sábado, 25 de abril de 2015

Noiva Bahá'í detida em Teerão


Farima Farzandi, uma Bahá’í residente em Teerão foi detida no dia 21 de Abril e levada para local desconhecido. Segundo a organização HRANA, agentes de segurança do governo armados invadiram a residência de Farima Farzandi, fazendo uma rusga e filmando o que foi descrito como uma “detenção violenta”. Farima Farzandi está noiva e deveria casar na próxima semana. Não foram divulgadas informações sobre o seu local ou condições de detenção.

Os cientistas podem aceitar Deus?

Por Gregory Samsa e Jerry Schoendorf.


Quando os cientistas ficam curiosos sobre os temas da existência de Deus e da espiritualidade, surgem geralmente duas questões: “Há alguma coisa importante que esteja fora do reino material de um cientista?” e “Que interesse pode uma pessoa razoável encontrar na religião?”

Cerca de 90% da população mundial afirma seguir um sistema de crenças religiosas. Então o que é que a religião tem de tão atraente? Algumas pessoas gostam do elemento social, da eucaristia, das visitas aos templos e das ligações com amigos e familiares (vivos e falecidos). Apesar de reconhecerem a importância destas componentes sociais, estas não são matéria sobre a qual a maioria dos cientistas construam um compromisso de fé.

No entanto, a maioria dos cientistas compreende perfeitamente que um dos objectivos básicos da religião é melhorar a conduta humana. As escrituras Bahá'ís declaram:
“O propósito da religião… é estabelecer a unidade e a concórdia entre os povos do mundo; não a torneis uma causa de desavença e conflito.” (Tablets of Baha’u’llah, p. 129)
Esta qualidade, fortemente enfatizada na Fé Bahá’í, inclui um corolário: se a religião não melhora a conduta humana, então a sua ausência é preferível. Na verdade, as grandes religiões defendem que devemos fazer todos os esforços para seguir dois mandamentos básicos (ou ensinamentos espirituais): [1] amar a Deus; [2] tratar os outros como gostaríamos de ser tratados.

Apesar do primeiro mandamento poder ser de difícil aceitação intelectual, a ideia de tentar melhorar-se a si próprio e desenvolver atributos divinos - tais como amor, justiça, misericórdia, paciência e outros - deve ser clara para todos. Conhecemo-la como Regra de Ouro e tem sido uma constante ao longo da história das religiões.

Para os cientistas que confiam na criação de hipóteses testáveis, a Regra de Ouro pode, de facto, ser usada para criar algumas. Por exemplo: as pessoas que seguem a Regra de Ouro serão mais felizes, mais dignas, mais fidedignas, mais tranquilas na vida, mais produtivas da sociedade, etc, do que aquelas que não a seguem? Por outro lado, formular esta hipótese como "as pessoas que realmente seguem a Regra de Ouro” também permite uma resposta adequada a questões como "Não é o Cristianismo responsável pela Inquisição?” ou “Não é o Islão responsável por terrorismo global?"

Independentemente do que afirma ser a sua identidade religiosa, uma pessoa só pode ser contada como seguidora de uma religião, se também seguir a Regra de Ouro. Na verdade, a pergunta acima não precisa ser colocada de forma abstracta. Podemos reformular: não será o cientista mais feliz, a sua vida familiar mais agradável, e assim por diante, se seguir a Regra de Ouro nas suas actividades?

Neste momento, um cientista inteligente vai provavelmente perguntar: "Qual é a relação entre a Regra de Ouro e a religião? Porque é que eu preciso da religião para seguir a Regra de Ouro? Porque é que eu não posso ser uma boa pessoa sem religião? "

Albert Schweitzer
A resposta? A verdadeira religião, quando praticada com a atitude certa, com uma consciência semelhante, com um envolvimento pessoal, produz um efeito que todos os cientistas conseguem entender - o poder da unidade. Ele cria uma comunidade, uma rede de apoio e um círculo fidedigno de crença; e tem um efeito no comportamento das pessoas. Isto, naturalmente, faz com que a prática milenar da Regra de Ouro seja muito mais fácil, mais simples e mais eficaz.

Os Profetas e Manifestantes de Deus, aqueles Seres (ie, Krishna, Abraão, Moisés, Buda, Jesus, Maomé, Bahá'u'lláh, etc.), que representam as muitas virtudes de Deus na terra, são as nossas manifestações mais dramáticas e inspiradoras da Regra de Ouro. Muitos outros exemplos menores da Regra de Ouro (Madre Teresa, Albert Schweitzer, etc.) viveram uma vida de inspiradora e de sacrifício devido à força das suas convicções religiosas. Na verdade, o facto da vida dos Profetas estar em tão perfeita harmonia com a Regra de Ouro é uma das provas espirituais das suas missões. Que os Fundadores das grandes religiões mundiais, tenham afirmado que a sua inspiração e autoridade deriva da sua relação com Deus sugere que uma conduta correcta e reconhecimento de Deus não são coisas independentes.

