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sábado, 29 de agosto de 2026

Haverá na história uma força sobre-humana?

Por David Langness.


Adoro filosofia — eleva a mente, conduz a pensamentos nobres e alimenta a chama da curiosidade.

Se quisermos saber mais sobre filosofia, no entanto, podemos facilmente dedicar-lhe a vida inteira. Só a leitura dos filósofos gregos antigos e a tentativa de compreender a sua sabedoria podem levar várias décadas de estudo a tempo inteiro, para não falar da tentativa de absorver e compreender as grandes obras filosóficas que surgiram do budismo, do judaísmo, do cristianismo, do islamismo e de muitas outras tradições. Os filósofos modernos também têm muito para oferecer — na verdade, precisaríamos de várias vidas de trabalho sério para absorver tudo o que é filosófico. Assim, aqui está uma forma que descobri para tornar a filosofia um pouco mais acessível: dê uma vista de olhos aos sites e publicações relacionados com a filosofia das principais universidades do mundo.

Oxford, Harvard, Stanford e muitos outros centros académicos de renome dedicaram-se a compreender o percurso da filosofia humana e a explicá-lo de forma acessível e racional. Um dos meus sites favoritos, por exemplo, é a Stanford Encyclopedia of Philosophy. Aprendi muito com este site em particular e costumo recomendá-lo a outros entusiastas da filosofia. No entanto, no outro dia, enquanto lia algo neste site, deparei-me com um texto com o qual discordei imediata e veementemente, escrito por um historiador marxista:

A história consiste em acções humanas dentro de instituições e estruturas corporizadas por seres humanos. Não existe nenhuma força sobre-humana na história. Não existe significado ou progresso sobre-humano na história; existe apenas uma série de eventos e processos impulsionados por processos causais concretos e acções individuais. (Philosophy of History, Stanford Encyclopedia of Philosophy 2016)

Como Bahá’í, discordo profundamente, pois acredito que o Criador desempenhou, e continua a desempenhar, um papel fundamental na história da humanidade. Você concorda?

Praticamente qualquer pessoa com convicções religiosas, místicas ou espirituais provavelmente sente o mesmo. Por conseguinte, é-me difícil imaginar como é que alguém familiarizado com a longa trajectória da investigação filosófica pode descartar completamente qualquer "acção sobre-humana" em toda a extensão da história humana. Na verdade, quando li esta ideia, achei-a extremamente egocêntrica.

Para acreditar nesta premissa, suspeito que seria necessário atribuir o fundamento de todas as religiões a um único ser humano meramente iludido ou desequilibrado, que teria estabelecido uma religião que enganou milhões de pessoas ao longo dos milénios seguintes. Será que Cristo, por exemplo, através da força da Sua personalidade ou do Seu carisma, simplesmente induziu em erro milhares de milhões de seguidores que se tornaram cristãos — e será que não tiveram qualquer impacto na história? Como seria isso possível?

Mas não me interpretem mal — não estou a defender que Deus controla todos os aspetos da história da humanidade. Nós, humanos, também precisamos de assumir a nossa responsabilidade. Realisticamente, sabemos que uma das forças mais poderosas da história da humanidade — a religião — nem sempre produziu resultados positivos. Aliás, as instituições religiosas em decadência produziram alguns dos piores resultados imagináveis:

As religiões do passado entraram em decadência por causa de líderes ávidos de poder que, com o passar do tempo, se apropriaram de todos os direitos e poderes para si próprios e desprezaram o resto dos seus correligionários, considerando-os ignorantes e privados do conhecimento de Deus. (‘Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 4, p. 180)

Aquilo que deveria ser propício à vida tornou-se causa de morte; aquilo que deveria ser evidência de conhecimento é agora prova de ignorância; aquilo que era factor na sublimidade da natureza humana revelou-se a sua degradação. Por conseguinte, o domínio do religioso estreitou-se e obscureceu-se gradualmente, e a esfera do materialista ampliou-se e avançou; pois o religioso agarrou-se à imitação e à falsificação, negligenciando e descartando a santidade e a realidade sagrada da religião. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 179)

Infelizmente, o fundamento da realidade desapareceu e surgiram imitações, costumes e cerimónias que são a base da discórdia, a causa da obstinação, os meios da guerra e da luta. Perdeu-se o propósito original do aparecimento dos Santos Manifestantes e do estabelecimento dos ensinamentos divinos... Quando considerares a verdade ou a realidade, verás que estas antigas e decadentes limitações da religião se tornam a causa do derramamento de sangue entre os povos e as nações. (‘Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 5, p. 135)

Sabemos, portanto, que os seres humanos, como indica a Stanford Encyclopedia of Philosophy, possuem de facto uma significativa capacidade de agir e influenciar o mundo. Podemos assumir a responsabilidade pelo muito bom e pelo muito mau. Contudo, o facto de os humanos possuírem livre-arbítrio não elimina Deus da equação, segundo os ensinamentos Bahá’ís:

...cada vez que os Profetas de Deus iluminaram o mundo com o brilho esplendoroso do Sol do conhecimento Divino, eles, invariavelmente, convocaram os seus povos a abraçar a luz de Deus através dos meios que melhor satisfizessem as exigências do tempo em que apareceram. Assim eles puderam dissipar as trevas da ignorância e derramar sobre o mundo a glória do Seu próprio conhecimento. É para a mais íntima essência desses Profetas, portanto, que a visão de todo homem de discernimento se deve dirigir, pois o seu único e exclusivo propósito sempre foi guiar os errantes e dar paz aos aflitos... (Bahá’u’lláh, Gleanings, XXXIV)

A maioria dos historiadores entende que toda a nova civilização nasce de uma nova religião e que cada nova religião surge porque aparece um novo profeta ou mensageiro de Deus, trazendo essa nova religião para a humanidade. Os ensinamentos Bahá’ís baseiam toda a sua teoria da história neste processo evidente.

No próximo artigo desta série, na nossa busca para compreender as forças maiores que impulsionam a história da humanidade, analisaremos como determinar se algum dos grandes sábios, filósofos e mestres foi, na realidade, um profeta de Deus.

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Texto original: Does History Have Any Super-Human Agency? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 4 de julho de 2026

A Essência de Todos os Profetas: Uma Só e a Mesma

Por David Langness.


Se os fundadores e os profetas das grandes religiões do mundo são os primeiros mestres da raça humana, como é que conciliamos os seus ensinamentos aparentemente divergentes?

Pensadores, filósofos, teólogos, especialistas em ética e milhares de milhões de buscadores espirituais têm-se debatido com esta questão fundamental desde o início da história. Será que Deus nos enviou uma série de mensagens contraditórias apenas para que se enfrentassem aqui na Terra? Ou será que existe um fio condutor comum a todas as grandes religiões?

A maioria dos filósofos e teólogos contemporâneos vê o tema da fé como tendo dois polos opostos: o sincretismo ou o fundamentalismo. Sincretismo significa a combinação artificial de diferentes religiões; enquanto o fundamentalismo se refere à ideia de que apenas uma religião possui validade. De um ponto de vista moderno e sincrético, muitas religiões têm ensinamentos semelhantes, pelo que, para muitas pessoas, faz sentido misturar, fundir ou assimilar as suas práticas e crenças. De um ponto de vista tradicional e fundamentalista, porém, nenhuma fé possui verdade absoluta - excepto a religião ou seita específica do fundamentalista, que reivindica a exclusividade da verdade, permitindo apenas uma interpretação literal das escrituras.

