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sábado, 1 de agosto de 2026

‘Abdu’l-Bahá e os Socialistas de Montreal

Por Tony Michel.


Mais de quinhentas pessoas encheram o Coronation Hall de Montreal, a 3 de Setembro de 1912, para uma reunião do Clube Socialista de Montreal. Vieram ouvir ‘Abdu’l-Bahá falar sobre “A Felicidade Económica da Raça Humana”, escreveu o jornal Montreal Star, e “pareciam representar quase todas as nacionalidades do mundo”. O presidente da associação, Sr. H.A. Goulden, apresentou ‘Abdu’l-Bahá como “um grande mensageiro de amor e fraternidade do Oriente para o Ocidente”. Mahmud-i-Zarqani observou que Goulden disse à audiência que iriam ouvir falar de “os princípios da fraternidade, da prosperidade e da melhoria da condição dos pobres”.

Actualmente é difícil entender o período anterior ao moderno Estado-Providência, antes dos muitos Estados autoproclamados “socialistas” do século XX, antes da Revolução Bolchevique Russa de 1917. Não podemos ter a certeza exacta do significado da palavra “socialismo” para as quinhentas pessoas ali reunidas nesse dia, mas podemos presumir que partilhavam a crença de que o sistema económico de um Canadá recém-industrializado contribuía para o sofrimento dos pobres.

O jornal The Star referia-se ao evento como uma “reunião de socialistas”, e para Mahmud, eram o “Clube Socialista”. A Liga Socialista do Canadá, o Partido Socialista do Canadá e o Partido Social Democrata do Canadá estavam todos activos na cidade naquela época. Os trabalhadores canadianos estavam organizados em sindicatos desde a década de 1870, o que levou à criação do “Dia do Trabalhador” em 1872, como parte da campanha para reduzir a semana de trabalho para cinquenta e oito horas. Mas o socialismo no Canadá daquele tempo estava mal definido, não estando necessariamente associado ao movimento sindical, nem sequer à classe operária. Os seus líderes eram influenciados por ideias de fraternidade cristã, socialismo fabiano e talvez algumas ideias de Marx. O que ouviram de ‘Abdu’l-Bahá, segundo o The Star, foi um plano para ajudar cada indivíduo a desfrutar do “direito de viver com conforto e felicidade, participando no bem-estar geral”.

O discurso de ‘Abdu’l-Bahá começou com a afirmação de que os seres humanos não são criaturas solitárias, mas estão “sempre necessitados de cooperação e entreajuda”. Disse à assembleia que “Deus deseja que cada membro do corpo político viva com o máximo conforto e bem-estar”. A ausência deste constitui “uma falta de simetria no corpo político”.

O jornal The Star citou a caracterização de ‘Abdu’l-Bahá sobre os “egoístas” que dizem: “Vamos cuidar de nós. Os outros que morram, desde que eu esteja confortável, tudo está a correr bem”. “Esta atitude insensível”, disse, “deve-se à falta de controlo e à ausência de uma lei exequível”.

Abdu’l-Bahá identificou então propostas económicas que, segundo Ele, foram elaboradas pelo seu pai, Bahá’u’lláh, no final do século XIX. ‘Abdu’l-Bahá introduziu a ideia de um “armazém geral” para o qual todos os membros da sociedade contribuiriam com uma percentagem do seu rendimento “numa escala gradual”. ‘Abdu’l-Bahá sugeriu taxas de 0%, 10%, 20%, 25% e 50% desde os pobres até aos ricos. Os jornais referiam-se a este conceito como “dízimos” — o conceito de imposto sobre o rendimento só foi implementado no Canadá em 1917 como uma “medida temporária” para auxiliar o esforço de guerra. É claro que, no contexto de 1912, palavras como “dízimo” e “imposto” tinham conotações diferentes das de hoje e podem ser descrições imprecisas da mensagem de ‘Abdu’l-Bahá, especialmente por terem sido filtradas por uma reportagem jornalística.

O povo “elegeria administradores para a gestão do património público”, explicou ‘Abdu’l-Bahá, e deste “depósito geral” de fundos, provenientes de vários sectores da indústria — agricultura, recursos naturais, área fabril, imposto sobre as heranças — “os menos afortunados” “garantiriam a sua parte do bem-estar geral”.

