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quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Reconhecer o Espírito da Época

Por Kathy Roman.

Estamos na época festiva; árvores de Natal cheias de belos enfeites, ruas iluminadas com luzes cintilantes e a cidade decorada com cores vibrantes.

Estou imbuída do espírito natalício, em que diferentes religiões celebram esta época especial do ano. Como Bahá’í, acredito que todas as religiões provêm da mesma fonte divina, pelo que não vejo necessidade de escolher apenas uma tradição para vivenciar.

Ser Bahá’í significa simplesmente amar o mundo inteiro; amar a humanidade e procurar servi-la; trabalhar pela paz universal e pela fraternidade universal. (‘Abdu’l-Bahá, citado por J.E. Esselmont em Baha’u’llah and the New Era, p. 83)

Como nasci numa família cristã, ainda me encanto com as maravilhosas tradições dos meus antepassados. O meu filho sai para cantar canções de Natal com os amigos do seu grupo de teatro. Eu toco músicas de Natal e vejo os típicos filmes de Natal. O meu marido corta a árvore de Natal perfeita da nossa propriedade e celebramos o nascimento do menino Jesus com os nossos familiares.

O meu tio, um Bahá’í de origem judaica, ainda mantém vivas as tradições familiares do Hanukkah no seu coração. Os amigos Bahá’ís afro-americanos continuam a celebrar o Kwanzaa e, no Ano Novo, os amigos Bahá’ís persas celebram tradições da sua herança cultural que remontam a centenas de anos.

Os queridos amigos nativos americanos da Fé Bahá’í comemoram o Solstício de Inverno. Desde tempos remotos que, em todo o mundo, as pessoas reconhecem este importante evento astronómico e celebram o sucessivo "regresso" do Sol de diversas formas. As antigas tradições do solstício influenciaram até as festas que hoje celebramos, como o Natal e o Hanukkah. No solstício, um amigo nativo americano reúne um grande grupo de fiéis numa tenda na montanha para orações e meditações.

Há uma beleza rica em todas as celebrações e um motivo para reconhecermos a nossa unidade comum. A questão é que, como Bahá’í, sou livre para celebrar os dias sagrados de todas as religiões, mas não obrigada a fazê-lo, se assim o desejar. Reconheço a sua validade e valorizo os seus contributos. Os ensinamentos Bahá’ís aceitam e reconhecem inequivocamente os fundadores de todas as grandes religiões do mundo:

Quanto à posição do Cristianismo, diga-se sem qualquer hesitação, ou equívoco, que a sua origem divina é reconhecida incondicionalmente, que a Filiação e Divindade de Jesus Cristo são destemidamente declaradas, que a inspiração divina do Evangelho é plenamente reconhecida, que a realidade do mistério da Imaculabilidade da Virgem Maria é confessada, e o primado de Pedro, o Príncipe dos Apóstolos, é mantido e defendido. 

O Fundador da Fé Cristã é chamado por Bahá'u'lláh como o "Espírito de Deus", é proclamado como Aquele que "apareceu do sopro do Espírito Santo" e é mesmo exaltado como a "Essência do Espírito". A Sua mãe é descrita como "aquele semblante velado e imortal, aquele belíssimo", e a posição do seu Filho é elogiada como "uma posição que foi exaltada acima da imaginação de todos os que habitam a Terra", enquanto Pedro é reconhecido como aquele de quem Deus fez fluir "os mistérios da sabedoria e da eloquência" (Shoghi Effendi, O Dia Prometido Chegou, pp. 109-110).

Assim, independentemente dos feriados que celebramos, o que é que estamos realmente a celebrar nesta altura do ano? Que espírito é comum a todas as crenças e religiões? Todos adoramos o mesmo Deus amoroso e esforçamo-nos por servir os nossos semelhantes. Esta é uma época em que podemos unir-nos para apreciar cada celebração alegre num espírito de amor e união absolutos.

Ó povos e tribos em contenda na terra! Voltai as vossas faces para a unidade e deixai que o esplendor da sua luz brilhe sobre vós. Reuni-vos e, por amor de Deus, decidi-vos a erradicar tudo o que seja causa de contenda entre vós. Depois, o brilho do grande Luminar do mundo envolverá toda a terra e os seus habitantes tronar-se-ão uma única cidade e ocupantes de um único trono. (Bahá'u'lláh, Gleanings, CXI)

Independentemente das nossas tradições de fim de ano, este é um momento maravilhoso para reconhecer os costumes e celebrações dos seus vizinhos e para se unir ao verdadeiro espírito da época, pelo qual todas as religiões anseiam:

Paz na Terra

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Texto original: Recognizing the Spirit of the Season (www.bahaiteachings.org)

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Kathy Roman é educadora reformada, aspirante a escritora, esposa e mãe de dois filhos que vive em Elk Grove, California (EUA), onde serve como responsável de Informação Pública Bahá’í.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2024

Os Bahá’ís e o Nascimento de Jesus

Por Russel Ballew.


Mais de mil milhões de pessoas em todos os continentes irão celebrar, de diversas formas, o nascimento de Jesus Cristo, no dia 25 de dezembro. Neste período que antecede o Natal, cada uma delas terá inúmeras ocasiões para desejar Feliz Natal a outras pessoas – cada uma aquecendo o outro com o entusiasmo que vem de uma tradição popular bem conhecida.

A música, as festas, os gestos de amor e de bondade, cada um à sua maneira, reflectem a forma como recordamos juntos os benefícios do nascimento de Jesus Cristo. Mas nem sempre foi assim. No início, nem parecia que a criança iria sobreviver à ira do rei do seu país. Lemos no Novo Testamento que Jesus não surgiu num mundo acolhedor:

E, tendo nascido Jesus, em Belém de Judeia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram, do oriente, a Jerusalém, Dizendo: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no oriente e viemos a adorá-lo. E o rei Herodes ouvindo isto, perturbou-se, e toda Jerusalém com ele. E, congregados todos os príncipes dos sacerdotes e os escribas do povo, perguntou-lhes onde havia de nascer o Cristo. E eles lhe disseram: Em Belém de Judeia; porque assim está escrito pelo profeta:
E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és a menor entre as capitais de Judá; porque de ti sairá o Guia que há de apascentar o meu povo de Israel. (Mt 2:1-6)

O rei Herodes tinha um problema. Pediu aos sábios que lhe dissessem o paradeiro da criança. Movidos por um anjo que os advertiu, os magos esconderam o segredo sobre o menino Jesus. Tinha aparecido um novo rei, e Herodes não fazia ideia de quem era, ou quando afirmaria a sua autoridade. Herodes sentiu-se ameaçado. Ele precisava de um plano para preservar o seu poder. Desesperado, Herodes decidiu tomar medidas drásticas:

Então Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito e mandou matar todos os meninos que havia em Belém e em todos os seus arredores, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos. Então se cumpriu o que foi dito pelo profeta Jeremias, que diz:
Em Ramá, ouviu-se uma voz, lamentação, choro e grande pranto: Raquel chorando os seus filhos e não querendo ser consolada, porque já não existem. (Mt 2:16-18)

José e Maria, os pais de Jesus, foram avisados por um anjo e escaparam aos planos malévolos de Herodes. Isto é extraordinário – tal como o são muitos outros milagres associados à vida e aos ensinamentos de Sua Santidade, o Filho de Deus. Contudo, nada disto se compara à influência duradoura dos Seus ensinamentos.

