terça-feira, 4 de outubro de 2005

Homo Religiosus

"A humanidade tem vindo a percorrer um longo caminho, social e intelectualmente, ao longo de muitos milhares de anos. Muitas instituições sociais e sistemas intelectuais, que eram de importância fulcral para a actividade humana, passaram agora para a obscuridade. E, no entanto, a religião, apesar de também ter mudado e evoluído, ainda desempenha um papel central no mundo da humanidade. Como resultado, alguns chegaram ao ponto de a considerar uma característica essencial para descrever o ser humano. Até chegaram a sugerir que o Homo Sapiens fosse designado Homo Religiosus."

Moojan Momen, in The Phenomenon of Religion: A Thematic Approach.

11 comentários:

João Moutinho disse...

É giro ver um pouco da bibliografia de Moojan Momen. Já disse isso mais do que uma(quantas?...) vez, o livro que ele escerveu sobre o Islão Xiita é excepcional. Ajudou-me a ter uma visão muito mais aprofundada sobre a expectativa criada à volta do Imame Mahdi.
Mas voltando ao "Homo Religious", este nosso destino não só é possível como inevitável.

Marco disse...

João,
Este livro do Momen (The Phenomenon of Religion) é particularmente bom. Ao contrário da maioria dos livros de religiões comparadas onde as religiões (ou sistemas teológicos) são apresentados de forma estanque, os assuntos neste livro são expostos de forma transversal.
Os capítulos são apresentados por temas (teofania, fé e conversão, práticas e rituais,...)
O foco essencial são o que ele considera as seis grandes religiões (cristianismo, islão, judaismo, hinduismo, budismo e baha'i) também refere com frequencia religiões locais como candomblé, jainismo, sihkismo, religiões chinesas e religioes americanas.

GH disse...

Outra versão do Homo religiosus:
http://atheisme.free.fr/Humour/Evolution_man.htm

Aguentem-se com esta!
Eh eh eh

Anónimo disse...

Marco

Duas obeservações.
A primeira é sobre a prespectiva cristão acerca da suposta evolução espiritual da Humanidade. Apesar dos progressos tecnológicos, sociais e científicos, o Homem permanece, em termos espirituais, exactamente no mesmo estado. Evid~encias do facto? Ex-Juguslávia, Ruanda, terrorismo islâmico, etc.
A segunda nota é sobre a referência ao Sikhismo.Segundo creio, Nanak, o profeta do Sikhs, não consta da vossa lista de enviados de Deus (depois de Maomé veio o Bab, estou certo?) Isso é estranho, porque o que Nanak pretendia era muito parecido com os objectivos da vossa religião. Ele dizia, e cito de memória, que havia hindú nem muçulmano, que ambos serviam a Deus. E fundou a nova religião com o objectivo universalistas.

Anonymous #2

Marco disse...

Anonymous #2,

Sobre a segunda nota:

Tanto quanto sei, não existe nas escrituras baha'is qualquer referência ao Guru Nanak. O Guru Nanak, segundo a Casa Universal de Justiça (o organismo que administra a Comunidade Bahá’í a nível internacional), possuía um “carácter santo” e “estava inspirado para reconciliar as religiões do Hinduísmo e do Islão, cujos seguidores se envolviam em violentos conflitos”. Os Baha'is da Índia referiram-se a ele com um “santo do mais elevado nível”.

Apesar de não ser considerado um Profeta, são muitos os pontos de semelhança entre os ensinamentos baha'is e os ensinamentos do Guru Nanak. Existem outros grandes vultos na história da humanidade que aos olhos dos baha'is não são considerados Profetas: Confúcio e Lao-Tsé.

Os seguintes links contêm mais informação sobre este assunto:

http://bahai-library.com/books/miracles/nanak.html
http://www.comparative-religion.com/forum/showthread.php?t=3101

Marco disse...

Anonymous #2,

Sobre a primeira nota:
Pensando apenas três em Profetas e tentando resumir os Seus ensinamentos numa frase:
- Abraão (recusou a idolatria e apresentou o conceito de “Deus abstracto”)
- Moisés (acrescentou a importância da Lei)
- Cristo (acrescentou o ensinamento do amor ao próximo)
Numa perspectiva cristã, isto deve representar uma evolução (mesmo com esta descrição tão simplista); se não houve evolução espiritual, então a missão destes Profetas poderia ser considerada um fracasso. Para mim, isso não faz sentido.

Podemos fazer a seguinte analogia: o conhecimento científico na área da medicina evoluiu tremendamente nos últimos 150 anos. Fará sentido dizer que a medicina não evoluiu porque ainda hoje há gente que morre por falta de cuidados básicos de saúde?

Assim, talvez possamos dizer que a Mensagem ainda não chegou ao coração de todos; mas isso não significa que não tenhamos evoluído espiritualmente.

Pedro Reis disse...

Vou comentar o comentário:

Marco, gostei da anologia que apresentaste neste último comentário - a da medicina...

Grande abraço

João Moutinho disse...

Faço minhas as palavras do Pedro.

Anónimo disse...

Marco

Não ponho em causa a história, ou seja, a sequência de acontecimentos. Acredito que Deus domina também a História e por isso creio que há um plano que vai sendo cumprido (para o cristão a revelação termina com Jesus Cristo).
A minha reacção é a uma pretensa evolução espiritual humana. Não acredito nela. A nossa situação espiritual é igual à de Adão. Há o pecado que nos afasta de Deus e só através de Cristo podemos "passar" essa ponte.

Anonymous #2

Marco disse...

Anonymous #2

Ambos temos diferentes perspectivas de uma coisa chamada "realidade". Mas creio que a nossa condição humana não nos permite entender a "realidade" na íntegra.
Felizmente que, na sociedade em que vivemos, cada um de nós pode escolher a sua perspectiva da realidade.

Anónimo disse...

Marco

"Felizmente que, na sociedade em que vivemos, cada um de nós pode escolher a sua perspectiva da realidade."
Aqui estamos 100% de acordo. Aliás, bahais e evangélicos têm dois pontos em comum (pelo menos). Uma é a perseguição a que são sujeitos, sobretudo nos países islâmicos. Outra é o livre exame do mundo que os cerca ("Examinai tudo. Retende o bem." - I Tessalonissenses 5:21)

Anonymous #2