Por outro lado, enquanto o conteúdo espiritual básico da religião (amar a Deus, seguir a Regra de Ouro) permaneceu e permanecerá inalterada ao longo do tempo, outra coisa que os Profetas fazem é actualizar as leis sociais, para dar resposta às necessidades e exigências de cada época. Na prática, esta actualização das leis não pode prosseguir com êxito sem autoridade adequada, tal como a que deriva do relacionamento do Profeta com Deus. Numa análise histórica conseguimos perceber, tanto o impacto dessas mudanças na legislação social, como a visão única dos Profetas ao fazer essas alterações.

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Texto original: Can Scientists Accept God? (bahaiteachings.org)

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Gregory Samsa é director de estudos de pós-Graduação no Departamento de Bioestatística e Bioinformática na Universidade de Duke (EUA), e entre os seus interesses intelectuais está a desconstrução da prática estatística em componentes que podem ser estudadas cientificamente. Um pai de 5 filhos e treinador de futebol em escolas de ensino secundário.

Jerry Schoendorf é um ilustrador médico reformado e anaplastologista que trabalhou na Universidade de Duke e mais tarde num consultório particular em Durham (Carolina do Norte, EUA). Vive em Chapel Hill, Carolina do Norte, onde se dedica à ilustração, apicultura, e olaria.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Nomes dos Bahá'ís detidos na República Islâmica do Irão

No último dia do ano Persa, mais de 80 Bahá’ís estavam presos ou detidos temporariamente nas prisões da Republica Islâmica do Irão. A lista que se segue apresenta os nomes desses Bahá’ís e as penas a que foram condenados.

Teerão (Sector feminino de Evin):
1. Mahvash Sabet: 20 anos
2. Fariba Kamalabadi: 20 anos
3. Nushin Khadem: 4 anos
4. Nasim Bagheri: 4 anos
5. Faran Hesami: 4 anos
6. Elham Farahani: 4 anos
7. Nasim Ashrafi: 1 ano
8. Shamis Mohajer: 1 ano

Prisão de Evin (detenção):
9.
Mona Mehrabi
10. Elham Karampisheh
11. Mehrdad Forghani
12. Safa Forghani
13. Ruhiyyih Bagherdokht
14. Laleh Mehdinezhad

Karaj  – Gohardasht (Prisão de Rajai Shahr):
15. Jamaluddin Khanjani: 20 anos
16. Saeed Rezaei: 20 anos
17. Afif Naimi: 20 anos
18. Behrooz Tavakoli: 20 anos
19. Vahid Tizfahm: 20 anos
20. Navid Khanjani 12 anos
21. Adel Naimi: 11 anos
22. Farhad Fahandezh: 10 anos
23. Shahran Chinian Miandovab: 8 anos
24.
Eghan Shahidi: 5 anos
25. Azizolah Samandri: 5 anos
26. Kamran Mortezai: 5 anos
27. Keyvan Rahimian: 5 anos
28. Fouad Fahandezh: 5 anos
29. Amanolah Mostaghim: 5 anos
30. Fouad Moghadam: 5 anos
31. Kamal Kashani: 5 anos
32. Farahmand Sanaii: 5 anos
33. Siamak Sadri: 5 anos
34. Farhad Eghbali: 5 anos
35. Kuroush Ziyari: 5 anos
36. Payam Markazi: 5 anos
37. Ramin Zibaii: 4 anos
38. Afshin Hayratian: 4 anos
39. Shahin Negari: 4 anos
40. Shahrokh Taef: 4 anos
41. Kamran Rahimian: 4 anos
42. Mahmoud Badavam: 4 anos
43. Riaz Sobhani: 4 anos
44. Farhad Sedghi: 4 anos
45. Fouad Khanjani: 4 anos
46. Shahab Dehghani: 4 anos
47. Shamim Naimi: 3 anos
48. Sarang Etehadi: 1 ano

Prisão de Yazd:
49. Shamim Etehadi: 3 anos
50. Khosro Dehghani: 3 anos
51. Iman Rashidi: 3 anos
52. Shabnam Motahed: 2 anos
53. Fariborz Baghi: 2 anos
54. Iraj Lohrasb: 2 anos
55. Naghmeh Farabi: 2 anos
56. Fariba Ashtari: 2 anos
57. Farah Baghi: 1 ano
58. Tanaz Mohammadi: 1 ano
59. Naser Bagheri: detenção
60. Fayez Bagheri: detenção

Mashhad – Prisão de Vakilabad:
61. Nika Kholusi: 6 anos
62. Jalayer Vahdat: 5 anos
63. Davar Nabilzadeh: 5 anos
64. Sonia Ahmadi: 5 anos
65. Sima Eshraghi: 5 anos
66. Nava Kholusi: 4 anos e seis meses
67. Adib Shoa’i: 6 meses

