terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Índia alarga reconhecimento de minorias religiosas: Bahá’ís poderão ser os próximos

O governo indiano decidiu iniciar um estudo sobre a situação socio-económica das confissões religiosas classificadas como "outras" no recenseamento oficial, e que não se enquadram na lista de religiões minoritárias reconhecidas: muçulmanos, cristãos, sikhs, parsis, budistas e jainistas.

"Até agora, minoria significava apenas os muçulmanos. Isso vai mudar à medida que mais comunidades forem incluídas ", disse um responsável do Ministério dos Assuntos das Minorias. De acordo com o responsável, 7,3 milhões de pessoas, ou 0,6 por cento do total da população, pertencem aos “outros". "Mas não haverá quaisquer alterações bruscas. Estão a ser avaliados todos os aspectos destes assuntos", acrescentou.

Para começar, o Ministério decidiu olhar para os pedidos das comunidades que querem ser incluídas na lista e a primeira que provavelmente será adicionada serão os Bahá'ís. Quando questionado sobre o poder financeiro da comunidade e pedidos de ajuda ao governo, o responsável afirmou que os Bahá'ís não pediram ajuda financeira, mas apenas o reconhecimento como uma comunidade minoritária.

Outras fontes afirmaram que o reconhecimento dos Bahá’ís - que estão são perseguidos nos países islâmicos, especialmente o Irão - será enviar uma mensagem para a comunidade internacional, que frequentemente acusa Índia maltratar as suas minorias.

O responsável declarou que o Ministério tinha pedido à Comissão Nacional para as Minorias um parecer e está prestes a tomar uma decisão final sobre o assunto. Segundo ele, o governo também está a analisar as questões das minorias linguísticas e étnicas com a mesma preocupação e também vai estudar a sua situação.

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FONTES:
Modi Govt to Expand Ambit of the Word 'Minority' (The Sunday Standard)
Bahai community in India tipped to be first, as government expands recognition of religious minorities (Sen’s daily)


sábado, 21 de fevereiro de 2015

Como falar sobre Deus com um Cientista

Por Gregory Samsa e Jerry Schoendorf.

Numa manhã de 1613, ao pequeno-almoço, Cosimo de Medici e a sua mãe, a grã-duquesa italiana Cristina, começaram a discutir a verdade sobre os satélites de Júpiter. Benedetto Castelli, estudante de Galileu, que estava presente, pediu mais tarde a Galileu para comentar sobre o tema central da conversa: o conflito entre a Bíblia e a doutrina heliocêntrica, a ideia herética de que a Terra girava à volta do Sol

A resposta, a famosa "Carta à Grã-Duquesa Cristina” de Galileu, circulou amplamente nessa época na forma de manuscrito. Nela, Galileu declarou que a Bíblia ensina como se vai para o céu, e não como funciona o céu. A crença de Galileu na verdade da teoria de Copérnico alarmou alguns católicos proeminentes da época, e a Inquisição examinou a carta de Galileu para Christina. Assim começaram problemas de Galileu com a Igreja Católica. (Starry Messenger)
A história de Galileu ilustra não apenas as suas contribuições significativas para o desenvolvimento da ciência e da investigação científica; descreve também uma suposição moderna generalizada sobre a incompatibilidade básica entre ciência e religião. As opiniões sobre esta relação variam muito. Muitas pessoas, incluindo alguns líderes religiosos, ainda insistem na fidelidade escrupulosa e literal à escritura religiosa da Bíblia, do Alcorão, e outros. Outras religiões, incluindo a Fé Bahá'í, têm uma visão mais favorável em relação à ciência, dizendo que:
A religião deve estar em conformidade com a razão e estar de acordo com as conclusões da ciência. [Porque] religião, razão e ciência são realidades; portanto, esses três [religião, ciência e razão], sendo realidades, devem estar em conformidade e reconciliar-se. Uma questão ou princípio que tem natureza religiosa deve ser sancionado pela ciência. A ciência deve declará-lo válido, e a razão deve confirmá-lo, para que ele possa inspirar confiança. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 394)
Galileu
Os problemas que Galileu viveu no século XVII não seriam problemas do mundo de hoje, porque o pêndulo da verdade popular, afastou-se para muito longe do clima de certeza religiosa daquela época.

Se os dogmas religiosos costumavam ser uma forte ameaça há 400 anos, agora tornaram-se definitivamente menos assertivos à luz de tanta informação que hoje possuímos. Hoje, a ciência é por vezes creditada como tendo revelado tanto da realidade do mundo material que não há espaço livre para uma noção de Deus. Ou seja, muito daquilo que costumava ser misterioso - a existência da humanidade, a perfeição do surgimento da vida na Terra, o funcionamento do universo - agora pode ser explicado através da biologia, da astronomia, da física e de outras áreas da ciência. E apesar de subsistirem enormes mistérios cósmicos, muitas pessoas acreditam que a ciência acabará por entender plenamente o universo, não deixando qualquer espaço para Deus.

