sábado, 16 de junho de 2018

Superar o medo: uma pena na brisa da vontade de Deus.



Os meus pensamentos levam-me a uma cena de um filme. Uma pena é soprada pelo vento e levada pelo ar. Voa até ao topo de umas árvores e depois desce até junto dos pés de Forest Gump.

E no final do filme, aquela pena voa novamente para o céu simbolizando o fluir constante das nossas vidas. No caso de Forest Gump, ele era uma alma tão pura que nunca andava contra a corrente, e preferia sempre entregar-se à vontade de Deus. Submetia-se - com um coração puro, afectuoso e radiante - a tudo o que a vida lhe dava.

A vida é como uma caixa de chocolates. Nunca sabemos que vamos encontrar lá dentro” era a sua famosa frase; e ficava grato por tudo o que recebia.

Como é que podemos tornar-nos tão puros de coração? Como podemos andar sobre as brisas da vontade de Deus? Aliviar o peso do ego torna os nossos espíritos mais leves. Quando não seguimos as nossas vontades, não andamos contra o vento e podemos perceber melhor o que Deus tem reservado para nós:

Não há paz para ti salvo se renunciares a ti próprio e te voltares para Mim; pois convém-te glorificares-te no Meu nome e não no teu próprio. Põe a tua confiança em Mim e não em ti próprio, pois Eu desejo ser amado, só e acima de tudo o que existe. (Bahá’u’lláh, TheHidden Words, p. 5)

Imploro-Te, ó meu Senhor, pelo Teu nome cujo esplendor envolveu a terra e os céus, que me possibilites a entregar a minha vontade àquilo que decretaste nas Tuas Epístolas, para que eu possa deixar de descobrir em mim qualquer desejo salvo o que desejaste através do poder da Tua soberania, e qualquer vontade salvo o que me destinaste pela Tua vontade. (Bahá’u’lláh, Prayers and Meditations, p. 241)

Pessoalmente, sinto-me perturbada quando percebo que não me entrego ao vento da vontade de Deus. Um exemplo é o meu medo persistente de um dia ter a doença de Alzheimer. Fico preocupada e penso muito cada vez que me esqueço de alguma coisa ou quando penso que estou a mostrar os primeiros sinais de demência. Com isto, trago para a minha vida tudo o que se relaciona com demência e os meus medos multiplicam-se.

Hoje fui ao funeral de um amigo idoso da minha comunidade. Só quando cheguei é que soube que ele sofreu de Alzheimer durante os últimos anos da sua vida. Pensei para mim própria como aquilo deve ter sido terrível. Depois ouvi histórias magníficas sobre como ele viveu para servir a humanidade. Foi só durante os últimos anos que ele sofreu os efeitos da doença; foi apenas uma pequenina parte da sua vida maravilhosa. A situação não afectou a sua alma. Tal como outras pessoas que o conheceram, vou sempre recordá-lo como saudável, sorridente e simpático. Viveu a sua vida na brisa da vontade de Deus e agora está em paz.

A única forma de superarmos o medo, percebi, é segurarmo-nos ao amor. Tenho que acreditar que Deus me ama e que Ele cuida de mim, independentemente do que possa acontecer. Focar-me no amor e não no medo, deu-me paz.

Confia em Deus. Acredita n’Ele. Louva-O e apela-Lhe constantemente. Em verdade, Ele transforma os problemas em facilidades, a tristeza em conforto, e a luta em paz absoluta. Em verdade, Ele tem o domínio sobre todas as coisas.

Se escutares as minhas palavras, liberta-te dos grilhões de tudo o que possa acontecer. Ou melhor, sob todas as condições, agradece ao teu Senhor afectuoso, e entrega os teus problemas nas Suas mãos para que Ele faça o que Lhe agrada. Isto é melhor para ti do que tudo o que existe em ambos os mundos. (‘Abdu’l-Bahá, Selections from the Writings ofAbdu’l-Baha, #150)

Após o funeral, um amigo viu a chorar. E disse-me com um sorriso: “Kathy, esta vida só dura alguns minutos. É muito curta e só temos tempo para ser felizes.” Reconheci que tinha passado demasiadas horas a preocupar-me com coisas poderiam nunca acontecer, em vez de aproveitar os preciosos momentos que me restam:

Ó tu que volves a tua face para Deus! Fecha os teus olhos para todas as coisas e abre-os depois para o reino do Todo-Glorioso. Pede o que quer que desejes apenas a Ele; procura o que quiseres apenas n’Ele. Com um olhar, Ele concede cem mil esperanças; com um vislumbre, Ele cura cem mil doenças incuráveis; com um aceno, Ele coloca um bálsamo em todas as feridas; e num relance, Ele liberta os corações dos grilhões da dor. Ele faz o que faz, e nós que recurso temos? Ele cumpre a Sua vontade, Ele ordena o que Lhe apraz. Assim, é melhor para ti curvares a tua cabeça em submissão e colocares a tua confiança no Senhor Todo-Misericordioso. (idem,#22)

A confiança deve ser como uma pena na brisa da vontade de Deus. Ter fé é seguir o fluxo constante do vento em vez de irmos contra ele. Deus, com o Seu amor infalível, sabe sempre o que é melhor para nós; então porque lutamos contra o resultado da Sua vontade? Afinal, que escolha temos?