Prisão de Orumiyeh:
68. Fardin Aghsani: 3 anos
69. Farahnaz Moghadam: 3 anos
70. Gisou Sheikh Hassan Abadi: 3 anos
71. Amir Ma’budi: 6 meses
72. Nushin Misaghi: 6 meses
73. Neda Forsatipur: 6 meses
74. Soheila Aqdasi:  6 meses

Prisão de Semnan:
75.
Puya Tebyanian: 7 anos
76.
Afshin Ighani: 4 anos e 3 meses
77.
Susan Tebyanian: 1 ano

Prisão de Arak:
78.
Navid Haghighi: 3 anos

Prisão de Kerman:
79. Shahram Fallah: 3 anos


Prisão Anexa:
80. Ziaollah Qaderi: 3 meses
81.
Faramarz Lotfi: 3 meses
82. Soroush Garshasbi: 3 meses

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sábado, 18 de abril de 2015

Egipto vai enfrentar “ameaças” de Ateus, Baha’is e Xiitas com grupos especiais

Por Kari Megeed.

Numa reunião realizada na passada terça-feira na sede do Ministério de Fundações Religiosas no Cairo, o ministro Mohamed Mokhtar Goma'a afirmou que está a planear a formação de grupos especiais dedicados consciencialização das "ameaças" do ateísmo e das religiões Baha'i e Xiita, além de questões sociais, como a toxicodependência e os crimes de morte.

Nesta reunião estiveram presentes representantes de diferentes províncias e de vários departamentos governamentais a quem o Sr. Goma'a pediu diversos dados estatísticos, nomeadamente sobre o número actual de mesquitas existentes nas suas áreas. Um porta-voz do Ministério, informou que após a recolha dos dados, serão criados grupos que terão reuniões mensais até ao início do Ramadão.

"Os grupos incluirão um recitador Alcorão, um cantor e dois palestrantes", disse Abdel Razek ao Daily News Egypt. A reunião também discutiu a regulamentação dos funcionários das mesquitas, e esboçou um sistema para que todas as mesquitas tenham no mínimo um funcionário. A reunião também analisou o próximo Religious Speech Freedom Forum, a ser realizado no próximo mês de Maio. A conferência irá propor leis sobre liberdade de expressão religiosa no Egipto, incluindo legislação que para erradicar pregadores da Irmandade Muçulmana.

Ateísmo e liberdade de expressão religiosa tem sido um assunto quente no Egipto após a destituição da Irmandade Muçulmana em 2013. Em Janeiro, um estudante de engenharia de 21 anos de idade, Karim Al-Banna foi preso sob a acusação de ser ateu e "insultar o Islão" no Facebook. Al-Banna enfrenta uma pena de prisão de três anos, se o seu recurso actual não for aceite. Na semana passada, o Ministério das Fundações Religiosas declarou que ia iniciar uma rigorosa vigilância sobre as escolas privadas associadas a instituições religiosas, e reestruturar as instituições filiadas na Irmandade Muçulmana. Segundo a Egyptian Initiative for Personal Rights, desde 2011, mais de 40 pessoas foram acusadas e julgadas por difamação; 27 foram condenadas em tribunal.

Em Janeiro, quando o presidente Sisi pediu uma "revolução religiosa", o mundo inteiro sentiu um sinal de esperança perante a possibilidade de uma reforma religiosamente moderada em algumas partes do Médio Oriente. Como o Egipto é o lar de uma das principais autoridades do Islão Sunita, - Al Azhar - a declaração do Presidente Sisi tinha uma grande potencial. No entanto, os ateus egípcios discordam.

"Dada a natureza actual do discurso religioso no Egipto e a organização de reuniões, como esta no Ministério de Fundações Religiosas, não acredito que o ateísmo seja aceite em breve. Egipto tem de trabalhar estes seus problemas com a liberdade de expressão, antes de podermos começar a incluir a religião ou qualquer outra questão social ", disse um ateu egípcio que preferiu não ser identificado.

O problema também afecta principal fonte de receitas do Egipto: o turismo. Os turistas tendem a evitar países onde existe risco de prisão apenas porque alguém o ouve a falar em inglês com um amigo sobre política e religião. O Egipto tem a oportunidade de fazer o que outras nações raramente são capazes: começar de novo. Dado o recente impulso no sentido da modernização e da globalização, essas questões sociais devem ser abordadas, e activamente defendidas.

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FONTE: Egypt To Confront ‘Threats of Atheists, Baha’is and Shiites’ With New ‘Special Groups’ (EgyptianStreets)

Apóstatas, Infieis e Hereges

Por David Langness.


Apóstatas: pessoas que renunciam explicitamente à sua religião ou crenças.

Infieis: pessoas que não acreditam numa religião específica.

Hereges: pessoas que têm crenças ou teorias que divergem fortemente das crenças e costumes estabelecidos.

Alguma destas definições é aplicável ao leitor?

