domingo, 20 de Julho de 2014

Este pequeno planeta não merece ser dividido

Por David Langness.


A guerra civil na Síria já atravessou a fronteira e entrou no Iraque. Mas quem fez essa fronteira?

Para perceber a resposta a esta pergunta, é importante conhecer o significado de duas palavras: Levante e al-Jazira.

Governada ao longo dos séculos por persas, gregos, romanos e árabes, a Al-Jazira tem sido descrita como o berço da civilização, e corresponde ao território da antiga Mesopotâmia, onde os seres humanos fizeram as primeiras colheitas agrícolas e domesticaram animais. Os arqueólogos descobriram evidências consistentes na região sobre o estabelecimento de sociedades de caçadores-colectores que lentamente se tornaram agrícolas, por volta de 9000 aC. Foi aqui que as pessoas começaram a fazer culturas agrícolas; e como consequência, as suas civilizações prosperaram e espalharam-se em todas as direções.

Toda a região que circunda a Al-Jazira é conhecida desde o século VXI como Levante ou Mediterrâneo Oriental; esta região inclui as actuais nações de Israel, Jordânia, Líbano, Síria, Palestina, a Província de Hatay do Sul da Turquia e a ilha de Chipre. A região tem o seu nome da palavra francesa "levant", que significa "nascente." A palavra designado a região como o lugar no Oriente onde o sol nasce, onde a luz tem origem e onde surgem as religiões.

Guerra Civil na Síria
Após a Primeira Guerra Mundial, os governos britânico e francês criaram a fronteira actual entre a Síria e o Iraque na parte da al-Jazira, no Levante. A Grã-Bretanha e a França dividiram uma região desértica, rural e contígua entre os rios Tigre e Eufrates, que constitui a região central da al-Jazira. Quando desenharam aquela fronteira arbitrária, dividiram uma população árabe sunita predominantemente rural com fortes afinidades tribais, em duas nacionalidades diferentes.

Talvez isso explique por que a cidade iraquiana de Mosul, recentemente "tomada" pelas forças do ISIL, caiu tão rapidamente. As províncias iraquianas de Anbar, Nínive e Diyala, são regiões predominantemente sunitas com profundas ligações à Síria, têm mais simpatia e afinidade com seus correligionários sunitas na Síria do que com os que formam o governo xiita de Bagdade. Mosul, historicamente, tinha laços mais fortes com a região síria de Aleppo do que alguma vez teve com Bagdade.

Mas podemos dizer que a queda de Mosul e outras cidades iraquianas na região da Al-Jazira é culpa da partição Europeia de há quase um século? Não totalmente. Também temos de ter em conta a crescente divisão sectária entre muçulmanos sunitas e xiitas no Iraque, agravada pelas opções políticas do governo iraquiano do pós-guerra, liderado por xiitas.

Quando qualquer governo privilegia uma comunidade ou grupo religioso acima de outro, então as tensões aumentam inevitavelmente. Tanto na Síria como no Iraque, os governos actuais e anteriores favoreceram grupos religiosos e tribais minoritários, mantendo o seu poder através de uma repressão brutal e da força militar. Os ensinamentos Bahá'ís falam claramente sobre as soluções para estes problemas aparentemente insolúveis:
Nestes dias deve existir um grande poder de entendimento incutido nas nações. Os princípios da unidade do mundo da humanidade devem ser proclamados, compreendidos e postos em prática, de modo que todas as nações e religiões possam lembrar-se novamente do facto, há muito esquecido, que são todos descendentes de uma primeira humanidade, Adão, e habitantes de uma única terra. Não respiram todos o mesmo ar? Não é o mesmo sol que brilha para todos? Não são todos ovelhas de um único rebanho? Deus não é o pastor universal? Ele não é bondoso para com todos? Vamos banir os pensamentos irreais sobre oriente e ocidente, norte e sul, europeus e americanos, ingleses e alemães, persas e franceses.

Considerai a criação do universo infinito. Este nosso mundo é um dos mais pequenos planetas. Esses corpos fantásticos giram num espaço imensurável, a abóbada celeste azul infinita de Deus, são muitas vezes maior do que a nossa pequena terra. Aos nossos olhos este globo parece vasto; no entanto, quando olhamos para ele com olhos divinos, este fica reduzido ao mais pequeno átomo. Este pequeno planeta não merece ser dividido. Não é uma única casa, uma única terra natal? Não é toda a humanidade uma única raça? Na criação não existe qualquer diferença entre os povos.

Que visão acanhada teríamos se tentássemos dividir uma sala em zonas oriental e ocidental. A divisão geográfica deste mundo é um paralelismo igual. Com a nossa ignorância e falta de visão dividimos esta casa comum, dividimos os membros desta família em várias raças, dividimos a religião em diferentes seitas e depois com essas supostas divisões fazemos guerra uns contra os outros; derramamos o sangue dos outros e saqueamos os seus bens. Não é isto uma ignorância imperdoável? Não é isto o cúmulo da injustiça? ('Abdu'l-Baha, Divine Philosophy, pp. 177-179)
 
Aquilo que 'Abdu'l-Bahá designa como "supostas divisões" é descrito agora por estudiosos como "identidades políticas" modernas. Muitas nações e facções em todo o mundo aprenderam a usar os conflitos inerentes a algumas políticas de identidade para obter vantagens. Ao reforçar o impulso sectário em populações específicas e ao fomentar divisões entre as pessoas, utilizando os meios de comunicação modernos, os líderes políticos e militares de países como o Iraque, a Síria, o Irão, muitos países dos Balcãs e lugares como Ruanda e Sudão usam as origens étnicas cultural e religiosas para dividir e conquistar. Depois transformam estas divisões sectárias profundas em guerra, fome e caos.

