terça-feira, 4 de março de 2008

Kirguizistão: legalizar a falta de liberdade religiosa?

O Kirguizistão (também chamado Kirguízia) é um daqueles países esquecidos na Ásia Central de que raramente ouvimos falar. A não ser que ali ocorra alguma guerra ou revolução, ou que alguma organização não governamental ali instalada dê a conhecer algum evento relevante.

Foi o que aconteceu com a notícia do Forum 18, que nos relata como uma nova Lei da Religião está a causar indignação entre as minorias religiosas daquele país. A cláusula mais polémica é a que exige como requisito para o reconhecimento oficial que uma comunidade tenha 200 crentes adultos; esta possibilidade motivou protestos de Ortodoxos Russos, Católicos Romanos, várias Igrejas Protestantes, Testemunhas de Jeová e Bahá’ís. Para os dirigentes das comunidade religiosas minoritárias esta nova lei é apenas uma legalização da repressão e perseguição contra as minorias religiosas. Um Bahá’í afirmou: "O nosso país tem tantos problemas urgentes: pobreza, falta de medicamentos, SIDA, crime, corrupção. Porque é que as autoridades não se dedicam a eles em vez de dificultar a vida aos crentes religiosos?"

Bishkek, a Capital do Kirguizistão

Os Bahá’ís queixam-se de não terem sido ouvido durante o processo de elaboração da lei que os afectará e questionam a necessidade de reconhecimento obrigatório. "Religiões mundiais - como a Fé Bahá’í – não podem ser banidas; somos uma religião legalizada e estamos registados no Ministério da Justiça e na agência Estadual. Vejam os nossos princípios; não nos envolvemos em política. Não estamos a fazer nada de mal; pelo contrário só estamos a fazer bem".

A Comunidade Bahá’í de Bishkek (capital do país) tem mais de 200 crentes adultos; mas existem mais de 30 comunidades no país que não atingem esse número. E desconfiam das verdadeiras intenções do Governo: "Se apresentarmos uma lista de 200 adultos, com nomes completos, moradas, números de telefone, isto poderá trazer problemas."

Os Bahá’ís têm ainda presente o episódio que ocorreu há dois anos atrás. Nessa altura, após a eleição da sua Assembleia Espiritual Nacional (AEN), a Agência Estadual convocou os membros eleitos e tentou pressioná-los; quiseram saber porque tinham escolhido aquela religião, de onde obtinham os seus fundos, e porque é que os estrangeiros faziam parte da AEN. Insistiram que os estrangeiros se deviam registar como missionários, apesar de residirem e trabalharem no país há vários anos. Outro episódio igualmente desagradável que os Bahá’ís também recordam foi a Lei de 1997 que exigiu que todas as comunidades religiosas se registassem novamente: um processo lento e burocrático que custou muito dinheiro.

Será esta mais um caso a merecer a atenção dos Eslovenos que presidem à União Europeia?

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FONTE: KYRGYZSTAN: Repressive Decree withdrawn, but work on new Religion Law speeded up (Forum 18)

4 comentários:

filha do administrador disse...

eu sei que tudo isto é muito importante, mas ultimamente o meu País anda a chatear-me demais ...

entãoéassim... disse...

Infelizmente, por motivos nada edificantes ouviu-se falar neste país (é tão pouco referido que mesmo soletrando tropeço no nome);
Infelizmente, provavelmente mais desculpas "esfarrapadas" para poderem repetir-se os exemplos dos "colegas";
Infelizmente, só a aparente beleza exterior (a avaliar pela foto) para encobrir tantas outras arbitrariedades, injustiças, etc.
Felizmente, já que a Eslovénia começou, que não haja motivo para interromper!

GH disse...

Filha do Administrador,
O teu país chateia-te? Porquê?
Só porque grandes figurões da finança, do futebol e da política conseguem escapar à justiça e as senhoras que vendem bolas de berlim nas praias são impiedosamente perseguidas pela ASAE?

Só porque os bancos aumentam os seus lucros 30% ou mais todos os anos e os porteiros desses bancos não têm aumentos superiores a 3% no mesmo período de tempo?

SAM disse...

Pois é! Mais um país da antiga Pérsia...
Mas acho que a situação é de se esperar num país que acaba de nascer (sim, pensando bem ele acaba de nascer e está a gatinhar!), não acham?