quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

sábado, 24 de janeiro de 2015

As Experiências Quase-Morte segundo Platão, Sócrates e Bosch

Por David Langness.


Apesar do corpo material ter de morrer, o espírito continua eternamente vivo, tal como existe e funciona no corpo inerte no reino dos sonhos. Ou seja, o espírito é imortal e continuará a sua existência após a destruição do corpo. (‘Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 306.)
Quando é que começámos a ouvir falar sobre experiências quase-morte?

Os relatos tradicionais que normalmente são referidos surgiram em meados da década de 1970, quando o médico e psicólogo Raymond Moody publicou o livro Vida Depois da Vida, que se tornou um sucesso de vendas a nível internacional e analisava os casos de 150 pessoas que tinham tido EQMs. Nessa época, muitos profissionais da medicina e pensadores como a Dr. Elizabeth Kubler-Ross tinham começado a redefinir as perspectivas culturalmente negativas sobre a morte.

Mas esse crescimento da consciência pública esconde uma longa história de conhecimento sobre experiências quase-morte ao longo de muitas civilizações.

As Experiências Quase-Morte ao longo da História

Provavelmente, desde que surgiu a nossa espécie que reflectimos e nos questionamos sobre a morte. As primeiras pinturas rupestres e petróglifos, por exemplo, revelam representações artísticas sobre a morte e a viagem da alma. Estamos familiarizados com rituais fúnebres, cerimónias, monumentos, orações e rituais associados a culturas antigas, porque temos escavado e estudado os seus cemitérios e túmulos. No Egipto, por exemplo, as 118 pirâmides usadas para sepultar os faraós todas apontam para cima, em direcção ao céu nocturno; e no interior dentro das pirâmides, geralmente uma conduta estreita estende-se desde a principal câmara funerária em direcção ao céu. Os arqueólogos pensam as pirâmides funcionavam como um funil para a alma do falecido faraó subir em direcção à sua casa permanente, na vida após a morte.

Ao longo da história da humanidade, vários filósofos escreveram magistralmente sobre as experiências quase-morte; Platão escreveu o Mito de Er no século 4 aC para concluir a sua famosa obra A República. Neste, Platão narra a história de um soldado chamado Er que morre no campo de batalha e desperta 12 dias mais tarde na sua pira funerária, e é capaz de falar a todos sobre a imortalidade da alma e a sua evolução após a morte. O soldado percebe que as nossas opções e o carácter que desenvolvemos enquanto vivemos terão consequências após a morte; e retorna à vida para encorajar à aquisição de virtudes como sabedoria, coragem, amor, justiça e moderação.

Sócrates concluiu algo semelhante sobre a morte:
Temer a morte é o mesmo que supor-se sábio quem não o é,
Porque é supor que sabe o que não sabe.
Ninguém sabe o que é a morte, nem se, porventura, será para o homem o maior dos bens; 

E, no entanto, todos a temem, como se soubessem ser ela o maior dos males.
A Ascensão dos Abençoados, de Hieronymus Bosch
Perto do final do século XV, o pintor holandês Hieronymus Bosch deu-nos a sua visão do futuro na Ascensão dos Abençoados, que agora se encontra no Palazzo Ducale em Veneza, Itália. Esta obra mostra uma cena familiar, com as almas que ascendem através de um túnel em direcção a uma luz brilhante, impressionantemente parecida com as nossas descrições actuais de experiências de quase-morte.

Compreender a Experiência de Quase-Morte - Imortal ou Mortal?

Assim, se por um lado a ciência em torno das experiências de quase-morte parece bastante recente, o entendimento das suas implicações sempre esteve na nossa consciência colectiva. Temos tentado encontrar formas de entender a morte e o seu significado desde que surgimos como humanidade.

De muitas maneiras, podemos pode pensar na religião como a nossa forma de lidar com a realidade iminente da morte.

Os ateus afirmam que as pessoas criaram a religião apenas para as ajudar a lidar com o facto incómodo da nossa mortalidade; que a alma humana não existe; e que todos nós enfrentamos extermínio completo quando morremos. Os agnósticos geralmente dizem simplesmente que não sabem se existe vida depois da morte. Por outro lado, as nossas religiões dizem-nos que a morte representa simplesmente uma transição, um segundo nascimento numa existência espiritual, e que o nosso espírito continua a existir.