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Texto original: This Small Planet, Not Worthy of Division (bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

segunda-feira, 30 de Junho de 2014

Cristo é Deus?

Por Alex Gottdank.


Aparentemente as Escrituras Bíblicas contêm um paradoxo: Cristo é, e não é, Deus.

Vejamos as seguintes citações:
"... Cristo Jesus... não considerou como uma usurpação ser igual a Deus" (Filipenses 2:5-6).

Cristo declarou: "... o Pai é mais do que eu" (João 14:28).

Cristo proclamou: "Eu e o Pai somos Um" (João 10:30).

Cristo perguntou: "... Porque me interrogas sobre o que é bom? Bom é um só... " (Mateus 19:17).

"Jesus disse-lhe... Quem me vê, vê o Pai.... "(João 14:9).

"A Deus jamais alguém o viu... " (João 1:18).

"No princípio existia o Verbo... e o Verbo era Deus... E o Verbo fez-se homem e veio habitar connosco..." (João 1:1, 14).

"Porque é nele que habita realmente toda a plenitude da divindade" (Colossenses 2:9).

"Será que Deus poderia mesmo habitar sobre a terra? Pois se nem os céus nem os céus dos céus te conseguem conter! Quanto menos este templo que eu edifiquei?" (1 Reis 08:27).
A Igreja tentou conciliar estas frases, e outras como estas, declarando que Cristo era homem e Deus, um mistério que teríamos de aceitar com base na fé. Mas a frase passagem bíblica - "[Cristo] é a imagem do Deus invisível..." (Colossenses 1:15) e os ensinamentos Bahá'ís que comparam Cristo a um espelho perfeito apresentam-nos uma maneira de compreender este mistério com clareza. Basta apenas pensar como funciona um espelho para compreender o papel de Cristo como um espelho espiritual, ou como imagem de Deus.

Se olharmos para um espelho voltado para o sol, podemos ver o sol; mas que sabemos que a imagem não é o próprio sol; é apenas um reflexo, porque o sol não desce para o espelho. Em vez disso, é o seu atributo - a luz - que se reflecte no espelho.

Da mesma forma, se olharmos para o espelho espiritual de Cristo, veremos Deus; mas sabemos que Cristo é a imagem de Deus, e não o próprio Deus; é o reflexo de Deus, pois Deus não desce para o espelho. Em vez disso, os Seus atributos de amor, poder, omnisciência, etc. reflectem-se no espelho.

As Escritura sustentam este conceito, pois Salomão declarou que nem o seu templo, nem "o céu e o céu dos céus" poderiam "conter" Deus. Consequentemente, se Deus não pode ser contido na Terra, e logicamente descer a ela ou habitar nela, então quando Cristo "habitou entre nós", podemos inferir que não é a essência de Deus, mas os atributos de Deus, que habitaram entre nós.

As escrituras Bahá’ís declaram:
Se dissermos que se vê o sol no espelho, não queremos dizer que o próprio sol desceu das alturas sagradas do seu céu e entrou no espelho! Isso é impossível. A Natureza Divina vê-se nos Manifestantes e a sua Luz e Esplendor são visíveis em glória extrema.( 'Abdu'l-Bahá in London, p. 23)
Como tal, reconhecemos que Cristo, sendo uma imagem de Deus para a humanidade, reflecte os atributos de Deus, e não a essência de Deus. Com esta distinção clara, podemos agora conciliar as citações anteriores.

Quando a Escritura proclama Cristo como "igual" a Deus, mas ao mesmo tempo descreve Deus como "maior que" Cristo, fá-lo, porque Cristo é igual a Deus em propósito, espírito, palavra e qualidades, mas não em essência, porque a essência de Deus é "maior que" a essência de Cristo.

Da mesma forma, quando Cristo diz: "Eu e o Pai somos Um", isso significa que são um em espírito, propósito e atributos de Deus. No entanto, quando Cristo diz: "Porque me interrogas sobre o que é bom? Bom é um só", Ele quer dizer que a Sua essência não se pode comparar com a essência de Deus.

Da mesma forma, pode-se "ver o Pai", olhando para Cristo, pois vêem-se os atributos de Deus em Cristo, mas não se pode ver a essência de Deus, pois "a Deus jamais alguém o viu".

E, por último, Cristo enquanto imagem de Deus que se fez carne encarna "totalmente" os atributos de Deus, a Palavra, e o Espírito na Terra, mas não a essência de Deus, pois a essência de Deus não pode "habitar" no meio de nós.

