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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A revolta no Egipto, explicada aos meus filhos

Na TV sucedem-se as imagens das manifestações e motins no Egipto.
- Pai, porque é que eles estão ali a gritar?
- Querem que o presidente vá embora.
- Porquê?
- Porque é um homem mau.
- Mandou pessoas para a prisão?
- Sim. E ali não há democracia. Ali as pessoas não podem escolher quem que ser presidente. Por isso dizemos que é um ditador. Percebes?
- Sim. Mas onde é que está o ditador?
- Deve estar no palácio dele.
- Aposto que ele está escondido debaixo da mesa da cozinha!...

terça-feira, 16 de novembro de 2010

As coisa que um pai tem que ouvir...



Conversa de sábado de manhã:

- David: queres ir à escola baha'i ou à escolinha de futebol?

- Antes quero ir ao circo!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Fascínio pelas letras

"Pai... como é que se lê um «S» grande.... um «e» pequeno, e um «x» pequeno...?"

"Onde é que isso está escrito?"

"No frigorífico..."

"Mas que raio...?". pensei.

Fui até ao frigorífico

"Ah... essas letras estão no calendário são a sexta-feira"

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

À hora do telejornal...



O meu mais velho sai com esta pergunta:

"Pai, a democracia é as pessoas gritarem umas às outras?"

"Não, filho. Democracia é as pessoas escolherem quem é que vai mandar."

E fiquei a pensar na primeira impressão com que ele ficou dos democratas que apareciam na Televisão.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Na fila da caixa do supermercado...

... aguardava a minha vez. Os meus filhos, que até aí se tinham portado razoavelmente bem, entretinham-se a olhar para os doces e pacotes de gomas nos pequenos expositores que ali se encontram. Atrás de mim, um africano de cabelo curto, com cerca de 30 anos, e sorriso simpático. O meu filho mais novo (com 3 anos!) pensou reconhecê-lo e disse alto e bom som: "Pai, olha o Obama!"

O homem riu. Mas eu devo ter mudado de cor algumas vezes.

domingo, 24 de maio de 2009

António



O primo António foi uma figura única na minha infância e juventude. Tinha mais catorze anos do que eu, e era, entre os primos mais velhos, o que dava mais atenção às crianças e aos jovens da família. Nos fins-de-semana que íamos ver as tias à Ordasqueira (perto de Torres Vedras) tínhamos a esperança de o encontrar. Com o António havia sempre programa.

Podíamos jogar à bola no pátio, andar de patins, experimentar andar empoleirado numas andas, disparar com uma pressão de ar, andar de bicicleta ou a cavalo. E se a chuva nos obrigava a ficar em casa, havia jogo de cartas (king, crapô,...) ou um trivial pursuit. E havia ainda as histórias dos tempos em que tinha estado no colégio de Sto Tirso, histórias que pareciam melhores que os livros da Enid Blyton.

As ausências do António tornavam o fim-de-semana enfadonho. "O António tem que estudar...”, dizia a tia Anita. "Os primos não estão cá. Foram de férias para a Ericeira...". Houve uma fase em que o Tó estava na tropa; aparecia menos vezes. E depois uma ausência prolongada; "Foi para guerra, na Guiné". E por fim reapareceu. Com muitas histórias para contar.

À medida que o tempo passava, as conversas do António acompanhavam as nossas preocupações. "Tenho ali um livro de Análise Matemática, quando estive no Técnico... Vou lá buscar que aquilo deu-me imenso jeito..."; "Tens o Prof Girassol? Ah ah ah ah Vais ter que estudar um bocado!"; "Tens de ir lá visitar a Central de Setúbal para veres como aquilo funciona."

Apesar de ser Engº Electrotécnico, o Tó decidiu prosseguir os projectos agrícolas do pai (o tio Augusto). As idas à quinta D. Rodrigo tornaram-se uma das suas rotinas diárias; e aos fins de semana ouvíamos as suas preocupações com cereais, vinho, bacêlos, misturadas com desabafos contra os responsáveis pela situação da agricultura portuguesa.

Os anos passaram mas o Tó, apesar de consumido com as suas preocupações agrícolas, sempre tinha tempo para os mais novos. Há três semanas atrás ví-o brincar com os meus filhos; encheu o pátio com serpentinas, para grande alegria dos miúdos. Lembrei-me que tinha feito o mesmo comigo há quase quarenta anos. Nesse dia voltou a recordar os tempos da Guiné: "Tinha lá um alferes artilheiro que fazia levantamentos muito rigorosos; identificava as clareiras onde o inimigo podia fazer fogo contra nós. Sempre que éramos atacados, ele sabia para onde devíamos responder...". "Tenho de filmar estas histórias", pensei para comigo.

