domingo, 1 de julho de 2007

Acreditar na universalidade dos valores

Histórias da luta pelos direitos cívicos da minoria negra nos EUA durante os anos 1950 sempre me interessaram. Martin Luther King tornou-se uma figura lendária desses tempos; entre outros participantes desses combates, admiro especialmente os brancos. Lutavam pelos direitos dos outros e tentavam resolver um problema que não nos afectava directamente. A sua dedicação a essa luta mostra o que é a crença num valor universal: a luta não deve terminar onde termina a nossa comunidade, o nosso país, a nossa terra. Os direitos cívicos são para todos, independentemente da sua origem étnica.

Vem isto a propósito de uma iniciativa recente de um grupo de activistas muçulmanos que lançaram o site The Muslim Network for Baha'i Rights. Depois de tantos posts que publiquei neste blog sobre a situação dos Baha’is no Irão e no Egipto, esta iniciativa é, no mínimo surpreendente.

À semelhança daqueles activistas brancos que lutavam pelos direitos cívicos dos negros, também estes muçulmanos acreditam que a defesa de um valor universal exige o envolvimento de todos a não apenas de quem se sente afectado. E tal como alguns americanos brancos durante os anos 1950 advogaram mudanças legais e sociais, também estes muçulmanos defendem mudanças legais e sociais que permitam a pela integração dos baha’is nos seus países.

Nesta rede de activistas muçulmanos merecem destaque os seguintes factos:
  • Os autores são activistas muçulmanos, defensores do diálogo inter-religioso, que estão profundamente preocupados com o tratamento dado aos bahá’ís no Médio Oriente.
  • Os autores não acreditam na religião bahá’í, mas afirmam que existem minorias baha’is nas suas sociedades cujos direitos raramente são reconhecidos, apenas porque professam uma religião diferente.
  • O site foi criado para exigir que os direitos das minorias bahá’ís seja reconhecidos não apenas pelo povo, mas também pela lei.
  • Os autores exigem que todos os governos no mundo Árabe e Muçulmano permitam que os cidadãos bahá’ís tenham igualdade de oportunidades em todas áreas e que possam praticar livremente a sua religião sem receio de qualquer tipo de ameaças ou discriminação.
  • Os autores pretendem ainda que a opinião pública no Médio Oriente tome consciência dos abusos contra os direitos humanos dos Bahá’ís, com objectivo de mobilizar acções contra tais actos. O seu sucesso medir-se-á pela mobilização dos cidadãos e das acções que estes desenvolverem, independentemente das diferenças religiosas. A sociedade civil que luta pelos direitos humanos, deve unir esforços, independentemente das diferenças e celebrar a diversidade.
Apesar de ainda estar em construção, este site merece uma visita.

2 comentários:

Elfo disse...

Olá Povo de Bahá, não postei aqui mas fi-lo directamente no site, mesmo com o meu mau inglês. Eles lá hão-de perceber.
Já agora incentivava os amigos a fazerem o mesmo para que eles sintam o beed-back e que continuem. Se não participarem, é bem possível que se não aguentem muito tempo devido às pressões internas. Colaborem.
Já agora seria interessante que postásse-mos cada um na sua própria língua.
Um abraço

João Moutinho disse...

Estas informações são sempre valiosas. A tolerância (ou o seu oposto) não é exclusivo de nenhum grupoideológico.