quinta-feira, 23 de outubro de 2008

A crise financeira



Uma "quase-transcrição" de uma conversa com um amigo.
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- Então o que dizem os bahá’ís à crise financeira?

- Dizemos o que todos dizem... estamos todos preocupados... Esperamos que se encontre uma solução verdadeiramente global para os motivos dos problemas; não basta aliviar as dores das consequências...

- Mas a vossa religião não propõe uma solução para isto?

- Os ensinamentos bahá’ís não são um tratado de economia. Possuem princípios gerais e algumas leis que devem reger a vida de cada ser humano... apresentam conselhos sobre a governação e o relacionamento entre os povos...

- Isso assim parece muito vago...

- E a mim parece-me que tu tens expectativas muito exageradas em relação às religiões. Ainda vais ter muitas desilusões...

- Porquê?

- Parece-me óbvio que uma religião que afirme ter uma varinha de condão para resolver a crise financeira, outra para descobrir a cura para a SIDA e mais outra para a toxicodependência, está a entrar no campo da charlatanice. Claro que há sempre uns grupos religiosos que gostam de assumir essa postura. Mas achas que os bahá’ís iam colocar-se nessa posição? O fundador da Fé Bahá’í foi Baha'u'llah; não foi o Paul Krugman!

- Está bem... Mas no caso desta crise financeira quais são os vossos princípios que se podiam aplicar?

- Um dos princípios é a necessidade de impedir o alargamento do fosso entre ricos e pobres. Existem situações de pobreza extrema que são inaceitáveis, tal como existem situações de riqueza extrema que não podemos tolerar. Qualquer modelo económico aceitável tem de procurar diminuir esse fosso entre ricos e pobres.

- E mais?

- Temos de conseguir soluções verdadeiramente globais. A solução para os problemas não pode ser encontrada apenas por europeus e americanos; há outras potências económicas em ascensão que devem ser envolvidas no diálogo para se encontrar as soluções.

- Mas isso alguns políticos também já dizem.

- Vamos a ver se o conseguem pôr em prática. Da teoria à prática as coisas podem não ser simples. Seja como for, as crises também são oportunidades. E esta pode ser uma oportunidade para construir uma ordem económica mais justa e equilibrada.

1 comentário:

Filipa disse...

Muito bom :) Obrigada