Em 1912, um sistema de prestações sociais para os pobres como este não tinha equivalente nas Américas, e seriam necessárias décadas até que uma lei pudesse implementar esse tipo de programas no Canadá. Não se tratava de socialismo, pois não envolvia a propriedade colectiva dos meios de produção e, como observou o jornal The Star, “preservava as distinções sociais”. Além disso, esta não era, de todo, a totalidade dos muitos discursos de ‘Abdu’l-Bahá sobre economia. Na noite seguinte, voltaria a falar mais sobre as dimensões espirituais da economia. Mas, para a plateia daquela noite, estas ideias inovadoras geraram aplausos tão calorosos que, nas palavras de Mahmúd, “as paredes do edifício pareciam vibrar até aos alicerces”.

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Texto original: ‘Abdu’l-Bahá and Montreal’s Socialists (239 Days in America)

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Presidentes de Universidades canadianas defendem Educadores Bahá'ís

Allan Rock e  Lloyd Axworthy
Os Presidentes das Universidades de Winnipeg, Lloyd Axworthy, (ex-ministo dos Negócios Estrangeiros do Canadá) e de Ottawa, Allan Rock, (ex-embaixador do Canadá na ONU) apelaram a todos os seus colegas canadianos para se juntarem a eles exigindo o fim das perseguições aos estudantes e educadores Bahá'ís, no Irão.

Num artigo publicado na edição canadiana do jornal "The Huffington Post", afirmam o quão "profundamente perturbados" se sentem por ser negado o acesso à educação superior aos Bahá’ís no Irão, e exprimem a sua preocupação por o "brutal regime de Teerão fazer orelhas moucas" aos apelos para acabarem com esta sistemática perseguição.

"Como presidentes de Universidades canadianas", escrevem, "damos um enorme valor ao acesso dos jovens ao conhecimento e às aptidões de que precisam para ter sucesso no mundo de amanhã. Consideramos a Educação como uma chave para um futuro melhor para todos os povos, e acreditamos ardentemente que todas as pessoas têm direito à Educação."

O seu artigo chama a especial atenção para o ataque lançado pelas autoridades iranianas a uma iniciativa informal da comunidade - conhecido como Bahá’í Institute for Higer Education (BIHE) - que foi criado para oferecer educação aos jovens Bahá’ís impedidos de ingressar nas Universidades.

Entre os presos, em Maio do ano passado, por estar associada ao BIHE, estava Nooshin Khadem - uma pós-graduada MBA da Universidade de Carleton, Ottawa, que está agora a cumprir uma pena de quatro anos de prisão e um casal, actualmente a aguardar julgamento, Kamran Rahimian e Faran Hessami, que concluíram os seus estudos de pós-graduação, em Aconselhamento Psicológico, na Faculdade de Educação, na Universidade de Ottawa.

"Eles foram acusados de ensinarem sem acreditação válida", afirma o artigo. "As autoridades iranianas confiscaram os seus diplomas de graduação e, em seguida, alegaram que eles nunca os tinham conseguido."
Os Presidentes Axworthy e Rock encorajam "todos os canadianos a juntar a sua voz para apelar ao governo iraniano que retire, incondicionalmente, todas as acusações contra os Educadores, que suspenda todas as agressões contra o Bahá’í Institute for Higer Education (BIHE) e permita o acesso dos Bahá’ís à educação. Os Bahá’ís do Irão devem saber que ao resistirem à opressão cruel daqueles que os perseguem, eles não estão sozinhos."

O artigo conclui com os dois presidentes a declararem que estão "orgulhosos de se juntarem" a um "grupo cada vez maior de académicos, administradores universitários e advogados notáveis para a paz, incluindo Desmond Tutu, Romeo Dallaire e José Ramos-Horta" que "condenam o regime do Irão, na sua recusa ao direito à educação".

