No passado, o Cristianismo teve uma forte tradição asceta. Teve tendência a considerar o mundo como o domínio do diabo; a presença humana neste mundo resulta da maldição de Adão. O ascetismo também ocupa um lugar central no Hinduísmo. Este considera o mundo uma ilusão que obscurece a Realidade e com isso impede os seres humanos de alcançar a libertação. O ideal asceta é representado pelo sannyasin, que é a quarta e última etapa na progressão social do ser humano. Nesta etapa, o homem que viveu uma vida plena e frutífera como um chefe de família abdica de tudo. Afasta-se para uma vida de isolamento em que pode ler as escrituras e meditar, livre das preocupações do mundo. Então, prossegue uma vida errante, privado de bens materiais e livre de todos os laços e obrigações sociais. Ainda mais comprometido com o ideal asceta está o Jainismo. Neste, o principal caminho para a libertação é a separação da jiva (sensível ou a alma) do ajiva (matéria não sensível). Este processo pode ser melhor promovido através da renúncia a todas as coisas físicas.
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O asceta pretende disciplinar as necessidades físicas do corpo tanto quanto possível, de forma a regular apetites, desejos e paixões da carne. Este disciplinar do corpo pretende isolar o indivíduo de tudo o que é alheio ao desenvolvimento espiritual. Na tradição Hindu, isto manifesta-se na sua forma mais suave, na doutrina brahmacarya pregada por Mahatma Gandhi: auto-controle e abstinência de todos os desejos e paixões malignas. A sua forma mais extrema , tapasya, inclui uma severa autodisciplina do corpo. A mortificação da carne também é um lugar de honra nas tradições cristãs das igrejas católica e ortodoxa. Algumas levam-na mais longe até à auto-flagelação ou austeridades de S. Simeão Estilita que se sentou no topo de um pilar durante trinta anos sem nunca ter descido. O ascetismo, ou qualquer nível dos seus extremos, são desaprovados no Budismo e na Fé Baha'i.
A atitude religiosa dos que seguem este caminho é o desprendimento deste mundo. Colocam-se à parte da ordem social em que os seres humanos participam e tornam-se observadores externos. A principal fonte de experiência religiosa neste caminho é a leitura das escrituras, oração, jejum, e outras austeridades que o asceta pratica. O asceta pode ter vários tipos de experiência religiosa, mas tipicamente são místicas e carismáticas.
Moojan Momen, in The Phenomenon of Religion: A Thematic Approach, pag. 129-130
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