sábado, 1 de Novembro de 2014

Nietzsche e aprender a amar uma Oração

Por Greg Hodges.


Toda a alma tem capacidade para se aproximar de Deus em oração e adoração.

Mas apesar desta capacidade universal, todos nascemos descrentes. Viemos ao mundo sem qualquer conhecimento sobre o Criador, completamente inconscientes da Revelação Divina, e ignorando quaisquer práticas espirituais com as quais possamos comungar com o Espírito Santo. Tal como afirma uma oração Bahá’í, “Se não fossem os Teus apelos, eu não Te adoraria”. A espiritualidade deve ser aprendida, porque no coração da espiritualidade está o amor; devemos aprender a amar. ‘Abdu’l-Bahá chama a atenção do leitor para este tema num texto sobre a educação espiritual das crianças:
É a esperança de 'Abdu'l-Bahá que essas almas jovens na sala de aula do conhecimento profundo sejam assistidas por alguém que as ensine a ter amor. Que todas elas, com todo o poder do espírito, possam aprender bem os mistérios ocultos - tão bem que, no Reino do Todo-Glorioso, cada uma delas, tal como um rouxinol dotado de fala, anuncie em voz alta os segredos do Reino Celestial e, como alguém que ama ardentemente, expresse o seu extremo desejo e a sua necessidade absoluta do Bem-Amado. (Selecção dos Escritos de ‘Abdu’l-Bahá, nº 107)
Ensinar uma criança a recitar uma oração simples, não é muito difícil. Algumas boas técnicas combinadas com uma metodologia consistente constituem o caminho para alcançar esse objectivo básico. Mas a adoração fervorosa a Deus descrita por 'Abdu'l-Baha exige uma transformação interna na criança que requer tempo, atenção e prática. No início, a criança pode seguir os movimentos que aparentam uma oração e não entender o impulso espiritual por trás desta. Por isso, pode precisar de anos para cultivar o desejo íntimo de comunhão com o Espírito Santo. A imitação vazia pode impedir o desejo. O amor não se aprende facilmente, e pode passar por muitas fases de desenvolvimento antes de chegar à comunicação arrebatadora com o misterioso, que 'Abdu'l-Baha descreve de forma tão bela e convincente.

Pensei nas palavras de 'Abdu'l-Bahá quando me deparei com o seguinte excerto de Friedrich Nietzsche, no seu livro A Gaia Ciência. Acho que dá que pensar quando reflectimos sobre a tarefa 'Abdu'l-Bahá coloca diante de nós. Nietzsche usa o exemplo da música:
Devemos aprender a amar. Isto é o que acontece connosco na música. Devemos em primeiro lugar aprender a ouvir um tema, uma melodia, de uma maneira geral, a percebê-la, a distingui-la, a limitá-la e isolá-la na sua vida própria. Devemos em seguida fazer um esforço de boa vontade - para a suportar, mau-grado a sua novidade - para ser pacientes com o seu aspecto e a sua expressão - e de caridade - para tolerar a sua estranheza. Por fim chega o momento em que já estamos acostumados, em que a esperamos, em que pressentimos que nos faltaria se não viesse; a partir de então continua sem cessar a exercer sobre nós a sua pressão e o seu encanto e, entretanto, tornamo-nos os seus humildes e encantados adoradores, que não pedem mais nada ao mundo, senão ela, ainda ela, sempre ela.

Não sucede assim só com a música: foi da mesma maneira que aprendemos a amar tudo o que amamos. No final somos sempre recompensados pela nossa boa vontade, a nossa paciência, a nossa mente justa, a nossa gentileza com as coisas que nos são novas; porque as coisas, pouco a pouco, levantam o seu véu e apresentam-se aos nossos olhos como belezas indescritíveis: é o agradecimento da nossa hospitalidade. Quem se ama a si próprio aprende a fazê-lo seguindo um caminho idêntico: existe apenas esse. O amor também deve ser aprendido.
Uma boa oração é como uma boa música - é necessário prática para apreciar algo tão bonito. Tal amor e apreço levam tempo a desenvolver antes que se transformem em hábitos. Os nossos hábitos, muito mais do que apenas gestos e movimentos exteriores, tornam-se as posturas que moldam o nosso ser. Gradualmente voltamos o espelho do nosso coração para Deus - o sol celestial de iluminação espiritual - aprendendo a amar a oração e torná-lo uma prática habitual. Pode exigir uma série de etapas intermédias, alguma atenção consistente e uma devoção à sua prática diária. Consequentemente, não devemos desanimar, se nós ou qualquer um dos nossos entes queridos, não conseguir passar de um lado para o outro com um único passo.