Há uma semana veio o choque: "O António teve um AVC. Está no hospital das Caldas!" E dias depois: "Agravou-se. É bom que nos preparemos para o pior".

O António acabou por falecer um dia depois. Tudo tão rápido que ainda hoje não dá para acreditar! Viveu apenas sessenta anos. Só sessenta anos! A Igreja encheu-se de gente e de flores numa última homenagem. Percebi que além ter sido um primo fantástico, ele era enorme na sua generosidade e bondade.

Fisicamente, o António já não está connosco. Já não vou poder filmar as suas memórias da Guiné, nem os meus filhos terão o prazer da sua amizade. Restam-me as recordações que guardo dele, que ficarão comigo para sempre.

domingo, 12 de abril de 2009

Incidentes



O Telejornal mostrava uma multidão de pessoas em revolta. Vestiam camisas vermelhas e atacavam um Mercedes, onde se presumia, seguia alguma personalidade importante.

O meu pai acaba de chegar, olha para o écran, e comenta:

"Não me digam que isto aconteceu ontem no Estádio da Luz..."

"Não, pai. Foi na Tailândia..."

quinta-feira, 26 de março de 2009

Investigar a verdade



"O que aconteceu ao avô do tio R.?" perguntou o meu filho com a sua curiosidade de quem tem 5 anos.

"Morreu", respondeu-lhe a tia

"E onde é que ele está?", retorquiu.

"Foi para o céu", esclareceu a tia.

"Para o céu?!... E não cai?"

A tia não foi capaz de responder.

E eu pensei cá para mim: "É assim que se começa a investigar livremente a verdade."

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Temos artista



Tempos modernos. Em algumas cadeiras da Faculdade de Belas Artes, os alunos apresentam os seus trabalhos num blog pessoal. Este é o blog da minha sobrinha.

sábado, 1 de dezembro de 2007

Lego



O meu filho mais novo fez dois anos.

Entre as prendas de aniversário veio uma caixa de Lego. São mais peças coloridas a juntar a tantas outras. Encaixam-se peças, criam-se cenários, personagens... e seguem-se prometidas muitas horas de brincadeira. Como pai tive de explicar alguma lógica na montagem das peças. Como colocar o homem num carro, como fazer uma árvore, a casa...

Também eu na idade deles brinquei com lego. Muitas horas. E antes de mim brincaram outras crianças. O mais espantoso num brinquedo como o Lego, é ver que não passou de moda. Atravessou gerações e fez companhia a imensas de crianças.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

O primeiro palavrão

Uma semana após o início das aulas, o meu filho mais velho - já tem 4 anos - aprendeu o seu primeiro palavrão. Ao ver na televisão um político pouco conhecido, chamou a nossa atenção: "Olha o cara de bosta!"

Não é coisa que ele tivesse ouvido aqui em casa. Só pode ter aprendido isto na escola. Qual deve ser a melhor maneira de reagir a isto:

1 - Devo ficar orgulhoso com a sua capacidade de aprendizagem (afinal ainda só tinha passado uma semana de escola?

2 - Deverei averiguar se além do palavrão, também aprendeu na escola alguma de doutrina política?

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

Brigas

Conversa com um colega:
- Então? Como estão os teus filhos?...
- Porreiros! Estão crescidos. Por vezes já há brigas entre eles.
- Pois... às vezes, entre os meus não há brigas...

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Os meus rapazes

"Tenho lido o teu blog... Parece que andas pouco inspirado... Dantes partilhavas opiniões e diversas histórias; agora estás a viver à base de citações."

Foi um comentário que ouvi e com o qual concordei imediatamente. Na verdade, uma alteração na minha vida profissional e o facto dos meus filhos exigirem cada vez mais tempo e atenção, fazem com que seja menor a minha disponibilidade para “blogar”. Só quando eles estão a dormir é que ligo o computador.

Nesta fase das nossas vidas é mesmo assim: as brincadeiras com eles são mais importantes do que qualquer post. Aliás tem sido interessante notar como o mais velho gosta cada vez mais de brincadeiras com um pouco de agressividade; brincar aos lobos, aos leões, à luta (sempre com cócegas à mistura) tornaram-se hábitos aqui em casa. O mais novo completou um ano; já anda e toma o irmão como referência para tudo; gosta sempre de se juntar às brincadeiras.

Aqui fica uma foto dos dois.

quarta-feira, 6 de setembro de 2006

Apetite

Está com nove meses e, como se vê nas fotos, alimenta-se bem. Durante este verão descobriu como é bom mordiscar e sugar fruta. Melancia e uvas são as suas preferências. Felizmente, apetite é coisa que não lhe falta!



segunda-feira, 26 de junho de 2006

6 meses

O David ainda não gatinha, mas já rebola.
Ri muito e também já gosta de fazer umas birras.
E gosta muito dos cães.

terça-feira, 2 de maio de 2006

Um fim-de-semana prolongado...