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FONTE: Canadian university presidents speak out for Baha'i educators (BWNS)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Canadá: Senadora muçulmana em defesa dos Bahá’ís do Irão

No Senado do Canadá, no decorrer de uma reunião sobre as perseguições aos Bahá’ís no Irão, Mobina Jaffer - assunto a primeira senadora muçulmana do Canadá - criticou fortemente o Irão pelo julgamento e prisão dos educadores Bahá'ís, afirmando que a atitude do governo iraniano ao criminalizar a educação de jovens Baha’is é um acto sem precedentes. "Que crueldade é esta, em que um Governo prende os seus cidadãos por educar outros e transforma o processo de aprendizagem num crime?", questionou.

A Senadora Jaffer iniciou o inquérito em Junho deste ano, um mês depois das autoridades iranianas terem invadido cerca de 39 residências de Bahá'ís associados a uma iniciativa informal da comunidade - conhecida como BIHE (Baha’i Institute for Higher Education) - criada para ensinar jovens Bahá'ís impedidos de entrarem nas universidades.

Dirigindo-se à comissão de inquérito, a senadora Jaffer afirmou que a sua preocupação de momento era sobre os sete educadores Bahá'ís, que foram condenados a quatro e cinco anos de prisão. "Entre os condenados a quatro anos de prisão encontra-se Nooshin Khadem, uma residente permanente do Canadá com uma pós-graduação MBA da Universidade de Carleton," acrescentou

"Nooshin veio para o Canadá porque a Universidade Carleton reconheceu os seus estudos do Instituto Bahá'í como equivalentes a uma pós-graduação, tendo ela, a seguir voltado para o Irão, para ensinar os outros. Agora ela está na prisão por cometer o «crime» de transmitir a sua educação."

Entre outros Bahá’ís, que foram recentemente detidos e presos, dois deles também receberam concluíram a licenciatura no Canadá - qualificações que o Irão agora considera "ilegais", observou a Senadora Jaffer.

O casal Kamran Rahimian e Faran Hessami concluiu o mestrado em “Aconselhamento psicológico” da Universidade de Ottawa. A Comunidade Internacional Bahá'í soube recentemente que a Sra. Hessami foi libertada sob fiança, em 28 de Novembro. Tanto ela como o marido ainda estão a aguardar julgamento. O seu filho, de dois anos de idade, teve que viver com parentes enquanto ambos os pais estavam na prisão.

"Como uma nação que respeita os direitos humanos e os valores do pluralismo religioso, devemos continuar a levantar-nos e a enfrentar directamente a ameaça apresentada pelo Irão ao seu próprio povo", continuou. "O Irão pode não querer ouvir hoje, mas o povo iraniano está a ouvir. Eles têm de saber que o Canadá está com eles e continuará a lutar pelos seus direitos e liberdades fundamentais."

Também na semana passada, o senador Romeo Dallaire - o ex-comandante da força de paz da ONU, que tentou parar com o genocídio em Ruanda, em 1990 - disse no inquérito do Senado que as actuais acções do Irão contra os Bahá’ís, faz lembrar-lhe o que ele presenciou em África.

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FONTE: Concerns for imprisoned Baha'i educators voiced in Senate (BWNS)

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Aumenta a condenação internacional contra as violações dos direitos humanos no Irão

Ao protesto mundial contra a perseguição da Comunidade Bahá'í do Irão juntou-se o Senado Chileno, uma senadora muçulmana do Canadá e conhecidas organizações indianas.


"A detenção injusta"

No Chile, o Senado, por unanimidade, apelou ao presidente Sebastián Piñera para "condenar veementemente" o Irão pela sua "perseguição rigorosa e sistemática aos Bahá’ís." Numa resolução aprovada por unanimidade em 15 de Junho, o Senado chileno mencionou especificamente as detenções, no mês passado no BIHE, opondo-se à "injusta detenção dessas pessoas."

AQ resolução salienta ainda que, "desde 1979 o governo do Irão tem proibido sistematicamente o ensino superior aos jovens adeptos da sua maior minoria religiosa não-muçulmana, a grande comunidade Bahá'í, com mais de 300 mil crentes, e também tem procurado reprimir os esforços dos Bahá'ís para estabelecer as suas próprias iniciativas, incluindo o Instituto Bahá'í de Educação Superior (BIHE)."



