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sábado, 31 de outubro de 2015

Ensinar Crianças a Odiar

Por Shirin Sabri.


Há muito exemplos históricos de sociedades que se esforçam por manter os seus preconceitos mais profundos.

Morris Fraser, um psicólogo infantil que trabalhou em Belfast com crianças traumatizadas pelo conflito na Irlanda do Norte, descreveu uma situação em que as crianças de cada lado viam as pessoas do outro lado como criaturas monstruosas:
... os equívocos e os preconceitos das crianças, como seria de esperar, reflectem os dos mais velhos - a sua única fonte de informação na ausência de experiência. Para a criança Protestante, o católico é um preguiçoso, desonesto, sujo, um criador de grandes famílias, gerador de pobreza comunitária... Na atitude da criança católica há um medo mais consciente. Para ela, o protestante é a pessoa que quer queimá-la, matá-la, privá-lo do seu lar e dos seus pais (Children in Conflict, p. 139)
Esta percepção preconceituosa e exagerada tornou-se uma parte significativa do trauma infantil.

Na Irlanda do Norte,
uma criança tenta falar com um militar britânico
Se pegarmos na citação anterior e substituirmos a palavra "Católica" por "Preto" e a palavra "Protestante" por "Branco", o texto poderia igualmente descrever de forma correcta as crianças em algumas áreas dos Estados Unidos. E poderíamos, igualmente, substituir a palavra "católica" por "Cigana" ou "Palestiniana", e a palavra "protestante" por "Checa" ou "Israelita". A imagem preconceituosa parece encaixar-se sempre. Isso dá-nos sinais fortes de que o preconceito não é sobre o grupo-alvo. Quando os fanáticos lançam os mesmos insultos humilhantes através das linhas de separação, sabemos que esses insultos são criados pelos sentimentos e desejos pessoais, e têm pouco a ver com as características observáveis nos alvos em causa.

Quando crianças irlandesas do doutor Fraser conheceram e falaram pela primeira vez com pessoas católicas (ou pessoas protestantes, conforme o caso) o seu terror e ódio desapareceram. No fundo, eram apenas pessoas; não eram as criaturas repugnantes e más que tinham imaginado. No seu livro, Fraser afirma que as crianças da Irlanda (e sociedade irlandesa como um todo) beneficiariam muito com uma educação integrada. Quando o livro foi escrito, todas as crianças católicas frequentavam a escolas católicas e todas as crianças protestantes frequentavam escolas públicas. Fraser salientou que todos os esforços para mudar esta situação enfrentaram uma resistência vigorosa, tanto do Estado como da Igreja. E acrescenta:
Os líderes da Igreja em Ulster não gostam da palavra "segregação"; preferem dizer que o sistema é simplesmente de "educação separada." Dizem-nos que as crianças podem brincar nas ruas depois da escola, pois não existe qualquer proibição sobre isso. "Lamentável absurdo", escreveu um professor no Irish News. "Lamentável, porque soa como a justificação agradável para qualquer leitor que não conhece o Ulster. Absurdo, porque, num sistema de gueto, isso é uma impossibilidade física." - Ibid., P. 168.
Cada grupo quis manter o que entendia ser o seu território, a sua área de poder e de controlo. Era contra os seus próprios interesse deixar que as crianças se misturassem, vissem as coisas com os seus próprios olhos e aprendessem por si próprias.

Preconceitos, deliberadamente atiçados por quem está no poder, criam uma atmosfera que produz atrocidades. No período que antecedeu os 1994 massacres de Tutsis e Hutus moderados em Ruanda, "foram distribuídos cartazes e folhetos que desumanizadas Tutsis como «cobras», «baratas» e «animais»" (Leia uma crónica dos acontecimentos que ocorreram no Ruanda, em 1994). Esta desumanização deliberada permitiu o genocídio que ocorreu depois.

