- Permita-me que lhe faça a última pergunta desta entrevista. Gostaria de saber a sua opinião sobre a pena de morte por apedrejamento que existe no Irão. Como muçulmano e como presidente... eu gostaria de saber qual é a sua opinião sobre o apedrejamento.
- Faz alguma diferença o método como se matam as pessoas? A senhora estudou o quê? Quais foram os seus estudos universitários? A senhora frequentou a universidade? Diga-me qual foi a sua licenciatura
- Está-me a perguntar o que é que eu estudei? Estudei Comunicação, Relações Internacionais e Estratégia.
- Bom... Se eu lhe fizer uma pergunta acerca da indústria a senhora consegue responder? É que a senhora está a fazer-me uma pergunta de direito... Eu sou um engenheiro de formação
- O senhor é engenheiro mas tem uma opinião... enquanto presidente do Irão...
- Por exemplo, é possível termos um debate entre advogados. Então devia convidar advogados, juristas e terem este tipo de discussões jurídicas... Eu, Ahmadinedjad, presidente deste país não quero que ninguém morra... em felicidade, liberdade de uma forma dinâmica e próspera.
"Povo de Bahá" é uma expressão frequentemente utilizada nas Escrituras Bahá'ís para designar os crentes em Bahá'u'lláh, i.e., os Bahá’ís.
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quarta-feira, 7 de setembro de 2011
A frase da semana
"Porque é que alguns países ocidentais se preocupam tanto com os direitos das minorias?"
Ahmadinedjad, hoje numa entrevista à RTP1.
quinta-feira, 16 de abril de 2009
No site da Human Rights Watch
Duas notícias interessantes no site da Human Rights Watch.
Ahmadinejad na Durban II?
A propósito da provável presença do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad na próxima Conferência da ONU sobre Racismo (a realizar em Genebra, entre 21 e 24 de Abril), a Human Rights Watch (HRW) apelou a que este evento aprove uma declaração forte contra o racismo.
Os comentários sobre Israel e o Holocausto tornaram Ahmadinejad uma figura controversa, e a sua possível presença neste evento suscitou receios que ele pudesse voltar a fazer comentários. Mas Juliette de Rivero, da HRW, lembrou que "o Irão ficou isolado quando na semana passada tentou re-introduzir nas negociações o conceito de difamação das religiões. Se Ahmadinejad tentar reabrir assuntos que foram retirados da agenda, as delegações devem reagir firmemente e defender o consenso actual".
A HRW apelou a que Ahmadinejad utilizasse a sua presença nesta Conferência da ONU contra o racismo para anunciar o fim da repressão contra os Bahá’ís e assumir um compromisso pela defesa da liberdade de expressão.
Notícia completa: Don't Let Any Nations Derail UN Racism Conference
Egipto: Direitos dos Bahá’ís reconhecidos pelo Governo
Um decreto recente do Ministério do Interior Egípcio reconhece o direito dos seguidores de religiões "não-reconhecidas" a obter documentos de identidade e o acesso a serviços básicos. Esta é uma medida saudada pela HRW, pois termina com a política oficial de discriminação dos baha’is egípcios, que eram obrigados a identificarem-se como cristãos ou muçulmanos.
Este decreto foi assinado no dia 19 de Março pelo General Habib al-Adly, Ministro do Interior, e publicado no Jornal Oficial no dia 14 de Abril, tendo entrado em vigor no dia seguinte. A sua publicação surgiu três dias depois do Supremo Tribunal Administrativo ter confirmado que os membros da minoria Bahá’ís do Egipto tem direito a obter documentos oficiais de identificação, sem ter de revelar as suas convicções religiosas, ou identificar-se como professando outra religião.
Notícia completa : Egypt: Decree Ends ID Bias Against Baha'is
Ahmadinejad na Durban II?
A propósito da provável presença do presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad na próxima Conferência da ONU sobre Racismo (a realizar em Genebra, entre 21 e 24 de Abril), a Human Rights Watch (HRW) apelou a que este evento aprove uma declaração forte contra o racismo.