E agora? Para qual nos inclinamos?

Para os Bahá'ís, a experiência de quase-morte aponta definitivamente para um segundo nascimento:
... Enquanto o homem estiver na matriz do mundo humano, enquanto ele estiver cativo da natureza, ele está sem contacto e sem conhecimento do universo do Reino. Se ele renascer enquanto estiver no mundo da natureza, ele tomará conhecimento do mundo divino. Ele vai perceber que existe outro mundo superior. Descem sobre ele bênçãos maravilhosas; a vida eterna aguarda-o; a glória permanente rodeia-o. Todos os sinais da realidade e da grandeza estão lá. Ele verá as luzes de Deus. Todas essas experiências serão suas quando ele nascer para fora do mundo da natureza e entrar no mundo divino. Portanto, para o homem perfeito, existem dois tipos de nascimento: o primeiro, o nascimento físico, a partir do ventre da mãe; o segundo, o nascimento espiritual, é a partir do mundo da natureza. Em ambos ele não tem conhecimento do novo mundo de existência, em que está a entrar. Portanto, o renascer significa a sua libertação do cativeiro da natureza, a liberdade do apego a esta vida mortal e material. (‘Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 304)

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Texto original: Plato, Socrates and Hieronymus Bosch on Near-Death Experiences (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 17 de janeiro de 2015

A Incrível Consistência das Experiências Quase-Morte

Por David Langness.


Já testemunhei milagres.

Não me estou a referir a magia, coisas fantasmagóricas, ou do tipo Hollywoodesco; estou a referir-me a milagres médicos e científicos. Tive esse privilégio único e inspirador graças a três décadas de trabalho na área da saúde. Passei anos em centros de investigação hospitalar e centros médicos universitários; conheci muitas pessoas que medicina moderna salvou da morte quase certa, e algumas que realmente morreram e depois voltaram à vida.

De facto, as intervenções que salvam vidas não são incomuns nos dias de hoje. A medicina moderna tem avançado tremendamente. Com novas tecnologias e técnicas de reanimação, médicos e paramédicos descobriram formas inovadoras de salvar a vida de pessoas que certamente teriam falecido até há poucos anos atrás. Os transplantes de órgãos, as novas tecnologias cardíacas e as técnicas avançadas de reanimação de emergência fazem uma enorme diferença na recuperação de pacientes que estão à beira da morte. Em casos de paragens cardíacas, choque anafilático grave, afogamento ou electrocução, e até mesmo em casos de lesão cerebral traumática, sabemos agora literalmente roubar a vida à morte. A morte clínica - ausência de batimentos cardíacos, de pulsação e de actividade cerebral - já pode, por vezes, ser revertida.

Isso significa que cada vez mais pessoas têm experiências de quase-morte.

O Crescimento do Número de Experiências de Quase-Morte

Com base numa sondagem recente, a organização Gallup estima que oito milhões de americanos tiveram uma experiência de quase-morte. Investigadores na Alemanha, Austrália e Holanda afirmam que entre 4 a 12% das populações desses países dizem que tiveram uma EQM. Com o aumento das nossas capacidades para salvar vidas e com a medicina a ressuscitar cada vez mais pacientes moribundos, é de esperar que estas percentagens subam ainda mais.

Devido ao aumento das nossas capacidades para salvar vidas, e em resposta ao enorme e generalizado interesse no assunto, durante o último meio século cientistas e investigadores criaram um novo campo de investigação para estudar e recolher informações sobre experiências de quase-morte. Formalmente criada em 1981, a Associação Internacional para Estudos de Quase-Morte (AIEQM), em 1981, tem agora delegações em todo o mundo. [http://www.iands.org/home.html]

A AIEQM possui um arquivo de histórias de casos quase-morte, e os investigadores que utilizam e contribuem para alargar o repositório de informação têm estudado as EQMs em diferentes culturas por todo o mundo. Estes investigadores descobriram uma notável semelhança nos relatos de quem passou por uma EQM.

O Debate sobre Experiências Quase-Morte: Porquê tão Consistentes?

