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sábado, 7 de fevereiro de 2026

De onde vem a Sabedoria dos Filósofos?

Por David Langness.


Alguma vez se perguntou de onde é que os filósofos obtiveram a sua sabedoria? Quando leio Aristóteles ou Sócrates, fico impressionado — as suas ideias ainda hoje parecem actuais e relevantes.

É claro que a cultura ocidental tem as suas raízes tradicionais naqueles grandes gregos, os filósofos da liberdade. Na maioria das descrições do crescimento e da evolução do pensamento ocidental, eles são as sementes que germinaram a planta que se tornou a árvore de toda a cultura. A sua sabedoria, percepção e profunda compreensão do espírito humano deram origem à forma como pensamos, como agimos uns com os outros e como vemos o mundo.

Por exemplo:

Considero mais corajoso aquele que supera os seus desejos do que aquele que conquista os seus inimigos; pois a vitória mais difícil é sobre si mesmo. (Aristóteles)

Aquele que é ofendido não deve retribuir a injúria, pois de modo algum pode ser correcto cometer uma injustiça; e não é correcto retribuir uma ofensa ou fazer mal a qualquer homem, por mais que tenhamos sofrido com ele. (Sócrates)

Em termos de pura compreensão da natureza humana, os antigos filósofos gregos — Platão, Sócrates, Aristóteles, Plínio, Galeno e outros — tiveram um enorme impacto na sua época, e até nos dias de hoje. Alguns afirmam que toda a estrutura da cultura ocidental foi construída com base nas suas percepções. O grande estudioso e filósofo contemporâneo Alfred North Whitehead afirmou: "A caracterização geral mais segura da tradição filosófica europeia é que ela consiste numa série de notas de rodapé de Platão".

Se traçarmos a influência histórica dos filósofos gregos clássicos, descobriremos que estes fizeram uma série notável de contribuições para a filosofia islâmica primitiva, depois para o Renascimento europeu e para o Iluminismo, e, por fim, para a nossa cultura moderna. Baseamos grande parte da nossa governação, da nossa ciência e do nosso modo de vida básico na filosofia grega clássica.

Então, de onde é que os antigos filósofos gregos obtiveram as suas ideias incríveis, férteis, profundamente sábias e duradouras? Eram inteiramente originais, embora poucas ideias o sejam? Ou os gregos incluíram no seu pensamento ideias de outros?

Muitos estudiosos do período chegaram à conclusão de que a base conceptual da filosofia grega era proveniente do Oriente. Um dos mais respeitados estudiosos modernos da área, Martin Litchfield West, de Oxford, escreveu um livro baseado numa extensa investigação sobre o tema, intitulado "A Face Oriental de Helicon: Elementos Asiáticos Ocidentais na Poesia e nos Mitos Gregos". O livro de West concluiu que houve uma longa e rica interacção entre as culturas grega e romana no período pré-cristão e os profetas e praticantes do judaísmo do Oriente:

O contacto com a cosmologia e a teologia orientais ajudou a libertar a imaginação dos primeiros filósofos gregos; deu-lhes certamente muitas ideias sugestivas…

Esta conclusão fascinante – que ainda é tema de intenso debate entre os historiadores – subverte uma boa parte do pensamento ocidental tradicional. E se os fundamentos e as raízes da cultura ocidental remontassem a um passado anterior aos gregos?

Os ensinamentos Bahá’ís afirmam claramente que sim:

Em verdade, os filósofos não negaram o Ancião de Dias... Considerai Hipócrates, o médico. Foi um dos filósofos eminentes que acreditavam em Deus e reconheciam a Sua soberania. Depois dele, veio Sócrates, que, de facto, era sábio, talentoso e honrado. Praticava a abnegação, reprimia as inclinações por desejos egoístas, e afastava-se dos prazeres materiais. Retirou-se para as montanhas, onde morava numa caverna. Dissuadiu os homens de adorar ídolos e ensinou-lhes o caminho de Deus, o Senhor da Misericórdia, até que os ignorantes se levantaram contra ele. Prenderam-no e mataram-no na prisão. Assim te relata esta Pena veloz. Que visão penetrante na filosofia este homem eminente possuía! Ele é o mais distinto entre todos os filósofos e era altamente versado em sabedoria. Testemunhamos que ele é um dos heróis neste campo e um defensor excepcional, dedicado a ela. Ele tinha um conhecimento profundo das ciências correntes entre os homens, bem como daquelas que estavam veladas das suas mentes. Parece-Me que ele bebeu uma porção quando o Mais Grandioso Oceano transbordava de águas cintilantes e vivificadoras. Foi ele que se apercebeu de uma natureza única, temperada e abrangente nas coisas, que se assemelha muito ao espírito humano, e descobriu que esta natureza era distinta da substância das coisas na sua forma refinada. Tem uma declaração especial sobre este importante tema…