Os comentários sobre Israel e o Holocausto tornaram Ahmadinejad uma figura controversa, e a sua possível presença neste evento suscitou receios que ele pudesse voltar a fazer comentários. Mas Juliette de Rivero, da HRW, lembrou que "o Irão ficou isolado quando na semana passada tentou re-introduzir nas negociações o conceito de difamação das religiões. Se Ahmadinejad tentar reabrir assuntos que foram retirados da agenda, as delegações devem reagir firmemente e defender o consenso actual".
A HRW apelou a que Ahmadinejad utilizasse a sua presença nesta Conferência da ONU contra o racismo para anunciar o fim da repressão contra os Bahá’ís e assumir um compromisso pela defesa da liberdade de expressão.
Notícia completa: Don't Let Any Nations Derail UN Racism Conference
Egipto: Direitos dos Bahá’ís reconhecidos pelo Governo
Um decreto recente do Ministério do Interior Egípcio reconhece o direito dos seguidores de religiões "não-reconhecidas" a obter documentos de identidade e o acesso a serviços básicos. Esta é uma medida saudada pela HRW, pois termina com a política oficial de discriminação dos baha’is egípcios, que eram obrigados a identificarem-se como cristãos ou muçulmanos.
Este decreto foi assinado no dia 19 de Março pelo General Habib al-Adly, Ministro do Interior, e publicado no Jornal Oficial no dia 14 de Abril, tendo entrado em vigor no dia seguinte. A sua publicação surgiu três dias depois do Supremo Tribunal Administrativo ter confirmado que os membros da minoria Bahá’ís do Egipto tem direito a obter documentos oficiais de identificação, sem ter de revelar as suas convicções religiosas, ou identificar-se como professando outra religião.
Notícia completa : Egypt: Decree Ends ID Bias Against Baha'is
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Jantar com o Diabo!
Num artigo publicado hoje na FrontPageMagazine, Faith McDonnell, a directora do Religious Liberty Programs no Institute on Religion & Democracy em Washington, chama a atenção para a inacreditável contradição (ou mesmo hipocrisia!) subjacente a um convite feito por um grupo de igrejas para um jantar com o presidente Ahmadinejad num hotel de luxo em Nova Iorque.
É sabido que o Governo Iraniano persegue Bahá’ís, Cristãos, Judeus e Muçulmanos. É também do conhecimento geral que o parlamento iraniano se prepara para aprovar um novo código penal que torna a apostasia um crime punível com a pena de morte. E é também óbvio que as autoridades políticas e religiosas iranianas vão usar esta lei contra baha’is sempre que se queiram ver livres deles.
Faith McDonnell questiona: o que leva grupos religiosos como o American Friends Service Committee, o Mennonite Central Committee, o Quaker United Nations Office, o Religions for Peace, e o World Council of Churches podem partilhar a mesa com um dirigente mundial conhecido por ser o inspirador destes ataques à liberdade religiosa?
E acrescenta:
É sabido que o Governo Iraniano persegue Bahá’ís, Cristãos, Judeus e Muçulmanos. É também do conhecimento geral que o parlamento iraniano se prepara para aprovar um novo código penal que torna a apostasia um crime punível com a pena de morte. E é também óbvio que as autoridades políticas e religiosas iranianas vão usar esta lei contra baha’is sempre que se queiram ver livres deles.Faith McDonnell questiona: o que leva grupos religiosos como o American Friends Service Committee, o Mennonite Central Committee, o Quaker United Nations Office, o Religions for Peace, e o World Council of Churches podem partilhar a mesa com um dirigente mundial conhecido por ser o inspirador destes ataques à liberdade religiosa?