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Kathy Roman é educadora reformada, aspirante a escritora, esposa e mãe de dois filhos que vive em Elk Grove, California (EUA), onde serve como responsável de Informação Pública Bahá’í.

sábado, 9 de junho de 2018

Palavras de Sabedoria sobre as distracções tecnológicas



Tal como a água que flui por um vale até a um rio mais abaixo, os nossos olhos e mentes dificilmente podem ficar longe dos nossos telefones, computadores e outros aparelhos com écrans.

A atracção aparentemente irresistível pela paixão electrónica atrai-nos e prende-nos. Mesmo quando rodeados pelas pessoas que nos são mais queridas e por oportunidades de nos melhorarmos a nós próprios e viver a vida na plenitude, mesmo assim, damos a nossa principal atenção aos prazeres on-line comuns.

Costumava ser apenas um estorvo. Mas à medida que a dependência de aparelhos se aproxima do vício e leva a um comportamento mais extremo, as nossas relações disfuncionais com as tecnologias de informação acabam por se transformar numa crise espiritual que afecta a sociedade como um todo.

Não haverá saída? Será isto o melhor que podemos conseguir? Uma parte crescente da sociedade actual diz que não. Mesmo que agora não tenhamos certezas - ou do que poderão ser essas saída e que consequências poderão ter - existe um movimento crescente de utilizadores insatisfeitos que sente que é possível um modo de vida melhor. A nossa experiência directa com o ambiente que nos rodeia e com as pessoas que nos são próximas pode ser a base para uma felicidade mais completa e plena.

Então, o que dizem os ensinamentos Bahá’ís sobre isto?

Esta não é uma questão de resposta fácil. As figuras centrais da Fé Bahá’í escreveram há mais de cem anos atrás; não tinham telefones, nem computadores. Consultar as escrituras Bahá’ís sobre este tipo de vício não é o mesmo que como fazer uma pesquisa no Google. As primeiras coisas que aparecem podem não parecer directamente relevantes. Mas o carácter universal das escrituras Bahá’ís permite que os leitores encontrem significados e orientações que podem não estar explícitos no contexto original da mensagem.

Escolhi quatro citações das escrituras de Bahá’u’lláh que sinto no meu coração serem relevantes para a luta que hoje enfrentamos na busca de um relacionamento saudável com a tecnologia da informação. Não considero de forma alguma que estas citações sejam as mais importantes sobre o assunto. São apenas aquelas que me dizem alguma coisa e que - quando uma noite reflecti sobre este tema - me pareceram ter um grande poder. Procurem nelas a qualquer sabedoria que quiserem. Se existirem outras citações não incluídas aqui que falam particularmente ao seu coração, por favor partilhe-as nos comentários.

A primeira citação está no livro Selecções das Escrituras de Bahá’u’lláh. Fala da alegria que pode surgir ao levarmos uma chama espiritual para o nosso relacionamento com os outros:

Como é triste se algum homem, neste Dia, pousar o seu coração sobre coisas efémeras deste mundo! Levantai-vos e segurai-vos firmemente à Causa de Deus. Sede os mais afectuosos uns com os outros. Por amor ao Bem-Amado, queimai totalmente o véu do ego com a chama do fogo imortal, e com faces jubilosas e radiantes de luz, associai-vos com o vosso próximo. (Baha’u'llah, Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, sec.CXLVII)

A segunda vem de um livro de referência de Bahá’u’lláh sobre a viagem espiritual: Os Sete Vales. Muitas vezes, voltamo-nos para os nossos aparelhos porque nos sentimos aborrecidos com o que está ao nosso redor. Nesta citação, Bahá’u’lláh descreve um buscador espiritual que encontra oportunidades para a felicidade divina em todos os lugares:

Nesta viagem, o viajante habita em todas as terras e mora em todas as regiões. Em todas as faces, ele procura a beleza do Amigo; em todos os países, ele contempla o Amado. Ele junta-se a todas as companhias, e procura comunhão com todas as almas, para que, por ventura, possa descobrir o segredo do Amigo, ou em alguma face possa contemplar a beleza do Amado. (Bahá’u’lláh, The Seven Valleys, p. 7)

A terceira vem de uma das epístolas de Bahá’u’lláh para o proeminente líder zoroastriano Manikchi Sahib. Quando estamos absorvidos com os nossos aparelhos, a nossa capacidade de acção para melhorar a sociedade pode-se resumir apenas a falar sobre coisas nas redes sociais. Neste excerto, Bahá’u’lláh escreveu sobre o poder transformador da luz de Deus e a necessidade de acções para alcançar uma satisfação verdadeira e duradoura:

Num tempo em que as trevas envolveram o mundo, o oceano do favor divino agitou-se e Sua Luz manifestou-se, para que os feitos dos homens fossem revelados. Esta, em verdade, é aquela Luz que foi predita nas escrituras celestiais. Se o Omnipotente assim desejar, os corações de todos os homens serão expiados e purificados através da sua palavra bondosa, e a luz da unidade irradiará o seu esplendor sobre cada alma e fará renascer toda a terra.