Os ensinamentos Bahá'ís declaram de forma inquestionável que Cristo é, e não é, Deus, tal como a Bíblia ensina. Por um lado, Cristo é Deus, pois quando olhamos para Cristo vemos a imagem e a presença de Deus na terra. Por outro lado, Cristo não é Deus, pois enquanto "imagem do Deus invisível", Cristo reflecte os atributos de Deus para a humanidade, sem encarnar a essência de Deus. Por outras palavras:
... o homem perfeito [Cristo],... tem a pureza e a transparência de um espelho perfeito - aquele que reflecte o Sol da Verdade. De tal... podemos dizer que a Luz da Divindade com as perfeições celestes habita nele. ('Abdu'l-Bahá in London, p. 23)
Além disso, ao reconhecer Cristo como "imagem de Deus" sustentamos a crença monoteísta na unicidade de Deus (a essência de Deus), conforme descrito nas Escrituras Hebraicas: "Eu sou o Senhor... não existe outro Deus além de mim... (Isaías 45:5).

Em resumo, conhecemos Deus porque conhecemos e temos uma relação pessoal com nosso Senhor Jesus Cristo. Através do Seu reflexo perfeito de Deus, conhecemos as qualidades de Deus, o propósito de Deus, a Palavra de Deus e o Espírito de Deus. No entanto, apesar de Deus ser cognoscível dessa maneira, Ele permanece incognoscível na sua mais íntima essência.

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Texto original em inglês: Is Christ God? (bahaiteachings.org)

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Alex Gottdank é um Bahá’í de origem judaica e cristã, autor do livro Preparing for Christ’s New Name, uma análise da natureza do regresso de Cristo. Como pioneiro bahá'í, ele foi membro da Assembleia Espiritual Nacional das Western Caroline Islands entre 1988 e 2000. Actualmente é professor de história em San Juan Capistrano, na Califórnia.

sábado, 21 de Junho de 2014

Porque Sofremos? (5ª parte)

Quinta parte de uma apresentação dedicada ao tema "Porque Sofremos?"

Conteúdo:
- Estaremos a ser testados?
- Sofrimento” é sinónimo de Teste?
- Conclusões


terça-feira, 17 de Junho de 2014

Quem é Jesus Cristo para os Bahá'ís?

Por Brent Poirier.


Quem é Jesus Cristo para os Bahá'ís? Um homem bom? Um mero profeta? Numa curta resposta: os Bahá’ís acreditam que Jesus é quem Ele diz ser.

Devemos ter em mente que quando tentamos entender Jesus - que é essencialmente divino - com as nossas limitadas mentes humanas, temos de ter cuidado para não O limitar a definições fáceis. Ao descrever a condição dos Mensageiros de Deus, os ensinamentos Bahá’ís afirmam:
Em todos os casos, Eles pronunciaram palavras que estava de acordo com os requisitos do momento, e atribuíram todas estas declarações a Si próprios, declarações que vão desde o domínio da Revelação divina ao reino da criação, e até do domínio da Divindade ao domínio da existência terrena. Assim é, que tudo o que seja a Sua palavra - quer pertença ao reino da Divindade, do Domínio, da Profecia, do Mensageiro, da Protecção, do Apostolado ou da Servidão - tudo é verdade, sem sombra de dúvida. (O Livro da Certeza, parágrafo 181)
A Bíblia refere-se a Jesus com muitos destes mesmos títulos e estatutos. Os versículos afirmam claramente o Seu Domínio, referindo-se também a Ele como o Senhor e como Mestre:
"Vós chamais-me 'o Mestre' e 'o Senhor', e dizeis bem, porque o sou." (João 13:13)

"Vigiai, pois, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor." (Mateus 24:42)
Jesus Cristo é referido como um "profeta" nos versículos da Bíblia. Os Cristãos aceitam amplamente este versículo como uma promessa da vinda de Jesus Cristo no Pentateuco:
Christ II, por Robert Silvers
"Suscitar-lhes-ei um profeta como tu, dentre os seus irmãos; porei as minhas palavras na sua boca e ele lhes dirá tudo o que Eu lhe ordenar." (Deuteronómio 18:18)

"Mas Jesus disse-lhes: «Um profeta só é desprezado na sua pátria e em sua casa.»." (Mateus 13:57)

"Mas hoje, amanhã e depois devo seguir o meu caminho, porque não se admite que um profeta morra fora de Jerusalém." (Lucas 13:33)