E acrescenta:
Talvez valesse a pena suster a respiração e jantar com o diabo se isso significasse uma oportunidade para falar abertamente sobre a repressão e a perseguição no Irão, para ser uma voz para aqueles que sofrem, e para exigir que o Islão ofereça a reciprocidade pela liberdade religiosa e decência de tratamento que os Muçulmanos receberam de Cristãos, Judeus, e do Baha'is. Com o Irão no limiar de um novo nível de repressão, e as minorias religiosas iranianas a enfrentarem um novo isolamento por causa do proposto código penal, é necessário um líder cristão americano falar com a coragem e a frontalidade durante um jantar.Existem iranianos muçulmanos - como a Prémio Nobel da Paz, Shirin Ebadi - que arriscam a sua reputação (e a vida!) para falar em defesa dos Baha’is e de outras minorias religiosas perseguidas no Irão. Muito me surpreenderia se algum destes comensais do Sr. Ahmadinejad tivesse a coragem de lhe dizer - olhos nos olhos - que os ataques à liberdade de consciência e de religião no Irão são completamente inaceitáveis. Na verdade, esta gente cobre-se de vergonha, envergonham os seus companheiros de fé e minam os esforços dos defensores dos Direitos Humanos – em particular aqueles que tanto se dedicam defesa da liberdade religiosa!
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Deverei preocupar-me?
Ora a 1% da população boliviana é Bahá’í. Só espero que a retórica fundamentalista iraniana não inspire o presidente boliviano a iniciar perseguições, ou discriminações, religiosas contra os mais de 90.000 baha’is bolivianos. Seria trágico se a Bolívia tentasse imitar o que há de pior no Irão.
Ficamos à espera do que o futuro nos reserva.
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Sobre este assunto:
Ahmadinejad: Irão e Bolívia partilham objectivos (Diário Digital)
Tehran, La Paz natural allies: Ahmadinejad tells Morales (AFP)
Ahmadineyad y Morales forjan una alianza incondicional (El Pais)
Bolivia's Morales visits Iran (CNN)
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Sobre Ahmadinejad e o Regime Iraniano
Estimado Professor João César das Neves,
Relativamente à sua crónica de hoje no Diário de Notícias, permita-me alguns comentários:
1 – Penso que a atitude do reitor Lee Bollinger ao receber o Presidente Iraniano foi correcta. Foram palavras duras, é verdade. Mas o presidente Ahmadinejad não é nenhum Mandela ou um Gandhi. Com os ditadores devemos usar a linguagem adequada. Lembro-lhe que a cortesia de Neville Chamberlain para com Adolfo Hitler produziu resultados horríveis.
2 – Não me parece correcto comparar as verdades ditas ao presidente iraniano com a “crise dos cartoons”. A denúncia pública de um ditador nada tem de semelhante com o insulto a uma religião (que pessoalmente considero divinamente inspirada). Por acaso Ahmadinejad é um dirigente religioso ou um teólogo conhecido? É uma figura prestigiada do Islão? Ou será apenas um presidente de um regime pretensamente teocrático?
3 – Acredita realmente que o actual regime iraniano não é uma ditadura desmiolada e se assemelha a uma democracia? Lembro-lhe que o facto de um qualquer regime político usar métodos democráticos não o torna automaticamente uma democracia; até em Portugal, antes do 25 de Abril já se realizavam eleições. Sabe quantos prisioneiros políticos existem hoje no Irão? Sabe quantos prisioneiros de consciência foram executados nestes “30 anos de democracia iraniana”? Eu podia-lhe dar uma lista com os nomes de centenas de baha’is (a maior minoria religiosa daqueles país) que foram executados desde 1979.
4 – Alguns aspectos da vida moral e social do Irão permitem-nos de facto concluir que estamos na presença de um país “desmiolado” (para usar a sua expressão). Recordo-lhe uma lei recente que visa os cães e os respectivos donos. Em Teerão, a polícia criou uma “prisão para cães”. Se algum cidadão passeia um cão em público, corre o risco de ver o seu animal levado preso. Os donos são acusados de passear cães em público e podem libertar os animais mediante o pagamento de uma fiança. Como esta poderia indicar outras leis actualmente vigentes no Irão que roçam a irracionalidade. Acredita mesmo que o Irão não é hoje governado por um regime “desmiolado”?
Sem querer parecer pretensioso, recomendo-lhe a leitura de um livro de Shirin Ebadi, O Despertar do Irão (publicado este ano no nosso país), onde se descreve de forma clara o objectiva o que são as aspirações do iranianos e como têm sido grandes as desilusões destes 30 anos de “democracia iraniana”.
