quinta-feira, 26 de maio de 2016

Os Papéis do Panamá e os Pobres

Por David Langness.


Para o homem, a glória e a honra não se encontram nas fortunas e nas riquezas, muito menos em todas aquelas que foram acumuladas ilegalmente através da extorsão, da fraude e corrupção praticadas à custa de uma população explorada. ('Abdu'l-Baha, from Trustworthiness: A Cardinal Baha’i Virtue, a compilation of the Universal House of Justice, January 1987)

A recente fuga de informação designada “Papéis do Panamá” - mais de 11 milhões de documentos que revelam o mundo secreto de empresas de fachada, da evasão fiscal em paraísos fiscais e manipulação financeira global - deu ao mundo uma visão sobre a corrupção financeira e gerou indignação generalizada.

Estes documentos, quando forem disponibilizados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas e pela comunicação social, provavelmente, irão gerar ainda mais indignação.

Porquê? Muitas pessoas suspeitavam há bastante tempo que alguns bilionários super-ricos, líderes políticos corruptos e celebridades usavam métodos sub-reptícios para evitar impostos sobre os seus rendimentos; e os Papéis do Panamá provam isso mesmo. Provenientes de uma sociedade de advogados panamiana, especializada em ajudar os ricos a esconder grandes quantias de dinheiro, os Papéis do Panamá revelam um rasto de provas incriminatórias que indicam nomes, listas de valores e revela os métodos sofisticados usados pelos super-ricos para evitar pagar a sua justa parte de impostos.

As revelações dos Papeis do Panamá já provocaram a demissão de um chefe de Estado, e à medida que os detalhes dos documentos surgem lentamente, poderão provocar mais. Identificaram muitos líderes mundiais, políticos e os seus representantes financeiros em diversas nações - Rússia, China e vários países europeus e africanos - que ocultaram grandes somas de riqueza aos sistemas fiscais dos seus próprios países.

Isto é ilegal? Dependendo das leis de cada país; talvez sim ou talvez não. É imoral? Permitam-me explicar como tudo isto funciona, e então poderá responder por si próprio a essa pergunta.

Você já ouviu a palavra "cleptocracia"? O termo tem origem nas palavras gregas "kleptes" (ladrão) e "kratos" (poder). Uma cleptocracia é um governo que permite que a sua classe governante e os seus funcionários roubem grandes quantidades de riqueza. Seja por desvio de fundos públicos; seja através de favorecimentos de negócios, subornos, extorsão e corrupção; ou seja através de actividades criminosas e lavagem de dinheiro, os cleptocratas enriquecem através de transferências secretas dos seus lucros ilícitos para empresas de fachada, sociedades anónimas e contas bancárias secretas em paraísos ficais, muitas vezes não rastreáveis. Frequentemente, políticos e burocratas corruptos encontram maneiras de lucrar com a miséria do seu próprio país, e usam a sua tesouraria como a sua fonte de riqueza pessoal.

Não faltam exemplos. Vejam-se, por exemplo, as nações africanas do Sudão e do Sudão do Sul. O Sudão do Sul conquistou a sua independência em 2011, após uma prolongada guerra civil e a crise dos direitos humanos em Darfur. No entanto, isso não alterou a corrupção no Sudão; pelo contrário, floresceu. Designado como um dos países mais corruptos na Terra pelo Transparency International’s Corruption Perception Index (Índice de Percepção de Corrupção da Transparency International), o Sudão empreendeu a sua guerra interna, principalmente devido aos recursos. As tribos africanas pobres do Sul queriam a sua parte da riqueza do petróleo do país; e o governo no Norte, predominantemente árabe, não queria partilhá-la. Como consequência, o presidente sudanês, Omar al-Bashir, tornou-se o primeiro chefe de Estado a ser indiciado pelo Tribunal Penal Internacional por genocídio, acusado de dirigir uma campanha de assassinatos, violações e pilhagens em massa contra as tribos africanas do Sul. Enquanto isso, os dados Wikileaks mostram que al-Bashir tem 9 mil milhões de dólares (mais de 8 mil milhões de Euros) em contas bancárias em países estrangeiros - acusação que ele negou.

Então, porque se devem as pessoas preocupar se os super-ricos querem evitar pagar impostos sobre a sua riqueza?

Em primeiro lugar, fugir aos impostos destrói a capacidade de qualquer país cuidar das suas pessoas mais pobres.

Em segundo lugar, quando um cleptocrata esconde riqueza, levanta suspeitas de que a riqueza não foi obtida de forma legal.

Em terceiro lugar, quando as pessoas mais ricas, em qualquer sociedade fogem ao seu dever cívico de apoiar a sociedade, isso cria os chamados "Estados falhados" - nações que não podem cumprir as suas obrigações para com o seu povo ou para com a comunidade internacional.