Ó povo! As palavras devem ser apoiadas por actos, pois os actos são o verdadeiro teste das palavras. Sem estes, elas nunca poderão saciar a sede da alma sequiosa, nem abrir os portais da visão perante os olhos dos cegos. (Baha'u'llah, The Tabernacle of Unity, pp.8-9)

A quarta citação é da Epístola da Sabedoria de Bahá’u’lláh. Para mim, sempre foi uma descrição geral de uma vida bem vivida e um apelo inspirador para a excelência espiritual:

Esforçai-vos para ser exemplos brilhantes para toda a humanidade e verdadeiras lembranças das virtudes de Deus entre os homens. Aquele que se levanta para servir a Minha Causa deve manifestar a Minha sabedoria, e esforçar-se para banir a ignorância da Terra. Sede unidos na consulta, sede unos em pensamento. Que cada amanhecer seja melhor que a véspera e cada amanhã mais rico do que ontem. O mérito do homem está no serviço e na virtude e não na ostentação de fortunas e riquezas. Acautelai-vos para que que as vossas palavras estejam limpas de fantasias fúteis e desejos mundanos, e que os vossos actos estejam livres de estratagemas e desconfianças. Não dissipeis a riqueza das vossas vidas preciosas na busca do mal e do afecto corrupto, nem permitais que os vossos esforços sejam gastos na promoção do vosso interesse pessoal. Sede generosos nos vossos dias de abundância e sede pacientes nas horas da perda. A adversidade é seguida pelo sucesso e ao regozijo segue-se o infortúnio. Protegei-vos contra a futilidade e a indolência, e segurai-vos àquilo que beneficia a humanidade, jovens ou idosos, poderosos ou humildes. (Bahá’u’lláh, Tablets of Bahá’u’lláh, p. 138)

Na noite em que recolhi estas citações, a minha esposa e eu tínhamos acabado de entoar orações para o nosso filho, quando ele adormecia, deitado na cama. As luzes estavam baixas. O ambiente era sereno. No passado, este momento de ir deitar e adormecer podia parecer banal e comum. Hoje, porém, as ligações pessoais íntimas que se criaram parecem cheias de possibilidades para uma nova era mais espiritual, mais luminosa.

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Greg Hodges é um apaixonado pela combinação da mudança social com a renovação espiritual. Vive com a sua esposa no Maine (EUA).

sábado, 2 de junho de 2018

Quem acredita na intuição feminina?



Alguma vez sentiu um rasgo intuitivo de inspiração e depois perguntou a si próprio: “De onde é que aquilo veio?”

Gerd Gigerenzer, um director do Instituto Max Plank para o Desenvolvimento Humano, afirmou que as pessoas inteligentes ouvem os seus próprios sentimentos. As pessoas mais inteligentes entre nós - aquelas que conseguem dar grandes passos no progresso intelectual - não o conseguem deixar de usar o poder da intuição.

Tanto quanto sabemos hoje, todos os processos no nosso cérebro iniciam-se com axiões e ligações sinápticas. Os neurocientistas acreditam que interacções eléctricas e químicas geram cada uma das letras e palavras em que pensamos, em qualquer língua em que pensemos. Mas juntamente com estes processos físicos que fazem estas ligações, o nosso pensamento inicia-se com duas capacidades humanas fundamentais: imaginação e memória.

A intuição, ou a capacidade para intuir uma coisa - o que significa a suposição de uma verdade ou realidade baseada em pensamentos racionais e emocionais - é uma função tanto da imaginação como da memória. Todos a temos, apesar de algumas pessoas terem faculdades intuitivas altamente desenvolvidas.

Quando dizemos coisas como “Eu sabia que aquele condutor ia virar à esquerda” ou “Penso que a tia Maria vai aparecer sem avisar na festa de aniversário da minha mãe” e isso acontece, vemos a intuição a funcionar.

A intuição é, simultaneamente, uma forma de conhecimento e não-conhecimento Pressupõe ou assume um resultado, que por vezes está certo e outras vezes está errado. Mas existem estudos que mostram que a intuição das mulheres é mais forte que a dos homens.

Albert Einstein afirmou: “A mente intuitiva é uma dádiva sagrada e a mente racional é um servo fiel. Criámos uma sociedade que valoriza o servo e esquece a dádiva.

Sabemos que as crianças têm mais intuição do que os adultos e tendem a perdê-la à medida que vão crescendo. A intuição parece funcionar como um tipo de sensibilidade para a realidade e para aquilo que o futuro nos reserva; a maioria dos adultos desvaloriza o poder da intuição à medida que envelhece, focando-se apenas naquilo que está à nossa frente (em vez daquilo que está ao nosso redor).