Com os melhores cumprimentos,
Marco Oliveira
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A RESPOSTA RECEBIDA HOJE DE MANHÃ
Agradeço a sua mensagem e permita-me que responda com alguns comentários:
1- Penso que a atitude de Lee Bollinger durante a sessão pode ser muitas coisas. Mas corajosa não vejo como. Ele foi muito corajoso antes, por ter resistido às terríveis pressões contra a visita do presidente. Depois, quando talvez para compensar isso, insultou um convidado em sua casa, debaixo de aplausos dos seus, não vejo onde está coragem.
2- O senhor chama várias vezes a Ahmadinejad «ditador» e protesta com o facto de eu dizer que o Irão é uma democracia. É claro que quando escrevi essa frase era para ser provocador. Evidentemente que no Irão não se trata de uma democracia como nós a entendemos. Mas é uma democracia quando comparada com o resto do mundo muçulmano. Por outro lado, o Irão nem sequer é uma ditadura como nós a entendemos, quando mais na forma de ver dos muçulmanos. Nem Ahmadinejad, que é presidente durante um pequeno mandato e depois volta à vida privada (como aconteceu aos seus antecessores), pode ser classificado como um verdadeiro ditador. É preciso levar em conta as enormes diferenças entre Ahmadinejad e Kadhafi, por exemplo.
Penso que «Democracia» significa coisas diferentes em culturas diferentes e nós queremos impôr a nossa visão como única possível. Por exemplo, o senhor poderia repetir muitas das coisas que diz do Irão ao falar da democracia ateniense ou romana, as quais tinham mais semelhanças com a iraniana do que com a nossa.
O facto de não concordarmos com muitos traços de outras culturas (e eu repudio no Irão exactamente o mesmo que o senhor repudia) não nos dá o direito de insultar essas culturas, como fez Bollinger. Uma coisa é defender uma democracia. Outra muito diferente é achar que o nosso modelo é o único possível. Isso fazem Ahmadinejad e Bollinger e é esse erro que eu critico.
Respeitosamente
João César das Neves
Relativamente à sua crónica de hoje no Diário de Notícias, permita-me alguns comentários:
1 – Penso que a atitude do reitor Lee Bollinger ao receber o Presidente Iraniano foi correcta. Foram palavras duras, é verdade. Mas o presidente Ahmadinejad não é nenhum Mandela ou um Gandhi. Com os ditadores devemos usar a linguagem adequada. Lembro-lhe que a cortesia de Neville Chamberlain para com Adolfo Hitler produziu resultados horríveis.
2 – Não me parece correcto comparar as verdades ditas ao presidente iraniano com a “crise dos cartoons”. A denúncia pública de um ditador nada tem de semelhante com o insulto a uma religião (que pessoalmente considero divinamente inspirada). Por acaso Ahmadinejad é um dirigente religioso ou um teólogo conhecido? É uma figura prestigiada do Islão? Ou será apenas um presidente de um regime pretensamente teocrático?
3 – Acredita realmente que o actual regime iraniano não é uma ditadura desmiolada e se assemelha a uma democracia? Lembro-lhe que o facto de um qualquer regime político usar métodos democráticos não o torna automaticamente uma democracia; até em Portugal, antes do 25 de Abril já se realizavam eleições. Sabe quantos prisioneiros políticos existem hoje no Irão? Sabe quantos prisioneiros de consciência foram executados nestes “30 anos de democracia iraniana”? Eu podia-lhe dar uma lista com os nomes de centenas de baha’is (a maior minoria religiosa daqueles país) que foram executados desde 1979.
4 – Alguns aspectos da vida moral e social do Irão permitem-nos de facto concluir que estamos na presença de um país “desmiolado” (para usar a sua expressão). Recordo-lhe uma lei recente que visa os cães e os respectivos donos. Em Teerão, a polícia criou uma “prisão para cães”. Se algum cidadão passeia um cão em público, corre o risco de ver o seu animal levado preso. Os donos são acusados de passear cães em público e podem libertar os animais mediante o pagamento de uma fiança. Como esta poderia indicar outras leis actualmente vigentes no Irão que roçam a irracionalidade. Acredita mesmo que o Irão não é hoje governado por um regime “desmiolado”?