Se alguém recita a palavra de Deus, comunga silenciosamente, ou improvisa com as suas próprias palavras, a oração fortalece-lhe a alma com a força da sua própria voz, e permite-lhe chamar o seu Bem-Amado. Cada um desses modos ou oração pode parecer estranho num primeiro encontro - mas devemos aprender a amar a beleza na oração quando oramos.

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 Texto original: Nietzsche and Learning to Love Prayer (bahaiteachings.org)

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Greg Hodges é um apaixonado pela combinação da mudança social com a renovação espiritual. Vive com a sua esposa no Maine (EUA).

quarta-feira, 29 de Outubro de 2014

Acabar com a Pobreza

Sempre que homens e mulheres são condenados a viver na pobreza, os direitos humanos são violados.

terça-feira, 28 de Outubro de 2014

50 estabelecimentos comerciais encerrados por fecharem nos feriados Bahá’ís


Mais de 50 estabelecimentos comerciais, propriedade de Bahá’ís foram encerrados pelas autoridades após o dia 26 de Outubro nas cidades de Bandar Abbas, Kerman, Rajsanjan, e Jiroft. Todas estas cidades situam-se no sudeste do Irão. O pretexto para o encerramento foi o fecho dos estabelecimentos durante os feriados Bahá’ís.

Os dias 25 e 26 de Outubro deste ano correspondem ao primeiro e ao segundo dia do mês de Muharram no calendário islâmico, e são dias em que os Bahá’ís no mundo islâmico celebram os aniversários do Báb e de Bahá’u’lláh (os Bahá’ís noutras partes do mundo seguem o calendário gregoriano). Nestes dias feriados os Bahá’ís não devem trabalhar.

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FONTES:
Fifty Businesses Closed down following Bahai Holy Day Observances (Iran Press Watch)
Fifty businesses closed down following Bahai Holy Day observances (Sen's Daily)

sábado, 25 de Outubro de 2014

De onde vêm as virtudes humanas?

Por David Langness.

... indubitavelmente, todas as virtudes têm um centro e uma fonte. Essa fonte é Deus, do qual emanam todas essas dádivas (’Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 83.)
Experimentem pensar durante um minuto na pessoa mais bondosa que conhecem.

Agora tentem responder a estas duas questões: O que faz essa pessoa ser tão boa? Qual a origem de toda essa bondade?

Isso é o início de uma reflexão sobre uma das mais antigas questões filosóficas e religiosas: de onde vêm as nossas virtudes?

Desde as primeiras civilizações humanas que nos questionamos sobre a origem da excelência moral. Alguns filósofos acreditam que esta foi concedida apenas a alguns privilegiados ou eleitos. Outros pensam que evoluiu na consciência humana à medida que a nossa espécie se tornava cada vez menos preocupada com questões de sobrevivência. E outros crêem que a moralidade veio das nossas famílias culturais.

Mas muitos filósofos atribuem à religião a origem do desenvolvimento de actos e pensamentos virtuosos. Com repetidos apelos à justiça, à generosidade, ao amor e à misericórdia, o panteão mundial das grandes religiões incitou a humanidade a uma existência moral.

