sábado, 30 de abril de 2016

Será que adoramos o dinheiro?

Por David Langness.
Quem ama o dinheiro não ama a Deus e quem ama Deus não ama o dinheiro... As almas devem desapegar-se do mundo. Aquelas almas que estão apegadas a este mundo e à sua riqueza estão privados de progresso espiritual. ('Abdu'l-Baha, Star of the West, Volume 4, p. 122)
Na semana passada fui a um encontro inter-religioso ambiental especial que pretendia para curar uma floresta ferida, mas estranhamente, acabei a perguntar-me se nós adoramos dinheiro.

Apenas a alguns quilómetros de onde eu moro, no sopé da Serra Nevada, no norte da Califórnia, alguns amigos encontraram uma marca muito feia no solo, o chamado corte raso (ou desmatamento), e decidiram fazer algo sobre o problema.

Alguma vez viram uma coisa dessas? Acontece quando as empresas madeireiras derrubam todas as árvores existentes.

Provavelmente a melhor maneira de encontrar as grandes clareiras é a partir do ar. Num pequeno avião ou num helicóptero, basta voar sobre praticamente qualquer extensão de floresta desprotegida, e mais cedo ou mais tarde, vemos grandes manchas de solo no meio da floresta. Normalmente, são feitas longe dos olhares do público, para esconder os efeitos terríveis de uma floresta dizimada.

Na verdade, proprietários de florestas e empresas madeireiras vão rotineiramente inventando maneiras de ocultar as clareiras. Quem viajar pelas principais auto-estradas e estradas no norte da Califórnia e no Oregon, por exemplo, terá a sensação que está a atravessar florestas densas, porque apenas pode ver o que parecem ser densas zonas de árvores em ambos os lados da estrada. Mas eu já voei sobre algumas dessas rodovias, e sei que eles só criaram uma ilusão. Quem observar a região do ar, percebe que existe uma faixa relativamente estreita de árvores de cada lado da estrada e enormes clareiras nas áreas onde os condutores e os seus passageiros não podem ver a devastação.

Corte raso numa floresta da Califórnia
O corte raso ocorre porque as empresas madeireiras sabem que é a forma mais rentável de cortar uma floresta. A alternativa, o chamado corte selectivo, abate árvores individuais, mas deixa a maior parte da floresta intacta, os custos são maiores, exige mais tempo e perícia.

Mas, voltemos à floresta ferida. Juntei-me a um grupo de cerca de cinquenta pessoas que foram a esta área arrasada no último domingo. Caminhamos por uma estrada de terra batida e lá conseguimos chegar; a visão da área arrasada deixou alguns de nós deprimidos. A desflorestação é hedionda! Parecia que tinha explodido uma bomba. À distância, podíamos ver árvores verdes saudáveis, mas no centro da área arrasada nada restava, excepto cepos e ramos cortados de cedros, pinheiros e carvalhos. Predominava a terra nua, repleta de lixo que os madeireiros tinham deixado. A chuva tinha provocado a erosão do solo. Nada crescia. Algumas pessoas, especialmente as crianças que vieram para o evento, choraram quando viram aquele cenário.

Pensei que uma nova colheita de árvores jovens podia já ter começado a crescer, pois o corte raso que víamos já tinha mais de um ano de idade, mas apenas algumas pequenas árvores novas tinham conseguido nascer. Pouco depois fiquei a saber que, aparentemente, empresas madeireiras, após o corte raso, normalmente lançam herbicidas tóxicos na terra para evitar que espécies nativas "indesejáveis" voltem a crescer. Depois de matar tudo, replantaram a área "selectivamente" com uma única espécie de árvores para criar o que eles chamam "floresta equiânea" (i.e., floresta em que as árvores têm a mesma idade). Por outras palavras, a empresa já tinha cortado uma secção inteira de terreno florestal, tornou a terra estéril e, de seguida, fez uma plantação artificial, para preparar o seu próximo corte raso dentro de cinquenta anos. A diversidade natural da floresta desapareceu durante a noite, juntamente com o habitat de milhares de animais e o oxigénio aquelas árvores que exalariam nos próximos séculos.

Passámos uma tarde interessante. Primeiro, reunimo-nos num grande círculo e lemos a Declaração dos Direitos da Mãe Terra, originalmente publicada na Conferência Mundial dos Povos sobre Alterações Climática e Direitos da Mãe Terra, em 22 de Abril de 2010, em Cochabamba, na Bolívia. Focamo-nos nestas palavras da declaração:
Nós, os povos da Terra somos todos parte da Mãe Terra, uma comunidade viva e indivisível, de seres inter-relacionados e interdependentes, com um destino comum. Cada ser humano é responsável por respeitar e viver em harmonia com a Mãe Terra.
Durante a leitura da Declaração, as pessoas expressaram a tristeza e dor que sentiam com estragos que estão a ser feitos na terra e às suas criaturas. Reconhecemos a nossa parte nesses estragos, decidimos corrigir isso, e oramos pela cura da comunidade vida. Um sacerdote metodista exibiu uma faixa que dizia "A Terra antes do lucro." Os nativo-americanos no grupo realizaram uma dança em círculo. Cantamos músicas juntos, cada um de nós expressando a esperança para que o nosso planeta se recupere, regenere e continue a sustentar-nos.