"E a multidão respondia: «É Jesus, o profeta de Nazaré, da Galileia." (Mateus 21:11)
Será que isto significa que Jesus é "apenas" um profeta? Continuemos a leitura. Jesus refere-Se a Si próprio como Filho do Homem:
Jesus ouviu dizer que o tinham expulsado e, quando o encontrou, disse-lhe: «Tu crês no Filho do Homem?» Ele respondeu: «E quem é, Senhor, para eu crer nele?" (João 9:35-36)
Os seguintes versículos da Bíblia referem-se a Jesus Cristo como um "Mensageiro", o "Mensageiro da Aliança":
Eis que Eu vou enviar o meu mensageiro, a fim de que ele prepare o caminho à minha frente. E imediatamente entrará no seu santuário o Senhor, que vós procurais, e o mensageiro da aliança, que vós desejais. Ei-lo que chega! -, diz o Senhor do universo. (Malaquias 3:1.)
Na Epístola aos Hebreus, S. Paulo refere-se a Jesus como um "apóstolo" e como o "Sumo-sacerdote":
"Por conseguinte, irmãos santos, participantes de uma vocação celeste, considerai Jesus como o Apóstolo e o Sumo-sacerdote da fé que professamos..." (Hebreus 3:1)
A própria Bíblia expressa a servidão e a humildade de Jesus. Em Isaías, Deus refere Jesus como "Meu servo", e Jesus confirmou que o versículo se refere a Ele:
"Eis o meu servo, que Eu amparo, o meu eleito, que Eu preferi" (Isaías 42:1; Mateus 12:17-18 confirma que este versículo refere-se a Jesus.)
A Bíblia também refere Jesus como "Salvador":
"E o anjo disse-lhes:" ... Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. " (Lucas 2:10-11)
Então, quem é Jesus? De acordo com a Bíblia, Ele é o Filho do Homem, o Filho de Deus, Senhor, Profeta, Mensageiro, Mestre, Servo, Salvador, Apóstolo e Sumo-sacerdote. Assim, os versículos bíblicos acima citados demonstram a explicação de Bahá'u'lláh de que em diferentes circunstâncias os Manifestantes de Deus se identificam por diferentes nomes e condições - até mesmo a condição da Divindade:
Fosse algum dos reconhecidos Manifestantes de Deus declarar "Eu sou Deus!", Ele, na verdade, diria a verdade, e dúvida alguma haveria sobre isso. Pois tem sido repetidamente demonstrado que através da sua Revelação, dos seus atributos e nomes, a Revelação de Deus, o Seu nome e os seus atributos, se manifestam no mundo... (O Livro da Certeza, parágrafo 196)

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Texto original em inglês: Who is Jesus Christ to Baha’is? (bahaiteachings.org)

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Brent Poirier nasceu numa família católica e frequentou o seminário, antes de se formar na Loyola Marymount University. Advogado de profissão, tem trabalhado em escolas de verão bahá'ís em várias funções, inclusive como bibliotecário.

segunda-feira, 16 de Junho de 2014

domingo, 15 de Junho de 2014

Porque Sofremos? (4ª parte)

Quarta parte de uma apresentação dedicada ao tema "Porque Sofremos?"

Conteúdo:
- Como justificar o sofrimento extremo?
- Como justificar o mal extremo?


terça-feira, 10 de Junho de 2014

Meninas, Livros e Terror

Um texto de David Langness.


O que assusta  os fundamentalistas fanáticos e terroristas mais do que qualquer outra coisa? Uma menina com um livro.

Sei que soa como uma piada de mau gosto, mas é uma triste verdade.

Na semana passada, a República Islâmica do Irão permitiu que os seus Guardas Revolucionários profanassem e destruíssem o cemitério Bahá'í em Shiraz, onde está sepultada Mona Mahmudnizhad.

Mona Mahmudnizhad
Talvez se lembrem de Mona, se já eram nascidos em 1983 e estivessem atentos. Era uma adolescente entusiasta e brilhante com óptimo aproveitamento escolar, que se ofereceu para dar aulas para crianças e ajudava num orfanato. Tinha dezassete anos quando foi enforcada.

O mundo reagiu com indignação. As condenações vieram de todos os lados. Todas as nações civilizadas se manifestaram contra as sentenças de morte. Vários artistas escreveram livros e músicas em honra de Mona.

Enviado para o cadafalso com outras nove mulheres Bahá’ís, todos foram mortas por enforcamento, em vez de negar a sua fé. Elas não violaram qualquer lei, mas o governo iraniano fez a temível acusação de apostasia - o terrível crime de pertencer a uma religião progressista, que promove a paz no mundo, a unidade racial, a igualdade entre homens e mulheres e a unidade essencial de todas as religiões.

Três dessas corajosas almas eram mulheres casadas - Nusrat Yalda'i, Mrs. Tahirih Siyavushi, e 'Izzat Janami Ishraqi. As outras sete eram adolescentes e jovens solteiras com cerca de 20 anos: Roya Ishraqi, Zarrin Muqimi, Shirin Dalvand, Akhtar Sabit, Simin Saberi, Mahshid Nirumand, e Mona Mahmudnizhad.

Tentem imaginar o momento na sala do tribunal em que o juiz diz: "Se negares a tua fé, deixamos-te sair. Se não o fizeres, serás enforcada."

Todas as dez mulheres se recusaram a pronunciar as palavras que salvariam as suas vidas.

Para a maioria de nós, esse nível de coragem excede os limites da imaginação. Penso muitas vezes nessas dez mulheres, e fico maravilhado com a coragem e firmeza da sua recusa colectiva a curvarem-se perante a coerção final. Eles deram a vida pelas suas convicções, enfrentaram os homens que as desonraram, e disseram "não" a um estado fundamentalista; elas não se submeteram à sua intolerância e ao ódio. Elas desafiaram mecanismo de extermínio fanático do Irão, e triunfaram.