As Escrituras Bahá’ís afirmam:
Os benefícios universais derivam da graça das religiões Divinas, pois elas conduzem os seus verdadeiros seguidores à sinceridade de intenções, a propósitos elevados, à pureza e honra imaculadas, à bondade e à compaixão insuperáveis, à preservação dos seus convénios estabelecidos, ao interesse pelos direitos dos outros, à liberdade, à justiça em cada aspecto da vida, à humanidade e à filantropia, à coragem e aos esforços incansáveis ao serviço da espécie humana. É a religião, em resumo, que produz todas as virtudes humanas, e estas virtudes são as velas brilhantes da civilização. (’Abdu’l-Bahá, The Secret of Divine Civilization, p. 98)
Isto não significa que todas as pessoas que se declaram religiosas são virtuosas. Longe disso:
É verdade que existem indivíduos insensatos que nunca examinaram adequadamente os fundamentos das religiões Divinas, que consideram como critério o comportamento de uns quantos religiosos hipócritas e avaliam todas as pessoas religiosas por esse padrão de medida, e concluiram, por causa disso, que as religiões são um obstáculo ao progresso, um factor de divisão e uma causa de malevolência e inimizade entre os povos. Eles nem sequer observaram que os princípios das religiões Divinas dificilmente podem ser avaliados pelos actos daqueles que apenas alegam segui-las. Qualquer coisa excelente, mesmo que seja inigualável, pode ser desviada para fins errados. Uma lâmpada acesa nas mãos de uma criança não instruída ou de um cego não dissipará a escuridão do ambiente, nem iluminará a casa - ateará fogo no portador e na casa. (‘Abdu’l-Bahá, The Secret of Divine Civilization, p. 71)
A lâmpada da virtude, afirmam as Escrituras Bahá’ís, ilumina aqueles que se esforçam verdadeiramente por traços de carácter e atitudes morais existentes nas verdades básicas da Fé:
...no reino espiritual da inteligência e idealismo tem de existir um foco de iluminação, e esse centro é o eterno e sempre brilhante Sol, a Palavra de Deus. As suas luzes são as luzes da realidade que brilharam sobre a humanidade, iluminando o reino do pensamento e da moral, concedendo as graças do mundo divino ao homem. Estas luzes são o motivo da educação das almas e a fonte de iluminação dos corações, irradiando com o seu esplendor resplandecente a mensagem das boas-novas do Reino de Deus. Em resumo, o progresso do mundo moral e ético e do mundo da regeneração espiritual depende daquele Centro de iluminação celestial. Ele irradia a luz da religião e concede a vida do espírito, imbui a humanidade com virtudes únicas e confere esplendores eternos. Este Sol da Realidade, este Centro de esplendor, é o Profeta ou Manifestante de Deus. Assim como o sol brilha sobre o mundo material produzindo vida e crescimento, o Sol espiritual ou profético confere iluminação ao mundo humano do pensamento e da inteligência e, se não brilhar sobre o horizonte da existência humana, o reino humano tornar-se-á tenebroso e extinguir-se-á (’Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 94).

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Texto original: Where Do Our Human Virtues Come From? (bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Educação: um factor-chave para a redução da pobreza

A UNICEF em Moçambique considera a educação como um factor-chave para a redução da pobreza, representando uma enorme esperança e potencial para um país em desenvolvimento.

Para os Bahá’ís a educação é essencial para todos os seres humanos e para todos os países. Bahá’u’lláh afirmou: “Considerai o homem como uma mina rica em jóias de inestimável valor. A educação, só por si, pode fazê-la revelar os seus tesouros e habilitar a humanidade a tirar dela algum benefício”



Leia mais em http://relatorioanual.unicef.org.mz/story1.html

quinta-feira, 23 de Outubro de 2014

A Desigualdade é a raíz do Mal Social

Com uma frase simples, o Papa Francisco formula uma ideia que resume alguns princípios Bahá’ís: a redução do fosso entre ricos e pobres, a igualdade de direitos entre homens e mulheres, a igualdade de direitos no acesso à Educação e à Justiça.

E não esqueçamos que a igualdade de direitos se aplica a todas as pessoas independentemente da sua etnia, condição social ou religião.


quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

sábado, 18 de Outubro de 2014

O que podemos aprender com Sobreviventes de Ataques Sexuais

Por Donna Hakimian.
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A coragem é um aspecto da condição humana que me tem intrigado há muito tempo. As maneiras como se constrói, as maneiras como se perde e, em seguida, se encontra novamente, e a forma como é simultaneamente tão comum à experiência humana, mas também, de alguma forma, milagrosamente sagrada.

A pessoa mais corajosa com que falei nas últimas semanas foi Lilly, uma sobrevivente de ataque sexual com 22 anos de idade. Lilly e eu conhecemo-nos em 19 de Setembro, na Casa Branca. Naquele dia, um grupo de pessoas reuniu-se para o lançamento da campanha "It’s On Us" (em português, É Connosco). A campanha aborda o tema da agressão sexual no campus, de uma forma multifacetada e com os diferentes elementos dispostos no site itsonus.org. Uma série correspondente de acções estão programadas para se realizarem nos campus de todo o país.