Depois começámos o plantio. As crianças espalharam sementes, e todos nós cavámos na terra e plantámos pequenas árvores vivas. Cada um fez a sua parte para reparar os estragos. Percebemos que apenas as crianças mais novas no grupo veriam os resultados, mas para nós a esperança era suficiente.

Esta experiência fez-me pensar no dinheiro. Todos nós poderíamos ver a empresa madeireira fez o corte raso apenas para obter um lucro, sem respeito por quaisquer outras considerações ou consequências. Tal como a faixa do meu amigo metodista, eu perguntava-me se a motivação do lucro se tornou normalmente aceite como justificação para todos os tipos de comportamentos predatórios e vergonhosos neste mundo materialista. Fiquei a pensar se estamos agora a pagar o preço por ignorar as implicações espirituais do capitalismo e do materialismo. Fiquei a pensar, face a tão grandes estragos ecológicos, se chegámos ao um ponto em que destruiremos a nossa única casa por adoração ao dinheiro.

E assim pensei em escrever uma série de artigos sobre as ligações entre o capitalismo, comércio e meio ambiente, e como nós podemos tentar reconciliar e curar o mundo material com a nossa natureza espiritual. Ao longo desta série, vou fixar-me nesta citação inspiradora dos ensinamentos Bahá'ís, que eu não conseguia parar de pensar quando estava naquela área da floreira destruída:
Todo homem de discernimento, quando caminha sobre a terra, sente-se, de facto envergonhado, na medida em que está plenamente consciente de que aquilo que é a fonte da sua prosperidade, da sua riqueza, da sua força, da sua exaltação, do seu progresso e poder é, conforme decretado por Deus, a própria terra, que é pisada sob os pés de todos os homens. Não pode haver dúvida de que quem for conhecedor desta verdade, está purificado e santificado de todo orgulho, arrogância e vanglória. (Bahá'u'lláh, Epístola ao Filho do Lobo, p. 44)
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Texto original: Do We Worship Money? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A história de Diana



“Eu sou parte da vida deles e sinto que eles são parte da minha vida.”

Para Diana, ser mentora de um grupo de adolescentes pode mudar uma comunidade.

Legendado em Português.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Irão: 16 estabelecimentos Bahá'ís encerrados em Qaem Shahr


No Irão, 16 estabelecimentos pertencentes a Bahá'ís em Qaem Shar foram encerrados pelas autoridades iranianas por estarem fechados no feriado Bahá’í do primeiro dia de Ridvan.

Segundo informações da Human Rights Activists News Agency in Iran (HRANA), em anos recentes, os departamentos de locais públicos têm encerrado vários estabelecimentos e pequenas lojas que são a única fonte de rendimento de muitas famílias Bahá’ís.

Recorde-se que os Bahá’ís não podem ter empregos na administração pública, nem em vários sectores de actividade. Além disso, os Bahá’ís também estão impedidos de ter actividades comerciais que impliquem o manuseamento de alimentos ou serviços pessoais, pois a superstição corrente no Irão é que são “impuros”.

O nomes dos estabelecimentos encerrados são: Shahin Senasi, Sohrab Leqa’i, Changiz Derakshani, Bijan Now`khah, Nima Miri, Sahil Haqqdust, Baha’ul-din Samimi, Behnam Mirza’i, Kurosh Ahmadzadegam, Adel Atta’eyan, Kurosh Reza’i, Fariborz Sana’i, Rezvan Golpour, Shahin Akbari e Farzad Sabeti.











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FONTE: 16 Bahai Businesses Closed in Qa’em Shahr (HRANA)

segunda-feira, 25 de abril de 2016

Usar a Ciência para procurar a Verdade

Por Russell Ballew.


...os favores concedidos por Ele ao género humano estiveram, e sempre estarão, ilimitados no seu âmbito. O primeiro e o principal entre estes favores que o Omnipotente conferiu ao homem, é o dom da compreensão. O Seu propósito ao conferir essa dádiva não é, senão o de capacitar a Sua criatura a entender e reconhecer o Deus Uno e Verdadeiro... Este dom concede ao homem o poder de discernir a verdade em todas as coisas, leva-o àquilo que é correcto e ajuda-o a descobrir os segredos da criação. Em seguida encontra-se o poder da visão, o principal instrumento por meio do qual a sua compreensão pode funcionar. (Selecção dos Escritos de Bahá’u’lláh, XCV)
Como podemos ver o Reino de Deus?

Bahá’u’lláh escreveu que a visão é o “principal instrumento” com o qual podemos desenvolver um entendimento do Reino de Deus. Assim, uma das principais coisas que podemos querer que a ciência estude é a forma como a visão funciona.

