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sábado, 21 de março de 2026

O Significado Espiritual da Primavera

Por Radiance Talley.


Todos os anos, por volta do equinócio da primavera, o mundo parece ganhar vida. Dependendo do local onde se vive no Hemisfério Norte, árvores e arbustos que antes estavam gelados e estéreis começam a brotar, a ter folhas, flores ou frutos. A erva fica mais verde, os animais que hibernaram aparecem de novo e os insectos que estavam enterrados eclodem dos seus ovos e emergem à superfície.

“Na primavera, há nuvens que trazem a preciosa chuva, brisas perfumadas com almíscar e zéfiros que dão vida; o ar é perfeitamente temperado, a chuva cai, o sol brilha, o vento fecundante agita as nuvens, o mundo renova-se e o sopro da vida aparece nas plantas, nos animais e nos homens”, disse ‘Abdu’l-Bahá, uma das figuras centrais da Fé Bahá’í. “Os seres terrenos passam de uma condição para outra.”

Se todo este renascimento e renovação acontece durante a primavera com todas as plantas e animais do mundo, que tipo de transformação espiritual está a acontecer com as pessoas?

A Importância da Primavera para a nossa Transformação Espiritual

Lembro-me muito bem do meu inverno durante o auge da pandemia de coronavírus…

Tal como muitos outras seres vivos, passei o inverno a hibernar e confinada dentro de casa — porque não tinha o mínimo interesse em sair à rua para o frio, a não ser que fosse necessário. Por isso, quando as nuvens se dissiparam e a temperatura finalmente atingiu os 21 graus Celsius, não resisti e saí algumas vezes para respirar fundo. Inspirei e expirei — o ar era tão doce que quase o sentia no paladar. Enquanto caminhava e absorvia o calor do sol, o meu corpo sentiu-se aliviado e a minha mente, tranquila. Eu sabia que o meu espírito estava a ser revigorado, assim como todos os outros.

‘Abdu’l-Bahá disse que é como se a Terra estivesse morta e sem vida durante o Inverno. Mas quando chega a primavera, "encontra um novo espírito e produz uma beleza, graça e frescura infinitas. Assim, a primavera é a causa de uma nova vida e infunde um novo espírito."

Senti que me estava a revitalizar com este novo espírito. É claro que esta regeneração espiritual não aconteceu pontualmente assim que o sol nasceu. Recuperei espiritualmente durante 19 dias, desde o início de Março até ao primeiro dia da primavera – o Ano Novo Bahá’í.

Durante estes 19 dias, os Bahá’ís jejuam — não comemos nem bebemos nada desde o nascer ao pôr do sol. Mas esta abstinência de alimentos é meramente simbólica e, como explicou Shoghi Effendi, o Guardião da Fé Bahá’í, é “uma lembrança da abstinência de desejos egoístas e carnais”.

Ele escreveu ainda que o período de jejum é “essencialmente um período de meditação e oração, de recuperação espiritual, durante o qual o crente deve esforçar-se por fazer os reajustes necessários na sua vida interior e por renovar e revigorar as forças espirituais latentes na sua alma. O seu significado e propósito são, portanto, fundamentalmente de carácter espiritual”.

Todos os anos, em Março, dou prioridade à minha saúde espiritual e sintonizo-me com o meu espírito. Reflito sobre mim, defino quais os objetivos que quero alcançar no ano que se inicia e trabalho para me libertar de velhos hábitos indesejados. Agradeço a Deus as minhas bênçãos, peço perdão pelos meus erros e esforço-me por purificar o meu coração e a minha alma. Desta forma, quando saio da minha hibernação, sinto-me revigorada e transformada, tanto física como espiritualmente.

“Jesus Cristo disse: ‘É necessário nascer de novo’ para que a Vida divina possa brotar de novo dentro de vós”, disse 'Abdu’l-Bahá numa palestra em Bristol, Inglaterra, em 1911.

Sede bondosos com todos os que vos rodeiam e servi uns aos outros; amai a justiça e sede verdadeiros em todas as vossas acções; orai sempre e vivei de tal maneira que a tristeza não vos alcance. Considerai as pessoas da vossa própria raça e as de outras raças como membros de um mesmo organismo; filhos do mesmo Pai; que a vossa conduta demonstre que sois, de facto, o povo de Deus. Então, as guerras e as disputas cessarão e a Grande Paz espalhar-se-á por todo o mundo. (‘Abdu’l-Bahá in London, p.83)

O Significado Espiritual da Primavera para a Humanidade

Os Bahá’ís acreditam que a paz mundial não é apenas uma esperança ingénua ou um desejo ilusório, mas antes algo inevitável. Compreendemos que o mundo atravessa tempos turbulentos e difíceis, mas, como escreveu Shoghi Effendi:

Encontramo-nos no limiar de uma era cujas convulsões anunciam tanto as dores da morte da velha ordem como as dores do nascimento da nova.

