sábado, 6 de junho de 2026

As Fontes de Conhecimento dos Sábios do Passado

Por David Langness.


Os ensinamentos Bahá’ís afirmam que as ideias mais profundas da filosofia emanaram dos profetas e mensageiros que fundaram as religiões do mundo.

Os sábios do passado — que respeitamos pela sua sabedoria e discernimento, e nos quais baseamos os alicerces fundamentais da nossa cultura — adaptaram conceitos e ideias aprendidas com a escola dos profetas. Os Bahá’ís acreditam que a religião fornece, muitas vezes, a fonte original para a filosofia, para a ciência, para a ética e para o progresso do mundo:

Embora seja reconhecido que os homens de sabedoria contemporâneos são altamente qualificados em filosofia, artes e ofícios, se alguém observasse com um olhar criterioso, compreenderia prontamente que a maior parte deste conhecimento foi adquirido dos sábios do passado, pois foram eles que lançaram os alicerces da filosofia, ergueram a sua estrutura e reforçaram os seus pilares. Assim te informa o teu Senhor, o Ancião dos Dias. Os sábios de antigamente adquiriram o seu conhecimento dos Profetas, dado que estes eram os expoentes da filosofia divina e os reveladores dos mistérios celestiais. Uns beberam das águas cristalinas e vivas dos Seus ensinamentos, enquanto outros se contentaram com os sedimentos. Cada um recebe uma porção segundo a sua medida. Em verdade, Ele é o Equitativo, o Sábio. (Tablets of Baha’u’llah, pp. 144)

Neste fascinante excerto das Escrituras Bahá’ís, Bahá’u’lláh detalha a história das ideias de Empédocles e Pitágoras, filósofos gregos pré-socráticos que desenvolveram filosofias focadas no misticismo e no crescimento espiritual da alma individual:

Empédocles, que se destacou na filosofia, era contemporâneo de David, enquanto Pitágoras viveu nos dias de Salomão, filho de David, e adquiriu Sabedoria do tesouro da missão profética. Foi ele quem afirmou ter ouvido o sussurro dos céus e ter alcançado a posição dos anjos. Em verdade, o teu Senhor esclarecerá todas as coisas, se assim o desejares. Em verdade, Ele é o Sábio, o Todo-Predominante. (idem, pags. 144-145)

Pitágoras e Empédocles inspiraram-se e contribuíram para a compreensão espiritual do seu tempo, sendo fortemente influenciados pela tradição de sabedoria do rei David e do seu filho Salomão, ambos profetas menores da Bíblia. Por sua vez, as filosofias de Pitágoras e Empédocles foram adoptadas pelos judeus helenizados da cidade-estado de Alexandria, no Egipto, que, naturalmente, seguiam os ensinamentos dos profetas Abraão e Moisés — e que mais tarde se tornaram alguns dos primeiros cristãos. Estas filosofias influenciaram o mundo inteiro.

Os ensinamentos Bahá’ís reforçam esta concepção da história — de que os filósofos que respeitamos na cultura ocidental receberam a essência da sua sabedoria dos profetas, sábios e mestres espirituais do Oriente:

A essência e os fundamentos da filosofia emanaram dos Profetas. O facto de as pessoas divergirem quanto aos seus mistérios e significados profundos deve-se à divergência dos seus pontos de vista e mentalidades. (idem, pags. 146)

Isto enquadra-se no princípio Bahá’í de que a história e o progresso humano avançam como resultado da força motriz de uma série de revelações sucessivas. Da mesma forma, Aristóteles dizia que Deus é o motor primordial do universo e, por isso, o animador último de tudo o que nele existe. Nos tempos mais modernos, o grande filósofo Hegel tornou-se o principal expoente moderno da ideia de que o progresso da humanidade consiste na execução e consumação da vontade do Criador. Hegel escreveu: “O Espírito, ou Mente, é o único princípio motor da história”.

Os ensinamentos Bahá’ís concordam, afirmando que o Espírito Santo — a força motriz da vontade de Deus no mundo — é o verdadeiro motor para o progresso da humanidade:

...compreendemos que o Espírito Santo é o factor energético na vida do homem. Quem recebe esse poder é capaz de influenciar todos aqueles com quem contacta. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, p. 165)

O “progresso” é a expressão do espírito no mundo da matéria. A inteligência do homem, a sua capacidade de raciocínio, o seu conhecimento, as suas conquistas científicas — sendo todas estas manifestações do espírito — participam da inevitável lei do progresso espiritual e são, por isso, necessariamente imortais.

A minha esperança para vós é que progridam no mundo espiritual, assim como no mundo da matéria; que a vossa inteligência se desenvolva, o vosso conhecimento aumente e a vossa compreensão se alargue. (Idem, p. 90)

Essencialmente, então, os Bahá’ís vêem a sequência de profetas e fundadores das principais religiões do mundo como os primeiros educadores da humanidade:

Jesus Cristo foi um Educador da humanidade. Os seus ensinamentos eram altruístas; A sua dádiva, universal. Ensinou a humanidade pelo poder do Espírito Santo e não através da acção humana, pois o poder humano é limitado, enquanto o poder divino é ilimitado e infinito. A influência e as realizações de Cristo comprovam-no. Galeno, o médico e filósofo grego que viveu no século II d.C., escreveu um tratado sobre a civilização das nações. Não era cristão, mas testemunhou que as crenças religiosas exercem um efeito extraordinário sobre os problemas da civilização. Em síntese, disse: “Há entre nós algumas pessoas, seguidores de Jesus, o Nazareno, que foi morto em Jerusalém. Estas pessoas estão verdadeiramente imbuídas de princípios morais que são a inveja dos filósofos. Acreditam em Deus e temem-No. Têm esperança nos seus favores; por isso, evitam todos os actos e acções indignas e predispõem-se a uma ética e moral louváveis. De dia e de noite, esforçam-se para que os seus actos sejam louváveis que possam contribuir para o bem-estar da humanidade; por isso, cada uma delas é, na prática, um filósofo, pois estas pessoas alcançaram aquilo que é a essência e o propósito da filosofia. Estas pessoas possuem uma moral louvável, mesmo que sejam analfabetas”.

O objetivo disto é mostrar que os santos Manifestantes de Deus, os profetas divinos, são os primeiros Mestres da raça humana. São educadores universais, e os princípios fundamentais que estabeleceram são as causas e os factores do progresso das nações. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, pp. 85-86)

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Texto original: Where the Sages of the Past Went to School (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

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