quarta-feira, 21 de junho de 2006

A voz de uma Maioria Silenciosa

Ontem, um dia após o adiamento da decisão do Supremo Tribunal Administrativo sobre os direitos civis dos baha'is no Egipto, o jornal "al-Kahera News" (um semanário muito respeitado, propriedade do Ministério da Cultura) publicou um artigo sobre a religião baha'i e a campanha de difamação que tem sido alvo naquele país.

O autor, Muhammad Shebl, apela ao fim da campanha de ódio conduzida pelos fundamentalistas islâmicos, e lembra aos seus leitores que os ensinamentos do Islão defendem a unidade da humanidade, tal como os Baha’is o têm feito. Além disso, justifica as suas afirmações com várias citações do Alcorão, claramente equilibradas e tolerantes.

Shebl adverte os seus leitores para o seguinte facto: "de acordo com a Lei Islâmica, não se podem forçar os baha’is a converterem-se ao Islão". E acrescenta: "Deus criou o homem e quis que ele fosse livre; por isso deu-lhe uma mente para perceber as coisas por si próprio; e Deus adiou o acerto de contas com o homem para a vida eterna. Se alguém neste mundo odeia os seus semelhantes devido às suas crenças, isso provocará a ira de Deus, pois desse modo cometem um grande pecado e ofendem-No. Se Deus desejasse obrigar todos os seres humanos a adorá-Lo, de algum forma já o teria feito; mas Ele preferiu dar-lhes livre arbítrio de modo a poder responsabilizá-los."

O Sr. Shebl também afirma que "se os baha'is fossem apóstatas [como têm sido acusados pelos Islamitas], então a sua punição só deve acontecer no Dia do Julgamento".

O autor salienta repetidamente a importância da liberdade de escola de cada ser humano, e o facto de não competir a ninguém - excepto Deus - fazer um juízo sobre as crenças dos outros. Também acrescenta que os Muçulmanos não podem limitar o seu reconhecimento ao Islão, Cristianismo e Judaísmo, mas devem reconhecer e tolerar todas as outras religiões, incluindo Baha'is, Budistas, Hindus, etc...

Segundo o autor do blog Baha'i Faith in Egypt, apesar da campanha de descrédito lançada por fundamentalistas islâmicos, este e outros artigos recentes nos principais jornais egípcios ilustram uma onda de tolerância e aceitação por parte daqueles que são capazes de moldar a opinião pública naquele país. Aparentemente representam a voz de uma maioria silenciosa que tem esperança num futuro brilhante e tranquilo.

Fonte: Egypt's Baha'is: Rise of Support in Official Press

8 comentários:

João Moutinho disse...

É sempre bom ouvir uma voz de tolerância de muçulmanos para com os Bahá'ís, até porque convém não esquecer que os preconceitos não são só os dos outros.

GH disse...

Pois eu cá para mim tenho que uma andorinha não faz a primavera.

Elfo disse...

Pois, amigo GH, só que esta"andorinha" vem anunciar a Primavera, e, além disso não é uma andorinha qualquer, é "(um semanário muito respeitado, propriedade do Ministério da Cultura)"
Tenhamos esperança e continuemos a fazer orações por esta comunidade injúriada.

Elfo disse...

Ó meu amigo Marco, então não podias mudar o titulo ao post?
É que a Maioria Silenciosa era um grupo crido por António de Spínol e era um grupo de Extrema Direita Neo-Fascista de dos idos de '75.
Um abraço.

João Moutinho disse...

Elfo,
Em princípio não deveríamos falar de política. Mas lá vai...
Não me parece (a mim) que esse atributo à "maioria silenciosa" seja correcta.
Até porque "nos idos 75" a tentação totalitária, diatatorial e intolerante ainda não estva totalmente afastada. (digo eu)
Não me leves a mal, Elfo. Às vezes gosto de dsicordar contigo. :-)

Elfo disse...

Já sei, João Moutinho, que nesse campo nos mantemos nos antípodas.
Vamos manter as coisas assim..., só que eu vivia em Lisboa nessa época e, o que tu dizes e o Nuno Rogeiro, é mera especulação e o 11 de Março ainda estava muito longe do 25 de Novembro.
Mas fiquemos por aqui.
Mas já agora, sempre te digo que foi nessa época que descobri a Fé Bahá'í devido à tolerância religiosa que os militares de Abril vieram trazer ao nosso pobre país.

Marco disse...

A expressão "maioria silenciosa" foi usada pelo bahai egípcio no seu blog. É óbvio que ele sem essas conotações políticas que nós em Portugal lhe possamos associar.

João Moutinho disse...

Para rematar,

Eu não "vivi" esses tempos, tinha seis anos quando se deu o 25 de Abril. Estou a tentar fazer uma leitura histórica. É até natural que não tenha a mesma sensibilidade para datas como o 11 de Março ou o 25 de Novembro que decorreram durante 1975.

Quando conheci a Fé Bahá'í, lá no final da década de 80 estava imbuído do mais anticatolicismo e até antisocialismo. Considerava-os como os dois responsáveis pelo nosso atraso face á Europa.

Relativamente aos "militares de abril", considero que o país lhe deve muito apesar de todas as "derivas" que existiram.