Os Bahá'ís compreendem esse tipo de preconceito, porque eles próprios, por vezes, sofrem com essa eliminação deliberada da sua humanidade. Desde a revolução no Irão, por exemplo, os trabalhadores de recenseamento muitas vezes informam que aldeias predominantemente ou exclusivamente Baha'is não têm população. E quando lhes pedem para explicar a discrepância, respondem friamente: "eles não são humanos seres" ou "eles são apenas Bahá'ís" (Peter Smith, In Iran: Studies in Babi and Baha’i History, p. 218).

'Abdu'l-Bahá sugere:
Não se enalteçam acima dos outros, mas considerem todos como vossos iguais, reconhecendo-os como servos do Deus uno. Saibam que Deus é compassivo para com todos; portanto, amem a todos das profundezas dos vossos corações, dêem preferência aos seguidores de todas as religiões antes de vós próprios, tenham pleno amor por todas as raças e sejam amáveis com pessoas de todas as nacionalidades. Nunca falem de modo depreciativo sobre os outros, mas elogiem sem distinção. Não manchem as vossas línguas a falar mal dos outros. (The Promulgation of Universal Peace, p. 452)
Nestes tempos, temos muitas oportunidades para observar os resultados da educação das crianças numa atmosfera de preconceito, e da sua alimentação com imagens manipuladas e fantasiosas sobre "o mal dos outros." Quando as crianças não podem investigar a verdade por si próprias, elas aprendem a ver o outro lado como o bicho-papão, pois eles são facilmente doutrinadas. Muitos tornaram-se crianças-soldados, tragicamente incapazes de ver os seus inimigos como seres humanos. Um jovem que fugiu à vida de criança-soldado no Sudão recorda: "O meu desejo era matar o maior número possível de muçulmanos e árabes, e o segundo era que eu queria uma bicicleta" (leia esse relato a partir de uma ex-criança-soldado no Sudão).

Estas atitudes desenvolvem-se numa atmosfera de desconfiança e ódio entre adultos. As crianças da comunidade absorvem as atitudes dos adultos. Isso não surpreende, nem assusta, os adultos envolvidos, até que eles percebam que a criança reflecte algo bizarro, distorcendo e exagerando tudo o que vê, por vezes transformando uma simples aversão e desprezo num desejo selvagem de aniquilação, tal como acontece em muitas comunidades divididas. Em todo o mundo, os filhos de adultos preconceituosos e intolerantes entram na sua própria vida adulta cheios de necessidade de justificar as suas próprias acções repletas de ódio, culpando ainda mais as suas vítimas. E depois, a sociedade que semeou ventos começa a colher tempestades.

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Texto original: Teaching Children to Hate (www.bahaiteachings.org)

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Shiring Sabri é professora de história e Literatura na Townshend International School na Republica Checa. Tem vários ensaios e poemas publicados, nomeadamente The Incomparable Friend: The Life of Bahá’u’lláh Told in Stories (2006), The Pinckelhoffer Mice (1992) e  The Purpose of Poetry (the Journal of Bahá’í Studies Vol.1, no.1).

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

A capacidade das crianças para a compaixão



As crianças são as mensagens vivas que enviamos para um tempo que não veremos. (Neil Postman)
Sentei-me num restaurante sombrio, irritada, e exausta. O meu marido carinhosamente ia dizendo palavras de encorajamento enquanto terminávamos a refeição e acabávamos de beber os nossos chás gelados. Uma menina com rabo de cavalo, cerca de oito anos, passou pela nossa mesa a caminho dos lavabos; sorriu para mim e perguntou:-me "Como estava? Estava bom?" Retribui o sorriso e respondi: "Sim". Quando voltou, ela parou novamente perto da nossa mesa e deu-me um sorriso ainda maior. Desta vez, ela fez também o gesto do polegar para cima, muito cómico e entusiasmado. O meu marido e eu começámos a rir. Ela apagou a minha tristeza.

Aquela menina mostrava uma característica que muitas vezes vejo em crianças: uma incrível capacidade para a compaixão. Ela parecia ter percebido que eu me sentia em baixo e que precisava de uma palavra amável e um sorriso feliz. Também percebeu a minha angústia e agiu imediatamente.

Ao longo da minha carreira como psicóloga escolar, vi frequentemente exemplos inspiradores de compaixão das crianças para com outras pessoas. Por exemplo, tive dias especialmente agitados quando eu estava no meu escritório, ocupada com prazos de entrega de relatórios, papelada aparentemente interminável, e telefonemas, e aparecia um aluno que me dava um abraço inesperado.

Eu dizia: "Estava a precisar disso."

E o aluno respondia: "Eu sei, a senhora Campbell. Eu podia adivinhar."

Os ensinamentos Bahá’ís dizem:
As crianças são o tesouro mais precioso que uma comunidade pode possuir, pois nelas está a promessa e a garantia do futuro. Eles têm as sementes do carácter da sociedade futura, que é em grande parte moldado por aquilo que os adultos membros da comunidade fazem - ou deixam de fazer - em relação às crianças. Eles são uma esperança que nenhuma comunidade pode negligenciar impunemente. (A Casa Universal de Justiça)
Esta citação parece dizer-nos que as crianças possuem um enorme potencial, e que os adultos desempenham um papel importante para as guiar no desenvolvimento desse potencial. De facto, esta citação parece salientar que orientar as crianças da nossa comunidade é um imperativo moral.

A Fé Bahá'í também possui muitas - e belas - orações sobre (e para) crianças que fazem alusão ao seu potencial, à sua necessidade de orientação, e à sua importância para o mundo. Aqui ficam alguns exemplos:
Ó Deus! Educa estas crianças. Estas crianças são as plantas do Teu pomar, as flores do Teu prado, as rosas do Teu jardim. Permite que sobre elas caia a Tua chuva; permite que o Sol da Realidade brilhe sobre elas com o Teu amor. Permite que a Tua brisa as refresque, para que sejam educadas, cresçam e se desenvolvam e manifestem a maior beleza. Tu és o Generoso! Tu és o Compassivo! ('Abdu’l-Bahá)

Ó Senhor! Eu sou uma criança. Permite-me a crescer à sombra da Tua Amorosa Generosidade. Sou uma pequena planta; deixa-me ser alimentada pelas efusões das nuvens da Tua generosidade. Sou um rebento do jardim do amor; torna-me uma árvore frutífera. Tu és o Omnipotente e Poderoso, e Tu és o Todo-Amoroso, o Omnisciente, Aquele que tudo vê. ('Abdu'l-Bahá)
Se as crianças são os nossos "tesouros", as nossas "pequenas planta[s]", e, em última análise, a nossa "promessa e garantia" do futuro, não deveremos protegê-las, orientá-las e tratá-las como entidades preciosa que são ?

Não deveremos tratar todas as crianças com compaixão?
A terra é uma única pátria, um único lar; e todas as pessoas são filhos de um único Pai. Deus criou-os, e eles são os destinatários da Sua compaixão. Portanto, se alguém ofende outro, ele ofende a Deus. É desejo do nosso Pai celestial que cada coração se alegre e fique cheio de harmonia, e que vivamos juntos em felicidade e alegria. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 468).
Podemos ser pais, mães, tias, tios, avós, avôs, padrinhos, madrinhas, tutores, pais adoptivos, professores, mentores, treinadores, baby-siters, monitores de jovens, ou instrutores de aulas infantis; todos temos um papel na protecção, educação e orientação das crianças do mundo. E porque as crianças aprendem com o exemplo, com as nossas palavras e com o nosso comportamento, devemos reflectir as nossas crenças na igualdade entre mulheres e homens, e as nossas crenças na unidade mundial. Vamos ensinar às crianças virtudes como a bondade, o amor, o respeito e a compaixão. Vamos incentivá-las a desenvolver o seu potencial, enquanto tratamos e cuidamos delas. Talvez, através dos nossos esforços combinados, consigamos ver ainda mais exemplos de compaixão, semelhante à compaixão que aquela menina mostrou quando me sorriu, me deu um sinal positivo, e iluminou o meu dia.


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Texto original: Children’s Capacity for Compassion (bahaiteachings.org)

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Jennifer Campbell é psicóloga escolar e escritora. Ela e o marido Kurt são Bahá'ís e vivem no Colorado (EUA).

sexta-feira, 12 de julho de 2013

O Dia de Malala nas Nações Unidas



“As canetas e os livros são as armas mais poderosas que existem”. Foi assim que Malala Yousufzai prosseguiu, hoje, na Assembleia Geral da ONU o combate que quase lhe custou a vida, há nove meses, no Paquistão. A jovem, que sobreviveu a um atentado Talibã quando se dirigia para a escola, defendeu o direito à educação universal num discurso que coincide com o seu 16o aniversário.

Frente à família, a vários responsáveis da ONU e a mais e 500 crianças de todo o mundo, a jovem paquistanesa atacou-se igualmente ao terrorismo e ao fundamentalismo religioso que impede milhões de raparigas de acederem à educação básica.

“No dia 9 de outubro de 2012, os Talibã alvejaram-me no lado esquerdo da testa. Também dispararam sobre os meus amigos. Pensavam que aquela bala nos iria silenciar. Mas desse silêncio sairam milhares de vozes. Os terroristas pensaram que podiam mudar os meus objetivos e ambições. Mas nada mudou na minha vida, à exceção disto. A fragilidade, o medo e o desespero morreram. A força, o poder e a coragem renasceram”.

“Eu não sou contra ninguém, nem estou aqui para vingar-me dos Talibã ou de qualquer outro grupo terrorista. Estou aqui para defender o direito à educação para cada criança”.

A jovem paquistanesa entregou igualmente uma petição com 4 milhões de assinaturas que apela à ONU para que concretize o objetivo de uma educação gratuita e universal para todas as crianças até 2015, num momento em que cerca de 57 milhões de menores em todo o mundo permanecem sem acesso a uma educação básica.

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FONTE: Malala Yousufzai “contra-ataca” Talibã na ONU com “canetas e livros” (Euronews)

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Nova Deli: Seminário aborda fim da Violência contra Crianças

Acabar com os maus-tratos e abusos contra crianças é um desafio global que deve ser abordado com urgência. Este foi um dos principais temas de um recente seminário intitulado "Acabar com a Violência contra Crianças", realizada nos arredores da Casa Bahá'í de Adoração, em Nova Deli (Índia).

"A protecção das crianças contra a violência exige prioridade de acção," declarou Dora Giusti - uma especialista em protecção à criança da UNICEF na Índia. "É necessária uma abordagem multi-facetada para construir um ambiente protector para as crianças."

O seminário em 22 de Novembro foi organizado para assinalar a Semana Nacional da Harmonia Comunitária, a celebração do Dia Mundial de Oração e Acção pelas Crianças, e para marcar 20 anos da adesão da Índia à Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança. O evento foi patrocinado pela Comunidade Bahá'í da Índia, em associação com a Fundação Nacional para a Harmonia Comunitária, a Secção da Rede Global de Religiões para as Crianças do Norte da Índia, e da Aliança para os Direitos da Criança da Índia.

Entre os participantes encontravam-se representantes do governo, organizações não-governamentais, académicos, estudantes e jornalistas, juntamente com as famílias das regiões de Gujarat e Assam. Entre os temas abordados estavam a punição corporal, as políticas e processos para a protecção das crianças, e as causas subjacentes da violência na sociedade de hoje.

Shanta Sinha, Presidente da Comissão Nacional para a Protecção dos Direitos da Criança, enfatizou a necessidade de construir uma cultura de não-violência, se se pretende abordar a questão a longo prazo. Vinay Srivastava, professor de antropologia da Universidade de Deli, concordou, acrescentando que, enquanto os pais, educadores e cuidadores precisam de olhar para suas próprias atitudes e comportamentos para com as crianças, também deve haver estudos feitos para tratar a cultura da violência na sociedade e quais as estruturas que precisam de mudar.

"Um conceito essencial para o progresso nesta área é o de tutela, disse Farida Vahedi, director do Escritório Bahá'í Indiano de Relações Públicas, reconhecendo que "a cada criança nasce neste mundo como uma relação de confiança de toda a humanidade."

"Só quando o direito das crianças à educação espiritual, nutrição, saúde, habitação e segurança são assegurados é que elas podem vir a assumir a sua responsabilidade de trabalhar para o progresso da humanidade e do desenvolvimento", disse Vahedi.

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FONTE: In New Delhi, seminar explores ending violence against children (BWNS)

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Para lá dos limites da capacidade humana


O massacre das crianças numa escola primária de Newton (Connecticut, EUA) comoveu o mundo.

Nas muitas manifestações de solidariedade que se têm seguido, o serviço inter-religioso mereceu destaque em muitos órgãos de comunicação social internacionais. Neste evento, os representantes da comunidade Bahá’í leram alguns excertos das Escrituras que me parecem particularmente adequados. Num desses textos podemos ler as seguintes palavras de 'Abdu'l-Bahá dirigidas a uma mãe que perdeu um filho:
Ó tu, serva amada de Deus! Embora a perda de um filho seja verdadeiramente de partir o coração e esteja para lá dos limites da capacidade humana, ainda assim, a pessoa que sabe e compreende tem a certeza que o filho não foi perdido, mas pelo contrário, passou deste mundo para outro, e ela encontrá-lo-a no reino divino. Esse encontro será para a eternidade, enquanto neste mundo a separação é inevitável e traz consigo uma dor ardente.
‘Abdu’l-Bahá sabia bem o que era essa dor; Ele próprio também perdera um filho.

Pessoalmente intrigam-me as palavras “...para lá dos limites da capacidade humana”. Porque, apesar disso, alguns de nós suportam essa dor.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Crianças Bahá'ís???

No livro A Desilusão de Deus, o Professor Richard Dawkins apresenta a sua opinião sobre os rótulos religiosos que se colocam às crianças:
A nossa sociedade, incluindo o sector não religioso, aceitou a ideia absurda de que é normal e correcto doutrinar crianças pequenas na religião dos pais e colar-lhes rótulos religiosos - «criança católica», «criança protestante», «criança judia», «criança muçulmana», etc -, embora não o faça com outros rótulos comparáveis: não há crianças conservadoras, nem crianças liberais, nem republicanas ou democratas. Por favor, por favor, vamos despertar as nossas consciências a este respeito e vamos aos arames sempre que ouvirmos algo do género. Uma criança não é uma criança cristã, nem é uma criança muçulmana, é sim uma criança filha de pais cristãos ou filha de pais muçulmanos. Esta última nomenclatura, já agora, seria um óptimo despertador de consciências para as próprias crianças. Uma criança a quem se diga que é «filha de pais muçulmanos» aperceber-se-á imediatamente que a religião é algo que ela poderá adoptar - ou rejeitar - quando tiver idade suficiente para tal. (p. 403)
Lembrei-me desta opinião do Professor Dawkins depois de recentemente ter ouvido a expressão «crianças bahá’ís». É algo que não faz sentido. O mais correcto é usar a expressão «criança de família bahá’í». Aliás, a adesão à Fé Bahá’í só é permitida após os 15 anos de idade; espera-se que a partir dessa idade os jovens tenham a maturidade necessária (e a liberdade suficiente) para decidirem por si próprios se desejam ou não ser bahá’ís.

Note-se que isto não representa uma quebra de compromisso com a minha religião, ou um qualquer hesitação na minha fé. Irei tentar passar os meus valores e as minhas convicções religiosas para os meus filhos; se não o fizesse, aí poder-se-ia questionar a minha fé. E se eles um dia se tornarem baha’is, espero que isso seja fruto de uma decisão pessoal - livre e amadurecida -, e não apenas o resultado de pressões externas.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Sexo, Crianças e Tribunais

Um texto notável de Catarina de Abuquerque publicado no Causa Nossa.