Os Bahá’ís acreditam que Jesus, um Manifestante divino de Deus, revelou novamente o espírito de Cristo, para que as almas dos homens pudessem reflectir mais perfeitamente os atributos de Deus na terra:

Jesus Cristo foi um Educador da humanidade. Galeno, o médico e filósofo grego que viveu no século II d.C., escreveu um tratado sobre a civilização das nações. Ele não era cristão, mas testemunhou que as crenças religiosas exercem um efeito extraordinário sobre os problemas da civilização. Essencialmente, disse: “Há entre nós certas pessoas, seguidores de Jesus, o Nazareno, que foi morto em Jerusalém. Estas pessoas estão verdadeiramente imbuídas de princípios morais que causam inveja aos filósofos. Acreditam em Deus e temem-n’O. Têm esperança nos Seus favores; por isso, evitam todos os actos e acções indignas, e inclinam-se para uma ética e uma moral louváveis.” ('Abdu’l-Baha, The Promulgation of Universal Peace, p 86)

A maravilha da época do Natal reflecte o espírito do propósito sublime de Cristo nas noções elevadas e nos incontáveis actos louváveis de serviço que os humanos prestam uns aos outros. Este notável testamento da soberania de Deus mostra que após 2000 anos a mensagem de Cristo se tornou mais convincente. Na verdade, se eu tivesse vivido nessa época, provavelmente não seria capaz de imaginar a autoridade e a influência de Cristo a estender-se de modo a abranger a Terra como acontece agora.

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Texto original: Baha’is and the Birth of Jesus (www.bahaiteachings.org)


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Russel Ballew é uma Bahá’í americano que vive na Califórnia.

sábado, 23 de dezembro de 2023

Porque é que uma Bahá'í vai à Missa de Natal

Por Zarrin Caldwell.


Durante estas férias de Natal, como na maioria das férias de Natal, a maioria das pessoas pensa mais em religião e na espiritualidade. Ocorreu-lhe algum pensamento espiritual?

Supostamente, há mais pessoas a ir à igreja no Natal do que em qualquer outra época do ano, incluindo cerca de 60% dos americanos, segundo uma fonte.

O meu marido é Católico e eu cresci numa família Bahá’í, mas gosto muitas vezes de ir com ele à Missa, na véspera do Natal. Seja qual for o local, adoro a oportunidade de mudar a atenção do materialismo aparentemente interminável para a herança espiritual mais profunda da humanidade, tantas vezes esquecida.

'Abdu'l-Bahá – filho e sucessor de Bahá'u'lláh, o profeta fundador da Fé Bahá'í – demonstrou esta verdade frequentemente, participando em vários serviços religiosos em mesquitas, igrejas, sinagogas e templos ao longo da Sua vida. Num discurso que proferiu na igreja All Souls Christian, em Chicago, em 1912, Ele afirmou:

As religiões divinas foram fundadas com o propósito de unificar a humanidade e estabelecer a paz universal. Qualquer movimento que traga paz e concórdia à sociedade humana é verdadeiramente um movimento divino; qualquer reforma que faça com que as pessoas se reúnam sob o mesmo tabernáculo é certamente animada por motivos celestiais. Em todos os tempos e em todas as épocas, a religião tem sido um factor de consolidação dos corações dos homens e de união de credos diversos e divergentes. É o elemento de paz na religião que une a humanidade e promove a unidade. A guerra sempre foi causa de separação, de desunião e de discórdia.

Considerem como Jesus Cristo uniu os povos, seitas e denominações divergentes dos primeiros dias. É evidente que os fundamentos da religião pretendem ligar e unir; o seu propósito é a paz universal e eterna. Antes do tempo de Jesus Cristo, a Palavra de Deus unia tipos opostos e elementos opostos da sociedade humana; e desde o Seu aparecimento, todos os divinos Instrutores dos princípios primordiais da lei de Deus pretenderam este resultado universal.

Neste belo espírito, e num mundo onde a filiação religiosa formal tem vindo a diminuir, ainda fico fascinada pelo que considero a literatura de inspiração divina. Entre muitos outros, estudei livros sagrados e obras de santos católicos, filósofos romanos, sábios asiáticos, estudiosos islâmicos, místicos inspirados e as ricas e originais escrituras da Fé Bahá’í. A parte mais notável desta jornada inter-religiosa é a consistência das mensagens – e a frequência com que parecemos esquecer as instruções.

Aproximarmo-nos de Deus como o objectivo final das nossas vidas, independentemente de como se define essa entidade, está no centro de muitas dessas tradições; mas existem outras conclusões comuns. A maioria dos grandes profetas e outros guardiões da sabedoria do mundo, como gosto de chamá-los, dizem que somos seres espirituais que residem temporariamente num corpo humano. O nosso tempo aqui é semelhante a estar numa escola onde somos chamados a subjugar o nosso ego sempre presente, e a desenvolver a nossa natureza superior - não apenas para que possamos levar vidas mais ricas e com mais propósito neste reino humano, mas também para prepararmos as nossas almas para a próxima parte da jornada.

O filósofo grego Platão, nos diálogos atribuídos a Sócrates, afirma:

Que se anime o homem em relação à sua alma, que tendo repelido os prazeres e ornamentos do corpo como estranhos a ele… vestiu a sua alma não com um traje estranho, mas com as suas próprias joias da temperança, da justiça, da coragem e da verdade – e adornada com estas está pronta a partir na sua viagem.

Muitas tradições filosóficas e religiosas enfatizam constantemente a importância de desenvolver qualidades benéficas e não prejudiciais; é o fruto de uma longa e rica história em muitos textos sagrados sobre o desenvolvimento do carácter espiritual. As nossas almas progredirão tanto nesta vida quanto na próxima, dizem muitos educadores divinos, se procurarmos qualidades como compaixão (em vez da indiferença), autocontrole (em vez da raiva), generosidade (em vez da ganância), fidelidade (em vez da deslealdade), honra (em vez da desonra), altruísmo (em vez do egoísmo) e humildade (em vez do orgulho). Isto é apenas uma amostra, mas todos temos uma longa lista de virtudes potenciais que devemos considerar e adquirir – não apenas para o nosso próprio desenvolvimento, mas para evolução da vida da sociedade.

Gosto destas palavras da Bíblia sobre este assunto:

Por isso, esforcem-se por juntar à vossa fé a virtude; à virtude, o conhecimento; ao conhecimento, o domínio de si próprio; a esse domínio, a paciência; à paciência, o apego a Deus; ao apego a Deus, a dedicação fraterna, e à dedicação, o amor. (2Pe 1:5-7)

Num mundo que hoje parece muito mais cheio de ódio do que de amor, lembro-me também de algumas palavras sábias do Buda sobre este tema: “...pois não é pelo ódio que os ódios cessam em qualquer momento neste lugar, eles apenas cessam com não-ódio, esta verdade é certamente eterna.”

Apesar de algumas orientações tão antigas, parecemos continuar a perder o sentido destes princípios fundamentais.

Veja-se, por exemplo, generosidade versus ganância. “As trevas da ganância e da inveja obscurecem o brilho da alma, assim como as nuvens obstruem a luz do sol”, dizem as Escrituras Bahá’ís. Estas palavras abordam a ganância ao nível do indivíduo, mas vão mais longe, e é fácil ver como a ganância se manifesta como corrupção e as suas muitas consequências terríveis no mundo. Receio que esta corrupção só vá piorar se não compreendermos os fundamentos morais sobre os quais se baseia qualquer civilização próspera.

