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terça-feira, 28 de outubro de 2025

Seis mulheres Bahá'ís iniciam penas de prisão no Irão

Seis mulheres Bahá'ís foram detidas e transferidas para a prisão para começarem a cumprir penas que totalizam quase 39 anos.

As mulheres - Neda Mohebi, Farideh Ayoubi, Zarrindokht Ahadzadeh, Zhaleh Rezaei, Atefeh Zahedi e Noora Ayoubi - foram detidas depois de terem sido convocadas para comparecer num tribunal em Hamadan. O Tribunal Revolucionário de Hamadan condenou Mohebi a sete anos e oito meses de prisão e as outras cinco mulheres a seis anos e três meses cada.

As mulheres foram condenadas por "propaganda contra a República Islâmica" e "organização de aulas e grupos Bahá'ís ilegais".

Foram anteriormente detidos a 7 de novembro de 2023 e libertadas sob fiança em dezembro desse ano, tendo ficado a aguardar julgamento.

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FONTE: Six Baha'i Women Arrested and Sent to Prison in Iran (IranWire)

terça-feira, 7 de outubro de 2025

Tribunal iraniano confirma penas de 90 anos de prisão para 10 mulheres Bahá'ís


Um Tribunal de Última Instância de Isfahan (Irão) confirmou os veredictos de penas de prisão para 10 mulheres Baha’is. A informação foi divulgada pela Organização Hengaw para os Direitos Humanos.

Oito mulheres — Negin Khademi, 34 anos; Shana Shoghi-Far, 27 anos; Yeganeh Agahi, 31 anos; Parastoo Hakim, 47 anos; Mojgan Shahrzayi, 32 anos; Yeganeh Rouhbakhsh, 19 anos; Arezoo Sobhaniyan, 48 anos; e Neda Badakhsh, de 60 anos — receberam penas de 10 anos de prisão e diversas multas.

Outras duas, Bahareh Lotfi, de 27 anos, e Neda Emadi, de 42 anos, receberam penas de cinco anos e diversas multas.

Todas as 10 mulheres enfrentam também proibições de viagem e restrições de utilização das redes sociais.

As mulheres foram acusadas de "propaganda contra a República Islâmica do Irão", "proselitismo desviante e actividades educativas contrárias ao Islão através da promoção e ensino das crenças Bahá'ís entre os muçulmanos" e "colaboração com grupos hostis contra o governo".

As mulheres foram detidas a 23 de outubro de 2023 e libertadas sob fiança após dois meses de detenção. Os veredictos foram emitidos à revelia e comunicados apenas verbalmente aos representantes legais, alegando a segurança e a natureza confidencial do caso.

De acordo com a Hengaw, as mulheres relataram ter sido torturadas durante interrogatórios pelo Departamento de Inteligência de Isfahan, incluindo ameaças de violação, agressão sexual e outros abusos. Também afirmaram que os interrogadores tentaram extrair confissões forçadas contra elas próprias, outros detidos e as suas famílias.

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FONTE: Iranian Court Upholds 90-Year Prison Sentences for 10 Baha'i Women (IranWire)

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Secretário-Geral da ONU condena crescente perseguição aos Bahá'ís no Irão

O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, classificou a perseguição aos Bahá’ís no Irão como uma das mais graves preocupações de direitos humanos do mundo, no seu mais recente relatório global sobre a intolerância e a violência baseadas na religião ou na crença. Este relatório sublinha que a perseguição aos Bahá’ís é uma política sistemática e de longa data de repressão religiosa que exige uma atenção internacional urgente.

Os Bahá’ís da República Islâmica do Irão continuam a enfrentar detenções arbitrárias, encarceramento e restrições no acesso à educação e aos meios de subsistência, visando exclusivamente as suas crenças religiosas”, refere o relatório. “As autoridades invocam rotineiramente acusações vagas, como ‘divulgar propaganda contra o regime’, para criminalizar as actividades comunitárias pacíficas. Os direitos dos Bahá’ís, incluindo o de manifestar a sua religião ou crença, permanecem severamente restringidos”.

O relatório do Secretário-Geral tem um peso especial, pois é publicado em nome da ONU e reflecte uma visão consensual ao mais alto nível da comunidade internacional. O seu reconhecimento confirma a perseguição aos Bahá’ís pelo Irão como parte integrante da agenda global, desmontando as repetidas negações do governo iraniano sobre violações dos direitos humanos nas suas intervenções nas Nações Unidas.

Este é mais um poderoso reconhecimento, vindo dos mais altos níveis da ONU, de que a perseguição aos Bahá’ís por parte do Irão não só continua, como também se intensifica”, afirmou Simin Fahandej, representante da Comunidade Internacional Bahá’í na ONU, em Genebra. “A voz do Secretário-Geral junta-se agora à da Missão de Investigação da ONU sobre o Irão, dos sucessivos Relatores Especiais, da Human Rights Watch, do Conselho dos Direitos Humanos e de muitos governos e organizações de todo o mundo, que condenaram esta campanha governamental para apagar toda uma comunidade da sociedade iraniana.

As conclusões do Secretário-Geral somam-se ao crescente clamor internacional contra a perseguição aos Bahá'ís no Irão. A Missão de Investigação da ONU relatou, por exemplo, a perseguição desproporcional  de mulheres Bahá'ís desde a revolta de 2022, enquanto o ex-Relator Especial do Irão, Javaid Rehman, concluiu que a perseguição aos Bahá'ís foi realizada com "intenção genocida". Dezoito especialistas da ONU emitiram também uma declaração conjunta condenando os ataques às mulheres Bahá'ís, e a Human Rights Watch afirmou que a perseguição equivale ao "crime de perseguição contra a humanidade". A Fundação Boroumand, no seu relatório "outsiders", documentou "violência multifacetada" contra os Bahá'ís no Irão, que vai desde a prisão e expropriação até à exclusão social.

"As provas são contundentes e a comunidade mundial está a falar a uma só voz para acabar com a perseguição aos Bahá'ís no Irão", afirmou Fahandej. "Os Bahá’ís do Irão estão a ser alvo de hostilidades patrocinadas pelo Estado, expropriação dos seus bens, discursos de ódio, detenções arbitrárias e longas penas de prisão. O Irão deve responder imediatamente aos apelos da comunidade internacional e pôr fim às graves violações dos direitos humanos fundamentais contra os Bahá’ís no país."

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FONTE: UN Secretary-General condemns escalating persecution of Bahá’ís in Iran (BIC)


terça-feira, 9 de setembro de 2025

Irão bloqueia centenas de estudantes Bahá'ís na admissão à universidade


As autoridades iranianas bloquearam o ingresso de centenas de estudantes Bahá'ís nas universidades iranianas, ocultando os seus resultados dos exames de admissão. Para estes alunos Bahá’ís, o sistema informático online mostra a mensagem “Em Análise” em vez de mostrar as notas nos exames de admissão.

Com isto, os alunos ficam impedidos de se matricularem em qualquer curso universitário.

Esta medida atinge centenas de estudantes Bahá'ís que tentavam ingressar no ensino superior durante o presente ano lectivo.

No ano passado, pelo menos 129 estudantes Bahá’ís foram excluídos das universidades, de acordo com relatos de grupos de defesa dos direitos humanos que monitorizam a comunidade Bahá’í no Irão. Nessa ocasião, os alunos Bahá’ís eram informados que o seu processo de candidatura tinha “Documentos Incompletos”, e com isso era-lhes impedido o ingresso no ensino superior.

Um decreto confidencial de 2018 do Conselho Supremo da Revolução Cultural do Irão determinou a proibição de entrada de Bahá’ís nas universidades e a expulsão de qualquer aluno posteriormente identificado como Bahá’í.

