sábado, 17 de junho de 2017

5 Soluções Espirituais contra o Stress

Por Kathy Roman.


Todos nós já ouvimos dizer que o stress afecta a nossa saúde. Mas será que estamos realmente conscientes das opções que temos para o reduzir?

O stress afecta dramaticamente o sistema nervoso central; o cérebro; os sistemas respiratório, cardiovascular, muscular, digestivo e imunológico; por outras palavras, afecta todo o corpo humano. O stress pode provocar qualquer coisa entre a ansiedade e a depressão, dores de cabeça, pressão arterial elevada, azia, dores nas costas, infertilidade e um sistema imunológico deficiente, bem como uma série de outros problemas graves de saúde.

O stress pode debilitar uma pessoa perfeitamente saudável. E para quem já tem problemas de saúde, o stress pode ser demolidor. Como o stress está em toda parte, temos de saber lidar com isso. Felizmente, existem soluções reais para o nosso stress. Aqui ficam cinco maneiras específicas para o reduzir:

1. Reconhecer a ansiedade pendente

Por vezes, nem percebemos que estamos stressados. Pode haver questões não resolvidas que pairam livremente nas nossas mentes e que nós não reconhecemos ou não entendemos. Tente localizar nas profundezas da sua mente esse sentimento corrosivo que o faz sentir desconfortável, deprimido ou infeliz. Reconhecer e enfrentar essas questões significa iniciar o processo da sua resolução. Depois de reconhecer o problema, siga para o passo seguinte.

2. Trate de si próprio(a)

A actividade física regular pode reduzir significativamente o stress. Ioga e respiração profunda, bem como massagens são bons para o seu corpo e para o relaxamento. Uma dieta saudável com menos carne vermelha, lacticínios, açúcar, hidrocarbonetos processados e mais frutas e vegetais frescos pode ser extremamente útil. Lembre-se de se manter hidratado. Mantenha um período de sono regular de 7 a 9 horas como se fosse o seu ritual nocturno e dê-lhe elevada prioridade.

3. Poupe tempo para os outros, para rir e para socializar

Todos nós precisamos de tempo para brincar, relaxar ou simplesmente ficar sozinhos em paz. Guarde algum tempo de inactividade para si próprio todos os dias, elimine qualquer pensamento negativo sobre si próprio(a), e faça todos os dias algo com outras pessoas que o(a) deixe feliz.

Socializar também pode ser um forte inibidor do stress, desde que aconteça com aqueles que nos elevam. Socializar permite-nos dar e receber apoio emocional, físico e espiritual. Amigos e familiares podem ajudar-nos a navegar em águas agitadas e a encontrar soluções que não sabíamos que existiam. Socializar também reduz o risco de perturbações cognitivas relacionadas com idade, como a doença de Alzheimer (só para que possamos ver o quanto isso afecta o cérebro!) Certifique-se de ter a companhia de pessoas com uma mentalidade semelhante; pessoas espirituais, amorosas e não-sentenciadoras elevarão o seu espírito:
A companhia do ímpio aumenta a tristeza, enquanto a associação com o justo limpa a ferrugem do coração. Quem procura comungar com Deus, que se deixe levar à companhia dos seus amados; E aquele que deseja ouvir a palavra de Deus, que dê ouvidos às palavras dos Seus eleitos. (Bahá'u'lláh, As Palavras Ocultas, do persa, #56)
Os cientistas provaram que o riso e um bom sentido de humor são poderosos eliminadores de stress. Ajudam-nos a desprendermo-nos das opressões da vida e a ver as coisas numa perspectiva mais equilibrada. O riso tem mostrado ter um efeito positivo na saúde e no humor; por isso permita-se um pouco de felicidade, alguma alegria e algumas gargalhadas diárias:
A felicidade é a rainha dos nossos corações. Que não nos separemos dela. Se a vela da felicidade for acesa na câmara do nosso coração, todo o pressentimento sinistro de sugestões malignas será dissipado. O meu lar é o lar da paz. O meu lar é o lar da alegria e deleite. O meu lar é o lar do riso e exultação. Quem entra pelos portais desta casa, deve sair com o coração feliz. ('Abdu'l-Bahá, Star of the West, Volume 5, p. 40,4) 

4. Use a Oração e a Meditação

Nas escrituras sagradas de todas as religiões, a oração e a meditação têm uma posição sagrada. Ao voltarmo-nos para o nosso Criador e declarando os nossos desejos, abrimos o caminho para resolver cada questão e confortar os nossos corações:
Não estejais inquietos por coisa alguma, antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas, diante de Deus, pela oração e súplicas, com acção de graças. (Filipenses 4:6) 
A oração limpa a névoa e traz de volta a paz à Alma. (Rumi)

5. Confiança em Deus

Depois de ter orado e meditado sobre o assunto em questão, confie em Deus acima de tudo, não importa o quão difícil seja o assunto, pois no final tudo vai dar certo.

