícios extremos necessários para levar à humanidade a sua luminosa mensagem de unidade.
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Texto original: The Passing and Ascension of Baha’u’llah (www.bahaiteachings.org)