Como? Na morte, estas dez mulheres nunca serão esquecidas. Pensem nisso só por um instante. Os seus torturadores, os seus perseguidores, o juiz que deliberou as suas ímpias sentenças, os políticos brutais e os chamados clérigos que se abstiveram de intervir, o carrasco que colocou a corda nos seus pescoços – quem se lembrará deles? Quando eles forem para as suas sepulturas, como iremos todos nós, as suas vidas estarão para sempre manchadas pela sua injustiça e crueldade; o mundo vai esquecê-los de forma completa e absoluta. O pó dos seus ossos irá misturar-se com a terra sob os seus caixões, enquanto nós continuaremos a homenagear o carácter e a coragem das suas vítimas.

Recentemente, quando os terroristas do Boko Haram na Nigéria sequestraram cerca de 300 alunas, pensei novamente em Mona e nas mulheres Bahá’í que morreram com ela. E perguntei-me: o que há de tão ameaçador sobre as meninas educadas?

Parece que uma menina com um livro assusta algumas pessoas mais do que qualquer coisa.

Malala Yousefzai, a menina paquistanesa com quinze anos de idade que os Talibans balearam na cabeça por defender a educação universal, deu ao mundo um excelente exemplo dessa cobardia inimiga das meninas. Mona e as suas compatriotas mostraram que o governo iraniano, que espanca publicamente as mulheres por não se "cobrirem", tem o mesmo receio de mulheres modernas, capacitadas e educadas. Os terroristas do Boko Haram, ao sequestrarem centenas de estudantes cristãs e ao forçá-las a converterem ao seu tipo de Islão fundamentalista - um acto bárbaro que todos os muçulmanos civilizados abominam e rejeitam – partilham obviamente desse mesmo terror sobre meninas com livros. Aparentemente, os Talibans, o Boko Haram e os mullás fundamentalistas iranianos sabem que as jovens educadas representam o fim do seu poder e dos seus privilégios.

Mas não se pense que este medo é um problema que se confina ao fundamentalismo islâmico. Em todo o mundo, literalistas de diferentes espécies ocupam-se activamente a negar uma educação escolar às meninas. Muitas sociedades "tradicionais" entre hindus, budistas e judeus e cristãos e até mesmo algumas culturas não-religiosas fazem exactamente a mesma coisa, reprimindo, contendo e controlando firmemente a população feminina, negando às jovens qualquer tipo de educação e impedindo-as de desenvolver o seu potencial.

Do ponto de vista Bahá’í, nada poderia ser mais repreensível e retrógrado:
De acordo com o espírito desta época, as mulheres devem progredir e cumprir a sua missão em todos os sectores da vida, tornando-se iguais aos homens. Elas devem estar ao mesmo nível que os homens e gozar os mesmos direitos. Esta é a minha oração fervorosa e é um dos princípios fundamentais de Bahá'u'lláh. (‘Abdu’l-Bahá, Baha’u’llah and the New Era, p. 147).
Na verdade, os Bahá'ís acreditam que o mundo não pode alcançar a paz sem conceder a todas as mulheres a plena igualdade:
A emancipação da mulher - a concretização da plena igualdade entre os sexos - é um dos pré-requisitos mais importantes, embora dos menos reconhecidos, para o estabelecimento da paz. A negação dessa igualdade perpetra uma injustiça contra metade da população do mundo, e promove entre os homens atitudes e hábitos nocivos que são transportados do ambiente familiar para o local de trabalho, para a vida política, e, em última análise, para a esfera das relações internacionais. Não existem quaisquer fundamentos morais, práticos ou biológicos que justifiquem essa privação. Só quando as mulheres forem bem recebidas em todos os campos de actividade humana, em condições de igualdade, é que se criará o clima moral e psicológico do qual poderá emergir a paz internacional. (A Casa Universal de Justiça, A Promessa da Paz Mundial)
Se você está interessado em alcançar a igualdade, promover a paz e terminar com a opressão em todo o mundo, eduque uma menina.

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Texto original: Girls, Books and Terror (bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 7 de Junho de 2014

Legalizar drogas? E cuidar da alma?

Um texto de Judy Cobb.


Há uma questão que me colocam frequentemente: o que pensam os Bahá'ís sobre o consumo de drogas?

Eu sei que muitas pessoas tiveram um encontro com drogas - quer tenha sido pessoal (através de um amigo) ou profissional - que influenciará para sempre a sua opinião de que as substâncias que alteram a mente nunca devem ser legalizadas. Por outro lado, muitos outros acham que faz sentido fazê-lo. As opiniões endurecem dos dois lados da questão.

A lógica do "contra" insiste que a legalização vai alargar a "porta de entrada" o consumo, expondo assim o consumidor a drogas mais perigosas. Os opositores da legalização argumentam que o consumo de substâncias que alteram a mente aumentará crime, diminuirá a segurança pública, terá impactos negativos na saúde e afectará o desempenho no trabalho. O resultado, afirmam, terá custos na produtividade e nas finanças.

