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sábado, 13 de abril de 2013

Ser Bahá'í no Paquistão

Shobha Das, directora de programas da Minority Rights Group, visitou recentemente Islamabade. Neste texto ela relata um encontro com um membro da comunidade Baha'i que lhe descreveu a sua conversão do islamismo, e as consequências da sua mudança de fé.

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Centro Bahá'í, Islamabade
L. nasceu muçulmano no Baluchistão, filho de uma mãe Baluche e de pai Pashtune. O Baluchistão ocupa a maior massa de território das províncias do Paquistão, mas é o lar de menor população das províncias do país. Embora tenha vastos recursos naturais (petróleo e gás, carvão, entre outros), é extremamente pobre.

Os nacionalistas baluches têm estado envolvidos num conflito com o governo do Paquistão durante décadas devido a abusos de direitos humanos e de partilha de rendimentos; alguns nacionalistas querem nada menos do que a secessão total. Segundo a Amnistia Internacional, Baluchistão sofre de uma "crise de direitos humanos". Todos os dias, grupos de militantes armados põem em perigo a vida de civis, e as forças do governo são, alegadamente, responsáveis por um número crescente e alarmante de assassinatos e sequestros.

L. abandonou o Baluchistão e mudou-se para a capital paquistanesa, Islamabade, devido ao conflito, "Foi por causa dos meus filhos; eu não sabia como mantê-los em segurança lá", afirma. Depois de crescentes desilusões com a forma como o Islão era praticado, L. teve uma série de experiências espirituais muito intensas. Como resultado destas, um dia L. encontrou-se no Centro de Bahá’í de Islamabad. A religião não é proselitista, mas após algumas conversas com outras pessoas no Centro, ele rapidamente se convenceu sobre o valor da religião para lidar com as dúvidas espirituais que o atormentavam. Pouco tempo depois, deu por si trocando o Islão pela Fé Bahá’í.

O que é atraente, afirma ele, é a mensagem da unidade humana. Para ele, isto é a religião que transcende todas as outras, com a sua mensagem de que "Deus é um, o homem é um, e todas as religiões são uma só."

Estrela Bahá'í com símbolos de outras religiões
No tecto do Centro está uma imagem gigantesca em vidro com da estrela Bahá'í e com os símbolos de religiões mais importantes do mundo. L. já aprendeu a ler e escrever persa para melhor aceder aos textos sagrados Baha'is, e vive com a sua família nas instalações do Centro Baha'i, onde cuida orgulhosamente e com sucesso para um jardim florescente ao redor do centro de recursos e da biblioteca.

Há cerca de 200 Bahá’ís em Islamabade, e talvez dois ou três mil em todo o Paquistão. Pergunto-lhe se os 200 de Islamabad usam este centro como local de culto. L. diz-me que os Bahá’ís não costumam rezar em congregação; o seu culto é um acto pessoal de comunhão com o seu Deus.

Em Islamabade, a vida para os Bahá’ís não é difícil, diz-me L. Não há discriminação activa e ele não está preocupado que as pessoas digam que ele é Bahá’í. Aqui, ele usa roupas ocidentais: um camisola grossa para suportar o inverno frio de Islamabad, sapatos fortes e calças para o exterior que poderíamos usar numa caminhada de verão alpino.

Cartaz no Centro Bahá'í
No entanto, quando vai a casa no Baluchistão, ele veste as suas roupas Pathan de salwars e túnicas largas; se usar qualquer outra coisa, afirma, seria pedir mil perguntas e reprimendas, ou pior. Além disso, a sua família no Baluchistão não sabe que ele já não é muçulmano. Também nunca lhes iria dizer, diz ele, porque instantaneamente eles deserdá-lo-iam. Os seus filhos e esposa também são Bahá’ís mas isso nunca é mencionado quando estão no Baluchistão. Quando lá estão, acrescenta, "todos nós fazemos o namaaz e enquadramo-nos na cultura muçulmana. Não há outra maneira. "

Documentos de identidade no Paquistão exigem a declaração da religião do titular. Os documentos de identidade de L. não foram alterados desde a sua conversão; ele ainda é apresentado como um muçulmano. Se ele mudar isso, as viagens de visita ao Baluchistão estarão cheias de riscos de risco - as minorias religiosas no Paquistão estão todas muito conscientes de recentes incidentes com autocarros a ser parado em áreas remotas, sendo pedido aos passageiros os cartões de identificação; os membros das minorias são assim identificados e mortos a tiro. Mas ele gostaria de ter a sua nova religião nos seus papéis. "Tudo a seu tempo", diz ele.

No entanto, diz com orgulho, quando registar os documentos de identidade das crianças, ele vai declará-los como Bahá’ís. Pergunto-lhe se eles vão ser capazes de falar mais livremente das suas crenças religiosas quando forem crescidos. "Inshallah", responde. "Inshallah".

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FONTE: A Pakistani Baha’i’s story

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A Unidade é a nossa Segurança

A sabedoria Bahá'í em tempos violentos

Artigo de Homa Sabet Tavangar publicado no Huffington Post (10 de Janeiro de 2011)

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O primeiro mês de 2011 poderia ser o momento perfeito para alcançar a unidade, mas os acontecimentos recentes podem frustrar as esperanças e criar ainda maiores divisões e sofrimentos.

A primeira semana de 2011 testemunhou duas tragédias terríveis separadas por milhares de quilómetros de distância, mas com semelhanças arrepiantes. No Paquistão, em 04 de Janeiro, o governador do Punjab, Salman Taseer, foi morto a tiro em plena luz do dia num bairro comercial de Islamabad. E, no Arizona, em 08 de Janeiro, num Centro Comercial em Tucson, EUA a congressista Gabrielle Giffords foi alvejada com uma bala na cabeça, seis pessoas foram imediatamente mortas, e muitas foram feridas.

