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sábado, 11 de julho de 2026

A Nossa Realidade é o Nosso Pensamento

Por Rodney Richards.


Ao longo dos séculos, milhões de homens e mulheres tentaram responder a esta questão: O que nos torna humanos?

Todos os profetas de Deus nos deram uma resposta definitiva, apesar de a expressaram de diferentes formas. Consegue adivinhar qual é?

A resposta está relacionada com a antiga pergunta: "Quem sou eu?" e possui muitas variantes, tais como: "Qual é o meu propósito?", "Porque estou aqui?" e assim por diante.

Não é a marca da roupa que vestimos, nem a nossa origem, nem o nosso trabalho, nem a comida que nos alimenta, nem com quem nos relacionamos, nem sequer as escolas que frequentamos. De certa forma, não é nada material. No entanto, cada dia das nossas vidas contribui para quem somos e para a forma como nos tornamos quem somos.

Como seguidor dos ensinamentos Bahá’ís, tenho uma resposta que considero eficaz. Talvez esteja a imaginar que a resposta será a palavra "alma", para descrever o que nos diferencia dos animais enquanto seres humanos — mas isso seria demasiado simplista.

Mesmo acreditar que se tem uma alma nem sempre ajuda a responder às questões mais profundas que temos dentro de nós, especialmente quando se trata do nosso propósito neste mundo.

Por isso, recorro a esta citação de ‘Abdu’l-Bahá para me ajudar a compreender:

A realidade do homem é o seu pensamento, não no seu corpo material. A força do pensamento e a força animal são parceiras. Embora o homem faça parte da criação animal, possui um poder de pensamento superior ao de todos os outros seres criados. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, pp. 17-18)

Génesis, capítulo 1, versículo 28, também nos diz que:

Deus abençoou-os. E Deus disse-lhes: «Sede férteis e multiplicai-vos, enchei a terra e conquistai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os seres vivos que rastejam pela terra»

Como já referi em textos anteriores, um filósofo entre muitos, o francês René Descartes, disse algo semelhante em meados de 1600. Afirmou "cogito ergo sum", ou "Penso, logo existo", na sua obra Discurso sobre o Método e os Princípios da Filosofia. Descartes concluiu que, se duvidasse, então algo ou alguém deveria estar a duvidar; portanto, o próprio facto de duvidar provava a sua existência.

Descartes, entre outros, deu-nos a liberdade de nos questionarmos sem limites. Isto ajudou-o a refutar a realidade das coisas materiais e das percepções — como os sentidos humanos, uma vez que estes nos podem dar impressões falsas. Escreveu: "Assim, algo que eu pensava estar a ver com os meus olhos é, na verdade, apreendido unicamente pela faculdade do juízo que está na minha mente."

Descartes descartou as nossas percepções sensoriais como não fiáveis, tal como fazem os ensinamentos Bahá’ís:

Na Europa, eu disse aos filósofos e cientistas do materialismo que o critério dos sentidos não é fiável. Por exemplo, considere-se um espelho e as imagens nele reflectidas. Estas imagens não têm existência corpórea real. No entanto, se nunca tivesse visto um espelho, insistiria firmemente e acreditaria que são reais. O olho vê uma miragem no deserto como um lago de água, mas não há realidade nisso. Quando estamos no convés de um navio a vapor, a costa parece estar a mover-se, mas sabemos que a terra está parada e nós estamos a mover-nos. Acreditava-se que a Terra era fixa e o Sol girava à sua volta, mas embora isso pareça ser verdade, hoje sabemos que o contrário é verdade. Uma tocha giratória faz com que um círculo de fogo apareça diante dos olhos, mas percebemos que existe apenas um ponto de luz. Vemos uma sombra a mover-se no chão, mas não tem existência material, não tem substância… Em síntese, os sentidos são continuamente enganados e somos incapazes de separar o que é realidade do que não é. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 21)

Nascemos com cérebros poderosos, capazes de grandes deduções, pensamentos, ideias, planos e realizações. Ninguém contestaria que algures no nosso cérebro existe uma mente que torna tudo isto e muito mais possível. Os ensinamentos Bahá'ís chamam-lhe Alma Racional.