Certa noite, fiquei acordada durante muitas horas a remoer sobre coisas sérias e perturbadoras. Tinha estado ansiosa durante o dia, mas agora a minha ansiedade estava a roubar-me o sono. Como tentava insistentemente resolver o problema, percebi finalmente que não estava a chegar a qualquer lugar; assim, parei para orar. Orei durante algum tempo, mas não encontrava uma solução até que decidi desistir do objectivo que eu tanto queria. Em vez disso, decidi confiar. Libertei os meus pensamentos daquilo em que estava firmemente fixada. Olhei para aquilo que temia e combatia, e comecei a vê-lo sob uma luz diferente. O stress começou a sair lentamente do meu corpo. Foi uma libertação de confiança, apesar do resultado ser incerto. Após quatro horas de preocupação stressante, adormeci tranquilamente. De manhã, quando acordei, era o primeiro dia da primavera. Para minha alegria, após duas semanas de agitação, recebi um e-mail que resolveu completamente o problema. No final, a confiança era a chave do meu stress mais profundo:
Ó tu que voltas a tua face para Deus! Fecha os teus olhos para todas as outras coisas, e abre-os para o reino do Todo-Glorioso. Pede qualquer coisa que desejes apenas a Ele; procura o que quer que queiras apenas n’Ele. Com um olhar, Ele concede cem mil esperanças; com um vislumbre, Ele cura cem mil doenças incuráveis; com um aceno, Ele coloca um bálsamo em todas as feridas; com um vislumbre, Ele liberta os corações dos grilhões do sofrimento. Ele faz o que faz e que recurso temos nós? Ele cumpre a Sua vontade, Ele ordena o que Lhe agrada. Assim, é melhor para ti, curvares a tua cabeça em submissão, e colocares a tua confiança no Senhor Todo-Misericordioso. (Selections from the Writings of ‘Abdu’l-Bahá, p. 51)

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Texto original: 5 Spiritual Solutions for Stopping Stress (www.bahaiteachings.org)

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Kathy Roman é educadora reformada, aspirante a escritora, esposa e mãe de dois filhos que vive em Elk Grove, California (EUA), onde serve como responsável de Informação Pública Bahá’í.

quinta-feira, 15 de junho de 2017

quarta-feira, 14 de junho de 2017

O choro do Povo do Filho...

Em 1868, Bahá'u'lláh estava exilado em Edirne (na parte europeia do Império Otomano) quando o Sultão decidiu exilá-Lo juntamente com os Seus companheiros. Essa decisão perturbou profundamente o pequeno grupo de exilados e também muitas pessoas na cidade. A citação que se segue refere-se a esse momento.


sábado, 10 de junho de 2017

As pessoas transgénero podem ser Bahá’ís?

Por David Langness.


Por vezes recebemos perguntas intrigantes aqui no site www.bahaiteachings.org, incluindo esta de um leitor, na semana passada: As pessoas transgénero podem ser Bahá'ís?

Esta é a pergunta tal como a recebemos: "Olá. Eu sou transgénero e tenho estado a ver a religião Bahá'í há vários meses - quase um ano. Sei que há igualdade de género, mas como é que as pessoas Bahá’ís vêem pessoas transgénero como eu? Eu não quero fazer parte de um grupo religioso que me odeia por existir... (se é que isso faz sentido.)"

Enquanto pensava como iria responder a esta pergunta, lembrei-me do primo de um velho amigo meu. Nascido quando eu era adolescente, o bebé que eu vou referir como Bob (não é o seu verdadeiro nome) tinha o que então eufemisticamente se chamava "defeitos de nascença." Mais tarde soube que ele tinha nascido geneticamente ambíguo - com os órgãos genitais de ambos os sexos. Na época, os médicos deram-lhe a designação que agora se considera ofensiva: "hermafrodita".

Quando o Bob nasceu, os seus pais foram confrontados com uma escolha difícil, do tipo “moeda ao ar”: os médicos disseram-lhes que tinham de decidir, imediatamente, que género queriam que o seu filho fosse. Os pais viveram a angústia da escolha, e por fim decidiram; os médicos fizeram uma intervenção cirúrgica e, alguns meses após seu nascimento, deram-lhe as características físicas de um rapaz.

Mas à medida que ele crescia, apesar das grandes doses de hormonas masculinos receitados pelos seus médicos, ele não se sentia, nem agia, nem se identificava como um rapaz. Já quando era criança, pensava em si próprio como uma menina; e os seus pais culparam-se por ter feito a escolha errada. Os anos de adolescência de Bob, como se pode imaginar, foram verdadeiramente difíceis. Finalmente, quando era adulto, Bob tornou-se Bobbi, depois de ter estado quatro anos em aconselhamento e se ter submetido a uma difícil cirurgia que lhe devolveu o género a que ela sempre sentiu que pertencia.

A palavra mais moderna para a condição médica de nascimento de Bobbi é “intersexo”, que significa ter um corpo que não se encaixa nas definições típicas de sexo masculino ou feminino. As pessoas intersexuais têm frequentemente variações genéticas derivadas do cromossoma XY que geralmente define um homem, ou do cromossoma XX que geralmente define uma mulher. Existem muitas variações, e os investigadores estimam que 1,7% de todos os nascimentos humanos têm variantes intersexuais, muitas delas não são imediatamente óbvias após o nascimento.