Sim? A mim também. Na verdade, segundo estas definições, eu próprio já fui apóstata, infiel e herege.

Aos treze anos, renunciei explicitamente à religião em que nasci, a Igreja Luterana; tornei-me um apóstata. Ao fazer isso, tornei-me, por definição, um infiel, porque durante muito tempo não acreditei em nenhuma religião. Depois descobri a Fé Bahá'í e decidi aceitá-la voluntariamente - o que para alguns fundamentalistas é uma crença herética, passível de prisão e morte.

Militantes do Boko Haram na Nigéria
Ultimamente, temos ouvido muitas vezes estas três palavras antiquadas: apóstata, infiel e herege. Elas tendem frequentemente a surgir nas declarações públicas de grupos como Boko Haram ou o chamado Estado Islâmico; estas palavras encontram espaço nos slogans e nas maldições de diversas agendas religiosas fundamentalistas; e como resultado, até reapareceram nas conversas comuns.

Assim, vamos analisar estas palavras e os conceitos por trás delas. Vamos explorar o que elas costumavam dizer, e o que significam hoje. E mais importante que isso: vamos examinar o seu uso cada vez mais comum contra outras pessoas - incluindo a escalada de violência que por vezes essas palavras provocam - e ver o que os princípios Bahá'ís têm a dizer sobre esta tendência.

Em primeiro lugar, os ensinamentos bahá'ís, com a sua forte ênfase na unidade da humanidade, não separam os seres humanos em nenhuma dessas categorias arcaicas e simplistas:
Um ensinamento fundamental de Bahá'u'lláh é a unidade do mundo da humanidade. Dirigindo-se à humanidade, Ele diz: "Todos vós sois as folhas de uma árvore e os frutos de um só ramo." Com isto, entende-se que o mundo da humanidade é como uma árvore, as nações ou povos são os diferentes membros ou ramos dessa árvore e que as criaturas humanas são como os frutos e as flores da mesma. Desta forma, Sua Santidade Bahá'u'lláh expressou a unidade da humanidade, enquanto nos ensinamentos religiosos do passado, o mundo humano foi representado como dividido em duas partes, uma conhecida como o povo do Livro de Deus ou a árvore pura, e a outra como o povo de infidelidade e do erro ou a árvore do mal. Os primeiros foram considerados como pertencentes aos fiéis e os outros como sendo as hordes dos irreligiosos e infieis; uma parte da humanidade eram destinatários da misericórdia divina e a outra era o objeto da ira do seu Criador. Sua Santidade Bahá'u'lláh eliminou isto proclamando a unidade do mundo da humanidade e este princípio é enfatizado nos Seus ensinamentos, pois Ele submergiu toda a humanidade no mar da generosidade divina. (‘Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 454)
Esta abordagem revolucionária à crença começou a mudar o mundo.

Em vez de dividir as pessoas em dois grupos - os bons e os maus, os fiéis e os pecadores, os celestiais e os satânicos - a abordagem Bahá’í centra-se na sua unidade essencial. Em vez de separar e injuriar "os outros" - pessoas de diferentes grupos religiosos, étnicos, raciais ou nacionais - os Baha'is não vêem “os outros”; apenas vêem seres humanos. Em vez de classificar as pessoas nas categorias tradicionais de abençoados e malditos, eleitos e preteridos, salvos e condenados, fiéis e infieis, os Bahá'ís acreditam na unidade e harmonia de toda a raça humana:
Desde o início os seguidores de todas as religiões têm acreditado em dois mares - um salgado e um doce; em duas árvores - a árvore do bem e a árvore do mal. Por causa disso, os homens chamaram-se hereges uns aos outros. Interpretando mal os mandamentos divinos, os homens desenvolveram preconceitos e com esses preconceitos travaram guerras religiosas e provocaram derramamento sangue. Vejam o que está a acontecer hoje em dia! Os homens estão a matar os seus irmãos, acreditando ser isso causa da salvação, acreditando que esse trabalho é aprovada por Deus, acreditando que aqueles que matam serão enviados para o inferno.

Bahá'u'lláh fala à humanidade num tom diferente, declarando que a humanidade deve ser como as folhas de um único ramo, os ramos de um único tronco. (‘Abdu'l-Bahá, Divine Philosophy, p. 100)

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Texto original: Apostates, Infidels and Heretics (bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Imagens de prisoneiros Bahá'ís numa exposição de Ai Weiwei


Usando milhões de peças de Lego, o conhecido artista chinês Ai Weiwei criou imagens de 176 prisioneiros de consciência. Entre estes incluem-se Faran Hesami, Kamran Rahimian, Navid Khanjani e os Yaran. Estas imagens integram são uma homenagem aos prisioneiros e encontram-se numa exposição intitulada no Museu Alcatraz (S. Francisco, EUA).








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sábado, 11 de abril de 2015

Os Bahá'ís e a Doutrina da Encarnação

Por Tom Tai-Seale.