Quando pensamos nisto, percebemos que há muito tempo que recebemos a opinião do Criador sobre esses assuntos. Zoroastro – um dos primeiros profetas a promover o monoteísmo – apresentou ensinamentos sobre a responsabilidade individual e a escolha de bons pensamentos e acções há cerca de 3000 anos. Ele ajudou a transformar uma sociedade que, em sua época, apresentava desordem social, decadência moral, guerra e corrupção. Ele disse: “A recompensa da felicidade é dada àqueles que servem a comunidade com as suas acções de boa mente e promovem o plano divino de sabedoria através da justiça comunitária”. Curiosamente, Zoroastro é pouco conhecido actualmente, mas muitos dos seus ensinamentos e histórias chegaram à Bíblia, e foram uma fonte de inspiração para os filósofos gregos e romanos posteriores.

Esta é apenas uma pequena parte da rica herança espiritual da humanidade. Em última análise, todos estão no seu próprio caminho espiritual e a vida aqui, em muitos aspectos, é um campo de testes. Os ensinamentos do Buda, por exemplo, concentram-se muito nas causas e na cessação do sofrimento. Ninguém disse que a viagem seria fácil, mas talvez fosse um pouco mais tranquila se tentássemos seguir as instruções divinas.

Uma versão diferente deste texto foi publicada na Interfaith Magazine e também pode ser encontrada no site de Zarrín Caldwell: www.thesoulsalons.com

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Texto original: Why a Baha'i Goes to Christmas Eve Mass (www.bahaiteachings.org)

Zarrín Caldwell é uma Bahá’í residente no Arizona (EUA). Tem trabalhado para diversas uma variedade de organizações internacionais sem fins lucrativos, em cargos de comunicação e gestão de programas. A sua experiência profissional centra-se nas organizações multilaterais, relações inter-religiosas, construção da paz e educação internacional. Tem viajado por muitos países e considera-se uma cidadã do mundo.

sábado, 21 de dezembro de 2019

Um Desejo de Paz para o Natal

Por Preethi.


O Natal é provavelmente o momento em que os temas da paz e da boa-vontade parecem mais profundamente cravados na consciência colectiva da sociedade. Para os Cristãos, que o celebram como feriado religioso, o Natal é uma lembrança da promessa sobre a paz, que se encontra no Antigo Testamento.

Para muitas outras pessoas que o celebram como feriado cultural, a história do nascimento de Jesus, conforme narrada nos evangelhos e representada na omnipresente arte cristã, capta a imaginação e inspira muitas pessoas a entregarem-se de forma determinada à prática da caridade e da generosidade.

Os evangelhos relatam a história dos pastores que vigiavam os seus rebanhos no campo, quando um anjo lhes apareceu trazendo as boas novas do nascimento do Prometido.
Naquela região havia pastores que passavam a noite no campo guardando os rebanhos.
Apareceu-lhes um anjo e a luz gloriosa do Senhor envolveu-os. Ficaram muito assustados,
mas o anjo disse-lhes: «Não tenham medo! Venho aqui trazer-vos uma boa nova que será motivo de grande alegria para todo o povo.Pois nasceu hoje, na cidade de David, o vosso Salvador que é Cristo, o Senhor!
Poderão reconhecê-lo por este sinal: encontrarão o menino envolvido em panos e deitado numa manjedoura.»Nisto, juntaram-se ao anjo muitos outros anjos do céu louvando a Deus e cantando:«Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na Terra aos homens a quem ele quer bem!» (Lc, 2: 8-14)
Mas para lá desta bela e encantadora narrativa de paz e boa-vontade, vemos a realidade chocante do nosso mundo.

Na semana passada, quando ouvi a notícia de mais um tiroteio numa escola, em plena quadra natalícia, dei por mim a pensar na canção de Simon & Garfunkel, “7 O'Clock News/Silent Night”. Esta música contém a sobreposição de duas gravações: um arranjo vocal simples da conhecida “Silent Night”, e uma simulação do boletim noticioso “7 O'Clock News” baseado em acontecimentos reais ocorridos em 3 de Agosto de 1966.


A sobreposição da bela e familiar melodia de Natal e das suas palavras que invocam a paz e a serenidade, juntamente com boletim noticioso, que – em profundo contraste – destaca os problemas que afligem o mundo, criam um efeito que os músicos designam como “calafrio positivo”.

Quando leio os títulos das notícias que chegam à minha caixa de correio electrónico, vejo que a violência se espalha na nossa sociedade. O massacre numa escola primária pode ter sido mais uma tragédia sem sentido, mas também nos recorda o quanto estamos vulneráveis a actos de violência e agressão. A violência ainda existe a uma escala global; em muitas partes do mundo, há estados que cometem agressões contra outros estados e até contra cidadãos.

E mesmo em zonas livres de conflitos, a violência ainda existe nos corações e nas mentes das pessoas, na forma de preconceito, apatia e inimizade. E ao reflectir sobre tudo isto, não pude deixar de pensar que, de alguma forma, Simon & Garfunkel podiam, com a mesma facilidade, cantar uma versão actualizada de “7 O'Clock News/Silent Night” nos dias de hoje.

Não é um pensamento muito inspirador ou optimista, particularmente durante esta época festiva.

Então o que fazemos com esta promessa de paz? Para aqueles que o Natal é mais do que um feriado cultural, o que fazemos com a promessa bíblica sobre o Prometido que trará uma era de paz?

Apesar dos Bahá'ís não celebrarem o Natal, o nascimento de Jesus – um dos Manifestantes de Deus – tem uma grande importância. Bahá'u'lláh referiu-se eloquentemente a Jesus:
Sabe que quando o Filho do Homem entregou o espírito a Deus, toda a criação chorou num grande pranto. Ao sacrificar-Se, porém, uma nova capacidade infundiu-se em todas as coisas criadas. As suas evidências, como se testemunha em todos os povos da terra, estão agora manifestas diante de ti. A sabedoria mais vasta que os sábios pronunciaram, o conhecimento mais profundo que qualquer mente explicou, as artes que as mãos mais hábeis produziram, a influência exercida pelo mais poderoso dos governantes, são apenas manifestações do poder vivificador libertado pelo Seu Espírito transcendente, omnipresente e resplandecente.

Testemunhamos que quando Ele veio ao mundo, Ele derramou o esplendor da Sua glória sobre todas as coisas criadas. Através d'Ele, o leproso recuperou da lepra de perversidade e da ignorância. Através d'Ele, o ímpio e rebelde foram curados. Através do Seu poder, nascido do Deus Todo-Poderoso, os olhos dos cegos abriram-se e a alma do pecador santificou-se… Testemunhamos que através do poder do Verbo de Deus todo o leproso foi purificado, toda a enfermidade foi curada, toda a debilidade humana foi banida. Ele é Quem purificou o mundo. Bem-aventurado o homem que, com um rosto radiante de luz, se volveu para Ele." (Gleanings from the Writings of Baha'u'llah, XXXVI)
A paz, porém, é um trabalho em andamento e algo pelo qual nós, humanidade, nos esforçamos. Jesus trouxe uma mensagem de paz e amor, ensinou-nos a “amar o próximo” como a nós próprios – e com isso estabeleceu as bases para a paz, tal como fizeram outros Manifestantes. A revelação de Bahá'u'lláh, de igual modo, trouxe uma mensagem semelhante de paz, mas desta vez num contexto de unidade global.