No entanto, o que tem a ciência a dizer sobre a abstracção, a ética, a estética, as virtudes, a criatividade, etc.? Porque é que ainda nos perguntamos porque estamos aqui? De onde viemos? Será que temos um propósito? Será que temos valor intrínseco? O que acontece quando morremos? Em 1912, ‘Abdu'l-Bahá questionou uma audiência em Minneapolis:
Se perguntarmos a mil pessoas "Quais são as provas da realidade da Divindade?", talvez nem uma seja capaz de responder. E se perguntarmos ainda "Que provas tem sobre a essência de Deus?" "Como é que explica a inspiração e a revelação?" "Quais são as evidências de uma inteligência consciente para além do universo material?" "Consegue sugerir um plano e um método para melhorar as moralidades humanas?" "Consegue definir e diferenciar com clareza o mundo da natureza e do mundo da Divindade?"- receberíamos muito pouco conhecimento real ou esclarecimento sobre estas questões. (The Promulgation of Universal Peace, p. 326)
'Adbu’l-Bahá continuou a falar das várias razões para isso, referindo que o "desenvolvimento das virtudes ideais tem sido negligenciado". As pessoas não podem investigar estes assuntos por si próprias, salientou ‘Adbu’l-Bahá; em vez disso, confiam em superstições e tradições do passado para lhes dar uma compreensão sobre os conceitos espirituais. O cidadão médio pode ter mais a dizer sobre o clima do que sobre as questões colocadas por ‘Abdu’l-Bahá.

Então, talvez nos devêssemos perguntar: quais são as nossas convicções morais, éticas, espirituais ou religiosas? De onde vêm essas convicções? Quais são as razões ou factos que sustentam as nossas crenças? É importante que as nossas crenças sejam suportadas pela ciência? Sentimos que o uso da ciência e do método científico é uma forma inteligente para determinar as coisas que podem sustentam nossas crenças?

E, claro, que rumo deveremos tomar se concluirmos que a maioria das religiões não são credíveis, e se desejamos seguir princípios éticos, morais e espirituais que sejam inteligente e razoáveis?

Esta série de pequenos artigos presume que a maioria das pessoas desejam tomar as suas próprias decisões sobre a divindade, Deus e a revelação, e esperam fazer essas escolhas de uma forma razoável e inteligente de uma forma com a qual possam viver e explicar aos outros. Por isso, lançamos esta questão: quais os métodos que podem ajudar a definir a realidade e verdade; que podem orientar a própria busca de um significado e propósito para a vida; e estabelecer a integridade e um código de ética que possam proporcionar satisfação e contentamento permanentes?

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Texto original: How to Talk to a Scientist About God (bahaiteachings.org)

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Gregory Samsa é director de estudos de pós-Graduação no Departamento de Bioestatística e Bioinformática na Universidade de Duke (EUA), e entre os seus interesses intelectuais está a desconstrução da prática estatística em componentes que podem ser estudadas cientificamente. Um pai de 5 filhos e treinador de futebol em escolas de ensino secundário.
Jerry Schoendorf é um ilustrador médico reformado e anaplastologista que trabalhou na Universidade de Duke e mais tarde num consultório particular em Durham (Carolina do Norte, EUA). Vive em Chapel Hill, Carolina do Norte, onde se dedica à ilustração, apicultura, e olaria.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A tirania vem dos Governos ou das Religiões?

Por David Langness.


Em verdade, Deus ordenou a realização da justiça e do bem... e Ele proíbe a maldade e opressão. Ele adverte-vos para que sejais cuidadosos. (Alcorão, 16:92)

Sê como uma lâmpada para os que andam nas trevas, uma alegria para os infelizes, um mar para os sedentos, um refúgio para os aflitos, um apoiante e defensor da vítima da opressão. (Bahá'u'lláh, Epistle to the Son of the Wolf, p. 93)
Recentemente, o Ayatollah Ali Khamenei do Irão enviou uma carta aberta aos jovens do Ocidente, expressando uma profunda preocupação com "a imagem que é lhes é apresentada como sendo o Islão."

O líder iraniano dirigiu-se aos jovens do Ocidente, e não aos "políticos e estadistas" da Europa e América do Norte, porque, tal como ele próprio disse, "acredito que eles (políticos e estadistas) afastaram conscientemente o rumo da política do caminho da justiça e verdade."

Khamenei escreveu que as nações ocidentais têm várias "fobias" em relação ao Islão, e que eles têm sido "fingidos e hipócritas" no seu relacionamento com outras nações e culturas. Vamos examinar estas afirmações de forma desapaixonada e objetiva.

