domingo, 20 de Abril de 2014

sábado, 19 de Abril de 2014

sexta-feira, 18 de Abril de 2014

Os Bahá’ís e os Nazis

Por David Langness


Há alguns anos atrás, quando terminei uma palestra alguém me perguntou: "Qual é a anti-Fé Bahá'í? Por outras palavras, há um grupo no mundo, que representa o ponto de vista diametralmente oposto dos ensinamentos Bahá'ís?"

Tive de pensar na questão durante um minuto. Essa pergunta nunca me tinha passado pela cabeça. Pela minha experiência, os Bahá’ís são tipicamente pessoas afectuosas, bondosas, gentis e acolhedoras; assim, tentei imaginar o que podia parecer o oposto.

Foi então que me lembrei que Heinrich Himmler proibiu a Fé Bahá'í na Alemanha nazi, em 1937; e percebi que o partido nazi e as suas acções, provavelmente, estão muito próximo daquilo que pode representar o completo oposto da Fé Bahá'í.

Os nazis acreditavam numa raça superior, na superioridade eugénica e na supremacia dos arianos sobre qualquer outro ser humano. Os Bahá’ís acreditam na unicidade da raça humana, na eliminação de todos os preconceitos e na unidade da humanidade. Os nazis acreditavam no domínio militar de um país sobre todas as nações. Os Bahá'ís acreditam na terra como um só país. Os nazis acreditavam na violência e guerra. Os Bahá’ís acreditam na paz mundial. Os nazis acreditavam em exterminar os seus inimigos. Os Bahá'ís acreditam que devemos amar os nossos inimigos. Os nazis acreditavam no ódio. Os Bahá'ís acreditam no amor.

Heinrich Himmler
Adolfo Hitler tornou-se o símbolo de todas as coisas más no mundo; mas Himmler, que eu nomearia como um concorrente a esse título, juntamente com Estaline e Mao, foi o principal responsável pelos campos da morte. Nesses campos de concentração - que ele montou, e controlou - supervisionou pessoalmente o extermínio de seis milhões de judeus, cerca de meio milhão de ciganos, provavelmente cinco milhões de polacos e russos, e os números incontáveis de gays e Bahá’ís.

A maioria de nós pensa nos campos de concentração nazis como um dos pontos mais baixos da história humana. Mas a maioria não sabe que os campos nazis não foram os primeiros.

Na verdade, o termo campo de concentração nem sequer é alemão; surgiu originalmente - acreditem ou não – com os britânicos, que o criaram durante a Segunda Guerra dos Bóeres (1899-1902) na África do Sul. Inicialmente criados como "campos de refugiados" para os civis forçados a sair das suas casas por causa da guerra, o exército britânico expandiu as suas implacáveis cidades-tenda em 1900 para "concentrar" todos os apoiantes e simpatizantes da guerrilha, incluindo mulheres e crianças - e impedir os Bóeres, os colonos brancos de língua africânder da África do Sul, de conseguir apoio ou vantagens entre a população.

Juntamente com os seus campos de concentração o exército britânico lançou-se em acções de "terra queimada" para destruir todas as plantações, gado, casas e quintas. Salgaram campos agrícolas e envenenaram poços. Porquê? A maioria concorda que a guerra foi travada, como tantas outras, por causa do ouro. Os britânicos e os bóeres queriam ambos controlar as vastas minas de ouro de Witwatersrand, que na época produziam uma parcela significativa da riqueza mineral do mundo - e ambos pensaram que poderiam roubar o ouro aos africanos .

Foram os britânicos os primeiros a transformar os centros de internamento em tempo de guerra em campos de concentração? Não. Os Estados Unidos foram os primeiros a fazê-lo; foi contra os nativos americanos, como os Navajos, no século XIX. Tenho um amigo próximo, uma artista Navajo, cuja bisavó foi internada em Fort Sumner por Kit Carson, o oficial genocida da cavalaria americana. Toda a sua família morreu, juntamente com milhares de pessoas. Mais ou menos ao mesmo tempo, os espanhóis criaram terríveis campos de internamento em Cuba, durante a Guerra dos Dez Anos (1868-1878). Os britânicos expandiram o conceito, e atingiram toda a África do Sul, limpando e despovoando vastas regiões do país. Enviaram a maioria dos combatentes Bóeres para prisões no estrangeiro, mas cerca de 28.000 mulheres e crianças Bóeres sofreram mortes terríveis, a maioria de doença e fome, nos brutais campos de concentração britânicos. Também se estima que mais de 14.000 africanos negros morreram nos seus próprios campos segregados.

Os alemães, que colonizaram o vizinho Sudoeste Africano (actual Namíbia), aprenderam rapidamente a táctica. Em 1904, o Exército Imperial Alemão criou vários campos de concentração e o Campo de Extermínio da Ilha de Shark teve um papel horrível no genocídio das tribos Herero e Namaqua.