A revelação de Bahá'u'lláh fala explicitamente sobre esta paz e unidade. A humanidade atingiu a sua maturidade e está pronta para alcançar esta paz e unidade. Bahá'u'lláh afirma:
Grande é, em verdade, este Dia! As alusões que lhe são feitas em todas as Sagradas Escrituras como o Dia de Deus atestam a sua grandeza. A alma de todo o Profeta de Deus, de todo o Mensageiro Divino, estava sequiosa por este Dia maravilhoso. As diversas raças da terra, de igual modo, desejavam alcançá-lo. Porém, assim que o Sol da Sua Revelação se manifestou no céu da Vontade de Deus, todos, excepto aqueles que o Omnipotente desejou guiar, estavam confundidos e desatentos.

Ó tu que te recordaste de Mim! O mais penoso véu separa os povos da terra da Sua glória e impede-os de escutar o Seu chamamento. Deus permita que a luz da unidade envolva toda a terra e que o sêlo “o Reino é de Deus” fique estampado na fronte de todos os seus povos. (Gleanings from the Writings of Baha'u'llah, VII)
Se olharmos para o nosso mundo, vemos como a unidade é possível numa nova forma. Antigamente apenas podíamos esforçarmos por criar unidade entre indivíduos e famílias; agora a humanidade está numa situação em que pode criar as bases de uma sociedade internacional que reflicta a sua unidade essencial. 'Abdu'l-Bahá afirma:
Em ciclos passados, a harmonia foi estabelecida, mas devido à falta de meios, a unidade de toda a espécie humana não pôde ser alcançada. Os continentes continuaram profundamente divididos; e mesmo entre os povos de um mesmo continente a associação e a troca de ideias era praticamente impossível. Consequentemente, as trocas, a compreensão e a unidade entre todos os povos e raças eram inatingíveis. Neste dia, porém, os meios de comunicação multiplicaram-se, e os cinco continentes da terra fundiram-se virtualmente num único… De igual modo, todos os membros da família humana, sejam povos ou governos, cidade ou aldeias, tornaram-se crescentemente interdependentes. A auto-suficiência já não é possível, pois os laços políticos unem todos os povos e nações, e acordos sobre comércio, indústria, agricultura e educação, são fortalecidos todos os dias. Consequentemente, a unidade de toda a humanidade pode ser alcançada neste dia. Na verdade, esta é apenas um dos prodígios desta era maravilhosa, deste século glorioso. As eras passadas foram privadas disto; mas este século – o século de luz – foi dotado com esta glória, poder e compreensão únicas e sem precedentes. Consequentemente, vemos descobertas miraculosas de novas maravilhas, todos os dias. Posteriormente, veremos quão brilhantes são as suas velas acesas na assembleia do homem. (Selections from the Writings of 'Abdu'l-Baha, #15)
O que é ainda mais encorajador, é que as Escrituras afirmam que a paz não é apenas possível, mas também inevitável - é o destino certo da espécie humana. O caminho para este objectivo, porém, está inteiramente nas nossas mãos. A Casa Universal de Justiça declarou:
Se a paz será alcançada somente depois de horrores inimagináveis, precipitados pelo apego obstinado da humanidade a velhos padrões de comportamento, ou se será concretizada agora através de um acto de vontade coletiva - eis a escolha que se oferece a todos os que habitam a Terra. Nesta conjuntura crítica, em que os problemas incontroláveis que confrontam as nações se fundiram numa preocupação comum pelo bem-estar do mundo todo, o fracasso na contenção da vaga de conflitos e de desordem seria inconcebivelmente irresponsável. (A Promessa da Paz Mundial)
E como é suposto trabalharmos pela paz?

Em 1985, a Casa Universal de Justiça elaborou uma declaração sobre este assunto intitulada “A Promessa da Paz Mundial”. A declaração abordava vários tópicos relacionados com esta grande questão e salientava que alcançar a paz apenas se pode basear numa consciência genuína da unicidade da humanidade, o que “apela a nada menos que a reconstrução e desmilitarização de todo o mudo civilizado – um mundo organicamente unificado em todos os aspectos essenciais da sua vida, da sua maquinaria política, das suas ambições espirituais, comércio e finanças, escrita e língua, e todavia, infinito na diversidade das características nacionais das suas unidades federadas”.

A Revelação de Bahá'u'lláh que, através dos seus muitos ensinamentos sobre eliminação de preconceitos e divisão em todas as formas – desde a guerra, violência e discriminação, até a coisas aparentemente insignificantes como a maledicência e o divisionismo – actua como um projecto para a humanidade à medida que aprendemos o que significa estabelecer verdadeiramente o princípio da unicidade da humanidade como base para uma nova ordem mundial.

Assim, neste Natal, ao reflectir sobre como Jesus chegou a um mundo envolto em violência e viveu uma vida de amor e generosidade apesar das agressões perpetradas contra Ele, penso como o Seu ministério espalhou no mundo uma nova capacidade para amar. E, similarmente, penso como a revelação de Bahá'u'lláh espalhou no mundo a capacidade para apreciar verdadeiramente a unicidade da humanidade.

E assim, ao desejar que a paz num mundo que parece tudo menos elusivo, encontro conforto na promessa de Bahá'u'lláh: “Estas lutas infrutíferas, estas guerras ruinosas desaparecerão, e a 'Mais Grandiosa Paz' virá”.

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Texto original: A Christmas Wish for Peace (www.bahaiblog.net)

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Na sua vida profissional, Preethi tem-se envolvido em áreas como a educação, o desenvolvimento comunitário e o direito. No entanto, no seu coração, ela é uma criança que vê o mundo como um enorme parque de brincadeiras. Actualmente está a desenvolver um projecto educativo para levar histórias e culturas do mundo aos jovens, com recursos no One Story Classroom.

sábado, 22 de dezembro de 2018

O que significa o Natal para os Bahá’ís

Por Preethi.


Os Bahá’ís celebram o Natal? Esta questão é um pouco complicada porque o Natal tem diferentes significados para diferentes pessoas.

Se entendermos o Natal como a comemoração do nascimento de Cristo, então este dia tem significado para os Bahá’ís, que acreditam que Cristo foi um Manifestante de Deus. No entanto, os Bahá’ís não celebram o Natal nas suas comunidades como um Feriado Bahá’í.

Apesar do princípio da revelação progressiva significar que os Bahá’ís acreditam na origem divina das outras religiões mundiais (e consequentemente no significado de cada um dos seus Feriados), a Fé Bahá’í é uma religião independente e tem os seus próprios feriados. Os Bahá’ís – apesar de acreditarem na origem divina de todas as religiões mundiais – seguem os ensinamentos de Bahá’u’lláh, que acreditam ser o mais recente de uma sequência de Mensageiros enviados por Deus com leis adequadas às necessidades da humanidade nos dias de hoje.

Disto isto, porém, os Bahá’ís são livres para participar em celebrações realizadas pelos seus amigos e família que aderem a outras religiões. O Natal é um pouco complicado devido ao que representa na sociedade Ocidental – o verdadeiro significado do Natal, infelizmente, perdeu-se há muito tempo entre os enfeites das árvores de Natal, as figuras do Pai-Natal e os intermináveis anúncios de compras de Natal. No entanto, neste momento em que muitos Cristãos param para reflectir sobre o nascimento e vida de Jesus, os Bahá’ís também podem reflectir sobre o significado deste dia. As Escrituras Bahá’ís descrevem de forma magnífica a vida e a posição de Jesus. Bahá’u’lláh afirma:
Sabe que quando o Filho do Homem entregou o espírito a Deus, toda a criação chorou num grande pranto. Ao sacrificar-Se, porém, uma nova capacidade infundiu-se em todas as coisas criadas. As suas evidências, como se testemunha em todos os povos da terra, estão agora manifestas diante de ti. A sabedoria mais profunda que os sábios pronunciaram, o conhecimento mais profundo que qualquer mente explicou, as artes que as mãos mais hábeis produziram, a influência exercida pelo mais poderoso dos governantes, são apenas manifestações do poder vivificador libertado pelo Seu Espírito transcendente, omnipresente e resplandecente.