O Ayatollah começa por lamentar que o Ocidente tenha provocado durante muito tempo “um sentimento de horror e ódio em relação ao Islão” e colocado “esta grande religião no lugar de um inimigo horrível”. Ele escreve:
Muitas tentativas foram feitas ao longo das últimas duas décadas, desde a desintegração da União Soviética, para colocar esta grande religião no lugar de um inimigo horrível. A instigação de um sentimento de horror e ódio e a sua utilização tem, infelizmente, um longo registo na história política do Ocidente.
Não há dúvida sobre isso. O "longo registo" de animosidade e divisão entre as nações islâmicas do Oriente e as nações da Europa e América do Norte datam de há muito tempo, muito antes da desintegração da União Soviética.

A carta do Ayatollah refere as últimas duas décadas, mas a fractura entre Oriente e Ocidente vem de um passado muito distante, desde a Idade Média. A invasão muçulmana da Península Ibérica no ano 711 EC, marcou, sem dúvida, o início de um conflito cultural épico entre o Islão e o Cristianismo, que continua a repercutir-se no mundo de hoje. O domínio implacável da aristocracia Omíada árabe sobre toda a Hispânia, as carnificinas sangrentas que se seguiram durante as terríveis guerras das Cruzadas e as horríveis torturas da Inquisição, tudo isso tem ecoado ao longo da história de ambas as grandes religiões. Ódios, chacinas e genocídios - de ambos os lados - caracterizaram o comportamento das pessoas comuns e das autoridades religiosas durante esse período negro.

No entanto, se o Ayatollah visitasse o Ocidente moderno de hoje, ficaria provavelmente feliz por saber que a maioria do público esclarecido não responsabiliza o próprio Islão por essas atrocidades históricas.

Em vez disso, as pessoas ocidentais educadas entendem que os indivíduos e os líderes dos próprios governos devem ser responsabilizados pelas suas acções - em vez de culpar as religiões que eles dizem seguir. Por exemplo, quando os líderes ocidentais declararam guerra a países islâmicos como o Iraque (em 2003), uma grande número de ocidentais levantou-se contra essa guerra, incluindo uma maioria de jovens na América do Norte e Europa. Eles não culparam o cristianismo ou o judaísmo por se travar uma guerra injusta e desnecessária; eles culparam os seus governos.

No Ocidente moderno, a maioria das pessoas tenta separar governo e religião, por essa mesma razão. Nós aprendemos que não podemos confiar governos que afirmam ter abraçado uma qualquer filiação religiosa especial, porque muitas vezes eles tomam decisões que violam os princípios espirituais dessa mesma Fé; usam a religião como um meio para controlar e dominar os outros; e para oprimir e marginalizar aqueles que não acreditam no mesmo que eles.

Tanto o Renascimento como o Iluminismo - para os quais os progressos do Islão contribuíram significativamente - procuraram libertar o Ocidente da tirania religiosa,  separar a Igreja do Estado, e conceder a cada homem, mulher e criança o direito humano fundamental e liberdade do culto que consideram adequado.

É claro que essa forma de governo também não mostrou ser perfeito. A carta aberta do Ayatollah dedica vários parágrafos a acusar as nações ocidentais, e a própria civilização ocidental, pelas suas muitas falhas:
As histórias dos Estados Unidos e da Europa envergonha-se com a escravidão, embaraçam-se com o período colonial e mortificam-se com a opressão das pessoas de cor e não-cristãos. Os seus investigadores e historiadores envergonham-se profundamente com o derramamento de sangue realizado em nome da religião entre Católicos e Protestantes, ou em nome de nacionalidade e etnia durante a Primeira e a Segunda Guerras Mundiais.
É certo que a escravidão, o colonialismo e a opressão são hoje vistos como vergonhosas no Ocidente, tal como devem ser no Oriente, que também tem uma longa e negra história com comportamentos semelhantes. Nenhum governo humano é perfeito, e os governos só começam a aproximar-se da perfeição quando admitem os seus erros e tentam corrigi-los.

Hoje, por exemplo, o governo do Irão reprime brutalmente a sua maior minoria religiosa, os Bahá’ís, negando-lhes o direito à educação e ao emprego; aprisionando-os com base em acusações falsas; torturando e executando-os quando o seu único crime é acreditar numa religião diferente. Todas as organizações internacionais de direitos humanos, incluindo as Nações Unidas, concordam que o governo iraniano actualmente oprime os Bahá'ís.

