Por David Langness.
A crença consiste em aceitar as afirmações da alma; a descrença, em negá-las. (Ralph Waldo Emerson)
A vida é real! A vida é séria!
E o túmulo não é o seu fim,
És pó e ao pó voltarás,
Não falava da alma.
(Henry Wadsworth Longfellow)
O homem não possui um corpo distinto da sua alma; pois aquilo a que chamamos corpo é uma porção da alma, percebida pelos cinco sentidos, as principais vias de acesso da alma nesta era. (William Blake)
Qual é a crença humana mais antiga, mais persistente e mais profunda? É a existência de uma alma imortal.
A maioria dos grandes poetas e filósofos acreditava profundamente na alma humana. E você?
Se pensa assim, saiba que não está sozinho. Muitos antropólogos teorizam que a ideia de alma remonta a mais de 200.000 anos, praticamente na mesma altura em que acreditam que a consciência humana começou a surgir. Assim que desenvolvemos linguagem, acreditam os antropólogos, os humanos começaram a expressar o conceito de alma por palavras.
Nessa altura da história humana primitiva, a nossa raça viveu uma explosão cultural, expressa na arte, no vestuário, na linguagem e nos primórdios da religião. Pintávamos grutas, ornamentávamo-nos com símbolos, decorávamos os nossos túmulos com figuras e representações religiosas e, claramente, começávamos a pensar de forma abstrata. Nessa fase do nosso desenvolvimento, tínhamos ultrapassado as necessidades de alimentação e abrigo e começado a utilizar o nosso tempo livre, os nossos impulsos criativos e a nossa capacidade intelectual inexplorada para transcender o meramente físico e começar a contemplar o espiritual.
Mas como surgiu a ideia de uma alma imortal, ou qualquer tipo de espiritualidade humana?
Provavelmente surgiu com o mistério da morte.
Ao contrário de qualquer animal, os seres humanos têm a capacidade de projectar as suas mentes para o futuro e contemplar a própria morte. Assim que soubemos que podíamos morrer, teorizaram os cientistas, começámos a compreender e a acreditar que alguma parte inata de nós continuava a existir. Este espírito ou alma imortal, exemplificado nas primeiras pinturas rupestres e nas inscrições simbólicas em túmulos, emergiu naturalmente da nossa própria descoberta da consciência e da autoconsciência.
Talvez isto explique porque é que todas as culturas, mesmo hoje, têm algum conceito de alma ou espírito que sobrevive ao corpo. Não importa de onde vêm, os seres humanos parecem compelidos a verem-se como algo mais do que a soma das suas partes biológicas.
Pesquisas recentes mostram que entre 65% e 80% da população mundial acredita na existência da alma. Independentemente da religião ou da ausência dela, a grande maioria de nós aceita que algo espiritual, alguma essência interior inata que todos possuímos, nos anima enquanto os nossos corpos vivem e continua a existir após a nossa morte.
Naturalmente, a Fé Bahá’í, assim como todas as outras grandes religiões globais, partilha esta crença:
Enquanto o corpo se transforma de uma condição para outra, a alma permanece imutável. Por exemplo, a forma jovem do corpo humano envelhece, mas a alma permanece a mesma; o corpo enfraquece, mas a alma não; o corpo sofre alguma deficiência ou paralisia, mas a alma permanece inalterada. Quantas vezes um membro pode ser amputado do corpo, mas a alma permanece a mesma, nunca se altera. Portanto, enquanto o corpo sofre alterações, a alma não muda. E, por ser imutável, a alma é imortal. Pois o ponto crucial da mortalidade é a mudança e a transformação.
No mundo dos sonhos, o corpo humano jaz indefeso, sem forças; os olhos não vêem, os ouvidos não ouvem e o corpo não se mexe. Mas a alma vê, ouve, viaja e resolve problemas. Assim sendo, torna-se evidente que, com a morte do corpo, a alma não morre; com o falecimento do corpo, a alma não perece; quando o corpo dorme, a alma não dorme, antes, compreende e descobre coisas; voa e viaja.
O corpo pode estar aqui, mas a alma pode estar presente no Oriente ou no Ocidente. Enquanto está no Ocidente, trata das coisas do Oriente e, no Oriente, descobre as coisas do Ocidente. Organiza e dirige os assuntos vitais das nações. Enquanto o corpo está num só lugar, a alma viaja por diferentes países e continentes. Em Espanha, por exemplo, descobre a América. Assim, o poder e a influência que pertencem à alma estão ausentes no corpo. O corpo não vê, mas a alma vê e explora. Portanto, a sua vida não depende do corpo. (‘Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 9, pp. 307-308)
Nesta breve série de artigos, vamos explorar o conceito de alma e colocar as questões que todos se colocam sobre o seu espírito interior: Como posso provar que ela existe? Onde está ela? O que significa ela para a minha vida aqui neste universo físico? O que significa ela para a minha vida depois da morte?
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Texto original: Do You Have a Soul? (www.bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

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