A ciência está a começar a compreender as pessoas intersexuais, e a lei dos direitos humanos ainda está a lutar para acompanhar a ciência. O Alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, por seu lado, define intersexo desta forma:
As pessoas intersexo nascem com características sexuais (incluindo genitais, gónadas e padrões de cromossomas) que não se encaixam noções binárias típicas de corpos masculinos ou femininos.

Intersexo é um termo abrangente usado para descrever uma ampla gama de variações corporais naturais. Em alguns casos, as características intersexo são visíveis no nascimento, enquanto noutros, eles não são aparentes até a puberdade. Algumas variações cromossómicas intersexo podem não ser fisicamente aparentes. (United Nations Office of the High Commissioner for Human Rights, October 24, 2016)
Aprendi alguma coisa com o difícil caminho da Bobbi ao longo desta existência física. As pessoas transexuais - especialmente aquelas que se submetem à reorganização cirúrgica do sexo, quando são adultos - sentiam como se estivessem aprisionadas no género errado durante toda a sua vida. Nos maus velhos tempos, antes da ciência ter começado a reconhecer e desenvolver adequadamente a capacidade de intervir medicamente para ajudar as pessoas intersexuais, o ódio, os abusos e os suicídios eram comuns. Hoje, felizmente, algumas das atitudes em relação às pessoas transgénero estão a mudar.

Mas voltemos à pergunta original: Como é que os Bahá’ís vêem pessoas transgénero? Em primeiro lugar, os Bahá’ís vêem todas as pessoas com uma perspectiva de universal de amor e aceitação:
Considerando que Deus é amoroso, porque devemos ser injustos e indelicados? Se Deus manifesta lealdade e misericórdia, porque devemos mostrar inimizade e ódio? Certamente a política divina é mais perfeita do que o plano e a teoria humana; pois não importa quão sábio e arguto o homem se possa tornar, ele nunca poderá alcançar uma política que seja superior à política de Deus. Assim, devemos imitar a atitude de Deus, amar todas as pessoas, ser justos e bondosos com toda a criatura humana. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 174)
No que toca à questão específica do nosso leitor, contudo, a Casa Universal de Justiça - o corpo administrativo Bahá’í eleito de forma global e democrática - determinou há muito tempo que a mudança de género transgénero/transexual deve ser uma decisão totalmente privada a cargo do indivíduo e dos médicos especialistas:
A Casa da Justiça não encontrou qualquer texto nas escrituras Bahá'ís que aborde explicitamente os temas da transexualidade ou das operações cirúrgicas realizadas para mudança de sexo ou para escolher um único sexo. Foi decidido que as mudanças de sexo ou as tentativas de mudança de sexo devem, neste momento, ser consideradas questões médicas sobre as quais se deve procurar aconselhamento e orientação de especialistas nessa área. (Agosto de 1983)
Porque os Bahá’ís acreditam firmemente no princípio básico da conformidade entre ciência e religião; e porque esta delicada orientação da Casa Universal de Justiça aconselha os Bahá’ís a tratar as questões dos transgéneros como questões puramente médicas; e também porque a Bobbi finalmente se tornou uma Bahá’í que a sua comunidade aceitou e amou; eu penso que é seguro dizer que na comunidade Bahá'í, estimado leitor, ninguém o vai "odiar por existir". Os Bahá’ís não são perfeitos - todas as pessoas são propensas a preconceitos e a ideias pré-concebidas - mas 'Abdu'l-Bahá estabeleceu o verdadeiro padrão Bahá’í quando afirmou:
Assim como Deus ama a todos e é amável com todos, assim devemos realmente amar e ser bondosos com todos. Não devemos considerar ninguém como mau, ninguém digno de repulsa, ninguém como inimigo. Devemos amar a todos; ou melhor, devemos considerar todos como aparentados connosco... (The Promulgation of Universal Peace, p. 267)
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Texto original: Can Transgender People Be Baha’is? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

quinta-feira, 8 de junho de 2017

sábado, 3 de junho de 2017

Acreditar em anjos?

Por Rodney Richards.


Quem acredita em anjos? Eles tiveram uma presença proeminente na história religiosa da humanidade.

No Judaísmo, os arcanjos Miguel e Gabriel desempenham papéis significativos na Torá. A Igreja Mórmon começou sob a direcção do anjo Moroni, que mostrou ao jovem Joseph Smith em 1827, onde estavam enterradas as placas de ouro nas montanhas do Estado de Nova Iorque. No Cristianismo, o arcanjo Gabriel visita a Virgem Maria e profetiza o nascimento de Jesus Cristo. Mais tarde, no Alcorão, aquele mesmo Arcanjo Gabriel ordenou a Maomé que lesse. Embora fosse analfabeto e estivesse assustado, Ele leu, mudando a história do planeta até hoje.

A serpente no Jardim do Éden que tentou Adão e Eva assumiu a aparência de um arcanjo caído em desgraça, conhecido há muito tempo como Lúcifer.