A lógica do "pró" argumenta que a legalização das drogas poderia ser benéfica para a economia. Um estudo liberal estima que a legalização das drogas poderia economizar cerca de 41.300 milhões dólares anualmente nos custos de aplicação da lei, e gerar 46,7 mil milhões de dólares em receitas fiscais. O estudo afirma que os governos federal, estaduais e municipais poderiam todos beneficiar financeiramente, equilibrando orçamentos e eliminando os enormes deficits fiscais.

Muitos dos argumentos "pró" e "contra" giram em torno da questão do dinheiro, o que significa que a decisão final sobre a legalização pode basear-se naquilo que as leis sobre droga podem poupar ou gerar em termos de rendimento.

Os argumentos materialistas dominam na imprensa, e as considerações espirituais são deixadas para as nossas casas de culto. Para muitas pessoas, os demasiado visíveis "destroços humanos" parecem ter tido falta de poder da prevenção. Sem uma educação espiritual específica e clara, porém, algumas pessoas vêem as consequências do consumo através dos olhos de hoje, sem considerar um futuro eterno.

A Fé Bahá'í apresenta uma visão clara e consistente sobre o assunto. Para os Bahá’ís, a questão não é apenas legal; em vez disso, centra-se na vida do espírito humano. Os Bahá’ís simplesmente evitam produtos químicos que alteram a mente, incluindo o álcool e outras drogas. Bahá'u'lláh afirma:
Acautelai-vos para não usar qualquer substância que induza letargia e entorpecimento no templo humano e inflija danos sobre o corpo. Nós, em verdade, desejamos para vós apenas o que vos é proveitoso... (Bahá’u’lláh, The Most Holy Book, p. 75).
'Abdu'l-Bahá, escrevendo sobre o consumo de haxixe e os opiáceos, acrescenta:
Quanto ao haxixe... Deus gracioso! Este é o pior de todos os intoxicantes, e a sua proibição está explicitamente revelada. O seu consumo causa a desintegração do pensamento e o entorpecimento completo da alma. Como poderia alguém procurar o fruto da árvore infernal, partilhando-o, e sendo levado a exemplificar as qualidades de um monstro? Como se poderia usar esta droga proibida, e assim, privar-se das bênçãos do Todo-Misericordioso? O álcool consome a mente e faz que o homem a cometer actos absurdos, mas este ópio, este fruto abominável da árvore infernal, e este haxixe cruel extinguir a mente, congela o espírito, petrificar a alma, consome o corpo e deixa o homem frustrado e perdido. (The Most Holy Book, Notes, p. 239).
Os Bahá’ís acreditam que o consumo de drogas e álcool pode ter sérias implicações para a saúde - mas que o impacto espiritual é potencialmente muito maior. 'Abdu'l-Bahá adverte-nos:
Quanto ao ópio, é abominável e amaldiçoado. Deus nos proteja da punição que Ele inflige sobre o consumidor. De acordo com o texto explícito do Livro Mais Sagrado, é proibido, e o seu consumo é totalmente condenado. A razão mostra que fumar ópio é uma espécie de insanidade, e a experiência prova que o consumidor está completamente isolado do reino humano. Que Deus nos proteja a todos contra a perpetração de um acto tão hediondo como esse, um acto que arruína os próprios alicerces da condição humana, e que torna o consumidor destituído para todo o sempre. Pois o ópio prende-se à alma de tal modo que a consciência do consumidor morre, a sua mente fica apagada, e as suas percepções são corroídas. Transforma os vivos em mortos. Extingue o calor natural. Não se pode conceber maior dano do que o infligido pelo ópio. Felizes aqueles que nunca mencionaram o seu nome; considerai, pois, como é infeliz o seu consumidor. (The Most Holy Book, Notes, p. 238)
'Abdu'l-Bahá também nos lembra que o consumo dos opiáceos não é a única cilada, quando afirma "o consumidor, o comprador e o vendedor estão privados da dádiva e da graça de Deus."

O debate quente sobre a legalização continua por agora e no futuro imediato. No entanto, a sabedoria ordena que ouçamos uma nova voz, a voz de Bahá'u'lláh, na nossa tomada de decisão pessoal. As Suas instruções levantam uma questão muito importante: Quando consideramos o consumo de um produto químico que altera a mente e que tem a capacidade de "petrificar a alma", pode o dinheiro ser a única questão?

Quanto vale a sua alma? Pode haver sempre dinheiro suficiente para comprá-la? Se você seguir a orientação das Escrituras Bahá’ís sobre o consumo de substâncias que alteram a mente, poderá nunca ter de colocar que perguntar a si mesmo estas perguntas difíceis.

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Texto original: Legalizing Marijuana – How About the Soul? (bahaiteachings.org)

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Judy Cobb foi professora e assistente social; hoje encontra-se reformada, escrevendo poesia e livros para crianças. Vive em Corona, na California.


quarta-feira, 4 de Junho de 2014

quarta-feira, 28 de Maio de 2014

Porque Sofremos? (2ª parte)

Segunda parte de uma apresentação dedicada ao tema "Porque Sofremos?"

