terça-feira, 28 de fevereiro de 2006

Resposta a um comentário

Meu caro Firehead,
Essa tua atitude perante a religião é frequentemente designada por “exclusivismo religioso”. Em termos práticos, isso significa acreditar que a verdade religiosa se encontra apenas - e exclusivamente - num único lado. Quem tem essa postura acredita que apenas as suas crenças são verdadeiras e que todas as outras estão erradas. O exclusivismo religioso é uma das causas das tensões e conflitos entre comunidades religiosas. Sobre o tema do exclusivismo religioso já escrevi alguns textos:

-- Exclusivismo
-- Perante o Exclusivismo
-- O meu Profeta sofreu mais que o teu

Analisando a história de todos os povos domundo e estudando as escrituras sagradas de todas as religiões facilmente concluimos que Deus se revela progressivamente à humanidade e que os Seus desígnios raramente coincidem com os desejos dos homens que se consideram versados em temas religiosos. Veja-se como os Profetas fundadores das grandes religiões mundiais sempre foram perseguidos pelo clero das religiões estabelecidas anteriormente.

Se acreditamos que Deus é imensamente Misericordioso, Justo e que as suas Graças são infinitas, porque haveria Ele de se revelar apenas a um povo e apenas num único momento da história? E se Ele é Omnipotente fará sentido pensarmos que Ele é incapaz - ou está impedido - de enviar mais Mensageiros para nos guiar? Por outro lado se a humanidade tem evoluído, e se sua a maturidade e necessidades se têm alterado, porque razão não podem surgir novos Manifestantes de Deus com ensinamentos adequados à maturidade e necessidades dos povos? Sobre este assunto também já escrevi alguns textos:

-- À imagem de quem?
-- As diferenças entre as Religiões

Pelo tuas referências aos milagres de Jesus, percebo ainda que fazes uma interpretação literal das Escrituras. Na minha opinião, essa é uma leitura muito limitativa do texto sagrado. A beleza e sentido mais profundo encontram-se nos simbolismos das Escrituras. Também já escrevi sobre isso:

-- Simbolismo e Historicidade das Escrituras
-- Simbolismo nas Escrituras
-- As interpretações simbólicas de S. Paulo
-- Para que serve o simbolismo nas Escrituras?

Quanto aos teus comentários sobre Maomé, considero que estás profundamente enganado. Como muitas pessoas, fazes uma leitura parcial e distorcida da vida do fundador do Islão. Imagina se alguém dissesse que Cristo era violento e incitou à violência porque agrediu e expulsou os comerciantes que estavam no templo? Sobre Cristo e Maomé também já escrevi:

-- Cristo e Maomé
-- Jesus e Maomé: Palavras Comuns
-- Islão e a Violência (Jihad) (debate com Orlando do blog Letras com Garfos)

7 comentários:

george wesley disse...

A very-well argued post, Marco. I appreciated the links to previous postings, which demonstrates the systematic efforts you have made to convey the Baha'i position over the several years you have been publishing Povo de Baha.

Here is an academic text on the subject, "Understanding Exclusivist Bahá'i Texts,"
by Seena Fazel, which was
presented at the Irfan Colloquia Session #12 (English)at Newcastle, England,December, 1996. Here is an abstract: "There is a series of approaches to apparently exclusivist passages in Bahá'u'llah's writings that minimize their tendency to exclude non-Bahá'is."
http://irfancolloquia.org/12/fazel_exclusivist

I noted your question to Jeff Trexler of The Blingdom of God on one of his posts in January and his interesting response. http://www.blingdomofgod.com/all-humanity-is-one.php#comments

Bom Garfo disse...

O futuro da religião.

Marco disse...

George,
I dir read Seena Fazel text last summer. It inspire me to write some of these posts on religious exclusivism.

Anónimo disse...