A discriminação educativa contra os Bahá’ís estende-se também ao ensino primário e secundário, onde muitas crianças enfrentam pressões administrativas e de segurança que as obrigam a abandonar os estudos.

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FONTE: Iran Blocks Hundreds of Baha'i Students from University Course Selection

sexta-feira, 31 de janeiro de 2025

Declaração conjunta dos membros do Parlamento Europeu e dos Parlamentos Nacionais Europeus sobre a situação das mulheres Bahá’ís no Irão


Bruxelas, 30 de Janeiro de 2025

Nós, membros do Parlamento Europeu e dos Parlamentos Nacionais Europeus, apoiamos os dezoito Relatores Especiais da ONU e os peritos do Grupo de Trabalho da ONU que publicaram uma marcante carta conjunta de alegações (link externo) denunciando a República Islâmica do Irão pelo recente aumento de ataques contra mulheres Bahá'ís - que enfrentam perseguição interseccional no Irão, como mulheres e como Bahá'ís.

Fazemos eco da declaração dos relatores e especialistas da ONU que manifestaram “séria preocupação com o que parece ser um aumento da perseguição sistemática contra as mulheres iranianas pertencentes à minoria religiosa Baha’i em todo o país”. Desde os protestos desencadeados pela trágica morte de Mahsa Jina Amini, a perseguição dirigida às mulheres Bahá’ís tem crescido, sendo as mulheres dois terços de todos os Bahá’ís perseguidos no Irão. Enfrentam uma série cruel de abusos, incluindo detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados, separações familiares, limitações à liberdade de circulação, rusgas nas suas casas e privação de educação.

A Missão de Investigação das Nações Unidas sobre o Irão e o relatório "Boot on my Neck" ("Bota no meu Pescoço") da Human Rights Watch detalham os abusos que os Bahá'ís sofrem em quase todos os aspectos da vida, com este último a classificar o tratamento dado pelo governo iraniano aos Bahá'ís como crime de perseguição contra a humanidade. Estas conclusões realçam o padrão perturbador de perseguição sistemática e patrocinada pelo Estado contra os Bahá’ís por parte do governo iraniano através de leis, políticas e práticas discriminatórias. A situação das mulheres Bahá’ís no Irão exige uma atenção e uma acção urgentes por parte da comunidade internacional. Instamos veementemente as autoridades iranianas a pôr fim à perseguição contra as mulheres Bahá’ís e a salvaguardar os seus direitos humanos.

Os 125 cossignatários que endossam a declaração incluem membros do Parlamento Europeu (MEP) e membros de parlamentos de toda a Europa.


Abir AL-SAHLANI, MEP
Marino ALBANI, MP San Marino
Norbert ALTENKAMP, MP Germany
Marie-Noëlle BATTISTEL, MP France
Petra BAYR, MP Austria
Wouter BEKE, MEP
Simone BILLI, MP Italy
Lord St John of Bletso
Júlia BOADA, MP Spain
Lynn BOYLAN, MEP
Michael BRAND, MP Germany
Helmut BRANDSTÄTTER, MEP
Sen. Susanna CAMUSSO, Italy
Rt. Hon. Alistair CARMICHAEL, MP UK
Marián ČAUČÍK, MP Slovakia
Silvia CECCHETTI, MP San Marino
Veronika CIFROVÁ OSTRIHOŇOVÁ, MEP
Per CLAUSEN, MEP
Marie DAUCHY, MEP
Benedetto DELLA VEDOVA, MP Italy
Elio DI RUPO, MEP
Meri DISOSKI, MP Austria
Ondřej DOSTÁL, MP Slovakia
Paolo FORMENTINI, MP Italy
Emma FOURREAU, MEP
Johannes GASSER, MP Austria
Michael GAHLER, MEP
Hanna GEDIN, MEP
Niels GEUKING, MEP
Mary GLINDON, MP UK
Elisabeth GÖTZE, MP Austria
Hermann GRÖHE, MP Germany
Stéphane HABLOT, MP France
Ayda HADIZADEH, MP France
Peter HEIDT, MP Germany
Alojz HLINA, MP Slovakia
Markus HOFER, MP Austria
Martin HOJSÍK, MEP
Ján HORECKÝ, MP Slovakia
Senator Gerry HORKAN, Ireland
Evin INCIR, MEP
Yannick JADOT, MP France
Igor JANCKULÍK, MP Slovakia
Zora JAUROVÁ, MP Slovakia
Beáta JURÍK, MP Slovakia
Fernand KARTHEISER, MEP
Kadir KASIRGA, MP Sweden
Billy KELLEHER, MEP
Seán KELLY, MEP
Dana KLEINERT, MP Slovakia
Wolfgang KOCEVAR, MP Austria
Łukasz KOHUT, MEP
Mária KOLÍKOVÁ, MP Slovakia
Ingrid KOSOVÁ, MP Slovakia
Stephanie KRISPER, MP Austria
Juraj KRÚPA, MP Slovakia
Gudrun KUGLER, MP Austria
Merja KYLLÖNEN, MEP
Robert LAIMER, MP Austria
Vladimír LEDECKÝ, MP Slovakia
Miriam LEXMANN, MEP
Lord Alton of Liverpool
Antonio LÓPEZ-ISTÚRIZ WHITE, MEP
Max LUCKS, MP Germany
František MAJERSKÝ, MP Slovakia
Milan MAJERSKÝ, MP Slovakia
Lukas MANDL, MEP
Vladimíra MARCINKOVÁ, MP Slovakia
Vicent MARZÀ IBÁÑEZ, MEP
Gabriel MATO, MEP
Sigrid MAURER, MP Austria
Tilly METZ, MEP
František MIKLOŠKO, MP Slovakia
Fabian MOLINA, MP Switzerland
Giuseppe Maria MORGANTI, MP San Marino
Michele MURATORI, MP San Marino
Paul MURPHY TD, Ireland
Francesco MUSSONI, MP San Marino
Sen. Luigi NAVE, Italy
Hannah NEUMANN, MEP
Joe O’BRIEN TD, Ireland
Jan-Christoph OETJEN, MEP
Maria OHISALO, MEP
Fernando MEDINA, MP Portugal
Nikos PAPANDREOU, MEP
Jutta PAULUS, MEP
Sen. Cinzia PELLEGRINO, Italy
Simona PETRÍK, MP Slovakia
Lucia PLAVÁKOVÁ, MP Slovakia
Ondrej PROSTREDNÍK, MP Slovakia
Nicola RENZI, MP San Marino
Nela RIEHL, MEP
Cristina RODRIGUES, MP Portugal
Andrea ROSSI, MP Italy
Tommaso ROSSINI, MP San Marino
Michal SABO, MP Slovakia
Agustín SANTOS, MP Spain
Rodrigo SARAIVA, MP Portugal
Silvia SARDONE, MEP
Frank SCHWABE, MP Germany
Günther SIDL, MEP
Nuno SIMÕES DE MELO, MP Portugal
Branislav ŠKRIPEK, MP Slovakia
Martin ŠMILŇÁK, MP Slovakia
Inês SOUSA REAL, MP Portugal
Anne SOUYRIS, MP France
Villy SØVNDAL, MEP
Sen. Luigi SPAGNOLLI, Italy
Peter STACHURA, MP Slovakia
Zuzana ŠTEVULOVÁ, MP Slovakia
Anna STROLENBERG, MEP
António TÂNGER CORRÊA, MEP
Barbara TEIBER, MP Austria
Marie TOUSSAINT, MEP
Andrea TURČANOVÁ, MP Slovakia
Derya TÜRK-NACHBAUR, MP Germany 
Sebastian TYNKKYNEN, MEP
Eric VAN DER BURG, MP Netherlands
Diederik VAN DIJK, MP Netherlands
Veronika VESLÁROVÁ, MP Slovakia
Martin VICKERS, MP UK
Marián VISKUPIČ, MP Slovakia
Sophie WOTSCHKE, MP Austria
Lucia YAR, MEP
Dainius ŽALIMAS, MEP

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domingo, 23 de junho de 2024

Desejei que a minha mãe fosse rapidamente executada. Não queria que ela fosse torturada.