“Toda a Terra”, escreveu Bahá’u’lláh, o profeta e fundador da Fé Bahá’í, “está agora em estado de gravidez. Aproxima-se o dia em que ela terá gerado os seus frutos mais nobres, em que dela terão brotado as árvores mais sublimes, as flores mais encantadoras, as bênçãos mais celestiais.”

Tal como a Terra passa por diferentes estações e ciclos, os Bahá’ís acreditam que a humanidade passa por várias fases de desenvolvimento. E em cada fase, Deus envia Mensageiros (como Zoroastro, Buda, Krishna, Moisés, Jesus Cristo, Maomé, o Báb e Bahá’u’lláh) para revelar mais da Sua revelação à sociedade.

Neste momento, a humanidade encontra-se na sua turbulenta adolescência. Mas os Bahá'ís acreditam que depois da "impetuosidade da juventude e a sua veemência atingirem o auge", alcançaremos a maturidade e entraremos na fase adulta. Acreditamos que os ensinamentos revolucionários de Bahá’u’lláh — como a igualdade entre homens e mulheres, a harmonia entre a ciência e a religião, a eliminação dos extremos de riqueza e pobreza, a abolição de todas as formas de preconceito e a unicidade da humanidade — ajudarão a conduzir a humanidade rumo à maturidade.

Tal como ‘Abdu’l-Bahá escreveu:

Este tempo é a Era Prometida, a reunião da raça humana para o “Dia da Ressurreição”, e estamos agora no grande “Dia do Juízo Final”. Em breve, o mundo inteiro, como na primavera, mudará de trajes. A mudança de cor e a queda das folhas de outono já passaram; a aridez do inverno acabou. O novo ano surgiu e a primavera espiritual está próxima.

A terra negra está a transformar-se num jardim verdejante; os desertos e as montanhas estão repletos de flores vermelhas; das fronteiras das terras selvagens, as ervas altas erguem-se como vanguarda diante dos ciprestes e dos jasmins; enquanto os pássaros cantam entre os ramos de rosas como anjos nos mais altos céus, anunciando a boa nova da chegada daquela primavera espiritual, e a doce música das suas vozes faz com que a verdadeira essência de todas as coisas se mova e vibre.

Esta “primavera espiritual” é tão significativa e importante porque, como disse ‘Abdu’l-Bahá, é a “era do despertar espiritual”, onde “o mundo entrou no caminho do progresso, na arena do desenvolvimento, onde o poder do espírito supera o do corpo. Em breve, o espírito terá o domínio sobre o mundo da humanidade”.

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Texto original: The Spiritual Meaning and Significance of Spring (www.bahaiteachings.org) 

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Radiance Talley é licenciada em comunicação pela Universidade de Maryland. Além da escrita, do desenho, e da comunicação em público, Radiance tem um profundo conhecimento da teoria da construção, técnicas de negociação, gestão de conflitos, comunicação organizacional e intercultural, antropologia e sociologia.

terça-feira, 19 de março de 2024

Naw-Ruz: um Novo Dia, um Novo Ano!


Feliz Ano Novo! Não, não estamos três meses atrasados – porque estamos no equinócio vernal, e há muitas pessoas em todo o planeta celebram o Dia de Ano Novo, incluindo os Bahá’ís.

Você já ouviu falar do Naw-Ruz? Significa “novo dia” em persa, e múltiplas regiões e religiões celebram-no como um dia sagrado, incluindo os zoroastrianos, muitos muçulmanos e todos os Bahá’ís.

O Naw-Ruz - observado em todo o mundo há mais de três mil anos - ocorre quando o Sol cruza o equador celeste e o dia e a noite têm uma duração igual. É o momento em que a primavera começa no Hemisfério Norte.

Como a maioria dos dias santos felizes, a celebração do Ano Novo Bahá’í geralmente inclui cânticos, comida, dança e socialização. Nas comunidades Bahá’ís, reúne-se um grupo caloroso, diversificado e fascinante de pessoas para celebrar, divertir-se, desfrutar da companhia uns dos outros, e acolher com alegria as possibilidades emocionantes e ilimitadas de um novo ano. Se visitar hoje a sua comunidade Bahá’í local, é provável que encontre uma festa.