Marco

Sobre este assunto já trocámos muitas opiniões, e já percebemos que aqui estamos em campos opostos. Por isso, só duas notas sobre o que escreveste.
O exclusivismo é tanto causa de tensões entre religiões como o relativismo ou o universalismo. Eu sou exclusivista, acredito que só através de Cristo há salvação, mas é com uma convicção igual que defendo a liberdade religiosa, a possibilidade de qualquer pessoa viver e pregar a religião que quiser. Aliás, parece-me até um bocado perigosa esta associação entre exclusivismo e intolerância. Os “bodes expiatórios” costumam nascer assim - para Marx o ópio do povo era a religião e depois viu-se o tratamento que os religiosos receberam nos regimes comunistas.
Também não posso concordar na equiparação que fazes entre Jesus e Maomé. Porque estás a comparar o incomparável. Jesus expulsou os vendedores do Templo, provavelmente de forma violenta, porque eles estavam profanar a casa de Deus, a Sua casa. Não o fez por eles não acreditarem nas Sua palavras, por serem Seus inimigos, nem os continuou a perseguir depois da desocupação. Maomé matou, com as suas mãos, pessoas porque elas eram idólatras. Emboscou os seus inimigos. Instigou os seus adeptos a matarem pessoas por causa de crenças religiosas e políticas. A diferença é abismal. E por isso também te digo que o problema de Maomé no Ocidente não é a ignorância mas precisamente o oposto, o conhecimento que se vai tendo sobre o profeta dos muçulmanos.

Anonymous #2

Marco disse...

Anonymous #2

Pela maneira como li o comentário do Firehead, aquilo pareceu-me um exclusivismo intolerante. Parece-me qualquer coisa do género "A verdade é esta, e não há que enganar porque as coisas são mesmo assim". Até pode ser que a intenção dele ao escrever não fosse essa; mas foi assim que eu entendi.

Por outro lado, já há muito tempo que percebi que o teu exclusivismo não tem nada de intolerante. Tu questionas, interpelas, e argumentas; mas nunca te apresentas como único dono de uma verdade absoluta. Isso é uma postura que nada tem de intolerante.

"O exclusivismo é tanto causa de tensões entre religiões como o relativismo ou o universalismo." Não concordo. Penso que o exclusivismo pode alimentar tensões; o relativismo e o universalismo podem causar confusões em alguns esquemas mentais (sensação de desvalorização da identidade religiosa, sincretismo, ...). O importante é que a experiência religiosa seja vivida com bom senso.

A Arte da viver. disse...

Marcos, parabens pelo Blog, ha muito tempo tenha visitado e lido e so agora eu coloco um comentario.
achei muito interessantes este tema, sobre exclusivismo.Parabens so uma pena muito olhos estarem fechados para o Obvio, mas servir a Deus eh isso.

Ericbahai disse...

O argumento de que porque Maomé matou pessoas e que por isso ele é falso é totalmente inválido à luz da própria Bíblia. Só para citar alguns exemplos:

1) por ordem de Deus, Samuel ordenou a Saul que ele eliminasse uma tribo vizinha, inclusive mulheres e crianças deveriam morrer ao fio da espada;

2) Moisés matou um homem e o enterrou, antes de Lhe ser anunciado ser um Manifestante de Deus;

3) Pedro, apóstolo maior de Cristo, matou dois crentes (começo de Atos) por não terem entregado a oferenda integralmente, ou seja, por dinheiro.

Maomé evitou a todo momento o derramamento de sangue. As guerras autorizadas no Corão, se é que vc já O leu, foram as de legítima defesa e para unificação do estado árabe. Aos idólatras era dada a chance de se afastar do território designado a Maomé por Deus, ou sofrer as consequências. Isso parece meio duro, mas se o compararmos com o próprio Moisés, veremos que isso é válido de acordo com a Bíblia. Ora, se Jesus validou o velho testamento, ele validou o que foi praticado por Moisés. Afinal de contas, Jesus é o próprio motivo da conquista da Terra Santa.

Só para finalizar, Jesus não foi de forma alguma um pacifista, de acordo com Suas próprias palavras: "Não pensei que Vim para trazer a paz, mas sim a espada."