Domingo, 18 de Maio de 2008

Sob olhar dos media internacionais

Um pouco por todo o mundo, a comunicação social tem vindo a dar relevo aos mais recentes acontecimentos no Irão.





Quinta-feira, 15 de Maio de 2008

Liderança Bahá'í detida no Irão

O grupo dos sete Bahá'ís agora detidos. Sentados (esquerda para a direita): Behrouz Tavakkoli and Saeid Rezaie; em pé (esquerda para a direita): Fariba Kamalabadi, Vahid Tizfahm, Jamaloddin Khanjani, Afif Naeimi, e Mahvash Sabet.

Como referi no post anterior, foram detidos na manhã de ontem, sete bahá'ís iranianos (ver foto acima) que constituíam a liderança informal da comunidade Bahá'í no Irão. Neste momento continuam detidos e ainda não foi formulada qualquer acusação.

Entretanto, a organização International Campaign for Human Rights in Iran (ICHRI) acaba de expressar publicamente a sua preocupação pela situação dos detidos. Segundo esta organização, estes baha’is eram regularmente intimados, detidos e interrogados individualmente; mas esta é a primeira vez que são detidos em grupo. Pela primeira vez, desde 1981, estamos numa situação em que toda a liderança bahá’í no Irão se encontra detida.

“Estamos profundamente preocupados com o facto da detenção sem acusação da liderança Bahá’í ser consistente com um padrão de perseguição violenta e ilegal dos baha’is no Irão”, afirmou a ICHRI. “A perseguição das minorias religiosas não trará estabilidade interna nem segurança internacional ao Irão”.

Segundo a ICHRI, a situação da Sra Mahvash Sabet é particularmente preocupante. Esta senhora tem estado incomunicável desde que foi detida, no passado dia 5 de Março. Os familiares apenas a podem ver por breves momentos quando os funcionários do Ministério da Segurança a levam para um local onde a família a pode reconhecer. Nenhum outro contacto é possível a não ser estes breves contactos visuais.

"Há motivos para temer pela saúde e segurança de Mahvash Sabet, cuja detenção e isolamento é equiparável a uma forma de tortura", afirma a ICHRI.

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Sobre este assunto:
Entire Baha’i Leadership in Iran Detained Without Charge (ICHRI)
Six Bahá'í Leaders arrested in Iran; pattern matches deadly sweeps of early 1980s (BWNS)
IRAN: Bahais rounded up (Los Angeles Times / Babylon & Beyond)

Novas detenções no Irão: A lembrar os anos sombrios…

Seis dos sete membros do conselho informal que coordena as actividades da Comunidade Bahá’í no Irão (na ausência de uma Administração Bahá’í formal) foram detidos às primeiras horas do dia 14 de Maio. Segundo a informação divulgada pela Casa Universal de Justiça, funcionários do Ministério da Segurança em Teerão, entraram nas residências dos bahá’ís, procederam a buscas intensas, e posteriormente levaram os crentes para a tristemente famosa prisão de Evin, em Teerão.

Os detidos são:

  • Sra. Fariba Kamalabadi;
  • Sr. Jamaloddin Khanjani;
  • Sr. Afif Naeimi;
  • Sr. Saeid Rezaie;
  • Sr. Behrouz Tavakkoli;
  • Sr. Vahid Tizfah.
    O sétimo membro deste organismo informal, a Sra. Mahvash Sabet, tem estado preso desde 5 de Março de 2008.

    A prisão de Evin, em Teerão

    Este acto por parte das autoridades iranianas trás à memória os eventos ocorridos nos anos sombrios de 1980 e 1981. Nessa época, os nove membros da Assembleia Espiritual Nacional (AEN) dos Baha’is do Irão foram raptados e desapareceram sem deixar rasto; após esses raptos foi eleita uma nova AEN, da qual oito membros foram executados em 27 de Dezembro de 1981.

    Desde essa época que os bahá’ís não elegem as suas Assembleias; as suas actividades são coordenadas por pequenos grupos informais. Esta é mais uma prova – se fosse necessário – de que o Governo Iraniano está empenhado em eliminar a Fé Bahá’í do país onde nasceu.

