Por Rodney Richards.
Ao longo dos séculos, milhões de homens e mulheres tentaram responder a esta questão: O que nos torna humanos?
Todos os profetas de Deus nos deram uma resposta definitiva, apesar de a expressaram de diferentes formas. Consegue adivinhar qual é?
A resposta está relacionada com a antiga pergunta: "Quem sou eu?" e possui muitas variantes, tais como: "Qual é o meu propósito?", "Porque estou aqui?" e assim por diante.
Não é a marca da roupa que vestimos, nem a nossa origem, nem o nosso trabalho, nem a comida que nos alimenta, nem com quem nos relacionamos, nem sequer as escolas que frequentamos. De certa forma, não é nada material. No entanto, cada dia das nossas vidas contribui para quem somos e para a forma como nos tornamos quem somos.
Como seguidor dos ensinamentos Bahá’ís, tenho uma resposta que considero eficaz. Talvez esteja a imaginar que a resposta será a palavra "alma", para descrever o que nos diferencia dos animais enquanto seres humanos — mas isso seria demasiado simplista.
Mesmo acreditar que se tem uma alma nem sempre ajuda a responder às questões mais profundas que temos dentro de nós, especialmente quando se trata do nosso propósito neste mundo.
Por isso, recorro a esta citação de ‘Abdu’l-Bahá para me ajudar a compreender:
A realidade do homem é o seu pensamento, não no seu corpo material. A força do pensamento e a força animal são parceiras. Embora o homem faça parte da criação animal, possui um poder de pensamento superior ao de todos os outros seres criados. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, pp. 17-18)
Génesis, capítulo 1, versículo 28, também nos diz que:
Deus abençoou-os. E Deus disse-lhes: «Sede férteis e multiplicai-vos, enchei a terra e conquistai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os seres vivos que rastejam pela terra»
Como já referi em textos anteriores, um filósofo entre muitos, o francês René Descartes, disse algo semelhante em meados de 1600. Afirmou "cogito ergo sum", ou "Penso, logo existo", na sua obra Discurso sobre o Método e os Princípios da Filosofia. Descartes concluiu que, se duvidasse, então algo ou alguém deveria estar a duvidar; portanto, o próprio facto de duvidar provava a sua existência.
Descartes, entre outros, deu-nos a liberdade de nos questionarmos sem limites. Isto ajudou-o a refutar a realidade das coisas materiais e das percepções — como os sentidos humanos, uma vez que estes nos podem dar impressões falsas. Escreveu: "Assim, algo que eu pensava estar a ver com os meus olhos é, na verdade, apreendido unicamente pela faculdade do juízo que está na minha mente."
Descartes descartou as nossas percepções sensoriais como não fiáveis, tal como fazem os ensinamentos Bahá’ís:
Na Europa, eu disse aos filósofos e cientistas do materialismo que o critério dos sentidos não é fiável. Por exemplo, considere-se um espelho e as imagens nele reflectidas. Estas imagens não têm existência corpórea real. No entanto, se nunca tivesse visto um espelho, insistiria firmemente e acreditaria que são reais. O olho vê uma miragem no deserto como um lago de água, mas não há realidade nisso. Quando estamos no convés de um navio a vapor, a costa parece estar a mover-se, mas sabemos que a terra está parada e nós estamos a mover-nos. Acreditava-se que a Terra era fixa e o Sol girava à sua volta, mas embora isso pareça ser verdade, hoje sabemos que o contrário é verdade. Uma tocha giratória faz com que um círculo de fogo apareça diante dos olhos, mas percebemos que existe apenas um ponto de luz. Vemos uma sombra a mover-se no chão, mas não tem existência material, não tem substância… Em síntese, os sentidos são continuamente enganados e somos incapazes de separar o que é realidade do que não é. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 21)
Nascemos com cérebros poderosos, capazes de grandes deduções, pensamentos, ideias, planos e realizações. Ninguém contestaria que algures no nosso cérebro existe uma mente que torna tudo isto e muito mais possível. Os ensinamentos Bahá'ís chamam-lhe Alma Racional.
Tal como os animais, o homem possui as faculdades dos sentidos, está sujeito ao calor, ao frio, à fome, à sede, etc.; ao contrário dos animais, o homem possui uma alma racional, a inteligência humana. Esta inteligência humana é a intermediária entre o corpo e o espírito. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, p. 96)
E por falar de pensamento, aqui fica mais um complemento à citação de ‘Abdu’l-Bahá acima referida:
Se o pensamento de um homem aspira constantemente a assuntos celestiais, então ele torna-se santo; se, por outro lado, o seu pensamento não se eleva, mas se dirige para baixo, centrando-se nas coisas deste mundo, torna-se cada vez mais material até atingir um estado pouco melhor do que o de um mero animal. (Idem, pags. 17-18)
Todos sabemos que somos mais do que meros animais, pois possuímos uma mente, uma alma racional, pensamentos, inteligência e espírito. Mas quando nos focamos apenas em coisas materiais e não em coisas espirituais e humanas, então os aspectos egoístas, como "Preciso de cuidar de mim" e "Estou demasiado ocupado para te ajudar", vêm ao de cima, e sabemos que o indivíduo e a sociedade sofrem.
Utilizando o raciocínio dedutivo, como sugeriu Descartes, faz sentido que o caminho para uma civilização pacífica seja o da cooperação, da partilha e da solidariedade. A maldade, a crueldade, a agressão e a subjugação nunca foram formas aceitáveis de promover o progresso da sociedade.
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Texto original: Our True Reality is Our Thought (www.bahaiteachings.org)
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Rodney Richards é escritor técnico de profissão e trabalhou durante 39 anos para o Governo Estadual de New Jersey. Reformou-se em 2009 e dedicou-se à escrita (prosa e poesia),tendo publicado o seu primeiro livro de memórias Episodes: A poetic memoir. É casado, orgulha-se dos seus filhos adultos, e permanece um elemento activo na sua comunidade.

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