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quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

O Deus Espírito Puro

Algumas das notas breves, sob o título "O Deus Espírito Puro", de José Luis Cortés, no seu livro Um Deus chamado Abba.
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  • Se o Deus dos fanáticos tinha o perigo de voltar-se contra todos os outros, o dos privilegiados de encerrá-lo num hotel de cinco estrelas, o espiritual tem o perigo de levar a religião para um campo de sonhos e visões totalmente fictício e que pouco tem a ver com a nossa vida real. Deus não pode ser nunca um fuga para o transcendente, porque na nossa vida o transcendente está dentro de nós próprios (assim como os rins). Mandar Deus para fora do mundo, do Universo que conhecemos, para o Céu, é tão infantil como fechá-lo num amuleto ou pendurá-lo ao peito
  • Quem se deleita com uma imagem de Deus como espírito puríssimo, provavelmente não resolveu muito bem a sua própria relação com o corpo e com a matéria.
  • Tudo o que leve à negligência no esforço para harmonizar a complexidade da realidade, à simplificação do "só espírito", afasta-nos de Deus.

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

O Deus/não-Deus dos Ateus

Algumas das notas breves, sob o título "O Deus/não-Deus dos Ateus", de José Luis Cortés, no seu livro Um Deus chamado Abba.
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  • Ser ateu praticante é tão desconcertante como ser crente à risca. Há muito fundamentalismo ateu.

  • Muitos, ao declararem-se ateus estão a reivindicar a autonomia do homem. Como se o Deus verdadeiro ameaçasse essa autonomia!

  • Um ateu não pode contentar-se com criticar as imagens criticáveis de Deus dos crentes. Isso é demasiado fácil.

  • Estatisticamente, há mais ateus entre os "crentes" do que entre os os ateus declarados.

  • Qual é a imagem de Deus que rejeitas, ateu? Vamos, faz um esforço para defini-lo e veremos se esse é o meu Deus.

  • Se ser crente não te dá alegria... não serás ateu?
  • terça-feira, 3 de outubro de 2006

    O Deus dos Criptoteólogos

    Algumas das notas breves, sob o título "O Deus dos Criptoteólogos", de José Luis Cortés, no seu livro Um Deus chamado Abba.
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    • Existe no Antigo Testamento um Deus que convida urgentemente a repensar o que entendemos por Escritura revelada. Eu creio que Deus revela mais a reflexão sobre a Escritura, do que a Escritura em si, ligada a uma época e a uma linguagem determinadas.
    • "O temor a Deus é o princípio da sabedoria". Que sabedoria de principiantes aquela que se fica pelo temor!
    • Se o que te leva a não pecar é o temor a Deus, mais cedo ou mais tarde, arrepender-te-ás de não ter pecado.
    • Deus não existe para nos castigar, porque Ele não existe em função de cada um de nós. O nosso juízo final tem lugar a cada dia, a cada minuto, a cada acção nossa, a cada omissão.
    • A palavra "Deus" é uma palavra velha e desgastada, cheia de preconceitos; mas também continuamos a chamar "amor" a algo que, no fundo, é inominável.
    • Dedicar-se profissionalmente à teologia, é como dedicar-se profissionalmente a respirar.

    quinta-feira, 28 de setembro de 2006

    O Reino dos Céus... e a informática!



    Desenho de José Luis Cortés, autor do livro Um Deus chamado Abba


    Levando mais longe esta analogia, poderiamos falar das pessoas que têm horror a computadores, dos que têm tendência cometer todos os tipos de erro com diversos programas de computador, dos que insistem em manter-se agarrados a antigas versões de software (conheço uma pessoa que ainda usa Windows 3.1 e orgulha-se disso!)... E no lado contrário há os obcecados: eternos fanáticos das versões mais recentes, beta-testers ansiosos, gente que conhece todos os truques e manhas para resolver qualquer problema de hardware ou software (geralmente são uns chatos que só sabem falar de informática).

    sexta-feira, 4 de agosto de 2006

    O Deus dos Privilegiados

    Algumas das notas breves, sob o título "O Deus dos Privilegiados", de José Luis Cortés, no seu livro Um Deus chamado Abba.
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  • Que imagem de Deus podem ter aqueles que, em nome de Deus, abusam da sua força (sejam as vítimas camponeses, bispos ou prisioneiros)?