Professora universitária iraniana expatriada descreve a cruel opressão sofrida pela comunidade Bahá'í e as suas mulheres nas mãos do regime islâmico.

Mona Mahmoudi recorda como o regime iraniano assassinou os seus pais na década de 1980

Os pais de Mona Mahmoudi estavam entre os primeiros membros da minoria religiosa Bahá’í do Irão a serem executados durante a longa repressão da República Islâmica.

Quando a sua mãe, a primeira meteorologista do país, foi presa juntamente com outras sete pessoas, a sua filha desejou que ela fosse rapidamente executada.

“Eu sabia que eles seriam executados e esperava que isso acontecesse mais cedo do que tarde”, afirmou ao The Telegraph durante um evento Bahá’í em Londres. “Houve muitos casos de Bahá’ís que eram torturados na prisão”, acrescentou, “e eu não queria que eles fossem torturados”.

A Sra. Mahmoudi estava na zona leste de Londres para um evento em memória ao 40º aniversário de um capítulo sombrio na perseguição aos Bahá'ís no Irão – a execução pública de 10 mulheres Bahá'ís, incluindo uma jovem de 17 anos.

Os pais de Mona, Houshang e Zhinus, assassinados no Irão

A opressão das mulheres no Irão tem sido suportada pela comunidade Bahá’í "há muitos e muitos anos", afirmou ao The Telegraph, Omid Djalili, um comediante britânico-iraniano que é Bahá’í. “O regime está esforçar-se muito para impedir que as pessoas pensem sobre a perseguição contra os Bahá’ís”, disse ele.

A Sra. Mahmoudi diz que a sua família tinha uma “vida boa e tranquila” antes da revolução de 1979, que levou o clero ao poder. A família de cinco pessoas, com a sua mãe meteorologista e o seu pai apresentador de programa infantil de TV no comando, ia para o litoral no norte do Irão nos fins de semana na década de 1970. A Revolução Islâmica, como uma tempestade repentina e violenta, virou do avesso o mundo dos Mahmoudis.

A sua fé, outrora a pedra angular da sua identidade, tornou-se um alvo da ira do novo regime. Da noite para o dia, os pais da Sra. Mahmoudi passaram de profissionais respeitados a párias perseguidos.

O casal foi demitido dos seus empregos e obrigado a devolver os seus salários de anos ao novo governo.

A família se viu presa no centro de uma tempestade política e religiosa. O novo regime proibiu a Fé Bahá’í e desencadeou uma torrente de perseguição.

Milhares foram presos, as suas terras confiscadas e o seu direito ao ensino superior revogado.

O Islão Xiita é a religião do estado no Irão. A constituição reconhece várias religiões minoritárias, incluindo o Cristianismo, o Judaísmo e o Zoroastrismo, mas não a Fé Bahá’í.

Desde Setembro de 2022, quando Mahsa Amini morreu sob detenção após ser presa por supostamente violar as regras do hijab e os subsequentes protestos nacionais, o governo iraniano intensificou a sua repressão à comunidade Bahá'í.

No ano passado, as autoridades prenderam centenas deles, além de confiscar ou destruir propriedades pessoais e os seus cemitérios. Diariamente, são realizadas buscas nas residências dos cidadãos Bahá'ís em todo o país.

A jovem Mona Mahmoudi com a sua família que foi destroçada por um regime cruel

A escalada da perseguição contra os Bahá'ís após os protestos segue um padrão familiar do regime iraniano visando grupos minoritários em tempos de tensão social e política mais ampla.

Houshang Mahmoudi, o pai de Mona, também era advogado e membro da Assembleia Nacional dos Bahá'ís no Irão, responsável por supervisionar os assuntos da comunidade Bahá'í.

Quando a Assembleia de nove membros realizou uma reunião em 21 de agosto de 1980, as suas esperanças e planos para sua comunidade sitiada ainda estavam vivos, mas rapidamente as forças do recém-formado Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) caíram sobre eles.

Num instante, toda a liderança da comunidade Bahá'í no Irão desapareceu – sequestrada, para nunca mais ser vista.

“Foi uma sensação devastadora”, diz a Sra. Mahmoudi. “Se eles tivessem sido presos e estivessem na prisão, seria uma sensação diferente, mas eles simplesmente desapareceram.”

A Sra. Mahmoudi acredita que o seu pai e outros membros da Assembleia foram executados imediatamente, sem o conhecimento das suas famílias.

Sem se deixarem intimidar pela perda, os Baha’is imediatamente elegeram uma nova Assembleia Nacional. Entre os escolhidos para liderar estava Zhinus Mahmoudi, a mãe de Mona.

Mas a tempestade que eliminou a primeira Assembleia estava longe de ter terminado. Em 13 de Dezembro de 1981, a história repetiu-se com uma precisão cruel.

Quando Zhinus e os seus companheiros da Assembleia se reuniam, o IRGC atacou novamente. Dessa vez, não havia mistério, nem desaparecimento no desconhecido.

“Minha mãe foi eleita para a Assembleia Nacional seguinte”, conta a Sra. Mahmoudi. “Cerca de um ano e meio depois, quando eles estavam reunidos, o IRGC fez outra rusga e prendeu todos eles.” Os membros da Assembleia foram levados para a conhecida prisão de Evin.

Durante duas semanas, Mona viveu num estado de ansiedade agonizante. Mas, diferente da incerteza que envolvia o destino do seu pai, ela sabia o que estava por vir. Todos os oito membros detidos, incluindo Zhinus, foram executados sem julgamento.

Evocação do 40º aniversário da execução de 10 mulheres Baha'is, incluindo uma jovem de 17 anos

 A mulher que anteriormente lia os céus do Irão, que se apresentou para liderar a sua comunidade religiosa no seu momento mais sombrio, foi silenciada para sempre.

A Sra. Mahmoudi morava na Califórnia nessa época e foi informada por telefone pela Assembleia Nacional dos Bahá'ís nos EUA sobre as execuções.

“Eles tiveram uma vida muito frutífera e estou muito orgulhosa deles”, diz ela.

“Os meus pais puderam escolher. Eles podiam deixar o Irão, mas queriam ficar e servir, mesmo sabendo que o preço disso seria as suas vidas.”

A Sra. Mahmoudi, uma especialista reformada em segurança cibernética e professora universitária de Phoenix, agora tem uma fundação com os seus irmãos em homenagem aos seus pais, oferecendo educação para crianças em países carenciados, incluindo outras atividades.

Narges Mohammadi, a laureada com o Prémio Nobel da Paz de 2023 e várias outras prisioneiras proeminentes condenaram o regime no mês passado pelas suas intensificadas “pressões implacáveis e injustiças que os Bahá'ís sofrem devido às suas crenças”.

Enquanto os participantes do evento em Londres se aproximavam, um pequeno cartão estava no chão. E nele estava escrito: “O coro do amanhecer é a explosão do canto dos pássaros”. “No Irão, as execuções são realizadas ao romper do amanhecer e logo antes do chamado matinal para a oração.”

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Texto original: ‘I wished my mother a speedy execution, I didn’t want her to be tortured’ (The Telegraph)

segunda-feira, 1 de abril de 2024

HRW: Perseguição contra Bahá’ís no Irão é um “crime contra a humanidade”


Um relatório da organização Human Rights Watch (HRW) publicado hoje (01-Abril-2024) classifica as perseguições contra Bahá’ís no Irão como sendo um “crime contra a humanidade”, sugerindo que o caso se enquadra nas competências do Tribunal Penal Internacional. O mesmo relatório refere que a comunidade Bahá’í do Irão tem enfrentado um “espectro de abusos” desde a revolução islâmica de 1979

O relatório da HRW salienta que entre as perseguições sofridas pelos Bahá'ís estão a prisão arbitrária, o confisco de propriedades, as restrições às oportunidades escolares e de emprego e o direito a um funeral digno.

O impacto acumulado da repressão sistemática das autoridades ao longo de décadas é uma privação intencional e grave dos direitos fundamentais dos Bahá’ís e equivale ao crime de perseguição contra a humanidade”, afirma o relatório.

A HRW argumenta que isto se enquadra no âmbito do TPI, cujo estatuto define a perseguição como a privação intencional e grave de direitos fundamentais, contrária ao direito internacional, por motivos nacionais, religiosos ou étnicos.

As conclusões do relatório basearam-se em diversas de fontes, incluindo directivas governamentais, documentos judiciais e entrevistas com Bahá’ís dentro e fora do Irão.

Segundo a HRW, embora a intensidade das violações contra os Bahá’ís “tenha variado ao longo do tempo”, a perseguição à comunidade permaneceu constante, “tendo impacto em praticamente todos os aspectos da vida privada e pública dos Bahá’ís”.

Nos últimos anos, enquanto as autoridades iranianas reprimiam brutalmente os protestos generalizados que exigiam mudanças políticas, económicas e sociais fundamentais no país, as autoridades também visavam os Bahá’ís”, observa o relatório. “As autoridades invadiram casas de Bahá’ís, prenderam dezenas de cidadãos Bahá’ís e líderes comunitários e confiscaram propriedades pertencentes a Bahá’ís.” O Irão mantém “animosidade extrema contra os seguidores da fé Bahá’í” e a repressão da minoria está consagrada na lei iraniana e é uma política oficial do governo, afirma o relatório.

As autoridades iranianas privam os Bahá’ís dos seus direitos fundamentais em todos os aspectos das suas vidas, não devido às suas acções, mas simplesmente por pertencerem a um grupo religioso”, disse Michael Page, vice-director para o Médio Oriente da HRW. 

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Notícia completa (em inglês): Iran’s persecution of Baha’is branded ‘crime against humanity’
Notícia HRW: Iran: Persecution of Baha’is


sábado, 25 de novembro de 2023

Aqasi, o Infame Grão-Vizir da Pérsia

Por Tom Lyasght.

Haji Mirza Aqasi (1846)
Em 1848, o xá Muhammad, rei da Pérsia com 39 anos de idade, estava a morrer.

Segundo o Islão Xiita, o monarca supremo da Pérsia governava como um representante divino – até à vinda do Prometido, a quem os muçulmanos chamavam Qa’im. Assim, o xá – a palavra persa para “rei” – possuía um poder absoluto, sem nenhum tribunal civil para controlar as suas decisões arbitrárias, incluindo o poder de vida ou morte sobre todos os que governava.

No entanto, o xá Muhammad não personificava o estereótipo do tirano ditatorial; assemelhava-se mais ao arquétipo do Rei Pescador – o Rei Ferido. Nesse mito, o rei incapacitado, demasiado doente para governar, aguarda a chegada de um nobre desconhecido que possui poderes para curá-lo.

Na Pérsia, havia um cenário semelhante no final da década de 1840, quando o xá Muhammad ouviu falar de um jovem santo que diziam ter poderes de cura. Imediatamente Ele enviou uma comitiva real a cavalo para escoltar o Báb – um título que significa “o Porta” – até à sua presença real.

Interessado em ideias pseudo-místicas, o xá Muhammad nomeou o seu tutor de infância como orientador espiritual, conferiu-lhe o cargo governamental de grão-vizir, e reverenciava-o como um semideus. Haji Mirza Aqasi, assumir astuciosamente o título pseudo-piedoso de Haji (“peregrino”), explorou a curiosidade do seu jovem pupilo por todas as coisas transcendentes. Através de truques de magia e interpretações de sonhos, o ambicioso tutor conseguiu controlar o futuro xá, e a sua nomeação como grão-vizir tornou-se uma inevitabilidade histórica.

No entanto, o grão-vizir e autodenominado milagreiro não se revelou capaz de curar a gota incapacitante do xá Muhammad. E temendo perder a sua primazia como conselheiro real, Aqasi impediu o xá de se encontrar com o Báb. E para isso, ele desterrou o Báb para uma prisão remota. Encarcerado na fortaleza montanhosa do castelo de Mah-Ku, o Báb escreveu ao xá Muhammad sobre o seu vizir intriguista:

Por Aquele em cujas mãos está a minha alma, ele não atirou ninguém para a prisão, salvo ele próprio. Imaginas que aquele que nomeaste Chanceler no teu reino seja o melhor líder e o melhor apoiante? Não, juro pelo teu Senhor. Ele criar-te-á graves problemas devido ao que Satanás incutiu no seu coração e, na verdade, ele próprio é Satanás. (Selections from the Writings of the Bab, p. 25)

O Xá Muhammad e Aqasi
As maquinações de Haji Mirza Aqasi são descritas de forma intensa no meu romance histórico recentemente publicado, Persian Passion (“Paixão Persa”), que descreve o motivo para Shoghi Effendi se referir ao grão-vizir do xá Muhammad como um “génio do mal” (God Passes By, p. 82).

O novo livro mostra precisamente como o grão-vizir do xá Muhammad conseguiu ser a descrito como “Anticristo da Revelação de Babi” e porque é que, no seu oportunismo diabólico, não hesitou em perseguir um profeta de Deus.

Abbas Mirza, pai do xá Muhammad, era o herdeiro do Trono do Pavão; no entanto, a sua morte prematura levou à promoção do seu filho. Abbas Mirza, juntamente com o seu conselheiro, o Qa’im Maqam, foram dois dos homens mais notáveis da Pérsia do século XIX. Percebendo que o que acontecia no mundo era ignorado na Pérsia, dominada pelos xiitas, Abbas Mirza enviou os primeiros estudantes persas para a Europa para aprenderem como modernizar o seu país. No seu leito de morte, ainda preocupado com o destino da sua terra natal, Abbas Mirza pediu ao seu filho, que em breve subiria ao trono como xá Muhammad, que nomeasse Qa’im Maqam como grão-vizir.

Abbas Mirza também pediu ao xá Muhammad que prometesse nunca iria “derramar o sangue” de Qa’im Maqam, pois sabia que o seu filho tinha cegado dois dos seus próprios irmãos para evitar que competissem com ele pelo trono.

Sempre sussurrando aos ouvidos do seu ex-aluno, o diabólico Aqasi sugeriu ao novo monarca que era possível esquivar-se das duas promessas feitas ao pai sem faltar à sua palavra. Haji Mirza Aqasi recomendou que estrangulassem até a morte Qa’im Maqam, sem derramar o seu sangue. Este acto ignóbil foi cometido, e sobre isso Bahá’u’lláh escreveu:

Sua Majestade o xá Muhammad, apesar da excelência da sua condição, cometeu dois actos hediondos. Um foi a ordem de desterrar o Senhor dos Reinos da Graça e da Magnanimidade [o Bab]; e o outro, o assassinato do Príncipe da Cidade dos Estadistas e das Realizações Literárias [Qa’im Maqám]. (Tablets of Baha’u’llah, p. 65)

Depois de apagar “a luz da era”, Aqasi substituiu Qa’im Maqam como grão-vizir do xá Muhammad. No entanto, o seu estilo de vida devasso e licencioso levou rapidamente à falência o tesouro real. Por outro lado, as suas políticas desastrosas levaram a Pérsia à beira da revolução.