Os ensinamentos Bahá’ís rejeitam ambas as abordagens, especialmente o dogma e o fanatismo associados ao fundamentalismo:

Este é também o ciclo da maturidade e da reforma na religião. As imitações dogmáticas de crenças ancestrais estão a desaparecer. Foram o eixo em torno do qual a religião girava, mas agora já não são frutíferas; pelo contrário, actualmente tornaram-se a causa da degradação e do declínio humanos. O fanatismo e a adesão dogmática a crenças antigas tornaram-se a fonte central e fundamental da animosidade entre os homens, o obstáculo ao progresso humano, a causa das guerras e dos conflitos, o destruidor da paz, da serenidade e do bem-estar no mundo. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 439)

Os ensinamentos Bahá’ís afirmam que o sincretismo artificial e imposto externamente, em última instância, deve ceder o lugar à consciência da verdadeira unidade e unicidade subjacentes a todas as verdadeiras religiões:

… Os Bahá’ís vêem na luta das diversas religiões para se aproximarem uma resposta à Vontade Divina para uma raça humana que está a entrar na sua maturidade colectiva… O diálogo inter-religioso, se quiser contribuir de forma significativa para a cura dos males que afligem uma humanidade desesperada, deve agora abordar honestamente e sem mais evasivas as implicações da verdade fundamental que deu origem ao movimento: que Deus é um e que, para além de toda a diversidade de expressão cultural e interpretação humana, a religião também é uma só. (The Universal House of Justice, April 2002, To the World’s Religious Leaders, p. 6)

Assim, os Bahá’ís acreditam que os profetas e fundadores das religiões do mundo trouxeram a mesma mensagem essencial:

Sabe com certeza que a essência de todos os Profetas de Deus é uma só e a mesma. A sua unidade é absoluta. Deus, o Criador, diz: Não há distinção alguma entre os Portadores da Minha Mensagem. Todos eles têm um só propósito; o seu segredo é o mesmo segredo. Preferir um em detrimento de outro, exaltar alguns acima dos outros, não é de modo algum permitido. Todo o verdadeiro Profeta considerou a Sua Mensagem como fundamentalmente a mesma que a Revelação de todos os outros Profetas que o precederam. (Baha’u’llah, Gleanings, XXXIV)

Se olharmos para além da “expressão cultural e da interpretação humana” da religião, como a Casa Universal de Justiça exorta todos a fazer, podemos começar a ver a verdade mais profunda e central da Fé:

A verdade é uma só em todas as religiões, e através dela pode-se alcançar a unidade do mundo.

Todos os povos têm uma crença fundamental em comum: sendo uma só, a verdade não pode ser dividida, e as diferenças que parecem existir entre as nações resultam apenas do seu apego ao preconceito. Se os homens procurassem a verdade, encontrariam a união. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, p. 129)

Os Bahá’ís acreditam que as ideias e práticas divergentes que vemos nas diferentes religiões derivam da interpretação humana, gradualmente acrescentada aos ensinamentos originais dos mensageiros de Deus ao longo do tempo. Inicialmente puras e claras, estas mensagens — amor ao próximo, bondade, compaixão, humildade e um profundo reconhecimento do divino — estão presentes em todos os sistemas de crença legítimos. Mas, com o passar do tempo e a tomada de controlo pela interpretação humana, os ensinamentos Bahá’ís afirmam que a religião tende a degradar-se e a declinar.

Infelizmente, a humanidade está completamente imersa em imitações e irrealidades, apesar de a verdade da religião divina se manter sempre a mesma. As superstições obscureceram a realidade fundamental, o mundo está envolto em trevas e a luz da religião não se manifesta. Estas trevas propiciam a diferenças e dissensões; rituais e dogmas são muitos e variados; surgiu, portanto, a discórdia entre os sistemas religiosos, quando a religião deveria ser a unificação da humanidade. A verdadeira religião é a fonte do amor e da harmonia entre os homens, a causa do desenvolvimento de qualidades louváveis, mas as pessoas agarram-se à falsificação e à imitação, negligenciando a realidade que unifica, e assim ficam privadas do brilho da religião. Seguem superstições herdadas dos seus pais e antepassados. A tal ponto isso prevaleceu que afastaram a luz celestial da verdade divina e permanecem na escuridão das imitações e imaginações. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 179)

O único remédio para esse declínio - a renovação da religião - ocorre quando surge um novo mensageiro que ensina uma nova fé.

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Texto original: The Essence of All Prophets: One and the Same (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

domingo, 7 de dezembro de 2025

Quem foram as Pessoas Mais Influentes na História?

Por David Langness.


Pense um pouco nestas questões: quem foram as pessoas mais influentes na história? Quem teve maior influência sobre toda a humanidade?

Os historiadores fizeram muitas listas classificando as pessoas mais influentes de sempre, mas há alguns anos a revista Time colocou esta questão, fez uma análise baseada em dados e até a submeteu a algum rigor científico:

Quando nos propusemos classificar a importância das figuras históricas, decidimos não abordar o projecto da mesma forma que os historiadores, através de uma avaliação baseada em princípios das suas realizações individuais. Em vez disso, avaliamos cada pessoa agregando milhões de traços de opiniões numa análise computorizada centrada em dados. Classificamos as figuras históricas da mesma forma que o Google classifica as páginas web, integrando um conjunto diversificado de métricas sobre a sua reputação num único valor consensual. (Who’s Biggest? The 100 Most Significant Figures in History, por Steven Skiena e Charles B. Ward, Time Magazine, 10 de Dezembro de 2013)

De longe, a maior percentagem de indivíduos na lista da Time das 100 pessoas mais significativas da história — um quarto deles — eram grandes figuras religiosas ou filósofos, os influentes profetas e mensageiros cujos conceitos, ideias e acções influenciaram milhões e milhões de pessoas ao longo de muitos séculos. Eis os cinco primeiros classificados pela Time:

  • Jesus
  • Napoleão
  • Muhammad
  • William Shakespeare
  • Abraham Lincoln

É fácil compreender porque é que Cristo e Maomé ocupam posições tão elevadas nesta lista: porque deram origem a religiões globais com milhares de milhões de adeptos e porque é que os seus ensinamentos tiveram um impacto tão profundo nos seus seguidores, em múltiplas civilizações e na própria história da humanidade ao longo dos séculos. A posição de Napoleão em segundo lugar reflecte, sem dúvida, o facto de ele ter mudado a face da Europa durante a sua era, mas, afinal, tanto Cristo como Maomé mudaram a face do mundo inteiro — durante milhares de anos.

A lista da Time, como muitas listas semelhantes, tem reconhecidamente algum pendor ocidental — várias pessoas nela incluídas são presidentes americanos, por exemplo, e figuras históricas seminais como Buda e Moisés ocupam posições muito aquém do esperado —, mas tem em conta o enorme impacto dos fundadores das religiões do mundo. Podemos contar pelos dedos das mãos os profetas e mensageiros mais conhecidos: Krishna, Abraão, Moisés, Buda, Zoroastro, Cristo, Muhammad e agora Bahá’u’lláh, todos fundadores de religiões globais que inspiraram milhões de seguidores e, de facto, mudaram o pensamento da humanidade e, consequentemente, o progresso.

Assim, aqui fica uma ideia: e se modificássemos um pouco a Teoria do Grande Homem da história, considerando esta perspectiva espiritual, e lhe chamássemos a teoria dos Profetas de Deus? E se começássemos a ver estes profetas e mensageiros como os verdadeiros fundadores não só da religião, mas da própria civilização?

A leitura da história leva-nos à conclusão de que todos os homens verdadeiramente grandes, os benfeitores da raça humana, aqueles que levaram os homens a amar o certo e a odiar o errado e que causaram progressos reais, todos estes foram inspirados pela força do Espírito Santo.

Nem todos os Profetas de Deus se formaram nas escolas de filosofia erudita; na verdade, eram frequentemente homens de origem humilde, aparentemente ignorantes, homens desconhecidos e sem importância aos olhos do mundo; por vezes, nem sequer tinham conhecimentos de leitura e de escrita.

O que elevou estes grandes seres acima dos homens, e pelo qual puderam tornar-se Mestres da verdade, foi o poder do Espírito Santo. A sua influência sobre a humanidade, em virtude desta poderosa inspiração, foi grande e profunda.

A influência dos filósofos mais sábios, sem este Espírito Divino, tem sido relativamente insignificante, por mais extenso que seja o seu conhecimento e profunda a sua erudição.