Em quarto lugar, a riqueza oculta desestabiliza países inteiros e a própria comunidade de nações, transformando-as de nações credoras em nações devedoras.

Em quinto lugar, a riqueza escondida prejudica o desenvolvimento global, ao desviar e ocultar a riqueza que poderia ajudar a recuperar as economias mais pobres do mundo.

Em sexto lugar, as sinistras empresas de fachada que escondem riqueza tornaram-se os principais instrumentos para iludir as sanções internacionais contra países que patrocinam o terrorismo e Estados párias que violam os tratados internacionais, especialmente com a produção de armas nucleares.

Em sétimo lugar, e talvez mais o importante, toda esta riqueza oculta - estimada escondido pelo economista Gabriel Zucman, da Universidade de Berkeley, em 7.500.000.000.000 Dólares americanos, o dobro do PIB dos EUA - faz com que o fosso entre ricos e pobres seja cada vez maior. Ao permitir que os super-ricos que mantenham os seus biliões, sem pagar os devidos impostos, nenhum sistema justo e equitativo de tributação se pode aplicar; e o verdadeiro fardo do pagamento dos serviços do governo incide cada vez mais sobre aqueles que menos podem pagar.

Finalmente, fugir aos impostos não é justo. Essa falta de honestidade destrói a fé de todos no sistema de governação em que vivem e gera uma enorme raiva.

Os ensinamentos Bahá’ís têm muito a dizer sobre esta situação internacional profundamente injusta e apresentam um conjunto completo de soluções destinadas a promover a igualdade, a unidade e a justiça. Quando essas soluções forem aplicadas - e Bahá’ís acreditam que acabarão por ser uma realidade - o mundo começará a funcionar com muito mais eficiência e justiça.

Então, os 7.5 biliões de dólares ocultos - que mesmo que sendo a mais baixa das estimativas da riqueza total depositada em paraísos fiscais, representa 8% da economia global - iriam realmente beneficiar a humanidade, e não apenas alguns indivíduos corruptos.

Nesta série de artigos, vamos ver como os ensinamentos Bahá'ís abordam este enorme problema internacional.

-----------------------------
Texto original: The Panama Papers and the Poor (www.bahaiteachings.org)

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Irão: 38 lojas Bahá’ís encerradas em Urmia


Funcionários do Departamento de Espaços Públicos na cidade de Urmia, encerrou pelo menos 38 empresas e estabelecimentos comerciais pertencentes a Bahá’ís.

Há dez dias atrás, os Bahá’ís foram informados que tinham um prazo de 10 dias para encerrar os seus estabelecimentos, por ordem do Ministério da Segurança.

Não foi apresentada qualquer justificação adicional para esta medida.

Fontes não oficiais afirmaram que esta medida se deve ao fecho temporário dos estabelecimentos durante os Dias Sagrados Bahá’ís.

----------------------- 
FONTE: 38 Bahai businesses closed down in Urumiyyeh (Sen's Daily)

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O Irão está a perder a batalha contra os Bahá’ís

Por Reza HaghighatNejad.

O encontro entre Faezeh Hashemi (com chador) e Fariba Kamalabadi

É muito simples,” escreveu a jornalista Mahsa Amrabadi no Twitter a 16 de Maio. “Quando se vive tantos anos com alguém, não se sente apenas saudades; sente-se uma saudade terrível - especialmente se essa pessoa é Fariba Kamalabadi.

A 10 de Maio, a direcção da prisão concedeu à dirigente Bahá’í Fariba Kamalabadi uma ausência temporária. Estava há oito anos atrás das grades, e perdeu alguns momentos importantes da sua vida familiar, incluindo a licenciatura e o casamento da filha, assim como o nascimento do primeiro neto. Foi-lhe dito que tinha cinco dias para estar com a família e depois regressaria à prisão para cumprir os restantes dois anos da sua pena.

Mas Mahsa Amrabadi e outros, incluindo Faezeh Hashemi, a filha do ex-presidente Hashemi Rafsanjani, a advogada de direitos humanos Nasrin Sotoudeh, o marido de Sotoudeh, o artista gráfico Reza Khandan e os jornalistas Zhila Bani Yaghoub e Bahman Ahmadi Amoue e aproveitaram a oportunidade para visitá-la em casa.

Masoud Bastani e Mahsa Amrabadi
Mahsa Amrabadi e o seu parceiro Masoud Bastani encontravam-se entre os primeiros jornalistas a ser presos após as disputadas eleições presidenciais de 2009. Cada um foi condenado a sete anos de prisão e agora estão livres. Foram ambos proibidos de exercer jornalismo, mas estão activos e falam sem reservas no Twitter.

Três horas depois do tweet de Amrabadi, Masoud Bastani tweetou, descrevendo uma das suas experiências quando estava na prisão: “O guarda veio fazer a inspecção. Insultou a fé de um Bahá’í companheiro de cela. Quando olhou para mim, disse-lhe: ‘Meu caro compatriota. Tenho vergonha do teu comportamento’”.