Mas o Naw-Ruz também representa algo muito mais importante do que celebrar o início de mais um novo ano: simboliza o advento e a chegada de uma revelação inteiramente nova:

A Revelação que, desde os tempos imemoriais, tem sido aclamada como o Propósito e a Promessa de todos os Profetas de Deus, e o Desejo mais acalentado dos Seus Mensageiros, foi agora revelada aos homens, em virtude da Vontade universal do Omnipotente e da Sua ordem irresistível. O advento dessa Revelação foi anunciado em todas as Escrituras Sagradas. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, III)

Os ensinamentos Bahá’ís explicam que Naw-Ruz representa “o Dia de Deus”, quando ocorre um novo despertar do espírito, surge uma primavera espiritual, e a luz de uma nova revelação brilha igualmente sobre a totalidade da criação de Deus:

É o Ano Novo – isto é, a perfeição do ciclo anual. Um ano é a expressão de um ciclo (do sol). Mas agora é o início de um ciclo de Realidade, um Novo Ciclo, uma Nova Era, um Novo Século, um Novo Tempo e um Novo Ano. Portanto, é muito abençoado.

O nascer do sol no equinócio é o símbolo da vida, e da mesma forma é o símbolo dos Manifestantes Divinos de Deus, pois o nascer do Sol da Verdade no Céu da Generosidade Divina estabeleceu o sinal da Vida para o mundo. A realidade humana começa a viver, os nossos pensamentos são transformados e a nossa inteligência é despertada. O Sol da Verdade concede a vida eterna, assim como o sol solar é a causa da vida terrestre.

Este tempo é a Era Prometida... Em breve o mundo inteiro, como na primavera, mudará de vestes... O Ano Novo apareceu e a primavera espiritual está próxima. (‘Abdu’l-Baha, Star of the West, Volume 9, p. 345)

Os Bahá'ís acreditam que o advento dos mensageiros gémeos que fundaram a Fé Bahá’í – o Báb e Bahá’u’lláh – inaugurou uma nova era. Desde então, o poder espiritual, o conhecimento profundo e os ideais impactantes dos ensinamentos Bahá'ís espalharam-se por todo o mundo. Esses ideais, infundidos de amor, compaixão e unidade, estão agora despertando um novo espírito de vida:

... a antiga primavera voltou; o mundo ressuscita, ilumina-se e alcança a espiritualidade; a religião renova-se e reorganiza-se, os corações voltam-se para Deus, o chamamento de Deus é escutado, e a vida é novamente concedida ao homem. Durante muito tempo o mundo religioso esteve enfraquecido e o materialismo avançou; as forças espirituais da vida estavam enfraquecidas, a moral tinha-se degradado, a tranquilidade e a paz tinham desaparecido das almas, e as qualidades satânicas dominavam os corações; a luta e o ódio ensombravam a humanidade, o derramamento de sangue e a violência prevaleciam. Deus fora negligenciado; o Sol da Realidade parecia ter desaparecido completamente; a privação das graças do céu era um facto; e assim a estação do inverno caiu sobre a humanidade. Mas na generosidade de Deus uma nova primavera amanheceu, as luzes de Deus brilharam, o resplandecente Sol da Realidade regressou e tornou-se manifesto, o reino dos pensamentos e o reino dos corações tornou-se exultante, um novo espírito de vida soprou no corpo do mundo, e o progresso contínuo tornou-se evidente. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 94)

Assim, o Naw-Ruz, um dos dias mais felizes de todo o ano Bahá’í, celebra não apenas o Ano Novo, mas uma era inteiramente nova na evolução humana. Temos agora a capacidade, o poder e a orientação espiritual - prometem-nos os ensinamentos Bahá'ís - para unir a humanidade e acabar com os flagelos da guerra, da fome e da miséria.

Assim, para os Bahá'ís, o Naw-Ruz não é apenas uma festa – serve como uma lembrança profunda da unidade de todos os mensageiros de Deus, da primavera espiritual que cada um deles trouxe à humanidade, e da alegre chegada do mais recente.

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Texto original: Naw-Ruz: It’s a New Day, and a New Year! (www.bahaiteachings.org)


segunda-feira, 18 de março de 2024

Os Muitos Significados do Ano Novo Baha’i (Naw-Ruz)

Por Sanaz Khosravi.