A Bíblia está repleta de aparições de anjos:
E vi outro anjo voar pelo meio do céu, e tinha o evangelho eterno, para o proclamar aos que habitam sobre a terra, e a toda a nação, e tribo, e língua, e povo. (Apocalipse 14: 6)

Permaneça o amor fraternal. Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos. (Hebreus 13: 1-2)
Nós, seres humanos, podemos agir como "anjos", de forma consciente ou inconsciente. Quando alguém faz algo bom para nós, pelos nossos melhores interesses, em vez dos seus próprios, torna-se como um anjo.

Isto lembra a própria essência do "bem" e do "mal", conceitos tão antigos quanto as pessoas e as suas relações umas com as outras. Nas antigas religiões, os anjos representavam a bondade, a generosidade e o altruísmo; por outro lado, criaturas como Satanás representavam o egoísmo, a mesquinhez e a maldade.

Quem são os meus anjos?

A minha esposa Janet é o meu anjo neste mundo, embora eu conheça muitos outros. Ela é o meu anjo da guarda, um conceito surgido no Catolicismo e noutras religiões - alguém que vela por mim e pelas minhas acções, para meu próprio bem. A minha mãe, com 85 anos, generosa e bondosa, excessivamente cuidadosa, sincera e preocupada com o bem-estar da família e até mesmo com estranhos, personifica um anjo vivo, apesar de ter pequenas falhas. Quando me sento no pátio num dia ventoso aproveitando o sol, vejo as borboletas brancas e amarelas esvoaçando nos nossos jardins, e sei que cada uma representa o espírito do meu falecido irmão Stephen, que olha por mim, pelo menos figurativamente.

Os anjos aparecem em muitas formas e aspectos, na forma da natureza e na forma do homem, mulher ou criança, simbolizando tudo o que vemos como bom, sagrado e amoroso no mundo.

Outro exemplo: todas as pessoas na minha vida - demasiado numerosas para mencionar - que me ajudaram a avançar em vários projectos ou carreiras. Eu não estaria onde estou hoje sem a ajuda e assistência de centenas, talvez milhares de "anjos" que tornaram o meu caminho pela vida mais fácil, mais feliz e mais gratificante. Graças à sua ajuda sou capaz de me afastar dos grandes e pequenos demónios e estou cheio de confiança, esperança e alegria:
Regozijai-vos, pois a mesa celestial está preparada para vós.
Regozijai-vos, porque os anjos do céu são vossos assistentes e ajudantes.
Regozijai-vos, pois o olhar da Abençoada Beleza, Bahá'u'lláh, dirige-se a vós.
Regozijai-vos, pois Bahá’u’lláh é o vosso Protector.
Regozijai-vos, porque a glória eterna está-vos destinada.
Regozijai-vos, porque a vida eterna espera-vos.
('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 214)
Quando fazemos coisas boas, também somos anjos, especialmente quando damos algo de nós próprios, do nosso tempo, do nosso dinheiro e da nossa energia para ajudar os outros de forma altruísta. Seja ao ajudarmos pessoas necessitadas ou carentes, familiares ou nossos filhos, seja ao fazer trabalho voluntário na comunidade, seja ao servir como educadores nas escolas ou a trabalhar arduamente em algo que contribua para a sociedade, todos nós nos tornamos anjos, em mais formas do que imaginamos.

Gostava que a UNESCO promovesse o Ano do Anjo assim como o Ano da Criança e o Ano da Mulher. Talvez isso não seja muito exagerado, já que agora estamos no Ano Internacional da Luz, e os anjos trazem luz e não escuridão, tal como o Arcanjo Uriel que transporta a chama de Deus.

Neste momento, o mundo precisa de mais anjos e dos seus actos cuidadosos e altruístas de generosidade e amor. Precisamos de aceitação angélica e não apenas tolerância. Precisamos de compreensão e paciência, e de pensamentos pacíficos. Desperdiçamos a nossa energia agindo com base em frustração e raiva contra coisas que só podemos mudar se mudarmos corações e mentes individuais, criando assim o poder positivo necessário para alterar os sistemas e as leis que abominamos.

E por onde podemos começar? Comecemos por nós próprios, com alguns sorrisos angélicos e gestos simpáticos, hoje mesmo.

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Texto original: Do You Believe in Angels? (www.bahaiteachings.org)

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Rodney Richards é escritor técnico de profissão e trabalhou durante 39 anos para o Governo Estadual de New Jersey. Reformou-se em 2009 e dedicou-se à escrita (prosa e poesia),tendo publicado o seu primeiro livro de memórias Episodes: A poetic memoir. É casado, orgulha-se dos seus filhos adultos, e permanece um elemento activo na sua comunidade.

sábado, 27 de maio de 2017

As Ilusões da Fama e a busca da Verdadeira Grandeza

Por Greg Hodges.


Alguma vez sonhou ser famoso(a)? Quase todas as pessoas têm esse sonho num momento ou outro - é um desejo surpreendentemente generalizado.