Sem querer parecer pretensioso, recomendo-lhe a leitura de um livro de Shirin Ebadi, O Despertar do Irão (publicado este ano no nosso país), onde se descreve de forma clara o objectiva o que são as aspirações do iranianos e como têm sido grandes as desilusões destes 30 anos de “democracia iraniana”.
Com os melhores cumprimentos,
Marco Oliveira
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A RESPOSTA RECEBIDA HOJE DE MANHÃ
Agradeço a sua mensagem e permita-me que responda com alguns comentários:
1- Penso que a atitude de Lee Bollinger durante a sessão pode ser muitas coisas. Mas corajosa não vejo como. Ele foi muito corajoso antes, por ter resistido às terríveis pressões contra a visita do presidente. Depois, quando talvez para compensar isso, insultou um convidado em sua casa, debaixo de aplausos dos seus, não vejo onde está coragem.
2- O senhor chama várias vezes a Ahmadinejad «ditador» e protesta com o facto de eu dizer que o Irão é uma democracia. É claro que quando escrevi essa frase era para ser provocador. Evidentemente que no Irão não se trata de uma democracia como nós a entendemos. Mas é uma democracia quando comparada com o resto do mundo muçulmano. Por outro lado, o Irão nem sequer é uma ditadura como nós a entendemos, quando mais na forma de ver dos muçulmanos. Nem Ahmadinejad, que é presidente durante um pequeno mandato e depois volta à vida privada (como aconteceu aos seus antecessores), pode ser classificado como um verdadeiro ditador. É preciso levar em conta as enormes diferenças entre Ahmadinejad e Kadhafi, por exemplo.
Penso que «Democracia» significa coisas diferentes em culturas diferentes e nós queremos impôr a nossa visão como única possível. Por exemplo, o senhor poderia repetir muitas das coisas que diz do Irão ao falar da democracia ateniense ou romana, as quais tinham mais semelhanças com a iraniana do que com a nossa.
O facto de não concordarmos com muitos traços de outras culturas (e eu repudio no Irão exactamente o mesmo que o senhor repudia) não nos dá o direito de insultar essas culturas, como fez Bollinger. Uma coisa é defender uma democracia. Outra muito diferente é achar que o nosso modelo é o único possível. Isso fazem Ahmadinejad e Bollinger e é esse erro que eu critico.
Respeitosamente
João César das Neves
sexta-feira, 28 de setembro de 2007
Ahmadinejad começa a ficar impaciente
Não há dúvida que estes dias de visita de Ahmadinejad a Nova Iorque têm sido frutuosos no que toca a incidentes relacionados com a religião Bahá’í. Desta vez aconteceu numa conferência de imprensa na sede das Nações Unidas, quando um jornalista da Voz da América o questionou sobre as perseguições aos Bahá’ís no Irão.
O jornalista referiu o respeito que Ahmadinejad mostrou pelos profetas divinos nos seus discursos e afirmou: "um dos Profetas Divinos que tem a maior minoria religiosa de adeptos, após os Muçulmanos, são os Bahá'ís". E referiu os documentos apresentados nas Nações Unidas que provam que o Irão tem aplicado uma política que impede o progresso social dos Bahá’ís. E então pergunta ao líder iraniano porque é que ele não usa os seus poderes presidenciais para garantir que os Baha’is recebem a mesma justiça que outros cidadãos iranianos.