Segundo o seviço inglês da Al Jazeera no Paquistão, o líder de um grupo religioso dos estudiosos muçulmanos aconselhou: "Não deve haver nenhuma expressão de dor ou simpatia sobre a morte do governador [Taseer], pois aqueles que apoiam a blasfémia contra o Profeta entregam-se eles próprios à blasfémia ". Taseer tinha sido um crítico aberto da lei de blasfémia do Paquistão, que estava a ser revista após uma mulher cristã ter sido condenada à morte por supostamente insultar o profeta Maomé. Segundo alguns relatos, o alegado assassino de Taseer cometeu o acto violento por causa das pressões dos seus líderes religiosos, para punir severamente aqueles que se recusaram a apoiar leis draconianas contra a blasfémia. O atirador pensava que estava a fazer o trabalho de Deus.

No tiroteio de Tucson, os políticos que usaram expressões como "carregar e apontar", "linha de fogo", e outras imagens violentas não podem ser responsabilizados pelas acções violentas de um jovem doente mental, mas num momento em que culpamos a TV pela obesidade infantil, falta de atenção, comportamentos violentos e outros males sociais, ter maior responsabilidade sobre as consequências da nossa linguagem e das nossas acções não é uma jogada política; é um acto de responsabilidade.

Os dois políticos alvejados eram vozes da razão e da moderação, no Paquistão e os EUA, e admirados pelas suas atitudes conciliadoras, capacidades e paixão pelo serviço. Quantos avisos de alerta precisamos, antes de repensarmos o nosso compromisso em juntar diferentes pontos de vista opostos juntos para o bem comum, de modo que as diferenças não encorajem a violência? Ainda será possível? E neste início de ano 2011, como podemos fazer melhor?

Com muitos exemplos de conflitos crescentes, a unidade exige nada menos do que uma transformação da sociedade e atitudes. Uma dádiva tão preciosa como a unidade - na diversidade, não a uniformidade - será uma vitória dura. Acredito que "O bem-estar da humanidade, a sua paz e segurança são inatingíveis a menos que, e até que, a sua unidade seja firmemente estabelecida". A nossa segurança depende da nossa unidade. Esta citação é de Baha'u'llah, o Fundador da Fé Bahá'í, que passou a maior parte da sua vida na prisão por defender a igualdade, a justiça, a educação para todos, e exortar a humanidade no caminho da paz. Ele afirmou que cada ser humano foi "criado Nobre" apesar muitas vezes voltarmos as costas a essa nobreza; a necessidade básica nesta época da história humana é a união de toda a raça humana. Ele ensinou que se a religião provoca injustiça da tirania, ou hostilidade, então, "seria preferível a ausência de religião."

Para orientar minhas acções pessoais, estas palavras de Bahá'u'lláh sugerem algumas medidas concretas: " Sê generoso na prosperidade e grato no infortúnio. Sê digno da confiança de teu próximo e dirige-lhe um olhar afectuoso e acolhedor. Sê um tesouro para o pobre, uma advertência para o rico, uma resposta ao pranto do necessitado, e preserva a santidade das tuas promessas. Sê recto no teu julgamento e comedido nas tuas palavras. Com ninguém sejas injusto e a todos mostrai brandura. Sê como uma lâmpada para os que caminham nas trevas, um consolo para o triste, um mar para o sedento, um refúgio para o abatido, um sustentáculo e defensor da vítima da opressão."

Fiquei profundamente incomodada com tantos actos de ódio, neste início de ano. Mas em vez de responder na mesma moeda, aqueles de nós que querem a paz podem fazer muito - amar mais profundamente, procurar aprender mais abertamente, servir com mais generosidade, e ser mais consciente dos indivíduos em torno de nós, usando os princípios acima referido como guia. Temos que começar por algum lado.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Uma mensagem de Pervez Musharraf

Acontece, com cada vez mais regularidade, que Presidentes, Monarcas e Chefes de Governo felicitem a Comunidade Baha’i por ocasião dos seus dias festivos. Acontece no Naw-Ruz (o Ano novo) e também acontece no Ridvan (que celebramos durantes estes dias). Estas mensagens são considerados gestos de cortesia e reflectem um reconhecimento da importância que a Comunidade Baha’i atingiu nesse país.

Mas quando uma mensagem dessas vem de um chefe de Estado de um país maioritariamente muçulmano, então o facto é surpreendente. Segundo o jornal paquistanês The News, o Presidente Pervez Musharraf, enviou à comunidade Bahá'í do Paquistão uma mensagem de felicitações por ocasião do Festival de Ridvan que agora se comemora.

Na mensagem lia-se: "As minorias são um elemento sagrado para Paquistão. O fundador da nação afirmou este princípio na criação do Paquistão, dizendo que deve ser assegurada uma política de igualdade, liberdade e segurança para todas as comunidades".

O presidente Musharraf também afirmou que todas as religiões ensinam valores elevados, como a igualdade, a justiça social e os direitos humanos, tal como o Islão defende um tratamento justo e igualdade para todos. "O Ridvan é também uma oportunidade para nos lembrarmos e reafirmarmos o nosso empenho no trabalho duro em benefício da humanidade. Desejo um Ridvan muito feliz à comunidade Baha'i, em especial aos que vivem no Paquistão.”

A mensagem reflecte uma boa dose de coragem por parte do Presidente Musharraf. Recorde-se que a situação política do Paquistão é bastante instável e este acto poderá ser usado contra ele. Imagino que não faltarão vozes extremistas a denunciá-los como “amigo dos Bahá'ís”.