Por David Langness.
Quando ouvi falar pela primeira vez de Sócrates e Aristóteles, perguntei-me: qual a é diferença entre um profeta e um filósofo?
Já alguma vez pensou nesta questão? Quer dizer, tal como os profetas, os filósofos mais eruditos do mundo trazem à humanidade uma sabedoria profunda e perspicaz. Os seus ensinamentos perduram por milhares de anos. Têm impactos duradouros no nosso pensamento, na nossa visão do mundo e até nas nossas estruturas governamentais. Transmitimos os seus ensinamentos aos nossos filhos e nomeamos escolas de pensamento e orientações educativas inteiras em sua homenagem. O Método Socrático — a forma como ensinamos praticamente todos os advogados — é apenas um exemplo entre centenas.
Mas nós não veneramos os filósofos.
Veneramos os profetas. Seguimos as suas crenças. Construímos locais de culto para os venerar e honrar. Moldamos as nossas vidas segundo o exemplo deles. Lemos os seus textos constantemente. Oramos para nos tornarmos como eles. Não só transmitimos os seus ensinamentos aos nossos filhos, como também os incentivamos a seguir os seus exemplos morais.
Os ensinamentos Bahá’ís fazem uma distinção muito interessante entre profetas e filósofos:
Alguns homens e mulheres vangloriam-se dos seus pensamentos elevados, mas se esses pensamentos nunca atingirem o plano da acção, permanecem inúteis: o poder do pensamento depende da sua manifestação em actos. O pensamento de um filósofo pode, contudo, no mundo do progresso e da evolução, traduzir-se em acções de outras pessoas, mesmo quando elas próprias são incapazes ou estão relutantes em demonstrar os seus grandes ideais nas suas próprias vidas. A esta classe pertence a maioria dos filósofos, cujos ensinamentos estão muito acima das suas acções. Esta é a diferença entre os filósofos que são Mestres Espirituais e os que são meros filósofos: o Mestre Espiritual é o primeiro a seguir os Seus próprios ensinamentos; Ele traz para o mundo da acção as Suas concepções e ideais espirituais. Os seus pensamentos Divinos manifestam-se no mundo. O seu pensamento é Ele mesmo, do qual é inseparável. Quando encontramos um filósofo a enfatizar a importância e a grandeza da justiça, e depois a encorajar um monarca ganancioso na sua opressão e tirania, rapidamente percebemos que ele pertence à primeira classe: pois tem pensamentos celestiais e não pratica as correspondentes virtudes celestiais.
Este estado é impossível com os filósofos espirituais, pois expressam sempre os seus pensamentos elevados e nobres em ações. (‘Abdu’l-Bahá, Paris Talks, pags. 18-19)
Referindo-se aos profetas de Deus, 'Abdu'l-Bahá diz algo notável: "O Seu pensamento é Ele próprio, do qual é inseparável". Na vida de um verdadeiro profeta, o pensamento e a açcão estão unidos.
Todos nós temos pensamentos elevados. Não seria maravilhoso se pudéssemos viver sempre de acordo com estes pensamentos? Todos nós temos nobreza e ideais elevados dentro de nós. Consegue imaginar como seria o mundo se todos nós demonstrássemos estes nobres ideais no nosso dia a dia?
É por isso que respeitamos, reverenciamos, adoramos e veneramos os profetas de Deus — porque eles exemplificam a nobreza de Deus em acção. Servem como os melhores exemplos imagináveis daquilo a que um ser humano pode aspirar e em que se pode tornar. Exemplificam o amor, a bondade e a compaixão. São, de facto, os seus melhores pensamentos. Quando Cristo ofereceu a outra face; quando Moisés libertou o seu povo da escravidão; quando Buda se desapegou das suas riquezas; quando Bahá'u'lláh foi preso pelos seus princípios progressistas e elevados ideais, eles inspiraram, estimularam e motivaram todos nós a sermos melhores seres humanos.
É evidente, portanto, que as provas da validade e inspiração de um Profeta de Deus são os feitos benéficos e a grandeza que d’Ele emanam. Se Ele se mostrar um instrumento na elevação e no aperfeiçoamento da humanidade, é, sem dúvida, um Mensageiro legítimo e divino. (‘Abdu’l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 366)
Os Bahá’ís acreditam que estes mensageiros celestiais, os maiores educadores da humanidade, servem de canais entre Deus e o ser humano:
Vejamos por um momento a condição dos judeus. Quando estavam no Egipto, eram cativos; eram pobres; eram prisioneiros nas mãos do Faraó; eram ignorados; eram um povo dependente, rodeado de todo o tipo de problemas e adversidades; o povo desprezava-os; eram considerados párias. Então veio Moisés. Ele reuniu-os; inspirou-lhes o poder da unidade; deu-lhes nova vida; ensinou-lhes as leis de Deus, incentivando-os na moral e nas virtudes da humanidade; libertou-os das mãos do Faraó; livrou-os do cativeiro; educou-os, preparou-os e conduziu-os da terra das trevas para o santo dos santos da luz. O seu poder aumentou; sua majestade tornou-se resplandecente; a sua fama espalhou-se por todo o mundo, até que conseguiram fundar o reino de Salomão. Na filosofia e na arte, alcançaram uma grandeza tal que os filósofos da Grécia e de Roma viajaram longas distâncias para aprender com eles. Será possível afirmar que venerar e respeitar estas almas equivale à adoração de ídolos? Devemos respeitar Moisés porque ele realizou uma obra que mais ninguém conseguiu fazer. É um facto evidente que Sua Santidade Moisés foi um canal entre Deus e o homem. Nenhuma outra prova é necessária para tal. (‘Abdu’l-Bahá, Star of the West, Volume 2, pag. 6-7)
Esta é a diferença entre um filósofo e um profeta: um filósofo pode mudar a opinião de outros seres humanos, mas um verdadeiro profeta muda o mundo.
Os filósofos também são professores, mas tudo o que podiam fazer era ensinar-se a si próprios e a algumas almas. Mas os profetas de Deus ensinaram o mundo inteiro. Instruíram todos os filhos dos homens em moral e ética. – Idem, p. 8.
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Texto original: What’s the Difference Between a Prophet and a Philosopher? (www.bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.


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