É a propósito do acordão do Supremo Tribunal de Justiça que reduziu a pena de um autor de crime de abuso sexual de menores, e justificou essa medida por não ser “certamente a mesma coisa praticar algum dos actos inscritos no âmbito de protecção da norma com uma criança de 5, 6 ou 7 anos, ou com um jovem de 13, que despertou já para a puberdade e que é capaz de erecção e de actos ligados à sexualidade”

Porque razão este acordão nunca refere a Convenção da ONU sobre os Direitos da Criança (de que Portugal é signatário)? Será irrelevante ou estará o Tribunal a fingir que não existe? Porque razão o acordão nunca refere os interesses da criança? Analisou-os? Teve-os em consideração?

Um texto para ler e reflectir!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2006

As crianças imitam-nos



Este video surgiu no Canadá no âmbito de uma campanha de sensibilização sobre a influência que os adultos sobre as crianças. É tocante e profundo. Tal como outros vídeos que aqui mostrei, também gostaria que este fosse exibido regularmente nas televisões portuguesas.

A mensagem deste vídeo lembra-me um episódio ocorrido há mais de vinte anos em Antuérpia. Na altura foi organizada uma conferência europeia de Juventude Baha’i. Lá estavam jovens de todos os países europeus, partilhando experiências e confraternizando. Numa manhã de domingo, percorríamos as ruas de Antuérpia quase sem transito automóvel, quando o nosso grupo se deteve junto a uma passadeira de peões aguardando respeitosamente que o semáforo ficasse verde.

Os portugueses trocaram olhares como se perguntassem uns aos outros: "Que se passa? Porque parámos se não há carros na rua?" Tomei a iniciativa e atravessei a passadeira ainda com o sinal vermelho; os outros portugueses seguiram-me. Depois ficámos no outro lado da estrada a chamar os outros jovens europeus. Acabámos por gozar aquela atitude deles. Quando o sinal ficou verde e o resto do grupo se juntou a nós, questionei um alemão: "O vosso problema é serem demasiado lógicos. Porque é que não atravessaram a rua se não havia transito?" A resposta foi imediata: "Porque alguma criança podia ver o que estávamos a fazer."

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Uma criança abusada nunca esquece

Um anúncio impressionante do Instituto de Apoio à Criança que descobri no YouTube. Alguem se lembra de ter visto este anúncio na televisão portuguesa?

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

quinta-feira, 6 de julho de 2006

Rir, chorar ou fugir?

Talvez respirar fundo... contar até mil...



NOTA: não são os meus filhos; esta foto foi recebida por email.
:-)

terça-feira, 4 de abril de 2006

Jorge Filipe em Lisboa

Foi no final de sexta-feira, que o Jorge recebeu uma visita de uma das tias. "Queres ir passear connosco?". Os seus oito anos eram suficientes para se lembrar de uma promessa antiga: "Tu um dia disseste que me levavas a Lisboa..." "Então vamos a Lisboa!". E começou a euforia.

A viagem a Lisboa tinha sido combinada entre os tios e a mãe. Mas só agora lhe contavam a surpresa. Escusado será dizer que nessa noite. O Jorge mal dormiu. E no dia seguinte o entusiasmo da viagem era maior que o sono. Durante a viagem perguntou insistentemente: "Já estamos a chegar?" Uma viagem de três horas parece interminável para uma expectativa tão grande.

O fim-de-semana era para o Jorge. Durante dois dias brincou com os primos, experimentou os carros de choque e os carrosséis, andou na montanha russa e experimentou vários jogos do centro de diversões, correu pelas alamedas da Expo, e até encontrou uns militares da GNR que o deixaram dar a primeira volta a cavalo. Apesar de toda a excitação e toda a energia, não adormeceu durante a viagem de regresso. Transbordava de felicidade quando chegou a casa. "Não se calava, o miúdo..." dizem os tios.