Tudo junto, campos de concentração como os gulags soviéticos, as prisões de trabalho e “re-educação” dos chineses e os campos de trabalho forçado dos nazis assumem uma enorme e horrível dimensão durante o último século. Ninguém sabe quantas pessoas morreram em todos esses campos e, mas os historiadores estimam que entre 1 a 10 milhões morreram nos gulags, entre 15 a 27 milhões morreram nos campos de trabalho chineses. A maioria dos historiadores concorda que os campos nazis mataram pelo menos 10 a 11 milhões de civis e prisioneiros de guerra, entre 1933 e 1945.

Embora dos Bahá'ís europeus fossem em número reduzido em 1930, os ensinamentos Bahá'ís tinham atraído um grupo significativo de intelectuais, escritores e artistas de alto perfil (muitos de origem judaica) na Alemanha, assim como nos países do Leste Europeu (a comunidade Bahá’í alemã foi fundada em 1905). Como resultado desse crescimento Himmler, em nome do governo alemão, proibiu a Fé Bahá'í em 1937. Consequentemente, muitos Bahá’ís morreram.

Como podem os seres humanos mostrar tanta crueldade? Esta série de artigos vai explorar esse período da história, analisará a pouco conhecida Bahá’í durante o regime nazi, e tentará responder a questões importantes descritas no parágrafo seguinte (retirado de uma declaração da Casa Universal de Justiça, o órgão dirigente internacional da Comunidade Bahá’í):
De um ponto de vista Bahá’í, o facto da humanidade adorar a ídolos inventados por si própria tem importância não por causa dos acontecimentos históricos associados a essas forças, por muito horríveis que sejam, mas pelas lições que nos ensinam. Olhando para o mundo crepuscular em que essas forças diabólicas pairavam sobre o futuro da humanidade, devemos questionar qual a fraqueza da natureza humana que a tornou vulnerável a essas influências. Ver em alguém como Benito Mussolini a figura do "homem do destino", sentir a obrigação de compreender as teorias raciais de Adolfo Hitler como algo diferente de resultados auto-evidentes de uma mente doente, acolher seriamente a reinterpretação da experiência humana através de dogmas que deram à luz a União Soviética de José Estaline – um propositado abandono da racionalidade por parte de um segmento considerável da liderança intelectual da sociedade exige uma explicação para posteridade. (Century of Light, p. 62)
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Texto Original: The Baha’is and the Nazis (bahaiteachings.org)


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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

domingo, 13 de Abril de 2014

Quando a religião se torna maligna

Por David Langness.

Charles Kimball, académico conhecido e presidente do Departamento de Religião da Universidade Wake Forest, publicou um livro notável há alguns anos atrás, intitulado When Religion Becomes Evil (Quando a religião se torna maligna). O Dr. Kimball não tem aversão à fé e não é ateu - na verdade, é ministro baptista ordenado - mas o livro descreve o que ele, após uma vida de investigação, considera como os cinco sinais de corrupção na religião :
  • Reivindicações de verdade absoluta;
  • Exigências de obediência cega;
  • Definir o momento "ideal";
  • Os fins justificam os meios;
  • Declarar guerra santa.

Nos próximos artigos desta série sobre o mal que a religião pode provocar, vamos examinar estes sinais de alerta e investigar o que os ensinamentos Bahá’ís dizem sobre cada uma delas.

A análise persuasiva e perspicaz de Kimball em When Religion Becomes Evil esboça uma crescente percepção que já começou a chegar a grupos de fé, nacionalidades e classes em todo o mundo: a religião, que ele designa como "a força mais poderosa e penetrante sobre a terra", pode tornar-se corrupta, destrutiva e perigosa:
Como as instituições humanas, todas as religiões estão sujeitas à corrupção. As principais religiões que têm resistido ao teste do tempo fizeram-no através de um processo contínuo de crescimento e reforma, um processo que liga continuamente as pessoas de fé - judeus, hindus, muçulmanos, budistas, cristãos e outros - com as verdades vitais existentes no âmago da sua religião. (When Religion Becomes Evil, pág. 38-39).
Mas, Kimball diz-nos que independentemente da linguagem que usam ou dos princípios que defendem, são as acções das pessoas de fé que realmente as definem:
O que quer que as pessoas religiosas possam dizer sobre o amor de Deus ou o mandato da sua religião, quando o seu comportamento em relação aos outros é violento e destrutivo, quando causa sofrimento entre os seus próximos, podemos ter certeza que a religião foi corrompida e a reforma é desesperadamente necessária. (Ibid , pág. 39)
Os Bahá’ís têm uma visão única sobre esta dinâmica, pois as Escrituras Bahá’ís descrevem os ciclos históricos de ascensão e queda das grandes religiões numa perspectiva mais ampla, lógica e realista. As seguintes palavras de 'Abdu'l-Bahá, proferidas numa época que antecedeu a Primeira Guerra Mundial, sintetiza essa perspectiva:
Não podemos continuar a viver de acordo com leis e costumes dos tempos antigos.