Testemunhamos que quando Ele veio ao mundo, Ele derramou o esplendor da Sua glória sobre todas as coisas criadas. Através d’Ele, o leproso recuperou da lepra de perversidade e da ignorância. Através d'Ele o ímpio e rebelde foram curados. Através do Seu poder, nascido do Deus Todo-Poderoso, os olhos dos cegos abriram-se e a alma do pecador santificou-se… Testemunhamos que através do poder do Verbo de Deus todo o leproso foi purificado, toda a enfermidade foi curada, toda a debilidade humana foi banida. Ele é Quem purificou o mundo. Bem-aventurado o homem que, com um rosto radiante de luz, se volveu para Ele." (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, XXXVI)
Estas palavras estão próximo do meu coração, pois fui educada como Cristã e desde cedo aprendi a conhecer e adorar Deus através dos ensinamentos de Jesus. Frequentemente sinto que é difícil focar-me nos aspectos espirituais do Natal devido ao forte significado cultural que adquiriu.

Mas estas palavras recordam-nos o verdadeiro significado da vida de Jesus. A história do Natal é um episódio fascinante na história religiosa do mundo. O nascimento de Jesus assinala o cumprimento das profecias Judaicas sobre um novo Manifestante de Deus. Marca o início de uma infância muito especial que se distinguiu devido à sabedoria inata que que todos os Manifestantes possuem, mesmo quando são crianças. Anunciou a vida de outro Manifestante de Deus que sofreria grandes aflições e sofrimentos para guiar a humanidade em direcção a Deus.

A vida e o ministério de Jesus transformaram as vidas de muitas pessoas – tanto no Seu tempo como nos séculos seguintes – assim como da humanidade como um todo. O Seu amor e sacrifício criaram no mundo um novo espírito. Bem-aventurados aqueles que reconheceram a enorme dádiva dos Seus ensinamentos divinos.

Um santo Natal a todos os nossos amigos Cristãos!

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Texto original: What Christmas Means to Baha’is (www.bahaiblog.net)

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Na sua vida profissional, Preethi tem-se envolvido em áreas como a educação, o desenvolvimento comunitário e o direito. No entanto, no seu coração, ela é uma criança que vê o mundo como um enorme parque de brincadeiras. Actualmente está a desenvolver um projecto educativo para levar histórias e culturas do mundo aos jovens, com recursos no One Story Classroom.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Feliz Natal - de uma Bahá'í

Por Jaellayna Palmer.


Ter crescido como a única menina Judia numa cidade pequena do Indiana (EUA), proporcionou-me uma experiência de vida como “diferente” na época do Natal.

A minha família nem sequer tinha a chamada árvore de Hanukkah, e havia uma pessoa na família que adorava a música de Natal, especialmente o álbum de Johnny Mathis. Como outras famílias naquela época, víamos os filmes de Natal na TV ou no cinema. Mas isso era entretenimento; não era algo em que "acreditávamos".

Quando as pessoas que não sabiam que eu era judia me perguntavam sobre os meus planos para o Natal, eu ficava nervosa a pensar no que havia de dizer. Se dissesse apenas "Somos judeus", isso geralmente acabava com a conversa. Mas, por vezes, as pessoas ficavam confusas sobre o povo judeu. Lembro-me de uma colega de escola me perguntou se podia tocar nos chifres na minha cabeça, explicando depois que a cabeleireira da sua mãe lhe tinha dito que os judeus têm chifres.

Mais tarde, quando estudava na universidade, no final da década de 1960, decidi que já não queria ser judia. Comecei a investigar o que queria ser - aquilo em que eu realmente acreditava e a que me queria associar. A história sobre como descobri a Fé Bahá’í (ou como ela me descobriu) é o tema para outro ensaio, talvez noutra ocasião. Mas em 1980 decidi-me tornar Bahá'í. A ironia? Voltei mais uma vez a ser “diferente”.

Ao longo dos anos, os ensinamentos Bahá’ís mostraram-me que o espírito do natal é realmente algo para celebrar. Agora aceito e venero a Jesus Cristo como mensageiro de Deus para o seu tempo. Ser Bahá’í aproximou-me dos meus irmãos e irmãs cristãs em todo o mundo, pois reconheço a unidade essencial de todas as religiões e a unidade dos mensageiros divinos que trouxeram essas religiões à humanidade durante o seu tempo na Terra.

O site oficial da Fé Bahá’í (www.bahai.org) apresenta esta explicação:
Ao longo da história, Deus enviou à humanidade uma série de educadores divinos - conhecidos como Manifestantes de Deus - cujos ensinamentos forneceram a base para o avanço da civilização. Estes Manifestantes incluem Abraão, Krishna, Zoroastro, Moisés, Buda, Jesus e Maomé. Bahá’u’lláh, o mais recente desses Mensageiros, explicou que as religiões do mundo provêm da mesma Fonte e, em essência, são sucessivos capítulos de uma única religião de Deus.
Quando perguntaram qual a diferença entre os ensinamentos de Bahá’u’lláh e os ensinamentos de Jesus Cristo, ‘Abdu’l-Bahá deu esta explicação:
Os ensinamentos são os mesmos. É a mesma base e o mesmo templo. A verdade é una e indivisível. Os ensinamentos de Jesus estão numa forma concentrada. Até hoje, os homens não estão de acordo sobre o significado de muitas das suas palavras. Os seus ensinamentos são como um rebento de uma flor. Hoje, o rebento está a transformar-se em flor! Bahá’u’lláh expandiu e cumpriu os ensinamentos, e aplicou-os em pormenor ao mundo inteiro. (‘Abdu’l-Bahá in London, p. 92)
No entanto, confesso que fico cansada do grau de saturação que o Natal atinge na América do Norte. Desde a música nos centros comerciais aos desfiles do Pais Natal, parece-me que se passou do limite. Pergunto-me, por vezes, se Cristo apreciaria o materialismo que o seu aniversário agora suscita. Por outro lado, participo de trocas de presentes no meu emprego, junto-me a amigos para jantar, faço de "Pai Natal secreto" durante uns dias com actos de bondade e aproveito outros eventos pessoais.

Agora, quando os empregados das lojas e outras pessoas que não me conhecem me perguntam se estou pronta para o Natal, digo-lhes apenas que eu não o celebro especificamente, embora como Bahá’í eu respeite honre o espírito da época. Depois pergunto-lhes o que ELES estão a fazer. Todos ficam entusiasmados por me contar sobre as tradições das suas famílias, o tamanho da sua árvore, quem vão visitar, como eles trocam presentes, o que eles vão comer e os passeios que estão a planear. Ouço-os com interesse, partilho o seu entusiasmo e, com toda a sinceridade, desejo-lhes umas boas festas.

Desejo-lhe um Feliz Natal também para si.