Depois de Sócrates veio o divino Platão, que foi aluno do primeiro e ocupou a cátedra da filosofia como seu sucessor. Ele reconheceu a sua crença em Deus e nos Seus sinais que impregnam tudo o que foi e será. Depois veio Aristóteles, o célebre homem de conhecimento. Foi ele que descobriu o poder da matéria gasosa. Estes homens, que se destacam como líderes do povo e são preeminentes entre eles, reconheceram todos a sua crença no Ser imortal que detém nas Suas mãos as rédeas de todas as ciências. (Bahá’u’lláh, Epístola da Sabedoria, ¶28-¶29)

Os ensinamentos Bahá’ís elogiam os filósofos gregos clássicos em diversas ocasiões e realçam também que se inspiraram no Oriente. Sobre este tema, ‘Abdu’l-Bahá cita as histórias do Oriente:

Está registado nas histórias do oriente que Sócrates viajou para a Palestina e para a Síria e aí, com homens versados nas coisas de Deus, adquiriu certas verdades espirituais; que, ao regressar à Grécia, promulgou duas crenças: uma, a unidade de Deus, e a outra, a imortalidade da alma após a separação do corpo; que estes conceitos, tão estranhos ao seu pensamento, causaram grande comoção entre os Gregos, até que, por fim, o envenenaram e mataram.

E isso é autêntico; pois os gregos acreditavam em muitos deuses, e Sócrates estabeleceu o facto de que Deus é uno, o que obviamente entrava em conflito com as crenças gregas. (Selections from the Writings of Abdu’l-Baha, p. 54)

Devemos muito a Sócrates e à filosofia que nos legou, mas talvez esta dívida seja, na verdade, para com Abraão e Moisés, os verdadeiros fundadores das verdades espirituais em que baseamos as nossas civilizações.

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Texto original: Where Do Philosophers Get their Wisdom? (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

segunda-feira, 29 de abril de 2024

Aristóteles e as Escrituras Bahá’ís

Aristóteles foi várias vezes referido em termos elogiosos por Bahá’u’lláh e ‘Abdu’l-Bahá.

Além disso, em vários textos das Escrituras Bahá’ís podemos encontrar terminologia aristotélica e ensinamentos que são réplica de alguns ensinamentos aristotélicos.

Quais são as implicações disto?

No entanto, Aristóteles tornou-se desactualizado no que toca à ciência. E actualmente, a filosofia ocidental baseia-se em Kant e Hegel – apesar de haver algumas tentativas para recuperar Aristóteles.

De que forma é que isto representa um desafio para os Bahá’ís?

Este vídeo legendado em português de um curso do prof Mikhail Sergeev aborda estas questões de forma clara e objectiva.

sábado, 10 de fevereiro de 2024

O Meio-Termo de Aristóteles e o Papel da Moderação

Por Arvin Joshua Diaz.


Aristóteles definiu a virtude como o equilíbrio desejável entre dois extremos, o chamado Meio-Termo. Na filosofia de Aristóteles, a virtude é um estado de ser, “um estado capaz de decidir, que consiste num meio-termo fixado relativamente a nós, determinado de um modo racional, isto é, tal como o determinaria o homem dotado de sabedoria prática”. Aristóteles argumentou que a carência ou o excesso destrói a virtude.

Buda resumiu o Meio-Termo como o Caminho do Meio, um caminho moderado entre a abnegação extrema e a autoindulgência sensual e materialista.

A Bíblia, no Livro de Eclesiastes (cap.7) diz-nos que quem teme a Deus evitará todos os extremos.

O Islão é chamado “Caminho Íntegro” (ou “Caminho do Meio”), porque enfatiza a moderação em vez dos seus extremos opostos como o monasticismo rígido e a ganância.