Tudo se transforma. O actual governo de França não se pode adaptar às exigências da Idade Média. Tudo evolui e o mesmo acontece com a religião - como testemunham as doutrinas que hoje perdem a sua influência. Todos os rituais e cerimónias religiosas, quando cumpridos fielmente, tornam-se causa de destruição e luta. Vejam a guerra nos Balcãs. Conseguem imaginar algo mais terrível? Homens levantam-se contra os seus irmãos e ambos os exércitos acreditam que actuam de acordo com leis morais. Se cada lado colocar em prática os verdadeiros princípios da sua própria religião, não poderia haver mais conflito.

Este é o dia em que os dogmas devem ser sacrificados pela nossa busca da verdade. Devemos deixar tudo para trás, excepto o que é necessário para as necessidades de hoje; não nos devemos apegar a qualquer forma ou ritual que esteja oposição à evolução moral. ('Abdu’l-Bahá , Divine Philosophy, pp 67-68)
O termo "evolução moral", descreve sucintamente o conceito Bahá'í de revelação progressiva, que vê a religião como um sistema único, em que todos os Fundadores das grandes Religiões formam uma sequência de professores morais de toda a humanidade. Visto desta forma, com Deus sendo o educador supremo de todos nós, cada uma das sucessivas religiões forma um elo na grande corrente cadeia da existência, um degrau na escada de consciência, uma etapa na escola da espiritualidade. E entendido desta forma, a religião - como qualquer outro organismo vivo - tem um ciclo de vida natural, um ciclo de estações e um propósito sequencial na evolução da humanidade.

Com este conceito em mente, os ensinamentos Bahá'ís apresentam a ascensão e queda da religião como um processo natural e orgânico:
A partir da semente da realidade, a religião tornou-se uma árvore onde cresceram ramos, folhas, flores e frutos. Após algum tempo, esta árvore entrou em decadência. As folhas e as flores murcharam e morreram, a árvore adoeceu e tornou-se infrutífera. Não é razoável que o homem se apegue à velha árvore, alegando que as suas forças vitais estão na sua plenitude, que o seu fruto é inigualável e a sua existência eterna. A semente da realidade deve ser novamente plantada nos corações humanos, para que uma nova árvore possa crescer aí e novos frutos divinos refresquem o mundo. Isto quer dizer que as nações e os povos que agora divergem na religião serão levados à unidade, as imitações serão abandonadas e a própria fraternidade universal será estabelecida. A guerra e conflitos cessarão entre a humanidade; todos se reconciliarão como servos de Deus. Pois todos estão abrigados sob a árvore da Sua providência e misericórdia. Deus é bom para todos, Ele é o doador de bênçãos para todos... ('Abdu'l-Bahá, Baha’i World Faith, p. 225)

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Texto original: When Religion Itself Becomes Evil
Texto anterior: Os Ateus dizem que a Religião provoca Ignorância e Ódio

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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

quinta-feira, 10 de Abril de 2014

Parlamento Europeu irrita dirigentes iranianos

Na semana passada, o Parlamento Europeu aprovou uma resolução em que condena "a contínua e sistemática violação dos direitos fundamentais" no Irão e pediu que diplomatas que focassem as suas atenções nos direitos humanos durante as suas negociações com a República Islâmica. A resolução do Parlamento Europeu destaca as restrições à liberdade de expressão no Irão, incluindo o continuado encerramento da associação de jornalistas iranianos, e condena a "persistente repressão e discriminação com base na religião, crença, etnia, género e orientação sexual".

Também recentemente o secretário-geral das Nações Unidas, tinha feito acusações semelhantes, afirmando que o Sr. Rouhani pouco tinha feito para melhorar a situação dos direitos humanos desde que tinha assumido o cargo de presidente.

Parlamento Europeu
O Irão reagiu com irritação a estas declarações, com o seu Ministério das Relações Exteriores descrevendo-as como "infundadas e inaceitáveis". O ayatollah Sadeq Larijani, chefe do sistema judicial iraniano, disse que a resolução era unilateral, interferia nos assuntos internos do Irão e revelava a arrogância dos europeus para com o seu país. "A resolução não tem valor e não merece atenção; mas mostra a natureza arrogante dos ocidentais", disse o ayatollah Larijani num encontro com juízes e altos funcionários judiciais, de acordo com a agência Fars.

"Infelizmente, os Europeus ainda repetem os seus comentários mesquinhos contra o povo e o governo iraniano e não prestam atenção às respostas documentadas que lhes são dadas; eles fazem declarações unilaterais sem prestar atenção às respostas repetidamente dadas pelas autoridades da República Islâmica", afirmou o ayatollah.

Também o Sr. Mohammad Javad Larijani, chefe do Conselho de Direitos Humanos no Poder Judiciário iraniano (e familiar do ayatollah Sadeq Larijani), rejeitou que no Irão seja feita "qualquer forma de discriminação e violação de direitos, devido a [uma pessoa] ser Bahá’í", e acrescentou que ninguém fica privado de educação ou é levado a tribunal só por ser Bahá’í.