Tendo crescido no Irão e sendo Bahá’í, o Naw-Ruz foi sempre a celebração mais significativa do ano para a minha família – por várias razões.

Todos os anos, alguns meses antes desta celebração especial, eu ficava entusiasmada para ir às compras com os meus pais para comprar roupas novas que pudesse usar no dia de Naw-Ruz. Também adorava preparar a nossa mesa Haft-Sin – uma tradição persa que envolve sete símbolos da vida – e, talvez sem surpresa, fiquei emocionada por não ter escola ou trabalhos de casa durante duas semanas. Famílias de todo o país juntavam-se às festividades, muitas vezes visitando os seus familiares e parentes mais velhos, e esquecendo-se de qualquer desavença do ano passado, para restaurar as suas relações e amizades.

Quando eu era criança, o Naw-Ruz significava principalmente pintar os ovos para o Haft-Sin e receber presentes dos meus avós. No entanto, ao ficar mais velha, compreendi que o Naw-Ruz está enraizado na tradição zoroastriana e é celebrado não só pelos iranianos, mas também por muitas outras etnias, e noutros países do Médio Oriente e da Ásia Central.

Aprendi também que o Naw-Ruz não é apenas um feriado de enorme significado cultural para alguns povos, mas também contém um grande significado religioso para os Bahá'ís, que o consideram um dia sagrado que assinala o início de cada novo ano, de acordo com o calendário Bahá'í. Por esta razão, o Naw-Ruz é observado de forma consistente e alegre pelos Bahá’ís em todo o mundo, como uma grande e festiva celebração religiosa que contém muitos níveis de significado e, portanto, muitas coisas para celebrar.

Talvez o significado mais óbvio do Naw-Ruz seja o início de um novo ano. Antes da chegada de cada Naw-Ruz, a minha família encontra momentos para reflectir sobre o ano que está a chegar ao fim e sobre aquele que está prestes a começar. Reflectimos sobre o que poderíamos ter feito para melhorar a qualidade das nossas vidas e quais planos e decisões que deveríamos tomar no futuro. Esta reflexão é facilitada pelo facto de o Naw-Ruz ser precedido pelo Jejum Bahá'í de 19 dias, no qual os Bahá'ís de todo o mundo revêem e meditam sobre o ano que passou, e esforçam-se por melhorar as suas qualidades e virtudes espirituais, tais como a paciência, o desprendimento e a firmeza. Durante o Jejum, os Bahá'ís acordam de manhã cedo para beber e comer antes do nascer do sol, e a minha família aproveita o tempo extra que isso proporciona para recitarmos orações juntos, desenvolvermos conversas espirituais, estudar as palavras de Deus, reflectir sobre o ano passado e estabelecer objectivos e planos para o ano seguinte.

Outro significado do Naw-Ruz, que também aprecio, é a sua coincidência com o primeiro dia de primavera no hemisfério norte. O meu espírito delicia-se com a maneira como tudo na natureza ganha uma nova vida e se revigora neste momento: as árvores desenvolvem-se, as flores desabrocham e as ervas voltam a crescer, tornando os campos verdes.

Além disso, para os Bahá'ís, as mudanças físicas, o crescimento e a novidade da primavera são símbolos de renovação espiritual:

O Ano Novo chegou e a primavera espiritual está próxima. (Tablets of Abdu’l-Baha Abbas, p. 318)

O que significa “primavera espiritual”? Considerando que a primavera é a época do ano em que todas as coisas se renovam, renascem e regeneram, os ensinamentos Bahá'ís usam-na como uma metáfora para a forma como Deus envia os Seus mensageiros e profetas à humanidade em todas as eras, sempre que uma renovação espiritual é necessária. Estes profetas expressam, em cada época, os ensinamentos espirituais intemporais das religiões do mundo (que muitas vezes foram esquecidos), enquanto fornecem novos ensinamentos divinos que permitem à humanidade progredir para a próxima fase da sua evolução social e espiritual. Tal como o sol faz renascer toda a vida material na primavera, estes mensageiros divinos fazem renascer a vida espiritual da humanidade.