Tal como os animais, o homem possui as faculdades dos sentidos, está sujeito ao calor, ao frio, à fome, à sede, etc.; ao contrário dos animais, o homem possui uma alma racional, a inteligência humana. Esta inteligência humana é a intermediária entre o corpo e o espírito. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, p. 96)

E por falar de pensamento, aqui fica mais um complemento à citação de ‘Abdu’l-Bahá acima referida:

Se o pensamento de um homem aspira constantemente a assuntos celestiais, então ele torna-se santo; se, por outro lado, o seu pensamento não se eleva, mas se dirige para baixo, centrando-se nas coisas deste mundo, torna-se cada vez mais material até atingir um estado pouco melhor do que o de um mero animal. (Idem, pags. 17-18)

Todos sabemos que somos mais do que meros animais, pois possuímos uma mente, uma alma racional, pensamentos, inteligência e espírito. Mas quando nos focamos apenas em coisas materiais e não em coisas espirituais e humanas, então os aspectos egoístas, como "Preciso de cuidar de mim" e "Estou demasiado ocupado para te ajudar", vêm ao de cima, e sabemos que o indivíduo e a sociedade sofrem.

Utilizando o raciocínio dedutivo, como sugeriu Descartes, faz sentido que o caminho para uma civilização pacífica seja o da cooperação, da partilha e da solidariedade. A maldade, a crueldade, a agressão e a subjugação nunca foram formas aceitáveis de promover o progresso da sociedade.

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Texto original: Our True Reality is Our Thought (www.bahaiteachings.org)

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Rodney Richards é escritor técnico de profissão e trabalhou durante 39 anos para o Governo Estadual de New Jersey. Reformou-se em 2009 e dedicou-se à escrita (prosa e poesia),tendo publicado o seu primeiro livro de memórias Episodes: A poetic memoir. É casado, orgulha-se dos seus filhos adultos, e permanece um elemento activo na sua comunidade.

sábado, 20 de junho de 2026

Sonhos e Visões da Alma

Por David Langness.

Os sonhos são os pontos de referência dos nossos carácteres. (Thoreau)

Os sonhos são ilustrações… do livro que a sua alma está a escrever sobre si. (Marsha Norman)

Esquecemo-nos do antigo facto de que Deus comunica principalmente através de sonhos e visões. (C. G. Jung)

Que parte de nós sonha?

Os neurocientistas não sabem. Existem centenas de teorias sobre qual a parte do cérebro que realmente produz os sonhos — mas nunca nenhuma foi comprovada. Os sonhos, embora sejam universais, representam ainda um grande mistério para a ciência. Os ensinamentos Bahá’ís referem-se aos nossos sonhos como o repositório dos mistérios da alma:

Na verdade, ó Irmão, se meditarmos sobre cada coisa criada, testemunharemos uma miríade de sabedorias perfeitas e aprenderemos uma miríade de novas e maravilhosas verdades. Um dos fenómenos criados é o sonho. Vê quantos segredos estão depositados nele, quantas sabedorias guardadas, quantos mundos ocultos. Observa como estás a dormir numa morada, com as portas trancadas; de repente, encontras-te numa cidade distante, na qual entras sem mexer os pés, nem cansar o corpo; sem usar os olhos, vês; sem forçar os ouvidos, ouves; sem língua, falas. E talvez, quando tiverem passado dez anos, testemunharás no mundo exterior as mesmas coisas com que sonhaste nesta noite.