Ironicamente, Aqasi sempre demonstrou um grande afecto por Bahá’u’lláh. O Vizir tentou durante muito tempo colocar o jovem Bahá'u'lláh sob a sua alçada como discípulo - apesar de Aqasi ter arruinado financeiramente o pai de Bahá'u'lláh, Mirza Buzurg. Tudo começou quando constou que Mirza Buzurg tinha mencionado o voraz apetite sexual de Aqasi; como represália, Aqasi destituiu Buzurg do cargo de ministro do governo das províncias de Borujerd e Luristão. Também lhe retirou a pensão governamental anual, e posteriormente confiscou a sua residência ancestral. E por fim, Aqasi chamou o então jovem Bahá’u’lláh à sua presença e queixou-se, como se esperasse que o filho tomasse partido contra o pai: “O que devo fazer? O que posso fazer? Ele é teu pai. Para o teu bem, tentarei esquecer isto e deixar o passado no passado.

Ainda tentando chamar a si o jovem Bahá’u’lláh, Aqasi ofereceu-Lhe um cargo governamental, que Bahá’u’lláh recusou educadamente. Mas, ao não se prostrar nem se humilhar perante o Grão-Vizir, Bahá’u’lláh de alguma forma debilitou a percepção elevada que Aqasi tinha de si próprio. Como a maioria dos falsos mentores que seguem os seus próprios interesses, e não os dos seus discípulos, Aqasi não tolerava ser dispensável, não aceitava não ser adorado.

Finalmente, em Agosto de 1848, Aqasi convenceu o xá Muhammad a decretar uma condenação à morte para Bahá’u’lláh. Assim, aquele ignóbil Vizir conseguiu a distinção única e perversa de ter ordenado a execução de dois Manifestantes de Deus – o Báb e Bahá’u’lláh. Quando o decreto imperial de morte foi publicado, foi recebido o “Sermão da Ira” revelado pelo Báb, em que ele Se dirige a Aqasi nestes termos: “Ó tu que não acreditaste em Deus e desviaste o teu rosto dos Seus sinais!” Ao mesmo tempo, também foi recebida uma epístola do Báb para o xá Muhammad, que referia o depravado Vizir:

Se não o tivesses nomeado com teu chanceler, ninguém lhe teria prestado a menor atenção. Em breve perecerás e te declararás livre do demónio a quem nomeaste como teu chanceler, dizendo: 'Ó, se eu não tivesse tomado o demónio como meu chanceler, nem nomeado um impostor como meu guia e conselheiro... (Selections from the Writings of the Bab, p. 26)

Menos de um mês depois, o xá Muhammad morreu. Cada decreto real emitido em seu nome tornou-se imediatamente letra morta. Bahá’u’lláh estava seguro. Menos de um ano depois, Aqasi também estava morto.

O resto é história. Apesar das intrigas criminosas do “bando de príncipes e governadores indolentes, inúteis, corruptos, incompetentes, que se apegavam firmemente aos seus privilégios ilícitos e eram totalmente subservientes a uma ordem clerical notoriamente degradada”, as narrativas heroicas dos Rompedores da Alvorada (The Dawn-Breakers) lembram-nos que devemos ver os actos espirituais altruístas dos nobres seguidores do Báb e de Bahá'u'lláh como uma poderosa fonte de inspiração. No fundo, essa mensagem divina é a luz que a nossa actual sociedade ensombrada poderia usar para perceber o rumo a tomar.

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Traduzido e adaptado do texto: The Villainous Grand Vizier of Persia (www.bahaiteachings.org)


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Tom Lysaght é autor de várias peças de teatro, nomeadamente “Heralds of the Covenant” (que foi exibida Durante o Congresso Mundial Bahá’í de 1992). Foi director da Radio Bahá’í do Lago Titcaca (Peru) e é autor do site Your Creative Stage que pretende lançar o teatro como instrumento de construção de comunidades.

domingo, 11 de dezembro de 2022

Uma injustiça inacreditável no Irão

Mahvash Sabet e Fariba Kamalabadi condenadas a mais uma década de prisão


Num ambiente cada vez mais marcado por acções violentas e repressivas das autoridades iranianas contra os seus próprios cidadãos, duas mulheres Bahá'ís, Mahvash Sabet e Fariba Kamalabadi - consideradas símbolos de resiliência no Irão após cumprirem 10 anos de prisão - foram condenadas a mais 10 anos de prisão.

Estas duas mulheres Bahá'ís iranianas foram presas em 31 de Julho - pela segunda vez - no início de uma nova vaga de repressão contra os Bahá'ís. Após essa detenção, mais de 320 Bahá'ís foram atingidos por actos individuais de perseguição. Os planos do governo para perseguir os Bahá'ís através de discursos de ódio e propaganda foram denunciados. E actualmente, pelo menos 90 Bahá'ís estão detidos ou sujeitos a vigilância com pulseira electrónica.

Este julgamento realizou-se em Teerão no passado dia 21 de Novembro (quase quatro meses depois da sua detenção) e foi presidido pelo juiz Iman Afshari (da 26ª Seção do Tribunal Revolucionário). A sessão do julgamento durou pouco mais de uma hora; o juiz passou o tempo a insultar e humilhar as rés, acusando-as de “não terem aprendido a lição” da sua prisão anterior.

A Dra. Shirin Ebadi, prémio Nobel e advogada de defesa de Mahvash e Fariba durante o seu primeiro julgamento, disse em 2008 que “nenhum vestígio de evidência” foi apresentado para provar as acusações de ameaça à segurança nacional ou outras alegações. Nem houve qualquer nova prova neste julgamento mais recente.

Mahvash Sabet (à esquerda) e Fariba Kamalabadi (à direita) foram presas no passado dia 31 de Julho.


É profundamente angustiante saber que essas duas mulheres Bahá'ís que já perderam injustamente uma década das suas vidas na prisão devido às suas crenças, estarão novamente encarceradas durante mais 10 anos, com base nas mesmas acusações ridículas”, disse Simin Fahandej, representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas. “Mahvash e Fariba são esposas, mães e avós, cujas famílias que já foram forçadas a suportar a sua ausência durante 10 anos brutais. Em vez de pedir desculpas a essas famílias pela prisão injusta, o governo iraniano repete de forma inacreditável e inexplicável a mesma crueldade pela segunda vez. Esta sentença ridícula, proferida sem qualquer fundamentação em provas, ridiculariza em absoluto o sistema judicial iraniano, onde os juízes são simultaneamente promotores, juízes e júris. Não há palavras para descrever esta injustiça absurda e cruel”.

Mahvash Sabet obteve reconhecimento internacional depois de um volume dos seus poemas escritos na prisão terem sido publicados em inglês sob o título “Prison Poems”. Mahvash foi reconhecid pela PEN International como o prémio 2017 International Writer of Courage.