Ó amigos! Incumbe-vos refrescar e reavivar as vossas almas com os graciosos favores que nesta Divina e comovente Primavera estão a ser derramados sobre vós. A Estrela Matinal da Sua grande glória derramou o seu brilho sobre vós, e as nuvens da Sua graça ilimitada cobriram-vos. (Gleanings from the Writings of Baha’u’llah, p. 94)

Assim, para os Bahá’ís, o Naw-Ruz comemora não apenas o ano novo e as alegrias da primavera, mas também a alegria de ter recebido a nova mensagem de Deus para a humanidade neste momento da sua história e desenvolvimento. 'Abdu'l-Bahá escreveu:

Desejo que esta bênção suja e se manifeste nos rostos e nas características dos crentes, para que também eles se tornem um novo povo e, tendo encontrado uma nova vida e sido baptizados com fogo e espírito, possam fazer do mundo um novo mundo, para que a velha terra desapareça e a nova terra surja; que as velhas ideias se afastem e novos pensamentos surjam; que as velhas roupas sejam rejeitadas e roupas novas sejam usadas; que a política antiga, cujo fundamento é a guerra, seja abandonada, e a política moderna, baseada na paz, eleve o padrão da vitória; que a nova estrela brilhe e resplandeça e o novo sol ilumine e irradie; que as novas flores desabrochem, a nova primavera se torna conhecida; que a nova brisa sopre; que a nova dádiva seja transmitida; que a nova árvore dê novos frutos; que a nova voz se eleve e este novo som chegue aos ouvidos, que o novo suceda ao novo, e todos os adornos e decorações antigas serão postos de lado, e novas decorações colocadas nos seus lugares. (Tablets of Abdu’l-Baha Abbas, p. 38)

Neste espírito, o Naw-Ruz é uma ocasião perfeita para contemplar como podemos lutar, dia após dia, para crescer espiritualmente, servir a humanidade e esforçar-nos por melhorar o mundo.

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Texto original: The Many Meanings of the Baha’i New Year (Naw-Ruz) (www.bahaiteachings.org)


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Sanaz Khosravi é engenheira de software com bacharelato em ciência da computação pelo BIHE (Baha’i Institute for Higher Education) e Mestrado em engenharia de software pela San Jose State University. Sanaz nasceu e cresceu em uma família Bahá'í em Shiraz, no Irão, e mais tarde mudou-se para os EUA. Tem experiência em actividades comunitárias e trabalho com populações carentes. Sanaz trabalhou em vários projetos de tecnologia, como o Baha’i Daily. Actualmente trabalha como engenheira de software, ensina alunos do BIHE diversas disciplinas de ciência da computação; também escreve e faz traduções no seu tempo livre

segunda-feira, 20 de março de 2023

Feliz Naw-Ruz! O Ano Novo Bahá’í

Por David Langness.


Quando criança, eu deixava os meus pais loucos com as minhas perguntas. “A curiosidade matou o gato”, disse-me a minha mãe; mas o nosso gato estava bem, então continuei a fazer perguntas. Um dos primeiros enigmas filosóficos prementes sobre os quais me lembro de ter perguntado ocorreu-me aos quatro anos de idade, no dia de Ano Novo. A minha família morava numa comunidade agrícola, no leste do estado de Washington, perto da fronteira com o Canadá, e, tipicamente, no meio do inverno tínhamos vários metros de neve no chão. Perguntei aos meus pais: “Porque é que o Ano Novo vem hoje? O ano ainda não é novo, ainda é velho e frio.”

Eles riram-se - as crianças dizem as coisas mais incríveis - e disseram-me que é assim que as coisas são. Ainda assim, depois disso, sempre me perguntei porque é que o Ano Novo não era no primeiro dia da primavera, onde a minha mente de quatro anos, por algum motivo desconhecido, percebia que era lógico e correcto.

Onze anos depois, conheci a Fé Bahá'í. Intrigou-me, e investiguei; fui a reuniões Bahá'ís, li e tentei aprofundar o meu conhecimento da Fé durante três anos. Os ensinamentos Bahá'ís tinham um sentido próximo para mim - especialmente a unidade da humanidade, a unidade essencial de todas as religiões e a harmonia entre ciência e religião. Por fim, ao estudar os ensinamentos e ao conhecer os próprios Bahá'ís, descobri que as minhas perguntas eram bem-vindas, não ridicularizadas ou evitadas. Percebi que era por isso que a Fé Bahá'í onde não havia clero - defendia o princípio Bahá'í de investigação independente da verdade, que realmente encoraja as perguntas.

E depois das minhas perguntas terem sido respondidas, eu estava quase pronto para declarar minha crença na Fé de Bahá’u’lláh. Então, por algum motivo estranho e completamente desconhecido, a curiosidade insatisfeita de criança de quatro anos sobre o Ano Novo surgiu na minha cabeça.