Os intelectos fora do comum, por exemplo, de Platão, Aristóteles, Plínio e Sócrates, não influenciaram tanto os homens ao ponto de estes se mostrarem desejosos de sacrificar as suas vidas pelos seus ensinamentos; por outro lado, alguns destes homens simples comoveram de tal forma a humanidade que milhares de homens se tornaram mártires dispostos a defender as suas palavras; pois estas palavras foram inspiradas pelo Espírito Divino de Deus! (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, pp. 164-165)

O filósofo Hegel concordou quando disse: “Estes são os grandes homens históricos — cujos objetivos particulares envolvem aquelas grandes questões que são a vontade do Espírito do Mundo.”

É claro que apenas mencionei o mais conhecido dos grandes fundadores da Fé. Cada cultura e civilização teve o seu próprio mensageiro divino, herói cultural ou profeta, o líder espiritual que conduziu as pessoas em direcção à paz, à unidade e ao amor ao próximo. Cada povo e cultura indígena tem pelo menos um destes mensageiros espirituais. Poderá ter ouvido falar de alguns deles — o mensageiro maia Quetzlcoatl, por exemplo, ou Deganawida, o Grande Pacificador, o venerado profeta dos Haudenosaunee, da Confederação Iroquesa —, mas os nomes de muitos outros perderam-se com o passar do tempo:

Repetidamente vos enviei os meus servos, os profetas, que insistiram convosco para mudarem de procedimento e fazerem o que é recto. Preveniram-vos para que não prestassem culto nem servissem a outros deuses… (Jeremias 35:15)

E a todos os povos enviámos um apóstolo. (Alcorão 16:38)

Deus tem levantado profetas e revelado livros tão numerosos como as criaturas do mundo, e continuará a fazê-lo por toda a eternidade. (The Bab, Selections from the Writings of the Bab, p. 125)

Sabei que a ausência de qualquer referência a eles [Profetas anteriores a Adão] não é prova de que, de facto, não tenham existido. O facto de actualmente não existirem registos disponíveis sobre eles deve ser atribuído à sua extrema distância, bem como às imensas mudanças que a Terra sofreu desde então. (Bahá’u’lláh, Gleanings from the Writings of Bahá’u’lláh, LXXXVII)

Quando observar este padrão histórico ao analisar todo o âmbito da história humana, e avaliar a influência destes imponentes líderes espirituais, começará a reconhecer o seu poderoso impacto.

Mas… e se levássemos esta teoria da história dos Profetas de Deus um pouco mais longe — como fazem os ensinamentos Bahá’ís — e começássemos a considerar cada um destes mensageiros divinos como um só?

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Texto original: Who Were History’s Most Influential People? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

domingo, 17 de agosto de 2025

sábado, 5 de abril de 2025

Porque é que a Fé Bahá'í proíbe a queima de livros?

Por David Langness.


Como sinal da graça de Deus, o Revelador deste Mais Grandioso Anúncio, removemos das Sagradas Escrituras e Epístolas a lei que prescrevia a destruição de livros. (Tablets of Baha’u’llah, p. 25)

Há alguns anos, militantes do Estado Islâmico (ISIS) saquearam e queimaram a biblioteca central de Mossul, destruindo cerca de 100.000 livros, incluindo uma rara coleção de manuscritos da era otomana. A destruição prosseguiu atingindo bibliotecas de várias universidades da cidade do norte do Iraque.

Irina Bokova, Directora-Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) reagiu chamando-lhe “um dos actos mais devastadores de destruição de coleçcões de bibliotecas na história da humanidade. Esta destruição”, disse ela, “marca uma nova fase na limpeza cultural perpetrada nas regiões controladas por extremistas armados no Iraque. A isto junta-se a destruição sistemática do património e a perseguição de minorias que pretende acabar com a diversidade cultural que é a alma do povo iraquiano.”

Na sua interpretação fanática do Islão, o ISIS acreditava que a queima de livros iria de alguma forma eliminar os pensamentos “não islâmicos” da sociedade. Este tipo de censura pelo fogo e de “limpeza cultural” tem uma longa história, não só entre os muçulmanos, mas também nas culturas cristã, judaica, hindu e em algumas culturas chinesas. A queima de livros foi utilizada pelas legiões romanas quando queimaram a Biblioteca de Alexandria; pelo imperador cristão Constantino na sua supressão de crenças não trinitárias; pelos conquistadores espanhóis no Iucatão Maia e Azteca; e pelos nazis antes e durante a Segunda Guerra Mundial. Na Guerra de 1812, as tropas inglesas empilharam todos os 3.000 livros da Biblioteca do Congresso junto aos muros de pedra do Capitólio dos EUA para os queimar, com a intenção de humilhar e degradar os americanos rebeldes. A queima de livros também costuma acompanhar o genocídio — resultante da oposição cultural, religiosa ou política a uma etnia, raça ou civilização inteira — e tenta destruir a memória e a herança cultural de um povo.

Em muitas religiões antigas tolerava-se a queima de livros, mas os ensinamentos Bahá’ís proíbem-na completamente:

Nas religiões antigas, mandamentos como a guerra santa, a destruição de livros, a proibição de associação e a convivência com outros povos ou de leitura de certos livros foram estabelecidas e afirmadas de acordo com as exigências da época; no entanto, nesta poderosa Revelação, neste importante Proclamação, as múltiplas dádivas e favores de Deus ofuscaram todos os homens, e do horizonte da Vontade do Senhor Sempiterno, o Seu decreto infalível prescreveu aquilo que estabelecemos acima. (Idem, p.28)

Os descrentes e os infiéis fixaram o seu pensamento em quatro coisas: primeiro, o derramamento de sangue; segundo, a queima de livros; terceiro, evitar os seguidores de outras religiões; quarto, o extermínio de outras comunidades e grupos. Agora, porém, através da graça fortalecedora e da potência da Palavra de Deus, estas quatro barreiras foram demolidas, estas ordens claras foram obliteradas da Epístola, e mandamentos brutais foram convertidos em atributos espirituais. (Tablets of Bahá’u’lláh, p. 91)

Porque é que continuamos a ver queimas de livros? Os ensinamentos Bahá’ís dizem que isto deve-se à superstição e à ignorância:

A verdadeira religião é a fonte de amor e da concórdia entre os homens, a causa do desenvolvimento das qualidades louváveis; mas o povo agarra-se à simulação e à imitação, negligenciando a realidade que unifica; e assim, ficam despojados e privados do esplendor da religião. Seguem superstições herdadas dos seus pais e antepassados. Isto prevaleceu a tal ponto que eles fizeram desaparecer a luz celestial da verdade divina, e ficaram na escuridão das imitações e imaginações. Aquilo que deveria ser conducente à vida tornou-se a causa da morte; o que deveria ser uma evidência de conhecimento é agora uma prova de ignorância; aquilo que era um factor na sublimidade da natureza humana revelou-se ser a sua degradação. Por isso, o mundo do crente estreitou-se e escureceu gradualmente, e o campo do materialista ampliou-se e avançou; pois o crente agarrou-se à imitação e à simulação, negligenciando e descartando a santidade e a realidade sagrada da religião. ('Abdu'l-Bahá, Foundations of World Unity, p. 71)

Para os Bahá’ís, nenhuma religião legítima é estrangeira ou questionável, porque os ensinamentos Bahá’ís dizem que “a verdadeira religião é a fonte de amor e da concórdia…” De facto, os Bahá’ís acreditam que a destruição dos livros, especialmente das Escrituras Sagradas de qualquer sistema de crenças, destrói os próprios alicerces da civilização humana:

Pelo Senhor Deus - e não há Deus senão Ele! Até os mais ínfimos pormenores da vida civilizada derivam da graça dos Profetas de Deus. Que coisa de valor para a humanidade já surgiu e que não tenha sido primeiramente apresentada, directa ou implicitamente, nas Sagradas Escrituras? (‘Abdu’l-Bahá, The Secret of Divine Civilization, p. 96)

Todos os Livros Sagrados foram escritos para conduzir e encaminhar o homem nos caminhos do amor e da unidade… (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, p. 107)

Numa perspectiva Bahá’í, destruir livros seria como destruir uma parte de nós próprios. Como todas as religiões provêm da mesma fonte, e como todas as Escrituras Sagradas são capítulos do mesmo livro, e como o progresso final da humanidade vem de um Deus, os Bahá’ís trabalham para unir um mundo dividido, e travar pacificamente a destruição deliberada de livros, povos e culturas.