Mas, apesar de Muhammad ter proibido a opressão no Alcorão, a liderança iraniana não parece desgostosa com essa opressão, por alguma estranha razão. Se o Islão proíbe a opressão, não deveria ela cessar? E não ficaria a juventude do Ocidente - com o seu profundo compromisso com a verdade, a justiça e a liberdade de pensamento - mais impressionada se o Irão terminasse essa a opressão do que com uma carta aberta?

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Texto original: Does Tyranny Come from Governments or Religions? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Guerras Trinitárias: Problemas com Palavras

Por Tom Tai-Seale.


O conceito de Trindade tornou-se simultaneamente popular e controverso de um dia para o outro. A simplicidade do Credo de Constantinopla facilitou a sua divulgação, mas ao mesmo tempo a ideia de uma substância comum a três pessoas ocultava uma tremenda diversidade de significados possíveis. Um cristão podia entendê-la como significando qualquer coisa desde um politeísmo aberto (três deuses agindo em conjunto) até à divisão de Deus em partes (um Deus com três funções) e quase incontáveis interpretações entre estes dois.

A palavra substância (homoousia), por exemplo, torna-se um desafio quando a própria substância não está definida. Depois, há problemas com o termo "pessoa". O que significa a palavra "pessoa" quando falamos de Deus? E mesmo um grande trinitarista como Agostinho não gostou do termo hipóstase, que é usado para designar uma das três "pessoas" na Trindade.

Maomé recebendo a Revelação
Seiscentos anos depois de Cristo - 3 séculos após o primeiro credo trinitário - o conceito enfrentou o seu primeiro grande desafio por parte de uma voz com autoridade. Maomé advertiu:
Povo do Livro, não exagereis na vossa religião e dizei apenas a verdade sobre Deus: Jesus Cristo, o filho de Maria, era apenas um mensageiro de Deus e da Sua Palavra que Ele lançou em Maria, e um espírito proveniente Dele. Acreditai em Deus e nos Seus mensageiros, e não digais: Três. Abstei-vos! Será melhor para vós. Só Deus é Deus; Glória a Ele; longe Dele ter tido algum filho! Ele possui tudo o que está nos Céus e tudo o que está na Terra. Deus é suficiente como Guardião. (Alcorão 4:171)
É de notar que os muçulmanos aceitam claramente as três componentes da fé: Deus, o Seu Mensageiro (que eles reconhecem como Jesus para os Cristãos) e o Espírito Santo. Eles aceitam que Jesus era a Palavra de Deus, que Ele nasceu de uma virgem (ver 21:91 e 19:16-36), e que Ele procedeu de Deus. Mas opõem-se ao conceito não-bíblico de trinitarismo, dizendo que Deus é uno.

A sua fé está de acordo com o livro do Apocalipse, que proclama: "Adorai aquele que fez o céu e a terra, o mar, e as fontes de água. (Ap. 14:7 Veja também 19:10 e 22:9). Deus, na sua opinião, é o único objecto da adoração.

É claro que isso está de acordo com muitos grandes pensadores cristãos. Deus é a fonte; sem Ele não haveria nem Filho, nem espírito. Tertuliano, o grande apologista cristão do início do século III, lembra-nos:
Pois o Pai é toda a substância, mas o Filho é uma derivação e porção do todo ... Assim, o Pai é distinto do Filho, sendo maior do que o Filho, na medida em que aquele que gera é um e aquele que é gerado é outro. (Against Praxeas 9. James P. Mackey Jesus the Man and the Myth SCM Press, LTD. 1979 p. 225)
Toda esta teoria dogmática vem de uma incompreensão fundamental do simbolismo que Cristo usa na Bíblia. A perspectiva Bahá’í sobre este tipo de pensamento literalista retorcido é simples; e ‘Abdu'l-Bahá ilustra-o contando uma história:
Sua santidade Cristo afirmou "O Pai está em mim." Isso nós devemos compreender através de provas lógicas e científicas, pois, se os princípios religiosos não estão de acordo com a ciência e a razão, eles não enchem o coração com confiança e segurança.

Diz-se que uma vez que João Crisóstomo estava a caminhar à beira-mar a pensar sobre a questão da trindade e a tentar conciliá-la com a razão finita; a sua atenção foi atraída por um rapaz sentado na areia que colocava água num copo. Aproximando-se dele, perguntou-lhe: "Meu filho, o que estás a fazer?" "Estou a tentar colocar o mar neste copo", foi a resposta. "Como és tonto", disse João, "a tentar fazer o impossível." A criança respondeu: "O teu trabalho é mais estranho do que o meu, porque estás a esforçar-te para compreender o conceito da trindade com o intelecto humano ". (‘Abdu'l-Bahá, Divine Philosophy, p. 152)

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Texto Original: The Trinity Wars: Term Trouble (bahaiteachings.org)

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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A & M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

O que fazer com uma religião tóxica?

