sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Richard Dawkins e A Desilusão de Deus (7)

A RELIGIÃO COMO FORÇA FRACTURANTE

Será a religião a fonte de muitos dos males da humanidade, ou apenas mais “petróleo” que é lançado nas fogueiras dos conflitos humanos? O Prof Richard Dawkins escreve no livro “A Desilusão de Deus”:
A religião é, sem dúvida, uma força fracturante, e é esta uma das principais acusações que lhe são feitas. Mas diz-se frequentemente, e com razão, que as guerras e os feudos entre seitas ou grupos religiosos raramente têm a ver, de facto, com desavenças teológicas. (…) A religião é um rótulo para sinalizar a inimizade e as vendetas entre o grupo a que se pertence e o grupo ou grupos a que não se pertence, um rótulo que não é necessariamente pior que outros rótulos, tais como a cor da pele, a língua, ou o clube de futebol favorito, sucedendo apenas que muitas vezes, na ausência de outros rótulos, é aquele que está mais à mão. [p. 311]

Não nego que as poderosas tendências da humanidade no sentido de uma fidelidade intragrupo e de uma hostilidade para com grupos alheios existiriam mesmo na ausência de religião. Os fãs de clubes de futebol rivais são, a uma escala menor, um exemplo desse fenómeno. Mesmo os apoiantes do futebol por vezes dividem-se em função da religião, como sucede no caso do Glasgow Rangers e do Celtic de Glasgow. As línguas (como na Bélgica), as raças e as tribos (sobretudo em África) podem funcionar como símbolos importantes de divisão. Mas a religião amplia e exacerba os danos… [p. 313]
A religião não é a causa dos conflitos, mas é um factor de identificação que muitas vezes e aproveitado por facções políticas. E quando essas facções políticas não têm escrúpulos, então temos a porta aberta para o conflito religioso. O Prof. Dawkins percebe isso e mostra nas citações acima que não é um anti-religioso primário. Pode ter fama de beligerante contra a religião, mas esta observação mostra que não é assim tão beligerante como o descrevem.


Ninguém pode negar que quando a religião se torna motivo de conflitos, causa sofrimentos difíceis de sarar. Bahá’u’lláh afirmou a este propósito:
Envidai todos os esforços, ó povo de Bahá, para que o tumulto da dissensão e luta religiosa que agita os povos da terra possa ser acalmado e todos os seus vestígios completamente obliterados. Por amor a Deus e àqueles que O servem, erguei-vos para ajudar esta sublime e solene Revelação. O fanatismo e o ódio religioso são um fogo que devora o mundo, cuja violência ninguém pode extinguir. (Epístola ao Filho do Lobo)
Mas nem sempre o Professor Dawkins se mostra tão racional na análise dos males provocados pela religião. A propósito das motivações dos fundamentalistas islâmicos, escreve esta frase com a qual discordo profundamente:
A mensagem que devemos tirar daqui [das motivações dos fanáticos islâmicos] é que há que culpar a própria religião e não o extremismo religioso (como se este fosse uma espécie de perversão terrível da religião verdadeira e boa!) [p. 364-365]
O que me surpreende nesta frase é a ingenuidade contrastante com outras afirmações tão bem fundamentadas ao longo do livro. Seguindo um raciocínio semelhante, teríamos, por exemplo que culpar toda a indústria da aviação pelos bombardeamentos aéreos que ocorreram no último século. Talvez os irmãos Wright não devam ser aclamados como pioneiros; talvez devam ser responsabilizados pelos bombardeamentos de Coventry, Roterdão, Hamburgo, Dresden, Tóquio e tantos outros. E esses admiradores de aparelhos como o Jumbo 747 ou o Airbus 380 serão eles apenas gente ingénua ou estarão a escamotear os pecados da aviação?

1 comentário:

Cidadão Consciente disse...

Eu acho que o Dawkins que tem problema de desilusão na minha opinião. Se alguém por exemplo, o Osama, diz que faz um mal em nome da religião o Dawkins insisti em por culpa que a religião motivou ele a agir assim, porém se alguém dedica sua vida para o bem-estar da humanidade e declara que sua Fé foi a sua principal inspiração para isso(ex:Gandhi,Malcom X) porque ele se recusa a dar crédito por isso?Simples, o homem quer vender mais livros.

"É difícil alguém compreender algo, quando sua renda depende de não compreendê-lo."