Por Collis Ta'eed.
Pode parecer um pouco mórbido pensar sobre escrever um testamento, mas acontece que se trata de algo que todo o crente Bahá’í deve fazer durante a sua vida. Descobri isso recentemente quando o nascimento do meu primeiro filho me inspirou a pensar mais sobre o futuro do que era normal. Na verdade, descobri que escrever um testamento é uma lei do Kitab-i-Aqdas.
É bom também, porque, aparentemente, aqui na Austrália, em algumas circunstâncias quando não se tem um testamento, todos os bens são entregues ao estado!
Uma vez que um testamento é um documento legal, é importante lembrar se deve procurar algum aconselhamento jurídico adequado antes de escrever um. É possível encontrar modelos de testamentos, mas para mim foi bom ter alguém qualificado para fazer o trabalho, em vez de ficar perdido e confuso no meio de tudo isso.
Testamentos Bahá’ís
Não há instruções específicas sobre o conteúdo dos testamentos Bahá’ís, mas há uma instrução para o embelezar. No Kitab-i-Aqdas, Bahá'u'lláh afirma que:
O testador deve iniciar este documento com o adorno do Mais Grandioso Nome, dando ali testemunho da Unidade de Deus no Amanhecer da Sua Revelação, e mencionar, como desejar, o que é digno de louvor, para que seja um testemunho para ele nos reinos da Revelação e da Criação e um tesouro com o Senhor, o Protector Supremo, o Fiel. (Kitab-i-Aqdas)
Assim, no início do seu testamento, deve estar o Mais Grandioso Nome, isso pode ser escrito de três maneiras: 'Yá Bahá'u'l-Abhá', 'Ó Glória do Mais Glorioso', ou com uma caligrafia semelhante à que se encontra na foto do tecto da Casa de Adoração Bahá’í em Wilmette.
Depois disso, tal como diz a citação, deve haver um testemunho de fé. Não há uma linguagem específica e cabe a cada uma de nós, como Bahá’í, expressar-se da maneira que considerar adequada.
Além de embelezar o testamento, há muitas outras considerações importantes a ter em mente, incluindo:
1. Instruções sobre o Funeral
Os Bahá’ís têm instruções específicas para serem sepultados; por exemplo, não devem ser cremados. Devemos garantir que os nossos familiares e amigos conhecem estas disposições; e um testamento é um bom lugar para as escrever.
2. Pagamento de Huquq'u'llah
O Huquq'u'llah é uma responsabilidade individual; a melhor forma de a gerir é fazê-lo continuamente ao longo da vida. No entanto, podemos querer definir o pagamento do Huquq'u'llah no nosso último ano. A forma de organizar isso precisa de alguma reflexão, pois é importante termos a certeza que o executor do testamento consegue perceber o que pagar e como pagar. Talvez seja aconselhável consultar com o responsável pelo Huqúqu'lláh da sua área.
3. Legado para as Instituições Bahá'ís
Como Bahá’ís, podemos escolher deixar alguns dos seus bens a uma instituição ou fundo Bahá’í. Quem possui um objecto ou propriedade valiosa, pode querer entregá-la a uma instituição; o executor do testamento irá vender o objecto ou a propriedade e entregará o produto da venda à instituição. Além disso, também devemos enviar uma cópia do testamento para o Centro Nacional Bahá’í para que eles tenham um registo dos seus planos.
Em última análise, elaborar um testamento Bahá’í é uma obrigação para todos os Bahá’ís e algo que não tem de ser demasiado oneroso e mórbido. Depois de estar feito, é possível actualizá-lo periodicamente conforme seja necessário; mas também podemos deixá-lo como está, com a tranquilidade de que tudo ficará no seu lugar!
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Texto original: Writing a Baha’i Will
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