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Texto original: Why the Baha’i Faith Prohibits Book-Burning (www.bahaiteachings.org)


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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA

sábado, 15 de março de 2025

4 Conselhos para ler os Livros Sagrados de todas as Religiões

Por David Langness.


Não leia, como fazem as crianças, para se divertir, ou como os ambiciosos, com o propósito de instrução. Não, leia para viver. – Gustave Flaubert

Pensas que a tua dor e o teu desgosto não têm precedentes na história do mundo, mas depois lês. Foram os livros que me ensinaram que as coisas que mais me atormentavam eram exactamente aquelas que me ligavam a todas as pessoas que estavam vivas, ou que já viveram. – James Baldwin

Sente-se numa sala e leia, leia e leia. E leia os livros certos, pelas pessoas certas. A sua mente é levada a esse nível e sentirá um êxtase agradável, suave e lento o tempo todo. – Joseph Campbell

E tudo o que está na Sagrada Escritura foi escrito para nosso ensinamento, a fim de termos esperança por meio da paciência e da coragem que nos vêm da mesma Escritura. – Romanos 15:4

Assim, talvez, depois de ler os três primeiros artigos desta série sobre as Escrituras Sagradas, tenha decidido começar a ler os documentos base das grandes religiões do mundo. Como foi isso?

Isto não é uma pergunta simples.

O acto de nos sentarmos e lermos estes livros sequencialmente, do princípio até ao fim, pode nem sempre funcionar para todos. Porquê? Porque são escritos em estilos com os quais talvez não estejamos habituados; porque a linguagem arcaica que usam pode inicialmente confundir-nos; porque as histórias complexas que contam podem confundir-nos; porque podem parecer vêm de outro tempo e outra época. À partida, ler as Escrituras Sagradas pode parecer um trabalho árduo, entre termos, nomes e conceitos desconhecidos. À partida, as Escrituras podem parecer opacas, onde é difícil perceber facilmente o seu significado. A princípio, ler as Escrituras sagradas todos os dias pode causar indigestão espiritual, como comer rapidamente muita comida rica muito.

Mas não deixe que isso o impeça de começar, uma vez que as Escrituras sagradas têm muito para oferecer:

O propósito de Deus ao criar o homem sempre foi, e sempre será, permitir-lhe conhecer o seu Criador e alcançar a Sua Presença. Deste propósito excelso, deste objectivo supremo, dão testemunho inequívoco todos os livros celestiais e todas as poderosas Escrituras divinamente reveladas. (Bahá’u’lláh, Gleanings, XXIX)

A mensagem dos profetas, as revelações das sagradas Escrituras não têm outro objetivo senão o conhecimento de Deus e a unidade da humanidade. (Bahá’u’lláh, citado por 'Abdu'l-Bahá, Star of the West, Volume 1, p. 5)

Ao começar, pode querer considerar estes quatro conselhos para a leitura das escrituras sagradas dos ensinamentos Bahá’ís. Em primeiro lugar, não tente ler demasiado rápido:

Não vos orgulheis da muita leitura dos versículos ou de uma infinidade de actos piedosos, de noite e de dia; pois se um homem lesse um único versículo com alegria e esplendor, seria melhor para ele do que ler com lassidão todos os Livros Sagrados de Deus, o Amparo no Perigo, o Subsiste por Si Próprio. Lede os versículos sagrados com tal medida que não sejais dominados pela languidez e pelo desânimo.

Não coloqueis sobre as vossas almas algo que as canse e oprima, mas sim aquilo que as ilumine e eleve, para que possam voar nas asas dos versículos Divinos em direcção ao Lugar de Alvorada dos Seus sinais manifestos; isso aproximá-la-á de Deus, se apenas o compreendêsseis. (Baha’u’llah, The Most Holy Book, pp. 73-74)

O primeiro requisito é o desejo intenso e o amor das almas santificadas pela leitura da Palavra de Deus. Ler um versículo, ou mesmo uma palavra, com espírito de alegria e de brilho, é preferível à leitura de muitos livros. (Baha’u’llah, The Most Holy Book, pp. 126-127)

Em segundo lugar, leia o significado interior das palavras, e não o seu significado exterior:

...em todas as eras, a leitura das Escrituras e dos livros sagrados, não tem outro propósito salvo permitir ao leitor perceber o seu significado e deslindar os seus mistérios mais profundos. De outra forma, a leitura sem compreensão não tem qualquer proveito duradouro para o homem. (Bahá'u'lláh, Kitab-i-Iqan, ¶185)

Não vos contenteis com palavras. Procurai compreender os significados das Escrituras ocultos no coração das palavras. É difícil compreender as palavras até de um filósofo; então, podeis ver como é difícil compreender a palavra de Deus. ('Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 7, pp. 147-148)

Em terceiro lugar, leia bastante e procure cuidadosamente temas e ensinamentos comuns – tente não concentrar toda a sua atenção num livro ou numa religião:

Lede o evangelho e os outros livros sagrados. Vereis que os seus fundamentos são os mesmos. (‘Abdu’l-Bahá, Foundations of World Unity, p. 50)

Pedistes para adquirir conhecimento: lede os Livros e as Epístolas de Deus, e os artigos escritos para demonstrar a verdade desta Fé. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, nº 160)

Em quarto lugar, tente compreender os livros sagrados com o coração e com a mente:

É fácil ler as Sagradas Escrituras, mas só com um coração limpo e uma mente pura se pode compreender o seu verdadeiro significado. Peçamos a ajuda de Deus para nos capacitar a compreender os Livros Sagrados. Rezemos para que os olhos vejam e os ouvidos ouçam , e pelos os corações que anseiam pela paz… O Espírito que respira através das Sagradas Escrituras é alimento para todos os que têm fome. Deus, que deu a revelação aos Seus Profetas, dará certamente o seu abundante pão de cada dia a todos aqueles que Lhe pedirem fielmente. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, pp. 57-58)

Quando começar a ler e a compreender as Escrituras sagradas, vai querer fazer disto uma prática para toda a vida.

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Texto original: 4 Guidelines for Reading the Sacred Books of All Faiths (www.bahaiteachings.org)


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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA

sábado, 1 de fevereiro de 2025

O Livro de Inspiração Celestial

Por David Langness.


Existe um Deus; a humanidade é uma só; os fundamentos da religião são um só. Vamos adorá-Lo e louvar todos os Seus grandes Profetas e Mensageiros que manifestaram o Seu esplendor e glória. (‘Abdu’l-Bahá, numa palestra proferida no City Temple de Londres, em 10 de Setembro de 1911, ‘Abdu’l-Bahá in London, p. 19)

Se percorrer uma rua antiga no centro de Londres chamada Holborn Viaduct, acabará por chegar ao imponente e ornamentado City Temple de Londres, uma das igrejas mais grandiosas e mais veneradas de toda a Cristandade. Construída em 1874, a sua congregação remonta aos dias da Reforma Protestante entre os Puritanos, no século XVI. Não muito longe do Museu de Londres e a poucos quarteirões do rio Tamisa, o City Temple é fácil de encontrar, com a sua torre imponente e a sua grandiosa arquitetura formal.

City Temple, Londres
Se entrar no City Temple e pedir delicadamente, poderá ter a hipótese de ver a Bíblia Antiga, propriedade da igreja e da sua congregação desde o início. Quando olhar para o interior da capa dessa Bíblia, verá uma inscrição em persa, escrita por ‘Abdu’l-Bahá a 10 de Setembro de 1911. Nesse dia, ‘Abdu’l-Bahá, recém-libertado de quarenta anos de prisão e exílio e recém-chegado a Londres, falou em público pela primeira vez para um grande público ocidental, a partir do púlpito do City Temple de Londres. A inscrição de ‘Abdu’l-Bahá na Bíblia Antiga do City Temple diz:

Este livro é o Livro Sagrado de Deus, de inspiração celestial. É a Bíblia da Salvação, o Nobre Evangelho. É o mistério do Reino e da sua luz. É a Generosidade Divina, o sinal da orientação de Deus. (‘Abdu’l-Baha in London, p. 17)

Os Bahá’ís vêem as Escrituras Sagradas de todas as religiões desta forma – como inspiração celestial, como o mistério e a luz do Reino, como “o sinal da orientação de Deus”.