Então, porque é que as mulheres, geralmente, têm maior sensibilidade para os seus dotes intuitivos do que os homens? Os ensinamentos Bahá’ís indicam que a intuição está relacionada com as qualidades espirituais da alma de uma pessoa:

De uma forma geral, hoje as mulheres têm um maior sentido de religiosidade do que os homens. A intuição da mulher é mais correcta; ela é mais receptiva e a sua inteligência é mais rápida. Aproxima-se o dia em que ela afirmará a sua superioridade em relação ao homem.
Em toda a parte, a mulher é elogiada pela sua fidelidade. Depois do Cristo Senhor ter sofrido, os discípulos choraram e cederam à dor. Pensavam que as suas esperanças estavam desfeitas e que a Causa estava completamente perdida, até que Maria Madalena veio ter com eles e os fortaleceu dizendo: “Vocês choram o corpo do Nosso Senhor ou o Seu Espírito? Se choram o Seu Espírito, então estão enganados, porque Jesus está vivo!” E assim, através da sua sabedoria e encorajamento, a Causa de Cristo recebeu apoio durante todos os dias que se seguiram. A sua intuição permitiu-lhe compreender um facto espiritual. (‘Abdu’l-Bahá, Abdu’l-Bahá in London, pp. 104-105)

No passado, o mundo foi governado pela força e o homem dominou a mulher devido às suas qualidades violentas e agressivas, tanto no corpo como na mente. Mas o equilíbrio já está a mudar; a força está a perder o seu domínio e a vigilância mental, a intuição, e as qualidades espirituais do amor e do serviço, em que a mulher é forte, estão a ganhar ascendente. (‘Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 2, p. 4)

É claro que os pressentimentos condicionam as nossas decisões e acções, de uma forma ou de outra; quando há um incêndio, podemos ajudar ou fugir; quando um bebé chora, podemos pegar nele ou deixá-lo chorar até que ele se canse. Os “pressentimentos” como alguém os designou, podem ser a própria intuição a falar para os nossos corações e mentes.

A intuição também funciona quando, por exemplo, alguém fala connosco. Percebemos o tom, a vivacidade, a intensidade e o colorido da linguagem, as mãos, os olhos e as expressões faciais da pessoa que fala e muito mais; com tudo isso as suas palavras podem tocar-nos ou não. É como se tivéssemos um detector de mentiras dentro de nós, um polígrafo ligado para avaliar física, mental, espiritual e emocionalmente a verdade das palavras que nos dizem.

Assim, sabemos que a intuição é uma dádiva e um talento que o Criador nos deu, tal como outros poderes internos e externos, a nossa imaginação e memória, o nosso conhecimento e raciocínio. Todos nós, cada ser humano, necessitamos das dádivas espirituais que surgem com o reconhecimento das forças divinas - aquilo que os ensinamentos Bahá’ís chamam “sopros intuitivos do Espírito Santo”

… o mundo da humanidade está necessitado das confirmações do Espírito Santo. A verdadeira distinção entre a humanidade faz-se através de favores divinos e recebendo as intuições do Espírito Santo. Se o homem não se torna receptor dos favores divinos e das dádivas espirituais, ele fica no plano e no reino animal. Pois a distinção entre o animal e o homem é que o homem está dotado com o potencial da divindade na sua natureza, enquanto que o animal está completamente desprovido dessa dádiva e realização. Por isso, se um homem estiver privado dos sopros intuitivos do Espírito Santo, privado dos favores divinos, sem contacto com o mundo celestial e indiferente às verdades eternas, apesar de ser um homem em imagem e semelhança, na realidade é um animal. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation ofUniversal Peace, pp. 316-317)

Gostaria de despertar, desenvolver e alargar as suas capacidades e sensibilidades intuitivas? ‘Abdu’l-Bahá desejava que todos nós fizéssemos “grandes progressos” na compreensão intuitiva:

Existem dois tipos de compreensão: objectivo e subjectivo. Para ilustrar: vês este copo, ou esta água, e compreendes de forma objectiva as suas partes constituintes. Por outro lado, não podes ver o amor, o intelecto, o ódio, a raiva, o sofrimento, mas reconhece-os de forma subjectiva através dos seus sinais e manifestações. O primeiro é material, o segundo é espiritual. A primeira é visível; a segunda é intuitiva. Espero que possas fazer o maior progresso no segundo tipo de compreensão. (‘Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 4, p. 179)

Se desejam desenvolver a vossa percepção intuitiva - e a sabedoria que daí resulta - foquem-se no lado espiritual das vossas vidas; descobrirão que a vossa intuição vos ajudará ao longo desta vida e da próxima.

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Rodney Richards é escritor técnico de profissão e trabalhou durante 39 anos para o Governo Estadual de New Jersey. Reformou-se em 2009 e dedicou-se à escrita (prosa e poesia),tendo publicado o seu primeiro livro de memórias Episodes: A poetic memoir. É casado, orgulha-se dos seus filhos adultos, e permanece um elemento activo na sua comunidade.

sábado, 26 de maio de 2018

A sandália do Profeta: o trivial e a substância das religiões



Todos conhecemos a cena do filme A Vida de Brian, dos Monty Python, em que Brian tenta fugir a dois grupos de pessoas - os soldados romanos que o perseguem, e a multidão que o venera.

