sábado, 4 de julho de 2026

A Essência de Todos os Profetas: Uma Só e a Mesma

Por David Langness.


Se os fundadores e os profetas das grandes religiões do mundo são os primeiros mestres da raça humana, como é que conciliamos os seus ensinamentos aparentemente divergentes?

Pensadores, filósofos, teólogos, especialistas em ética e milhares de milhões de buscadores espirituais têm-se debatido com esta questão fundamental desde o início da história. Será que Deus nos enviou uma série de mensagens contraditórias apenas para que se enfrentassem aqui na Terra? Ou será que existe um fio condutor comum a todas as grandes religiões?

A maioria dos filósofos e teólogos contemporâneos vê o tema da fé como tendo dois polos opostos: o sincretismo ou o fundamentalismo. Sincretismo significa a combinação artificial de diferentes religiões; enquanto o fundamentalismo se refere à ideia de que apenas uma religião possui validade. De um ponto de vista moderno e sincrético, muitas religiões têm ensinamentos semelhantes, pelo que, para muitas pessoas, faz sentido misturar, fundir ou assimilar as suas práticas e crenças. De um ponto de vista tradicional e fundamentalista, porém, nenhuma fé possui verdade absoluta - excepto a religião ou seita específica do fundamentalista, que reivindica a exclusividade da verdade, permitindo apenas uma interpretação literal das escrituras.

Os ensinamentos Bahá’ís rejeitam ambas as abordagens, especialmente o dogma e o fanatismo associados ao fundamentalismo:

Este é também o ciclo da maturidade e da reforma na religião. As imitações dogmáticas de crenças ancestrais estão a desaparecer. Foram o eixo em torno do qual a religião girava, mas agora já não são frutíferas; pelo contrário, actualmente tornaram-se a causa da degradação e do declínio humanos. O fanatismo e a adesão dogmática a crenças antigas tornaram-se a fonte central e fundamental da animosidade entre os homens, o obstáculo ao progresso humano, a causa das guerras e dos conflitos, o destruidor da paz, da serenidade e do bem-estar no mundo. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 439)

Os ensinamentos Bahá’ís afirmam que o sincretismo artificial e imposto externamente, em última instância, deve ceder o lugar à consciência da verdadeira unidade e unicidade subjacentes a todas as verdadeiras religiões:

… Os Bahá’ís vêem na luta das diversas religiões para se aproximarem uma resposta à Vontade Divina para uma raça humana que está a entrar na sua maturidade colectiva… O diálogo inter-religioso, se quiser contribuir de forma significativa para a cura dos males que afligem uma humanidade desesperada, deve agora abordar honestamente e sem mais evasivas as implicações da verdade fundamental que deu origem ao movimento: que Deus é um e que, para além de toda a diversidade de expressão cultural e interpretação humana, a religião também é uma só. (The Universal House of Justice, April 2002, To the World’s Religious Leaders, p. 6)

Assim, os Bahá’ís acreditam que os profetas e fundadores das religiões do mundo trouxeram a mesma mensagem essencial:

Sabe com certeza que a essência de todos os Profetas de Deus é uma só e a mesma. A sua unidade é absoluta. Deus, o Criador, diz: Não há distinção alguma entre os Portadores da Minha Mensagem. Todos eles têm um só propósito; o seu segredo é o mesmo segredo. Preferir um em detrimento de outro, exaltar alguns acima dos outros, não é de modo algum permitido. Todo o verdadeiro Profeta considerou a Sua Mensagem como fundamentalmente a mesma que a Revelação de todos os outros Profetas que o precederam. (Baha’u’llah, Gleanings, XXXIV)

Se olharmos para além da “expressão cultural e da interpretação humana” da religião, como a Casa Universal de Justiça exorta todos a fazer, podemos começar a ver a verdade mais profunda e central da Fé:

A verdade é uma só em todas as religiões, e através dela pode-se alcançar a unidade do mundo.

Todos os povos têm uma crença fundamental em comum: sendo uma só, a verdade não pode ser dividida, e as diferenças que parecem existir entre as nações resultam apenas do seu apego ao preconceito. Se os homens procurassem a verdade, encontrariam a união. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, p. 129)

Os Bahá’ís acreditam que as ideias e práticas divergentes que vemos nas diferentes religiões derivam da interpretação humana, gradualmente acrescentada aos ensinamentos originais dos mensageiros de Deus ao longo do tempo. Inicialmente puras e claras, estas mensagens — amor ao próximo, bondade, compaixão, humildade e um profundo reconhecimento do divino — estão presentes em todos os sistemas de crença legítimos. Mas, com o passar do tempo e a tomada de controlo pela interpretação humana, os ensinamentos Bahá’ís afirmam que a religião tende a degradar-se e a declinar.

Infelizmente, a humanidade está completamente imersa em imitações e irrealidades, apesar de a verdade da religião divina se manter sempre a mesma. As superstições obscureceram a realidade fundamental, o mundo está envolto em trevas e a luz da religião não se manifesta. Estas trevas propiciam a diferenças e dissensões; rituais e dogmas são muitos e variados; surgiu, portanto, a discórdia entre os sistemas religiosos, quando a religião deveria ser a unificação da humanidade. A verdadeira religião é a fonte do amor e da harmonia entre os homens, a causa do desenvolvimento de qualidades louváveis, mas as pessoas agarram-se à falsificação e à imitação, negligenciando a realidade que unifica, e assim ficam privadas do brilho da religião. Seguem superstições herdadas dos seus pais e antepassados. A tal ponto isso prevaleceu que afastaram a luz celestial da verdade divina e permanecem na escuridão das imitações e imaginações. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 179)

O único remédio para esse declínio - a renovação da religião - ocorre quando surge um novo mensageiro que ensina uma nova fé.

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Texto original: The Essence of All Prophets: One and the Same (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

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