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Jaellayna Palmer nasceu nos EUA e actualmente vive com o marido no Canadá. Trabalhou durante 8 anos como voluntária no Centro Mundial Baha’i e está semi-reformada. É colunista de um jornal e publicou um livro de ensaios pessoais intitulado "Personal Path, Practical Feet".

sábado, 24 de dezembro de 2016

O primeiro Natal de 'Abdu'l-Bahá



Por um único motivo foram os Profetas, sem excepção, enviados à terra. Foi por isso que Cristo Se manifestou, foi por isso que Bahá’u’lláh ergueu o apelo do Senhor: para que o mundo do homem se torne o mundo de Deus; que este domínio inferior se torne o Reino; que esta luz negra, esta perversidade satânica se transforme nas virtudes do homem – e a unidade, a camaradagem e o amor sejam conquistados por toda a raça humana, que a unidade orgânica reapareça e os alicerces da discórdia sejam destruídos e a vida eterna e a graça eterna sejam a colheita da humanidade. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, #15)

Hoje quero falar-vos sobre o primeiro Natal de ‘Abdu’l-Bahá em Inglaterra. Mas antes disso vamos preparar o cenário, explorando a história do feriado, que poucas pessoas compreendem, ou conhecem.

Alguma vez ouviu falar de Sexto Júlio Africano?

Provavelmente não. Inicialmente, Sexto Júlio era um soldado pagão nas legiões romanas, no final do séc. II; depois converteu-se ao Cristianismo e tornou-se um historiador e autor Cristão muito viajado. Tal como o seu último nome sugere, ele era provavelmente africano - possivelmente oriundo da região a que hoje chamamos Líbia - falava várias línguas e viajou muito pelo Médio Oriente.

Sexto Júlio Africano escreveu uma história do mundo em cinco volumes, chamada Chronographiai. Tanto quanto se sabe, nenhum exemplar sobreviveu, mas alguns dos seus escritos ainda existem, graças a historiadores posteriores, como Eusébio, e tiveram um grande impacto - em pelo menos dois aspectos - sobre quem hoje vive na idade moderna.

Primeiro, ele determinou a idade do mundo.

Depois, ele determinou a data exacta do Natal.

Foi assim que ele fez: no seu trabalho de cinco volumes, Sexto Júlio escreveu a cronologia do mundo desde a história da criação no livro do Génesis até ao ano 221 EC. Esse período de tempo - meticulosamente reunido e calculado a partir de uma leitura cuidadosa de toda a história genealógica e das várias “descendências” na Bíblia Hebraica e no Novo Testamento - totaliza 5723 anos, segundo as suas contas. Os seus cálculos apresentam 5500 anos entre a criação e a encarnação (ou Anunciação) de Jesus Cristo, que colocou a imaculada concepção de Jesus em 25 de Março do ano 1 AEC. Adicionando os nove meses do tempo normal de gestação humana, Júlio obteve o 25 de Dezembro, o dia em que o mundo celebra o Natal.

Já no séc. II EC ninguém conseguia precisar a data em que tinha ocorrido o nascimento de Cristo. Muito antes do uso generalizado de calendários, certidões de nascimento ou celebração regular de nascimentos, a grande distância temporal tornava impossível a verificação de datas históricas. Por esse motivo, Sexto Júlio Africano teve de fazer cálculos. Apesar das suas evidências, alguns historiadores e cientistas – incluindo Isaac Newton – acreditam que o mundo cristão escolheu o 25 de Dezembro porque os Romanos celebravam o Solstício de Inverno nesse dia, a que chamavam Bruma ou Sol Invicto.

Uma rua de Londres, Natal de 1911
Mas Sexto Júlio calculou a data segundo a cronologia bíblica e dominou a opinião popular e o calendário gregoriano durante mil e oitocentos anos. Os seus cálculos originais são a razão que levam alguns fundamentalistas a insistir que o mundo tem apenas seis mil anos de idade, e também são o motivo para observamos o nascimento de Cristo no dia 25 de Dezembro. Com a excepção da Igreja Ortodoxa Oriental, que normalmente celebra o Natal no dia 7 de Janeiro, o 25 de Dezembro tornou-se o Natal para as massas – o que nos traz de volta ao tema do primeiro Natal do 'Abdu'l-Bahá.

Só em 1911, quando viajou para o Ocidente, ‘Abdu’l-Bahá teve o primeiro contacto com as celebrações modernas do Natal, na sua forma Ocidental. Libertado após 40 anos de exílio, chegou a Inglaterra, vindo do Médio Oriente e no meio do agitado calendário de discursos, reuniões e palestras, ‘Abdu’l-Bahá…

…assistiu à peça “Eager Heart” (Coração Ansioso), uma peça de Natal na Church House, Westminster, a primeira peça de teatro que Ele assistiu e cuja representação gráfica da vida e sofrimentos de Jesus Cristo O levaram às lágrimas”. (Shoghi Effendi, God PassesBy, p. 284)

A peça, escrita pela poetisa e dramaturga inglesa Alice Mary Buckton, que mais tarde recebeu 'Abdu'l-Bahá na sua casa em Byfleet Surrey, conta a história trágica de uma mulher que se prepara fervorosamente para a visita Natalícia de Jesus, Maria e José, mas depois vacila quando uma família de refugiados sem-abrigo aparece à sua porta. Leia a peça em sua forma original aqui.

Esta descrição da reacção profundamente emocional de 'Abdu'l-Bahá à peça Eager Heart, escrita por Lady Blomfield no seu livro The Chosen Highway, menciona uma ocorrência notável:

[‘Abdu’l-Bahá] chorou durante a cena em que a Criança Sagrada e os Seus pais, vencidos pela fadiga e sofrendo com a fome e a sede, foram recebidos pela hesitação do Coração Ansioso em deixá-los entrar no abrigo de repouso que ela tinha preparado; obviamente, ela não conseguiu reconhecer os visitantes sagrados. Posteriormente, [‘Abdu’l-Bahá], juntou-se ao grupo de actores.

Foi uma cena impressionante. Num cenário oriental. O Mensageiro nas suas vestes orientais, falando-lhes, nas suas belas palavras orientais, sobre o significado Divino dos eventos que tinham sido representados. (The Baha’i World, Volume 4, p. 379)

Tente imaginar esta cena de Natal, se for capaz. Após o fim dos aplausos e depois do público se ter retirado, no palco, entre os cenários da peça, o filho do mais recente profeta do Médio Oriente, vestido com a Sua túnica, fala aos actores sobre os verdadeiros sofrimentos de Jesus Cristo, tal como semelhantes aos sofrimentos de Bahá’u’lláh e da Sua família. Recentemente libertado após quatro décadas de exílio e prisão, ‘Abdu’l-Bahá reúne um grupo de actores ao Seu redor e explica o verdadeiro significado do Natal.

E porque os Bahá’ís acreditam que todos os profetas de Deus são semelhantes, aqueles actores incrivelmente afortunados, em vez de se basearem em interpretações demasiado humanas sobre o significado e o momento do Natal, escutam isso literalmente da fonte.

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Os Bahá'ís celebram o Natal?

Por Annie Reneau.


Naturalmente, nesta época festiva do ano, as pessoas gostam de perguntar aos Bahá’ís se celebram (ou não) o Natal. E a resposta é simples: Não. Sim. Mais ou menos. Às vezes. Depende.

Isto não é exactamente uma resposta elucidativa, pois não?