Segundo a Iranian Labor News Agency (ILNA), no passado domingo (06 de Abril), o Sr. Larijani, referiu-se às denúncias de violações dos direitos das minorias no Irão, declarando que "os relatórios sobre direitos humanos iranianos que afirmam que os direitos das minorias são violados são mentiras grosseiras, são racistas e sectários, e são contrários a padrões de direitos humanos".

O mesmo dirigente enfatizou que a Fé Bahá'í não é uma religião reconhecida no Irão e disse: "Os funcionários governamentais nunca oprimiram ninguém por ser Bahá'í, pois eles acreditam que, segundo a Constituição todos os cidadãos iranianos tem alguns direitos, e não podem ser privados dos seus direitos, como é declarado na Constituição."

Esta afirmação surge em resposta às repetidas denúncias da Comunidade Internacional Bahá’í e de defensores de direitos das minorias no Irão de que após a revolução, os Bahá’ís foram impedidos de frequentar as universidades e de exercer funções na administração pública.

Padideh Sabeti, porta-voz da comunidade Bahá'í, rejeitou a declaração de Larijani, e declarou à BBC Persa: "Todos os que estão na prisão e são Baha'is estão presos por causa da sua religião. A Comunidade Bahá’í não é a única que diz isso - os advogados que os defendem também dizem que não há o menor vestígio de evidência que sustente a detenção e prisão dessas pessoas; tudo isto se baseia apenas no fanatismo religioso. O Sr. Larijani devia estudar o assunto para perceber qual é o problema."

Segundo a Comunidade Internacional Bahá'í actualmente estão detidos "dezenas de Bahá’ís" devido às suas crenças. As autoridades iranianas, por seu lado, acusam infundadamente estas pessoas de ter relacionamentos com Israel.

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SOBRE ESTE ASSUNTO:
Chief judge condemns EU 'interference' in human rights as arrogance (The Guardian)
Javad Larijani: People are not deprived of education or put on trial solely because of being Baha’is (IPW)
Sadeq Larijani, Head of the Judicial System of Iran: We don’t have conflicts with Baha’is merely because someone is a Baha’i (IPW)
European parliament angers Iran with human rights resolution (The Guardian)
Judiciary Chief: EP Resolution against Iran Worthless (FARS)
Official Makes Rare Admission of Baha’is’ Equal Rights in Domestic Media (ICHRI)

sábado, 5 de Abril de 2014

Lutar por uma mão cheia de pó

Por Caitlin Shayda Jones.

Enquanto 'Abdu'l-Bahá embarcava no comboio que O levaria de Sacramento a Salt Lake City e Denver, as tropas otomanas na Europa recuavam da fronteira búlgara ao longo de uma frente que ia de Adrianópolis (Edirne) a Lozengrad (Kirklareli). A chuva forte que acompanhou a retirada persistiu durante três dias, e muitos homens desesperados largaram as suas armas ao longo da caminhada em direcção ao Bósforo.


A guerra já durava há algumas semanas. A Sérvia, a Grécia, o Montenegro e a Bulgária tinham formado uma aliança com o objectivo de recuperar todos os territórios europeus do Império Otomano. 'Abdu'l-Bahá passara pelos territórios onde eles lutavam; quando era jovem, tinha acompanhado o Seu pai, em pleno inverno, de Constantinopla até Adrianópolis, em mais um dos Seus exílios. Embora, agora estivesse a meio mundo de distância das batalhas, os sinais de guerra aproximavam-se cada vez mais fortes.

Quando 'Abdu'l-Bahá estava no comboio, vários funcionários ferroviários vieram dizer-Lhe que aquele era o mesmo comboio que O tinha levado à Califórnia. Após um breve diálogo, 'Abdu'l-Bahá perguntou-lhes: "Neste comboio há muitos passageiros gregos. Vocês sabem para onde eles vão? " Os funcionários afirmaram que eles iam juntar-se à guerra contra a Turquia.

"Deus não quer a guerra", disse 'Abdu'l-Bahá aos ferroviários. "Deus é bom para todos", afirmou. "Nós, também, deveríamos ser bondosos para com os outros". E prosseguiu: "Nós não devemos lutar por um punhado de pó . A terra é o nosso túmulo derradeiro. Será digno fazer a guerra e derramar sangue por este túmulo, quando Deus destinou que conquistássemos as cidades dos corações dos homens e nos deu um reino eterno?"

De facto, nessa mesma manhã, no Hotel Sacramento, 'Abdu'l-Bahá apelara aos californianos para que se tornassem "defensores da paz." O jornal The Sacramento Bee noticiava que Ele era "simples e modesto " quando Se sentava a falar para a sua audiência. Mas as Suas palavras eram fortes, e previam uma guerra ainda mais destruidora que se agigantava no horizonte.

"O continente Europeu parece um arsenal", disse 'Abdu'l-Bahá à Sua audiência, "um depósito de explosivos prontos a explodir, e uma faísca vai colocar toda a Europa em chamas, especialmente neste momento em que a questão dos Balcãs está perante o mundo".