Foi precisamente isto que Abu Ali al-Ḥasan ibn al-Ḥasan tentou fazer há quase mil anos atrás, no seu Livro da Óptica. O livro tenta responder à questão “O que é a visão?” As experiências de Hasan refutaram de forma eficaz as noções de Euclides e Ptolomeu de que a visão tinha origem em raios emitidos pelos olhos humanos. O livro foi inovador, não só nas conclusões que apresentava, mas também no processo utilizado para chegar aos seus resultados. Hasan é amplamente reconhecido como um dos primeiros académicos que definiu um processo coerente para investigar a verdade usando o método científico. O seu trabalho influenciou gerações posteriores de cientistas, desde Leonado Da Vinci e Galileu Galilei a Johannes Kepler e René Descartes. Estes homens deram prioridade ao processo e às evidências - em detrimento de preferências pessoais e dogmas - para alargar sistematicamente as fronteiras do conhecimento humano.

Será que existe algum elemento que apenas uma pessoa o consegue ver?

Dimitri Mendeleev
Há 146 anos atrás, Dmitri Mendeleev organizou todos os elementos químicos conhecidos numa das estruturas mais robustas para compreendermos como o mundo funciona: a tabela periódica de elementos.

O desenvolvimento da tabela periódica surgiu das observações cuidadosas de Mendeleev sobre as tendências dos fenómenos naturais. Por exemplo, ele identificou e codificou a repetição periódica de características básicas dos elementos, e isso permitiu-lhe antecipar a existência de elementos até então desconhecidos. Ao usar o método científico e a perspicácia, ele percebeu a verdade da existência de átomos antes da humanidade ter capacidade de verificar as suas descobertas.

Mendeleev calculou correctamente o peso atómico, condutividade, ponto de fusão e outras características distintivas de elementos como o Gálio (31 Ga) e o Rénio (75 Re) muito antes de estes serem descobertos. Um dos elementos que ele antecipou – o Tecnécio (43 Tc) - só foi descoberto em 1937, cerca de 30 anos depois da sua morte.

Como é que ele pôde ter fé na existência de elementos básicos que não podia ver nem provar que existiam?

Dmitri Mendeleev, tal como al-Hasan e outros cientistas, tinha fé nos frutos de um processo: o método científico. O Dicionário Oxford de Inglês define-o como "um ... procedimento ... que consiste na observação sistemática, medição, experimentação, formulação, teste e modificação das hipóteses."

Usando um processo semelhante, e tendo fé que este funcionaria correctamente, os adventistas no século XIX, anteciparam e preparam-se para a chegada de um novo profeta de Deus. Na Pérsia, os seguidores dos ensinamentos de Shaykh Ahmed fizeram a sua própria análise cuidadosa e determinaram que tinha chegado o momento de outra revelação. Qual era a base da sua convicção? Eles acreditavam no conceito radical de que o Espírito Santo regressa periodicamente de acordo com as necessidades do tempo.

A observação cuidadosa e testes sistemáticos levaram Mendeleev a prever as características específicas de elementos até então desconhecidos. Os alunos da seita Shaykh espalharam-se em busca de um profeta que poderia deslindar as suas questões espirituais mais complexas. Pensaram que seriam capazes de determinar o advento do novo profeta de Deus pelas suas capacidades e características. A característica principal de qualquer profeta de Deus é a sua capacidade que os espiritualmente surdos e cegos consigam ouvir e ver e, assim, entrar no Reino de Deus. Considere a explicação de Cristo deste poder aos seus seguidores:
Aproximando-se de Jesus, os discípulos disseram-lhe: «Porque lhes falas em parábolas?» Respondendo, disse-lhes: «A vós é dado conhecer os mistérios do Reino do Céu, mas a eles não lhes é dado... É por isso que lhes falo em parábolas: pois vêem, sem ver, e ouvem, sem ouvir nem compreender. (Mateus 13: 10-13)
Usar a palavra inspirada para infundir a humanidade com conhecimentos úteis sobre os reinos espirituais é uma característica essencial de todo o profeta de Deus. Em 23 de Maio de 1844, um homem chamado Mulla Husayn chegou à cidade de Shiraz, no Irão, trazendo um teste que ele acreditava iria provar o advento do Prometido. Numa busca visionária, Mulla Husayn decidiu entregar o seu coração e a sua lealdade àquele cuja explicação sobre a Sura de José lhe desse uma nova perspectiva sobre o Reino de Deus.

A preparação e o cuidado de Mulla Husayn foram recompensados quando ele foi recebido às portas da cidade de Shiraz por Siyyid Muhammad Ali. O jovem Ali Muhammad recebeu Mulla Husayn em sua casa, onde lhe declarou ser o Prometido - o Bab, o que significa que a Porta. Mullah Husayn considerou a alegação extraordinária do Bab à luz da razão. O Bab, por Seu lado, respondeu aos testes de Mulla Husayn como um sinal da misericórdia de Deus para a humanidade, e como uma celebração da nossa capacidade de geração de discernimento da verdade através da investigação independente de factos e provas. Mulla Husayn tornou-se o primeiro seguidor do Báb naquela noite, e assim surgiu uma nova dispensação religiosa. Por fim, a missão do Bab - preparar o caminho para outro profeta de Deus, Bahá'u'lláh - criou as condições para um novo período de revelação religiosa na história humana.