A multidão de seguidores, que acabara de ouvir o seu discurso "profético", segue-o agora porque pensa que ele é o Messias. Brian perde uma das suas sandálias durante a fuga. Os seguidores excitados param; um homem agarra a sandália e exclama: “Oh! … Ele deu-nos… o seu sapato! … O sapato é o seu sinal. Vamos seguir o seu exemplo.

A Vida de Brian - provavelmente uma das críticas mais inteligentes aos erros dos crentes na esfera judaico-cristã do Império Romano - também se aplica a as outras religiões. De uma forma subtil, os Monty Python ridicularizam a tendência humana de se deixar envolver em coisas triviais e perder a visão da substância.

A cena da sandália em A Vida de Brian lembra-me um episódio famoso da história otomana recente, quando o Estado Otomano e os seus habitantes muçulmanos tiveram um momento "inesquecível" na sua história ao descobrirem uma sandália do profeta Maomé.

Naquela época, o sultão Abdulaziz (1861-1876) governava o Império Otomano. Ele tinha injustamente exilado várias vezes Bahá’u’lláh, a Sua família e alguns dos Seus seguidores. Apesar de vários apelos, o sultão e os seus ministros ignoraram o conselho de Bahá’u’lláh sobre o bem-estar dos povos no império. Posteriormente, Bahá’u’lláh comparou-os com “crianças que se juntam e brincam com barro” e declarou que entre eles “não havia alguém suficientemente maduro para receber de Nós as verdades que Deus Nos ensinou”. (The Summons of the Lord of Hosts, p. 201)

A sua imaturidade ficou patente, por exemplo, no ridículo alvoroço causado por uma sandália que supostamente pertencera a Maomé. Em 2 de Maio de 1872, um jornal otomano (e depois outros) informaram que a sandália estava nas mãos de um tal dervixe Bey, na cidade de Diyarbakir, no sudeste da Anatólia. Por ordem do Tesouro Imperial, o dervixe viajou com a sandália e atravessou a Anatólia até a cidade de Samsun, no norte, junto ao mar Negro. Durante as semanas seguintes, os jornais descreveram todos os detalhes relativos a este evento “importante”, incluindo milagres e “sinais” relacionados com a sandália sagrada.

Foram referidos vários milagres foram ao longo da viagem. Quando, por exemplo, a carruagem que transportava a sandália atravessou uma ponte sobre um rio, a corrente normalmente forte acalmou e a água parou. Outro suposto milagre ocorreu enquanto a mula que levava o objecto sagrado para Samsun passou por um rebanho de ovelhas, e as ovelhas, de repente, cercaram a mula e começaram a balir tristemente. Quando a sandália chegou Samsun, foi recebida com as maiores honras e cerimoniais de acordo com a prática muçulmana consagrada pelo tempo. Na cidade, um menininho paralítico de nascença foi obrigado a beijar e esfregar o rosto no pano onde a sandália estava exposta, numa mesquita. Ao fazê-lo, teria sido curado e agora podia andar.

Depois de uma grande multidão ter homenageado a sandália em Samsun, o governador da cidade levou-a para o navio que tinha sido enviado especialmente de Istambul para levar o objecto sagrado e o dervixe Bey para Istambul. Ao chegar a Istambul, o Governo declarou feriado, e o grão-vizir, ministros, sábios religiosos (ulemás), xeques, oficiais e outros dignitários foram assistir ao desembarque.

O grão-vizir pegou solenemente na caixa que continha a sandália e colocou-a numa carruagem especial, conduzida por quatro cavalos. A carruagem foi escoltada por uma guarda especial e acompanhada por muitos homens que seguravam archotes; todos oravam e gritavam: Allahu Akbar! (“Deus é o mais grandioso!”) À frente e atrás da carruagem, seguiam o grão-vizir, pregadores, eruditos, xeques e o dervixe Bey, todos montados a cavalo. A sandália sagrada foi levada ao Palácio de Topkapi, a antiga sede do império. Foi colocada num salão de relíquias sagradas, e ministros, ulemás, xeques e outros oficiais entraram no salão para a bênção. O sultão visitou a sandália sagrada após as orações de sexta-feira, e esta, posteriormente, foi exibida ao público durante três dias. Mais tarde o dervixe Bey foi condecorado pelo Estado e recebeu uma pensão.

O evento pertencia ao reino do Islão popular, onde as tradições eram seguidas cegamente. O Estado regulamentava e doutrinava os muçulmanos no império com todos os tipos de leis que se consideravam estar no âmago do Islão - mas na realidade eram apenas superstições. Apesar de muitos dos estadistas da época serem muçulmanos ocidentalizados e não fanáticos, eles consideraram sensato deixar a população muçulmana entregue à ignorância e fanatismo. Para controlar as massas, o Estado fazia uso de eventos que alimentavam as superstições do povo. Um desses eventos foi a descoberta da sandália sagrada de Maomé.

