domingo, 18 de março de 2007

Religiões em crescimento



O Courrier Internacional desta semana tem vários artigos dedicados à religião. Aqui fica um excerto do editorial assinado por Fernando Madrinha.

"O cristianismo está em franca expansão pelo mundo, embora as suas versões não católicas sejam as mais pujantes, e disputa espaço a outras religiões, nomeadamente ao Islão, em várias zonas do planeta. O islamismo, esse progride em vários pontos, incluindo a Europa, por força da imigração, e já pretende rezar na antiga mesquita de Córdova, o que leva o escritor espanhol Artuto Perez-Reverte a perguntar-se se seremos dignos das nossas catedrais. O hinduísmo nacionalista renasce com vigor redobrado e disposto a enfrentar sem disfarce os muçulmanos e os cristãos do subcontinente indiano. Tudo visto e considerado, católicos, protestantes e as duas maiores religiões não cristãs — o islamismo e o hinduísmo — estão em franco crescimento. Tinham mais crentes no ano 2000 (64 por cento da população mundial) do que um século antes (50 por cento), provando-se que as razões do advogado nigeriano já citado afinal não bastam para explicar a necessidade de Deus.

Sucede, depois, que religião e política andam juntas em muitas sociedades — talvez na maioria se exceptuarmos as democracias europeias, pois o mesmo já é difícil dizer da norte-americana nos dias que correm — e não faltam mesmo os casos, como no Islão, em que o poder dos homens ainda é exercido em nome de Deus. O cruzamento entre a política e a religião alastra de forma preocupante um pouco por todo o planeta, do mundo árabe à África subsariana, passando pela Índia e pela América Latina. A ponto de até o socialista Hugo Chávez, «nem cristão, nem católico», segundo se afirmava, já invocar Jesus Cristo nos seus discursos. Ora, esta mistura explosiva entre o que é de Deus e o que é de César não augura nada de bom para a paz que se quer no mundo."

1 comentário:

Pedro disse...

Nem mais, concordo em absoluto. Aliás este cruzamento não é novo, tem acontecido ao longo da história da humanidade e sempre levou à destruição da religião e à degradação da sociedade.

O problema não está em si no "cruzamento" entre a politica e a religião, mas sim mais pelo facto de quem fomenta este cruzamento serem homens ignorantes, movidos por interesses egoistas, logo o resultado não pode ser bom.