É por isso que os ensinamentos Bahá’ís recomendam a leitura diária das Escrituras Sagradas:

Imergi-vos no oceano das Minhas palavras, para que possais desvendar os seus segredos e descobrir todas as pérolas de sabedoria que se escondem nas suas profundezas. (Bahá’u’lláh, Gleanings, LXX)

Recitai os versículos de Deus todas as manhãs e todas as noites. (Bahá’u’lláh, The Most Holy Book, p. 73.)

Entoa, ó Meu servo, os versículos de Deus que foram recebidos por ti, tal como entoados por aqueles que se aproximaram d’Ele, para que a doçura da tua melodia possa acender a tua própria alma e atrair os corações de todos os homens. Quem recitar, na privacidade dos seus aposentos, os versículos revelados por Deus, os anjos do Todo-Poderoso, dispersando-se, espalharão a fragrância das palavras proferidas pela sua boca e farão vibrar o coração de todo o homem justo. Embora, a princípio, possa permanecer inconsciente do seu efeito, ainda assim a virtude da graça que lhe foi concedida deverá, mais cedo ou mais tarde, exercer a sua influência sobre a sua alma. (Bahá’u’lláh, Gleanings, CXXXVI)

Se quiser ler as Escrituras Sagradas das grandes religiões, aqui fica uma breve lista para começar:

As Escrituras Sagradas Hindus: entre outros, leia os Upanishads, os Vedas e o Bhagavad Gita (que significa a Canção de Deus). Os Upanishads, muitas vezes chamados Vedanta, revelam os principais conceitos filosóficos da crença hindu, enquanto os quatro Vedas – o Rigveda, o Yajurveda, o Samaveda e o Atharveda – provêm de antigos sábios. O Bhagavad Gita, vulgarmente conhecido como Gita, faz na verdade parte de um poema épico antigo chamado Mahabharata. O Gita apresenta uma extensa conversa de 700 versículos num campo de batalha entre o Príncipe Arjuna e o seu guia espiritual Krishna – referido no Gita como Bhagavan (o Divino), e geralmente considerado o principal profeta do Hinduísmo.

As Escrituras Sagradas Judaicas: O Tanakh, ou Bíblia Hebraica (aquilo a que os Cristãos chamam o Antigo Testamento), é o livro sagrado central. É composto pela Torá (que significa Ensinamentos), composta pelos primeiros cinco livros de Moisés (Génesis, Êxodo, Levítico, Números e Deuteronómio); os Nevi’im (que significa Profetas), os capítulos da Bíblia Hebraica que começam com o Livro de Josué; e os Ketuvim (que significa Escrituras), os capítulos que começam com o Livro dos Salmos. Os 45 capítulos ou livros da Bíblia Hebraica ou do Tanakh descrevem a história, os ensinamentos espirituais e as leis do povo judeu antes da época de Cristo.

As Escrituras Sagradas Zoroastrianas
: a religião do Médio Oriente e da Pérsia do profeta Zoroastro possui vários livros sagrados centrais, geralmente reunidos sob o nome de Zend-Avesta, que inclui o Yasna e os Gathas.

As Escrituras Sagradas Budistas
: o livro sagrado Budista mais antigo e mais conhecido vem do Cânone Pali, da escola Theravada do Budismo, e é chamado Tipitaka, que significa Três Cestas: a Vinaya (Cesta da Disciplina), que trata das regras para monges e monjas budistas; o Sutta (Cesta dos Provérbios) composto por vários discursos, na sua maioria atribuídos a Buda, e também de alguns dos seus discípulos; e o Abhidhamma (resumos e listas metafísicas e filosóficas). No Budismo tibetano, o Kangyur de 108 volumes representa os ditos directos atribuídos a Buda.

As Escrituras Sagradas Cristãs: o Antigo Testamento ou Bíblia Hebraica do Judaísmo e o Novo Testamento do Cristianismo combinam-se para produzir a Bíblia Cristã. O Novo Testamento tem 27 livros e Epístolas, e conta a história da vida de Cristo, bem como os ensinamentos da Igreja e dos Apóstolos de Cristo. Embora possa encontrar os ensinamentos directos de Jesus Cristo em todo o Novo Testamento, os quatro livros chamados “Evangelhos” – Mateus, Marcos, Lucas e João – relatam a Sua vida e o Seu martírio.

As Escrituras Sagradas Islâmicas: O Alcorão (que significa literalmente a Recitação) é constituído por 114 capítulos, chamados suras. Os muçulmanos acreditam que o Alcorão, revelado por Deus a Muhammad, durante um período de 23 anos e compilado após a sua morte em 632 d.C., representa a orientação moral do Ser Supremo para a humanidade. O Islão aceita a validade dos livros sagrados abraâmicos anteriores (o Antigo e o Novo Testamento), tal como várias religiões mais recentes aceitam os ensinamentos das mais antigas.

As Escrituras Sagradas Bahá’ís: A Fé Bahá’í tem muitas Escrituras Sagradas, reveladas e escritas pessoalmente por Bahá’u’lláh, o Báb e ‘Abdu’l-Bahá. Incluem livros místicos como As Palavras Ocultas e os Sete Vales; livros de filosofia e religião como o Livro da Certeza; livros de leis e mandamentos, principalmente O Livro Sacratíssimo; inúmeras cartas, epístolas e até poesia mística. Bahá’u’lláh escreveu mais de 100 volumes – o que faz da Fé Bahá’í a única grande religião mundial com Escrituras Sagradas escritas directamente pelo seu fundador.

Estes livros de inspiração celestial – na verdade, são todos capítulos do mesmo livro – vão expandir a sua mente, o seu coração e a sua alma.

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Texto original: The Book of Celestial Inspiration (www.bahaiteachings.org)


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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA

sábado, 8 de janeiro de 2022

Bahá’u’lláh afirmou ser superior a outros Profetas?

Por Rodney Richards.


Lutar pelos nossos valores e pelo nome com que nos identificamos como crentes, leva-nos a um dos piores erros humanos: acreditar que a nossa religião é a melhor, a mais verdadeira, ou a única maneira de conhecer e amar a Deus.

Então, como podemos corrigir este erro humano básico, que inevitavelmente leva a equívocos, conflitos religiosos e falsas comparações? Os ensinamentos Bahá’ís pedem-nos que libertemos conscientemente as nossas mentes e corações dos nossos preconceitos religiosos, e tratemos todas as pessoas com amor e bondade. Então, vamos esclarecer alguns equívocos comuns sobre a Fé Bahá’í:
  • que Bahá’u’lláh afirmou ser o mensageiro "supremo" de Deus para esta era;
  • que os ensinamentos de Bahá’u’lláh "substituem" os dos profetas e mensageiros anteriores, incluindo Muhammad, Cristo, Moisés, Buda e outros;
  • que os Bahá'ís acreditam que os ensinamentos desses profetas passados estão "desactualizados" e, portanto, não devem ser seguidos.
Essas interpretações incorrectas provocam atrito e confusão nas mentes das pessoas que tentam entender a mensagem de Bahá’u’lláh - e a mensagem dos profetas anteriores. Em primeiro lugar, sejamos claros: as escrituras Bahá’ís dizem claramente que os principais ensinamentos espirituais de todos os professores divinos são os mesmos, assim como sua fonte:

A Realidade das Religiões divinas é uma única, pois a Realidade é una e não pode ser dupla. Todos os Profetas estão unidos nas Suas mensagens, e inabaláveis. Eles são como o sol; nas diferentes estações, Eles aparecem em diferentes locais de alvorecer no horizonte. Por isso, cada Profeta passado deu as boas-novas sobre o futuro, e cada futuro aceitou o passado. (‘Abdu’l-Bahá, ‘Abdu’l-Bahá in London, p. 29)

Para lá da comparação e da distinção, os Bahá’ís acreditam que a missão básica de todas as religiões é sempre a mesma: regenerar os corações e as almas de cada ser humano no planeta. Os fundadores e profetas destas religiões surgiram em diferentes momentos da história e do desenvolvimento da humanidade para dar a necessária a orientação espiritual e social. Os meios e as palavras que Eles escolheram podem ter sido diferentes - mas todos Eles chamaram o povo para Deus, não para Eles próprios. Eles foram os primeiros a jurar obediência ao Criador e a renunciar a qualquer obediência a Si próprios acima da obediência a Deus.