Os relatos das pessoas que tiveram uma experiência quase-morte são tão semelhantes que agora assume-se que um EQM "típica" é composta por:
  • Uma sensação de bem-estar e paz emocional. A dor desaparece e é substituída por emoções positivas.
  • A sensação de estar fora do próprio corpo (chamada “experiência fora-do-corpo”).
  • A sensação de se mover para cima, através de uma passagem ou um túnel, em direcção a uma luz poderosa e quente.
  • Encontro com entes queridos que já morreram, ou com aquilo a que as pessoas muitas vezes descrevem como "seres de luz".
  • Passar por uma revisão da vida, com a possibilidade de ver todos os pormenores da vida.
  • Experimentar uma assimilação de conhecimento e sabedoria sobre o universo.
  • Imersão completa numa luz acolhedora de amor e unidade.
Estas sensações semelhantes, descritas tão consistentemente por quem passou por uma EQM, têm surgido entre pessoas de todas as culturas, todas as religiões (ou sem religião), todos os tipos de vida, todos os níveis de educação e de todas as idades. Por enquanto, quem estuda as EQMs afirma que essa notável uniformidade de experiência sugere uma de duas possibilidades aparentemente opostas:
  • O cérebro humano ao morrer, concluem alguns neuro-cientistas, produz efeitos ilusórios ou alucinatórios que imitam o movimento através de um túnel em direcção a uma luz.
  • A consciência humana continua após a morte física do cérebro e do corpo.
A maioria das pessoas, provavelmente, toma um lado ou outro neste debate, de acordo com a sua convicção na vida após a morte. Mas os ensinamentos Bahá’ís, com a sua ênfase na concordância essencial entre ciência e religião, podem sugerir uma terceira opção, segundo a qual, esses dois pontos de vista são verdadeiros. A fisiologia do cérebro humano pode certamente dar o seu contributo no processo geral de quase-morte; e, sem dúvida, os escritos Bahá’ís afirmam que a consciência humana se mantém após a morte do corpo físico:
Imaginar que após a morte do corpo o espírito perece é como imaginar que um pássaro numa gaiola é destruído se a sua gaiola for destruída, apesar do pássaro nada ter a temer com a destruição da gaiola. O nosso corpo é como a gaiola, e o espírito é como o pássaro. Vemos que, sem a gaiola este pássaro voa no mundo do sono; portanto, se a gaiola for destruída, o pássaro continuará a existir. Os seus sentimentos serão ainda mais poderosos, as suas percepções serão maiores, e a sua felicidade aumentará. Na verdade... ele atingirá um paraíso de delícias, porque para um pássaro agradecido não há paraíso maior do que estar livre da gaiola. ('Abdu'l-Bahá, Respostas a Algumas Perguntas, cap. 61)
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Texto original: The Remarkable Consistency of Near-Death Experiences (bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Iémen acusa Bahá’í de tentar converter Muçulmanos

Segundo a agência Reuters (que cita a agência de noticias iemenita Saba) as autoridades iemenitas detiveram e interrogaram um membro da Comunidade Bahá’í, acusando-o de ter contactos com Israel e de tentar estabelecer uma base para uma comunidade Bahá’í naquele país predominantemente muçulmano.

Mas a esposa do acusado e activistas locais de direitos humanos dizem que as acusações contra Hamed Merza Kamali Serostani fazem parte de uma campanha de persecutória mais ampla contra a comunidade Baha'i do Iémen e visa distrair as acusações de que o detido foi abusado pelos interrogadores durante o tempo em que esteve detido, em Dezembro de 2013.

Na segunda-feira (12-Janeiro), a agência Saba citou uma fonte judicial do gabinete do procurador, dizendo que o sr. Serostani, de 51 anos de idade, e cuja família é originária do Irão, foi preso no ano passado em al-Mukalla, capital da província de Hadramout no leste do Iémen. A acusação afirma Serostani entrou no Iémen em 1991, para tentar subornar os iemenitas a abandonar o Islão e a aderir à sua religião, que é liderada pela "Casa Universal de Justiça", sediada em Israel.

A acusação acrescenta ainda que o Sr. Serostani tentou criar uma "pátria para os seguidores da fé Baha'i" no Iémen, desenvolvendo negócios e construindo habitações para os seus seguidores árabes e asiáticos. O Sr. Serostani também foi acusado de usar um nome falso e de falsificar documentos para ficar no país e promover a sua religião através de trabalhos de caridade, incluindo aulas de alfabetização.