A beleza no interior da Casa Branca é cativante - arte, ornamentação e a história que se desenrolou dentro das suas paredes não se podem registar adequadamente em vários volumes de livros. Mas o que aumentava a beleza desse dia era o facto de estar rodeada por tantos indivíduos comprometidos. Homens e mulheres, jovens e idosos, de várias áreas, estavam todos lá em solidariedade com os sobreviventes e reuniam-se para garantir que a praga da agressão sexual, especialmente nos campus universitários, é debatida e termina.

Lilly, que apresentou o Vice-Presidente, subiu ao palco com a postura de uma rainha e narrou a sua história angustiante de ter sido violada durante o seu primeiro ano de faculdade. Depois partilhou graciosamente como reconstruiu a sua vida. Poder-se-ia ouvir um alfinete cair na sala. Esta história fez-me lembrar rapidamente, quando, há alguns anos na minha investigação de pós-graduação, ouvi muitas horas de histórias de mulheres que tinham sido presas e torturadas, e muitas que perderam os seus entes queridos no Irão, por serem membros da Fé Bahá'í. Testemunhei como o pior da capacidade humana para infligir crueldade foi enfrentada com coragem indescritível, a mesma coragem que Lilly também mostrou naquele dia. Já descrevi a minha obsessão com este tipo de coragem. Como é que as pessoas não desistem diante destas experiências? O que os incita a continuar?

Deixei a Casa Branca perguntando a mim própria: Como é que nós, enquanto sociedade, mudamos a nossa forma de retratar as mulheres e os homens? Como é que nos afastamos de um entendimento da natureza humana que assume que todos nós somos gananciosos, animalescos e egocentristas, para entender que a violência não é caracterizadora da nossa natureza enquanto seres humanos? O Presidente Obama também falou sobre o assunto no seu discurso, afirmando: "Desde as ligas desportivas à cultura pop e à política, a nossa sociedade não valoriza suficiente as mulheres", e acrescentou: "Ainda não condenamos agressão sexual tão veementemente como deveríamos."

Como ficou claro no evento, e desde o momento que comecei a fazer a defesa da igualdade de género, que isto é um assunto de todos. Mulheres e meninas são prejudicadas pela violência desenfreada e pelas injustiças estruturais e sociais que enfrentam; tal como são os homens e os rapazes, que também sofrem violência, marginalização e abuso. Ninguém está imune ao mal que a desigualdade provoca, mas a boa notícia é que, à medida que as nossas sociedades se tornam mais justas, todos beneficiam.

A minha própria experiência pessoal no ensino superior foi inestimável, marcada por altos e baixos, pelas novas amizades, desilusões e por um esforço académico pessoal maior do que alguma vez pensei ser possível. Tragicamente, para uma em cada cinco mulheres, e também para muitos homens, após uma experiência de ataque sexual, a atenção muda da busca da excelência académica para como reconstruir a vida.

Legislação governamental, como a The Violence Against Women Act, Title IX e a The Cleary Act tem proporcionado uma tremenda protecção social e psicológica na nossa sociedade, ao criar uma maior equidade de género. Estas ferramentas são valiosas como sempre, e o que é mais esperançoso é que agora, além das leis, há uma vaga de fundo constituída por pessoas, faculdades, empresas, entidades governamentais, celebridades e atletas que ecoam a necessidade de protecção e igualdade na nossa sociedade.

Espero que essa vaga de fundo continue a crescer e a ganhar força, e que todos possamos conhecer as Lillys do mundo não apenas como sobreviventes de ataques sexuais, mas antes como amigas, colegas e concidadãos.

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Texto original (em inglês): What We Can Learn From Survivors of Sexual Assault (HuffingtonPost.com)

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Donna Hakimian, é representante dos Bahá'ís dos Estados Unidos para Igualdade de Género e Avanço das Mulheres. Tem um Mestrado em Women's Studies pela Universidade de Toronto um um bacharelato em Religious and Middle Eastern Studies pela McGill University. Tem trabalhado em temas relacionados com violência de género e escrito diversos trabalhos sobre direitos das mulheres no Irão.

terça-feira, 14 de Outubro de 2014

Bring Back Our Girls

Foi exactamente há 6 meses que 230 meninas foram raptadas de uma escola no estado de Borno, na Nigéria.