Todos os mensageiros de Deus transmitiram verdades espirituais ao longo das suas vidas e ensinamentos. Todos Eles declararam que o Deus único é a fonte do Seu ser e inspiração. Eles reflectiram a beleza do Criador, agindo como espelhos perfeitos, reflectindo e transmitindo a luz divina para toda a humanidade. Esta é a Sua única realidade, a Sua condição comum.

Precisamos apenas de ler as Escrituras de todos os professores divinos para ver a Sua perfeita concordância. Por exemplo, Cristo disse: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua mente” (Mateus 22:37). De igual modo, Muhammad disse: "Nenhuma divindade, salvo Deus" (Alcorão 6: 106). Bahá’u’lláh repetiu estas palavras quando escreveu:

O que é digno de vós é o amor de Deus e o amor d'Aquele que é o Manifestante da Sua Essência, e a observação de qualquer coisa que Ele vos prescrever - se apenas o soubésseis. (Gleanings, CXXXIX)

Por outras palavras, o amor de Deus está no âmago da vida e do propósito dos seres humanos - e no âmago de cada religião.

Outro exemplo dessa continuidade e unidade – a Regra de Ouro – mostra que todos os mensageiros divinos nos ensinam a tratar os outros com igual amor e respeito. Na Bíblia, Cristo nos lembra de "Amarás o teu próximo como a ti mesmo" (Mateus 22:39). No Alcorão, Muhammad adverte: "Paguem, ó filhos de Adão, como vocês gostariam de ser justos e sejam exatamente como gostariam de ter justiça!" (83: 1-6). Da mesma forma, Bahá’u’lláh advertiu: "Acautelai-vos para não vos preferires a vós próprios acima dos vossos próximos." (Gleanings, CXLVI).

Em determinados momentos da história humana, estes mensageiros de Deus actuaram como uma balança infalível, o caminho e a verdade, a fonte de luz e sabedoria para a qual todos se podiam voltar. Cada Mensageiro também alterou, manteve ou revogou as leis sociais das religiões anteriores. Isso é natural e necessário, porque a humanidade e as nossas condições sociais mudam com o tempo, assim como a nossa capacidade de resposta à mensagem de Deus. No entanto, as autoridades religiosas existentes lutaram contra essas mudanças e caluniaram, torturaram ou mataram os novos Mensageiros, provocando consternação, confusão e conflitos incalculáveis até hoje.

Apesar das tentativas de oposição ao seu progresso, as grandes religiões persistem. A prova da divindade de um Mensageiro está nos Seus frutos, na compaixão amorosa e nos novos sistemas de justiça e governação promulgados pelos Seus seguidores. Eles e os Seus seguidores podem ser condenados à morte, mas o que a humanidade não percebe totalmente é que Deus tem um plano - uma sequência contínua de Mensageiros, cada um trazendo novos ensinamentos para revitalizar e despertar a humanidade. Os Seus ensinamentos afirmam e aperfeiçoam os preceitos do Mensageiro anterior. O facto de Eles parecerem estar em contradição entre si revela apenas a nossa compreensão limitada e má interpretação das Suas missões.

Então, qual é a posição de Bahá’u’lláh, que os Bahá’ís reverenciam como o mais recente de uma longa linha de profetas e mensageiros? De acordo com a Casa Universal de Justiça, Bahá’u’lláh é "o Prometido de todas as eras", "o Alvorecer do Dia de Deus, o Dia em que os mais excelentes favores de Deus foram derramados sobre os homens.” (A Casa Universal de Justiça, Carta aos Bahá’ís do Mundo, abril de 1992)

Os ensinamentos Bahá’ís afirmam que a posição de Bahá’u’lláh culmina e completa todas as revelações religiosas do passado. Mas Bahá'u'lláh também inaugurou um novo ciclo de revelação, que não termina com o Seu aparecimento. Os ensinamentos Bahá’ís dizem que este processo de revelação progressiva continuará enquanto a espécie humana existir - e que a humanidade continuará a receber a mensagem de Deus:

Bahá'u'lláh delineou o círculo da unidade; Ele fez um plano para a união de todos os povos e para a reunião de todos sob a proteção da tenda da unidade universal. Esta é a obra da Generosidade Divina e todos nós devemos esforçar-nos, de corpo e alma, até que tenhamos a realidade da unidade entre nós e, assim trabalhando, a força ser-nos-á concedida. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, p. 55.)

Tal como os Seus antecessores divinos, Bahá’u’lláh chama os seres humanos à sua mais alta expressão de nobreza e unidade com seus semelhantes. A Sua posição e ensinamentos distintos inauguram uma nova era de paz e justiça global. “Construir de novo todo o mundo” é a declaração e o desafio da missão de Bahá’u’lláh.

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Texto original: Did Baha’u’llah Claim to Be Greater than Other Prophets? (www.bahaiteachings.org)


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Rodney Richards é escritor técnico de profissão e trabalhou durante 39 anos para o Governo Estadual de New Jersey. Reformou-se em 2009 e dedicou-se à escrita (prosa e poesia), tendo publicado o seu primeiro livro de memórias Episodes: A poetic memoir. É casado, orgulha-se dos seus filhos adultos, e permanece um elemento activo na sua comunidade.

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Ridvan e Páscoa

Por Preethi.


Este ano, a celebração da Páscoa coincide com o Ridvan. O que é que a Páscoa tem a ver com o Ridvan, poderíamos perguntar. Na verdade, à primeira vista, parece não haver qualquer ligação entre estas duas celebrações. Mas ao longo dos últimos dias, dei por mim a ler sobre a perspectiva Bahá’í referente aos eventos que os Cristãos celebram durante a Páscoa, e percebi que se retirarmos as tradições e rituais que se tornaram sinónimos de Páscoa, então o verdadeiro significado da Páscoa está muito próximo do significado do Ridvan.

Para os Cristãos, a Páscoa celebra a ressurreição de Jesus três dias após a Sua crucificação na Sexta-Feira Santa. Como fui criada numa família Cristã, lembro-me de ler histórias da Bíblia que falavam da profunda dor e perda que os discípulos sentiram após a Sua crucificação. Uma das minhas histórias favoritas é sobre Maria Madalena, que estava a chorar em frente ao túmulo vazio de Jesus.

11 E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro.
12 E viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
13 E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.
14 E, tendo dito isto, voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus.
15 Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.
16 Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni (que quer dizer, Mestre).
17 Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai: mas vai para os meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.
18 Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor, e que ele lhe dissera isto.
(Jo 20:11-18)

Nós, Bahá’ís, entendemos a história da ressurreição como uma alegoria espiritual e não uma verdade literal. ‘Abdu’l-Bahá explica o significado da história bíblica no livro “Respostas a Algumas Perguntas”:

... Após o martírio de Cristo, os Apóstolos ficaram perplexos e assustados. A realidade de Cristo, que consiste nos Seus ensinamentos, nas Suas bênçãos, nas Suas perfeições e no Seu poder espiritual, ficou oculta e desapareceu durante dois ou três dias após o Seu martírio, e não teve aparecimento ou manifestação externa - de facto, era como se estivesse totalmente perdida. Pois aqueles que verdadeiramente acreditavam eram poucos em número, e mesmo esses estavam perplexos e assustados. A Causa de Cristo era, pois, como um corpo sem vida. Após três dias, os Apóstolos tornaram-se firmes e decididos, levantaram-se para ajudar a Causa de Cristo, resolveram promover os ensinamentos divinos e praticar os conselhos do seu Senhor, e esforçaram-se por servi-Lo. Então a realidade de Cristo tornou-se resplandecente, a Sua graça brilhou, a Sua religião encontrou uma nova vida, e os Seus ensinamentos e conselhos tornaram-se manifestos e visíveis. Por outras palavras, a Causa de Cristo, que era como um corpo sem vida, despertou para a vida e ficou rodeada pela graça do Espírito Santo. (‘Abdu’l-Bahá, Some Answered Questions, newlyrevised edition, pp. 117)

Não é difícil imaginar a dor que os primeiros seguidores dos Manifestantes de Deus devem ter sentido quando testemunharam o sofrimento infligida a esses Mensageiros Divinos. Em cada Dispensação, temos histórias sobre como estes seguidores se sentiram quando se separaram do Manifestante, e não sabiam o que fazer. Isto não foi diferente no tempo de Bahá’u’lláh.