A confusão aqui, acho eu, reside mais na própria pergunta do que na resposta. A minha resposta confusa acima é adequada para a pergunta "Os Bahá'ís celebram o Natal?" porque essa questão específica contém várias questões distintas mas relacionadas entre si.

Para esclarecer as coisas, pensei que podia tentar separar essas questões tanto quanto me fosse possível (com a ressalva de que estas respostas são baseadas na minha própria compreensão, que dificilmente é infalível). Assim, aqui ficam algumas perguntas que geralmente estão associadas à questão mais genérica sobre se os Bahá'ís celebram (ou não) o Natal, e minhas respostas a essas perguntas.

Os Bahá'ís acreditam em Cristo?

Sim, acreditamos.

Aqui fica um resumo da perspectiva Bahá'í sobre Jesus:
Quanto à posição do Cristianismo, diga-se sem qualquer hesitação ou equívoco que a sua origem divina é reconhecida incondicionalmente, que a Filiação e Divindade de Jesus Cristo são destemidamente declaradas, que a inspiração divina do Evangelho é plenamente reconhecida, que a realidade do mistério da Imaculabilidade da Virgem Maria é confessada, e o primado de Pedro, o Príncipe dos Apóstolos, é mantido e defendido. (Shoghi Effendi, The Promised Day is Come, pag. 109)
O Fundador da Fé Cristã é referido por Bahá'u'lláh como o "Espírito de Deus", é proclamado como Aquele que "apareceu do sopro do Espírito Santo" e é enaltecido como a "Essência do Espírito". A Sua mãe é descrita como "aquele belíssimo semblante velado e imortal", e a condição do seu Filho elogiado como uma "condição que está enaltecida acima das imaginações de todos os que habitam na terra", enquanto Pedro é reconhecido como aquele a quem Deus fez "os mistérios da sabedoria e da expressão fluir da sua boca."

Além disso, Bahá’u’lláh afirmou: "Sabe que quando o Filho do Homem entregou o espírito a Deus, toda a criação chorou num grande pranto. Ao sacrificar-Se, porém, uma nova capacidade infundiu-se em todas as coisas criadas. As suas evidências, como se testemunha em todos os povos da terra, estão agora manifestas diante de ti. A sabedoria mais profunda que os sábios pronunciaram, o conhecimento mais profundo que qualquer mente explicou, as artes que as mãos mais hábeis produziram, a influência exercida pelo mais poderoso dos governantes, são apenas manifestações do poder vivificador libertado pelo Seu Espírito transcendente, omnipresente e resplandecente. Testemunhamos que quando Ele veio ao mundo, Ele derramou o esplendor da Sua glória sobre todas as coisas criadas. Através d’Ele, o leproso recuperou da lepra de perversidade e da ignorância. Através d'Ele o ímpio e rebelde foram curados. Através do Seu poder, nascido do Deus Todo-Poderoso, os olhos dos cegos abriram-se e a alma do pecador santificou-se… Ele é Quem purificou o mundo. Bem-aventurado o homem que, com um rosto radiante de luz, se volveu para Ele." (SEB, XXXVI)

Portanto, a resposta é sim. Nós veneramos e adoramos Cristo e acreditamos n’Ele como um Mensageiro Divino (Para mais informações sobre a relação entre a Fé Bahá'í e o Cristianismo, clique aqui.)

Os Bahá'ís celebram o Natal como comunidade religiosa?

Não. Nós aceitamos Cristo com todo o coração, e, portanto, honramos a celebração do Seu nascimento; mas a nossa comunidade não celebra o Natal. Também aceitamos e veneramos Moisés, Buda, Krishna, Zoroastro, Maomé e outros Mensageiros Divinos; mas se celebrássemos todos os seus nascimentos e outros dias santos associados a cada um deles... estaríamos em festa durante todo o ano. Por muito divertido que isso possa parecer, não tem muito sentido lógico. E também não faria sentido celebrar apenas alguns, e não outros. Assim, enquanto comunidade, apenas comemoramos os dias sagrados e feriados do calendário Bahá'í.

Mas os Bahá'ís PODEM celebrar o Natal?

Sim, não apenas entre Bahá’ís. Muitos de nós participamos alegremente nas celebrações de Natal organizadas pelas nossas famílias e amigos. Como indivíduos, somos livres de participar em quaisquer actividades religiosas que não interfiram directamente com os ensinamentos Bahá'ís. Na verdade, a partilha de tradições espirituais é uma das melhores maneiras de criar laços de comunhão e unidade entre pessoas de todas as fés. Isto é um dos ensinamentos centrais de Bahá'u'lláh: "Associai-vos com os seguidores de todas as religiões num espírito de amizade e camaradagem."

Então os Bahá'ís têm Árvores de Natal, fazem bolos de Natal, colocam enfeites de Natal, trocam prendas de Natal, etc.?

Talvez. Às vezes. Mais ou menos. Depende. Parte da confusão é que o Natal tornou-se um feriado cultural para muitas pessoas. Todos os ateus e agnósticos que conheço ainda montam Árvores de Natal, cantam canções de Natal, e trocam prendas de Natal. Para a maioria dos Cristãos, é um dia santo. Para pessoas não-religiosas, é um tempo para a família e para a tradição. Para os Bahá'ís, pode ser os dois e pode não ser nenhum; tudo depende da perspectiva. Isolar práticas culturais de práticas religiosas numa época festiva é o suficiente para deixar muita gente baralhada.

Conheço algumas famílias Bahá'ís que montam Árvores de Natal; mas diria que a maioria não o faz. Pessoalmente, adoro partilhar bolos. Alguns Bahá'ís oferecem presentes às suas famílias e círculos de amigos, especialmente aqueles cujas famílias não são Bahá'ís. Temos um grande feriado chamado Ayyam-i-Ha no final de Fevereiro, em que oferecemos presentes; por isso, normalmente guardamos as prendas maiores para essa época.

E o Pai Natal?

Tenho que reconhecer que vou escrever algo que pode irritar algumas pessoas. Como adulta e mãe, toda a história do Pai Natal me chateia (isto não é o ensinamento Bahá'í oficial, apenas para que fique claro!) Isso deve-se ao facto de muitas pessoas perguntarem constantemente aos meus filhos o que foi que o Pai Natal lhes deu. Nós não nos mascaramos de Pai Natal; por isso, a coisa fica estranha.

A outra parte é apenas a minha própria análise pessoal. Penso que São Nicolau (o verdadeiro) foi uma maravilhosa inspiração, dando generosamente aos pobres e salvando as meninas de terem de se prostituir. Mas o Pai Natal que temos na tradição - na minha opinião - não tem uma imagem assim tão perfeita. Primeiro, é suposto que ele apenas dá prendas às crianças que se portam bem. Lá se vai o ensinamento da generosidade para com todos. Em segundo lugar, em qualquer outro contexto, um velho que convida crianças que não conhece para se sentarem no seu colo e oferecendo-lhes doces é... esquisito. Em terceiro lugar, perguntar repetidamente às crianças o que elas querem para o Natal tende a perpetuar o materialismo e o consumismo que todos reclamam durante os feriados. Acho que seria preferível se o Pai Natal perguntasse às crianças o que elas gostariam de dar. Em quarto lugar, mentir às crianças para manter viva uma fantasia não faz sentido. Em quinto lugar, quando as tradições culturais se formam e, em seguida, se misturam com actividades comerciais e sentimentalismos nostálgicos, é muito fácil que estas se transformem em algo que lembra vagamente a ideia original; assim, acabamos por dizer que isso é uma importante tradição de longa data sem a questionar.

