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sexta-feira, 17 de abril de 2009

Darwin, um Diálogo entre Fé e Ciência

Mais um colóquio do Centro de Reflexão Cristã que promete se ser bem interessante.


Darwin, um Diálogo entre Fé e Ciência

Dia 22 de Abril de 2009 (4ª feira às 18h30m)

João Caraça

P. João Resina


Local: Centro Nacional de Cultura - Galeria Fernando Pessoa
Largo do Picadeiro, nº 10-1º. Lisboa.
(metro Baixa-Chiado)

segunda-feira, 2 de março de 2009

Hans Küng: a Igreja e a Teoria da Evolução

O mais importante argumento contra a teoria da evolução de Darwin, então e com frequência mesmo hoje: Não se pode passar por cima das importantíssimas consequências para a fé e os costumes, da revolução que essa teoria provoca, inclusive para a própria religião. Não perde a criação a sua beleza ficando transformada em um processo sem finalidade, sem objectivo e sem sentido? Não fica o homem deposto de sua condição de coroa da criação, tornando-se semelhante ao macaco, em vez de semelhante a Deus? Não é desacreditada igualmente a ética: em lugar da solidariedade humana, a luta com todos os meios pela sobrevivência? Tudo isto não faz com que Deus se torne inteiramente supérfluo? Haverá ainda lugar para Deus neste mundo e no desenvolvimento do mundo?

Da mesma forma como já havia ocorrido antes com os novos conhecimento da física e da astronomia, e mais uma vez demonstrando incapacidade para aprender, torna-se a identificar a mensagem bíblica com uma determinada teoria científica. Obstinados, os adversários de Darwin julgam estar apoiados em uma rocha pretensamente segura na sua luta contra as ondas do pernicioso "evolucionismo" e em favor de um "fixismo" em concordância com a Bíblia e a tradição. Na igreja anglicana e nas outras igrejas, as armas foram as mesmas que já tinham sido empregadas contra Galileu: livros, panfletos, artigos, caricaturas e as pregações e o catecismo, naturalmente.

(...)

O tratamento do caso Darwin, precisamente na Igreja Católica, foi tão sintomático quanto o do caso Galileu. Já em 1860, um ano após a publicação da Origem das Espécies, e no ano em que foi publicada a tradução da importante obra de Darwin, o episcopado alemão posicionou-se oficialmente no concílio particular de Colônia contra a teoria da evolução, com esta explicação: Que o corpo do homem tenha evoluído das espécies animais superiores está em contradição com a Sagrada Escritura, devendo ser rejeitado como inconciliável com a fé católica. A maioria dos teólogos católicos, e mais tarde também o magistério romano, seguiram a mesma linha. (...)

Só em meados do século 20 é que Roma começa a ceder, forçada pelo grande peso dos resultados científicos. Ainda em 1941, quase um século após a publicação da Origem das Espécies de Darwin, o Papa Pio XII, em uma alocução aos membros da Academia Pontifícia de Ciências, afirmava que a origem da vida humana a partir de ascendentes animais não estava de maneira alguma comprovada, e - involuntariamente, levando-nos a traçar um paralelo com a encíclica Humanae Vitae, de Paulo VI, sobre a regulação da natalidade (1968) - que é preciso aguardar novas pesquisas. Só em 1950, na encíclica Humani generis, sobre opiniões falsas que ameaçam a doutrina católica (reaccionária do princípio ao fim), Pio XII, com muitas advertências e reservas, condescendentemente admite a contragosto que o problema ainda não esclarecido de uma evolução do corpo humano precisa de ser mais estudado pela ciência e teologia - dentro de certas condições, é claro. Pois é preciso ater-se à criação direta da alma humana por Deus e à origem do gênero humano a partir de um único casal (monogenismo). De resto é necessário que em todos os casos se siga o juízo do magistério eclesiástico. Poucas semanas mais tarde, em 1º de novembro de 1950, o papa proclama solenemente o dogma "infalível", difícil de entender não apenas para os cientístas - pois não é atestado nem na Bíblia nem nos primeiros séculos do cristianismo - da ascensão corporal de Maria ao céu!

Hans Küng, O Princípio de Todas as Coisas, pags. 129-132
(Editora Vozes, Petropolis, 2007)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A Teoria da Evolução e as Religiões

A propósito do bicentenário do nascimento de Charles Darwin, o Pew Research Center's Forum on Religion & Public Life publicou um relatório sobre a controvérsia Evolucionismo/Criacionismo nos Estados Unidos. O gráfico seguinte foi extraído desse relatório e apresenta os níveis de aceitação da teoria da Evolução nos diferentes grupos religiosos.