Várias mulheres iranianas proeminentes foram presas ao mesmo tempo que Mahvash e Fariba durante a sua primeira pena prisão. Faezeh Hashemi, filha do ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani, que está de volta à prisão por apoiar as exigências das mulheres no Irão, ganhou notoriedade quando visitou Fariba durante as licenças temporárias e após a sua libertação. E a jornalista iraniana-americana Roxana Saberi, que partilhou a cela com Mahvash e Fariba, afirmou que as duas Bahá'ís se tornaram fontes de conforto e esperança para as suas companheiras de prisão.

Num momento em que a revista Time nomeia as mulheres iranianas como 'Heroínas do Ano', a comunidade internacional reconhece com razão a coragem e o heroísmo de todos os iranianos, especialmente as mulheres, que se sacrificam e se mantêm firmes ao exigir justiça e igualdade perante da repressão violenta e brutal dos seus direitos”, acrescentou a Sra. Fahandej. “Mahvash e Fariba são duas dessas mulheres, que durante muitos anos defenderam e promoveram a igualdade entre mulheres e homens, exigiram justiça e verdade, e que, consequentemente, pagaram um preço elevado por defender esses princípios. Agora vamos todos apoiá-las - e a todas as mulheres iranianas - para dizer ao governo do Irão que esta sentença deve ser revogada, Mahvash e Fariba devem ser libertadas (assim como todos os outros prisioneiros de consciência), e que todo o aparelho repressivo governamental que viola os direitos humanos dos seus povos deve ser desmantelado”.

Antecedentes


Mahvash, de 69 anos, e Fariba, de 60, foram presas pela primeira vez em 2008 por serem membros de um grupo informal que respondia (com pleno conhecimento do governo iraniano) às necessidades religiosas básicas da comunidade Bahá’í. Todos os membros desse grupo, que incluía cinco homens e duas mulheres, foram condenados a 10 anos de prisão devido às suas crenças. Mahvash, Fariba e os outros foram finalmente libertados em 2018.

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FONTE: An Unbelievable Injustice: Mahvash Sabet and Fariba Kamalabadi sentenced to a second decade in prison in Iran (BWNS)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Afif Naeimi, o último membro dos Yaran, foi libertado da prisão.


As autoridades iranianas libertaram hoje o sr. Afif Naeimi após cumprir uma pena de dez anos de prisão por ser Bahá’í. O sr. Naemi foi o último de um grupo de sete dirigentes Bahá’ís iranianos (conhecidos como Yaran) a ser libertado da prisão. No entanto, há dezenas de Bahá’ís iranianos que continua presos e milhares que enfrentam a hostilização e perseguição diárias.

Afif Naeimi, de 56 anos de idade, pai de dois filhos, natural de Teerão, foi preso no dia 14 de Maio de 2008, e acusado, entre outras coisas, de espionagem, propaganda contra o regime iraniano, e criação de uma administração Bahá’í ilegal. O sr. Naeimi, juntamente com outras seis pessoas formavam os “Yaran – um grupo que administrava as necessidades espirituais e materiais dos Bahá’ís iranianos. O Sr. Naeimi juntamente com membros deste grupo foram condenado a 10 anos de prisão.

Enquanto esteve preso, o Sr Naeimi sofreu vários problemas de saúde e várias vezes foi-lhe negado o necessário tratamento médico. As autoridades decidiram que o tempo que o sr. Naeimi esteve internado num hospital não deveria ser contado para o cumprimento da pena.

A representante da Comunidade Bahá’í junto das Nações Unidas comentou o caso: “Estamos, naturalmente, felizes pela libertação do sr. Naeimi. No entanto isto não deve ser visto como uma melhoria da situação os Bahá’ís no Irão. A dura realidade é que ainda há muitos Bahá’ís presos no Irão devido às suas crenças e dezenas de milhar enfrentam diariamente fortes perseguições, incluindo negação de frequência de estabelecimento de ensino, encerramento de empresas e hostilização”.

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FONTE: Last member of former Yaran ends prison term, persecution continues (BIC)

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Mais uma dirigente Bahá'í libertada no Irão


Fariba Kamalabadi, membro do antigo grupo de dirigentes Bahá’ís Iranianos, foi libertada da prisão após concluir a pena a que tinha sido condenada. É segundo membro deste grupo dirigente (os chamados “Yaran”) a ser libertado.

Embora já não esteja presa, a Sra. Kamalabadi, psicóloga, retomará a sua vida num país que não mudou no que toca ao seu tratamento prejudicial e injusto para com os Bahá'ís. Entre as muitas outras formas de repressão, encontrará uma comunicação social plenamente hostil em relação à comunidade Bahá'í. Também verá as enormes limitações nas oportunidades de emprego na administração pública e no sector privado, apenas porque é Bahá'í - limitações concebidas e implementada pelo governo iraniano após a Revolução Islâmica, em 1979.

A Sra. Kamalabadi, hoje com 55 anos, fazia parte do grupo ad hoc conhecido como "Yaran", que tratavam das necessidades básicas espirituais e materiais da comunidade Bahá’í iraniana e foi formado com pleno conhecimento e aprovação das autoridades, depois da ilegalização das instituições administrativas Bahá’ís na década de 1980.

A Sra. Kamalabadi e outros cinco membros do grupo foram detidos em Maio de 2008 após rusgas nas suas residências. Outro membro, Mahvash Sabet, foi detida dois meses antes, e libertada no mês passado depois de cumprir a sua pena.

Os cinco membros restantes do Yaran também estão perto de concluir as penas de prisão a que foram condenados Eles são: Jamalodin Khanjani, de 84 anos; Afif Naeimi, de 56 anos; Saeid Rezai, de 60 anos; Behrooz Tavakkoli, de 66 anos; e Vahid Tizfahm, de 44 anos.

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FONTE: Second member of Yaran released (BWNS)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Irão: Pelo menos 11 lojas pertencentes a Bahá’´s encerradas em Ahvaz

Ignorando um veredicto recente do Gabinete Administrativo de Justiça, as autoridades na cidade de Ahvaz encerraram  e selaram as lojas e empresas de pelo menos 11 Bahá'ís, que fecharam os seus negócios em observação de um feriado religioso (entre 8 e 10 de Julho).

De acordo com a lei, os cidadãos podem fechar o estabelecimento comercial até 15 dias por ano, sem qualquer razão específica ou específica. No entanto, esta lei não parece ser aplicável aos cidadãos Bahá'ís. Sempre que os Bahá'ís fecham os seus estabelecimentos ou empresas para observar os seus feriados religiosos em que o trabalho deve ser suspenso, as autoridades são rápidas a actuar e a selar as empresas.

Segundo o HRANA (Human Rights Activists News Agency), a notificação de encerramento oficial declarava que "este encerramento foi ordenado pela Autoridade Judicial (Ministério Público-Adjunto) e será realizado pelas forças de segurança".

Recentemente, o Gabinete Administrativo de Justiça emitiu um veredicto favorável aos cidadãos Bahá'ís de Mazandaran, cujos estabelecimentos e empresas tinham sido encerrados de forma similar, afirmando tinha sido ignorado que o direito legal desses cidadãos de fechar os seus estabelecimentos até 15 dias por ano.

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FONTE: Closure of at Least 11 Baha’i-Owned Businesses in Ahvaz (IPW)

sexta-feira, 5 de maio de 2017

18 lojas de Bahá’ís encerradas no Irão

Segundo a página Bahainews, 18 estabelecimentos comerciais na cidade de Shahin Shahr (província de Isfahan) foram encerrados e selados, no dia 1 de Maio, por agentes do Gabinete Provincial de Espaços Públicos. Os encerramentos ocorreram apesar dos proprietários terem apresentado toda a documentação legal, incluindo autorizações comerciais, aos agentes.