Eu sei, eu sei. É uma tradição inofensiva e eu sou uma velha rabugenta. Penso que é importante deixar as crianças terem as suas fantasias. Mas os nossos filhos têm vidas com muita fantasia (por vezes, demasiada) sem o Pai Natal. Eu cresci sem acreditar no Pai Natal, e apesar disso gostava desta época festiva. Por isso, não me parece que as crianças estejam a perder muita coisa...

Na verdade, e talvez ironicamente, eu adoro os filmes com o Pai Natal. Devo ter visto o Miracle on 34th Street uma dúzia de vezes quando era criança. E gostamos imenso dos filmes do Tim Clause sobre o Pai Natal. Deve ter sido desde que me tornei uma mãe excessivamente analítica que o alegre velho barbudo me sensibilizou.

E incomoda se as pessoas lhe desejam um Feliz Natal?

De maneira nenhuma. Pessoalmente, adoro todos os bons votos da época, e não entendo como as pessoas se podem ofender com isso. No entanto, o que eu realmente gostaria de ver era as pessoas a desejarem umas às outras votos de felicidade em qualquer época festiva. Desejar Feliz Natal aos seus amigos cristãos, um feliz Hanukkah aos seus amigos judeus, um feliz Kwanzaa aos seus amigos afro-americanos. Porque não há nada de errado em desejar boas festas. Tudo é dito com boa vontade, e eu penso que nós devemos tomá-lo como tal.

Portanto, agora que já expliquei como é que os Bahá'ís celebram o Natal de forma sim/não/mais ou menos/talvez/às vezes, e que já denegri completamente a amada instituição chamada Pai Natal, pergunto: o que faz a sua família no Natal?

Nós aproveitamos a festa e calor da época festiva, e maravilhamo-nos com as iluminações e as Árvores de Natal dos nossos amigos. Como eu disse, gostamos de filmes do Pai Natal porque às vezes as coisas que fazemos não fazem um sentido perfeito. Havarti é um grande fanático de LEGO, e nós temos uma cidade do inverno da LEGO que nós colocamos sobre um manto. Também sempre gostei de nozes, por isso temos uma pequena colecção de quebra-nozes usamos durante os meses de inverno. Também gosto de decorações com bonecos de neve, que eu penso que ajuda as crianças a não se sentirem estranhas por não terem algum tipo de decorações festivas no mês de Dezembro. Contamos às crianças as histórias de Hanukkah, da Natividade e da Kwanzaa, e participamos em quaisquer festividades para que sejamos convidados, e falamos sobre a importância de respeitar as celebrações de todos.

(...)

Espero que as coisas tenham ficado claras. Depois disto sinto uma vontade irresistível de escrever uma carta de desculpas ao Pai Natal. Coitado!

Que todos tenham um Feliz Natal, um Feliz Hanukkah, um feliz Kwanzaa, e uma época festiva calorosa (qualquer que seja a celebração!).

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Texto original: Do Bahá’ís Celebrate Christmas? (Motherhood and More)


sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Mensagem de Natal

É a mais original que alguma vez vi.
Foi enviada pela tripulação da Apollo 8, na noite de 24 de Dezembro de 1968.



Tenham um Feliz Natal!

terça-feira, 26 de dezembro de 2006

A Fé dos Homens

O espaço bahá'í no programa "A Fé dos Homens" emitido ontem na 2:.
Mostra a opinião de uma crente bahá'í sobre o Natal.

domingo, 24 de dezembro de 2006

Natal

Quando eu era criança, estes eram dias que demoravam a passar. Nunca mais vinha o dia de Natal, o dia em que recebíamos presentes (e os presentes de Natal eram sempre especiais) e se reunia toda a família. No dia 24 já pensava para mim: "Amanhã já temos os presentes...". No dia 25 de manhã, era correr pelas escadas abaixo para descobrir o que é que o menino Jesus nos tinha deixado no sapatinho (a minha mão resistiu durante alguns anos ao conceito de Pai Natal).

A ceia de Natal era uma coisa que acontecia muito tarde, depois da missa do galo. Só mesmo as pessoas crescidas é que conseguiam estar acordadas até tão tarde. Quando completei 10 anos deram-me autorização para ficar acordado. Aguentei-me até às 4 da manhã, assisti à missa do galo e estive na ceia com os mais velhos. E por fim lá veio o momento tão desejado: a troca de presentes. Para uma criança, não ter de esperar pela manhã do dia 25 era uma vantagem.

Houve um Natal em que um tio me perguntou se eu já tinha chegado à idade em que recebia apenas gravatas como presente. Isso ainda não tinha acontecido, mas aquela pergunta indiciava qualquer coisa: a minha maneira de apreciar o Natal ia necessariamente mudar. E com o passar do tempo foi isso que aconteceu.

Alguns dos familiares que estavam connosco nestes dias, já faleceram e outros juntaram-se recentemente à família. Também o espaço onde celebramos a festa de Natal já não é o mesmo. Mas com o aproximar da grande reunião familiar, a alegria dos adultos e a excitação das crianças mantém-se. Os mais crescidos têm que pôr a conversa em dia, e os mais novos têm novas brincadeiras (e algumas malandrices) para ensinar uns aos outros.

É Natal. Vou estar com a minha família. Volto dia 26. Fiquem bem.

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Um à parte: uma pessoa conhecida da Comunidade Baha'i de Portugal apareceu mais uma vez citada no Expresso. Desta vez o tema é a Constituição europeia. Mas será que passa assim tão despercebido?

quinta-feira, 23 de dezembro de 2004

Natal

Um amigo de longa data enviou-me um mail com tom de provocação (bons amigos têm de ser mesmo assim): "Tenta lá explicar no blog como é que consegues ser bahá’í e celebrar do natal... Quero ver como descalças a bota! :-)"

Eu sou bahá'í e sou português. Tenho as minhas convicções religiosas (que tento pôr em prática) que são diferentes da maioria dos meus compatriotas. Tenho os hábitos comuns à maioria dos portugueses. Para mim a quadra de Natal (não apenas o dia de Natal!) é uma época destinada à vida familiar; visitam-se parentes e trocam-se lembranças. São dias em que se reforça a harmonia e coesão familiar. Quem é português dificilmente se poderia alhear disto.

Estamos, assim, a viver um momento cuja importância social não se pode negar. Quantas e quantas vezes, vemos o Natal designado como Festa da Família? Até em regimes comunistas a quadra de Natal manteve essa designação. Assim, meu caro, espero que ambos possamos viver muitos e bons anos celebrando Natal após Natal, sempre acompanhados pela família. Para os curiosos, acrescento: cá em casa há Árvore de Natal e até um presépio (que comprei há uns anos na Tanzânia).

Claro que o ideal era que todas as famílias pudessem celebrar um momento destes, que todo o ano fosse Natal, que toda a família humana sentisse essa harmonia e unidade. Lá estamos nós a cair no nosso ideal de ver a terra como um só país e a humanidade como seus cidadãos…

Quanto à importância religiosa do Natal: não existe o feriado de Natal no calendário Bahá'í. Mas porque não aproveitar um pouco do dia de Natal para reflectir sobre a vida de Jesus Cristo? Afinal, os bahá'ís defendem a divindade de Jesus. Para eles, fica aqui uma sugestão de leitura: Christ Glorified (está em inglês).

Tenham todos um bom Natal!

NOTA: Até ao dia 3 de Janeiro, este blog fica nos "serviços mínimos".