É interessante notar que a maioria destes grupos religiosos, oficialmente não questionam a teoria da evolução (ver aqui). Desta forma, os valores aqui apresentados sugerem uma falta de educação científica e religiosa.

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FONTE: Religion needs evolution too (JeuneStreet)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Charles Darwin

Para comemorar o 200 anos do nascimento de Charles Darwin, a revista Veja dedicou o seu número de 11 de Fevereiro ao prestigiado naturalista inglês. Recomendo vivamente a leitura destes artigos e deixo aqui alguns excertos (sublinhados são da minha responsabilidade).
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Charles Darwin é um paradoxo moderno. Não sob a ótica da ciência, área em que seu trabalho é plenamente aceito e celebrado como ponto de partida para um grau de conhecimento sem precedentes sobre os seres vivos. Sem a teoria da evolução, a moderna biologia, incluindo a medicina e a biotecnologia, simplesmente não faria sentido. O enigma reside na relutância, quase um mal-estar, que suas ideias causam entre um vasto contingente de pessoas, algumas delas fervorosamente religiosas, outras nem tanto. Veja o que ocorre nos Estados Unidos. O país dispõe das melhores universidades do mundo, detém metade dos cientistas premiados com o Nobel e registra mais patentes do que todos os seus concorrentes diretos somados. Ainda assim, só um em cada dois americanos acredita que o homem possa ser produto de milhões de anos de evolução. O outro considera razoável que nós, e todas as coisas que nos cercam, estejamos aqui por dádiva da criação divina. Mesmo na Inglaterra, país natal de Darwin, o fato de ele ser festejado como herói nacional não impede que um em cada quatro ingleses duvide de suas ideias ou as veja como pura enganação. Na semana em que se comemora o bicentenário de nascimento de Darwin e, por coincidência, no ano do sesquicentenário da publicação de seu livro mais célebre, A Origem das Espécies, como explicar a persistente má vontade para com suas teorias em países campeões na produção científica?

(...)

Outros pilares da ciência moderna, como a teoria da relatividade, de Albert Einstein, não suscitam tanta desconfiança e hostilidade. Raros são aqueles que se sentem incomodados diante da impossibilidade de viajar mais rápido que a luz ou saem à rua em protesto contra a afirmação de que a gravidade deforma o espaço-tempo. Evidentemente, o núcleo incandescente da irritação causada por Darwin tem conotação religiosa. A descoberta dos mecanismos da evolução enfraqueceu o único bom argumento disponível para a existência de Deus. Se Ele não é responsável por todas essas maravilhas da natureza, sua presença só poderia ser realmente sentida na fé de cada indivíduo. Mas isso não explica tudo. Em 1920, ao escrever sobre o impacto da divulgação das ideias darwinistas, Sigmund Freud deu seu palpite: "Ao longo do tempo, a humanidade teve de suportar dois grandes golpes em sua autoestima. O primeiro foi constatar que a Terra não é o centro do universo. O segundo ocorreu quando a biologia desmentiu a natureza especial do homem e o relegou à posição de mero descendente do mundo animal". Pelo raciocínio do pai da psicanálise, a rejeição à teoria da evolução seria uma forma de compensar o "rebaixamento" da espécie humana contido nas ideias de Copérnico e Darwin.

(...)

A ciência não tem respostas para todas as perguntas. Não sabe, por exemplo, o que existia antes do Big Bang, que deu origem ao universo há 13,7 bilhões de anos. Nosso conhecimento só começa três minutos depois do evento, quando as leis da física passaram a existir. Os cientistas também não são capazes de recriar a vida a partir de uma poça de água e alguns elementos químicos – o que se acredita ter acontecido 4,5 bilhões de anos atrás. A mão de Deus teria contribuído para que esses eventos primordiais tenham ocorrido? Não cabe à ciência responder enquanto não houver provas científicas do que aconteceu. O fato é que a luta dos criacionistas contra Darwin nada tem de científica. Em sua profissão de fé, eles têm o pleno direito de acreditar que Deus criou o mundo e tudo o que existe nele. Coisa bem diferente é querer impingir essa maneira de enxergar a natureza às crianças em idade escolar, renegando fatos comprovados pela ciência. Essa atitude nega às crianças os fundamentos da razão, substituindo-os pelo pensamento sobrenatural.