A primeira Guerra dos Balcãs duraria até Maio do ano seguinte, e a maioria dos Estados europeus controlados pelo Império Otomano foram repartidos pelos membros da Liga dos Balcãs. As disputas sobre a divisão da Macedónia acabaram por levar a uma segunda guerra, apenas um mês depois, entre os antigos aliados.

"Visitei o vosso Capitólio e os seus jardins", disse 'Abdu'l-Bahá nessa manhã à Sua audiência. "Nenhum outro Capitólio tem um ambiente circundante tão belo. Tal como é imponente e se distingue acima de todos os outros, também o povo da Califórnia se pode tornar o mais perfeito e enaltecido altruísta do mundo."

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Texto original: To Fight For a Handful of Dust


Caitlin Shayda Jones é professora e escritora residente em Toronto (Canadá). Fez investigação e escreveu artigos para o site 239 Days in America.

sábado, 29 de Março de 2014

Sobre a Sexualidade e a minha fé como Bahá'í

Por Akin Odulate.


Hoje em dia todo o mundo parece obcecado com o debate sobre a sexualidade humana.

Tenho testemunhado o debate em Lagos, na Nigéria, onde uma lei anti-gay foi aprovada, enquanto outra lei recente legalizou o casamento com meninas de menores de idade. Vivo na América, mas passo muito do meu tempo em África, e assim conheço dois mundos, e eu vejo a relatividade da cultura e da sociedade de forma muito clara.

Hoje na Nigéria, um acto sexual consentido praticado por dois adultos é criminalizado, enquanto no outro caso, os actos sexuais não consentidos praticados por um adulto sobre uma criança são legalizados. Isto levanta a questão: "Qual é o padrão?" E essa pergunta, por sua vez, suscita outra pergunta: "Deve existir um padrão?"

Penso que o papel desempenhado pelos padrões se encontra na criação das condições necessárias para o "cultivo". O cultivo, por sua vez, permite o surgimento da diversidade funcional e a diversidade funcional é a qualidade identitária que diferencia a vitalidade cultural do caos. Por outras palavras, os padrões permitem que a diversidade se expresse apenas em formas que não perturbem o desenvolvimento colectivo. Isto é, essencialmente, o método como um jardim é criado no meio do mato. De facto, no centro de qualquer ecossistema, encontramos um conjunto de normas orgânicas que, em última instância determinam como se expressa o impulso de desenvolvimento de todo esse ecossistema.

Assim, a pergunta que faço aos legisladores nigerianos é esta: "O que é que vocês estão, exactamente, a tentar cultivar?" Porque se olharmos para os aspectos comuns das duas leis recentemente aprovadas, percebemos que, no fundo, ambas definem o sexo como um acto violento - um acto usado principalmente para violar outros.

Esta mesma pergunta também se coloca hoje a nós, Bahá’ís, no debate aceso sobre a sexualidade. Os Bahá’ís tentam seguir os ensinamentos de Bahá'u'lláh, especialmente quando Ele fala sobre a Sua missão de trazer à existência uma "nova raça de homens". Ele dá cinco exemplos de como essa raça de homens seria, e o primeiro exemplo centra-se na relação entre a sexualidade humana, ganância material e violência. Ele descreve que essa nova raça de homens não se vai se comportar em relação às mulheres e ao dinheiro da forma como tem feito até agora, não porque sejam diferentes, mas porque eles dominarão o ego.

Neste respeito, o autocontrole começa por exigir sinceridade em vez de obediência. Na verdade, um outro excerto da mesma epístola, Bahá'u'lláh apresenta uma alegoria sobre a diferença fundamental entre sinceridade e obediência, afirmando, essencialmente, que o seu trabalho é com aqueles que estão sinceramente interessados na Sua missão. O padrão que Bahá'u'lláh estabelece para a sexualidade humana assenta no controle e na expressão do impulso sexual, focando essa expressão no âmbito do casamento. Mas muitos dos debates que actualmente grassas nas nossas sociedades, reduzem o valor de um ser humano, ou mesmo toda a sua identidade, a uma mera avaliação de um dos pequenos aspectos comportamentais da sua vida diária.

Para mim, a questão é menos aquilo que um indivíduo acredita, e mais a forma como ele/ela age de acordo com essas crenças. Qualquer Bahá’í que se debate com um dos ensinamentos de Bahá'u'lláh, já se deparou com o impulso único e dominante nos processos de transformação: a necessidade de trabalhar e crescer espiritualmente através de dificuldades. Na verdade, a dificuldade em colocar o estilo de vida em conformidade com os ensinamentos Bahá'ís pode ser usada como uma definição de trabalho da vida diária de todos os Bahá'ís - desde aqueles que vivem no Irão (para quem a vontade de não negar a sua fé os coloca num perigo imediato e persistente) aos Bahá’ís individuais noutras partes do mundo (que têm dificuldade em cumprir as vigorosas leis contra maledicência e calúnias).