  • Esta imagem do Deus aristocrata que está do lado dos ricos e dos poderosos é, de todas as falsas imagens de Deus, a que mais indigna aqueles que procuram Deus com o coração despojado. É a que mais urgentemente incita à revolta, abençoada ou não abençoada.

  • Deus não está com os ricos, mas também não está com os pobres. Menos ainda se no conceito de pobre entra o rancor, a ânsia de possuir o que não se tem, o egoísmo indiferente que existe entre muitos pobres

  • Pobres dos que se sentem eleitos de Deus! Pobres dos que crêem que os seus males são uma prova do Senhor!

  • Atenção profetas sociais: saber descobrir o bem pode ter tanto ou mais mérito que denunciar o mal.

  • De qualquer maneira, Deus deve-nos uma explicação em relação a alguns casos verdadeiramente intoleráveis de dor humana.
  • quinta-feira, 27 de julho de 2006

    O Deus dos Fanáticos

    Algumas das notas breves, sob o título "O Deus dos Fanáticos", de José Luis Cortés, no seu livro Um Deus chamado Abba.
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  • Note-se que nenhum fanático se considera a si como fanático: dir-se-á devoto, crente, observante... muito devoto, muito crente, muito observante.


  • O Deus dos fanáticos não se serve desenvolvendo todas as potencialidades (intelectuais, afectivas, sociais,...) que Deus deu ao homem, mas antes reprimindo-as.


  • O fanatismo impede que as pessoas creiam de verdade, porque as impede, sob pena de excomunhão, de duvidarem, de experimentarem, de se enganarem.


  • O fanático, acaba, mais cedo ou mais tarde, por projectar sobre si mesmo a imagem que tem de Deus: torna-se também autoritário, exclusivista, impiedoso.


  • O fanático coloca a defesa de Deus acima da defesa dos homens. Em nome de Deus, não se importa de fazê-los sofre, nem mesmo de matá-los. Mas o que pode Deus ganhar com a morte de um homem?


  • Ninguém que chame a Deus "o meu" Deus (ou "o nosso" Deus) adora o Deus verdadeiro.
  • quarta-feira, 12 de julho de 2006

    Um Deus chamado Abba

    A minha colaboração de hoje na Terra da Alegria.
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    "Em dez anos, o nosso conhecimento sobre o computador e respectivos programas mudou radicalmente; em decénios, o conceito sobre Deus pouco muda na nossa vida. Não será isto, quando muito, surpreendente?" Esta é uma das pequenas provocações com que José Luis Cortés nos brinda na introdução do seu livro Um Deus chamado Abba.

    O livro - foi publicada entre nós no início deste ano - nasceu de uma série de desenhos encomendados por uma editora ao longo de vários anos. Estes desenho agora compilados são acompanhados vários textos explicativos e frases provocadoras, que não nos deixam indiferentes.

    O autor começa por desmontar uma série de ideias infantis e distorcidas que muitas pessoas têm sobre o criador: "Quer Deus exista, quer não, o que não pode mesmo existir são certas imagens de Deus que alguns apregoam por aí, e que a maioria das pessoas interiorizou, sem se aperceber, de uma forma ou de outra."(p.12) E adverte o leitor: "Deus não é um ancião como eu o pinto, não tem barba, nem aquele triângulo na cabeça (...); não está num céu cheio de nuvens e os anjos não andam por ali com asas de frango." (p.9)

    O livro não pode deixar de incomodar o crente acomodado, e até incomodar alguma hierarquia religiosa: "Não tenho medo nenhum de que me digam que disparando contra as falsas imagens de Deus podemos atacar a boa fé das pobres pessoas, ou a fé ingénua de tanta gente simples... Sobre essa fé ingénua e essa ingenuidade foram edificadas muitas fortunas e até algumas carreiras eclesiásticas."(p.14)

    O livro não é um tratado de teologia; poderia ser melhor descrito como um convite a uma reflexão pessoal sobre o conceito e a experiência que cada um de nós tem sobre Deus. E apesar de ter sido escrito por um católico para uma audiência católica, a grande maioria das reflexões pessoais do autor facilmente encontram paralelo na experiência religiosa de pessoas de todas as religiões (substitua-se a palavra "igreja" por "comunidade religiosa").

    Para aguçar o apetite por este livro aqui ficam alguns dos desenhos do autor.