“Então existe um calendário Bahá'í?” perguntei ao meu amigo Bahá'í Bob Gulick.

“Sim, claro,” disse ele, feliz por me contar sobre isso. “Cada nova dispensação religiosa traz um novo calendário. O calendário Bahá'í tem 19 meses de 19 dias cada, com um período intercalar de quatro dias, cinco dias nos anos bissextos, o que totaliza 365 dias. É um calendário solar e muito avançado cientificamente, porque a sua estrutura permite variações na órbita da Terra, em torno do Sol.” Bob gostava muito de ciência.

“Isso é fascinante”, disse eu. Mas eu estava a pensar na minha grande pergunta. Também nunca percebi completamente porque é que esse pequeno pormenor era tão importante para mim. Talvez tivesse algo a ver com a minha infância e a maneira rígida como fui criado numa tradição protestante. A investigação independente da verdade, a procura de respostas para todas as perguntas que eu tinha quando criança, foi definitivamente desencorajada na nossa igreja. Fui ensinado a apenas aceitar e acreditar naquilo que o pastor dizia. Isso não funcionou para mim, e é por isso que eu estava à procura. Por fim, deixei escapar: “Então, quando é o Ano Novo Bahá’í?”

“Ah! Chama-se Naw-Ruz – que significa Ano Novo em persa. É sempre no equinócio de verão, o primeiro dia da primavera”, respondeu o Bob.

Radiante, soltei um grande suspiro que não sabia que estava a conter. “Maravilhoso!”, disse eu, as palavras saíram-me. “Nunca consegui entender porque é que o Ano Novo não era no primeiro dia da primavera! Parecia tão bizarro, tão errado colocá-lo no meio do inverno…”

Bob parecia entender, mas corrigiu-me suavemente. “Bem, tu estás certo; o Naw-Ruz é no primeiro dia da primavera aqui no Hemisfério Norte, onde vive a maioria das pessoas do mundo. Praticamente todas as religiões celebram essa renovação da vida. Mas é claro que o equinócio de verão é o primeiro dia de outono na parte sul do mundo. O importante é que o sol ilumina o mundo igualmente naquele dia. As Escrituras Bahá'ís dizem que é um símbolo da mensagem de Deus.” Então, o Bob foi à sua extensa biblioteca Bahá'í, pegou num livro e leu-me esta citação sobre Naw-Ruz:

Desde os tempos imemoriais este dia foi consagrado, pois nele há um símbolo.

Neste momento o sol surge no meridiano e o dia e a noite são iguais. Até hoje o Polo Norte esteve na escuridão. Este dia sagrado em que o sol ilumina igualmente toda a terra é chamado de equinócio, e o equinócio é o símbolo do mensageiro divino. O sol da verdade nasce no horizonte da misericórdia divina e irradia os seus raios sobre todos. Este é o início da primavera. Quando o sol surge no equinócio, causa um movimento em todas as coisas vivas. O mundo mineral é posto em movimento, as plantas começam a crescer, o deserto transforma-se em prado, as árvores crescem e todos os seres vivos respondem, incluindo os corpos dos animais e dos homens.

O surgimento do sol no equinócio é o símbolo da vida e a realidade humana é revivificada; os nossos pensamentos são transformados e a nossa inteligência é despertada. O sol da verdade concede a vida eterna, assim como o sol solar é a causa da vida terrestre. ('Abdu'l-Bahá, Divine Philosophy, p.75)

No dia seguinte tornei-me Bahá'í.

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Texto original: Happy Naw-Ruz! The Baha’i New Year (www.bahaiteachings.org)


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David Langness é jornalista e critico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sexta-feira, 22 de março de 2013

No Ano Novo, Bahá'ís lembram "irmãos" perseguidos

Texto publicado ontem no blogue Actualidade Religiosa, de Filipe Avilez.
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Transcrição na íntegra da entrevista a Marco Oliveira, da comunidade Bahá’í de Portugal. Notícia original aqui.

Como é que surgiu o calendário Baha’í?
O calendário Baha’í inicia-se no dia 21 de Março. Coincide com o início da Primavera. É um calendário que se baseia no ano solar e tem 19 meses de 19 dias cada, e ainda alguns dias intercalares. Este mês que termina hoje, é de jejum, um mês de preparação para o ano novo em que vamos entrar.

Há aqui uma analogia com o que acontece no Cristianismo, com a Quaresma e com a Páscoa, há um período de preparação e depois um renascimento.