Uma fonte relatou ao Bahainews: “No dia anterior, os agentes apareceram nestas lojas pedindo aos proprietários que lhes mostrassem toda a documentação relacionada com a sua actividade comercial, incluindo as autorizações comerciais. Adicionalmente, disseram que na próxima visita selariam as lojas. E hoje regressaram e encerraram a maioria das lojas pertencentes a Bahá’ís.”

Segundo a mesma fonte, “os agentes apenas tinham como alvo as lojas pertencentes a Bahá’ís e acusaram os donos de não cumprirem as leis de trabalho nas suas actividades; mas eles selaram as lojas devido às festividades dos feriados Bahá’ís, quando os Bahá’ís fecham os seus estabelecimentos por sua própria vontade. Este selar das lojas Bahá’ís acontece sistematicamente todos os anos.

Durante o ano passado, muitos estabelecimentos comerciais pertencentes a Bahá’ís foram encerrados pelas autoridades. Um cidadão Bahá’í acrescentou: “Shahin Shahr é a cidade onde vivo há 19 anos. Nos anos anteriores, a primeira loja a ser selada foi na in Azadi Arcade na Imam Boulevard e era uma loja de reparações electrónicas. A loja pertencia ao nosso pai sr. Abdollah Memari e aos seus filhos que ali estavam diariamente.” O falecido sr. Abdollah Memarifoi preso e levado pelas autoridades; depois foi libertado. Tornou-se Bahá’í, amava verdadeiramente a Fé e suportou corajosamente vários sofrimentos.

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FONTE: Closure of 18 Baha’i-Owned Businesses in Shaheen-Shahr (IPW)

sexta-feira, 17 de março de 2017

Deputados Europeus apelam ao fim do "apartheid económico" contra os Bahá’ís no Irão

Treze Deputados do Parlamento Europeu (incluindo a portuguesa Ana Gomes) e dezanove deputados de parlamentos de nações europeias assinaram uma declaração que exige às autoridades iranianas que ponham um fim imediato a todas as actividades repressivas sobre as pequenas empresas pertencentes a Bahá’ís naquele país. A expressão “apartheid económico” foi usada para descrever a actual situação de descriminação e hostilização dos Bahá’ís no Irão.

Federica Mogherini
A declaração, que foi enviada no passado dia 14 de Março ontem para Federica Mogherini a a Alta Representante da UE para Política Externa e Segurança - começa por destacar que as autoridades iranianas encerraram 132 empresas pertencentes a Bahá'ís durante o ano passado. Esses encerramentos são uma das "muitas tácticas" que visam minar a comunidade bahá'í como uma "entidade viável", afirma a declaração.

"Outras medidas de apartheid económico deliberado e conduzido pelo governo contra os Bahá'ís incluem a exclusão absoluta do acesso de Bahá’ís a empregos na administração pública, o atrasar ou negar a emissão de licenças profissionais privadas, pressionar as empresas para despedir empregados Bahá’ís, forçar os bancos a bloquear as contas de clientes Bahá’ís e privar os Bahá’ís de acesso à educação universitária formal", diz a declaração.

Na carta de apresentação desta declaração, Rachel Bayani, a Representante da Comunidade Internacional Bahá’í em Bruxelas, escreveu:

"Confiamos que a União Europeia, ao envolver-se com o Irão numa conversa substancial sobre os direitos humanos, dará a devida atenção à opressão sistemática da comunidade Bahá’í nesse país (que dura há quase quatro décadas) e incluirá, no seu diálogo com o Irão, um plano de medidas concretas para eliminar gradualmente os obstáculos, para que a comunidade Bahá’í iraniana possa contribuir, em pé de igualdade com os seus concidadãos, para o progresso do seu país".

Além dos 13 deputados do Parlamento Europeu, há deputados nacionais da Áustria, de França, da Alemanha, do Luxemburgo, da Suécia, dos Países Baixos e do Reino Unido entre os signatários da declaração. A declaração completa e a lista de signatários podem ser lidas aqui.

A carta de apresentação da Sra. Bayani à Sra. Mogherini pode ser lida aqui.

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FONTE: Thirty-two European parliamentarians call for an end to “economic apartheid” against Baha’is in Iran (BIC)

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Assembleia Geral da ONU condena o Governo Iraniano

Pela 29ª vez desde 1985, a Assembleia-Geral das Nações Unidas condenou o governo iraniano devido à situação dos direitos humanos naquele país. O texto da resolução - apresentado pelo Canadá e patrocinado por outros 41 países - foi adoptado com 85 votos a favor, 35 contra e 63 abstenções.

Intitulado “Situação dos Direitos Humanos na Republica Islâmica do Irão”, o texto da resolução expressa "séria preocupação" com a alta taxa de execuções no Irão sem protecções legais, uso contínuo de tortura, detenções arbitrárias generalizadas, limites rigorosos à liberdade de reunião, expressão e crença religiosa, e discriminação contínua contra mulheres, minorias étnicas e religiosas, incluindo os Bahá’ís.

"A votação de hoje deixa claro que o mundo continua profundamente preocupado com o modo como o Irão trata os seus próprios cidadãos, ao mesmo tempo que levanta questões sobre a genuína vontade do Irão em cumprir as suas obrigações como membro da comunidade internacional", disse Bani Dugal, representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas.

"Infelizmente, a lista de violações dos direitos humanos no Irão é longa", continuou Dugal. "Apesar dos representantes iranianos negarem, é difícil perceber sinais de progresso. Isto é especialmente verdadeiro para os Bahá'ís iranianos que enfrentam, entre outras formas de opressão, uma política de "apartheid económico" por parte do seu governo, que a qualquer momento os pode privar de empregos, educação e liberdade para praticar Sua religião conforme dita a sua consciência."

"No início de Novembro, por exemplo, 124 lojas e empresas Bahá'ís foram seladas pelo governo depois dos seus proprietários fecharam por dois dias para observar um importante dia sagrado Bahá’í. Além disso, os Bahá'ís continuam impedidos de frequentar livremente a universidade e estão sujeitos a todo o tipo de restrições. Também enfrentam detenção arbitrária e prisão por actividades religiosas legítimas", acrescentou Dugal.

Dugal salientou que cerca de 86 Bahá'ís estão actualmente presos e que, desde 2005, mais de 900 Bahá’ís foram presos e pelo menos 1100 incidentes de exclusão económica foram documentados. "A situação não melhorou sob a administração do presidente Hassan Rouhani", acrescentou.

Entre outras coisas, a resolução hoje aprovada pede ao Irão que elimine "todas as formas de discriminação, incluindo restrições económicas" contra as minorias religiosas no Irão. Também pede a libertação de "todos os praticantes religiosos detidos devido à sua participação ou actividades em nome de um grupo religioso minoritário reconhecido ou não reconhecido, incluindo os sete líderes Bahá’ís".

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terça-feira, 25 de outubro de 2016

Regime Iraniano tenta esmagar minoria Bahá’í

Tradução de notícia da Associated Press divulgada em vários sites noticiosos.
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A Comunidade Internacional Bahá'í declarou esta terça-feira (25/Outubro) que os esforços do Irão para esmagar a minoria religiosa prosseguem e até se intensificaram em algumas frentes, apesar das promessas do presidente Hassan Rouhani para acabar com a discriminação religiosa.

Num relatório de 122 páginas, a Comunidade afirma que o governo de Rouhani intensificou a sua "campanha para incitar o ódio contra os Bahá’ís", inclusive através da divulgação de mais de 20.000 peças de propaganda anti-Bahá’í na comunicação social iraniana.

Segundo o relatório, desde que Rouhani tomou posse em Agosto de 2013 pelo menos 151 Bahá'ís foram presos e pelo menos 388 casos de discriminação económica foram documentados, incluindo ameaças e intimidações para forçar o encerramento de estabelecimentos comerciais.