Foi tempo para correr no jardim, brincar na terra, subir ao pinheiro, rebolar na relva, espalhar os brinquedo...
Foi tempo para ser criança!



sexta-feira, 10 de março de 2006

Um beijo lambusado



Todos os dias da semana têm um momento especial. Quando chego a casa, o meu filho mais velho, assim que me ouve a abrir a porta, começa a chamar por mim "O pai! O pai!..." e corre para a porta, abraça-se às minhas pernas, e tenta dar-me o beijinho de boas vindas. É aquele momento quase mágico em que todos os problemas e o stress do emprego se desvanecem e só existe a família.

Ontem ao fim do dia, quando vivi esse momento estranhei que o beijinho do meu filho fosse tão lambusado. Não é costume... Depois de um abracinho, perguntei-lhe "Então? Como foi a escola? Portaste-te bem?"

Quase imediatamente surgiu a minha mulher que, num tom severo de mãe, me contou: "O teu filho acabou de apanhar uma palmada!..."

"Então filho? O que fizeste?" Ele ignorou a minha pergunta e começou a brincar com uns carrinhos, como se não quisesse responder à minha pergunta. Ainda insisti, mas não me respondeu.

A minha mulher esclareceu o motivo da palmada: "Apanhei-o agora mesmo a beber água das cadelas!"

Percebi então o porquê daquele beijo lambusado.

quarta-feira, 30 de novembro de 2005

O primeiro dia do resto da tua vida

Pouco antes das 11 da manhã, um enfermeiro entra na sala de espera e chama: "O senhor Marco Oliveira?!..." "Sou eu!" "O seu filho está no berçário. Você pode entrar. Os restantes familiares apenas podem ver do outro lado do vidro."


Não há que enganar; àquela hora da manhã só lá está um único bebé. Tem umas bochechas enormes e por vezes chora bem alto. Do outro lado do vidro os meus pais babam-se a olhar o novo neto. Também eu o contemplo demoradamente. E sinto novamente aquela estranha sensação de mortalidade e imortalidade. Mortalidade porque de alguma forma o meu filho deve ocupar o meu lugar; imortalidade parece que a minha vida se prolonga nele. A sensação não é nova; há dois anos tinha passado pelo mesmo.

Pego nele ao colo. Sinto-lhe o cheiro. Que criatura frágil! Sussurro-lhe uma oração bahá'í para crianças: "Ó Deus, guia-me, protege-me, ilumina a lâmpada do meu coração, e faz de mim uma estrela brilhante. Tu és o grande e o poderoso." Volto a pousá-lo no berço. Tiro as primeiras fotos, com cuidado para não o apanhar de olhos abertos.

Levam-no para junto da mãe, que recupera da anestesia. O cheiro e o calor da mãe parece acalmá-lo. É altura de fazer telefonemas e envias SMS's. Horas mais tarde cabe-me o privilégio de lhe dar o primeiro biberão. Faz umas caras estranhas com o sabor daquele suplemento; mas acaba por beber.

Ao longo a tarde sucedem-se os SMS’s e os telefonemas e chega um ramo de flores da minha empresa. O nascimento de uma criança deixa muita gente feliz. É altura de ir buscar o mais velho ao colégio e apresentá-lo ao irmão. Há expectativa sobre a possível reacção dele, mas o cansaço é mais forte que a curiosidade. O dia na escola foi longo e ele quer voltar para casa e jantar. Amanhã encontrar-se-ão de novo.

Encontro de Irmãos
Agora estão os dois a dormir. O mais velho em casa; o mais novo, na maternidade.

Foi assim. O primeiro dia do resto da vida do David.

quinta-feira, 31 de março de 2005

Não mexe!

Esta é a frase mais pronunciada lá em casa e onde quer que levemos o nosso cachopo. Com quase 20 meses é um miúdo cheio de vitalidade. Quer experimentar tudo, tocar em todas as coisas, descobrir tudo no mundo que o rodeia. Já começa a perceber algumas brincadeiras como as escondidas e a apanhada. Quando chega a hora da sesta é um sossego para nós.

Já vi muitos pais e avós surpreendidos (e por vezes à beira do desespero) com a vitalidade dos miúdos. Existem muitas expressões para caracterizar esse comportamento habitual das crianças. A mais engraçada dessas expressões que ouvi até hoje foi: "Parece o diabo num monte de folhas!" É mesmo isso. O meu pequeno "diabinho" costuma deixar tudo de pantanas. A foto abaixo é um flagrante de uma dessas diabruras.