Ora, há muitas sabedorias a ponderar no sonho... Primeiro: que mundo é esse onde, sem olhos, ouvidos, mãos ou língua, o homem usa todos eles? Segundo: como é que vês hoje, no mundo exterior, a realização de um sonho que viste no mundo do sono uns dez anos passados? Considera a diferença entre esses dois mundos e os mistérios por eles ocultados, a fim de poderes atingir as confirmações divinas e as descobertas celestiais, e entrar nas regiões da santidade.

Deus, o Excelso, depositou estes sinais nos homens para que os filósofos não negassem os mistérios da vida do além, nem tivessem em pouca conta aquilo que lhes foi prometido. (Bahá’u’lláh, The Seven Valleys, 6.1-6.3)

Os ensinamentos Bahá’ís também sugerem que as nossas almas nos permitem sonhar:

O espírito, ou alma humana, é o cavaleiro; e o corpo é apenas o cavalo. Se algo afectar o cavalo, o cavaleiro não é afectado. O espírito pode ser comparado à luz no interior da lanterna. O corpo é simplesmente a lanterna exterior. Se a lanterna se partir, a luz permanece a mesma, pois a luz pode brilhar mesmo sem a lanterna. O espírito pode conduzir os seus assuntos sem o corpo. No mundo dos sonhos, ele é precisamente como esta luz sem o vidro da lanterna. Ela pode brilhar sem o vidro. A alma humana, através deste corpo, pode realizar as suas operações e, sem o corpo, pode também ter o seu controlo. Portanto, se o corpo estiver sujeito à desintegração, o espírito não é afectado por estas mudanças ou transformações. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, pp. 416-417)

Esta capacidade espiritual interior – frequentemente comparada nas Escrituras Bahá’ís a uma chama ou a uma luz – alimenta o nosso intelecto, os nossos sentidos e a nossa consciência. Numa carta ao conceituado cientista suíço Auguste Forel, ‘Abdu’l-Bahá escreveu:

Ora, quanto às faculdades mentais, elas são, na verdade, propriedades inerentes da alma, tal como a radiação da luz é a propriedade essencial do sol. Os raios solares renovam-se, mas o próprio sol permanece sempre o mesmo e é imutável. Considere como o intelecto humano se desenvolve e enfraquece, podendo por vezes chegar a nada, enquanto a alma permanece imutável. Para que a mente se manifeste, o corpo humano necessita de estar são; e uma mente sã só pode existir num corpo são, enquanto a alma não depende do corpo. É através do poder da alma que a mente compreende, imagina e exerce a sua influência, pois a alma é um poder livre. A mente compreende o abstracto com o auxílio do concreto, mas a alma possui manifestações ilimitadas próprias. A mente está circunscrita, a alma não está limitada. É com o auxílio de sentidos como a visão, a audição, o paladar, o olfacto e o tacto que a mente compreende, enquanto a alma está livre de qualquer influência exterior. A alma, como observas, seja em sono ou desperto, está em movimento e sempre activa. Possivelmente, num sonho, ela pode desvendar um problema complexo, impossível de ser resolvido estando desperto. Além disso, a mente não compreende quando os sentidos deixarem de funcionar, e na fase embrionária e na primeira infância a capacidade de raciocínio está totalmente ausente, enquanto a alma está sempre dotada de força plena. Em suma, são muitas as provas que demonstram que, apesar da perda da razão, o poder da alma continuará a existir. (Tablet to Auguste Forel, pp. 8-9)

“É através do poder da alma” que a mente compreende, imagina e exerce a sua influência, explicou ‘Abdu’l-Bahá. Por outras palavras, a alma fornece a verdadeira força motriz para o nosso intelecto, as nossas capacidades de pensamento e a nossa compreensão. É o motor da existência.

Consideremos desta forma: as nossas almas dão-nos vida. Tudo o que está para além do funcionamento meramente físico dos nossos corpos provém da força animadora do espírito humano, da centelha da alma.