Sim, é uma fantasia comum: toda a gente conheceria o seu nome, a sua cara e aquilo que o torna tão famoso. Quando nos sentimos desrespeitados, desprezados e ignorados, é difícil resistir à emanação de prazer que vem de fantasiar sobre a fama.

Normalmente, esse desejo de excelência foca-se em algo específico. Queremos ser grandes artistas, engenheiros, industriais, líderes ou qualquer outra coisa que nos interesse. A maioria de nós não procura ser "famoso por ser famoso", a forma seguida por algumas quase-celebridades. A questão é que se fossemos óptimos em alguma, seria melhor que também fôssemos reconhecidos por isso.

É bom mantermos esse desejo de excelência. Mas é importante que consigamos separá-lo, tanto quanto possível, do desejo de fama. O caminho para a excelência encoraja-nos a desenvolver as nossas capacidades e a colocá-las em prática. O caminho para a fama pode cair rapidamente num remoinho de ego, vaidade e ilusão. Segundo as escrituras de muitas religiões, um destes caminhos agrada a Deus; mas o outro cega a nossa percepção espiritual.

Segundo o Evangelho de Mateus, Jesus disse:
Guardai-vos de fazer a vossa esmola diante dos homens, para serdes vistos por eles: aliás não tereis galardão junto do vosso Pai que está nos céus. Quando, pois, deres esmola, não faças tocar trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; Para que a tua esmola seja dada ocultamente: e teu Pai, que vê em segredo, te recompensará publicamente. (Mateus 6: 1-4)
Este é o segredo da fama: o mais importante não é o que outras pessoas pensam de nós. É o que Deus - que é o autor da própria bondade - pensa em nós. Quando as nossas acções são orientadas em função da aprovação de Deus, em vez da aprovação humana, tentamos harmonizar-nos com o trabalho da providência divina. Não é importante se somos lembrados, ou não, por fazer isso.

Bahá’u’lláh, o fundador da Fé Bahá’í, escreveu:
Ser-vos-ia proveitoso se, como ingenuamente imaginais, os vossos nomes perdurassem? … Se os vossos nomes desaparecerem de toda mente mortal, e ainda assim Deus estivesse agradado convosco, serieis, de facto, contados entre os tesouros do Seu nome, o Mais Oculto. (Summons of the Lord of Hosts, p. 46)
Estas duas citações apresentam imensa sabedoria, porque não são apenas sobre desprendimento deste mundo, mas também como nos envolvermos eficientemente com ele. Ao separar a excelência espiritual da fama, as citações ilustram a sabedoria espiritual que também inclui sabedoria prática.

O progresso do mundo é impulsionado por uma vasta rede de contributos de multidões de pessoas que nunca poderiam ser comemoradas individualmente. Nenhum génio recordado pela história faz uma descoberta inovadora sem os muitos avanços modestos daqueles que vieram antes dele. Nenhum conquistador histórico pode capturar uma simples aldeia sem soldados, cujos nomes são mal conhecidos até mesmo pelos seus comandantes. Nenhum empresário "constrói uma empresa" sem a ajuda de funcionários e outros parceiros. Mesmo quando somos muito competitivos, a cooperação é um modo de fazer coisas, à qual é tão difícil fugir; é como se estivesse virtualmente registada na nossa essência como seres humanos.

Elevar uma pessoa à custa de todos as outras pode ser uma táctica de liderança útil em alguns casos. A fama e a celebridade podem vender programas de televisão, filmes e revistas. Mas também comportam o risco de distorcer a percepção de como realmente evolui qualquer esforço colectivo. A realidade é esta: as nossas contribuições para o progresso e o bem-estar da humanidade podem durar mais do que a memória de qualquer pessoa. Prestar atenção excessiva a quem é proeminente e famoso distorce essa realidade.

O mundo está cheio de heróis desconhecidos. A maneira como comemoramos as realizações do passado e nos encorajamos uns aos outros para o futuro deve levar isso em conta. Só porque alguém é esquecido isso não significa que o que eles fizeram não é valioso. A realização em si é desejável - mas a fama efémera que cerca a realização não dura para sempre.

Assim, na próxima vez em que pensarmos ingenuamente na fama, talvez devêssemos pensar em honrar as massas anónimas em cujos ombros nos encontramos agora, e a cujas incontáveis fileiras poderemos um dia ter a sorte de nos juntar.

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Texto original: The Illusions of Fame and the Pursuit of True Greatness (www.bahaiteachings.org)

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Greg Hodges é um apaixonado pela combinação da mudança social com a renovação espiritual. Vive com a sua esposa no Maine (EUA).

sábado, 20 de maio de 2017

Espiritual mas não Religioso? Qual a diferença?

Por Rebecca Sherry Eshraghi.


Muitos dos meus amigos mais próximos dizem-me: "Eu sou boa pessoa, uma pessoa espiritual; por isso não preciso de religião, especialmente de religião organizada..."