Após o martírio do Báb e a perseguição contra a comunidade Bábi, o exílio de Bahá’u’lláh – que era visto pelos Bábis como o líder da sua comunidade – entristeceu e perturbou profundamente os Bábis. Tal como os discípulos de Cristo após a crucificação, devem ter considerado todos aqueles acontecimentos como um golpe fatal na sua Causa e ficaram sem saber o que fazer.

No entanto, no jardim de Ridvan – tal como três dia após a crucificação de Jesus – a dor que os Babis devem ter sentido ao despedirem-se de Bahá’u’lláh deve-se ter transformado em alegria inimaginável ao saberem que Bahá’u’lláh tinha anunciado ser “Aquele que Deus tornará manifesto”.

A Páscoa, tal como o Ridvan, é, portanto, uma celebração do triunfo da Causa divina - onde a dor é transformada em alegria e a perseguição em vitória. E agora que iniciamos a celebração dos 12 dias do Festival de Ridvan, desejamos uma Páscoa feliz a todos os nossos amigos Cristãos!

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Texto original: Ridvan and Easter (www.bahaiblog.net)

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Na sua vida profissional, Preethi tem-se envolvido em áreas como a educação, o desenvolvimento comunitário e o direito. No entanto, no seu coração, ela é uma criança que vê o mundo como um enorme parque de brincadeiras. Actualmente está a desenvolver um projecto educativo para levar histórias e culturas do mundo aos jovens, com recursos no One Story Classroom.

sábado, 24 de março de 2018

Uma Aliança eterna com Deus

Por David Langness.


Em todas as religiões, Deus faz uma promessa à humanidade.

Quando, no Antigo Testamento, Deus fala a Moisés, essa promessa explícita tem a seguinte forma:
E agora, se escutardes bem a minha voz e guardardes a minha aliança, sereis para mim uma propriedade particular entre todos os povos, porque é minha a terra inteira. Vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa. Estas são as palavras que transmitirás aos filhos de Israel. (Êxodo, 19: 5-6)
Designada como Aliança Mosaica, Deus deu a Moisés os Dez Mandamentos e, por Seu lado, exigiu que as pessoas concordassem em adorar um único Criador e obedecessem àquelas leis morais. No Novo Testamento da Bíblia, surge um pacto semelhante entre Deus e a humanidade, a que os Cristãos chamam Nova Aliança:
Se, na verdade, a primeira fosse perfeita, não haveria lugar para a segunda. De facto, censurando-os, diz: Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que farei com a casa de Israel e com a casa de Judá uma aliança nova, não como a aliança que fiz com os seus pais no dia em que os tomei pela mão, para os fazer sair do Egipto; porque eles não permaneceram na minha aliança, também Eu me desinteressei deles - diz o Senhor. Esta é a aliança que estabelecerei com a casa de Israel, depois daqueles dias. Diz o Senhor: Porei as minhas leis na sua mente e as imprimirei nos seus corações; serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Ninguém ensinará o seu próximo nem o seu irmão, dizendo: ‘Conhece o Senhor’; porque todos me conhecerão, do mais pequeno ao maior, pois perdoarei as suas iniquidades e não mais me lembrarei dos seus pecados. Ao falar de uma aliança nova, Deus declara antiquada a primeira; ora, o que se torna antiquado e envelhece está prestes a desaparecer. (Hebreus 8:7-13)
Podemos encontrar a visão Cristã elementar da Nova Aliança no Evangelho de João; Jesus Cristo inicia esse pacto na Última Ceia, dando um novo mandamento - "o décimo primeiro":
Dou-vos um novo mandamento: que vos ameis uns aos outros; que vos ameis uns aos outros assim como Eu vos amei. Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros. (João 13:34-35)
No Islão, o conceito de aliança aparece novamente, distinguindo a fé da hipocrisia e pedindo aos fiéis que mantenham as suas promessas de cumprir os mandamentos de Deus:
Em verdade, Deus pede-vos que façam justiça e bem, e dêem aos familiares (o que é devido), e Ele proíbo-vos de pecar, fazer o mal e de oprimir; Ele adverte-vos para que possais estar atentos!

Obedecei à aliança de Deus com que vos comprometeste, e não quebreis os vossos juramentos depois de os afirmar, porque assim tereis a Deus como vossa garantia; em verdade, Deus sabe o que fazeis. (Alcorão 16:90-91)
Os ensinamentos Bahá’ís levam o conceito de aliança ainda mais longe, associando-a directamente ao alcançar de uma existência eterna:
Hoje, o poder vibrante nas artérias do corpo do mundo é o espírito da Aliança - o espírito que é a causa da vida. Quem for vivificado com este espírito, manifestará a frescura e a beleza da vida, estará baptizado com o Espírito Santo, nascerá de novo, estará libertado da opressão e da tirania, da negligência e da dureza que enfraquece o espírito, e alcançará vida eterna. Louvado seja Deus, pois estás firme na Aliança e no Testamento, e volves o teu rosto para o Luminar do mundo, Sua Alteza, Bahá’u’lláh. ('Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 6, pp. 263-264)
Os Bahá'ís acreditam que existe - e sempre existiu - apenas uma Aliança eterna. Todos os profetas de Deus renovam essa Aliança permanente de maneira diferente, mas todos se ligam numa corrente progressiva de revelações sucessivas. Para distinguir as diferentes versões dessa Aliança, designamo-las como aliança de Abraão, a aliança de Moisés, a nova aliança de Cristo ou a aliança de Maomé; mas, na realidade, Deus apresenta-nos a mesma aliança em cada nova dispensação religiosa. Ele promete nunca deixar a Sua criação sem a Sua sabedoria e orientação.

Conhecemos esta aliança permanente por muitos nomes. No Génesis, a história de Adão e Eva e o Jardim do Éden descreve a história da aliança, tal como a narrativa de Noé e o Dilúvio. A Arca de Noé representa a aliança, e a aliança de Noé com Deus - que inclui uma promessa de nunca mais destruir toda a vida na Terra - usa um arco-íris como símbolo desse acordo eterno. No Cristianismo, Jesus fez uma aliança com os Seus seguidores para se dirigirem para Pedro, "a rocha" base da Sua igreja. No Islão, a famosa narrativa de Fama-Gadeer ordena aos seguidores de Maomé para se dirigirem ao seu sucessor Ali. Na Fé Bahá'í, a aliança de Bahá’u’lláh - que promete uma revelação posterior, e nomeia ‘Abdu’l-Bahá como intérprete autorizado e exemplo dos Seus ensinamentos - pede a cada crente que se dirija fielmente a esse Centro da Aliança para orientação e inspiração.