Pela primeira vez, um profeta de Deus declarou a sua condição para um representante da raça humana que o tinha procurado.

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Texto original: The Science of Seeing the Truth (www.bahaiteachings.org)


sábado, 23 de abril de 2016

O Mundo Bahá'í



Quem são os Baha'is? Em que acreditam? O que fazem?
Video produzido pela Comunidade Baha'i dos EUA.
Legendado em Português.

sábado, 16 de abril de 2016

Prevendo o Regresso de Cristo

Por Russell Ballew.

Sobre as Suas palavras, que o Filho do homem “virá sobre as nuvens do céu”, o termo “nuvens” significa aquelas coisas que são contrárias aos hábitos e desejos dos homens. (Bahá’u’lláh, O Livro da Certeza, parag. 79)
Em 24 de Maio de 1844, Samuel Morse telegrafou a primeira mensagem a longa distância: «Que maravilhas fez Deus!». A citação, seleccionada da Bíblia (Livro dos Números 23:23), podia aplicar-se igualmente às invenções científicas que constituíram a base da conectividade global do século XXI. A frase poderia também aplicar-se ao fervor religioso sobre o regresso de Cristo que atingiu o clímax nesse mesmo ano.

William Miller
As implicações religiosas desta importante inovação científica inflamaram a imaginação de uma comunidade global de Adventistas, que tinha chegado à conclusão que o Regresso de Cristo aconteceria entre 1843 e 1844. Para compreender esta conclusão vamos analisar o raciocínio e os cálculos de William Miller, um dos mais influentes líderes do Advento, cujo livro Evidence from Scripture and History of the Second Coming of Christ (Evidências da Escritura e da História sobre a Segunda Vinda de Cristo) vendeu milhares de exemplares e deu rigor ao movimento Adventista. Veja aqui um exemplar original desse livro.

Miller começou o seu livro com as bem conhecidas profecias do regresso de Cristo que se encontram no Evangelho de Mateus e no livro de Daniel:
Este Evangelho do Reino será proclamado em todo o mundo, para se dar testemunho diante de todos os povos. E então virá o fim. Por isso, quando virdes a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, instalada no lugar santo… (Mateus 24 14-15)

Vi um santo que falava, a quem um outro santo perguntou: «Quanto tempo durará o que anuncia a visão, a propósito do holocausto perpétuo, da abominação devastadora, do abandono do santuário e do exército dos fiéis calcado aos pés?» E ele respondeu: «Duas mil e trezentas tar¬des e manhãs. Depois disso, o san-tuá¬rio será restaurado. (Daniel 8: 13-14)
E este é o raciocínio que Miller para chegar às suas conclusões, segundo as suas próprias palavras:
O que devemos entender como sendo dias? Na profecia de Daniel são invariavelmente considerados como anos. Pois Deus ordenou aos profetas que os considerassem dias (Num 14:34): “Conforme o número de dias em que explorastes a terra, quarenta dias, equivalendo cada dia a um ano, haveis de carregar durante quarenta anos as vossas iniquidades e reconhecereis o meu desagrado.” (Evidence from Scripture, p. 46.)

Quando começaram os 2300 anos?... Vamos começar onde o anjo nos disse, desde a publicação do decreto de construção das muralhas de Jerusalém em tempos tumultuosos, 457 anos antes de Cristo. Subtraia-se 457 a 2300 e obtemos o ano 1843 EC; ou se subtrairmos 70 semanas, como sendo 470 anos aos 2300 anos, obtemos o ano 1810 após a morte de Cristo. Adicionemos a sua vida (porque começamos a calcular o nosso tempo a partir do seu nascimento) que são 33 anos, e chegamos ao mesmo ano de 1843 EC. (Evidence from Scripture, p. 46.)
Desde 1843 até ao Outono de 1844, Adventistas zelosos e os seus detractores olharam para o céu esperando ver Jesus descer nas nuvens, levando os fiéis para o paraíso e destruindo o mundo. Alimentavam uma visão de um regresso espectacular do Senhor, não necessariamente consistente com a ciência, mas baseada em várias interpretações de frases semelhantes a esta do Evangelho de Mateus:
Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem e todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu, com grande poder e glória. Ele enviará os seus anjos, com uma trombeta altissonante, para reunir os seus eleitos desde os quatro ventos, de um extremo ao outro do céu. (Mateus 24:30-31)
Apesar da sua devoção pia e renúncia aos bens materiais, nem Miller nem os seus seguidores viram o Regresso de Cristo da forma que imaginavam. Em vez de serem levados triunfalmente para o paraíso, ficaram desiludidos na terra, perguntando-se como algo tão fantástico, tão previsível podia ter corrido mal.
Colónia dos Templários alemães, Haifa, 1895
Pouco depois disto, um grupo de Adventistas alemães liderados por Christoff Hoffman e George David Hardegg formaram a Sociedade dos Templários Alemães. Também acreditavam no iminente Regresso de Cristo. No entanto, acreditavam que os aspectos mais incríveis da Bíblia – como por exemplo: “...quem não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” (João 3:3) - eram alegóricos e não literais.