Admiro essa atitude. Sim, os meus amigos são boas pessoas que vivem vidas admiráveis e virtuosas. Ao longo da minha vida conheci muitas pessoas que não pertencem a qualquer religião e são mais bondosas do que outros que se intitulam religiosos e causam conflitos e divisões.

Na verdade, se eu não conhecesse a Fé Bahá’í e os seus ensinamentos, também não gostaria de pertencer a uma religião tradicional. Na realidade, a religião aparente tem sido e ainda é a causa de muitas guerras e muito sofrimento. Mas, ao estudar os ensinamentos Bahá'ís, percebi que, na sua essência mais profunda, todas as religiões só pretendem criar unidade e progresso.

Os ensinamentos Bahá'ís dizem que cada dispensação religiosa tem dois tipos diferentes de leis transformadoras. Uma categoria de leis são os ensinamentos espirituais e a outra são as leis e normas sociais. As leis e normas sociais são condicionais e mudam ao longo do tempo. As leis sociais das várias religiões diferem porque, no fundo, cada revelação divina ocorreu num momento diferente e num lugar diferente com circunstâncias distintas.

Por outro lado, os ensinamentos espirituais imutáveis de todas as religiões são iguais ou muito semelhantes: orientam-nos para o propósito e sentido da vida; mostram-nos como ser e agir; incentivam a oração e a meditação; estimulam o desprendimento do mundo material; fomentam a bondade e o serviço para com os nossos semelhantes; e explicam-nos e ensinam-nos sobre a nossa verdadeira essência. Esses ensinamentos espirituais enfatizam as verdades eternas - que Deus existe, ama a Sua criação e quer que cada uma das nossas almas cresça e se desenvolva.

Não sabendo isto, os meus amigos - que dizem que não são religiosos, mas espirituais - estão a aproveitar essa realidade espiritual eterna que os inspira a serem bons e espirituais. Quem faz isso, pode ser Bahá’í - alguém que aceita a unicidade de todas as Fés.

Mesmo as pessoas como os meus amigos - que não pertencem formalmente a uma religião - ainda tentam seguir os ensinamentos espirituais que tiveram origem e se difundiram ao longo da história através de revelações divinas como o Budismo, o Hinduísmo, o Judaísmo, o Cristianismo, o Islão, e agora, nesta era, os ensinamentos da Fé Bahá’í:
A realidade não admite a multiplicidade, embora cada uma das religiões divinas seja separável em duas divisões. Uma diz respeito ao mundo da moralidade e da formação ética da natureza humana. Foca-se no avanço do mundo da humanidade em geral; revela e inculca o conhecimento de Deus e torna possível a descoberta das verdades da vida. Este é o ensinamento ideal e espiritual, a qualidade essencial da religião divina, e não está sujeito a mudanças ou transformações. É o fundamento único de todas as religiões de Deus. Portanto, as religiões são essencialmente uma e a mesma coisa. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, pag. 364-365)
As leis sociais religiosas visam criar ordem e justiça para permitir o avanço da civilização; no entanto, porque são condicionais, o caos e a confusão ocorrem quando os tempos e circunstâncias mudam, e as pessoas apegam-se às anteriores leis sociais que já não se adaptam mais às necessidades dos novos tempos:
A segunda classificação ou divisão inclui leis e normas sociais aplicáveis à conduta humana. Esta não é a qualidade espiritual essencial da religião. Está sujeita a mudanças e transformações de acordo com as exigências e requisitos de tempo e lugar. Por exemplo, no tempo de Noé alguns requisitos tornaram necessário que toda a comida do mar fosse permitida ou legal... Outras leis anteriormente válidas foram anuladas durante o tempo de Moisés... Tais mudanças e transformações nos ensinamentos da religião são aplicáveis às condições gerais da vida, mas não são importantes ou essenciais. Moisés viveu no deserto do Sinai, onde o crime exigia punição directa. Não havia prisões ou penas de prisão. Portanto, de acordo com a exigência do tempo e do lugar, havia uma lei de Deus de olho por olho e dente por dente. Não seria praticável aplicar esta lei no momento actual... Na Torá há muitos mandamentos sobre a punição de um assassino. Não seria permitido ou possível cumprir hoje estes mandamentos. As condições e as exigências humanas são tais que até mesmo a questão da pena de morte - a única pena que a maioria das nações continuou a impor por assassinato - está agora em discussão por sábios que estão a debater a sua adequabilidade. Na verdade, as leis para as condições normais de vida só são válidas temporariamente. As exigências do tempo de Moisés justificaram cortar a mão de um homem por roubo, mas tal pena não é agora permitida. O tempo muda as condições e as leis mudam para responder às condições. Devemos lembrar que estas leis em mudança não são o essencial; elas são os acessórios da religião. Os mandamentos essenciais estabelecidos por um Manifestante de Deus são espirituais; estes dizem respeito às moralidades, ao desenvolvimento ético do homem e à fé em Deus. São ideais e necessariamente permanentes - expressões de um fundamento e não passíveis de mudança ou transformação. Portanto, a base fundamental da religião revelada de Deus é imutável, permanente ao longo dos séculos, e não sujeita às diferentes condições do mundo humano. (Idem, pag. 365-366)
Escolhi ser Bahá’í porque as suas leis sociais e espirituais progressistas e inovadoras são as necessárias para este tempo e idade. Como Bahá’í, e crente na unicidade essencial de todas as religiões, posso trabalhar activamente no avanço de uma nova civilização mundial unificada.