O ano novo é celebrado por todas as comunidades baha’í e em Portugal há diversas comemorações.

Mas não há também uma razão teológica?
Bahá'u'lláh era persa e na Pérsia o ano novo é sempre no 21 de Março e são essas raízes culturais que levaram a que se celebrasse o ano novo nesse dia.

Todas as comunidades celebram nesta altura, mas nalguns países há limitações à acção. Quais são os focos de maior preocupação? 
As zonas de maior preocupação são alguns países do médio-oriente, nomeadamente o Irão e o Egipto, onde os Baha’í vêem a sua actividade e até as suas vidas pessoais profundamente condicionadas devido a preconceito religioso. Naturalmente também nos lembramos desses crentes que estão a sofrer essas pressões.

No Egipto houve melhorias com a primavera árabe?
O Egipto é como uma panela de pressão que se abriu. Se se proporcionaram mais algumas liberdades aos cidadãos, essas liberdades foram aproveitadas para dar espaço a uma série de preconceitos contra os baha’í. Neste momento temos conhecimento de alguns grupos fundamentalistas que pedem que os baha’í sejam hostilizados de uma forma ainda mais ostensiva do que são actualmente.

Em Portugal como é a comunidade?
Em Portugal há cerca de 4000 baha’í, a maioria são portugueses. Costumo dizer que a comunidade é uma espécie de amostra da sociedade portuguesa, temos pessoas de todo o género, desde o engenheiro doutorado ao trabalhador das obras, os médicos e os universitários, os empresários e os desempregados, jovens e reformados. Temos pessoas de todos os extractos e grupos em Portugal. Também há algumas famílias de origem persa que surgiram sobretudo depois da revolução iraniana, que chegaram como refugiados e depois se instalaram em Portugal e que deram o seu contributo para o desenvolvimento da comunidade.

No seu caso particular, como chegou ao conhecimento da religião Baha’í?
Nasci numa família católica, os meus pais são católicos praticantes. Em 1984 conheci a fé baha’í, no Bairro dos Olivais, em Lisboa. Percebi que o meu barbeiro era baha’í e estava a falar dessa religião a outra pessoa. Achei interessante, entrei na conversa, coloquei questões, investiguei e passados cinco meses aceitei a fé baha’í. A família não gostou muito mas também não aceitou mal. A minha mãe disse que preferia ter um filho com alguma espiritualidade e sentido do divino e do sagrado, mesmo não sendo católico, que ter um filho que se diz católico mas na prática não seria nada disso.

É uma religião muito conhecida pela sua tolerância…
Exacto. O fundador encorajou-nos com as seguintes palavras: “Associai-vos com os seguidores de todas as religiões num espírito de fraternidade e união”, é isso que tentamos fazer.

segunda-feira, 21 de março de 2011

Naw-Ruz A melhor foto


A "super lua" na noite de Naw-Ruz.
A foto foi obtida na noite de 20 para 21 de Março, junto ao templo Bahá'í de Chicago.

Naw-Ruz: Mensagem de Hillary Clinton

Press Statement
Hillary Rodham Clinton
Secretary of State
Washington, DC
March 20, 2011

Junto-me ao presidente Barack Obama no envio dos melhores votos de saúde e prosperidade para todos os que celebram o Naw-Ruz no mundo todo, incluindo os americanos, afegãos, curdos, azeris, iranianos e os povos da Ásia Central. Há milhares de anos que o Naw-Ruz tem sido um tempo para família e amigos se reunirem e comemorar o início de um novo ano. Entre as muitas ricas tradições de celebração de Naw-Ruz, os temas do renascimento e da busca da felicidade são constantes e são as aspirações que todos nós partilhamos. Como escreve o poeta iraniano Hafiz: "A brisa do Naw-Ruz sopra do quarto do Amado; procurai o conforto desta brisa para alegrar o coração."

Este ano, permite-nos reflectir sobre os recentes acontecimentos no Oriente Médio. Louvamos a demonstração das expressões pacífica da dignidade e dos direitos humanos que temos visto em grande parte da região. Juntamo-nos à comunidade internacional abraçando as oportunidades Nowruz e lutando pela defesa dos seus valores.

Que este novo ano seja repleto de renovado sentido de esperança e um novo compromisso com os direitos humanos e liberdades fundamentais que são nosso direito universal.

Nowruzetoon Pirouz, Nowruz Haroozetoon! Navruz Mubarak!