A palavra "encarnação" significa literalmente "entrar na carne".

Num contexto religioso, a encarnação normalmente significa que Deus desce do céu e torna-Se humano. Os Baha'is não acreditam na doutrina da encarnação. Mas muitos Cristãos acreditam. Mas o que é a doutrina da encarnação? Vamos examiná-la e ver o que ali se encontra.

Para sermos justos, a doutrina da encarnação é controversa mesmo dentro do próprio cristianismo. É uma doutrina difícil enunciar de forma precisa, ainda mais difícil de interpretar correctamente, e é impossível saber se a interpretação "correcta" é realmente correcta. Por exemplo, se um cristão aceitar o significado mais óbvio e explicar que a encarnação significa que Deus assumiu a forma de Jesus (e mais tarde do Espírito Santo), esse cristão seria herético, pois este conceito, conhecido como Sabelianismo, foi condenado pelo cristianismo.

Para esclarecer a questão, um teólogo cristão moderno, Francis Young, escreve:
A simples equação Jesus = Deus não só é incapaz de descrever o que a tradição cristã tem afirmado, mas é manifestamente estranha. Para reduzir tudo o que é Deus a uma encarnação humana é virtualmente inconcebível, facto para o qual doutrina trinitária é a resposta tradicional. (The Myth of God Incarnate, p. 35)
Uma coisa errada no conceito de Jesus = Deus é que implica que o próprio Deus sofreu e morreu. O conceito deixa-nos a pensar como é que Deus (Jesus) administrava os assuntos do universo do Seu trono terreno; e porque é que o Novo Testamento parece a querer manter uma distinção entre eles (i.e., entre Pai e Filho)? Em última análise, quase todos os cristãos rejeitam o conceito de Jesus = Deus, porque de facto não é um conceito cristão. A doutrina Cristã é muito mais complexa e está interligada uma série de outros conceitos. Vamos ver as raízes bíblicas do conceito encarnação. Maurice Wells, um teólogo cristão escreve:
Encarnação, no seu sentido pleno e correcto, não é algo que esteja directamente apresentado nas escrituras. É uma construção sobre diversas evidências que ali se encontram. (Ibid, p.3)
As raízes desta crença encontram-se em frases dispersas no Evangelho que mais tarde foram moldadas por líderes religiosos e teólogos no conceito de encarnação, e, posteriormente, se fundiu com outras ideias para formar uma doutrina complexa sobre a natureza de Cristo. E quando esta doutrina se tornou oficial, mudou a natureza do Cristianismo, tornando muito difícil aos Cristãos a aceitar qualquer Profeta ou Manifestante de Deus mais recente.

Muitas, ou mesmo a maioria, das grandes religiões mundiais passou gradualmente por este processo. Aqui está um esboço geral do seu funcionamento: o Profeta aparece e transmite uma mensagem que une as pessoas, apelando à sua natureza superior e às suas capacidades espirituais. Posteriormente, após o Profeta e fundador da nova religião deixar este mundo mortal, surgem as autoridades - geralmente sob a forma de sacerdotes ou algum tipo de clero. Aos poucos, emerge uma instituição clerical que limita as crenças oficiais, muitas vezes centrando-se em definições misteriosas que têm por efeito redefinir, re-interpretar, e, por vezes, re-inventar os ensinamentos do Profeta. Por fim, a classe clerical encontra maneiras de diferenciar a sua fé acima de todas as outras, proibindo-as ou desacreditando-as ao longo do tempo.

A encarnação é um dessas re-invenções. Se olharmos cuidadosamente para as próprias palavras de Cristo, conforme registadas no Evangelho, vamos perceber que a noção de encarnação nunca foi afirmada durante a vida de Cristo.

Os ensinamentos Bahá’ís dizer claramente que a noção da encarnação é uma metáfora, não uma verdade literal. Quando perguntaram a 'Abdu’l-Bahá: "Qual é a relação de Cristo e Bahá'u'lláh com Deus?", ele respondeu:
Sua Santidade Cristo disse: "O Pai está em mim." Devemos entender isto com evidências lógicas e científicas, porque se os princípios religiosos não estiverem de acordo com a ciência e a razão, eles não inspiram o coração com confiança e segurança... Vamos, livres das tradições do passado, investigar a realidade deste assunto. Qual é o significado do pai e do filho?

Esta paternidade e filiação são alegóricas e simbólicas. A realidade Messiânica é semelhante a um espelho através do qual o sol da divindade se torna resplandecente. Se este espelho afirma "A luz está em mim", então é sincero na sua afirmação; Jesus, portanto, foi sincero quando disse: "O Pai está em mim." O sol no céu e do sol no espelho são o mesmo, não são? E no entanto, nós vemos que há, aparentemente, dois sóis. (Divine Philosophy, p. 151-152)

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Texto Original: Baha’is and the Doctrine of Incarnation (bahaiteachings.org)

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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Baha'i: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press

terça-feira, 7 de abril de 2015

Nasim Ashrafi



Nasim Ashrafi, uma ‪‎Bahai‬ de Teerão, que foi detida durante uma vaga de detenções de Baha’is em Teerão, Mashad e Shiraz no início de Julho de 2012, foi chamada para começar a cumprir pena de um ano de ‪‎prisão‬.