É isto que nos diferencia dos animais: temos a capacidade de pensar de forma abstracta, de criar arte, de contemplar o futuro, de imaginar e provar que a Terra orbita o Sol, de construir máquinas que nos transportam pelo mundo. Todas estas conquistas humanas, segundo os ensinamentos Bahá’ís, provêm do poder da alma:

O espírito não pode ser percebido pelos sentidos materiais do corpo físico, a não ser quando se exprime em sinais e obras exteriores. O corpo humano é visível, a alma é invisível. É a alma, porém, que dirige as faculdades do homem, que governa a sua humanidade.

A alma possui duas faculdades principais. (a) Tal como as circunstâncias externas são comunicadas à alma pelos olhos, ouvidos e cérebro do homem, também a alma comunica os seus desejos e propósitos através do cérebro às mãos e à língua do corpo físico, expressando-se desta forma. O espírito na alma é a própria essência da vida. (b) A segunda faculdade da alma exprime-se no mundo da visão, onde a alma habitada pelo espírito tem o seu ser e funciona sem o auxílio dos sentidos corporais materiais. Aí, no reino da visão, a alma vê sem o auxílio dos olhos físicos, ouve sem o auxílio do ouvido físico e desloca-se sem depender do movimento físico. Assim sendo, é claro que o espírito na alma do homem pode funcionar através do corpo físico utilizando os órgãos dos sentidos comuns, e que também é capaz de viver e agir sem o seu auxílio no mundo da visão. Isto prova, sem dúvida, a superioridade da alma do homem sobre o seu corpo, a superioridade do espírito sobre a matéria. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, p. 85)

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Texto original: Dreams and Visions of the Soul (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 30 de maio de 2026

Como as Nossas Premonições Provam que temos Alma

Por David Langness.

          E se dormisses?
          E se durante o sono,
          tu sonhasses?
          E se no seu sonho,
          fosses para o céu?
          E lá colhesses uma estranha e bela flor?
          E se, ao acordar,
          tivesses essa flor na tua mão?
          Ah, e então?     – Samuel Taylor Coleridge

Já teve um sonho, uma visão, que lhe tocasse a alma?

Eu tive, com certeza. No meu sonho, que tive há quase vinte e cinco anos, conheci a minha mulher. Alguém nos apresentou e apertámos as mãos, um pouco formalmente e um pouco timidamente. Trocámos apenas algumas palavras — já nem me lembro quais — e olhámos nos olhos um do outro, por um instante. O meu espírito agitou-se. De alguma forma, eu sabia, no fundo da minha alma, que esta mulher se tornaria a minha companheira para a vida.

Quando o sonho se desvaneceu e acordei, fiquei atordoado, sem reacção. Parecera tão real, tão presente, que demorei alguns minutos a compreender que se tratava apenas de um sonho. Senti-me desolado, porque as minhas emoções me diziam que algo de profundo tinha acontecido; mas a minha mente racional dizia-me que, infelizmente, era apenas um sonho.

Passei dias a fio a lembrar aquele sonho. Não conseguia livrar-me dele. Conseguia ver os seus olhos azul-acinzentados com tantos pormenores — como poderia não ser real? O meu coração chegava a doer ao fim do dia, desejando que aquele sonho se tornasse realidade.

Duas semanas depois, isso aconteceu.

Numa conferência a que assisti, a mulher que eu só tinha visto em sonho atravessou o salão à minha frente. Reconheci-a imediatamente. Senti um arrepio na espinha. Ela passou por mim, talvez a uns seis metros de distância, e eu disse ao meu amigo que estava sentado ao meu lado: "Ei, ali está a mulher com quem vou casar."

"A sério?", perguntou o meu amigo, surpreendido. "Como é que ela se chama?"

"Não faço ideia", respondi.

"Esqueceste do nome dela?"

Não, ainda não nos conhecemos. Há duas semanas, vi-a num sonho.

O quê?” O meu amigo olhou para mim de uma forma muito estranha, como se eu tivesse acabado de ter um surto psicótico.