Os Templários Alemães concluíram que Cristo regressaria à Terra Santa de uma forma que ninguém imaginara. Talvez Cristo já tivesse vindo e as pessoas não tinham percebido: “Com efeito, vós próprios sabeis perfeitamente que o Dia do Senhor chega de noite como um ladrão.” (1 Tessalonicenses 5:2)

Hoffman e Hardegg levaram os seus seguidores para Haifa (Terra Santa), tendo chegado em Outubro de 1868. Para sua surpresa encontraram os líderes de um novo movimento religioso que tinha surgido em 22 de Maio de 1844, na Pérsia, exactamente o ano em que previam o regresso de Cristo.

Nas palavras dos Templários:
Tomei conhecimento de um outro fenómeno espiritual que pode fortalecer a nossa crença. Trata-se de um grupo de 70 Persas que foram desterrados para Akka devido às suas crenças. (Suddeutsche Warte, June 29, 1871.)
Os Templários Alemães mantiveram contactos com os Bahá’ís e depois fundaram uma comunidade próspera no sopé do Monte Carmelo, próximo dos lugares Sagrados Bahá’ís. Os Bahá’ís acreditam que Templários e Adventistas perceberam o advento profético de uma nova dispensação religiosa, e que a Fé Bahá’í cumpre e completa essas profecias.

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Texto original: Anticipating the Advent and Return of Christ (www.bahaiteachings.org)

Artigo anterior: Procurar o Espírito de Cristo


sábado, 9 de abril de 2016

Procurar o Espírito de Cristo

Por Russell Ballew.


...quem procurar Cristo no Seu corpo físico, terá procurado em vão e ficará afastado Dele como que por um véu. Mas quem aspirar encontrá-lo em espírito, crescerá júbilo, dia após dia… Neste novo e maravilhoso dia, compete-te procurar o espírito de Cristo. (‘Abdu’l-Bahá, Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, p. 143)
Nascido numa família de sete irmãos, Joseph Wolf tentou convencer o seu vizinho que Israel triunfaria com a chegada do Messias. Em resposta, o vizinho encorajou-o a ler o capítulo 53 do livro de Isaías. Explicou-lhe que Jesus de Nazaré era o Cristo Prometido, cujo sacrifício é enaltecido nas seguintes frases:
... fomos curados pelas suas chagas. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas perdidas, cada um seguindo o seu caminho. Mas o Senhor carregou sobre ele todos os nossos crimes. (Isaías 53:5-6)
O jovem perguntou ao pai qual era o significado daquele texto, mas o rabino Wolff não lhe deu resposta. Isso estimulou no rapaz o desejo de ler e reconciliar as profecias Judaicas com as pretensões Cristãs. Uma das mais importantes dessas profecias era que Elias precederia o Messias. O Antigo Testamento declara:
Eis que vou enviar-vos o profeta Elias, antes que chegue o Dia do Senhor, dia grande e terrível. (Malaquias 3:23)
Os Cristãos afirmam que João Baptista era o prometido Elias. No entanto, João declarou que ele não era o Elias. “E perguntaram-lhe: «Quem és, então? És tu Elias?» Ele disse: «Não sou.» «És tu o profeta?» Respondeu: «Não.»” (Jo 1:21). Os Cristãos argumentam que João era o Elias porque Cristo assim o afirmou:
… Jesus começou a falar às multidões a respeito de João… É aquele de quem está escrito: Eis que envio o meu mensageiro diante de ti, para te preparar o caminho... E, quer acrediteis ou não, ele é o Elias que estava para vir. (Mateus, 11:7-14)
Para quem aceita Jesus Cristo como manifestante de Deus, a Sua declaração é suficiente. No entanto, muita gente considera estes dois textos bíblicos como contraditórios. Apliquemos o rigor da ciência numa analogia que nos pode ajudar a perceber a diferença entre forma e a função de um fenómeno. Com isto poderemos percebem como João e Jesus estão ambos correctos, cada um na sua perspectiva específica.

Vejamos especificamente a tendência comum para confundir causa e correlação. Em climas temperados no hemisfério norte, desejamos ansiosamente a chegada da Primavera no final de Março. Mas qual é a causa da Primavera? A data do equinócio ou o degelo? Na verdade, não é nenhum deles. O Inverno dá lugar à Primavera quando o movimento orbital da Terra coloca o hemisfério norte mais próximo do Sol. Mas na perspectiva de um agricultor, a primavera chega com o degelo.

É neste momento que o poder e influência do sol são mais evidentes; literalmente o mundo é trazido da morte para a vida. Do mesmo modo, o advento de um profeta de Deus assinala uma primavera espiritual, em que o Sol da Verdade descongela o materialismo e o ódio que endurecem o coração humano, gerando frutos de amor e abnegação.

Para Joseph Wolf e alguns Judeus da sua geração que se converteram ao Cristianismo, o aparecimento de Jesus cumpriu a profecia. Na sua opinião, João desempenhou o papel de Elias ao dizer: “Eu sou a voz de quem grita no deserto: Rectificai o caminho do Senhor” (João 1:23). João Baptista e Elias eram o mesmo no seu propósito, mas eram inteiramente distintos em pessoa, no tempo e o espaço.

