sexta-feira, 8 de julho de 2005

O Atentado de Londres (2)

Após os atentados terroristas de ontem, o desejo de vingança pode ser uma reacção natural; mas, acima de tudo, é uma reacção destrutiva. O desejo de vingança leva a que se atinjam pessoas inocentes ou a que se cometam novos actos de terrorismo. A vingança é um acto impulsivo e irracional. Pelo contrário, a justiça é um acto deliberado que se pretende seja exercido de acordo com os factos. E é ao Estado que compete o exercício da justiça.

Notei como Tony Blair se apressou a fazer a distinção entre os autores dos atentados em Londres e a comunidade muçulmana. Foi uma atitude muito sensata. Na verdade, o Islão, é mal conhecido no Mundo Ocidental. Quanto mais soubermos sobre o Islão e a sua história, melhor compreenderemos que quem comete este tipo de actos não segue os seus ensinamentos, tal como aqueles que colocam bombas em clínicas que praticam abortos invocando o nome de Jesus também não seguem os Seus ensinamentos.

Na ressaca destes actos terroristas em Londres, a ignorância, o preconceito e o desejo de vingança podem ser incentivos para ataques contra muçulmanos inocentes. Depois das famílias afectadas pela tragédia de ontem, a imensa maioria da comunidade muçulmana - que, tal como nós, ficou chocada com o ataque - merece o nosso apoio.

Aos leitores deste blog, convido-os a ler um bom livro sobre o Islão.

12 comentários:

Anónimo disse...

tu és tãoooooo pretencioso... tão paternalista...e de uma cagância....indica lá um bom livro sobre o Islão. Eu só conheço o Sagrado Alcorão mas, parece, tu sabes mais do que o comum dos mortais.Criticas tudo e sobram os baha'is não é?...já agora: és solidário com a "maioria" da comunidade muçulmana, que se está cagar para ti, e não dizes o que fazer com a pequena minoria. Guantânamo ou Gaza com eles?...

Pedro Reis disse...

Este amigo anónimo, sim tem que ser um homem, esta atitude agressiva é tipica do sexo masculino, tem alguma pedra no sapato. Amigo, não há necessidade de falar assim, vamos ter consideração pela opinião dos outros... tolerância, boa educação!
Não aprecio a sua actitude, mas admiro a sua iniciativa e vontade de participar, e diria que o Marco também sente o mesmo.
Um grande abraço

Marco disse...

Pedro,
Olha esta do Iranian.com:

Anti-Bahai beliefs are on the decline among the Iranian general public
http://www.iranian.com/BTW/2005/July/Bahai/index.html

João Moutinho disse...

Olá! voltei após o fim-de-semana.
Antes de ler os comentários vi a indicação de que eram três mas só encontrei dois.
Em todo o caso destaco a diferença de atitude entre britânicos e espanhois face ao terrorismo.Já com o IRA e ETA eram notórias algumas diferenças.
Os britânicos não vergam. Pelo menos aprentemente. Na realidade, tudo isto é um crime hediondo que merece ser tratado como tal.
Um dos problemas actuais é saber se os "recrutas" para este atentado eram cidadãos britânicos, possivelmente já nascidos no Reino Unido.
Citando o Alcorão "...Se sois aváros Deus subsituir-vos-á por outras gentes...".
Em todo o caso, não deixa de ser importante referir que não devemos confundir a erva daninha com a floresta.
Certamente que a maioria da população muçulmana condenou este crime, e deve poder continuar a professar a sua religião.

Anónimo disse...

Acredito que a maioria dos muçulmanos sejam bem mais tolerantes do que estes terroristas. No entanto, também me parece exagerada esta tentativa constante de limpeza da face do Islão. Jesus Cristo, os os escitores do Novo Testamento, nunca, mas nunca mesmo, defendem a força e a violência para defender e impor as suas doutrinas. Quanto a Maomé e ao Corão já não é bem assim. POdem dizer que se deve "espiritualizar" essas passagens. Também concordo. Mas a verdade é que elas estão lá, e são passíveis de uma leitura literal. É o que fazem os terroistas islâmicos.

Paulo

Pedro Reis disse...

Duas notas, o nosso amigo anónimo chama-se Paulo, um abraço Paulo!
Mais, o Paulo gosta de estar entre nós, e assume posições construtivas e tolerantes, se certas ou erradas isso é irrelevante, todos nós erramos, todos nós acertamos, acima de tudo todos sabemos muito pouco, assim, pelo menos que fique a forma como comunicamos, isso marca toda a diferença.
De resto queria dizer que o problema da Biblia e do Corão é serem muito dificieis de interpretar, a linguagem é demasiado alegórica, especialmente a biblica, daí o tão elevado número de seitas e divisões. Uma consequência é que quem lê tira o significado segundo o seu estado de espirito, pois quando se fala em "guerra" podemos entender como guerra espiritual, a luta contra o ego, mas quem tiver um pensamento egoista e materialista, ao ler guerra sempre pensa em armas e bombas...
Um abraço

Marco disse...

Paulo,

"Jesus Cristo, os escritores do Novo Testamento, nunca, mas nunca mesmo, defendem a força e a violência para defender e impor as suas doutrinas. "

É verdade. E no Islão isso aconteceu apenas quando toda a comunidade estava em perigo. No entanto, tanto no Islão como no Cristianismo houve quem se sentisse tentado a invocar a religião para usar a violência.