Quatro meses depois, a minha mulher Teresa e eu casámos.

Além disso, esta alma humana imortal está dotada de dois meios de percepção: um é instrumental; o outro é independentemente. Por exemplo, a alma vê através dos olhos, ouve com os ouvidos, cheira pelas narinas e toca nos objectos com as mãos. São as acções ou operações da alma realizadas através de instrumentos. Mas no mundo dos sonhos, a alma vê quando os olhos estão fechados. O homem está aparentemente morto, jaz ali como morto; os ouvidos não ouvem, mas ele ouve. O corpo jaz ali, mas ele — isto é, a alma — viaja, vê, observa. Todos os instrumentos do corpo estão inactivos, todas as funções aparentemente inúteis. Apesar disso, existe uma percepção imediata e vívida por parte da alma. Ela experimenta o êxtase. A alma viaja, percebe, sente. Acontece muitas vezes que um homem, em estado de vigília, não consegue resolver um problema e, ao adormecer, encontra a solução num sonho. Quantas vezes aconteceu ter sonhado, tal como os profetas sonharam, com o futuro; e os acontecimentos assim prenunciados concretizaram-se literalmente. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 416)

Algumas pessoas chamam a esta sensação de percepção espiritual independente déjà vu ou premonição; outras chamam-lhe de visão de futuro; outras ainda, vêem-na simplesmente como aquela estranha sensação visceral de já terem estado ali ou feito aquilo antes. Todos nós temos este tipo de experiência de déjà vu, seja ela fortemente preditiva como a minha, ou apenas uma ligeira premonição, a sensação de já termos vivenciado o que estamos a vivenciar agora.

Os ensinamentos Bahá'ís dizem que, nestes sonhos premonitórios, a alma "viaja, vê, observa..."

A minha experiência foi certamente assim. Provavelmente já teve experiências semelhantes, em que um acontecimento, uma pessoa ou uma cena com que sonhou se torna subitamente real.

A ciência ainda não tem uma explicação para esta experiência humana universal. Mas os ensinamentos Bahá'ís têm:

Quantas vezes acontece o espírito ter um sonho no reino do sono cujo significado se materializa exactamente dois anos depois! Da mesma forma, quantas vezes acontece o espírito resolver, no mundo dos sonhos, um problema que não conseguiu resolver no reino da vigília.

Acordado, o olho vê apenas a curta distância, mas no reino dos sonhos, quem está no Oriente pode ver o Ocidente. Acordado, vê apenas o presente; adormecido, contempla o futuro. (‘Abdu’l-Bahá, Some Answered Questions, newly revised edition, pp. 261-262)

Não consigo imaginar melhor prova da existência da alma.

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Texto original: How Our Premonitions Prove We Have Souls (www.bahaiteachings.org

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Será que eu tenho uma alma?

Por David Langness.

A crença consiste em aceitar as afirmações da alma; a descrença, em negá-las. (Ralph Waldo Emerson)

          A vida é real! A vida é séria!
          E o túmulo não é o seu fim,
          És pó e ao pó voltarás,
          Não falava da alma.
          (Henry Wadsworth Longfellow)

O homem não possui um corpo distinto da sua alma; pois aquilo a que chamamos corpo é uma porção da alma, percebida pelos cinco sentidos, as principais vias de acesso da alma nesta era. (William Blake)

Qual é a crença humana mais antiga, mais persistente e mais profunda? É a existência de uma alma imortal.

A maioria dos grandes poetas e filósofos acreditava profundamente na alma humana. E você?

Se pensa assim, saiba que não está sozinho. Muitos antropólogos teorizam que a ideia de alma remonta a mais de 200.000 anos, praticamente na mesma altura em que acreditam que a consciência humana começou a surgir. Assim que desenvolvemos linguagem, acreditam os antropólogos, os humanos começaram a expressar o conceito de alma por palavras.