Todos os visitantes de Fariba Kamalabadi tinham uma coisa em comum: num momento, ou noutro, partilharam a cela com a prisioneira Bahá’í. Não conhecia os Bahá’ís antes de ter ido para a prisão”, disse Faezeh Hashemi. “Não tinha qualquer ligação à comunidade Bahá’í. Ao colocar-me na prisão, a Republica Islâmica abriu uma nova janela na minha vida. Acabei por conhecê-los.

Cidadãos de quinta categoria

Mohammad Nourizad
O realizador e ex-jornalista conservador Mohammad Nourizad partilhou a cela com Bahá’ís e, tal como Hashemi, mudou a sua opinião sobre eles. À BBC declarou que, influenciado pela propaganda do regime, considerava os Bahá’ís como “cidadãos de quinta categoria”, mas isto mudou quando conheceu as famílias Bahá’ís. Também acrescentou que esperava ser atacado devido às suas visitas aos Bahá’ís, mas muitas pessoas - incluindo alguns membros dos Guardas da Revolução e funcionários do governo - elogiaram-no e disseram-lhe:Tal como tu, temos vergonha da forma como os Bahá’ís são tratados, mas não temos coragem para dizê-lo”.

Mas Faezeh Hashemi tinha uma resposta diferente para os conservadores da linha dura, muitos dos quais a criticavam. O seu pai tinha assumido a linha dura face aos Bahá’ís, e até descreveu o encontro da filha com Fariba Kamalabadi como um “erro”.

O ayatollah Nasser Makarem Shirazi, uma autoridade religiosa, deu voz ao alarme por muitas figuras do regime terem sido tão reservadas. “Estava à espera para ver se outros protestariam ou não”, disse o ayatollah, que é conhecido por negar o holocausto, apesar de ter avós Judeus iranianos. “Infelizmente, não ouvi nada. Porque é que estão todos calados?

Mas poderá, esta “nova janela” a que se refere Faezeh Hashemi e o “silêncio” que de o Ayatollah Makarem Shirazi se queixa, ser sinal de uma mudança de atitude dos iranianos em relação aos Bahá’ís?

O ayatollah Makarem Shirazi é experiente na sua postura anti-Bahá’í. Tal como muitas outras autoridades religiosas Xiitas, publicou vários decretos violentos contra a maior minoria religiosa do Irão. Também desempenhou um papel importante no processo judicial que enviou Fariba Kamalabadi e os seus colegas para a prisão. Ela e seis outros membros do Yaran, os “Amigos do Irão”. O grupo administrava as actividades da comunidade Bahá’í depois da República Islâmica ter banido a Assembleia Espiritual Nacional Bahá’í. Há oito anos, as autoridades prenderam o grupo. Segundo a advogada Mahnaz Parakand que, juntamente com a vencedora do Prémio Nobel Shirin Ebadi e outros dois advogados, defenderam os acusados, quando o caso esteve em tribunal, um promotor assistente pediu ao ayatollah Makarem Shirazi que desse a seu parecer jurídico sobre o que devia ser feito aos Bahá’ís. Em resposta às acusações do promotor que dizia que o grupo tentava fazer conversões para a sua fé, o ayatollah afirmou que, se o tinham feito de forma consistente, então a acusação de “fazer guerra contra Deus” devia ser acrescentada às outras acusações. Apoiando-se consideravelmente nesta fatwa, o tribunal condenou os sete membros dos Yaran à morte, um veredicto que o tribunal de recurso posteriormente reduziria para 10 anos de prisão para cada um dos réus.

Uma Alteração Profunda

As prisões tiveram lugar em 2007. Agora, mais de oito anos depois, Fariba Kamalabadi, uma das pessoas que o ayatollah Makarem Shirazi acreditava merecer a pena de morte, recebeu uma permissão de ausência temporária da prisão - e muitos cidadãos iranianos e ex-presos políticos congratularam-se com a decisão, e correram para a apoiar.

Considerando a longa história de propaganda vigorosa do clero Xiita contra os Bahá'ís do Irão, a mudança recente é notável. De acordo com o jornalista e escritor Faraj Sarkohi, a fé Baha'i é a única religião a quem o clero Xiita respondeu com da criação de uma organização específica [a Sociedade Hojjatieh] para combater as suas actividades.