"Quanto a Maomé e ao Corão já não é bem assim. Podem dizer que se deve "espiritualizar" essas passagens. Também concordo. Mas a verdade é que elas estão lá, e são passíveis de uma leitura literal. "

Podemos fazer uma leitura literal da Bíblia e argumentar o mesmo. Por exemplo, as palavras atribuídas a Jesus "Não penseis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada" [Mt 10:34] podiam ser entendidas literalmente como um incentivo à violência.

Ora o propósito da religião sempre foi unir, harmonizar e desenvolver a sociedade; quem faz interpretações dos textos sagrados com o objectivo encontrar na religião um apoio para actos violentos está a distorcer o verdadeiro objectivo da religião. Se a religião se torna motivo de violência, então passamos melhor sem ela (isto é senso comum).

Anónimo disse...

Marco e Pedro Reis

Quero deixar claro que eu prefiro a leitura pacífica do Corão. Mas, como disse anteriormente, também não quero entrar no coro desculpabilizante do Islão. parece-me, sinceramente, que há alguma diferença entre Cristianismo e Islamismo, neste ponto.
Quando Jesus falou em "trazer a espada" Ele falava sobretudo de martírio. Parece-me uma interpretação lógica porque em nenhuma lugar do Novo Testamento encontramos a mínima referência aoa uso da força, mesmo que em auto-defesa, na propagação da fé.
O Islão é diferente. Para além das passagens que apelam à guerra, e que podem (devem) ser lidas num contexto "espiritual", o próprio Maomé emboscou e matou, com as suas próprias mãos, aqueles que ele considerava inimigos da fé. Este ponto também em parece importante.

F Cirilo disse...

Aquele anónimo do primeiro comentário é curioso.
Presumo que seja muçulmano, porque usa a expressão “Sagrado Alcorão” e depois a querer escrever provocações sob anonimato mostra uma certa cobardia. Tem portanto duas coisas em comum com os terroristas que atacaram em Londres: a religião e a cobardia.

Marco,
Um livro sobre o Islão que li e me parece interessante é “Os Árabes na História” do Bernard Lewis. Recomendo-o.
Há uma coisa que vocês baha’is estarão sempre tramados: é a necessidade de lavar a face do Islão, de fazer ver a todo o mundo que eles não são apenas terroristas e tipos que discriminam as mulheres. Por cada passo em frente que se dá nesse sentido, surge logo uma situação que leva a opinião publica a dar dois passos atrás e ficar com má impressão dos muçulmanos. Por outras palavras: a maior desgraça do Islão são os actuais muçulmanos, e isso vocês não podem fazer nada!

João Moutinho disse...

Paulo,

A nossa opinião acerca da essência do Islão nunca poderá ser imparcial porque consideramos tratar-se de uma Revelação Divina. Da mesma forma, Maomé é um Manifestante de Deus, e como tal um Ser Perfeito.
Assim todas as Suas atitudes tomadas no Seu contexto, de entre tribos pagãs e belicosas que tinham como hábito enterrar vivas as filhas quando nasciam, seriam as mesmas que Jesus teria se vivesse naquele mesmo contexto.
Maomé teve de pegar em armas porque a alternativa era os Seus seguidores e familiares serem exterminados.
Podemos comparar a acção de Maomé a quem encontra um homem que vai beber um copo de veneno, e que após ser advertido verbalmente não fez caso disso, parte o copo a fim de evitar o mal maior de todos.
Maomé foi também um estadista (O Islão não tem um "Constatantino"), e teve de suportar várias traições daqueles que Lhe tinham jurado fidelidade. Só em último caso recorreu à pena capital.
Moisés também aplicou esta mesma pena.

Pedro Reis disse...

Cirilo,

A grande diferença que há entre os fanáticos islâmicos de hoje e os fanáticos cristãos de ontem é que os primeiros entram-nos pela TV a dentro, por isso aparentemente parecem mais cruéis e desumanos. As fogueiras da inquisição já se perderam da memória... Uma alma esclarecida que tivesse vivido na Europa na idade média, diria que não haveria gente mais fanática e má, do que os católicos praticantes (alguns, o clero talvez), a essência da conduta de toda essa gente é igual, usar o nome de uma ou outra religião, de Deus, para beneficio dos seus interesses e vãs fantasias.
Acho que é tão dificil para um bahá'í conseguir limpar o nome do islão, como o de tentar limpar o nome do catolicismo, e de resto tens razão Cirilo, essa é sem dúvida uma preocupação nossa.

Anónimo disse...

João Moutinho

"Assim todas as Suas atitudes tomadas no Seu contexto, de entre tribos pagãs e belicosas que tinham como hábito enterrar vivas as filhas quando nasciam, seriam as mesmas que Jesus teria se vivesse naquele mesmo contexto."
Isto é uma opinião sua e, como há-de convir, bastante controversa. Jesus Cristo e os primeiros cristãos não viveram propriamente num paraíso. Aliás, basta ver como Ele e muitos dos seus seguidores foram executados.

"Maomé teve de pegar em armas porque a alternativa era os Seus seguidores e familiares serem exterminados."
Bom, foi precisamente o que aconteceu aos primeiros cristãos (Jesus Cristo também foi morto mas ressuscitou).

Quanto a Constantino ele surgiu três séculos depois de Cristo quando o Cristianismo, depois de muitas perseguições, se encontrava já em grande parte do mundo conhecido de então.

Paulo