Por David Langness.
Sabe, em verdade, que a alma é um sinal de Deus, uma jóia celestial cuja realidade os mais eruditos dos homens não conseguiram compreender, e cujo mistério nenhuma mente, por muito perspicaz que seja, pode esperar alguma vez desvendar. (Bahá’u’lláh, Gleanings, LXXXII)
Sócrates e o seu aluno Platão acreditavam que a alma humana tinha três partes: logos, thymos e eros. Acreditavam também que cada parte da alma tinha um lugar específico no corpo. O logos — a mente ou a razão — existia na cabeça; thymos — a emoção — existia no peito; eros — o desejo ou o apetite — existia no estômago.
A sua filosofia, denominada alma platónica, deu início a uma série de especulações sobre a sua localização.
Durante séculos, as pessoas interrogaram-se sobre a localização exacta da alma entre os órgãos humanos. Estaria em alguma parte do cérebro? Residiria no coração? Estaria encaixada algures entre o fígado e o baço? Os ateus negam a existência da alma porque não a conseguimos encontrar nem medir fisicamente em nenhum lugar do corpo.
Os primeiros médicos e anatomistas procuraram a alma nos cadáveres, mas, claro, nunca a encontraram. No início do século XX, um médico norte-americano chamado Duncan MacDougall realizou experiências em que pesava doentes moribundos para tentar determinar o peso exato da alma que partia no momento da morte. Determinou que a alma "pesava três quartos de onça", ou 21 gramas. As suas descobertas foram posteriormente comprovadas como totalmente não-científicas, mas a ideia em si persistiu, e hoje muitos artistas, escritores e músicos utilizam a expressão "21 gramas" para designar o espírito humano.
Os Bahá’ís acreditam que a alma não possui existência física — nem massa, nem peso. Em vez disso, os ensinamentos Bahá’ís afirmam que a alma é uma única realidade invisível, não composta por vários elementos e, portanto, não sujeita à decomposição:
A alma é eterna e imortal
Os materialistas dizem: “Onde está a alma? O que é ela? Não podemos vê-la, nem tocá-la”.
Eis como devemos responder-lhes: Por mais que o mineral evolua, não consegue compreender o mundo vegetal. Ora, esta falta de compreensão não prova a inexistência de um vegetal!
E por mais que a planta possa evoluir, será incapaz de compreender o mundo animal; essa ignorância não prova que o animal não exista!
O animal, por mais desenvolvido que seja, não consegue imaginar a inteligência humana, nem compreender a natureza da sua alma. Mas, mais uma vez, isto não prova que o homem seja desprovido de intelecto ou de alma. Demonstra apenas que uma forma de existência é incapaz de compreender outra forma que lhe é superior.
Esta flor pode desconhecer a existência de um ser como o homem, mas esse desconhecimento não impede a existência da humanidade.
Da mesma forma, se os materialistas não acreditam na existência da alma, a sua descrença não prova que não exista um reino como o mundo espiritual. A própria existência da inteligência humana prova a sua imortalidade; além disso, a escuridão prova a presença da luz, pois sem luz não haveria sombra. A pobreza prova a existência de riqueza, pois, sem riqueza, como poderíamos medir a pobreza? A ignorância prova que o conhecimento existe, pois sem conhecimento como poderia haver ignorância?
Portanto, a ideia de mortalidade pressupõe a existência da imortalidade – pois se não existisse Vida Eterna, não haveria forma de medir a vida neste mundo!
Se o espírito não fosse imortal, como poderiam os Manifestantes de Deus suportar tão terríveis provações?
Porque é que Cristo Jesus sofreu a morte terrível na cruz?
Por que razão Muhammad suportou perseguições?
Porque é que o Báb fez o sacrifício supremo e porque é que Bahá’u’lláh passou anos da Sua vida na prisão?
Porquê tanto sofrimento, senão para provar a vida eterna do espírito?
Cristo sofreu, aceitou todas as Suas provações por causa da imortalidade do Seu espírito. Se alguém reflectir, compreenderá o significado espiritual da lei do progresso; como tudo se move do inferior para o superior.
Só um homem sem inteligência, depois de considerar estas coisas, pode imaginar que o grande projecto da criação deixe subitamente de progredir, que a evolução chegue a um fim tão inadequado!
Os materialistas que raciocinam desta forma e afirmam que somos incapazes de ver o mundo espiritual ou de perceber as bênçãos de Deus são, certamente, como os animais que não têm entendimento; têm olhos, mas não vêem; têm ouvidos, mas não ouvem. E esta falta de visão e de audição não é prova de nada, a não ser da sua própria incapacidade; deles se lê no Alcorão: “São homens cegos e surdos ao Espírito”. Não usam este grande dom de Deus, o poder do entendimento, pelo qual podiam ver com os olhos do espírito, ouvir com ouvidos espirituais e também compreender com um coração divinamente iluminado.
A incapacidade da mente materialista em compreender a ideia da Vida Eterna não prova a inexistência dessa vida.
A compreensão dessa outra vida depende do nosso nascimento espiritual!
A minha oração por vós é que as vossas faculdades e aspirações espirituais aumentem diariamente, e que nunca permitam que os sentidos materiais obscureçam os vossos olhos das glórias da Iluminação Celestial. ('Abdu’l-Bahá, Paris Talks, pp. 93-95)
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Texto original: If I Have a Soul — Where is It? (www.bahaiteachings.org)
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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.


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