Por David Langness.



Gosto dos ateus. E dos agnósticos também.

Isto pode parecer um pouco estranho, vindo de alguém que escreve todos os dias sobre a Fé Bahá'í. Tenham paciência comigo por um minuto, e eu explico.

Primeiro que tudo, aqueles que questionam a existência de Deus sempre me pareceram bastante inteligentes, pelo menos para mim. Geralmente, eles são os independentes que não aceitam cegamente uma tradição, ou acreditam ingenuamente sem uma análise cuidadosa, ou irreflectidamente tornam-se membros de um grupo apenas para serem membros.

Em segundo lugar, eu entendo que as pessoas se questionem sobre o conceito místico de um Ser Supremo. Eu também o faço, constantemente. Esse mistério - um Criador invisível, amoroso, criativo, omnipotente e omnisciente - é realmente difícil de entender. Não tenho a pretensão de entender plenamente o que as escrituras bahá'ís dizem sobre Deus:
Deus na Sua essência e no Seu próprio Ser sempre tem sido invisível, inacessível e incognoscível. (Bahá'u'lláh, Epistle to the Son of the Wolf, p. 118)
Em terceiro lugar, pela minha experiência, vejo que ateus e agnósticos pensam mais em Deus do que a maioria das pessoas. Eu sei: isto é um enigma; mas é verdade. Mas porque eles gastaram algum tempo a avaliar as provas e os argumentos, eles realmente fizeram uma busca espiritual, e decidiram por si próprios, o que eu acho notável. O escritor Terry Pratchett afirmou que o ateísmo e a crença têm muito em comum:
Na verdade, um verdadeiro ateu pensa constantemente nos deuses, embora em termos de negação. Por isso, o ateísmo é uma forma de crença. Se o ateu realmente não acreditasse, então não se incomodaria a negar. (Feet of Clay)
Por isso, entendo quando os cépticos, especialmente o grupo de filósofos e escritores chamados os novos ateus, dizem que a religião é tóxica e merece ser abandonada. No caso de o leitor não estar familiarizado com este grupo de pensadores, aqui ficam uns exemplos:
Christopher Hitchens

  • O problema da religião é que, porque sempre esteve protegido da crítica, ela permite que as pessoas acreditem em massa naquilo que só os idiotas ou lunáticos podia acreditar isoladamente. (Sam Harris)
  • O que se pode afirmar sem provas, pode ser rejeitado sem provas. (Christopher Hitchens)
  • A única posição que me deixa sem dissonância cognitiva é o ateísmo. (Ayaan Hirsi Ali)
  • Não posso saber com certeza, mas acho que Deus é muito improvável, e eu vivo minha vida no pressuposto de que ele não existe. (Richard Dawkins)
  • Ninguém começa a publicitar todo o bem que a sua religião faz sem antes subtrair escrupulosamente todo o mal que faz e considerar seriamente se alguma outra religião, ou nenhuma religião, faz melhor. (Daniel Dennett)

Pode ser surpreendente saber que os ensinamentos Bahá’ís apoiam de forma significativa as ideias importantes que alguns desses pensadores ateus defendem - e fê-lo com cem anos de antecedência.

Os Bahá’ís acreditam nas provas e na ciência; aceitam e incentivam a investigação; valorizam o intelecto humano e estimulam a sua educação; não têm clero, nem dogma; tentam erradicar a superstição e irracionalidade; e, tal como Daniel Dennett, acredito que nenhuma religião é vantajosa se se torna fonte de mal:
A religião deve unir todos os corações e fazer com que as guerras e disputas desapareçam da face da terra, dar origem à espiritualidade e trazer vida e luz a cada coração. Se a religião se torna uma fonte de aversão, ódio e divisão, será melhor ficar sem ela, e afastarmo-nos de tal religião seria um acto verdadeiramente religioso. É claro que o propósito de um remédio é curar; mas se o remédio apenas agrava as doenças, seria melhor deixá-lo. Qualquer religião que não é uma causa de amor e unidade, não é religião. Todos os santos profetas foram os médicos para a alma; eles deram as receitas para a cura da humanidade; assim qualquer remédio que é causador de doença não vem do grande e supremo Médico. (‘Abdu'l-Bahá, Paris Talks, p. 129)
Essa é uma das ideias Bahá'ís para pôr fim aos conflitos religiosos:

Se a sua Fé provoca ódio e carnificinas,
então procure um caminho mais pacífico.