A sua esposa negou as acusações e afirmou que a família vivia em Socotra desde 1945, quando o pai de Serostani chegou à ilha iemenita proveniente do Irão. Trabalhou como médico ainda no período colonial britânico e mais tarde foi-lhe concedida nacionalidade iemenita.

Acrescentou que ele foi preso em 2013 e esteve detido durante nove meses pelas forças de segurança do Estado. "O meu marido foi torturado para obter confissões falsas. Pediram-lhe que trabalhasse para os serviços de informação e ameaçaram acusá-lo de contactos com Israel se ele se recusasse", disse à Reuters, acrescentando que estava preocupada com a sua família após as acusações de tentar converter muçulmanos iemenitas.

O activista dos direitos humanos iemenita Samia al-Aghbari declarou que as acusações contra Serostani faziam parte de uma política de perseguição contra os Baha'is iemenitas, que se estima serem algumas dezenas.

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FONTE: Yemen accuses Baha'i of converting Muslims and ties to Israel (Reuters)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

O que é sagrado? Charlie ou o Profeta?

Por David Langness.


O que é que consideramos sagrado?

Os terríveis assassinatos dos jornalistas franceses do Charlie Hebdo mostram-nos, mais uma vez, que a sacralidade significa algo muito profundo - e por vezes muito diferente - para praticamente todas as pessoas. Estes ataques mostram que a maioria das pessoas defende certas crenças, conceitos e ideias que consideram sagradas.

Os terroristas - irracionais, assassinos, dementes, e agora mortos - acreditavam que os caricaturistas francesas tinha desafiado e blasfemado as suas crenças mais sagradas ao retratar o profeta Muhammad, e por extensão todos os Muçulmanos, de forma desrespeitosa e até obscena.

O público ocidental - entristecido, ultrajado e desafiador - obviamente, como mostram as enormes demonstrações de apoio, acredita na sacralidade da liberdade de expressão e na liberdade de imprensa. Acreditam que as mortes violentas dos jornalistas e outros blasfemam toda a liberdade.

Esta colisão de sacralidades deixa-nos a todos reféns e torna o mundo um lugar muito mais perigoso.

Como jornalista e escritor, acredito na liberdade de expressão como um valor sagrado. Como Bahá’í, considero sagrados os profetas de Deus. Para mim, as caricaturas do Charlie Hebdo sobre Muhammad são grosseiras, profanas, ofensivas e juvenis - mas não questiono o direito dos caricaturistas de as desenhar.

Tanto o conhecido sociólogo francês Émile Durkheim como o filósofo e historiador romeno Mircea Eliade consideraram a experiência humana da realidade como um equilíbrio entre o sagrado e o profano.

Durkheim dizia que “a religião é um sistema unificado de crenças e práticas relativas a coisas sagradas…” e Eliade afirmou “A história das religiões baixa-se e contacta com aquilo que é essencialmente humano: a relação do homem com o sagrado”

Durkheim disse que o sagrado representa os interesses globais do grupo, com o objectivo da unidade, enquanto o profano representa apenas preocupações mundanas individuais. A interpretação de Eliade da experiência religiosa também se concentrou no espaço e no tempo sagrado e profano, que ele definiu, dizendo: "A manifestação do sagrado funda ontologicamente o mundo."

As pessoas que consideram sua Fé sagrada - que incluiria os milhares de milhões de seguidores das muitas das religiões do mundo - obviamente opõem-se àqueles que caluniam e difamam as suas crenças amadas e profundamente enraizados. E aqueles que consideram sagrados os princípios ocidentais de democracia e liberdade de expressão acreditam que ataques a esses princípios atacam os próprios fundamentos do seu próprio ser e da sua cultura.

Algumas pessoas designam este conflito como "choque de civilizações". No entanto, quando pensamos sobre nisso, essa descrição simplista não faz sentido. O mundo real tem muito mais variedade, amplitude e especificidades do que qualquer dicotomia ocidente-oriente poderia conter. Muitos muçulmanos acreditam e lutam pela liberdade de expressão; e muitos ocidentais, incluindo cristãos, judeus e muçulmanos, ofendem-se profundamente quando outros insultam as suas religiões.

O que podemos fazer para encontrar um terreno comum?

