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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Uma nova ordem económica mundial?

Mário Soares, hoje no DN.
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Desde há décadas, na segunda metade do século passado, que nos meios progressistas se falava da necessidade de uma nova ordem económica mundial. Sempre em vão. Desta vez, em plena crise global - que não terminou, insisto -, no encontro dos G20 que teve lugar, há três dias, em Pittsburgh, na América do Norte, a convite de Barack Obama, mas à margem das Nações Unidas, note-se, Gordon Brown decretou, no encerramento da cimeira, que foi "criada uma nova ordem económica mundial para lidar com os problemas financeiros e económicos mundiais", que abrange ou coordena, ao que parece, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial.

Que verdade existe nesta declaração surpreendente do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown? Responderia que tem uma parte ou meia verdade. O G20 tem vinte países membros dos mais ricos da terra, que representam 85% do PIB (produto interno bruto) mundial. É bastante considerável. Entraram os países emergentes: Brasil, Índia, China, para além da Rússia, Arábia Saudita, Argentina, Japão, África do Sul, Indonésia, México, Turquia, Austrália, e os tradicionais Canadá, Estados Unidos, União Europeia (França, Reino Unido, Alemanha, Itália, Espanha) e o presidente da Comissão Europeia. Foi um amplo alargamento, desde o G7 e, depois, G8. Precisamente mais doze países membros vindos dos cinco continentes, mas tendo como países islâmicos apenas a Arábia Saudita, uma teocracia plutocrática, a Indonésia e a Turquia. O que é manifestamente pouco, para uma organização que se propõe ser "o governo financeiro e económico do mundo". Faltam os outros cento e sessenta e tal países membros da ONU!

Claro que esta "nova ordem" não definiu com suficiente clareza quais as políticas financeiras e económicas susceptíveis de criar, na expressão de Obama, um novo paradigma de desenvolvimento. E não ultrapassou velhas divergências entre os países ditos desenvolvidos e os países emergentes. A economia de casino está longe de ter sido ultrapassada: não se reduziram os prémios bilionários e escandalosos dos gestores das grandes empresas (incluindo os bancos), nem se acabou, como se dizia, com os "paraísos fiscais", nem se criaram os mecanismos de fiscalização necessários para evitar as grandes corrupções. E, sem isso, não será possível ultrapassar a crise.

(...)

domingo, 22 de junho de 2008

Mário Soares alerta para risco de guerra de civilizações

O presidente da Comissão da Liberdade Religiosa, Mário Soares, alertou hoje que pode ocorrer uma guerra de civilizações se as religiões não forem um factor de paz.

«As religiões devem discutir umas com as outras. Todas têm a verdade revelada e quem tem a verdade revelada pensa que tem o exclusivo e por isso é difícil conjugar, mas tenho verificado em encontros ecuménicos que é possível encontrar pontos comuns e é isso que é preciso desenvolver», disse.

Mário Soares falava aos jornalistas num encontro com a presença do ministro da Justiça para apresentar o III Colóquio Internacional da Comissão da Liberdade Religiosa sobre «O contributo das religiões para a paz», a decorrer em Lisboa segunda e terça-feira.

«O mundo está muito complicado. Se as religiões não forem um factor de paz pode acontecer que se entre numa guerra de civilizações e isso seria o pior de tudo que pode acontecer», disse.

Apesar do risco a que se refere, Mário Soares tem uma visão optimista sobre a questão até porque considera possível um dialogo entre as religiões em busca de pontos de convergência.

Ao contrário do que defende o cientista político Samuel Huntington, no livro «Choque de Civilizações», de que este seria o século das lutas religiosas, o presidente da Comissão da Liberdade Religiosa defende que o mundo está muito longe disso.

«Não quero entrar na geoestratégia, mas estou convencido que se Obama ganhar as eleições isso desaparece como um sopro», frisou.

O grande desafio que hoje se coloca às religiões, acrescentou, é que, tendo sido elas durante muitos séculos factores de conflito - muitos deles também políticos por não existir a separação Estado/Igreja - encontrem agora caminhos para a paz.

«A guerra é tão má para o homem que a humanidade tem de se dar conta que tem de fazer um grande esforço no diálogo e isso tem de começar pelas igrejas», acrescentou.
O encontro, cuja sessão de abertura será presidida pelo primeiro-ministro, é para Mário Soares um momento importante e inédito em Portugal por juntar representantes de varias confissões religiosas.

«Gostaríamos que os debates fossem animados, que as pessoas se pronunciassem porque realmente as religiões é difícil discutirem umas com as outras».

O ministro da Justiça, Alberto Costa, destacou também a importância do colóquio internacional que debaterá não só o contributo das religiões para a paz como a questão da liberdade religiosa.

«Não me recordo de nenhuma realização a este nível se ter verificado em Portugal. Esse é um aspecto que marca uma nova forma de afirmação da Comissão da Liberdade Religiosa», disse.

A sessão de abertura da conferência terá como oradores o primeiro-ministro, José Sócrates, o Cardeal Patriarca de Lisboa, D.José Policarpo e o presidente da Câmara de Lisboa, António Costa.

No primeiro painel dedicado aos contributos das religiões para a paz estarão representantes de varias confissões religiosas como o Hinduísmo, o Judaísmo, a Aliança Evangélica, Islão sunita e ismaelita, a União Budista Portuguesa, a Igreja Ortodoxa Grega e os Baha´is.

O tema «Liberdade religiosa do mundo actual» será abordado pelo coordenador da Ajuda à Igreja que Sofre para o relatório sobre a liberdade religiosa no mundo enquanto a liberdade religiosa em Portugal será um tema desenvolvido pelo professor Jónatas Machado, da faculdade de direito da Universidade de Coimbra.

Já no que respeita ao tema «Crentes e não crentes face à laicidade» programada para o segundo dia do colóquio, está previsto que seja abordado por António Reis, professor da Universidade Nova de Lisboa e grão-mestre da Maçonaria, e por Agostino Giovagnoli, da Comunidade de S.Egídio.

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FONTE: Religião: Se religiões não forem factor de paz pode ocorrer uma guerra de civilizações - Mário Soares (LUSA)

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Mário Soares vai presidir à Comissão de Liberdade Religiosa



(Notícia divulgada ao início da tarde de hoje, pela agência Lusa)

O Conselho de Ministros designou hoje o ex-Presidente da República Mário Soares para presidir à Comissão de Liberdade Religiosa, em substituição do social-democrata Meneres Pimentel.

O ministro da Justiça, Alberto Costa, saudou o trabalho desempenhado pelo presidente cessante, Meneres Pimentel, que esteve como presidente da Comissão de Liberdade Religiosa desde 2004.

"Mário Soares trata-se de uma personalidade cujo contributo para a democracia e para a liberdade religiosa, assim como para o diálogo inter-religioso, é conhecida de todos os portugueses", declarou o ministro da Justiça, em conferência de imprensa.

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COMENTÁRIO: Na minha opinião é uma boa escolha. O perfil assumido de “Republicano, Laico e Socialista” de Mário Soares é uma garantia de equidade e imparcialidade em questões religiosas. O respeito que tem manifestado pelas confissões religiosas no nosso país reforçam essa garantia.

Se o nomeado para este cargo fosse membro de uma qualquer confissão religiosa (ou apenas crente em Deus), imediatamente haveria dúvidas sobre a sua imparcialidade em matéria de religião.

Mas a Comissão não é apenas o Presidente. Quem são os restantes membros?