Um apelo apaixonado

A Senadora Mobina Jaffer - que é a primeira senadora muçulmana do Canadá - falou durante mais de 15 minutos, em 21 de Junho, sobre a situação dos direitos humanos no Irão, condenando o país "pela campanha brutal de opressão contra os seus cidadãos" pedindo "novas medidas" ao Canadá para "chamar o Irão a prestar contas pelo seu tratamento inaceitável aos Bahá’ís."

E acrescentou: "Em Setembro passado, a ONU catalogou os abusos cometidos pelo Irão, incluindo tortura e crueldade, tratamento desumano ou degradante, execuções públicas e execuções de defensores de menores, o apedrejamento como medida de execução, a violação dos direitos das mulheres, as violações dos direitos das minorias e restrições à liberdade de reunião e de associação e à liberdade de opinião e expressão”

No entanto, a maior parte do seu discurso, centrou-se no debate sobre a perseguição do governo iraniano aos Bahá’ís, dizendo que a situação "é uma questão a estudar sobre as reais intenções do governo iraniano no que respeita às suas obrigações dos direitos humanos."

"A perseguição enfrentada pelos Bahá’ís no Irão tem hoje poucos paralelos na história da humanidade", disse a senadora Jaffer. "Esta é uma comunidade com mais de 300.000 pessoas que há mais de 30 anos tem sido sujeita a uma política de Estado, muitas vezes explicitamente centrada na sua destruição. A intensidade da pressão sentida por esta minoria religiosa é quase impossível de imaginar para nós, canadianos, mas é nosso dever, como senadores, aliás como seres humanos, levantar as nossas vozes em solidariedade com a sua causa”.

"Os Bahá’ís enfrentam estas perseguições no Irão, porque uma linha dura da elite clerical vê a sua religião como ilegítima, e são, portanto, considerados apóstatas ou adversários do Islão. Essa atitude em relação aos Bahá’ís é transmitida por mentiras e desinformação, canalizadas através da comunicação social controlada pelo Estado. Os Baha’is são muitas vezes falsamente acusados de serem agentes estrangeiros trabalhando secretamente contra a nação. O resultado de tais campanhas de desinformação é a de generalizar a ignorância que perpetua a cultura do preconceito ", disse ainda.

O debate formal sobre a "Investigação" da senadora, acerca do Irão, será retomado quando o Senado se reunir novamente no Outono.

O comportamento “vergonhoso” do Irão

Na Índia, individualidades proeminentes continuam a levantar as suas vozes contra a prisão de funcionários e docentes da faculdade BIHE.

A Fundação BETI (Better Education Through Innovation) em Lucknow - que se dedica à educação de raparigas - manifestou a sua "firme solidariedade condenando as acções perpetradas contra o Instituto Bahá'í de Educação Superior".

"É realmente surpreendente que a República Islâmica do Irão recorra a uma acção que, não só nega aos Bahá’ís os seus inerentes Direitos Humanos, como também vai contra os decretos do Sagrado Alcorão que repetidamente sublinha a necessidade de se adquirir a maior e melhor educação possível", escreveu Sehba Hussain, directora e fundadora da Fundação BETI e membro da Comissão Nacional de Protecção dos Direitos da Criança.

"As acções levadas a cabo pelo Governo do Irão são vergonhosas aos olhos dos verdadeiros crentes, bem como do Todo-Poderoso", escreveu a Sra. Hussain.

Numa carta ao embaixador iraniano na Índia, que acompanha uma petição assinada por 86 personalidades, Maja Daruwala - directora de Iniciativas dos Direitos Humanos na Commonwealth - expressou "forte condenação dos actos brutais de perseguição contra os Bahá’ís iranianos", particularmente "aqueles indivíduos associados ao nobre trabalho de proporcionar o acesso à educação dos jovens Bahá’ís, a quem tem sido sistematicamente negado o seu direito à educação ..."

"Pedimos também ao governo do Irão para honrar as suas próprias obrigações que estão subordinadas ao Pacto Internacional dos Direitos Económicos, Sociais e Culturais e permitir a todos os seus cidadãos o acesso ao ensino superior, independentemente da sua ideologia ou crenças", escreveu a Sra. Daruwala.

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FONTE: Iran's human rights violations: international condemnation spreads (BWNS)