    Mais detalhes sobre as perseguições aos baha’i no Irão aqui.

    Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

    Pensar global



    É um imperativo de consciência ajudar o nosso próximo. Mas ajudar alguém num país distante, que nunca conhecemos, nunca viremos a conhecer, e que provavelmente nunca retribuirá a nossa ajuda, é um acto de cidadania mundial. Depois das acções de socorro às vítimas das tragédias em Myanmar e na China, seria bom que a Comunidade Internacional considerasse a necessidade de criar uma força internacional de socorro e apoio a povos vítimas de calamidades naturais. Numa aldeia, todos se conhecem e todos se entrajudam; na Aldeia Global deve acontecer a mesma coisa.

    Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

    Questões sobre Laicidade (3)

    A intervenção de José Vera Jardim na conferência do Centro de Reflexão Cristã, dedicada ao tema "Laicidade, Laicismo e Modernidade".







    Domingo, 11 de Maio de 2008

    Questões sobre Laicidade (2)

    A intervenção de Maria Lúcia Amaral na conferência do Centro de Reflexão Cristã, dedicada ao tema "Laicidade, Laicismo e Modernidade".



    Sábado, 10 de Maio de 2008

    Questões sobre Laicidade (1)

    A intervenção de Frei Bento Domingues na conferência do Centro de Reflexão Cristã, dedicada ao tema "Laicidade, Laicismo e Modernidade".



    Sexta-feira, 9 de Maio de 2008

    Invulgarmente bela...

    ...esta imagem do Santuário do Báb, em Haifa.



    A foto foi tirada no dia do 60º aniversário da independência de Israel.

    The Post-American World

    Recomendo a leitura do artigo de Fareed Zakaria na revista Newsweek. O texto está disponível online e é acompanhado de um video promocional do novo livro de Zakaria. Aqui ficam alguns excertos.
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    (...)
    The post-American world is naturally an unsettling prospect for Americans, but it should not be. This will not be a world defined by the decline of America but rather the rise of everyone else. It is the result of a series of positive trends that have been progressing over the last 20 years, trends that have created an international climate of unprecedented peace and prosperity.
    (...)
    In the past, when countries grew rich they've wanted to become great military powers, overturn the existing order, and create their own empires or spheres of influence. But since the rise of Japan and Germany in the 1960s and 1970s, none have done this, choosing instead to get rich within the existing international order. China and India are clearly moving in this direction. Even Russia, the most aggressive and revanchist great power today, has done little that compares with past aggressors.
    (...)
    Compare Russia and China with where they were 35 years ago. At the time both (particularly Russia) were great power threats, actively conspiring against the United States, arming guerrilla movement across the globe, funding insurgencies and civil wars, blocking every American plan in the United Nations. Now they are more integrated into the global economy and society than at any point in at least 100 years. They occupy an uncomfortable gray zone, neither friends nor foes, cooperating with the United States and the West on some issues, obstructing others. But how large is their potential for trouble? Russia's military spending is $35 billion, or 1/20th of the Pentagon's. China has about 20 nuclear missiles that can reach the United States. We have 830 missiles, most with multiple warheads, that can reach China. Who should be worried about whom?
    (...)
    The underlying reality across the globe is of enormous vitality. For the first time ever, most countries around the world are practicing sensible economics. Consider inflation. Over the past 20 years hyperinflation, a problem that used to bedevil large swaths of the world from Turkey to Brazil to Indonesia, has largely vanished, tamed by successful fiscal and monetary policies. The results are clear and stunning. The share of people living on $1 a day has plummeted from 40 percent in 1981 to 18 percent in 2004 and is estimated to drop to 12 percent by 2015. Poverty is falling in countries that house 80 percent of the world's population. There remains real poverty in the world—most worryingly in 50 basket-case countries that contain 1 billion people—but the overall trend has never been more encouraging.
    (...)

    Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

    Richard Dawkins e A Desilusão de Deus (1)


    INTRODUÇÃO


    Richard Dawkins: Britânico, biólogo, ateu, céptico, crítico do criacionismo... Tornou-se mundialmente famoso com o livro A Desilusão de Deus (publicado no Brasil com o título “Deus, um delírio”). Já vendeu mais de 1,5 milhões de exemplares em todo o mundo; foi publicado em Portugal em Outubro de 2007 (Editora: Casa das Letras) e já vai na 4ª edição. Com este livro, tornou-se um autor odiado por uns e admirado por outros. Penso que não estarei muito longe da verdade se disser que é difícil encontrar alguém que se interesse por religião e seja indiferente a Richard Dawkins (mesmo que não conheça com rigor as suas opiniões).

    O livro aborda diversos temas: afirma a grande probabilidade da não existência de um Deus sobrenatural, declara a crença em Deus como sendo uma ideia falsa que tem persistido, mostra como a moralidade não tem origem na Bíblia, aponta os diversos problemas provocados pelo fanatismo religioso em todo o mundo, e confrontam diversos ensinamentos e crenças religiosas com a razão e a ciência.

    Ao longo do texto, o professor Dawkins - que reconhece a sua fama de ter uma atitude beligerante em relação à religião [p.336] - mostra-se um autor claramente mais amadurecido do que Sam Harris; raramente cai num anti-religiosidade primária; o seu estilo de humor não é sarcástico; é um entusiasta da ciência (embora não advogue um pensamento estreitamente cienticista. [p.195]) e não procura “espiritualidades alternativas”.

    Com um estilo de escrita claro e apaixonado - não lhe chamem fundamentalista! -, A Desilusão de Deus é um desafio a quem quer que professe uma qualquer religião. Como qualquer bom livro, o autor leva o leitor a pensar e a reflectir. Conseguimos definir Deus? Que tipo de entendimento fazemos das Sagradas Escrituras? Afinal como pode a fé tornar-se compatível com a razão e a ciência? Porque é que a fé religiosa deve ser inquestionável? Porque é que a fé religiosa se sente abalada quando confrontada com a ciência? Porque não procurar nesse confronto um impulso para uma renovação da própria religião?

    Para mim “A Desilusão de Deus” é dos melhores livros sobre religião que li nos últimos meses. Discordo de algumas opiniões do Professor Dawkins; mas partilho de muitas das suas análises e preocupações. Ao longo das próximas semanas vou publicar aqui uma série de comentários ao livro “A Desilusão de Deus”. Espero um bom debate.

    Terça-feira, 6 de Maio de 2008

    Alguém me explica...?



    Porque é que a Antena 1 e a RDP Internacional, sendo rádios públicas, propriedade de um Estado que se pretende laico (i.e., equidistante e imparcial em relação às confissões religiosas) apenas concedem tempo de emissão à Igreja Católica (a eucaristia, todos os domingos às 8h00)? Qual o motivo para discriminar as outras confissões?

    Segunda-feira, 5 de Maio de 2008

    Questões sobre Laicidade

    CENTRO DE REFLEXÃO CRISTÃ

    Conferências de Maio 2008

    QUESTÕES SOBRE LAICIDADE

    1 - Laicidade, Laicismo e Modernidade
    Dia 7 de Maio, 4ª feira, 18h30m
    Fr. Bento Domingues
    José Vera Jardim
    Maria Lúcia Amaral

    2 - Laicidade, Laicismo e Democracia
    Dia 14 de Maio, 4ª feira, 18h30m
    Esther Mucznik
    José Carlos Calazans
    Pe. José Tolentino de Mendonça

    3 - A Construção da Laicidade
    Dia 21 de Maio, 4ª feira, 18h30m
    José Eduardo Franco
    Leonor Xavier
    Luís Salgado Matos

    4 - Portugal Democracia Laica e Plural
    Dia 28 de Maio, 4ª feira, 18h30m
    José Lamego
    Pe. Peter Stilwell

    Local: Centro de Estudos da Ordem do Carmo
    Rua de Santa Isabel, 128-130. Lisboa (Metro: Rato)

    Domingo, 4 de Maio de 2008

    Comida ou Combustível?