Assim como Bahá'í, estou pouco interessado no que os outros pensam das minhas crenças; estou interessado exclusivamente na forma como manifesto as minhas convicções na minha vida, de modo a expressar plenamente quem eu sou e o papel que desempenho no cultivar de uma "nova raça de homens". Mas, para mim, reduzir esse papel apenas a um reflexo de um aspecto da minha realidade - a minha sexualidade e a sua expressão - é, de facto, cultivar activamente a sociedade actual e seus valores deslocados. Isso vai contra a essência da mensagem de Bahá'u'lláh, uma mensagem em que acredito, mas que não tenho desejo de 'forçar' mais ninguém a acreditar.
Devemos ver em cada ser humano apenas aquilo que é digno de louvor. Quando isto for feito, podemos ser um amigo de toda a raça humana. No entanto, se olhamos as pessoas do ponto de vista das suas falhas, então ser um amigo para eles é uma tarefa gigantesca...

Assim é nossa incumbência, quando dirigimos o nosso olhar para as outras pessoas, para ver onde eles se excedem, e não onde eles falham. ('Abdu'l-Bahá, Selecção dos Escritos de 'Abdu'l-Bahá, nº 144)
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Texto original em inglês: On Human Sexuality and My Faith as a Baha’i (Baha’iTeaching.org)

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Akin Odulate, é um Baha'i nascido na Nigéria e residente nos Estados Unidos; é administrador da empresa de consultoria Dawning Systems, Inc. É pai de três filhos, tem mestrado em Gestão da Comunicação da Annenberg School, em Los Angeles e um bacharelato em Cinema e Televisão na George Lucas Film School at USC.

quarta-feira, 26 de Março de 2014

segunda-feira, 24 de Março de 2014

Há 136 Bahá’ís presos no Irão...

...mas o Sr. Larijani acha que não!

Diane Alai, a representante da comunidade Bahá’í, reagiu às declarações feitas por Mohammad Javad Larijani, chefe do Conselho de Direitos Humanos no Poder Judiciário iraniano, no passado dia 17 Março, que afirmou que no Irão não existem Bahá'ís que estejam presos devido à sua religião.

O Sr. Larijani
"Actualmente há 136 Bahá’ís nas prisões da República Islâmica que foram presos apenas porque são Bahá’ís. Eles não cometeram nenhum outro crime", afirmou a srª Alai à organização International Campaign for Human Rights in Iran. Acrescentou que alguns Bahá’ís presos foram acusados de participar em "organizações ilegais" ou "espionagem para países estrangeiros", mas não foi apresentada qualquer evidência que provasse tais acusações.

"O sr. Larijani deve estar mal informado sobre a actual situação da comunidade Bahá’í no Irão", declarou a Srª Alai, "Caso contrário saberia que os jovens Bahá’ís não podem frequentar a universidade, que os cemitérios Bahá’ís são demolidos por tractores e que as lojas pertencentes a Bahá’ís são encerradas estão quando seus donos fecham os estabelecimentos durante os feriados Bahá’ís."

A srª Alai acrescentou que representantes de dezenas de países se reuniram com relator especial da ONU, Ahmed Shaheed para expressar as suas preocupações sobre violações de direitos humanos contra os Bahá’ís no Irão.

A representante da Comunidade Bahá'í, que apresentou um relatório à 25 ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, neste mês, afirmou que o governo iraniano não está preparado para assumir as suas responsabilidades em questões de direitos humanos e, portanto, é incapaz de cooperar para resolvê-los.

A srª Alai elogiou um grupo de activistas civis no Irão, que escreveu recentemente uma carta aberta ao presidente Rouhani pedindo direitos Bahá’ís que devem ser respeitados. "Este foi um passo muito positivo e importante", afirmou. "Todos os dias vemos mais iranianos comuns que defendem os Bahá'ís."

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FONTE: Despite Officials’ Claims, 136 Baha’is Held in Prison, Says Representative

sábado, 22 de Março de 2014

A Revelação Progressiva e as Religiões "Estranhas"

Por Tom Tai-Seale.


Fanatismo e adesão dogmática às velhas crenças tornaram-se a fonte central de animosidade entre os homens, o obstáculo ao progresso humano, a causa da guerra e conflito, o destruidor da paz, da serenidade e bem-estar no mundo. ('Abdu'l-Bahá, Promulgation of Universal Peace, p. 439).
Para cada um de nós nesta extraordinária nova era na história da humanidade, o nosso dever mais sagrado significa examinar as nossas convicções religiosas. Como 'Abdu'l-Bahá sugere acima, o conflito religioso não é apenas o mais profundo inimigo da humanidade; a construção de uma estrutura de sociedade que nos inclua a todos também exige nos libertemos desse conflito.

Somente uma sociedade construída sobre verdades espirituais profundas tem alguma possibilidade de resistir ao teste do tempo. Podemos construir essa sociedade se cada um de nós - independentemente das nossas origens religiosas, independentemente da grandeza das nossas convicções - fizer uma pausa para investigar os fundamentos da sua fé religiosa, à luz das novas informações sobre religião, que nos permitem a vivência numa sociedade global. Devemos ousar perguntar a nós próprios, que parte da nossa religião é essencial e que parte pode ser descartada? Em termos bíblicos, devemos determinar a diferença entre o trigo e o joio.