Inicialmente, em Junho de 2013, Nasim foi condenada a 3 anos de prisão, mas essa pena foi reduzida por um tribunal de recurso. Ela foi acusada de fazer propaganda contra o regime e de ser membro da Fé Bahá’í.

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FONTE: Prisoner of the Day: Nasim Ashrafi

sábado, 4 de abril de 2015

sexta-feira, 3 de abril de 2015

O Islão e a questão da Violência

Por Dan Gebhardt.


... Por isso ordenámos aos filhos de Israel, que aquele que mata uma alma, que não tenha matado uma alma ou cometido maldade na terra, será como se tivesse assassinado toda a humanidade; mas aquele que salvou uma alma viva, será como se tivesse salvado a vida de toda a humanidade. Os Nossos apóstolos anteriormente vieram a eles, com milagres evidentes; depois disso, houve muitos deles que cometeram transgressões na terra. (Alcorão 05:32)
Este versículo do Alcorão é a minha resposta à questão sobre se o Islão é inerentemente violento - uma pergunta suscitada por terríveis actos de assassínio e terror que actualmente são cometidos em nome de Deus.

Numa leitura atenta, a resposta que este versículo apresenta parece mista. Apesar do valor supremo que coloca na vida humana, o Islão abre uma excepção: "aquele que mata uma alma, que não tenha matado uma alma ou cometido maldade na terra (fasād fi-l-arḍ)". O Islão não é uma religião pacifista e, em alguns casos, define guerra e os castigos corporais (incluindo a pena capital) como justos.

Para ser mais específico sobre a questão do Islão e da violência é necessário investigar as várias escolas de pensamento islâmico. Obtemos diferentes respostas consoante as escolas que consultamos - embora as escolas islâmicas tradicionais concordem amplamente que o terrorismo e violência são por si próprias a "maldade na terra".

Surpreendentemente para algumas pessoas no Ocidente, esta situação não difere muito do Cristianismo. Podemos identificar a atitude "Cristã" apenas em alguns assuntos bastante genéricos, mas as especificidades sobre crença e prática, e até mesmo as noções particulares para justificar a violência e a guerra, são frequentemente muito diferentes entre as diversas seitas, denominações ou tradições.

Para um observador externo, qual é a interpretação "verdadeira"?

Como Baha'i, acredito que os ensinamentos Bahá'ís contêm a verdadeira interpretação, apresentada de forma lógica e clara no princípio Baha'i da revelação progressiva. A Revelação Progressiva mostra-nos que todas as religiões, ao longo do tempo, acabam por se tornar reflexos da fragilidade humana e ambição mundana, levando à distorção da mensagem original. Essa distorção corrompe o propósito pacífico e espiritual dos mensageiros originais e fundadores das grandes religiões - e resulta na revelação progressiva da próxima grande religião. Se você realmente quer saber o que Maomé (ou Jesus, ou o Buda) ensinou, recomendo que veja o que as Escrituras Bahá'ís dizem que Eles ensinaram, comparando-as com o registo das Escrituras existentes e raciocinando a partir daí.

Radicais Islâmicos em Londres
Infelizmente, algumas pessoas olham para as acções de uma pequena minoria de extremistas muçulmanos e de governos repressivos que hoje alegam representar o Islão, e perguntam se o Islão tem sequer um lugar na revelação progressiva. Tivemos Abraão, tivemos Moisés, tivemos Jesus - mas aconteceu alguma coisa errada depois disso? O Islão é inerentemente mais violento do que as religiões anteriores, como o Judaísmo e o Cristianismo? Acredito que a resposta a esta pergunta é um claro "não".

Todas as três religiões prescrevem um modo de vida global que, pelo menos em teoria, não reconhece qualquer fronteira impermeável entre Igreja e Estado (uma ideia muito moderna). Todas as três religiões já fizeram uso da força (incluindo força letal) para atingir objectivos religiosos.

As tradições da Lei Islâmica (Sharia) não definem mais crimes merecedores de capital do que a Torá judaica ou as leis canónicas cristãs que serviram de base às leis europeias da Idade Média - na verdade, definem menos. Permitem mais liberdades individuais, como o divórcio e um novo casamento, a realização de negócios ao sábado, e permitem que judeus e os cristãos continuem a praticar a sua fé. Podemos facilmente argumentar que os ensinamentos originais do Islão permitem menos violência do que os seus antecessores, e não mais.