Que o vosso Naw-Ruz seja glorioso, e que todos os seus dias sejam Naw-Ruz.

Naw-Ruz: Mensagem de Barack Obama

Este ano menciona a situação dos Bahá'ís no Irão.

sábado, 22 de março de 2008

sexta-feira, 30 de março de 2007

Naw-Ruz em Portimão

Um filme da PortiTV, sobre a festa de Naw-Ruz (Ano-Novo Bahá'í) realizada em Portimão. Estiveram presentes 160 pessoas.


quarta-feira, 28 de março de 2007

Naw Ruz... em Ho Chi Min City!

A foto que faltava!


Foto de T.Quynh

Os bahá'ís vietnamitas reuniram-se em Ho Chi Minh City para celebrar o Naw-Ruz, e festejar o reconhecimento oficial da religião Baha'is pelo Governo Vietnamita.

sábado, 24 de março de 2007

Feliz año nuevo 164

Los 35 integrantes de la comunidad Bahai en Asturias celebraron ayer su nochevieja en Colloto rodeados de amigos y familiares. Un calendario de 19 meses de 19 días marca su calendario vital

Ni gurús ni sacerdotes ni ritos. La comunidad Bahai está compuesta por personas que aseguran haber recalado en esta confesión religiosa después haber emprendido el camino de la libre investigación hacia la libertad. De su relación directa con dios, no su dios sino el dios de todos los hombres, nacen 12 principios básicos entre los que destaca la educación universal y obligatoria, un tribunal internacional de justicia, la paz universal, la igualdad de derechos entre el hombre y la mujer o la abolición de los prejuicios.

Los 35 miembros de la comunidad en Asturias se reunieron ayer en Colloto para celebrar el año nuevo, porque esta fe también dispone de su propio calendario, compuesto por 19 meses de 19 días. Hoy comienza el año 164 de la nueva era Bahai, una fecha que recuerda la creación de esta fe en Irán por el profeta Baha´a´lláh. Alrededor de una mesa el medio centenar de invitados leyeron oraciones, explicaron los principios básicos de su confesión a los recién llegados, repartieron regalos y, sobre todo, disfrutaron de la fiesta.



No es la unica vez que se reúnen al año. Al final de cada mes organizan un encuentro. Al carecer de ritos su forma de relacionarse podría parecerle al profano más bien un encuentro social. La primera parte consiste en la lectura de oraciones, que sacan del centenar de publicaciones redactado por su creador. Después se ocupan de la parte administrativa, dan lectura a comunicados o dialogan sobre temas que les afectan. Concluyen con una fiesta. Luis Antonio Vega, de Langreo, explica que todo en ellos supone el equilibrio entre lo espiritual y lo material, en su proyecto de renovar y transformar la sociedad. Covadonga García, de Gijón, explica que otras religiones menoscaban lo material pero no así la comunidad Bahai, porque sus miembros comprenden que viven en un mundo donde no es posible renunciar a lo que nos rodea.

No existen bautismos ni comuniones, solo existen dos ritos establecidos: el matrimonio y el funeral. Tampoco reclaman cuotas económicas. Sobreviven con las aportaciones voluntarias de sus miembros, que siempre deben ser anónimas. Tampoco disponen de templos. En Asturias como tan solo son 35 se las apañan en salones de restaurantes, algunos locales públicos o en sus propias casas.

Vafa Massarrat, médico de familia residente en Noreña, señala que sí que tienen portavoces, que son los encargados de organizar todos los actos, como la del año nuevo que vivieron anoche. Cada comunidad elige a 9 representantes en una asamblea en la que no hay candidatos y los votos son secretos. Así funcionan en el Principado pero también zonas con muchas más seguidores. En total 6 millones de bahais difunden su fe por el mundo, aprovechando tanto la figura del buscador como las nuevas tecnologías (www.bahi.es).

Tanto Vafa como Luis Antonio y Covadonga creen que "el mundo se contraerá". No hablan de movimientos geológicos si no del acercamiento de los hombres, del entendimiento de las culturas. Por ello rezan durante sus celebraciones. Creen que es posible esa unión, porque tal y como dijo su profeta "todos somos ciudadanos del mundo". Incluso justifican la persecución a la que les someten en países como Irán: "Lo nuevo siempre da miedo, los judios lucharon contra los cristianos y ahora algunos musulmanes nos persiguen a nosotros. Por qué? Porque somos los últimos".

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Publicado no La Voz de Asturias, 21-Março, 2007