"Povo de Bahá" é uma expressão frequentemente utilizada nas Escrituras Bahá'ís para designar os crentes em Bahá'u'lláh, i.e., os Bahá’ís.
quarta-feira, 31 de janeiro de 2018
sábado, 27 de janeiro de 2018
Uma questão de fé
Por Brittany Betts.
Estou
sentada na sala de espera do hospital e o meu filho de um ano de idade está no
bloco operatório há quatro horas. A ansiedade é um eufemismo.
O meu bebé
ainda tem aguentar mais quatro horas de operação, se a enfermeira que acabou de
me sussurrar a informação estiver correcta. Esta é a sua terceira cirurgia
neste ano; e ele tem apenas um ano de vida. Hoje, sou capaz de explodir se alguém
me disser que as pessoas apenas são testadas de acordo com a sua capacidade.
Hoje sinto-me abandonada por todas e quaisquer versões de Deus.
Olho para a
sala espera cheia de gente. Casais tranquilos, mães, pais, irmãos, amontoam-se em
círculos apertados. Bebendo café, olhando pela janela, olhos vidrados. Sei que
não estou sozinha nos meus pensamentos; não nesta sala e não no mundo.
As pessoas
falam sobre os momentos da vida em que duvidamos. Quando perguntamos porquê,
quando não compreendemos, quando a nossa dor ou a dor que testemunhamos no
mundo nos faz chorar de frustração, raiva, e até fúria. Este é um dos meus
momentos. Não é um processo de pensamento passivo ou hipotético. É real, é
pessoal e é difícil. Esta palavra "fé" não é brincadeira.
Olho para
uma mãe sentada numa poltrona a poucos metros de mim, junto a um carrinho de
criança vazio. Tem a cabeça curvada, os cabelos caídos, penso que talvez esteja
derrotada, mas depois ela ergue a face e vejo os seus olhos fechados, as mãos
apertadas e os lábios movendo-se silenciosamente. Está rezar.
O que leva
esta mãe solitária a pedir a ajuda de Deus? O que a faz levantar o rosto numa
expectativa silenciosa? Onde é que ela encontrou a fé?
O sinal do amor é a força moral sob o
meu decreto e a paciência sob as Minhas provações. (Baha'u'llah, As PalavrasOcultas, árabe, #48)
O primeiro sinal de fé é o amor. ('Abdu'l-Bahá, The Promulgation ofUniversal Peace, p. 336)
Terá a sua
fé aumentado a sua capacidade de lidar com as tristezas, ou de ser paciente
durante provações severas? Isso permite-lhe estar sozinha, sentada ao lado do
seu carrinho de criança vazio com calma interior?
As suas
orações, embora silenciosas, afectam-me como um sofrimento pessoal. Dentro de
mim, também quero que a minha fé seja forte; quero confiar em Deus para guiar
os cirurgiões, para proteger o meu filho, para que o seu sofrimento seja
mínimo, para que a sua recuperação seja rápida. Quero que a minha fé me leve, e
leve o meu filho, através desta e de todas as suas provações.
E agora dou-vos um mandamento que
será sobre uma aliança entre vós e eu - que tenhais fé; que a vossa fé seja
firme como uma rocha, que nenhuma tempestade mundana possa abalar, que nada
possa perturbar, e que subsista por todas as coisas até o fim... Assim como
tiverdes fé, também serão os vossos poderes e bênçãos. (‘Abdu'l-Bahá, Baha’i
Readings, p. 313)
Compreendo.
As orações silenciosas desta mãe são orações silenciosas para manter sua fé; ao
fazê-lo, dão-lhe força, poder e bênçãos.
Penso na
pessoa que eu era há um ano atrás. Estava afortunadamente inconsciente da
obscura desordem genética que se apossou do meu filho. Como é que isso me
mudou? Olho para os desconhecidos na sala de espera com os quais me sinto
inexplicavelmente ligada, a mãe que reza em silêncio e a quem me liguei com um
simples olhar, o mundo desconhecido do qual sou agora um habitante cúmplice mas
ferozmente leal. Estes sentimentos são bênçãos. Bênçãos estranhas e terríveis,
mas belíssimas. Será que eu teria estas coisas se minha fé não tivesse sido
testada? Teriam os meus olhos ficado assim tão abertos? Seria capaz de sentir
oceanos de ternura e compaixão feroz?
... o espírito humano, a menos que
seja auxiliado pelo espírito de fé, não pode conhecer os mistérios divinos e as
realidades celestiais. É como um espelho que, embora claro, brilhante e polido,
ainda precisa de luz. Só quando um raio de sol cai sobre ele, é que se pode
descobrir os mistérios divinos. (‘Abdu’l-Bahá, Some Answered Questions, newly
revised edition, p. 242)
Então, se o
"primeiro sinal de fé é o amor" e se o sinal do amor é
"paciência sob as Minhas provações", vou começar por aí.
Olho para o
meu relógio. Ainda me dói o coração. Talvez doa sempre durante estes dias.
Talvez seja suposto doer. As dores dão-me a conhecer os "mistérios
divinos" e as "realidades celestiais" - com tamanho realismo que
percebemos que é fácil pensar que temos fé quando nunca fomos desafiados.
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Texto Original: A Question Of Faith
(www.bahaiteachings.org)
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Brittany
Betts formou-se na Universidade de Oxford e é CEO da The International
Educator. Cresceu em Portugal e pertence à quarta geração de Bahá’ís na sua
família. Actualmente vive na Califórnia (EUA).