No seu extenso relatório sobre o assunto, Mohamad Tavakoli-Targhi, Professor de História das Civilizações do Médio Oriente na Universidade de Toronto, escreve que desde 1941 foram criadas no Irão numerosas sociedades religiosas e de propaganda, com o único propósito de lutar contra os Bahá'ís e as suas crenças. (pode ler um resumo do relatório aqui.) As mais conhecidas destas organizações são a Sociedade de Promoção islâmica fundada em 1942 e a Sociedade dos Ensinamentos Islâmicos, que foi criada um ano depois. De acordo com os fundadores da Sociedade dos Ensinamentos Islâmicos, em 25 anos, esta sociedade criou 170 outras organizações culturais que se concentravam principalmente em destruir a fé Bahá’í. Mesmo no século XIX, sob a dinastia Qajar, e muito antes da revolução Islâmica, "fazendo da eliminação física dos Babis [os precursores Bahá’ís] um projecto conjunto de Estado-clero, os clérigos xiitas funcionaram como co-arquitectos de uma estrutura política repressiva e autoritária", escreve Tavakoli-Targhi.

Desde então, as autoridades religiosas Xiitas têm sido parte essencial de uma campanha de propaganda anti-Bahá’í, publicando numerosas fatwas para facilitar a sua agenda. Ao longo dos últimos dias, a comunicação social dos conservadores de linha-dura do Irão têm lembrado ao seu público estas fatwas publicadas pelo líder supremo, o ayatollah Khamenei e outras autoridades religiosas. Na verdade, a sua oposição aos direitos civis dos Bahá’ís e seu ódio à minoria religiosa é um dos únicos assuntos sobre o qual todos podem concordar.

Vozes Dissidentes

O ayatollah Tehrani com a peça de caligrafia
que seria oferecida aos Baha'is
No entanto, outras autoridades religiosas pensam de forma diferente. Um deles foi o falecido Ayatollah Hossein-Ali Montazeri, outrora herdeiro aparente do Ayatollah Khomeini, que declarou repetidamente que os Bahá’ís têm direito aos direitos civis e à "compaixão islâmica". Outro é o Ayatollah Abdolhamid Masoumi-Tehrani que com um gesto simbólico, ofereceu um presente à fé Bahá’í, uma obra sofisticada de caligrafia com uma citação de um excerto das Sagradas Escrituras da fé. Também publicou uma declaração dizendo que o presente era "uma expressão de simpatia e atenção da minha parte e em nome de todos os meus compatriotas de mente aberta que respeitam os outros pela sua humanidade e não pela sua religião ou forma de adoração - a todos os Bahá’ís do mundo, e em especial para os Bahá'ís do Irão que têm sofrido de diversas maneiras, como resultado do preconceito religioso cego".

E há outros. Há alguns meses atrás, Mohammad Ali Abtahi, que foi vice-presidente do presidente reformista Mohammad Khatami, defendeu os direitos dos Baha'is no Twitter. "Da mesma forma que o governo tributa as pessoas, independentemente das suas crenças e da sua fé, tem o dever de proporcionar a todos os cidadãos os seus direitos civis, sem excepção", escreveu. "Bahá’ís e muçulmanos e zoroastrianos... são todos os cidadãos e todos pagam impostos."

Mesmo aqueles que permanecem em silêncio sobre os desenvolvimentos recentes - incluindo um seminário de destaque no Qom - estão a enviar uma mensagem, como o assinalou o Ayatollah Makarem Shirazi com a sua frustração.

Os Bahá’ís também estão banidos no ensino superior e isso levou muitos activistas dos direitos humanos a protestar contra a flagrante negação de um direito civil fundamental para a maior minoria religiosa do Irão.

Então, o que se segue? É provável que o regime aumente os seus esforços contra os Bahá'ís, apesar dos sinais promissores na sociedade. Provavelmente irá responder ao aumento da simpatia com mais repressão. Mas nos meios de comunicação, há uma mudança evidente: a sociedade iraniana está a prestar mais atenção aos direitos humanos. É um tema que o regime iraniano sempre tentou evitar quando se trata dos Bahá’ís. Tal como definiu a agência de notícias Mizan, associada ao sistema judicial do Irão, os líderes do regime iraniano receiam que essas visitas a prisioneiros Bahá’ís, e a sua divulgação generalizada, tenha impacto na forma como as Nações Unidas descrevam o Irão e suas violações dos direitos humanos, durante este ano. Isso poderia levar o organismo internacional a decretar condenações ainda mais pesadas que no passado, destacando as mudanças na sociedade iraniana como evidência daquilo que as pessoas querem. A batalha contra a narrativa predominante sobre os Bahá’ís do Irão está bem encaminhada, e a batalha contra os Bahá’ís foi verdadeiramente prejudicada.

-------------------------------
TEXTO ORIGINAL (em inglês): Iran's Losing Battle against the Baha'is (IranWire)

A Rosa e o Rouxinol


terça-feira, 17 de maio de 2016

A milícia Basij acusa: “Os infiltradores sentaram-se com os Bahá’ís”


O chefe da milícia Basij (uma força paramilitar iraniana) teceu fortes críticas ao encontro entre a filha do Ayatollah Rafsanjani, Faezeh Hashemi, e Fariba Kamalabadi, uma dos líderes da comunidade Bahá’í iraniana presos pelo regime. Reza Naqdi aproveitou a oportunidade para lançar um forte ataque verbal contra os apoiantes de Rouhani.