Claro que os Bahá’ís não acreditam que se possa fazer isso sem ajuda. Vamos precisar de uma validação divina. No entanto, podemos e devemos reconhecer a natureza do nosso dilema religioso: no meio de infindáveis e diferentes declarações intra-religiosas e inter-religiosas, o essencial deve ser verdade, e a verdade é só uma.

O primeiro passo na busca dessa verdade passa pelo questionar das nossas fontes de informação.

Pense, num minuto, nos seus conhecimentos sobre religião, sobre os seus sentimentos gerais em relação às várias religiões mundiais. Você considera algumas religiões como familiares e outras como estranhas? Muita gente pensa assim; então, comecemos por aí.


Aprendemos que as religiões são "estranhas" através de má informação. Geralmente isso começa quando aceitamos uma verdade parcial ou um exagero como uma verdade plena. Considere-se algumas desses falsos conhecimentos: os Hindus são politeístas; os Budistas não têm Deus; os Zoroastrianos têm dois deuses; os Judeus afastaram-se de Deus; os Cristãos acreditam que apenas eles serão salvos; os Muçulmanos espalham a sua religião pela espada... Na verdade, tudo o que muitas pessoas sabem sobre as outras religiões são falsos aforismos como estes. Usando esses entendimentos desajustados, muitos adeptos religiosos, fazem esforços consideráveis a menosprezar pessoas de outras religiões. Os ensinamentos Bahá’ís refutam completamente essa ideia. Bahá'u'lláh escreve:
Que às diversas comunhões da terra, e aos múltiplos sistemas de crença religiosa, nunca seja permitido promover o sentimento de animosidade entre os homens, é, neste Dia, a essência da fé de Deus e da Sua religião. (Epístola ao Filho do Lobo, parag. 17).
De facto, os Bahá’ís tentam combater e eliminar os desentendimentos e preconceitos religiosos a que as pessoas se agarram. Bahá'u'lláh aconselha:
Preparai-vos os vossos esforços, ó povo de Bahá, para que, porventura, o turbilhão da contenda e conflito religioso que agita os povos da terra possa ser imobilizado, para que todos os seus vestígios possam ser completamente eliminados. Por amor a Deus, e aos que O servem, levantai-vos ajudar esta sublime e monumental Revelação. O fanatismo e o ódio religioso são um fogo que devora o mundo, e cuja violência ninguém pode extinguir. A Mão do poder divino pode, só por si, livrar a humanidade desta aflição desoladora. (Epístola ao Filho do Lobo, parag. 18)
Bahá'u'lláh aconselha os Bahá’ís: "Associai-vos com os seguidores de todas as religiões, num espírito de amizade e fraternidade". E Bahá’ís acreditam firmemente que:
... a verdade religiosa não é absoluta, mas relativa, que a Revelação Divina é um processo contínuo e progressivo, que todas as grandes religiões do mundo têm origem divina, que os seus princípios elementares estão em completa harmonia, que os seus objectivos e propósitos são o mesmo, que os seus ensinamentos são apenas facetas de uma verdade, que as suas funções são complementares, que diferem apenas em aspectos não-essenciais das suas doutrinas, e que as suas missões representam sucessivas etapas na evolução espiritual da sociedade humana. (Shoghi Effendi, The Promised Day is Come, p. v.)

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Texto Original: Progressive Revelation and “Foreign” Faiths


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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A & M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press

terça-feira, 18 de Março de 2014

Cosmos e a Fé Bahá’í

Por Mitko Gerensky, no blog Befriend Stranger.

Durante minha juventude na Bulgária comunista, vi na televisão estatal um programa fascinante pelo notável cientista americano Carl Sagan, "Cosmos", que reafirmou o meu fascínio pela ciência e pela incansável busca da verdade. A noção de Deus quase não existia na minha vida diária pois a ideologia estatal do materialismo histórico tinha naquela época obliterado na maioria das pessoas da minha geração qualquer referência a um Criador inteligente. No entanto, sempre houve uma busca por algo mais do que os olhos podiam ver. Apaixonei-me pela ficção científica como uma ferramenta criativa que dava as asas à minha imaginação e antevia um mundo em que todos coexistíamos pacificamente e explorávamos o universo. Ao terminar a universidade, conheci um grupo de Bahá’ís que me disse que de acordo com Bahá'u'lláh, a ciência e a religião devem estar em harmonia. A minha descrença transformou-se num abraço à evolução da religião através da sua revelação progressiva. Tornei-me Bahá’í.

Cosmos: Uma Odisseia no Espaço-Tempo
Ontem, vi o primeiro episódio do inspirador - e actualizado - da série Cosmos: Uma Odisseia no Espaço-Tempo, desta vez conduzido pela vedeta da ciência, Neil deGrasse Tyson, que é o verdadeiro sucessor de Carl Sagan.