Visto nesta perspectiva contínua e perpétua, os ensinamentos Bahá’ís dizem-nos que a nossa actual aliança com Deus representa a fonte inspiradora e espiritual de progresso e ordem no mundo:
A Aliança é um Orbe que brilha e resplandece para o universo. Em verdade, as suas luzes dissiparão a escuridão, o seu mar lançará a espuma da dúvida sobre as praias da perdição. Em verdade, nada no mundo pode resistir ao poder do Reino. Se toda a humanidade se unisse, poderia impedir que o sol desse a sua luz, que os ventos soprassem, que as nuvens dessem chuva, que as montanhas fossem firmes ou que as estrelas brilhassem? Não! Pelo Senhor, o Clemente. Tudo (no mundo) está sujeito à corrupção, mas a Aliança do teu Senhor continuará a permear todas as regiões. (‘Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 3, p. 170)

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Texto original: One Continuous Covenant with God (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 4 de março de 2017

Pode alguma Religião ter o Exclusivo da Verdade?

Por David Langness.


Muitas e diversificadas instituições religiosas afirmam ter acesso exclusivo à verdade - como podem estar todas certas?

Quando eu era criança - cresci numa denominação protestante que proclamava a sua verdade cristã exclusiva - fiz essa mesma pergunta. Quando o meu ministro Luterano disse que somente os Luteranos possuíam o verdadeiro e autêntico entendimento de Cristo e um amigo meu católico me disse que o padre lhe tinha dito exactamente a mesma coisa sobre a Igreja Católica, isso deixou-me ainda mais confuso. Então, perguntei ao meu ministro: "Porque é que a nossa religião diz que está certa e todas as outras religiões estão erradas?" Eu apenas não conseguia entender como aquilo podia fazer algum sentido.

O meu ministro levou-me para um local à parte e contou-me uma história longa e complicada sobre o papado e a corrupção da Igreja na Idade Média e o seu afastamento dos verdadeiros ensinamentos de Cristo e do aparecimento de Martinho Lutero; percebi algumas coisas mas não percebi a maioria do que ele disse (eu só tinha 8 anos!) Basicamente, entendi a essência do seu argumento: "Nós estamos certos e os outros estão todos errados." Isso não parecia possível; mas, sendo criança, esforcei-me para tentar aceitar isso.

Quando voltei a encontrar o meu amigo católico, contei-lhe o que o meu ministro tinha dito. Escusado será dizer que ele não aceitou muito bem. Na verdade, ele tentou bater-me e deixamos de ser amigos naquele dia.

Sem o saber, naquela tenra idade, eu tinha tropeçado na raiz causadora da maioria de desavenças, conflitos e guerras religiosas: as pretensões ao exclusivismo da verdade. À medida que crescia, comecei a ver esse mesmo exclusivismo a manifestar-se em todos os tipos de fronteiras religiosas e entre quase todas as seitas, denominações e religiões que eu encontrava. Isso levou-me a antipatizar activamente com a religião, porque via como aquelas pretensões de verdade exclusiva criavam divisões entre as pessoas e hostilidades entre elas.

Depois, quando era adolescente, decidi ver se conseguia encontrar uma fé que não tivesse pretensões ao exclusivismo da verdade. Perguntei-me se existiria um tal sistema de crenças, mas estava determinado a procurar.

Gastei um pouco de tempo e energia a investigar o Budismo Zen, o Hinduísmo e muitas outras religiões orientais. Pareciam ter maior compreensão e tolerância para com outras religiões, mas quando chegava ao fundo da questão até mesmo os budistas e hindus reivindicavam alguma exclusividade. "Se alguém não segue o Caminho Óctuplo de Buda", disse-me um amigo budista, "ele irá repetir o ciclo de sofrimento infinitamente."

Foquei-me no Judaísmo e conheci almas maravilhosas; mas aquele ensinamento do "povo eleito de Deus" parecia bastante exclusivista. Estudei o Islão, mas as mesquitas que visitei também me pareceram exclusivistas, especialmente com a sua ênfase no "povo do livro", o que significava que o Islão só reconhecia as religiões abraâmicas.

Depois, procurei algumas igrejas cristãs mais liberais, como os Unitários-Universalistas, e descobri que a maioria delas não tinha pretensões de exclusividade. Isso parecia promissor. A maioria dos Unitaristas que conheci tinha uma compreensão ampla e ecuménica da fé; mas as igrejas que eu frequentava também pareciam aceitar qualquer coisa que alguém quisesse acreditar, e isso também não me pareceu satisfatório. Eu queria uma religião verdadeira.

Também percebi gradualmente que muitas dessas denominações não tinham muita diversidade. Elas pareciam atrair os mesmos tipos e classes de pessoas, o que me frustrava - eu queria encontrar uma Fé que recebesse toda a gente, que não tivesse reivindicações exclusivas, nem políticas exclusivas de adesão.

Assim, após vários anos nessa busca contínua pela inclusão, decidi que iria praticar as minhas próprias crenças pessoais como eu achasse conveniente, aceitando os belos ensinamentos espirituais de todas as tradições que eu tinha encontrado e rejeitando aqueles que não gostava. Por fim, esse caminho também não me satisfazia muito, porque não oferecia nenhuma comunidade, nenhum encontro, nenhuma unidade. Descobri que nós, seres humanos, podemos ter as nossas próprias crenças individuais; mas a menos que possamos reunir-nos em grupo, essas religiões solitárias e individuais jamais poderiam realizar muito ou inspirar muito.

Entretanto, enquanto estudava e tentava entender todas essas tradições, algo surgiu gradualmente em mim. As afirmações de verdade de todas essas diferentes religiões, conforme as examinei de perto, revelaram-se pequenas variações de verdades maiores e mais universais. Quanto mais olhava, mais encontrava semelhanças e paralelismos entre todas as tradições de fé. Parecia haver um conjunto comum de princípios e um fio comum de verdade espiritual em cada uma das religiões que eu tinha investigado. Claro, que as suas práticas e rituais diferiram, mas no seu núcleo encontrei algumas das mesmas verdades. Rapidamente, percebi que essa percepção não era apenas minha, e que muitas pessoas já a tinham descoberto. Chamava-se perenialismo: reconhece a comunhão e a convergência de todos os verdadeiros ensinamentos espirituais e tradições.

Nesse momento encontrei a Fé Baha'i, e descobri o que procurava:
... "Há tantos caminhos para Deus quanto o número de Suas criaturas!"

Um professor deve conhecer estas estradas e esforçar-se para entrar em contacto compreensivo com os peregrinos cansados que se esforçam ao longo de cada estrada, e pouco a pouco ensinar-lhes que aquilo a que eles chamam estrada não é uma estrada, mas um caminho duro e inexplorado que conduz às selvas, aos desertos e aos precipícios. Quando estiverem preparados, ele poderá então gritar em voz alta: "Ó homens! Apareceu a Estrada do Senhor dos Exércitos. A Grande Avenida do Reino de Deus está pavimentada. Vejam! Observem!"

Há muitas pessoas que abandonaram os seus caminhos e estão a caminhar ao longo desta Via Celestial.

Vocês não os vêem? Não estão a aprender com o exemplo deles? Abram os olhos! Vejam! Vejam! Quantas comitivas de pessoas de tantas nacionalidades se aglomeram no Caminho Dourado do Reino!

Eles marcham sem parar, e a cada passo aproximam-se do objectivo. O seu caminho está cheio de lírios de amor e os jacintos de afecto... e nos seus lábios há cânticos de acção de graças e os hinos de glorificação. Escutem! Escutem! Agora eles estão a cantar suavemente, murmuram harmoniosamente e em breve vão erguer as suas vozes, entusiasmadas e inspiradas com regozijo e felicidade. Não será melhor para ti, meu irmão, minha irmã, abandonar esse teu cominho estreito onde crescem espinhos de dogmas e ervas daninhas de crenças, e caminhar sobre este Caminho largo e brilhantemente iluminado do Reino? Aqui desfrutareis a companhia de homens e mulheres espirituais que deram tudo para servir o seu Deus e o mundo da humanidade. Este momento de ouro está a terminar; esta oportunidade divina está a passar. Aproveitem! (‘Abdu'l-Bahá, Star of the West, Volume 4, p. 141)
Soube que a Fé Bahá'í não reivindica exclusividade. Em vez disso, ensina que todas as religiões vêm da mesma fonte e reflectem as mesmas verdades espirituais essenciais. Tinha encontrado o meu lar.

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Texto original: Can Any Religion Claim the Exclusive Truth? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.