Reza Naqdi acusou os apoiantes de Rafsanjani e Rouhani de serem agentes infiltrados e fazerem um jogo duplo: “Por um lado, eles apoiam o Islão como a fonte da Revolução; mas por outro lado, eles estão sentados com os Bahá’ís” (que são considerados uma seita depravada na República Islâmica). Para Naqdi o objectivo destas pessoas é impedir a distinção entre o que está certo e o que está errado, e para promover a "corrupção e promiscuidade".

--------------------------------
FONTE: Head of Iran Basij Reza Naqdi: “The Infiltrators are sitting with Baha’i”

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Filha de Rafsanjani encontra-se com Baha’is e lança controvérsia no Irão (Daily Mail)

Um encontro entre a filha do ex-presidente iraniano Akbar Hashemi Rafsanjani e uma líder da comunidade Bahá’í - considerada herética na República Islâmica - lançou a controvérsia no Irão.

Segundo a comunicação social iraniana, Faezeh Hashemi encontrou-se recentemente com Fariba Kamalabadi uma líder da comunidade Bahá’í, a quem foi concedida uma permissão para se se ausentar da prisão durante cinco dias.

Uma foto do encontro foi publicada nas redes sociais, onde Faezeh usando um véu islâmico está sentada ao lado de Kamalabadi e outra mulher Bahá’í, ambas sem hijab.

Faezeh Rafsanjani (ao centro, com tchador) juntamente com Fariba Kamalabadi e outros Bahá'ís
Kamalabadi foi presa há oito anos atrás, juntamente com outros seis líderes da comunidade Baha’i, e condenada a 20 anos de prisão, por acusações que incluem espionagem.

Revoltados, os conservadores denunciaram o encontro de Hashemi e criticaram o antigo presidente moderado Rafsanjani, juntamente com alguns reformistas da política iraniana.

Segundo os media locais, o próprio Rafsanjani reconheceu que a sua filha "cometeu um erro que tem de ser corrigido". "A seita Bahá’í foi criada por colonialistas”, afirmou. “Esta é uma seita depravada... que rejeitamos e sempre rejeitámos".

Mas Faezeh afirmou numa entrevista ao canal de televisão Euronews Persa que apenas tinha ido visitar "uma amiga".

"Foi uma visita normal e inocente. Fui apenas visitar uma amiga; é tudo!”, declarou.

Faezeh tinha-se encontrado primeiramente com Kamalabadi quando ela foi presa em 2012, acusada de "propaganda contra o regime”.

Mas, segundo os media iranianos, o Grande Ayatollah Nasser Makarem Shirazi afirmou na segunda feira que ela devia ser processada, enquanto os comerciantes do Grande Bazar – um pilar do regime – lançaram uma petição exigindo que o promotor de Teerão tome medidas.

A controvérsia surge depois de, no sábado, Washington ter apelado a Teerão para que liberte os sete dirigentes da minoritária fé Bahá’í. John Kirby, porta-voz do Departamento de Estado, também apelou a Teerão para que “garanta a liberdade de expressão, religião, opinião e reunião para todos os cidadãos”.

A seita Bahá’í foi fundada no século 19 no Irão, e não é reconhecida pelas autoridades da república islâmica.

São considerados "hereges" e "espiões" com ligações a Israel, porque o seu centro está situado na cidade de Haifa no norte de Israel.

Haifa, junto ao Mediterrâneo, tem a sede dos famosos jardins do Centro Mundial Baha’i, um lugar de peregrinação para a comunidade Baha’i.

No Irão, os Bahá’ís não têm direito ao ensino superior, a empregos na administração pública ou a realizar reuniões devocionais.

----------------------------------------
ARTIGO ORIGINAL (em inglês): Rafsanjani daughter meets Baha'is, sparks Iran controversy (Daily Mail)

domingo, 15 de maio de 2016

Shirin Ebadi fala sobre os 7 Dirigentes Bahá'ís presos no Irão


Video publicado pela Comunidade Internacional pela ocasião do 8º aniversário da prisão dos sete dirigentes Bahá'ís iranianos.
Legendado em Português.

#ReleaseBahai7Now

sábado, 14 de maio de 2016

Os Direitos Humanos não existem para os Bahá’ís do Irão

Por Elliott Abrams.
Artigo publicado no Washington Post, 12/Maio/2016

A esperança é eterna quando se trata de direitos humanos no Irão. A eleição em 2013 do presidente Hassan Rohani, que substituiu Mahmoud Ahmadinejad, era suposta trazer melhorias. Acreditava-se que a pretensa vitória dos moderados nas recentes eleições legislativas para a Assembleia de Peritos dos clérigos islâmicos seria um desenvolvimento positivo. O acordo nuclear com o Irão foi descrito como um revés para os conservadores de linha dura que podia levar a uma abertura ao mundo e um aliviar das condições no Irão.