Na sua resposta Ahmadinejad começa por declarar que os judeus têm Moisés, os cristãos têm Cristo, os Muçulmanos têm Maomé. E depois pergunta ao jornalista: "Consegue dizer-me quem é o profeta da religião divina que mencionou? Quando é que ele revelou? Ele tinha um nome? Boa sorte, obrigado"
O estilo arrogante e quase mal-educado são a maior novidade desta resposta. São certamente um sinal de alguma impaciência perante as repetidas perguntas que lhe têm sido feitas sobre os bahá’ís iranianos.
quinta-feira, 27 de setembro de 2007
Diálogo inter-religioso à moda do Sr. Ahmadinejad
Mahmoud Ahmadinejad lá vai prosseguindo o seu espectáculo mediático em Nova Iorque. Segundo relata o New York Times, o presidente Iraniano, esteve presente num
.. encontro amigável, e até caloroso, com lideres cristãos dos Estados Unidos e do Canadá, convictos de que o diálogo é o único caminho para evitar a guerra.A reunião teve lugar no dia 26 de setembro e foi organizada por Menonitas e Quakers; o local foi o Church Center das Nações Unidas. Entre os palestrantes estavam um Quaker, um Católico, um Anglicano, um Baptista e um representante de conselho Mundial das Igrejas. Cerca de 140 representantes de outras religiões também estiveram presentes, mas nenhum líder judeu concordou em participar.
O NY Times escreveu:
“Fiquei com o coração despedaçado por ter havido tão pouco apoio de outras religiões para estarem presentes” afirmou Mary Ellen McNish, secretária geral do American Friends Service Committee, um grupo Quaker que ajudou a patrocinar o evento. “Se não avançarmos no caminho do diálogo, vamos acabar em confrontação”Apesar das boas intenções do encontro houve um pormenor que não escapou ao NY Times: os Bahá'ís foram convidados para reuniões anteriores, mas os Iranianos recusaram estar presentes se os Bahá'ís lá estivessem. Palavras para quê? É o diálogo inter-religioso à moda do Sr. Ahmadinejad!
Para quem pensa que isto é o Islão, lembro que os muçulmanos que encontrei na Mesquita de Lisboa aquando da visita do Dalai Lama receberam todos os participantes com a maior cortesia.
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Link alternativo para a notícia do NY Times: Ahmadinejad Meets Clerics, and Decibels Drop a Notch
Ahmadinejad nos EUA (2)
Mais um video de uma entrevista do presidente Ahmadinejad é confrontado com questões sobre religião e direitos humanos. A dado momento (minuto 3:05) o moderador lança uma questão sobre os Baha’is no Irão.
Fica a tradução das palavras proferidas nesse momento.
MODERADOR: Temos muitas perguntas sobre a minoria religiosa Baha'i no Irão. Muitas das pessoas que questionam afirmam que a minoria Baha'i tem sido privada dos seus direitos humanos. Que resposta tem para isso?
AHMADINEJAD (através da tradutora): Na nossa constituição, o Cristianismo, o Judaísmo, o Islão e o Zoroastrismo são reconhecidos como religiões oficiais. Quando falamos de religião, referimo-nos às religiões divinas. No nosso país, seguimos essa lei; uma lei que é baseada no voto da maioria do povo.
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Não creio que o Presidente Iraniano tenha fugido à pergunta que lhe foi colocada. Na verdade, deixou claro que os Bahá'ís iranianos não têm direitos, porque professam uma religião que não é considerada oficial. Ou seja: a violação dos direitos dos Bahá'ís está consagrada na actual Constituição da República Islâmica do Irão.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
As visitas do ditadores

O senhor da direita foi visitar uma universidade americana e ouviu o reitor dizer-lhe umas quantas verdades. Haverá nas universidades portuguesas algum reitor que consiga fazer o mesmo ao senhor da esquerda? Já que ele vai aparecer em Lisboa um dia destes...
(agradeço a ideia do João, um comentador deste blog)
terça-feira, 25 de setembro de 2007
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
Lee Bollinger

Palavras de Lee Bollinger, presidente da Universidade de Columbia, num discurso de recepção ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad:
Senhor Presidente, você exibe todos os sinais de um ditador cruel e mesquinho e por isso pergunto-lhe: porque é que as mulheres, membros da fé Baha’i e tantos dos nossos colegas universitários se tornaram alvos de perseguição no seu país?Não são palavras calorosas, mas o convidado também não é propriamente um Mahatma Gandhi ou um Nelson Mandela!
NOTA: parte deste discurso foi transmitido hoje no Telejornal da RTP.
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