O relatório também declara que, com Rouhani, milhares de Bahá’ís foram impedidos de frequentar universidades e 28 alunos Bahá’ís foram expulsos.

(…)

Em 2013, líder supremo do Irão, Ayatollah Ali Khamenei emitiu uma fatwa (decreto religioso) incitando os iranianos a evitar todas as relações com os Bahá'ís.

O relatório também afirma que "o governo iraniano está enfrentando pressão em todas as frentes para acabar com a perseguição sistemática dos Bahá’ís que dura há décadas."

Mas, em vez de cumprir as suas promessas para acabar com a discriminação religiosa, prossegue o relatório, "o governo mudou a sua estratégia de opressão, trocando as detenções e prisões, por medidas com menor visibilidade como a exclusão económica e educativa".

Bani Dugal, a principal representante Bahá’í na ONU disse que "ao todo, o que temos visto é uma mudança geral nas tácticas do governo iraniano, aparentemente como parte de uma tentativa de esconder da comunidade internacional os seus esforços em curso para destruir a comunidade Bahá’í como uma entidade viável".

Num âmbito mais alargado, o relatório afirma que, desde o governo anterior de Mahmoud Ahmadinejad começou-se a intensificar a perseguição aos Bahá’ís em 2005; mais de 860 seguidores foram detidos, cerca de 275 foram condenados à prisão, houve 950 incidentes de supressão económica e 80 ataques violentos (fogo posto ou vandalismo) contra empresas ou propriedades Baha'is.

O relatório apela à comunidade internacional para continuar a pressionar o Irão para acabar com a discriminação contra os Bahá'ís.

"O que se conclui do relatório é que a pressão internacional sobre o Irão, seja pelas Nações Unidas, pela comunicação social, por activistas ou até mesmo pelo público em geral, continua a ser um meio essencial de protecção contra um ataque mais amplo que tem como alvo a maior minoria religiosa não-muçulmano do Irão", disse Dugal.

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quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Uma ausência temporária para Mahvash Sabet


Mahvash Sabet, um dos sete líderes Bahá’ís, que se encontra a cumprir uma longa pena de prisão, obteve autorização para uma ausência temporária da prisão. A Sra. Sabet é professora e tem dois filhos; foi presa no dia 5 de Março de 2008 e está agora a cumprir o nono ano de prisão.

Dois meses depois da sua detenção, em 14 de Maio, os outros seis líderes Bahá’ís foram presos em rusgas nas suas residências. Inicialmente foram condenados a 10 anos de prisão; esta pena foi depois aumentada para 20 anos, e posteriormente reduzida para 10 anos de prisão.

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FONTE: Mahvash Sabet begins 5-day prison furlough (Sen’s Daily)

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Sr. Rouhani: o que é que fez para proteger os direitos dos cidadãos Bahá’ís?


Por Reza Afshari.

Agora que o presidente Hassan Rouhani se prepara para falar na Assembleia Geral da ONU pela quarta vez – e a última antes da próxima eleição presidencial iraniana em 2017 – não posso deixar de notar que ele falhou tremendamente no cumprimento das suas promessas eleitorais de proteger os direitos humanos no Irão. Isto é particularmente verdade para a comunidade Bahá’í do Irão, a maior minoria religiosa do país, e alvo preferencial do regime.

Muitas vezes penso que apenas verei liberdade no meu país quando os meus compatriotas Bahá’ís forem livres. A história da comunidade do Bahá’í no Irão, em muitos aspectos, é a história da luta pelos direitos humanos no Irão. Desde a Revolução Islâmica de 1979, os Bahá’ís têm sido brutalmente reprimidos. O governo iraniano executou cerca de 200 Bahá’ís, prendeu milhares, negou-lhes emprego, impediu-os de entrar no ensino superior, profanou os seus cemitérios e arrasou os seus lugares sagrados. Os Bahá’ís são perseguidos desde que nascem até que morrem.

Seria fácil concluir que esta perseguição é apenas resultado do ódio cego dos clérigos, e que as suas principais raízes estão no preconceito religioso. Não há dúvida que se trata de um factor importante; mas a história é mais complexa. O povo iraniano também tem sido cúmplice na repressão. Apesar de qualquer Estado conseguir abusar dos seus cidadãos, os preconceitos dos iranianos comuns permitiram que os abusos contra os Bahá’ís não fossem controlados.

Antes da Revolução, quando os Bahá’ís gozavam de uma liberdade relativamente maior, eles ainda enfrentavam uma vasta discriminação e hostilidade social dos seus concidadãos, que organizavam massacres e violências contra eles. Durante muitos anos após a Revolução, quando a perseguição governamental se intensificou, os iranianos permaneceram calados. Ver os Bahá’ís como “os outros” era tão comum – devido ao facto de, durante décadas eles terem sido demonizados como espiões estrangeiros e membros de um culto perverso, primeiro pelos clérigos no tempo do Xá e depois pela propaganda de ódio do regime, e eram o bode expiatório para todos os tipos de problemas políticos e económicos – que nem os activistas de direitos humanos falavam dos Bahá’ís.

Felizmente, o vento começou a mudar. É claro que ainda há várias dezenas de Bahá’ís prisioneiros de consciência atrás das grades, incluindo os sete líderes da comunidade Bahá’í do Irão. Os Bahá’ís ainda são impedidos de ter emprego no sector público e alguns empregadores privados são pressionados para não os contratar; nos anos recentes, o governo também começou a encerrar várias empresas pertencentes a Bahá’ís, num esforço para garantir que a comunidade ficava empobrecida. Entretanto, nas escolas as crianças Bahá’ís são hostilizadas, os Bahá’ís são excluídos das universidades, e os cemitérios Bahá’ís são profanados. A condição dos Bahá’ís lembra-nos que, mesmo quando o Irão se abriu aos negócios após o acordo nuclear, a situação dos direitos humanos permaneceu inaceitável.

No entanto, as mudanças estão a acontecer. Os iranianos estão a “privatizar” o Islão, contornando os severos ayatollahs e preocupando-se cada vez mais com a justiça social. A implacável oposição do Estado à liberdade individual aumentou o apreço por essa liberdade. Em retrospectiva, a República Islâmica tem sido paradoxalmente catártica, eliminando a letargia cultural que entupia as vias políticas para a modernidade e desencadeando um debate sobre a aceitação da democracia e dos direitos humanos. Largos sectores do povo iraniano aprenderam muito nas últimas três décadas, e hoje muitas pessoas defendem corajosamente os direitos dos Bahá’ís e de outros grupos perseguidos. Reconhecem que os Bahá’ís iranianos passaram por um imenso sofrimento e orgulham-se da resistência e resiliência da comunidade Bahá’í.

Mas há um longo caminho a percorrer. As vozes dos Bahá’ís iranianos ressoam nos meus ouvidos há mais de três décadas e eu estou mais convencido do que nunca que o tratamento dos Bahá’ís iranianos é um indicador da aceitação social das normas de direitos humanos e da vontade do Estado em aplica-las. Quando os direitos dos Bahá’ís melhorarem, os direitos dos iranianos também irão melhorar. E agora que as empresas ocidentais exigem fazer negócios com o Irão e o presidente Rouhani se prepara para mais uma sessão retórica aos diplomatas em Nova Iorque, faríamos bem em recordar o povo iraniano, que continua a viver sob um regime que lhes nega os direitos humanos essenciais.

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FONTE: Mr. Rouhani: What Have you Done to Protect the Rights of Your Baha’i Citizens? (International Policy Digest)