Por exemplo, a instituição islâmica de dhimma - em que de certas religiões do passado podiam praticar a sua fé e obter isenção do serviço militar num estado Islâmico em troca do pagamento de um imposto - é hoje amplamente condenada pelos seus abusos, mas originalmente tratou-se de um avanço nos direitos gozados pelas minorias religiosas nos tempos medievais. Ser um dhimmi sob o Islão era certamente uma opção melhor do que enfrentar a tortura da Santa Inquisição, e a nova lei levou a emigrações em massa de judeus da Europa para terras islâmicas.

Alguns cristãos argumentam que essas coisas não tinham nada a ver com os ensinamentos pacíficos de Cristo - que as cruzadas lideradas pela Igreja, os massacres e as conversões pela espada em toda a Europa, Américas e noutros lugares não eram "verdadeiramente cristãs". Esse é o mesmo argumento usado hoje pela maioria dos muçulmanos: que o terrorismo e as perseguições não representam verdadeiro Islão. Provavelmente, ambos têm razão.

Cristo ensinou amar os inimigos e a responder ao mal com o bem (como fez Maomé - Alcorão 41:34; 7:199; 60:7). No entanto, Cristo também disse: "quem não tem espada venda a capa e compre uma." (Lucas 22:36). São Paulo descreveu a autoridade do Império Romano pagão como estando "ao serviço de Deus, para te incitar ao bem ... ela traz a espada. De facto, ela está ao serviço de Deus para castigar aquele que pratica o mal." (Rom 13: 4). Estas palavras pareciam aplicar-se ainda mais depois do imperador Constantino se ter tornado cristão. A tendência humana a recorrer à violência para resolver problemas tornou inevitável que a profecia de Cristo "Não vim trazer a paz, mas a espada" (Mat. 10:34) fosse literalmente e abundantemente cumprida durante séculos nos actos dos seus seguidores. Apesar dos ensinamentos pacíficos de Cristo, a Bíblia não contém uma declaração de liberdade de consciência tão directa como esta do Alcorão:
Não há coerção na religião. A direcção certa é doravante distinta do erro. E aquele que rejeita falsas divindades e crê em Deus segurou-se firmemente àquilo que nunca se vai quebrar. (Alcorão 2: 256)
Esta omissão tornou fácil para a Igreja a entregar judeus, muçulmanos, hereges e rebeldes nas mãos do poder temporal, para receber o castigo infernal neste mundo pelos seus pecados observados.

Porque é que hoje nós vemos tanta opressão com motivações religiosas em terras islâmicas, e comparativamente pouca em países maioritariamente cristãos? Talvez devêssemos procurar a resposta na história, em vez da teologia. Talvez devêssemos, também, olhar para a mais recente e mais progressiva das religiões do mundo global, a Fé Bahá'í, e procurar nova orientação espiritual sobre a questão de guerras e violência:
Que ninguém lute com outro, e que nenhuma alma mate outra; isto, em verdade, é o que vos foi proibido... O quê?! Quereis matar quem Deus despertou, aquele que Ele dotou de espírito através do Seu sopro? Grave, pois, seria a vossa ofensa diante do Seu trono! Temei a Deus, e não levanteis a mão da injustiça e da opressão para destruir o que Ele próprio ergueu; não, trilhai o caminho de Deus, o Verdadeiro. (Bahá'u'lláh, O Livro Mais Sagrado, parag. 73)

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Texto Original: Islam and the Question of Violence (bahaiteachings.org)

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 Dan Gebhardt é professor de filosofia e religião na Universidade de Nevada-Reno (EUA).

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Justiça

Ó Filho do Espírito!
A mais amada de todas as coisas, a Meu ver, é a Justiça; não te desvies dela, se é que Me desejas, nem a descures, para que Eu em ti possa confiar. Nela te apoiando, verás com teus próprios olhos e não com os alheios; saberás pela tua própria compreensão e não pela compreensão de teu semelhante. Pondera isto em teu coração: como te incumbe ser. Em verdade, a justiça é Minha dádiva a ti e o sinal de Minha misericórdia. Guarda-a, pois, ante os teus olhos.

(Bahá'u'lláh)



sábado, 28 de março de 2015

Provas da Existência de Deus

Por Gregory Samsa e Jerry Schoendorf.



Talvez o erro mais comum que os cientistas têm sobre a religião é pensar que ela requer uma crença na existência física de Deus. O cientista ouve, ou acredita que ouve, algo parecido com o seguinte de uma pessoa de fé: "a criação está incompleta sem Deus. Deus é logicamente necessário para a existência do mundo, para o milagre da vida para ter ocorrido, e devido a fenómenos religiosos que acontecem. Em última análise, a autoridade religiosa deriva da obediência a um Deus todo-poderoso. Qualquer discussão sobre a religião acaba por ser uma discussão a respeito de Deus".

