Por David Langness.
Adoro filosofia — eleva a mente, conduz a pensamentos nobres e alimenta a chama da curiosidade.
Se quisermos saber mais sobre filosofia, no entanto, podemos facilmente dedicar-lhe a vida inteira. Só a leitura dos filósofos gregos antigos e a tentativa de compreender a sua sabedoria podem levar várias décadas de estudo a tempo inteiro, para não falar da tentativa de absorver e compreender as grandes obras filosóficas que surgiram do budismo, do judaísmo, do cristianismo, do islamismo e de muitas outras tradições. Os filósofos modernos também têm muito para oferecer — na verdade, precisaríamos de várias vidas de trabalho sério para absorver tudo o que é filosófico. Assim, aqui está uma forma que descobri para tornar a filosofia um pouco mais acessível: dê uma vista de olhos aos sites e publicações relacionados com a filosofia das principais universidades do mundo.
Oxford, Harvard, Stanford e muitos outros centros académicos de renome dedicaram-se a compreender o percurso da filosofia humana e a explicá-lo de forma acessível e racional. Um dos meus sites favoritos, por exemplo, é a Stanford Encyclopedia of Philosophy. Aprendi muito com este site em particular e costumo recomendá-lo a outros entusiastas da filosofia. No entanto, no outro dia, enquanto lia algo neste site, deparei-me com um texto com o qual discordei imediata e veementemente, escrito por um historiador marxista:
A história consiste em acções humanas dentro de instituições e estruturas corporizadas por seres humanos. Não existe nenhuma força sobre-humana na história. Não existe significado ou progresso sobre-humano na história; existe apenas uma série de eventos e processos impulsionados por processos causais concretos e acções individuais. (Philosophy of History, Stanford Encyclopedia of Philosophy 2016)
Como Bahá’í, discordo profundamente, pois acredito que o Criador desempenhou, e continua a desempenhar, um papel fundamental na história da humanidade. Você concorda?
Praticamente qualquer pessoa com convicções religiosas, místicas ou espirituais provavelmente sente o mesmo. Por conseguinte, é-me difícil imaginar como é que alguém familiarizado com a longa trajectória da investigação filosófica pode descartar completamente qualquer "acção sobre-humana" em toda a extensão da história humana. Na verdade, quando li esta ideia, achei-a extremamente egocêntrica.
Para acreditar nesta premissa, suspeito que seria necessário atribuir o fundamento de todas as religiões a um único ser humano meramente iludido ou desequilibrado, que teria estabelecido uma religião que enganou milhões de pessoas ao longo dos milénios seguintes. Será que Cristo, por exemplo, através da força da Sua personalidade ou do Seu carisma, simplesmente induziu em erro milhares de milhões de seguidores que se tornaram cristãos — e será que não tiveram qualquer impacto na história? Como seria isso possível?
Mas não me interpretem mal — não estou a defender que Deus controla todos os aspetos da história da humanidade. Nós, humanos, também precisamos de assumir a nossa responsabilidade. Realisticamente, sabemos que uma das forças mais poderosas da história da humanidade — a religião — nem sempre produziu resultados positivos. Aliás, as instituições religiosas em decadência produziram alguns dos piores resultados imagináveis:
As religiões do passado entraram em decadência por causa de líderes ávidos de poder que, com o passar do tempo, se apropriaram de todos os direitos e poderes para si próprios e desprezaram o resto dos seus correligionários, considerando-os ignorantes e privados do conhecimento de Deus. (‘Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 4, p. 180)
Aquilo que deveria ser propício à vida tornou-se causa de morte; aquilo que deveria ser evidência de conhecimento é agora prova de ignorância; aquilo que era factor na sublimidade da natureza humana revelou-se a sua degradação. Por conseguinte, o domínio do religioso estreitou-se e obscureceu-se gradualmente, e a esfera do materialista ampliou-se e avançou; pois o religioso agarrou-se à imitação e à falsificação, negligenciando e descartando a santidade e a realidade sagrada da religião. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 179)
Infelizmente, o fundamento da realidade desapareceu e surgiram imitações, costumes e cerimónias que são a base da discórdia, a causa da obstinação, os meios da guerra e da luta. Perdeu-se o propósito original do aparecimento dos Santos Manifestantes e do estabelecimento dos ensinamentos divinos... Quando considerares a verdade ou a realidade, verás que estas antigas e decadentes limitações da religião se tornam a causa do derramamento de sangue entre os povos e as nações. (‘Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 5, p. 135)
Sabemos, portanto, que os seres humanos, como indica a Stanford Encyclopedia of Philosophy, possuem de facto uma significativa capacidade de agir e influenciar o mundo. Podemos assumir a responsabilidade pelo muito bom e pelo muito mau. Contudo, o facto de os humanos possuírem livre-arbítrio não elimina Deus da equação, segundo os ensinamentos Bahá’ís:
...cada vez que os Profetas de Deus iluminaram o mundo com o brilho esplendoroso do Sol do conhecimento Divino, eles, invariavelmente, convocaram os seus povos a abraçar a luz de Deus através dos meios que melhor satisfizessem as exigências do tempo em que apareceram. Assim eles puderam dissipar as trevas da ignorância e derramar sobre o mundo a glória do Seu próprio conhecimento. É para a mais íntima essência desses Profetas, portanto, que a visão de todo homem de discernimento se deve dirigir, pois o seu único e exclusivo propósito sempre foi guiar os errantes e dar paz aos aflitos... (Bahá’u’lláh, Gleanings, XXXIV)
A maioria dos historiadores entende que toda a nova civilização nasce de uma nova religião e que cada nova religião surge porque aparece um novo profeta ou mensageiro de Deus, trazendo essa nova religião para a humanidade. Os ensinamentos Bahá’ís baseiam toda a sua teoria da história neste processo evidente.
No próximo artigo desta série, na nossa busca para compreender as forças maiores que impulsionam a história da humanidade, analisaremos como determinar se algum dos grandes sábios, filósofos e mestres foi, na realidade, um profeta de Deus.
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Texto original: Does History Have Any Super-Human Agency? (www.bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