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Texto original: Spiritual but not Religious? How to Tell the Difference (www.bahaiteachings.org)

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Rebecca Sherry Eshraghi é uma Bahá'í que vive na Flórida. É casada e tem dois filhos. Cresceu na Alemanha num ambiente multicultural, onde obteve o seu diploma em Negócios Internacionais. Recentemente concluiu o doutoramento em Medicina Natural.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

Iémen: Líderes tribais em solidariedade com os Bahá’ís

Centenas de iemenitas - liderados por chefes tribais e activistas de direitos humanos - manifestaram-se em Sana'a, na manhã do passado dia 15 de Maio de 2017, para denunciar o recente apelo à prisão de vários Bahá’ís iemenitas e exigir a sua libertação imediata.

Actualmente, cinco Bahá’ís, incluindo o líder tribal Walid Ayyash, continuam presos ou detidos sob a direcção de autoridades em Sana'a. Os detidos não foram autorizados a receber visitantes. Muitos outros Bahá’ís estão sob a ameaça de virem a ser presos.

"Há indicações claras provenientes de informações vindas de dentro do país que algumas autoridades receberam ordens do Irão para realizar essas acções injustas e não têm outro objectivo senão perseguir a comunidade Bahá'í", disse Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá’í junto das Nações Unidas.

"Não surpreendentemente, essa interferência de outro país está a despertar a solidariedade entre o povo iemenita numa escala sem precedentes em defesa dos Bahá'ís, que são seus amigos, irmãos, irmãs, vizinhos e companheiros de tribos. Isto também criou uma consciência sobre a Fé Bahá’í entre o povo do Iémen. E, claro, a história mostra que se perseguem inocentes, a sua causa vai-se espalhar."

Um dos líderes da campanha contra os Bahá'ís no Iémen tem sido um membro do Ministério Público em Sana'a, Rajeh Zayed. Várias informações indicam que, durante as manifestações pacíficas na manhã de segunda-feira, Zayed ameaçou a multidão com uma arma e tentou, sem sucesso, incitar à violência contra os presentes.

"Apesar dos seus esforços, a multidão permaneceu tranquila, e felizmente, os guardas da segurança abstiveram-se de violência", explicou Dugal.

"Esses tribos e activistas iemenitas mostraram corajosamente o seu apoio aos Bahá’ís, apesar de se tornarem alvo de ataques", disse Dugal. "A sua expressão de solidariedade, especialmente durante um período tão difícil para o seu país, é apreciada sinceramente pela comunidade internacional Bahá’í".

"De facto, as suas acções testemunham o princípio da unicidade da humanidade e mostram que estamos intimamente ligados, de modo que a dor e a alegria de um se tornam a dor e a alegria de outro. Esperamos que a perseguição descabida aos Bahá’ís no Iémen termine e as energias possam ser dirigidas para objectivos mais elevados, como o fim da violência que assola o país e a erradicação das doenças e desnutrição que afligem agora grandes segmentos da população nesse país."

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FONTE: Tribal leaders stand in solidarity with Yemeni Baha'is (BWNS)

sábado, 13 de maio de 2017

Em busca da Arca da Aliança

Por David Langness.


Provavelmente já viram o filme “Os Salteadores da Arca Perdida” (“Os Caçadores da Arca Perdida”, no Brasil), de Steven Spielberg, onde Indiana Jones vive aventuras emocionantes e cheias de acção, em busca da Arca da Aliança.

Nos “Salteadores”, a arca que Indiana Jones procura tem uma longa história de veneração e ocultação, e possui poderes notáveis devido às suas antigas origens religiosas. No filme, todos querem ficar com ela, e essa perseguição competitiva estimula a acção implacável do filme.


Spielberg não inventou a Arca da Aliança para desenvolver a sua história; ele pegou numa verdadeira lenda que tem raízes profundas em toda a história religiosa e cultural. A verdadeira Arca da Aliança aparece nas escrituras sagradas de diversas religiões, e define um rumo em todas as religiões abraâmicas. O Livro do Êxodo no Antigo Testamento descreve a Arca da Aliança como um cofre construído para guardar as duas tábuas da lei, as duas placas de pedra que continham os Dez Mandamentos revelados a Moisés:
E deu a Moisés (quando acabou de falar com ele, no monte de Sinai) as duas tábuas do testemunho, tábuas de pedra, escritas pelo dedo de Deus. (Êxodo 31:18)
Essas duas "placas" de pedra (referidas como “tábuas”) e o cofre de madeira banhada a ouro que as guardava desempenham papéis importantes no Antigo Testamento, no Novo Testamento e no Alcorão. No Livro do Êxodo, Deus ordena a Moisés que construa uma Arca para guardar a lei de Deus, e depois a Arca faz acontecer milagres poderosos, separando o Rio Jordão e ajudando a derrubar os muros de Jericó. A descrição detalhada no Êxodo diz-nos exactamente como é a Arca da Aliança – as suas medidas exactas, o seu revestimento de ouro, os seus dois querubins que adornam um kapporet ou uma capa de ouro, a que os cristãos chamam Propiciatório. Guardado no Santo dos Santos, o santuário interior do antigo Templo de Jerusalém, a Arca serviu como a representação física da lei de Deus e do pacto divino entre o Criador e a Sua criação.