Nessa altura da história humana primitiva, a nossa raça viveu uma explosão cultural, expressa na arte, no vestuário, na linguagem e nos primórdios da religião. Pintávamos grutas, ornamentávamo-nos com símbolos, decorávamos os nossos túmulos com figuras e representações religiosas e, claramente, começávamos a pensar de forma abstrata. Nessa fase do nosso desenvolvimento, tínhamos ultrapassado as necessidades de alimentação e abrigo e começado a utilizar o nosso tempo livre, os nossos impulsos criativos e a nossa capacidade intelectual inexplorada para transcender o meramente físico e começar a contemplar o espiritual.

Mas como surgiu a ideia de uma alma imortal, ou qualquer tipo de espiritualidade humana?

Provavelmente surgiu com o mistério da morte.

Ao contrário de qualquer animal, os seres humanos têm a capacidade de projectar as suas mentes para o futuro e contemplar a própria morte. Assim que soubemos que podíamos morrer, teorizaram os cientistas, começámos a compreender e a acreditar que alguma parte inata de nós continuava a existir. Este espírito ou alma imortal, exemplificado nas primeiras pinturas rupestres e nas inscrições simbólicas em túmulos, emergiu naturalmente da nossa própria descoberta da consciência e da autoconsciência.

Talvez isto explique porque é que todas as culturas, mesmo hoje, têm algum conceito de alma ou espírito que sobrevive ao corpo. Não importa de onde vêm, os seres humanos parecem compelidos a verem-se como algo mais do que a soma das suas partes biológicas.

Pesquisas recentes mostram que entre 65% e 80% da população mundial acredita na existência da alma. Independentemente da religião ou da ausência dela, a grande maioria de nós aceita que algo espiritual, alguma essência interior inata que todos possuímos, nos anima enquanto os nossos corpos vivem e continua a existir após a nossa morte.

Naturalmente, a Fé Bahá’í, assim como todas as outras grandes religiões globais, partilha esta crença:

Enquanto o corpo se transforma de uma condição para outra, a alma permanece imutável. Por exemplo, a forma jovem do corpo humano envelhece, mas a alma permanece a mesma; o corpo enfraquece, mas a alma não; o corpo sofre alguma deficiência ou paralisia, mas a alma permanece inalterada. Quantas vezes um membro pode ser amputado do corpo, mas a alma permanece a mesma, nunca se altera. Portanto, enquanto o corpo sofre alterações, a alma não muda. E, por ser imutável, a alma é imortal. Pois o ponto crucial da mortalidade é a mudança e a transformação.

No mundo dos sonhos, o corpo humano jaz indefeso, sem forças; os olhos não vêem, os ouvidos não ouvem e o corpo não se mexe. Mas a alma vê, ouve, viaja e resolve problemas. Assim sendo, torna-se evidente que, com a morte do corpo, a alma não morre; com o falecimento do corpo, a alma não perece; quando o corpo dorme, a alma não dorme, antes, compreende e descobre coisas; voa e viaja.

O corpo pode estar aqui, mas a alma pode estar presente no Oriente ou no Ocidente. Enquanto está no Ocidente, trata das coisas do Oriente e, no Oriente, descobre as coisas do Ocidente. Organiza e dirige os assuntos vitais das nações. Enquanto o corpo está num só lugar, a alma viaja por diferentes países e continentes. Em Espanha, por exemplo, descobre a América. Assim, o poder e a influência que pertencem à alma estão ausentes no corpo. O corpo não vê, mas a alma vê e explora. Portanto, a sua vida não depende do corpo. (‘Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 9, pp. 307-308)

Nesta breve série de artigos, vamos explorar o conceito de alma e colocar as questões que todos se colocam sobre o seu espírito interior: Como posso provar que ela existe? Onde está ela? O que significa ela para a minha vida aqui neste universo físico? O que significa ela para a minha vida depois da morte?

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Texto original: Do You Have a Soul? (www.bahaiteachings.org

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.