Os Ensinamentos Bahá'ís sugerem que esses dois valores - respeito pelas religiões dos outros e do respeito do princípio da liberdade de expressão - podem e devem coexistir pacificamente:
Em verdade vos digo que, a língua é para a menção do bem; não a conspurqueis com palavras indecorosas. Verdadeiramente, Deus perdoou o passado. A partir de agora todos devem proferir o que for decente. Esquivai-vos aos anátemas, às maldições e àquilo com que o homem é perturbado. (Bahá'u'lláh, citado por Mirza Abul-Fadl em The Brilliant Proofs, p. 32)

Não se deve ignorar a verdade de qualquer assunto; em vez disso, deve-se dar expressão ao que é certo e verdadeiro. (Bahá'u'lláh, Tablets of Baha’u'llah, p. 38)
Tal como no mundo da política há necessidade de pensamento livre, da mesma forma no mundo da religião deve haver o direito ilimitado de crença individual. Considerai quão grande a diferença que existe entre a democracia moderna e as velhas formas de despotismo. Sob um governo autocrático as opiniões dos homens não são livres, e o desenvolvimento é sufocado, enquanto na democracia, porque a liberdade de pensamento e de expressão não são restringidas, testemunha-se um maior progresso. Isso também é verdade no mundo da religião. Quando a liberdade de consciência, liberdade de pensamento e direito à expressão prevalecem - isto é, quando cada homem segundo a sua própria idealização pode expressar as suas crenças - o desenvolvimento e o crescimento são inevitáveis. ('Abdu'l-Baha, The Promulgation of Universal Peace, p. 197)
Para os Bahá'ís, a resposta a este conflito de verdades sagradas significa perceber que caluniar crenças do outro só ajuda a espalhá-las - tal como matar o mensageiro torna a sua mensagem ainda mais amplamente ouvida. As escrituras Bahá'ís pedem a todas as pessoas que se abstenham de violência e que se abstenham de criticar as crenças dos outros. Porém, quando alguém critica as suas crenças, os Ensinamentos Bahá'ís recomendam que se ignore a calúnia e se trabalhe para unir a humanidade:
Este é o resultado da obra do caluniador: ser a causa de orientação dos homens para a descoberta da verdade. Sabemos que todas as falsidades espalhadas sobre Cristo e os seus apóstolos e todos os livros escritos contra Ele, só levaram as pessoas a inquirir sobre  a Sua doutrina; em seguida, tendo visto a beleza e inalado a fragrância, eles andaram cada vez mais no meio das rosas e dos frutos desse jardim celestial.

Assim, eu vos digo: espalhai a Verdade Divina com todas as vossas energias para que a inteligência dos homens se possa iluminar; esta é a melhor resposta para aqueles que caluniam. Eu não quero falar dessas pessoas nem dizer nada mal sobre elas - apenas dizer-vos que a calúnia não tem importância! ('Abdu'l-Baha, Paris Talks, p. 104)

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Texto original: What is Sacred–Je Suis Charlie, or the Prophet? (bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Contra a violência religiosa!


Education is not a Crime

A actriz americana Eva LaRue, que ficou conhecida pelo seu papel de Natalia Boa Vista na série de TV CSI: Miami juntou-se à campanha ‪#‎EducationIsNotACrime‬, com estas palavras de apoio:

"Todos devem ter o direito a uma educação. Os Bahá'ís devem ter os mesmos direitos e recursos que os seus concidadãos iranianos.”


Nota: Eva LaRue já esteve em Portugal.

sábado, 10 de janeiro de 2015

As experiências de quase-morte provam alguma coisa?

Por David Langness.

Saibam com toda a certeza que o homem não foi criado para a vida neste mundo pois esta é mortal e não há segurança nela. Será possível que esta grande e gloriosa criação deva terminar com a mortalidade? Será que o resultado da grande criação de Deus que é ilimitada - ou seja, o homem - deva viver neste mundo durante um certo número de dias com muitas dificuldades, problemas, sem repouso, nem descanso, e depois morra e termine na mortalidade? Não; em verdade, isto não é correcto! Não, pelo contrário, este ser glorioso e grandiosa criação foi feito para a vida eterna, a felicidade espiritual, as revelações do coração, a inspiração divina, as perfeições celestiais e virtudes do reino. ('Abdu'l-Baha, Tablet to the Baha’is of Ithaca, New York, Star of the West, Volume 9)
Durante a guerra do Vietname, tive muitos amigos que morreram em tiroteios. Apenas um voltou.