Mas não houve qualquer melhoria nos direitos humanos, especialmente para os Bahá’ís - a quem o relator especial da ONU sobre a liberdade de religião ou crença, Heiner Bielefeldt, chamou "o grupo mais perseguido no Irão". Falando em Genebra, em Março, Bielefeldt afirmou: "Encontramos em todas as áreas da vida uma discriminação sistemática contra os Bahá’ís. Começa no jardim-de-infância. Os funcionários dos jardins-de-infância devem detectar quem são os Bahá’ís para que eles possam ficar sob vigilância especial". A perseguição continua no ensino básico e secundário, e acrescentou: "continuaria no ensino superior, mas Bahá’ís estão banidos das universidades, e os Bahá’ís que são descobertos são afastados."

Este sábado assinala o oitavo aniversário da detenção da liderança Bahá’í iraniana, os chamados “Yaran”. Eram sete homens e mulheres que cuidavam das necessidades espirituais e práticas da comunidade (além de secretário do grupo, que foi preso em 05 de Março de 2008) e por esse "crime" receberam penas de prisão de 20 anos. As acusações contra eles incluíram "espionagem para Israel", "insulto santidades religiosas", "propaganda contra o sistema" e "corrupção na Terra".

Os "Yaran", os sete dirigentes Bahá'ís que actualmente se encontram presos no Irão

Hoje, infelizmente, a situação dos cerca de 300.000 Bahá’ís do Irão não está melhor. Em Março, um relatório do relator especial da ONU para Direitos Humanos no Irão destacou não só o declínio geral do respeito pelos direitos humanos, mas também a hostilização continuada dos Bahá’ís. Vale a pena citar uma parte do relatório:

"O Relator Especial expressa a sua profunda preocupação com a contínua e sistemática discriminação, perseguição e hostilização que os aderentes da fé Bahá’í continuam a enfrentar no país.

"Em Janeiro de 2016, um tribunal revolucionário na província de Golestan terá supostamente condenado 24 Bahá'ís a um total de 193 anos de prisão devido ao exercício pacífico da sua fé... Pelo menos 80 Bahá'ís encontravam-se presos em 31 de Dezembro de 2015, devido ao exercício pacífico de sua fé...

"Além das detenções arbitrárias, prisões e condenações de Bahá'ís, o Relator Especial continua a receber relatórios preocupantes de que as autoridades iranianas continuam a desenvolver actividades que privam economicamente os Bahá'ís do seu direito ao trabalho... Essas políticas incluem restrições sobre os tipos de empresas e empregos que os cidadãos Bahá'ís podem ter, encerramento forçado de negócios pertencentes a Bahá'ís, pressões sobre os empresários para demitir funcionários Bahá'ís, e confiscação de empresas e propriedades... As acções para encerrar os negócios pertencentes a Bahá’ís parecem ter acontecido após o seu encerramento temporário e voluntário pelos proprietários no cumprimento dos seus feriados religiosos no dia anterior...

"A discriminação contra a comunidade Bahá’í no Irão está legalmente aprovada através da falta de reconhecimento constitucional da fé e da ausência de protecções legais para os seus adeptos. Esta situação é ainda perpetuada com ataques abertos à comunidade feitos agentes do Estado ou pessoas próximas do Estado".

A perseguição continuada, e muitas vezes agravada, deste grupo pequeno e sem poder - menos de metade de 1 por cento da população do Irão - é significativo não apenas como uma questão de direitos humanos. É também uma recordação forte sobre a natureza do regime iraniano. Há, naturalmente, muitas outras recordações: por exemplo, os dois homens que concorreram [às eleições] como reformadores em 2009, Mehdi Karroubi e Mir Hossein Mousavi, assinalaram no passado mês de Fevereiro o seu quinto ano sob prisão domiciliária. Em 2016, o Irão continua a ser uma teocracia repressiva, rápida a prender tanto os opositores políticos como os cidadãos cujas crenças religiosas os clérigos consideram censuráveis.

No outono passado, o filósofo iraniano Ramin Jahanbegloo - ele próprio um ex-preso político que agora vive no Canadá - falou por muitos optimistas no Irão, quando escreveu que o acordo nuclear iria "ajudar o país a tornar-se mais aberto, transparente e sensível à pressão internacional sobre questões como a pena de morte e a prisão de actores civis no Irão". Talvez os Bahá’ís do Irão partilhassem a sua esperança, mas se assim foi, têm ficado frustrados. Para os Yaran, atrás das grades há oito anos pelo crime de serem Bahá’ís, este é mais um triste aniversário.