    Excerto da coluna de opinião de Miguel Sousa Tavares, publicado ontem no Expresso:

    À falta de outros interessados no assunto e face à suprema nulidade política dos governantes do mundo desenvolvido, é a ONU apenas que parece preocupada com a escalada avassaladora do preço dos alimentos, a acrescentar à da energia. Entregues a si próprios, os mercados e os governos reagem de acordo com a lei do salve-se quem puder, dando um lindo exemplo prático das delícias da globalização; os países exportadores de alimentos fecham as portas de saída para evitar problemas políticos internos; os países exportadores de petróleo recusam-se a intervir no mercado para fazer estancar a subida do crude, empolada artificialmente; e os não têm petróleo, como a Itália e a Inglaterra, regressam em força ao carvão e que se lixe o aquecimento global, com o incremento da mais poluidora fonte de energia. Assim, entramos numa espiral de loucos: a alta do preço do petróleo faz subir o preço dos alimentos e o preço destes o do petróleo; os especuladores da finança e do imobiliário, cuja ganância mergulhou a economia mundial em crise, fogem agora das bolsas para as matérias-primas, como o petróleo, os alimentos e a água, fazendo aumentar ainda mais o seu preço; os países que têm dinheiro mas precisam de energia dedicam-se a comprar terras aos pobres de África e da Ásia para neles produzirem biocombustíveis, a partir dos cereais; menos terras agrícolas, menos comida ainda: aqueles que não têm alimentos, nem energia nem terras disponíveis, só podem esperar morrer à fome – segundo a ONU são trezentos milhões em todo o mundo. (...)

    A negociata no porto de Lisboa


    Excerto da coluna de opinião de Miguel Sousa Tavares, publicado ontem no Expresso:

    A obra é um velho sonho do Porto de Lisboa: tapar o rio com contentores ou o que seja para que os lisboetas desfrutem dele o menos possível. E é também um velho sonho da empresa que detém, por concessão, o monopólio do negócio dos contentores no porto de Lisboa: a Liscont, pertence à Mota-Engil (sim, a de Jorge Coelho). Para servir os interesses da empresa, o Estado vai gastar dinheiro a dragar o rio e a enterrar o comboio e redesenhar os acessos rodoviários à zona, porque não é brincadeira fazer escoar diariamente milhares de contentores diariamente do centro da cidade. (...)

    Parece-vos absurdo pôr os turistas a desembarcar numa ponta desabitada da cidade e os contentores a desembarcarem nas docas, junto aos Jerónimos e à Torre de Belém? Não, não é absurdo. Faz parte de um plano maquiavélico do Porto de Lisboa (mais um), arquitectado passo a passo. Com o abandono da Doca de Alcântara e a sua transferência para Santa Apolónia, onde nenhuma infra-estrutura existe para os acolher, o Porto de Lisboa tem assim uma excelente oportunidade para lançar mãos àquilo que mais gosta: a construção e especulação à beira-rio. A APL propõe-se construir um contínuo de edifícios em Santa Apolónia ocupando uma frente de rio de 600 metros para o novo terminal de passageiros (até se prevê a construção de um hotel, partindo do raciocínio lógico que os turistas, uma vez acostados no cais, abandonarão os seus camarotes já pagos a bordo para se irem instalar no hotel frente ao navio...) De modo que, de um só golpe e com a habitual justificação do interesse público para enganar tolos, os engenheiros que nos governam acabam de roubar mais um pedaço de rio a Lisboa: 600 metros em Santa Apolónia e outros tantos em Alcântara. Chama-se a isto uma expropriação pública em benefício de particulares.

    E como de costume, quando se trata de dispor da cidade e do rio, com pontes ou terminais de contentores, é Sócrates e a sua equipa do Ministério das Obras Inúteis quem faz a festa e lança os foguetes. Se é que Lisboa tem um presidente de Câmara, mais uma vez ninguém o viu nem ouviu.

    Sábado, 3 de Maio de 2008

    Um debate Bahá'í - Cristão

    Dois Bahá'ís num debate com um Cristão agarrado a interpretações literais. Uma conversa que não leva a nada... Felizmente o moderador é um pouco mais sóbrio que a Júlia Pinheiro!