À semelhança das grandes religiões mundiais, a Fé Bahá’í também nos apresenta um conselho espiritual semelhante. Bahá’u’lláh, o profeta fundador da Fé Bahá’í, escreveu:

A palavra de Deus que a Pena Suprema registou na nona folha do Mais Exaltado Paraíso é esta: Em todos os assuntos é desejável moderação. Se algo for levado ao excesso, tornar-se-á uma fonte de mal. (Kalímát-i-Firdawsíyyih [Palavras do Paraíso])

E 'Abdu'l-Bahá, o intérprete autorizado das Escrituras Bahá'ís e filho de Bahá'u'lláh, escreveu:

Quantas vezes aconteceu que um indivíduo que foi agraciado com todos os atributos da humanidade, e usava a joia da verdadeira compreensão, ainda assim seguiu as suas paixões até que as suas excelentes qualidades ultrapassaram a moderação, e ele foi forçado ao excesso. As suas intenções puras mudaram para más, os seus atributos deixaram de ser usados de forma digna, e o poder dos seus desejos desviou-o da rectidão e das suas recompensas para caminhos perigosos e sombrios. Um bom carácter é aos olhos de Deus e dos Seus eleitos e dos possuidores de discernimento, a mais excelente e louvável de todas as coisas, mas sempre com a condição de que o seu centro de emanação seja a razão e o conhecimento, e a sua base seja a verdadeira moderação. (Secret of Divine Civilization)

Mas as circunstâncias quotidianas, levam-nos por vezes aos excessos e às carências em vez da moderação.

Como podemos regressar a um meio-termo, a um modo de vida moderado e razoável que evita o excesso em favor do tacto, da sabedoria e da delicadeza? Como podemos controlar os nossos desejos, tornar a nossa conduta justa e equilibrada e moderar os nossos actos?

Obviamente, como seres humanos, as nossas circunstâncias e os nossos gostos diferem. Todos nós gostamos de certas coisas – comida, roupas, bens – e não gostamos de outras. Alguns filósofos ocidentais contemporâneos acreditam que tudo está relacionado com os nossos gostos – mas se usarmos o gosto como único critério, isso pode levar ao excesso. Se eu gosto de bolos, por exemplo, posso ficar tentado a comer bolos em todas as refeições, mas esse tipo de excesso não seria saudável nem sensato. Manter uma relatividade de equilíbrio e sabedoria nas nossas circunstâncias requer a força de vontade do indivíduo para superar e moderar os gostos pessoais.

Podemos beneficiar da maioria das coisas quando as usamos com moderação – e, ao mesmo tempo, pedindo a graça de Deus através da oração.

Os ensinamentos da Fé Bahá’í recomendam moderação em todas as coisas. Apenas como exemplo, o princípio Bahá’í da moderação condena os extremos da riqueza e da pobreza, e pede-nos que encontremos uma solução espiritual para os problemas económicos da humanidade. Bahá’u’lláh pronunciou-se contra o ascetismo e o monasticismo, e encorajou os Bahá’ís a apreciarem as bênçãos e a beleza deste mundo com alegria e felicidade.

Na perspectiva de Aristóteles - e na perspectiva Bahá’í - devemos sempre procurar a moderação como o caminho para uma vida virtuosa. Temos de praticar a prudência para praticar a moderação; e a moderação também pode ajudar-nos a desenvolver as nossas características morais. Se a alma humana canalizasse as bênçãos do mundo lembrando-se de Deus, e obedecendo às suas leis, a moderação poderia levar-nos a um mundo mais generoso e agradável.

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Texto original: Aristotle’s Golden Mean and the Role of Moderation (www.bahaiteachings.org)


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Arvin Joshua Diaz é estudante e vive em Manila, nas Filipinas.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

Aristóteles



«Dado ser o espírito um atributo divino, uma existência de acordo com este espírito será, na sua relação com a vida humana, verdadeiramente divina. Não devemos, pois, escutar aqueles que nos aconselham, sob o pretexto de sermos homens, a não reflectir senão sobre as coisas humanas, e, sob o pretexto de que somos mortais, a renunciar às coisas imortais.

Contrariamente, devemos fazer todo o possível para nos tornarmos imortais e para vivermos de acordo com a melhor parte de nós mesmos, uma vez que o princípio divino, por mais pequena que possa ser a sua dimensão, se sobrepõe a tudo o mais, tanto pelo seu poder como pelo seu valor.

O mais próprio humano é, de facto, a vida espiritual, uma vez que o espírito constitui o essencial do homem. Uma tal vida é, por esse motivo, inteiramente ditosa.»

(Tradução de Rui Bebiano)

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NOTA: Aristóteles é referido por Bahá'u'lláh como "o famoso homem de sabedoria"