Evacuação de militares feridos no Vietname
O nosso pelotão, em patrulha na selva a leste de um local chamado Phu Bai, deparou-se com uma grande força de tropas norte-vietnamitas, e o tiroteio começou. O meu amigo Colin, um sargento de S. Francisco, foi atingido quase imediatamente. Com três ferimentos de balas de AK-47 no tronco, não tinha sinais vitais quando chegámos junto dele, mas um helicóptero Medevac pousou, e eu com outro soldado chamado Hamilton colocámos o corpo do Colin numa maca e levámo-lo dali para o helicóptero. Retirei-lhe o capacete e disse uma rápida oração antes do helicóptero levantar.

No dia seguinte, estava à espera de ouvir que o nosso pelotão ia fazer uma colecta para enviar umas flores à sua família. Em vez disso, ouvi dizer que os enfermeiros no helicóptero e os médicos num hospital de campo o tinham ressuscitado. Milagrosamente, ele estava vivo e esperava-se que recuperasse.

Uma semana mais tarde fui ao hospital de campanha na nossa base militar para tentar visitar o Colin.

Experiência de Quase-Morte do sargento Colin

"Eu morri", disse ele, sorrindo.

"Sim, eu sei", disse-lhe, acenando espantado com a cabeça. "Eras um caso perdido quando te apanhámos."

Encontrei o Colin deitado numa cama de hospital, com pensos, costuras, e ligado a vários tubos. O seu precioso amuleto da sorte, um símbolo da paz revestido a couro que ele usava sempre ao pescoço, ainda estava no seu peito. Alguns do seu sangue seco tinha manchado o couro.

Obviamente, ainda dorido e imobilizado, fez um largo sorriso quando me viu e os seus olhos brilharam.

Fiquei ali à frente dele, olhando-o pasmado.

"Quanto tempo estive ausente?" perguntou-me.

"Talvez alguns minutos antes te colocarmos no helicóptero”, respondi.

"Eu vi-te a fazer isso, tu e o Hamilton."

"O que é que queres dizer com isso?", perguntei-lhe intrigado. "Tu estavas morto, homem! Não estavas a ver nada!"

"Eu podia ver tudo, podia ouvir tudo. Depois de tu e o Hamilton me colocarem na maca ", disse Colin, olhando para o seu corpo, como se ainda pudesse ver a coisa a acontecer. "Ele pegou na parte da frente, e tu levantaste a parte de trás. Tu tiraste o meu capacete. O Hamilton disse: 'Vou ter saudades deste hippie palerma'. "

Senti um calafrio nas costas, porque aquelas tinham sido as palavras exactas do Hamilton.

Prova de Vida Após a Morte?

Este surpreendente incidente de guerra, e outros como este, despertaram o meu interesse pelas experiências de quase-morte. Desde então, tenho lido vários livros e estudos de investigação sobre "EQM" (NDE, near-death experience, em inglês), encontrei-me e falei com várias pessoas que tiveram experiências similares, após terem sido declaradas clinicamente mortas.

Assim, nesta série de artigos, vamos analisar as experiências de quase-morte e explorar o que podem significar, se são cientificamente credíveis, e se realmente provam alguma coisa sobre a vida depois da morte.

Os Bahá’ís acreditam fortemente, assim como a maioria das grandes religiões do mundo, que a vida humana continua após a morte. Como se pode ver na citação anterior de 'Adbu’l-Bahá, os ensinamentos Bahá'ís afirmam que o propósito desta existência física inclui atingir esse mundo imortal.

Por outras palavras, vivemos neste plano de existência como uma preparação para o próximo.

É claro que ninguém descobriu qualquer prova científica da existência desse outro mundo. Durante séculos as pessoas tentaram atravessar as barreiras da morte e do tempo, mas ninguém conseguiu. Isso é compreensível, porque a ciência, pela sua própria definição, estuda e mede o universo físico, não o espiritual ou metafísico. Os Bahá’ís acreditam que nos aguarda uma existência não-material, imortal e transcendente; isso, por definição, está para lá dos limites da investigação científica e das provas físicas.

Isso significa que os relatos de quem passou por experiências de quase-morte são provavelmente o mais próximo que conseguiremos chegar para compreender o que nos aguarda quando nossos corpos deixarem de funcionar e as nossas almas seguirem o seu caminho.

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Texto original: Do Near-Death Experiences Prove Anything? (bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.