Bahá’u’lláh, que nessa época estava prisioneiro em Acre, acompanhava de perto os acontecimentos no Império Otomano. Numa das Suas epístolas, refere-se à sandália de Maomé e ao sentimento que a rodeava. Depois de descrever o evento com as Suas próprias palavras e criticar toda a pompa e superficialidade como secundárias, Bahá'u'lláh abordou para a questão essencial:

A notícia recente é que, por estes dias, foi referido que o Chefe da Grande Cidade (Istambul) ouviu dizer que uma pessoa entre os grandes de Diyarbakir está na posse de um sapato do Apóstolo (Maomé), que as almas de todos sejam um sacrifício por ele. Como consequência, o Estado ordenou que fosse trazido. A pessoa acima mencionada chegou com o sapato à costa do Mar Negro, e vários navios foram enviados de Istambul, especialmente para transportar o objecto precioso. E ao chegar à Grande Cidade também foram enviados numerosos barcos, e a pessoa que transportava o objecto precioso subiu ao barco do sultão e seguiram para a cidade. Ao aproximar-se da costa, o grão-vizir, todos os oficiais e ministros foram ao seu encontro com expectativa. À chegada, o grão-vizir aproximou-se, aceitou o objecto sagrado e entrou numa carruagem requintada. O portador do objecto montou num magnífico cavalo atrás da carruagem. Atrás dele, todos os ministros e oficiais seguiram em direcção ao local designado. À esquerda e à direita da carruagem, uma multidão de ulemás caminhava com jarras de incenso, louvando a Deus até chegarem ao local pretendido. Após a chegada, o Chefe e outras pessoas visitaram aquele local durante três dias em grandes multidões.

Agora temos aqui algo para reflectir e para estar atento! Veja-se como estas pessoas se se seguram firmemente a assuntos triviais e estão privadas do fundamental. Isso sempre foi assim e continuará a ser assim... (de uma Epístola de Bahá’u’lláh, tradução provisória do autor).

Como em qualquer outra religião, os ensinamentos Bahá’ís aconselham-nos a focarmo-nos na essência e a não procurar o que é absurdo e sem sentido. Segundo Bahá’u’lláh:

As pessoas, na sua maioria, deliciam-se com superstições. (…) Segurando-se firmemente a nomes, privam-se da realidade interior e apegando-se a imaginações frívolas, afastam-se da Alvorada dos sinais celestiais. (Tablets de Baha'u'llah, p. 58)

Bahá’u’lláh exortou os crentes de todas as religiões a concentrarem-se hoje na essência da fé, e não nos seus detalhes triviais. Não devemos ficar presos na superficialidade desta vida e seguir cegamente as superstições herdadas de nossos antepassados; em vez disso, diz Ele, devemos seguir os “sinais celestiais”. No final da epístola anteriormente citada, Bahá’u’lláh pede ao povo que volte a sua atenção para o sofrimento dos Bahá’ís que estavam injustamente exilados nos domínios otomanos: “ninguém, nesses dias, considerou seriamente os cativos divinos (Bahá’ís).” (Idem.)

Como os seguidores fictícios do filme A Vida de Brian, os Otomanos tinham perdido o rasto da “essência” - o chamamento divino de Bahá’u’lláh - e seguiam a sandália das suas vãs fantasias.

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Necati Alkan é um historiador turco-alemão, especialista no período final da história do Império Otomano. É investigador na Universidade  de Bamberg (Alemanha) e trabalha com temas relacionados com minorias religiosas. Entre os seus livros contam-se: “The eternal enemy of Islam’: Abdullah Cevdet and the Baha’i religion” (2005); “Süleyman Nazif's 'Open Letter to Jesus': An Anti-Christian Polemic in the Early Turkish Republic” (2008); "Fighting for the Nuṣayrī Soul: State, Protestant Missionaries and the ʿAlawīs in the Late Ottoman Empire" (2012); "Divide and Rule: The Creation of the Alawi State after World War I (2013)

quinta-feira, 24 de maio de 2018

APELO ÀS EMISSORAS TELEVISIVAS

Nos últimos anos temos assistido a um desvirtuar total do desporto enquanto actividade de valores, de humanismo. A luta de palavras invadiu a normalidade dos noticiários e as agressões verbais tornaram-se a norma num ecossistema que parece alimentar-se dessa mesma violência.

Abarcando cada vez mais espaço nas mentalidades, os programas de comentário desportivo levam, muitas vezes, ao limite do inimaginável o prazer do azedume, da acusação, da maledicência. É a prática constante de uma violência verbal que alimenta essa voragem em que cada vez mais cidadãos se encontram, fechados nesse clima de intriga, ruminando um ódio que pode eclodir a qualquer momento.

Com uma grelha televisiva centrada nestes debates, muitos jovens não resistem à tentação dessa presença contínua nas televisões, sorvendo uma cultura que gera o ódio, que incita à violência e que desagrega a sociedade como um espaço de fraternidade e de paz.

Pelas consequências vistas nos últimos anos; Pelas consequências vistas nos últimos dias;Porque é preciso restituir dignidade aos telespectadores, lançamos um APELO aos canais televisivos para que criem mecanismos de regulação ética que enquadrem estes debates, e para que reduzam o tempo de exposição das dimensões colaterais ao futebol, fomentando uma cultura de respeito e de tolerância, sendo esses programas instrumentos de diálogo e de compreensão através do debate livre, e não ferramentas de disseminação do ódio em que parte do país se acha mergulhado, moldando mentalidades.