---------------------------
Texto original em inglês: Human rights remain nonexistent for Iran’s Bahai population

 - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Elliott Abrams é membro sénior de Estudos sobre o Oriente Médio no Conselho de Relações Exteriores, e foi vice-conselheiro de segurança nacional dos EUA para a estratégia democracia global entre 2005 e 2009.

Oito Anos de Injustiça


Video produzido pela Comunidade Internacional Bahá'í sobre a situação dos 7 dirigentes Bahá'ís presos no Irão.
Legendado em Português.

#ReleaseBahai7Now

terça-feira, 10 de maio de 2016

Os Bahá'ís - Trailer


Contrariamente aos conceitos de religião como fenómeno divisivo ou irrelevante, este documentário ilustra o impacto profundo que a Fé Bahá'í tem nos seus aderentes.

-------------
Legendado em Português.
-------------

Copiado do canal "The Bahá'ís Film".

sábado, 7 de maio de 2016

O Irão parece ter um rumo; mas os Bahá'ís continuam sem saída.

Discriminação e expulsões das universidades continuam a prejudicar a vida desta minoria religiosa.


Por Shabnam Moinipour.

"Meninas, vamos sair do Irão", disse o meu pai de uma forma calma, mas firme.

Tinha apenas 14 anos quando os meus pais nos sentaram (a mim e às minhas duas irmãs) para dar a notícia. Adorávamos o nosso país e não conseguíamos perceber porque é que os nossos pais tomavam aquela decisão. Mas naquela idade "ir a outros lugares" era tão apelativo, que não me opus. Pensei que iríamos voltar. Mas nunca voltámos.

Como Bahá'ís, os meus pais acreditavam na importância da educação, especialmente para as meninas, pois as mulheres são as primeiras educadoras da próxima geração. A minha mãe tinha lágrimas nos olhos quando nos contou a forma como a sua própria educação tinha sido interrompida em 1979, quando estava a realizar os seus exames universitários.

A Revolução Islâmica tinha começado e depois disso todos os Bahá'ís foram expulsos da universidade e outros estudantes foram impedidos de entrar - uma prática que continua até hoje. A minha mãe pertencia à primeira geração de Bahá'ís a quem tinha sido negado o acesso à educação como política de Estado. Os meus pais não queriam que eu e minhas irmãs também passássemos por isso. Foi uma escolha entre a sua terra natal e a educação das suas filhas. Nunca saberei quão grande foi a carga emocional que eles suportaram.

Passaram anos desde que os meus pais tomaram a decisão de deixar o Irão. Agora tenho 32 e ao escrever este texto penso como tive sorte por ter a oportunidade e a liberdade para concluir um Doutoramento, que espero, tal como desejavam os meus pais, possa ser um instrumento através do qual eu contribua para melhorar a sociedade.

Mas isto não é sobre mim ou sobre a história da minha vida. É sobre todos os outros Bahá'ís que ainda estão no Irão e que não têm acesso ao ensino superior. É sobre aqueles que decidiram permanecer na sua terra natal e exigir os seus direitos de acesso à educação, na esperança de que eles também sejam capazes de contribuir para a prosperidade do país que amam.

Aos 14 anos de idade, eu estava alheia a tudo o que ia acontecendo no Irão. Só muito mais tarde, quando comecei a olhar para o meu passado e para a minha identidade como Bahá'í, é que percebi que a exclusão total dos Bahá'ís no artigo 13º da Constituição iraniana deixou uma comunidade inteira sem qualquer protecção. Depois, soube das políticas de Estado "confidenciais", como o Memorando de 1991 elaborado a pedido de Ali Khamenei, o líder supremo do Irão, instruindo o governo a lidar com os Bahá'ís para "que o seu progresso e desenvolvimento sejam bloqueados".

Depois de muita pressão internacional, o regime iraniano tem permitido a entrada de alguns Bahá'ís nas universidades para manter uma boa imagem aos olhos da comunidade internacional. No entanto, até mesmo estes estudantes Bahá'ís são expulsos antes de concluir os seus estudos. Deixem-me contar-lhes alguns exemplos reais: Elham, que estudava Engenharia Informática na Universidade Malard-Azad; Sahba, que estudava Ciência Aplicada na Universidade de Kermanshah; Shomeis, que estudava Teatro na Universidade Teerão-Azad; e Arsalan que estudava Engenharia de Materiais na Universidade de Ahvaz-Shahid Chamran. Todos foram expulsos a meio dos seus estudos devido às suas convicções Bahá'ís.

Para enfrentar esta expulsão em massa, a comunidade Bahá'í desenvolveu uma resposta pacífica e criativa com a criação do BIHE (Bahá’í Institute for Higher Education / Instituto Bahá'í de Ensino Superior), uma universidade privada constituída por Professores expulsos das universidades públicas devido às suas crenças religiosas. O BIHE foi alvo de rusgas em diversas ocasiões, tendo professores e pessoal administrativo sido presos.

