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sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Jorge Sampaio entre Estrasburgo e Teerão

Ontem, a edição online do Diário de Notícias noticiou ontem que Jorge Sampaio abordou diversos aspectos relacionados com a integração das minorias muçulmanas nas sociedades europeias numa sessão solene do Parlamento Europeu dedicada ao Diálogo Intercultural.

Este poderia ser um facto poderia ter passado despercebido, não tivesse o ex-Presidente da República participado recentemente numa outra conferência em Teerão dedicada ao tema “A Religião no Mundo Moderno”. Esta conferência mereceu a atenção dos media ocidentais, pelo facto de ter tido a presença de diversos convidados estrangeiros: Kofi Annan, Romano Prodi, Mary Robinson entre outros.

Das intervenções dos palestrantes ocidentais nessa conferência de Teerão, sabe-se que houve apenas um que condenou abertamente o Regime de Teerão pelas suas práticas discriminatórias relativamente às minorias religiosas. Presume-se que Jorge Sampaio não terá abordado esse tema; uma nota à imprensa no site oficial de Jorge Sampaio é omissa sobre esse assunto, permitindo-nos deduzir que o ex-Presidente da República terá ignorado o assunto.

Assim parece-me legítimo levantar algumas questões.

Este Jorge Sampaio que protesta em Estrasburgo contra a discriminação dos Muçulmanos é o mesmo que em Teerão ignorou que os Bahá’ís - a maior minoria religiosa do Irão - não têm qualquer protecção legal naquele país?

Este Jorge Sampaio que em Estrasburgo considera incorrecto que os muçulmanos sejam vistos como “fanáticos e intolerantes” é o mesmo que em Teerão preferiu ignorar que o Parlamento daquele país se prepara para aprovar a Lei da Apostasia, (uma lei que prevê a pena de morte para quem abandone o Islão)?

Este Jorge Sampaio que defende em Estrasburgo o ensino de competências inter-culturais, é o mesmo que na conferência de Teerão se esqueceu que os Zoroastrianos daquele país são considerados «infiéis» pelas autoridades apesar de gozarem de protecção constitucional?

Este Jorge Sampaio que em Estrasburgo condena “a discriminação e a marginalização socioeconómica” dos muçulmanos na Europa é o mesmo que não ousou condenar a discriminação que o Irão faz contra os estudantes Baha’is impedindo-os de entrar nas Universidades?

Este Jorge Sampaio que em Estrasburgo proclama a necessidade de políticas de integração para os muçulmanos na Europa é o mesmo que em Teerão preferiu não condenar abertamente as práticas de Direitos Humanos do Regime Iraniano?

Este Jorge Sampaio que em Estrasburgo clamou por uma acção europeia, iniciativas nacionais e locais, em Teerão terá tido o bom senso de o fazer uma exigência minimamente semelhante ao Regime de Iraniano?

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ACTUALIZAÇÃO: Este texto foi publicado no Diário de Notícias no dia 26 de Outubro, nas Cartas ao Director.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O que foi que eles disseram?

Jorge Sampaio discursando na Conferência de Teerão.
O que foi que ele disse?

Diversos analistas e comentadores na imprensa internacional insistem que a conferência de Teerão (onde discursou o nosso ex-presidente, Jorge Sampaio) foi um acto político, um esforço para encorajar a ala reformadora do regime iraniano a enfrentar o ultra-conservador presidente Ahmadinedjad.

O Público, por exemplo, escreve que a Khatami tentou que a conferência servisse como “rampa de lançamento para a sua recandidatura à Presidência da República islâmica”. E apesar do ex-presidente iraniano afirmar publicamente que não deseja misturar as duas coisas, a verdade é que o evento ocorre na mesma altura que Khatami admitiu recandidatar-se à Presidência do Irão.

Outros media lembram que os políticos ocidentais se têm recusado a visitar o Irão desde que Ahmadinedjad subiu ao poder, e que o actual presidente iraniano tem visto a sua popularidade diminuir entre os seus compatriotas.

Pela minha parte, preferia saber exactamente o que disse cada um daqueles convidados estrangeiros; destes apenas sabemos ideias das intervenções de Mary Robinson e de Kjell Magne Bondevik. O que disse Kofi Anan? E Romano Prodi? E Jorge Sampaio? Algum denunciou os crimes cometidos pelo regime islâmico contra as minorias religiosas do Irão?

