Por David Langness.
Os Profetas de Deus foram enviados, os Livros Sagrados foram escritos, para que o homem possa ser libertado. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, p. 178)
Se fizer uma longa caminhada pela história do passado da humanidade, encontrá-la-á repleta de mestres espirituais, profetas divinos e mensageiros celestiais.
Cada época e cultura tem um poeta sagrado, um profeta de um futuro mais espiritual, um portador da luz que chama as pessoas para um propósito mais elevado, que brilha nos céus da consciência humana como um sol brilhante, que conduz e guia as almas humanas à paz, ao amor, à bondade e ao serviço altruísta à humanidade:
… os homens sempre foram ensinados e guiados pelos Profetas de Deus. Os Profetas de Deus são os Mediadores de Deus. Todos os Profetas e Mensageiros provêm de um único Espírito Santo e trazem a Mensagem de Deus, adequada à era em que surgem. A Luz Única está neles e eles são apenas Um entre si. (‘Abdu’l-Bahá in London, p. 23)
Mais do que qualquer outra mensagem, esta representa o princípio central da Fé Bahá’í — que todas as religiões são uma só. Os Bahá’ís acreditam que o Criador tem dado à humanidade um ensinamento espiritual contínuo ao longo do tempo, que constitui um sistema interligado de crença e verdade. Os Bahá’ís acreditam que este sistema único, trazido por profetas e mensageiros com nomes diferentes, de diferentes lugares e em diferentes épocas da história, tem uma única Fonte.
Esta visão da história humana, apresentada nas Escrituras Bahá’ís, enfatiza a unidade dos fundadores das religiões do mundo e o seu profundo impacto na humanidade:
É claro e evidente para ti que todos os Profetas são os Templos da Causa de Deus, Que surgem vestidos com diferentes trajes. Se observares com olhos que discernem, contemplá-los-ás habitando no mesmo tabernáculo, voando no mesmo céu, sentados no mesmo trono, proferindo o mesmo discurso e proclamando a mesma Fé. Assim é a unidade dessas Essências do Ser, aqueles Luminares de esplendor infinito e imensurável. (Bahá’u’lláh, O Livro da Certeza, ¶162)
E se, perguntam os ensinamentos Bahá'ís, todos estes profetas de Deus forem "apenas Um entre si?" E se os mensageiros de que temos ouvido falar ao longo dos séculos — Abraão, Krishna, Buda, Moisés, Jesus, Maomé e agora Bahá’u’lláh, o profeta da Fé Bahá’í e o mais recente fundador de uma religião global — forem um e o mesmo?
Isto sugere algum tipo de reencarnação? Não, dizem os ensinamentos Bahá'ís. Em vez disso, sugere uma ligação essencial e mística entre estes mensageiros divinos, um laço de unidade que existe porque todos eles refletem a mesma luz da mesma fonte:
Se és um dos habitantes desta cidade no oceano da unidade divina, verás todos os Profetas e Mensageiros de Deus como uma só alma e um só corpo, como uma só luz e um só espírito, de tal modo que o primeiro entre eles será o último e o último será o primeiro. Pois todos eles Se ergueram para proclamar a Sua Causa e estabeleceram as leis da sabedoria divina. São, todos eles, os Manifestantes do Seu Ser, os Repositórios do Seu poder, os Tesouros da Sua Revelação, os Alvoreceres do Seu esplendor e as Auroras da Sua luz. Através deles manifestam-se os sinais de santidade nas realidades de todas as coisas e os símbolos de unidade nas essências de todos os seres. Através deles revelam-se os elementos da glorificação nas realidades celestiais e os expoentes do louvor nas essências eternas. Deles procedeu toda a criação e a eles regressará tudo o que foi mencionado. E uma vez que nos seus Seres mais íntimos são os mesmos Luminares e os mesmos Mistérios, deves ver as suas condições exteriores sob a mesma luz, para que os possas reconhecer todos como um Ser, ou melhor, encontrá-los unidos nas Suas palavras, discurso e expressão. (Bahá’u’lláh, Gems of Divine Mysteries, pp. 32-34)
Se o mundo pudesse começar a compreender os fundadores de todas as religiões como um só ser, cessariam imediatamente o conflito, a dor e a miséria causados pelas disputas religiosas. Unir-se-iam as crenças, unir-se-iam os povos e forjar-se-iam novos laços entre as nações. Permitir-se-ia que todos nós víssemos a comunhão nas nossas causas e as verdades partilhadas subjacentes nas nossas esperanças mais profundas.
Também nos permitiria ver a história humana como um único e grande processo de revelação progressiva:
Entre as dádivas de Deus está a revelação. Portanto, a revelação é progressiva e contínua. Ela nunca termina. É necessário que a realidade da Divindade, com todas as suas perfeições e atributos, resplandeça no mundo humano. A realidade da Divindade é como um oceano ilimitado. A revelação pode ser comparada à chuva. Consegue imaginar o parar da chuva? Sempre à face da Terra, algures, a chuva está a cair. Em resumo, o mundo da existência é progressivo. Está sujeito a desenvolvimento e crescimento...
Portanto, Bahá’u’lláh apareceu do horizonte do Oriente e restabeleceu as fundações essenciais dos ensinamentos religiosos do mundo. As desgastadas crenças tradicionais vigentes entre os homens foram eliminadas. Fez com que existisse camaradagem e concórdia entre os representantes das diferentes confissões, pelo que o amor se manifestou entre as religiões em conflito. Criou uma condição de harmonia entre as seitas hostis e ergueu a bandeira da unidade do mundo humano. Estabeleceu os alicerces da paz internacional, fez com que os corações das nações se unissem e conferiu uma nova vida aos vários povos. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, pp. 377-379)
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Texto original: One Prophet, Many Revelations (www.bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.


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