Fiquei tão fascinado e inspirado com o primeiro episódio que hoje voltei a vê-lo com as minhas filhas que gostaram muito. A mais jovem, Juliet, comentou o quão pequena se sentia ao testemunhar a imagem notável da vastidão do universo. E quem é que não se sente pequeno ao perceber que a Criação é ilimitada, o que para mim, apesar de (ou devido a) ter crescido como ateu, é uma grande prova da existência de um Criador infinito.

Anoitecer e Amanhecer

Apesar de ter sido ateu na minha juventude, nunca deixei de me maravilhar com o poderoso papel que a religião desempenhou como inspiradora de conhecimento - juntamente com a sua revelação – e as tentativas que fez para o silenciar durante o seu declínio. "Nightfall", um romance brilhante escrito pelos meus dois escritores preferidos de ficção científica, Isaac Asimov e Robert Silverberg, ilustrava, aquilo que me tinha sido apresentado na Fé Bahá'í: que, de facto, a verdadeira ciência e a verdadeira religião não têm de ser mutuamente exclusivas. Apesar de ter a certeza que "Cosmos" e a sua atitude em relação à religião e a Deus pode ser interpretado de inúmeras maneiras, para mim, pessoalmente, reafirma a crença de que por detrás da incrível Criação existe um Criador inteligente, e a religião - tal como a ciência - continuará a actualizar-se através daquilo a que a Fé Bahá'í chama revelação progressiva, a fim de nos iluminar e nos guiar para a plena realização do glorioso destino da humanidade.

Hoje à noite, após o encontro de oraçoes, decidi procurar referências nas Sagradas Escrituras a alguns dos tremendos diversificados e interligados tópicos da série "Cosmos". Não surpreendentemente, encontrei uma infinidade de citações inspiradoras que as imagens de "Cosmos" parecem ilustrar de forma tão bela. Aqui, por razões de brevidade, deixo apenas algumas:
"Magnificado seja o Teu nome, ó Senhor meu Deus! És Aquele a quem todas as coisas adoram e que venera a ninguém, Aquele que é o Senhor de todas as coisas e vassalo de nenhuma, Aquele que conhece todas as coisas e é conhecido de nenhuma. Desejaste-Te tornar-Te conhecido aos homens e, assim, através de uma palavra da Tua boca, trouxeste a criação à existência e formaste o universo. Não há outro Deus senão Tu, o Formador, o Criador, o Omnipotente, o Mais Poderoso." (Prayers and Meditations by Bahá’u’lláh, pag. 6)

"Uma gota do oceano encapelado da Sua infinita mercê adornou toda a criação com o ornamento da existência, e um sopro, emanado do Seu incomparável Paraíso envolveu todos os seres com o manto da Sua santidade e glória. Um salpico das insondáveis profundezas da Sua vontade soberana e predominante chamou das profundezas do nada absoluto à existência uma criação de infinita extensão e imortal duração. As maravilhas da Sua generosidade não podem cessar, e o fluxo da Sua graça misericordiosa jamais será detido. O processo da Sua criação não teve início, e não poderá ter fim.

Em cada era e ciclo, Ele, através da luz esplendorosa emanada dos Manifestantes da Sua maravilhosa Essência, tem recriado todas as coisas, de modo que nada nos céus e na terra que reflicta os sinais da Sua glória seja privado das emanações da Sua misericórdia, nem desespere das chuvas dos Seus favores. Como são abrangentes as maravilhas da Sua infinita graça! Vede como têm impregnado a criação inteira. Tamanha é a sua virtude que não se encontra em todo o universo um só átomo que não declare as evidências do Seu poder, que não glorifique o Seu santo Nome ou expresse a luz fulgente da Sua unidade. Tão perfeita e vasta é a Sua criação, que nunca alguma mente ou coração poderá, por mais apurada ou pura que seja, abranger a natureza da mais insignificante das Suas criaturas e, muito menos, sondar o mistério d'Aquele que é o Sol da Verdade, Aquele que é a Essência invisível e incognoscível. (…)

Como me sinto confuso, insignificante que sou, ao tentar sondar as sagradas profundezas do Teu conhecimento! Quão fúteis os meus esforços ao imaginar a magnitude do poder inerente à Tua obra - a revelação do Teu poder criador! Como podem os meus olhos, que não têm a faculdade de se perceberem a si próprios, alegar terem discernido a Tua Essência, e como pode o meu coração, já incapaz de entender o que significam as suas próprias potencialidades, ter a pretensão de haver abarcado a Tua natureza? Como posso eu dizer que Te tenha conhecido, quando a criação inteira se encontra perplexa diante do Teu mistério, e como posso confessar eu não Te ter conhecido, quando, eis, todo o universo proclama a Tua Presença e dá testemunho da Tua verdade? (Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh , sec. XXVI)
Vocês já viram a série "Cosmos"? Que ideias vos inspirou? Que perguntas levantou? Que respostas vos deu?

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Texto Original: Cosmos and the Baha’i Faith (Befriend Stranger)