Reconheço que, ao deixar o Irão aos 14 anos, fui poupada à decepção e à consternação que milhares de estudantes Bahá'ís enfrentam todos os anos quando lhes é negada a matrícula nas universidades com a justificação de um "processo incompleto". É difícil imaginar o que terá sentido Dorsa, uma jovem Bahá'í estudante de arquitectura, quando foi chamada à sede do Gabinete de Informação e lhe foram apresentadas três opções: manter suas crenças e ser expulsa da universidade; ir para o estrangeiro para continuar os seus estudos; ou negar as suas crenças e continuar os seus estudos. As autoridades têm plena consciência que os Bahá'ís, por uma questão de princípio, não negam ou mentem sobre a sua filiação religiosa.

A Fé Bahá'í vê a religião como um sistema divino e progressivo de conhecimento que fornece ensinamentos espirituais e sociais que permitem o progresso a humanidade. Os Bahá'ís reconhecem Bahá'u'lláh como o mais recente "Educador Divino" - ou manifestante de Deus - que trouxe ensinamentos espirituais e sociais adequados aos tempos em que vivemos. Os ensinamentos de Bahá'u'lláh sobre a igualdade entre homens e mulheres, a educação universal e a ausência de clero são um desafio para muitas das crenças e práticas actualmente instituídas no Irão.

O acesso à educação é um direito humano universal. Todos, incluindo os Bahá'ís, têm esse direito, segundo o artigo 26 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. No entanto, porque já houve várias gerações de Bahá'ís que foram barradas e expulsas das universidades iranianas, muitos podem ter-se tornado insensíveis a esta realidade discriminadora e considerar esta violação dos direitos humanos como um procedimento normal. Temos de garantir que a comunidade internacional não cede à tirania com esta falsa sensação de conforto.

---------------------------------------------
Texto original (em inglês): Iran’s coming in from the cold but Bahá’ís are still frozen out (Times Higher Education)

Shabnam Moinipour é estudante de doutoramento na Universidade de Westminster. O tema da sua tese é Direitos Humanos e Meios de Comunicação Social no Irão.


quinta-feira, 5 de maio de 2016

Mais 6 empresas Bahá’ís encerradas no Irão

No Irão, no passado dia 1 de Maio, as autoridades locais de Ramsar encerraram cinco empresas pertencentes a Bahá’ís; simultaneamente, em Sari, foi encerrada uma loja de um Bahá’í. Estas duas localidades situam-se na província de Mazandaran, onde outras 12 empresas pertencentes a Bahá’ís foram encerradas na semana passada.

Isto eleva para 39 o número total de empresas Bahá’ís encerradas durante as últimas semanas: 16 em Qaem Shahr, dois em Babol, três em Tenakabon, cinco em Babolsar, dois em Bahnamir, cinco em Fereydunkenar e as seis referidas neste novo relatório. Todos os encerramentos parecem estar relacionados com o fecho temporário das empresas durante os feriados Bahá’ís de Ridvan.

É importante lembrar que estes encerramentos violam a Constituição Iraniana, cujo artigo 23 proíbe as investigações sobre crenças religiosas dos cidadãos, e também é contrária aos regulamentos que permitem às empresas (excepto serviços essenciais) fechar 15 dias por ano sem ter que notificar as autoridades.

Segundo um relatório da organização HRANA (Human Rights Activists News Agency in Iran), todos os encerramentos foram realizados durante a ausência dos proprietários, sem qualquer aviso prévio por escrito ou informando com antecedência as associações comerciais. Em Qaem Shahr, as autoridades informaram os Bahá’ís que eles não podem ser aceites como residentes e os seus negócios seriam encerrados, porque estão referenciados como Bahá’ís.

Um aspecto interessante é o facto do Departamento de Espaços Públicos em Babolsar ter dito às lojas Bahá’ís que não seriam encerradas se deixassem as suas luzes acesas ou as persianas dos estabelecimentos levantadas durante os feriados Bahá’ís. Não é ainda claro se os lojistas seguiram estas indicações ou não, mas sabe-se que as lojas foram mesmo encerradas. No entanto, isto sugere que a questão para as autoridades em Babolsar é que, em feriados Bahá’ís, não devem existir indicações sobre quais são as empresas pertencentes aos Bahá’ís. Noutras cidades, os encerramentos fazem parte de um padrão geral de hostilização dos Bahá’ís em todas as oportunidades.

Recorde-se que em 1934, quando o Xá quis encerrar as escolas Bahá’ís no Irão, foi invocada o fecho em feriados Bahá’ís como pretexto.

As fotos que se seguem são dos estabelecimentos encerrados e foram publicados no site GoldNews.







-----------------------------
FONTE: Six Bahai businesses closed in Ramsar and Sari; total now 39 (Sen’s Daily)