21 de Maio de 2018.

Promotores:
Paulo Mendes Pinto, Prof. Universitário
António Serzedelo, Activista cívico
Catarina Marcelino, Deputada
José Eduardo Franco, Prof. Universitário
Patrícia Reis, Jornalista e escritora
Pedro Abrunhosa, Músico

Assinam:
Alexandre Castro Caldas, Médico
Alexandre Honrado, Escritor
Anabela Freitas, Presidente da C.M. de Tomar
Anabela Mota Ribeiro, jornalista 
Annabela Rita, Directora da Associação Portuguesa de Escritores
Ana Umbelino, Vereadora da C. M. de Torres Vedras
António Araújo, Prof. Universitário
António Avelãs, Prof. Universitário
António Borges Coelho, Prof. Universitário
António Pinto Pereira, Advogado
Berta Nunes, Presidente da Câmara Municipal de Alfândega-da-Fé
Carlos Bernardes, Presidente da C. M. de Torres Vedras
Carlos Fiolhais, Prof. Universitário
Carlos Moreira Azevedo, Bispo
Carlos VargasGestor Cultural
Cipriano Justo, Médico
Cláudia Horta Ferreira, Vereadora da C. M. de Torres Vedras
Elísio Summavielle, Gestor Cultural
Eugénio Fonseca, Presidente da Cáritas Portuguesa
Fernanda Câncio, Jornalista
Fernando Pereira, Cantor
Fernando Ventura, Frade Franciscano Capuchinho
Francisco Sarsfield Cabral, Jornalista
Graça Morais, Pintora
Henrique Pinto, Fundador-Presidente da Impossible – Passionate Happenings
Jaime Ramos, Médico, Fundador da ADFP
João de Almeida Santos, Prof. Universitário
João Couvaneiro, Vice-Presidente da C. M. de Almada
João Paulo Leonardo, Director do Agrupamento de Escolas Baixa-Chiado
Joaquim Franco, Jornalista
Joaquim MoreiraQuórum dos Setenta da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias
Joaquim Pintassilgo, Prof. Universitário
Jorge Proença, Director da Fac. de Ed. Física e Desporto da Un. Lusófona
José Maria Brito, Pe. Jesuíta
José Vera Jardim, Jurista
Mafalda Anjos, Jornalista
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sábado, 19 de maio de 2018

Quatro Passos para conseguir a Verdadeira Felicidade

Por Kathy Roman.


‘Abdu'l-Bahá, o filho do profeta Bahá’u’lláh, costumava falar para congregações e convidados com esta pergunta simples, mas profunda: “Vocês são felizes?” Ele queria muito ver toda gente feliz e unida:
Não pensem em vocês próprios, mas pensem na Generosidade de Deus. Isso far-vos-á sempre felizes. Deveis estar sempre felizes. Deveis ser contados entre as pessoas de alegria e felicidade, e estar embelezados com a moral divina. Em grande medida, a felicidade preserva a nossa saúde, enquanto a depressão do espírito gera doenças. O essencial da felicidade eterna são a espiritualidade e a moralidade divinas, que não são acompanhadas pela tristeza. (‘Abdu'l-Bahá, citado em Vignettes from the Life of ‘Abdu’l-Bahá, p. 129)
Embora ‘Abdu'l-Bahá tenha sofrido bastante durante a maior parte da Sua vida, Ele manteve a sua felicidade:
Eu próprio estive na prisão durante quarenta anos; só um ano teria sido impossível de suportar; ninguém sobreviveu àquela prisão mais de um ano! Mas, graças a Deus, durante todos aqueles quarenta anos eu fui extremamente feliz! Todos os dias, ao acordar, era como se ouvisse boas notícias, e todas as noites a alegria infinita era minha. A espiritualidade era o Meu conforto, e voltar-Me para Deus era a minha maior alegria. Se não tivesse sido assim, acham que teria sido possível que eu pudesse ter sobrevivido a quarenta anos de prisão? (Paris Talks, p. 112)
Isso levanta a questão: porque é que algumas pessoas são mais felizes do que outras? No seu laboratório na Universidade de Wisconsin, o Dr. Richard Davidson dedicou a sua vida a investigar "cérebros felizes". Estudou os cérebros de monges budistas, homens que passam a vida a evocar deliberadamente emoções inspiradoras e os seus níveis notáveis de felicidade. Os dados do Dr. Davidson mostraram que, se alguém ficar sossegado durante meia hora por dia, pensando apenas em bondade e compaixão, o seu cérebro mostrará mudanças significativas em apenas duas semanas.

Algumas pessoas são mais felizes do que outras porque a felicidade é uma escolha. Os investigadores acreditam que entre 50 a 70% do nosso nível de felicidade resulta de predisposição genética; e cerca de 40% vem da nossa própria vontade. Uma grande parte da felicidade depende das nossas atitudes, comportamentos e valores, e não de circunstâncias externas.

