domingo, 16 de agosto de 2026

O Significado Espiritual e o Simbolismo dos Falcões

Por Radiance Talley.


Em muitos aspectos, os sentidos e as capacidades físicas de um falcão são muito mais impressionantes do que os nossos.

Pesando quase um quilo, esta ave pode atingir velocidades superiores à da maioria dos aviões de pequeno porte e é o animal mais rápido que existe. A sua visão binocular é também oito vezes melhor do que a dos humanos, e consegue suportar uma força gravitacional comparável a 25 vezes a força da gravidade que actua sobre o corpo humano.

Admiradas pela sua extraordinária velocidade, visão e força, estas aves inspiram muito mais do que apenas mascotes de clubes desportivos e personagens de super-heróis. Os falcões simbolizam também aquelas almas santas e espiritualmente fortes que dedicam as suas vidas a difundir as mensagens unificadoras da Fé Bahá’í.

Falcões: Símbolos de Almas Espirituais

Áqá ‘Alíy-i-Qazvíní foi um dos primeiros seguidores do Báb (o precursor de Bahá’u’lláh) e de Bahá’u’lláh (o profeta fundador da Fé Bahá’í).

O filho de Bahá’u’lláh, ‘Abdu’l-Bahá, disse:

Era um excelente amigo e companheiro, alegre, encantador; amado por Bahá'u'lláh, respeitado pelos amigos, desprendido do mundo, confiante em Deus. Não havia nele inconstância, a sua condição interior era sempre a mesma: estável, constante, firmemente enraizado como as montanhas.

Era muito paciente e sereno apesar do sofrimento que suportou por divulgar a Fé Bahá’í, e ensinamentos como a investigação independente da verdade, a abolição de todas as formas de preconceito, a harmonia entre a ciência e a religião e a igualdade entre homens e mulheres.

Uma vez, quando estava na sua casa em Qazvín, no Irão, "foi raptado por pessoas malvadas que o espancaram tão brutalmente na cabeça que os efeitos se mantiveram ele até à hora da sua morte".

'Abdu'l-Bahá disse:

Maltratavam-no e atormentavam-no de muitas maneiras e achavam permissível infligir-lhe todo o tipo de crueldade; contudo, o seu único crime foi ter-se tornado crente, e o seu único pecado, ter amado a Deus. Como escreveu o poeta, em versos que ilustram a situação de Áqá ‘Alí:

        O falcão-real é atacado por corujas.
        Rasgam-lhe as asas, embora ele esteja livre de pecado.
        E escarneceram: 'Porque ainda te lembras
        daquele pulso real, daquele palácio em que estavas?'
        Ele é uma ave majestosa: este crime foi ele que o cometeu.
        Para além da beleza, qual foi o pecado de José?

O “falcão real” simboliza Áqá ‘Alí, um homem nobre e magnânimo, de grande coração, que não merecia o escárnio e os abusos das “corujas” – aquelas pessoas que tinham preconceitos contra os Bahá’ís e os agrediam. Mas, tal como o falcão, Áqá ‘Alí ,apesar de estar doente, manteve-se forte e com um sorriso no rosto, até ao dia da sua morte.

Outro dos primeiros Bahá’ís e falcão real que suportou um intenso sofrimento foi Jináb-i-Ismu’lláhu’l-Asdaq. Por partilharem abertamente os ensinamentos da Fé Bahá’í, Ismu’lláh e outros Bahá’ís foram cercados no Forte Tabarsí, no Irão, onde passaram dezoito dias sem comer e resistiram ao ataque dos canhões e outras armas.

Mais tarde, foi levado aos chefes de Mázindarán para ser morto quando, “Deus colocou no coração de um homem a vontade de o libertar da prisão a meio da noite e de o levar para um local onde estivesse seguro”, recordou Abdu’l-Bahá.

Apesar das provações traumáticas que enfrentou, Ismu’lláh manteve-se firme na sua fé e partilhou os princípios Bahá’ís de forma ainda mais ampla depois de ser libertado. 'Abdu'l-Bahá disse:

Era como um mar agitado, um falcão que voava alto. O seu semblante brilhava, a sua língua era eloquente, a sua força e firmeza impressionantes. Quando abria os lábios para ensinar, as provas jorravam; quando cantava ou orava, os seus olhos derramavam lágrimas como uma nuvem de primavera.

O seu rosto era luminoso, a sua vida espiritual, o seu conhecimento tanto adquirido como inato; e celestial era o seu ardor, o seu desprendimento do mundo, a sua justiça, a sua piedade e temor a Deus. …Era uma grande personalidade, perfeito em tudo.

O Falcão: Um Símbolo de Bahá'u'lláh

Estas almas consagradas não foram os primeiros falcões reais. Foram inspiradas pela luz de Bahá'u'lláh, que os Bahá'ís acreditam ser o mais recente mensageiro enviado por Deus.

Baha’u’llah escreveu:

Eu era um homem como os outros, adormecido no Meu leito, quando eis que as brisas do Todo-Glorioso foram sopradas sobre Mim, e Me deram a conhecer tudo o que existia. Isto não provem de Mim, mas daquele que é o Omnipotente, o Sapientíssimo. E Ele ordenou-Me que levantasse a Minha voz entre a terra e o céu, e por isso sucedeu-Me aquilo que fez fluir as lágrimas de todos os homens de compreensão. (Súriy-i-Haykal, ¶192)

Bahá'u'lláh sofreu 40 anos de prisão, tortura e exílio por anunciar o nascimento de uma nova revelação.

Em português, Bahá'u'lláh significa "A Glória de Deus", e os Bahá'ís acreditam que a Sua vinda é predita em muitas religiões do mundo.

Os textos Bahá’ís dizem:

Para Israel, Ele não era nem mais nem menos do que a encarnação do “Pai Eterno”, o “Senhor dos Exércitos” que desceu “com dez mil santos”; para a Cristandade, Cristo regressado "na Glória do Pai"; para o Islão xiita, o regresso do Imam Husayn; para o Islão sunita, a descida do “Espírito de Deus” (Jesus Cristo); para os Zoroastrianos, o prometido Shah-Bahram; para os Hindus, a reencarnação de Krishna; para os Budistas, o quinto Buda. (Shoghi Effendi, God Passes By, pag. 94)


 Bahá’u’lláh viveu uma vida de serviço à humanidade, procurando sempre auxiliar e amparar os pobres, os negligenciados e os oprimidos. Ele escreveu:

Eu animo o débil e revivifico o morto. Eu sou a Luz que guia e ilumina o caminho. Eu sou o Falcão real no braço do Omnipotente. Desdobro as asas caídas de cada pássaro ferido e faço-o levantar voo. (Tabernacle of Unity, 1.14)

Bahá'u'lláh faleceu aos 75 anos, em 1892.

Que todos nós nos esforcemos por nos tornarmos tão espiritualmente fortes e firmes como Áqá ‘Alí e Ismu’lláh, sabendo que Bahá’u’lláh, o Falcão Real, está a observar-nos, juntamente com os outros profetas de Deus, prontos a iluminar o nosso caminho e a guiar-nos na nossa viagem.

-----------------------------------------------------------
Texto original: The Spiritual Meaning and Symbolism of Falcons (www.bahaiteachings.org)

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Radiance Talley é licenciada em comunicação pela Universidade de Maryland. Além da escrita, do desenho, e da comunicação em público, Radiance tem um profundo conhecimento da teoria da construção, técnicas de negociação, gestão de conflitos, comunicação organizacional e intercultural, antropologia e sociologia.

Sem comentários: