terça-feira, 20 de setembro de 2005

Notas e Fotos de Viagem

Centro Baha'i de Londres








Livros

Ao olhar para os títulos de livros que se vendem no Centro Baha'i de Londres percebi duas tendências claras entre as publicações dos últimos anos. A primeira é a quantidade de livros com estudos comparativos de religiões; a segunda são os livros de memórias de pessoas que conviveram, ou conheceram, com alguma das Figuras Centrais da religião baha'i.

Mais tarde na livraria Waterstone demorei-me nas secções de religião e história. Nas estantes dedicadas ao Islão destaca-se o livro An Introduction to Shi'i Islam, de Moojan Momen. É irónico que o que parece ser um dos mais referenciados livros de introdução ao Islão xiita tenha sido escrito por um baha'i.


Cemitério



Pela primeira vez visitei o cemitério onde está sepultado Shoghi Effendi. Não sabia que era um cemitério multi-religioso. Os túmulos dos chineses, com tinir dos "espanta-espíritos", dão uma sensação estranha quando se entra. As diferentes áreas do cemitério não estão rigorosamente delimitadas. É possível encontra uma campa com inscrições em persa no meio de campas cristãs; encontram-se campas com inscrições em cirílico por entre as campas baha'is. O local tem a tranquilidade normal dos cemitérios; apenas se ouvia o vento e alguns pássaros; por vezes, lá aparecia um esquilo. Depois de fazer as minhas orações junto da campa de Shoghi Effendi, notei que sobre esta estavam algumas sementes caídas de uma árvore ali próximo. Trouxe-as comigo.

7 comentários:

João Moutinho disse...

Nunca estive em Londres mas sou um admirador do cosmopolitanismo dessa cidade. Bastaq ver a placa na entrada do cemitério.
Algo que tem a ver com o espírito de respeito pela diferança imbuído no epírito anglosaxónico.
Contrasta com aquilo que tem sido a nossa mentalidade lusitana (ou latina) até há algumas décadas. Podemos aceitar que as pessoas sejam diferentes de nós mas não as suas ideias.
Lamentável os atentados terroristas.

Maria Lagos disse...

Londres é uma cidade única. Policromia de raças e estilos...andar por Oxford Street ou por Kings Road é quase ver uma amostragem do mundo. São gratas as recordações do tempo que lá vivi e revivi nas palavras do Marco a minha ida ao Túmulo do Guardão, num dia cinzento em que vários jovens Bahá'is andavam a limpar o túmulo e a plantar flores...

Marco disse...

Londres é cinzenta e cosmopolita. Na sua população tão diversificada, percebe-se que todos querem manter os seus traços culturais (e gostam de os ostentar com orgulho!) e a maioria aprecia, e usufrui, da tolerância e da liberdade que o país lhes proporciona. Os sikhs sempre com turbante, as mulheres muçulmanas com um lenço a cobrir a cabeça e agora… há alguns portugueses com a camisola do Chelsea! :-)

Houve ainda duas coisas que me esqueci de referir:

1 - Estive numa cerimónia de entrega de diplomas da Open University. Estudantes de variadíssimos países (a maioria acompanhados pelas famílias) foram a Londres receber o “canudo”. E pela alegria que manifestavam, percebia-se o quão importante era para aquelas famílias o facto de um dos seus ter terminado os estudos. Mas mais do que essa diversidade étnica e cultural dos estudantes, tocou-me a diversidade das suas idades. Vários estudantes de cabelo branco, costas curvadas e andar lento, aparentado ter setenta anos, ou mais, subiram ao palco para receber os seus diplomas. Claro que os aplaudi com mais entusiasmo do que aos outros mais novos.

2 – Finalmente vi o espectáculo "Les Miserables"! :-)

Elfo disse...

Ó João, e tu dás-lhe com os atentados. Terroristas não eram?
E os outros atentados?
Aqueles à dignidade humana?
Aqueles perpetrados pelos súbditos de Sua Magestade que dispararam cerca de onze tiros à queima roupa em cima de um desgraçado brasileiro que ia a sair do metro de Londres. Então aquilo não foi um atentado xenófobo? O que foi?
Já sei, foi engano!

Ó João Moutinho os teus comments começam a ser "magistrais", não é?
Se não te conhecesse diria que eras outro tipo de pessoa, mas sei que não és.

João Moutinho disse...

Elfo,
Não vamos confundir as coisas.
O lamentável incidente com o cidadão brasileiro não pode nem deve ser comparado com qualquer atentado terrorista.
Se aquela sociedade fosse xenófoba teria de ser uma qualquer outra sociedade que não aquela.

Quirologo disse...

Não é a sociedade em si que é xenófoba são meia dúzia de meninos mal comportados loirinhos de olhos azuis evergando uma farda de Sua Magestade que se comportam como tal. São as pessoas e o medo que têm umas das outras alimentadas por ódios raciais/religiosos do alto dos púlpitos/televisões que as fazem agir assim desta maneira desordenada e contra a sua natureza ordeira e cordata.
Por acaso a policia inglesa até era a única no mundo - que eu saiba, e sei muito pouco -, que não andava armada nas ruas, e, pasme-se quinze dias após a autorização de andarem armados já se comportam como os yankyes em Bagdade ou Chicago.

João Moutinho disse...

"An Introduction to Shi'i Islam"
É talvez para mim o Livro mais fascinante que li sobre o Islão - excluindo as Escrituras Sagradas e os escritos do Guardião.