Quando era vivo, o meu tio Mack ensinou-me coisas sobre a felicidade. Ele tinha sempre um comportamento alegre e jovial, fazendo sorrir as pessoas, ou - no caso das crianças - fazendo-as rir. Agia como se não tivesse preocupações no mundo. Só quando cresci é que percebi as dificuldades que o tio Mack enfrentou. Quando era recém-casado e teve o seu primeiro filho, a minha tia foi vítima de um aneurisma cerebral muito perigoso; ficou permanentemente paralisada e deixou de conseguir falar. No entanto, Mack tratou dela carinhosamente durante toda a vida. Essa tragédia não mudou a sua atitude nem a sua felicidade. Ainda fizemos grandes reuniões familiares e festas na piscina de verão, cheias de animação e gargalhadas na sua casa, e no Natal ele era o alegre Pai Natal. Nos seus últimos anos, depois de a minha tia ter falecido, ele ficou muito doente com a doença de Graves e ia regularmente fazer diálise; mas o seu comportamento alegre manteve-se. Até o momento em que morreu, eu nunca o ouvi reclamar sobre alguém ou alguma coisa, apesar de a sua vida ter sido cheia de tristezas dolorosas. Tio Mack exemplificava verdadeiramente a nobreza da felicidade:
Qualquer um pode ser feliz numa situação de conforto, facilidade, saúde, sucesso, prazer e alegria; mas se alguém estiver feliz e satisfeito numa situação problemática, de dificuldades e doenças persistentes, isso é a prova da nobreza. (Tablets de Abdu'l-Baha, Volume 2, p. 263)
Então, como podemos ter mais felicidade em nossas vidas? Experimente estes simples quatro passos:

1. Praticar a gratidão - Em vez de procurar negligentemente coisas, ou situações externas, para ficarmos felizes, focar-nos apenas no que já temos pode trazer-nos o subproduto natural da felicidade. Quanto mais gratidão tivermos, mais felicidade teremos nas nossas vidas. Há um velho ditado que diz que quem esquece a linguagem da gratidão, nunca poderá falar com felicidade.

Não é a felicidade que nos torna gratos, mas a gratidão que nos torna felizes. (David Steindl-Rast)

Eu diria que o reconhecimento é a mais alta forma de pensamento, e que a gratidão é a felicidade duplicada pelo espanto. (Gilbert K. Chesterton)

2. Evite permanecer negativo - Em relação aos pensamentos negativos, Eckhardt Tolle disse:

Se você estiver consciente, será capaz de reconhecer essa voz pelo que ela é: um velho pensamento condicionado pelo passado. Além disso, não precisará mais acreditar em todos os seus pensamentos. Verá que se trata de algo antigo, nada mais.

Pessoas felizes têm momentos de emoções negativas, tal como todas as outras, mas não deixam esses pensamentos se prolonguem:

Quando uma porta de felicidade se fecha, abre-se outra, mas muitas vezes olhamos tanto para a porta fechada que não vemos a porta que se abriu. (Helen Keller)

3. Concentre-se no serviço e bondade para quem quer que encontre no seu caminho - o conselho de ‘Abdu’l-Bahá sobre a felicidade enfatiza o nosso reconhecimento da verdadeira unidade da humanidade:
Não se contentem em mostrar amizade apenas com palavras, deixem o vosso coração arder com bondade para com todos os que possam surgir no vosso caminho... Que se veja que estais cheios de amor universal. Quando encontrarem um estranho, falem com ele como se fosse um amigo; se ele parecer estar sozinho, tentem ajudá-lo, ofereçam-lhe o vosso serviço voluntário; se ele estiver triste, consolem-no; se estiver pobre, socorram-no; se estiver oprimido, salvem-no; se estiver na miséria, confortem-no. Ao fazer isso, vocês manifestarão isso não apenas com palavras, mas de facto e de verdade, que pensam em todos os homens como vossos irmãos. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, p. 16)
4. Associe-se com pessoas afectuosas e positivas - A felicidade é contagiosa. Já notou como estar com pessoas felizes pode elevar o seu espírito? Para mim, até ouvir alegres gargalhadas de alguém perto de mim (especialmente se for de um bebé) faz-me sorrir e sentir uma onda de felicidade. Fico então ligada a essa alegria e ela torna-se minha.

Um novo estudo realizado por investigadores da Universidade de Harvard e da Universidade da Califórnia em San Diego revelou que a felicidade se espalha pelas redes sociais. O estudo mostrou que, quando uma pessoa fica feliz, um amigo que more próximo tem mais 25% de probabilidades de se ficar feliz; enquanto o cônjuge tem mais 8% de probabilidade, e os vizinhos do lado, têm mais 34%. Se você precisa de um impulso de felicidade, associe-se com aqueles que já têm uma visão feliz da vida.

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Texto original: Are You Happy? 4 Ways to Achieve Real Happiness (www.bahaiteachings.org)

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Kathy Roman é educadora reformada, aspirante a escritora, esposa e mãe de dois filhos que vive em Elk Grove, California (EUA), onde serve como responsável de Informação Pública Bahá’í.