Conteúdo:
- Pressupostos para uma teodiceia Baha'i;
- A Necessidade do Sofrimento;
- Pode haver justiça no sofrimento?


sábado, 24 de Maio de 2014

As minhas 3 questões para estudar as Escrituras Bahá’ís

Por Sonjel (publicado no Baha'i Blog).


Pensava, de forma ignorante e ingénua, que conhecia bem as Escrituras, por ter sido educada como Bahá’i. Não demorou muito até perceber que apesar de conhecer muitos princípios da Fé, eu mal conhecia os seus textos sagrados. Bahá'u'lláh exorta-nos a mergulhar no oceano das Suas palavras e eu estava apenas a flutuar à superfície. E num barco!

Pessoalmente, considero que uma pequena parte do mergulho no estudo de um texto requer aquilo que considero o seu contexto. Em várias aulas de aprofundamento, aprendi que existem três perguntas que se podem revelar muito úteis.

A primeira pergunta que eu coloco, principalmente quando se trata de uma obra de Bahá'u'lláh, é a seguinte:

Quando e onde foi revelado o texto, ou quem o compilou?

A resposta a esta questão adiciona um novo nível de apreço no meu estudo. Por exemplo, o meu entendimento sobre a majestade e grandeza do Kitab-i-Aqdas eleva-se quando considero que, paradoxalmente, foi revelado num pequeno quarto, de uma minúscula habitação cheia de gente, sob prisão domiciliar, numa colónia penal pestilenta cujo ar era tão imundo que se dizia que um pássaro cairia morto com o fedor.

A data da revelação também é importante. Trata-se de um texto que surgiu antes ou depois do anúncio da revelação de Bahá'u'lláh? No livro A Revelação de Bahá'u'lláh (volume I), Adib Taherzadeh descreve como a condição de Bahá'u'lláh antes da Sua revelação era como uma lâmpada coberta por um pano. O seu brilho estava ofuscado, mas ainda assim estava presente. O Kitab-i-Íqán, por exemplo, foi revelado um ano antes da Sua declaração; tendo isto em mente, o meu apreço pelas Suas palavras e afirmaçõesaumenta.

Alguns dos livros de escrituras que temos disponíveis são compilações - como Seleção dos Escritos de Bahá'u'lláh. Uma vez houve um amigo que me disse que se fosse parar a uma ilha deserta apenas com um livro, ele gostaria que fosse um exemplar do Seleção, pois esta compilação de escrituras de Bahá'u'lláh é ainda mais encantadora porque foi elaborada por Shoghi Effendi. De todos os escritos da Abençoada Perfeição, estes são os que ele seleccionaria pessoalmente para estudo essencial.

Para mim, a mais comovente de todas as compilações é a Epístola da Visitação, que é recitada na Santuários do Báb e Bahá'u'lláh. Esta epístola é uma tapeçaria de textos da Abençoada Beleza que foram carinhosamente costuradas por um Nabil adoentado, e à qual o Mestre atribuiu autoridade. Recitar as suas palavras é homenagear o Báb e Bahá'u'lláh - ao longo de uma homenagem silenciosa de um servo fiel tão abatido pelo falecimento de Bahá'u'lláh que se lançou ao mar e suicidou-se.

A segunda pergunta que coloco é:

Que medida de autoridade possui o texto?

Isto torna-se particularmente interessante no caso das escrituras de ‘Abdu’l-Bahá, porque nem todas as publicações das Suas palavras têm o mesmo peso. Aqueles escritos pela Sua própria mão - como O Segredo da Civilização Divina, Memorias dos Fiéis, e A Última Vontade e Testamento de 'Abdu'l-Bahá, para citar alguns – possuem autoridade inegável e irrevogável. Outros textos, como A Promulgação da Paz Universal, proporcionam um tipo diferente de inspiração: contêm transcrições das Suas palestras que nunca foram aprovadas pelo Mestre, e de certa forma isso pode ser considerado semelhante as notas de peregrinos.

Além disso, o Guardião esclarece o seguinte:
Shoghi Effendi estabeleceu o princípio de que os Bahá’ís não devem dar muita importância às palestras atribuídas ao Mestre, se estas não obtiveram, de uma forma ou outra, a Sua aprovação. [...] Aquelas palestras do Mestre que foram posteriormente revistas por Ele, corrigidas ou de alguma outra forma consideradas autênticas por Ele próprio, tais como " Respostas a Algumas Perguntas", podem ser consideradas como Epístolas e, portanto, ser-lhes atribuído a necessária poder vinculativo. Todas as outras palestras, como as que estão se encontram no diário de Ahmad ou notas de peregrinos, não se enquadram nesta categoria e podem ser considerados apenas como material interessante por aquilo que valem.[1]
Isto torna o Respostas a Algumas Perguntas ainda mais especial e o seu processo único de autorização está descrito na sua introdução:
Como interlocutora, a Sra. Barney conseguiu que um dos genros de 'Abdu'l-Bahá, ou que um dos três distintos persas do seu secretariado durante esse período, estivesse presente durante as palestras para garantir a exactidão no registo das Suas respostas às questões que Lhe eram colocadas. 'Abdu'l-Bahá posteriormente leu as transcrições, por vezes mudando uma palavra, ou uma linha, com Sua caneta. Depois foram traduzidas para inglês pela Sra. Barney.
O que significa esta diferença? Pessoalmente, isso significa que eu estudo e ganho inspiração com todos os textos acima mencionados, e o meu coração alegra-se com a semântica daqueles textos que não são autênticos.