Nos ensinamentos Bahá’ís, ‘Abdu’l-Bahá explica:
... se aqui considerarmos não a individualidade da pessoa, mas a realidade das suas perfeições - isto é dizer, as mesmas perfeições que Elias possuía também se percebiam em João Baptista. Assim, João Baptista era o prometido Elias. O que está aqui a ser considerado não é a essência, mas os atributos. (Some Answered Questions, newly revised edition, p. 150)
Joseph Wolf converteu-se ao Cristianismo porque percebeu que João Baptista era o regresso de Elias e observou na vida e ensinamentos de Jesus as funções do prometido Messias. Tornou-se missionário e viajou pelo Médio Oriente e pela Europa. Estava convencido que o trabalho realizado por ele e por outros cumpria Mateus 24:14: “Este Evangelho do Reino será proclamado em todo o mundo, para se dar testemunho diante de todos os povos…” Ele não estava só.

John Wolf convenceu várias pessoas com os seus argumentos, incluindo Harriet Livermore. Ela era tão influente que foi convidada a falar ao Presidente e ao Congresso dos Estados Unidos, em Janeiro de 1827. O fervor milenarista fervilhava enquanto os estudiosos da Bíblia compreendiam a revelação das profecias divinas

Por exemplo, em 23 de Março de 1844, o Império Otomano publicou o Édito da Tolerância, abrindo as portas ao regresso dos Judeus à sua pátria. Houve quem considerasse que isto era o cumprimento de Lucas 21:24: “Serão passados a fio de espada, serão levados cativos para todas as nações; e Jerusalém será calcada pelos gentios, até se completar o tempo dos pagãos.

Nos próximos textos desta série, continuaremos a explorar as mais extraordinárias profecias bíblicas associadas à data do advento de Cristo, e a fascinante história da descoberta da Sua segunda vinda.

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Texto original: Seeking After The Spirit Of Christ (www.bahaiteachings.org)

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Escola Bahá'í de Verão - Alemanha, 1936



Breve filme sobre uma Escola Baha'i de Verão realizada na Alemanha, em 1936.

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Prima o ícone Subtitles/Legendas na barra inferior para activar Legendas em Português.
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Artigos sobre os Bahá'ís no tempo do Nazismo:
  -- Os Bahá'ís e os Nazis
  -- Sub-Humanos

sábado, 2 de abril de 2016

Ciência, Clero e Cegueira Espiritual

Por Russell Ballew.


... os sacerdotes do seu dia impediram as pessoas de alcançar o caminho da verdade. Disto dão testemunho os registos de todas as escrituras e livros celestiais. (Bahá'u'lláh, The Book of Certitude,¶177)
Nicolau Copérnico criou um conceito muito radical; uma ideia que ameaçava a ordem estabelecida e até sua própria vida.

Na verdade, ele tinha tanto medo que o mundo não estivesse pronto para sua hipótese científica revolucionária que adiou a publicação da sua tese até que estar no seu leito de morte, em 24 de Maio de 1543. A sua teoria de que a Terra girava em torno do Sol desafiou a sabedoria convencional e a tradição religiosa. O mundo teve que esperar mais 67 anos até que outra alma corajosa - Galileo Galilei, usando um telescópio rudimentar em 1610 – pudesse testar a hipótese de Copérnico. Galileu demonstrou uma das implicações levantadas pelos detractores de Copérnico que argumentavam: "Se as suas doutrinas fossem verdade, Vénus teria fases como a Lua."

Quando Galileu desenvolveu um telescópio, conseguiu a admiração dos líderes políticos e militares de Veneza. A sua invenção permitiu ver navios de guerra no horizonte muito antes da sua chegada - uma inovação tão valiosa que lhe valeu uma pensão vitalícia.

Depois, Galileu voltou a sua atenção para a importância dos céus. Ao longo de vários de meses, no final de 1610, observou Vénus passar por um conjunto completo de fases. Concluiu que, se Vénus girasse em torno da Terra nunca seria possível vê-lo completamente iluminado, a partir da Terra. Isso só seria possível se Vénus era uma estrela gerando a sua própria luz.

Galileu concluiu que a sua observação apoiava a hipótese de Copérnico de que a Terra gira em redor do Sol.

No entanto, isso não estava de acordo com a tradição da Igreja. Alguns dos seus contemporâneos, incluindo astrónomos, professores e clérigos apresentaram queixas contra Galileu, o que levou a Igreja Católica a condenar sua conclusão como "falsa" e "totalmente contrária à Sagrada Escritura". Depois de publicar Diálogo sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo em 1632, para reconciliar as observações da ciência e as interpretações da Bíblia, Galileu foi julgado pela Inquisição. Foi considerado "fortemente suspeito de heresia", as suas publicações foram proibidas, e ficou em prisão domiciliária durante os nove anos seguintes da sua vida.