Infelizmente os media parecem dar preferência à análise e especulação política. Não será isso uma forma de indiferença?

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Sobre este assunto:
Public Stage for Iran’s Ex-President Fuels Talk of Political Return (NYT)
International conference on religion starts in Tehran (AP – Pakistan)
Former global leaders in Iran to support Khatami (Kuwait times)
Bondevik attempts dialogue with Iran's president (AftenPosten – Norway)
Conferência em Teerã sobre Diálogo Inter-Religioso reúne ex-Chefes de Estado (Rádio Vaticano)

sábado, 22 de setembro de 2007

A busca da paz

Excerto de um artigo de opinião de Jorge Sampaio, hoje no jornal Expresso. Os sombreados são destaques da minha responsabilidades.
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(...)
Ultimamente, há uma tendência crescente para encarar a religião como uma fonte de hostilidade e ódio. É bem verdade que não é fácil defender o seu papel como força positiva de paz – basta pensar no Iraque, no Afeganistão, na Indonésia, em Israel ou na Palestina, para sermos tentados a concluir que a religião alimenta a violência e multiplica os riscos de guerra. Mas, a meu ver, embora o factor religioso esteja presente em muitas das crises contemporâneas, isso não significa que seja o seu detonador.

Sustentar que a religião é uma das principais fontes do mal e da violência, não só é incorrecto, mas também perigoso, pois oculta a raiz política da maioria dos conflitos Práticas de discriminação, exclusão social, desigualdades de oportunidades, ambições militares, ausência de boa governação e rivalidades geopolíticas desempenham um papel importante no desencadear dos conflitos. Mesmo nos que são motivados por factores culturais e religiosos, a violência e o extremismo resultam quase sempre da instrumentalização da religião para fins ideológicos.

Pelo contrário, deve sublinhar-se que a influência positiva da religião está bem patente num núcleo de valores básicos e ideais, comuns às grandes tradições religiosas, a saber: primeiro, o direito fundamental de todos à vida, depois, o direito universal a uma vida com dignidade. Estes constituem o fundamento último da Democracia e do Estado de Direito, bem como da Declaração Universal dos Direitos Humanos, e dos principais tratados internacionais que regulam as relações entre os povos.

Por isso, os lideres religiosos de todas as fés têm usado da sua influência para promover a resolução pacífica dos conflitos, através do diálogo e da negociação política. Não podemos subestimar o papel dos lideres muçulmanos no apoio aos esforços de paz e na condenação da violência e do terrorismo, em nome do respeito pelos preceitos fundadores do Islão. Não podemos pois, permitir que o extremismo e o fundamentalismo instrumentalizem a religião e a ponham ao serviço da violência e do terror, desvirtuando o seu desígnio humanístico. Mas, não podemos, também, aceitar que em nome da luta internacional contra o terrorismo, os políticos se subtraiam às suas responsabilidades de assegurar aos cidadãos uma vida digna no respeito pelos direitos humanos.

Importa que todos – lideres políticos e religiosos, igrejas e todas as organizações da sociedade civil – unam esforços na luta contra o extremismo, o totalitarismo e a exclusão. Importa trabalhar em conjunto em prol de uma aliança global para uma educação para a paz. A meu ver, a prevenção sustentável de conflitos joga-se, em grande parte, numa educação fundada no paradigma do respeito mútuo entre povos e na capacidade de diálogo entre culturas e tradições religiosas diferentes.

(...)

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Jorge Sampaio



Former Portuguese president chosen as UN envoy to Alliance of Civilizations

Secretary-General Ban Ki-moon today appointed the former Portuguese president Jorge Sampaio as the first United Nations High Representative for the Alliance of Civilizations, the international initiative set up in 2005 to promote reconciliation between religions, cultures and nations.

Mr. Sampaio, 67, served as Portuguese president from March 1996 to March 2006. He served also as former UN Secretary-General Kofi Annan’s Special Envoy to Stop Tuberculosis (TB). Mr. Sampaio previously held numerous public offices, including Mayor of Lisbon in 1989, Member of Parliament and member of the European Human Rights Commission of the Council of Europe.

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O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, anunciou ontem a nomeação do antigo presidente português Jorge Sampaio como primeiro Alto Representante para a Aliança das Civilizações, uma iniciativa sob os auspícios das Nações Unidas.

Oxalá seja bem sucedido nesta missão!