Parece radical? Do ponto de vista Bahá'í, não é. Os ensinamentos bahá'ís ver a religião como um meio para atingir o amor e a unidade, como um caminho para a paz e unidade global, e não como um fim em si mesmo:
Um remédio é usado para curar uma doença; mas se ele só consegue agravar a doença, é melhor deixá-lo sozinho. Se a religião é apenas serve para causar da desunião, é melhor não exista. (‘Abdu'l-Baha, Paris Talks, p. 122)

A religião de Deus é a causa do amor; mas se a tornarem fonte de inimizade e derramamento de sangue, com certeza a sua ausência é preferível à sua existência; pois assim, torna-se satânica, prejudicial e um obstáculo para o mundo humano. (‘Abdu'l-Baha, The Promulgation of Universal Peace, p. 202)

Imitações cegas e hábitos dogmáticos são conducentes à alienação e desacordo; estes levam à carnificina e à destruição das bases da humanidade. Portanto, os religiosos do mundo devem deixar pôr de lado essas imitações e investigar a base essencial ou a própria realidade, que não está sujeita a mudanças ou transformação. Este é o meio divino para a concórdia e unificação. (‘Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 339)
Os Baha'is acreditam que a religião é o que a religião deve ser, que as acções são mais importantes do que as palavras, e que a verdadeira fé significa, na verdade, colocar os ideais espirituais em prática, tanto no plano individual como social.

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Texto original: Dealing with Toxic Religion (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Seis anos de prisão por ser Bahá’í

O Tribunal Revolucionário da cidade de Mashad, no Irão condenou o Sr. Manuchher Khalousi a seis anos de prisão devido às suas crenças na Fé Bahá’í. O Sr. Khalousi foi acusando de “propaganda contra o regime”, “actos contra a segurança naconal”; as provas apresentadas não evidenciam qualquer das acusações, e baseiam-se apenas no facto do acusado ser Baha’i.

O Sr. Khalousi foi preso no dia 29 de Novembro de 2013, quando as forças de segurança invadiram a sua residência (a 6ª rusga desde a revolução de 1979!). No julgamento realizado em Julho de 2014, foi acusado de “actos contra o regime através de entrevistas à comunicação social estrangeira”. No entanto, não se conhecem entrevistas do Sr. Khalousi aos media iranianos ou estrangeiros. O tribunal acabou por reconhecer que a decisão carecia de provas e nomeou um juiz para recolher evidências. Aparentemente não foram apresentadas provas e foi agora condenado sem qualquer fundamento. Em 1999, o Sr Kholousi tinha sido condenado à orte por ser Baha’i. Esta pena posteriormente foi reduzida para um ano de prisão

As filhas do Sr. Kholousi, Nika e Nava, já tinham sido condenadas a 6 e 4 anos e meio de prisão, respectivamente, sendo acusadas de serem membros da “organização Baha’i”, “participação em actividades Baha’is ilegais”, “propaganda a favor dos Baha’is e contra o regime da Republica Islâmica”.

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FONTE: Manuchher Khalousi sentenced: six years for being a Bahai (Sen’s Daily)

sábado, 7 de fevereiro de 2015

Guerras Trinitárias

Por Tom Tai-Seale.


Quando a intelectualidade cristã do século IV começou a definir Deus como três pessoas - Deus, Cristo e o Espírito Santo - eclodiu um enorme conflito e foi derramado muito sangue.

Na sua obra de 11 volumes intitulada The Story of Civilization, os historiadores Will e Ariel Durant dedicaram um livro, com o título The Age of Faith, ao período medieval entre 325-1300 dC. Neste livro, os Durants explicam que houve mais cristãos mortos por outros cristãos durante as controvérsias sobre a Trindade do que martírios de cristãos durante a Roma pagã.

A maioria dos livros de história deixa esse período de intensas guerras religiosas intestinais fora das suas descrições.

Os ensinamentos Bahá’ís condenam e proíbem a guerra religiosa, sempre provocada pelo poder, pelo dogma, e por interpretações e tradições incompatíveis.
Se um homem deseja ser bem-sucedido na busca da verdade, deverá, em primeiro lugar, fechar os olhos a todas as superstições tradicionais do passado.

Os judeus têm superstições tradicionais, os budistas e os zoroastrianos não estão livres delas, nem os cristãos! Todas as religiões têm-se tornado apegadas à tradição e ao dogma.

Todos se consideram que são os únicos guardiões da verdade e que as restantes religiões são feitas de erros. Eles próprios estão com a razão e os outros estão errados! Os Judeus acreditam que são os únicos detentores da verdade e condenam todas as outras religiões. Os Cristãos afirmam que a sua religião é a única verdadeira e que todas as outras são falsas. O mesmo fazem budistas e muçulmanos; todos se limitam a si próprios. Se todos se condenam mutuamente, onde podemos procurar a verdade? Se todos se contradizem uns aos outros, não podem ser todos verdadeiros. Se cada um acredita que a sua religião é a única verdadeira, então fecha os olhos para a verdade das outras. Se, por exemplo, um judeu está limitado à prática exterior da religião de Israel, ele não se permite perceber que a verdade pode existir em qualquer outra religião; esta deve estar totalmente contida na sua própria!

Assim, devemos desprender-nos das práticas e formas exteriores da religião. Devemos compreender que essas formas e práticas, por muito belas que sejam, são apenas ornamentos que cobrem o coração zeloso e os membros vivos da Verdade Divina. Devemos abandonar os preconceitos da tradição se queremos obter sucesso na procura da verdade que está no âmago de todas as religiões. (‘Abdu’l-Baha, Paris Talks, pp. 135-136)
Atanásio de Alexandria
Estas guerras intra-cristãs sobre a Trindade surgiram principalmente devido às proclamações dos "concílios" oficiais convocadas pelo clero e por governantes que se envolveram porque o cristianismo tinha crescido significativamente, tornando-se em alguns casos uma religião oficial. Um prelúdio significativo do Segundo Concílio Ecuménico sancionado imperialmente foi um pequeno concílio organizado por Atanásio (o Pai da Ortodoxia) na sede do seu bispado em Alexandria em 362 AD. Ali, ele forçou um acordo segundo o qual os cristãos ortodoxos devem falar das três pessoas (hipostases) de Deus - pois entendia-se que as pessoas não tinham "substância diferente". Isto foi feito para evitar ter três Deuses. Atanásio também esclareceu que aqueles que consideram que Deus era uma "pessoa", estavam, de facto, a usar o termo errado e que o que realmente queriam dizer era que Deus era uma "substância" (homoousia).

Mais tarde, outro Concílio Ecuménico, convocado pelo imperador em Constantinopla, em 381 dC, produziu o chamado de "Credo Niceno-Constantinopolitano". Este reafirmou a crença em "um só Deus, Pai todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra, e de todas as coisas visíveis e invisíveis"; proclamou que Jesus era "consubstancial (homoousia) ao Pai" e que o Espírito Santo era "o Senhor que dá a vida, que procede do Pai e do Filho, e que com o Pai e o Filho é adorado e glorificado,… que falou pelos profetas". Também reafirmou que o Filho "desceu dos céus, e encarnou pelo Espírito Santo no seio da Virgem Maria, e se fez homem."

Isso tornou-se o dogma oficial, e tornou a interpretação de homens poderosos igual às palavras de Jesus, e, como sempre, tornou-se um prelúdio para a corrupção e queda da religião.

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Texto Original: The Trinity Wars (bahaiteachings.org)

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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A & M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Sobre o significado da palavra “Deus”

Muitos teístas e ateus da era moderna interpretaram de forma totalmente incorrecta o conceito clássico e tradicional de Deus que encontramos nas tradições intelectuais e filosóficas das religiões monoteístas mundiais. Eles tendem a pensar em "Deus" como um "ser supremo", uma "pessoa imaterial", um "designer inteligente", "agente omnipotente ", ou um "ser não-corpóreo" que existe como observador totalmente fora do Universo ou dentro do Universo como o seu componente mais enaltecido, e que, em qualquer momento, faz o que lhe agrada . Este tipo de Deus é apenas um ídolo intelectual que se assemelha a uma pessoa humana, mas sem as limitações humanas. A crença nesse tipo de deus é apenas uma forma de "mono-politeísmo", "criacionismo" ou "personalismo teísta". Tanto os teístas como os ateus clássicos debateram e rejeitaram este tipo de Deus:
"O erro mais do que encontramos nas discussões contemporâneas sobre a crença em Deus, especialmente (mas não exclusivamente) no lado ateu - é o hábito de conceber de Deus simplesmente como um objecto muito grande ou como um agente dentro do universo, ou talvez ao lado do universo, um ser entre outros seres, que difere de todos os outros seres em magnitude, potência e duração, mas não ontologicamente, e que está relacionado com o mundo mais ou menos como um artesão está relacionada a um artefacto." (David Bentley Hart, The Experience of God: Being, Consciousness, Bliss, 32)
No teísmo clássico, Deus não é um membro ou uma instância da categoria geral da "existência" - como se Ele fosse um “ser supremo entre os seres”. Em vez disso, Deus é o "fundamento da existência" e a "Realidade Incondicionada" que continuamente cria, sustenta e fundamenta a existência de tudo o que existe. O diagrama abaixo ilustra a diferença entre o conceito de Deus no teísmo clássico e as ideias encontradas em noções mais modernas de criacionismo, deísmo, poli-monoteísmo, e similares:



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FONTE: “He who is above all else”: The Strongest Argument for the Existence of God (Ismaili Gnosis) -- encontrado via Arthur Logan Decker III.


quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Faz a tua parte do bem

Faz a tua pequena parte do bem onde estiveres. 
São essas pequenas partes de bem que juntas dominam o mundo.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Repensar a Trindade

Por Tom Tai-Seale.