Não sei durante quanto tempo o Jorge se vai lembrar deste fim-de-semana. Provavelmente, o mundo tão agressivo em que vive encarregar-se-á de lhe ir apagando as recordações. Comigo fica a sensação de o ter ajudado a realizar um sonho e a angústia de saber que ele continua a ser uma criança em risco.











quinta-feira, 6 de janeiro de 2005

...Mas as Crianças, Senhor?

A propósito do post ... Mas as Crianças, Senhor? na Rua da Judiaria, da resposta do Timshel (post: Erro ou Fanatismo?) e de todo o conjunto de comentários que ficaram registados neste último, aqui fica a minha opinião.

É natural que os pais queiram educar os filhos na sua religião. Eu pretendo fazer isso com o meu filho; quando ele tiver atingido a maturidade poderá decidir se deseja ser bahá'í ou não. Se eu, por ventura, faltar, gostaria que alguém lhe fosse transmitindo os valores e princípios da minha religião. Creio que qualquer um de nós sentirá isso em relação aos seus filhos.

No caso das crianças judias que sobreviveram ao holocausto, é perfeitamente natural pensar que os seus pais gostassem que estas crianças fossem educadas segundo os princípios e valores do judaísmo. Cumprir esse desejo seria uma forma de homenagear a memória daquelas famílias e perpetuar a sua descendência. É óbvio que educar uma criança numa religião que não é a nossa é uma tarefa difícil. Qualquer um de nós, se fosse posto perante uma situação destas, questionar-se-ia: "O que é mais importante? A minha fé ou a memória dos pais desta criança?".

A este propósito, lembro-me de ter lido uma história que se passou na Índia, após os motins que se deram antes e depois da independência daquele país. Houve um hindu que disse a Gandhi que tinha morto uma criança muçulmana e que os remorsos desse acto não lhe saíam da cabeça. Gandhi sugeriu-lhe que procurasse uma criança muçulmana que tivesse ficado órfã, que a adoptasse e a educasse na religião islâmica (o que destaco aqui é a possibilidade desse gesto e não os motivos que levam a esse gesto).

quinta-feira, 7 de outubro de 2004

Sem tempo para ser criança



"Chamo-me Amaratech, que quer dizer «a bela». Na minha família sou a mais nova de quatro crianças. Não quero transportar lenha durante toda a minha vida. Mas nesta altura não tenho escolha, pois somos muito pobres. Todos nós, crianças, transportamos lenha para ajudar a nossa mãe e pai a comprar comida para nós. Preferia ter apenas de ir à escola e não ter de me preocupar com ganhar dinheiro."

Uma foto reportagem da BBC sobre os meninos pobres da Etiópia que têm de transportar lenha. Tocante.

quinta-feira, 11 de março de 2004

Mas as crianças, Senhor...

No causa-nossa Vital Moreira chamou a atenção para uma notícia do El Pais onde se dizia que mais de 500 crianças palestinianas e mais de 100 israelitas foram mortas, desde o início da actual Intifada.

O número é assustador. Qualquer estatística sobre morte de crianças num conflito não nos deixa indiferentes.

Quando uma criança morre, há uma parte da humanidade que morre também com ela; é um ser-humano que não tem oportunidade de dar o seu contributo para a nossa família humana. Todos ficamos mais pobres com essas mortes.

Noutros pontos do mundo há crianças que também vão morrendo de forma violenta; as estatísticas da UNICEF relativamente Brasil no ano de 98 assinalam 3374 crianças (entre os 10 e os 17 anos) vitimas de homicídio; só no estado do Rio de Janeiro o número de vítimas atingia os 635.

Não pretendo com esta comparação minimizar a gravidade da situação das crianças palestinianas e israelitas; Apenas quero alertar para o facto de existirem casos mais graves e merecedores de mais atenção por parte da comunidade internacional, dos responsáveis políticos e dos media.

Infelizmente a morte de algumas crianças é mais mediática que outras.

Como o próprio Vital Moreira me chamou a atenção, o sofrimento das crianças palestinianas e israelitas não deve ser substituído pelo sofrimento das crianças brasileiras; deve ser adicionado.