Há milhares de anos que historiadores e teólogos debatem a realidade física da Arca da Aliança, e existem centenas de livros sobre o assunto. Moisés gravou - verdadeiramente - as duas placas de pedra com os Dez Mandamentos enquanto as recebia de Deus, e depois guardou-as numa verdadeira caixa de ouro?

Muitas seitas e denominações religiosas assumem esta história bíblica como literalmente verdadeira. Essa interpretação literal produziu dúzias de alegações e teorias sobre o paradeiro actual da Arca perdida, incluindo o Monte Nebo, perto do Rio Jordão, o túmulo do rei Tut no Egipto, numa caverna nas montanhas Dumghe, na África Austral, sob o Monte do Templo, em Jerusalém, escondido na catedral de Chartres, em França, enterrada numa colina na Irlanda ou disfarçada perto da Igreja Cristã Abissínia de Nossa Senhora do Monte Sião em Axum, na Etiópia. (Ninguém parece ter encontrado a Arca, excepto Indiana Jones.)

Outros vêem a Arca da Aliança apenas como um símbolo poderoso, representando a presença de Deus e a promessa aos hebreus. Mas porque as histórias bíblicas dizem que os seguidores de Moisés transportaram a Arca durante os quarenta anos em que andaram pelo deserto, depois de se libertarem da escravidão, ela acabou por representar o "receptáculo" da promessa de Deus, a Sua aliança sagrada mutuamente vinculativa com os Filhos de Israel. Esse pacto primordial declara essencialmente que Deus continuará a guiar os Seus filhos, desde que estes sigam os Seus mandamentos e "não tenham outros deuses além de Mim".

Mas, independentemente da sua existência real ou alegórica, a Arca da Aliança representa um acordo amplo e eterno em todos os ensinamentos religiosos - a continuidade eterna da orientação de Deus para a humanidade:
... é um princípio básico da Lei de Deus que, em cada Missão Profética, Ele estabeleça uma Aliança com todos os crentes - uma Aliança que perdura até ao fim dessa Missão, até ao dia prometido quando a Personagem estipulada no início do Missão se manifesta. Considere-se Moisés, Aquele que conversou com Deus. Na verdade, no Monte Sinai, Moisés estabeleceu uma Aliança relativa ao Messias, com todas aquelas almas que viveriam no dia do Messias. E essas almas, apesar de terem surgido muitos séculos depois de Moisés, estavam, no entanto, - no que diz respeito à Aliança, que é intemporal - ali presentes com Moisés. ('Abdu'l-Bahá, Selections from the Writings of ’Abdu’l-Bahá, nº 181)
Este princípio místico - que todo ser humano tem a oportunidade de participar numa aliança com Deus - existe também nos ensinamentos Bahá’ís. Na verdade, os Bahá’ís acreditam em dois tipos de alianças religiosas:
Existe... a Aliança Maior que cada Manifestante de Deus faz com os Seus seguidores, prometendo que na plenitude dos tempos um novo Manifestante será enviado, e obtendo deles o compromisso de O aceitar quando isto ocorrer. Há também a Aliança Menor que um Manifestante de Deus faz com os Seus seguidores para que eles aceitem o Seu sucessor depois d’Ele. Se assim fizerem, a Fé poderá permanecer unida e pura. Caso contrário, a Fé divide-se e a sua força gasta-se. (A Casa Universal da Justiça, Messages 1963 to 1986, p. 737)
Então, como podemos encontrar a Arca da Aliança? Os ensinamentos Bahá'ís dizem que cada um dos profetas, mensageiros e manifestantes de Deus trazem essa aliança com eles, para garantir aos seus seguidores e aos seus descendentes que Deus não os abandonará desprovidos de orientação agora e no futuro:
O Senhor do universo jamais levantou um profeta, nem fez descer um Livro, sem que tivesse estabelecido a Sua aliança com todos os homens, apelando à sua aceitação da Revelação seguinte e do Livro seguinte, na medida em que as efusões da Sua generosidade são incessantes e sem limites. (O Bab, Selections from the Writings of the Bab, p. 87)
Esta garantia, renovada em cada revelação, dá-nos uma sequência contínua de alianças espirituais ao longo da história. Todas as alianças proféticas do Antigo Testamento de Noé, Abraão, Moisés, Arão e David, prometem uma orientação e bênçãos divinas duradouras em troca da fidelidade do povo. Também prometem a vinda do Messias, e o Reino de Deus na Terra.

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Texto original: Finding the Ark of the Covenant (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.