Esta crença incorrecta, apoiada por várias "provas" da existência de Deus apresentadas desde a Idade Média até aos dias actuais, tem dificultado o diálogo. Exemplos dessas "provas" incluem:

"Toda acção tem uma causa, portanto, Deus deve ser a primeira causa",

"O universo é maravilhoso demais para não ter um criador",

"O universo foi literalmente criado conforme descrito em Génesis", e assim por diante.

Muitos cientistas têm examinado o significado material de cada uma dessas chamadas “provas”, de acordo com os padrões da ciência, e encontram-lhes falhas. E consequentemente, seguindo a regra do elo mais fraco, rejeitam a religião. Essa tendência vai aumentar no futuro, à medida que a ciência avança para explorar os primeiros milésimos de segundo do Universo; a clonagem, que nos aproxima da criação da vida; a consciência humana, entendida como uma série de reacções bioquímicas no cérebro; as experiências quase-religiosas estimuladas electronicamente; a utilização de modelos de computador que explicam a vantagem evolutiva da compaixão, do altruísmo, de outras características proto-religiosas, e assim por diante.

O que provoca essa situação desagradável para as pessoas de fé? Como é que elas respondem à "desmitologização" da crença e da prática religiosa do passado? E mais importante: os aspectos supersticiosos de muitos dos nossos pressupostos sobre religião estão a ser eliminados. Qual deve ser a nossa resposta?

Primeiro de tudo, e mais importante que tudo: não sabemos nada sobre Deus - absolutamente nada. Nunca seremos capazes provar, através de meios lógicos ou materiais, exigidos pela ciência, que Deus existe. Como poderíamos fazer isso? Como poderia um Criador Todo-Poderoso ser algo sobre o qual nós tivéssemos capacidade suficiente para o entender ou descrever? Aqui não existe matéria que seja objecto de teste ou de hipótese científica. Nunca poderemos ver Deus, ouvir Deus, sentir Deus ou tocar em Deus de uma forma que um cientista aceite.

 Os ensinamentos Bahá'ís dizem:
Para todo o coração perspicaz e iluminado, é evidente que Deus, a Essência Incognoscível, o Ser Divino, está imensamente elevado acima todos os atributos humanos, tais como existência corpórea, subida e descida, saída e regresso. Está longe da Sua glória que a língua humana consiga celebrar adequadamente o Seu louvor, ou que o coração humano compreenda o Seu mistério insondável. Ele está, e sempre tem estado, velado na eternidade antiga da Sua Essência, e permanecerá na Sua Realidade oculto para sempre da vista dos homens. (Selecção dos Escritos de Bahá'u'lláh, sec. XIX).
Também a filosofia, usando argumentos lógicos, não consegue provar que Deus existe. Dizer que algo existe, é contê-lo e defini-lo. Um Deus cuja existência pode ser demonstrada logicamente não é essencialmente diferente de um Deus que possa ser visto, e tudo o que Deus "é" (ou não é) deve, por definição, ser muito mais poderoso do que isso.

Assim, parece que estamos a perder todas as bases lógicas de um diálogo com um cientista sobre Deus e espiritualidade. Se a religião recebe a sua autoridade de Deus, e não conseguimos provar ou demonstrar de forma científica a existência de Deus, qual a base razoável para um cientista aceitar, ou considerar, a religião?

Os ensinamentos Bahá'ís indicam que mentes racionais e científicas admitem que o conceito de infinito, incompreensível e incognoscível é provável ou demonstrável. Consideremos o seguinte: as ciências, a matemática e a física utilizam o conceito de infinito. Os cientistas apresentam o infinito como um conceito abstracto, mas muito útil, prontamente aceite e até mesmo necessário para a sua compreensão básica das suas disciplinas.

Assim, da mesma forma que pensamos na ideia de infinito, poderia ser útil cientificamente sugerir que as questões em torno do conceito de Deus são hipóteses não-testáveis. Ou seja, no fundo, estão fora do âmbito e da demonstrabilidade da ciência. (Nota: uma hipótese não-testável não significa apenas que a hipótese não pode ser provada, mas também que não pode ser refutada Jamais um cientista desmentiu a existência de Deus.) Esta clarificação deve permitir duas coisas: Primeiro: desliga o interruptor "dúvida e refutar" dentro da cabeça do cientista. Segundo: liga igualmente um interruptor da “curiosidade” na cabeça do cientista.

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Texto original: Proof of the Existence of God (bahaiteachings.org)

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Gregory Samsa é director de estudos de pós-Graduação no Departamento de Bioestatística e Bioinformática na Universidade de Duke (EUA), e entre os seus interesses intelectuais está a desconstrução da prática estatística em componentes que podem ser estudadas cientificamente. Um pai de 5 filhos e treinador de futebol em escolas de ensino secundário.

Jerry Schoendorf é um ilustrador médico reformado e anaplastologista que trabalhou na Universidade de Duke e mais tarde num consultório particular em Durham (Carolina do Norte, EUA). Vive em Chapel Hill, Carolina do Norte, onde se dedica à ilustração, apicultura, e olaria.