Mais de 380 anos depois, a teoria de Copérnico e a demonstração de Galileu prevaleceram. Então, porque é que a igreja se opôs tão inflexivelmente a Galileu e à sua ciência? No fundo, ele era um católico devoto, cujas inovações já tinham feito muito para melhorar a sua nação e o mundo.

A resposta é simples: a sua tese revolucionária desafiou não só a forma como vemos os céus da Terra, mas também como exploramos o reino dos céus na terra. A sua descoberta desfez aquilo que compreendíamos sobre a criação de Deus, e a forma como entendíamos os mandamentos de Deus.

As ideias de Galileu desafiaram as fundações da autoridade religiosa, ao permitir que as pessoas descubram as suas próprias interpretações da realidade, e por extensão o significado e aplicação da Palavra de Deus. Neste aspecto, a hipótese de Copérnico foi considerada errada não por ser uma tese radical avançado, mas porque as autoridades clericais acreditavam só a Igreja tinha o direito de interpretar a vontade de Deus e, por extensão, o funcionamento das Suas maravilhas no universo.

Um dos sinais da maturidade é a capacidade para apreciar como a própria estrutura de referência tem impacto na observação e na interacção com a realidade. Essa constatação, apoiada pelas experiências de Werner Heisenberg (físico teórico e vencedor do Prémio Nobel), ajuda-nos a perceber o impacto da perspectiva de observação.

O Princípio de Incerteza de Heisenberg afirma que toda a matéria tem tanto estado (estático) e propriedades de onda (dinâmicas) e a tentativa de medir um compromete o outro. Por outras palavras, a forma como se avalia qualquer fenómeno afecta, de facto, aquilo que se observa, pois em última análise, determina aquilo que se vê. Os ensinamentos Bahá'ís sugerem o mesmo princípio, muito antes de Heisenberg:
A retina da visão exterior, embora sensível e delicada, pode, no entanto, ser um obstáculo à visão interior que é a única que pode perceber. As dádivas de Deus que se manifestam em toda a vida dos fenómenos, são por vezes ocultadas pelos véus da visão mortal e mental que tornam o homem espiritualmente cego e incapaz, mas quando essas camadas forem removidas e os véus despedaçados, então os grandes sinais de Deus tornar-se-ão visíveis e ele testemunhará a luz eterna enchendo o mundo. As dádivas de Deus estão total e continuamente manifestas. As promessas do céu estão sempre presentes. Os favores de Deus abrangem tudo, mas se a visão consciente da alma do homem permanecer velada e obscurecida, ele será levado a negar esses sinais universais e permanecerá privado dessas manifestações de bondade divina. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 90)
Ao longo dos próximos artigos, vamos analisar o trabalho pioneiro de três estudiosos milenaristas cristãos distintos, cuja investigação da Bíblia os levou a concluir que o regresso de Cristo ocorreria por volta de 1840. Vamos analisar o seu quadro de referência, o seu processo e as suas conclusões à luz do raciocínio científico. O nosso objectivo é a criação de uma estrutura sólida de referência que nos permita avaliar a relação entre a revelação de Jesus Cristo e que o advento de Bahá'u'lláh

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Texto original: Science, the Clergy and Spiritual Blindness (www.bahaiteachings.org)

segunda-feira, 28 de março de 2016

A Experiência Quase-Morte de Renee Pasarow



Em 1966, Renee Pasarow era uma adolescente quando teve uma experiência quase-morte, em resultado de uma reacção alérgica extrema.

Esteve clinicamente morta durante 45 minutos, até que um médico conseguiu reanimá-la e trazê-la de regresso à vida.

Antes desta experiência quase-morte, Renee tinha tido um único contacto com a Fé Bahá’í. Após esta experiência, Renee aceitou à Fé Bahá’í.

Em 1991, a AEL dos Baha’is de Moopark (California, EUA) divulgou este vídeo com uma palestra em que Renee descreveu a sua experiência.

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Artigos com a perspectiva Baha’i sobre a vida depois da morte:

-- As experiências de quase-morte provam alguma coisa?
-- A Incrível Consistência das Experiências Quase-Morte
-- As Experiências Quase-Morte segundo Platão, Sócrates e Bosch

-- Video copiado do canal Rahmat1919 --

quarta-feira, 23 de março de 2016

Pode a Unidade impedir o próximo ataque terrorista?

Por David Langness.


As religiões divinas devem ser a causa de união entre os homens, e instrumentos da unidade e do amor; devem promulgar a paz universal, libertar o homem de todo preconceito, conceder alegria e júbilo, exercer bondade para com todos os homens e eliminar qualquer diferença ou distinção. (‘Abdu’l-Bahá, Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, p. 28.)
Ontem, bombas terroristas explodiram no aeroporto e numa estação de metro de Bruxelas, matando dezenas de pessoas e ferindo centenas.

A Europa e os Estados Unidos sofreram um crescente número de ataques terroristas ao longo dos últimos meses. Estes ataques aproveitaram a abertura e vulnerabilidade das sociedades Ocidentais, com a sua liberdade pessoal, espaços públicos acessíveis e relativa facilidade para atravessar fronteiras nacionais. Grupos terroristas como o Daesh ou a al-Qaeda juraram atacar alvos na Europa e na América, ameaçando com novos ataques no Ocidente.