A terceira pergunta que eu gostaria de colocar é a seguinte:

O que diz o Guardião sobre o texto?

O livro Presença de Deus é um recurso fantástico por muitos motivos; mas uma das razões é que apresenta um resumo, uma descrição e uma homenagem completas às escrituras. Ao examinar um texto em particular, pode ser realmente útil ler o que Shoghi Effendi escreve magistralmente sobre este. E porque as sagradas escrituras da nossa Fé são tão diferentes de tudo que já li, sinto a necessidade de um entendimento básico sobre um texto antes de mergulhar nele e considero que Presença de Deus, pode ajudar-me nisso.

Estes são as minhas três questões favoritas para estudo; mas existem por aí muitas outras ferramentas! Estão publicados guias de estudo, como este guia para o Kitáb-i-Íqán, por Hooper Dunbar; existem alguns imensos recursos on-line (como este site, onde se pode fazer download da ferramenta Ocean, uma biblioteca pesquisável de textos religiosos ), e você nunca sabe que pedras preciosas vai encontrar quando estuda com os outros.

[1] De uma carta escrita em nome de Shoghi Effendi para a United States Publishing Committee, 29 de Dezembro de 1931

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Sobre a autora: Sonjel é bibliotecária e vive na ilha de Prince Edward (costa oriental do Canadá). É escritora, leitora ávida, mãe e esposa.

quarta-feira, 21 de Maio de 2014

Porque Sofremos? (1ª parte)

Primeira parte de uma apresentação dedicada ao tema "Porque Sofremos?"

Conteúdo:
- Algumas questões possíveis sobre "Sofrimento";
- Perspectivas das grandes religiões Mundiais sobre o Sofrimento;
- O Sofrimento durante o Iluminismo.


sábado, 17 de Maio de 2014

Cemitério Histórico Bahá’í destruído em Shiraz, Irão

Camiões alinhados durante a demolição do cemitério Bahá'í de Shiraz
A Comunidade Internacional Bahá'í divulgou um comunicado denunciando a destruição de um cemitério histórico em Shiraz, Irão, local onde se encontram sepultadas dez mulheres Bahá’ís que foram enforcados pelo governo iraniano em 1983.

As suas mortes tornaram-se um símbolo da pior perseguição governamental contra os Bahá’ís, que são a maior minoria religiosa do Irão. Uma das mulheres enforcadas, Mona Mahmudnizhad, tinha apenas 16 anos de idade quando foi executada por ensinar numa escola dominical para as crianças.

Após a sua morte, Mona Mahmudnizhad tornou-se uma heroína para a comunidade Baha'i. Sabe-se que ela foi torturada e humilhada na prisão, e pouco antes de ser enforcada beijou as mãos do seu carrasco e depois a corda. Ela própria colocou a corda no seu pescoço e sorriu "num acto final de desafio", de acordo com Payam Akhavan, co-fundador do Iran Human Rights Documentation Centre.

O cemitério está a ser destruído pela Guarda Revolucionária, apesar das críticas internacionais, e de não existir uma autorização de demolição por parte das autoridades municipais. A Guarda Revolucionária anunciou planos para construir um novo centro cultural e desportivo no local do cemitério .

Bani Dugal, a principal representante da Comunidade Internacional Bahá'í nas Nações Unidas, criticou a inacção do presidente iraniano, afirmando: "Considerando que o seu próprio conselheiro tem viajado pelo país pedindo respeito pelas minorias religiosas, esperávamos que o Presidente Rouhani interviesse e pusesse fim a este acto de profanação da Guarda Revolucionária ".

E acrescentou: " Dado o carácter histórico deste local, onde estão sepultados cerca de 950 Bahá’ís, incluindo dez mulheres que foram enforcadas em 1983 por se recusarem a negar a sua fé Bahá’í, este acto continuado não é apenas ilegal, mas moralmente ultrajante."

Em Dezembro, o Senado dos EUA condenou formalmente perseguição contra os Bahá'ís do Irão, aprovando a Resolução 75, que pressionou o governo iraniano a resolver a situação da comunidade Bahá’í e a incluí-lo na sua proposta-projecto de "Carta dos Direitos dos Cidadãos"

Durante o seu julgamento, foi dito às mulheres que se renunciaram à sua fé, seriam libertadas. No entanto, nenhuma aceitou. Zarrin Muqimi-Abyanih (com 28 anos de idade) respondeu: "Quer vocês aceitem isso ou não, eu sou Bahá’í. Vocês não podem tirar-me isso. Eu sou Bahá’í com todo o meu ser e com todo o meu coração."

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FONTE: Historic Baha'i Cemetery In Iran Excavated, Destroying Graves Of Martyrs (Huffington Post)

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