Se desejamos reconciliar as religiões - encontrar alguma forma de alinhar mental e espiritualmente os seus Profetas e propósitos - temos que considerar o conceito cristão de Trindade.

A maioria dos Cristãos foi ensinada a acreditar na Trindade. Eu cresci a afirmar essa crença em cada serviço religioso a que assistia. Mas o que é que a trindade - a noção de um Deus trino - significa para os Cristãos? Podemos perceber que Trindade significa muitas coisas diferentes.

É claro que Jesus Cristo nunca ensinou qualquer conceito sobre Trindade; isso surgiu muito tempo depois do Seu martírio. A controvérsia trinitária surgiu no século III e ainda hoje agita os Cristãos. Ao reflectir sobre esta controvérsia teológica, o historiador Sócrates (não confundir com o filósofo pré-cristão) escreveu: “A situação parecia exactamente uma batalha nocturna, pois ambos os lados pareciam estar às escuras quanto às bases em que usavam para se atacarem uns aos outros” (citado em Early Christian Doctrines J.N.D. Kelly, Harper and Row, 1978, p. 239). Para muitos, a noite permanece, pois o significado de Trindade continua oculto numa estranha estrutura de palavras e conceitos.

E porque a Trindade é um conceito muito complexo, até os bons e fieis Cristãos cometem erros e distorcem coisas quando tentam descrevê-lo. No entanto, isso tem pouco efeito na alma ou na fé de qualquer pessoa. A Trindade é uma doutrina, uma construção mental que tem pouco a ver com a salvação.

A evolução da doutrina cristã da Trindade atravessou várias etapas, enquanto muitos estudiosos e concílios realizados em diferentes cidades debatiam e reagiam contra os significados e as diferenças dos termos difíceis; a doutrina aprovada oficialmente foi aquela que mais agradava ao imperador. A primeira doutrina trinitária a receber a aprovação imperial tomou forma no ano 325 EC, numa cidade da Ásia Menor chamada Niceia - não longe de Constantinopla. Niceia foi o local de uma conferência de bispos, convocada pelo Imperador Constantino. As traduções diferem ligeiramente, mas uma versão comum do credo de Niceia declara:
O Imperador Constantino,
rodeado pelos Bispos no Concílio de Niceia
Cremos em um só Deus, Pai Todo-Poderoso, criador de todas as coisas, visíveis e invisíveis.

E em um só Senhor Jesus Cristo, o Filho de Deus, unigênito do Pai, da substância do Pai, Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstancial ao Pai; por quem foram criadas todas as coisas que estão no céu ou na terra. O qual por nós homens e para nossa salvação, desceu (do céu), se encarnou e se fez homem. Padeceu e ao terceiro dia ressuscitou e subiu ao céu. Ele virá novamente para julgar os vivos e os mortos.

E (cremos) no Espírito Santo.

E quem quer que diga que houve um tempo em que o Filho de Deus não existia, ou que antes que fosse gerado ele não existia, ou que ele foi criado daquilo que não existia, ou que ele é de uma substância ou essência diferente (do Pai), ou que ele é uma criatura, ou sujeito à mudança ou transformação, todos os que falem assim, são anatematizados pela Igreja Católica e Apostólica.

(Early Christian Doctrines J.N.D. Kelly, Harper and Row, Publishers, 1978, p. 232)
O credo específica como ortodoxa a crença num único Deus, num único Senhor (Jesus Cristo) e no Espírito Santo.

Apesar da aprovação do Imperador, o Credo de Niceia não pôs fim às discussões sobre o conceito cristão de Deus. De facto, o Credo apenas identificou os três elementos da Fé Cristã: Deus, Jesus (o Seu Mensageiro) e o Espírito Santo. As questões mais difíceis sobre a definição das três componentes e a forma como interagem ficaram reservadas para credos posteriores e as discussões continuam até hoje.

A perspectiva Bahá’í sobre esta questão começa por apresentar uma visão mais ampla sobre a própria religião. As Escrituras Bahá’ís salientam que a religião é, inevitavelmente, alterada quando os seres humanos tentam modifica-la e adaptá-la ao seu próprio gosto.
No início todas as grandes religiões eram puras; mas os sacerdotes, dominando as mentes das pessoas, encheram-nas com dogmas e superstições, de modo que a religião gradualmente se tornou corrupta ('Abdu’l-Bahá, 'Abdu’l-Baha in London, p. 125)
Vamos ver como é que este processo pode ocorrer, até àqueles que têm as melhores intenções.

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Texto Original: Re-examining the Trinity (bahaiteachings.org)

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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015