A situação geral não mostra sinais de acalmia para breve. As bombas usadas em Bruxelas, dispositivos rudimentares cheios de pregos para infligir o maior número de baixas, foram detonados pelos bombistas suicidas que pretendiam lançar o caos e o medo, e dar as suas vidas ao fazê-lo. Inacreditavelmente, qualquer pessoa com as motivações erradas, pode agora construir uma arma destas – os materiais estão disponíveis em quase toda a parte, e é simples encontrar as instruções detalhadas para construir bombas. Enquanto os terroristas continuarem a acreditar que o Ocidente pode ser responsabilizado pelos conflitos sangrentos em certas partes do mundo – e sejamos claros, enquanto o Ocidente continuar a envolvido em guerras por proxy no Médio Oriente com tropas, bombas e drones – estas mortes aleatórias de civis inocentes irão provavelmente continuar.

Então o que podemos fazer em relação a isto?

Os ensinamentos Bahá’ís têm três sugestões muito específicas: unidade internacional; um crescente nível de integração e unidade nas nossas cidades segregadas; e uma cultura ampla e concertada destinada a eliminar o preconceito religioso.

Primeiro: um dos problemas mais persistentes que impede o mundo de combater o terrorismo de forma eficiente deve-se às suas redes de segurança fragmentadas, isoladas e não comunicantes. Muitos países Europeus, por exemplo, não partilham entre si informações sobre terroristas conhecidos e seus associados. A desconfiança e preconceitos históricos contribuem para o problema. Algumas nações até têm agências de segurança que competem entre si nas suas burocracias nacionais e não partilham prontamente informação entre elas.

Se a União Europeia conseguir reduzir os obstáculos na partilha de informação de segurança, ultrapassar animosidades históricas e preconceitos entre nações, e transmitir de forma mais eficiente informação relevante sobre segurança entre os seus Estados membros, a ameaça de mais ataques pode ser significativamente reduzida. Se as nações do mundo se unirem de forma determinada para parar o terrorismo, poderão conseguir fazê-lo. A dificuldade é apenas a falta de unidade.

Segundo: muitos países Europeus, e muitas cidades Americanas, criaram de forma inadvertida - ou talvez, propositada - guetos de emigrantes estrangeiros. As populações muçulmanas nestas áreas urbanas, amontoadas em bairros pobres, em vez de serem distribuídos e integrados na sociedade mais ampla, tendem a manter as suas práticas culturais e preconceitos trazidos dos seus países de origem. Este isolamento e segregação forçadas podem alimentar um sentimento de alienação em relação ao país de acolhimento, pode fomentar uma desconfiança nas leis locais, pode criar a base de um ódio prolongado, e pode tornar-se um local de refúgio onde jihadistas esperam esconder-se e escapar à justiça.

Se a Europa e a América fizerem esforços concertados para pôr fim à prática de segregação de refugiados e emigrantes, e impedirem a prática comum - intencional, ou não - de criar guetos que impedem a aculturação e a absorção de grandes grupos de pessoas de outros lugares, então podemos começar a livrar as populações de potenciais terroristas e jihadistas. Este tipo de dispersão aceleraria o processo de integração e unificação.

Conseguir este objectivo a longo prazo exige, obviamente, um esforço concertado de muitos sectores da sociedade Ocidental. Podemos começar agora, a nível individual e pessoal, tentando alcançar, encontrar e comunicar com pessoas que vivem em enclaves de emigrantes nas nossas cidades. Só reduzindo o afastamento, travando conhecimento e fazendo amizades com pessoas de diferentes religiões e tradições culturais, e derrubando barreiras entre culturas, podemos começar a integrar e unificar eficientemente as nossas sociedades.

Terceiro: um contra-terrorismo eficiente não significa apenas meios de segurança e integração. Também significa libertar-mo-nos de preconceitos que tradicionalmente assolam as religiões. Desenvolver o entendimento, as ligações e a unidade entre religiões é a solução derradeira para o terrorismo. Isso será o baluarte contra a separação, contra a desconfiança e contra a violência que sempre resulta dessa separação:
O ódio e o rancor religioso são um fogo que consome o mundo, e cuja extinção é muito difícil, a menos que a mão do poder divino liberte o homem desta calamidade infrutífera.
Acautelai-vos com o preconceito; a luz é boa em qualquer lâmpada que brilhe. Uma rosa é bela em qualquer jardim que possa florescer. Uma estrela tem a mesma radiância, se brilhar no oriente ou no ocidente.

Todos os Profetas de Deus vieram para unir os filhos dos homens e não para os dividir; ponham em prática a lei do amor e não a inimizade.

Devemos banir o preconceito. Preconceitos religiosos, patrióticos e raciais devem desaparecer, pois são destruidores da sociedade humana.

Devemos tornar-nos causa de unidade da raça humana. (‘Abdu’l-Bahá, Divine Philosophy, p. 25.)

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Texto original: How Unity Could Stop the Next Brussels Bombing (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.