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
sábado, 20 de janeiro de 2018
Os Budistas, os Bahá’ís e Deus
Por Tom
Tai-Seale.
A maioria
dos historiadores acredita ser muito provável que o Budismo tenha mudado
dramaticamente desde que Sidarta Gautama fundou esta Religião há 2500 anos.
Transmitida através de histórias orais pouco fidedignas e baseadas na
compreensão dessas histórias, o Budismo moderno pode ter - ou não - alguma
semelhança com o que o Buda originalmente ensinou.
No entanto,
o que sabemos sobre os ensinamentos de Buda, revelado originalmente em
sociedades profundamente iletradas, surgiu numa forma estrutural que facilita a
memorização. Por exemplo, existem:
- Um Dharma: ensinar.
- Dois Caminhos Espirituais: um para leigos e outro para monges.
- Três Cestos de Escrituras: um com regras para monges, um com discursos e um com comentários (o Abhidhamma).
- Três Selos de Dharma: os ensinamentos sobre a impermanência, o não-eu e o nirvana.
- Quatro Nobres Verdades: a vida está cheia de sofrimento, a causa do sofrimento é o apego, o sofrimento pode acabar, a maneira de o eliminar é o caminho do Buda.
O Budismo
também possui cinco formações mentais e cinco recordações, seis tipos de
consciência, sete factores de iluminação, um caminho óctuplo, doze ligações de
origem dependente, dezoito reinos (dhatus)
e muitas outras associações construídas com base em números. Estas simples
mnemónicas levam-nos a acreditar que os princípios básicos dos ensinamentos de
Buda foram preservados.
No entanto,
a imensidão das escrituras Budista, as diferentes versões em diferentes
idiomas, as diferentes interpretações e as práticas largamente diferentes
geraram muitas formas diferentes de Budismo. As principais diferenças entre o
Budismo Theraveda e Mahayana não são imediatamente visíveis
nas várias divisões e escolas de pensamento existentes em cada uma destas
correntes. Além disso, tanto o Budismo Theraveda
como o Mahayana surgiram centenas de
anos depois de Buda e continuaram a evoluir. Com tudo isto, é difícil
caracterizar categoricamente as diferenças; podemos apenas dizer que corrente Theraveda é mais conservadora na medida
em que aceita menos Escrituras, mas inclui todo o cânone em pali; por seu lado, a corrente Mahayana aceita mais algumas Escrituras,
incluindo alguns sutras bem
conhecidos, como o Sutra do Lótus, o Sutra do Coração, o Sutra do Diamante e o
Sutra de Amitabha. Além disso, os Budistas Mahayana,
em geral, também reverenciam mais Bodhisattvas
(seres iluminados que assumem a tarefa de salvar a humanidade). Os países a Sul
e a Leste da região onde Buda ensinou (no nordeste da Índia), tendem a ter mais
Theraveda; os países do norte e do
extremo oriente têm mais Budistas Mahayana.
E é claro que muitos Budistas contemporâneos, independentemente da sua escola
de pensamento, vêem agora a sua fé de forma muito diferente da que
originalmente surgiu:
| Relevo Budista Mahayana (sec. II ou III), Paquistão |
O fundador do Budismo era uma alma
maravilhosa. Ele estabeleceu a Unidade de Deus, mas depois os princípios
originais das Suas doutrinas desapareceram gradualmente, e os costumes e as
cerimónias ignorantes surgiram e aumentaram até que finalmente se transformaram
no culto de estátuas e imagens. (‘Abdu’l-Bahá, Some Answered Questions, p. 165)
Para
perceber alguns dos problemas da história e das escrituras Budistas, agora
podemos examinar algumas questões que nos são colocadas, começando pela mais
básica: o Budismo é teísta, ou seja,
acredita em Deus? Para responder a esta pergunta, o ministério de Buda deve
ser considerado na perspectiva histórica. Quando Buda apareceu, a religião
Védica na Índia estava num período de declínio. A narrativa Budista diz que a
casta privilegiada dos sacerdotes - os brâmanes - se tinha corrompido, pouco
sabendo sobre o verdadeiro espírito da religião, o que os tornou incapazes de
ensinar aos outros o caminho para Deus. Um discípulo do Buda, Vasettha,
comentou esta situação; Buda respondeu:
Então dizes, também, Vasettha, que os
brâmanes [sacerdotes] têm raiva e malícia nos seus corações, e são pecadores e
descontrolados, enquanto Brahman [Deus] está livre de raiva e malícia, não tem
pecado e tem autocontrole. Agora, pode haver consonância e semelhança entre os
brâmanes e Brahman?
Note-se que
o Buda fala sobre Deus (Brahman) e está interessado em reflectir correctamente
a luz de Deus. Mas o Buda viveu num tempo em que as pessoas se afogavam num mar
de diferentes doutrinas sobre Deus e os diferentes direitos dos sacerdotes como
intermediários. Ele viu claramente que acrescentar a fraternidade intelectual e
religiosa não ajudaria a salvar a humanidade dos seus sofrimentos. Em vez
disso, a sua Religião maravilhosa e profundamente espiritual pede a seus
seguidores e a todos nós que nos concentremos na nossa viagem espiritual
interior.
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Texto Original: Buddhists, Baha’is and God (www.bahaiteachings.org)
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Tom
Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e
investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e
também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat
Press.
quarta-feira, 17 de janeiro de 2018
sábado, 13 de janeiro de 2018
O Budismo e a Fé Bahá'í
Por TomTai-Seale.
Os Bahá'ís
acreditam que o Budismo constitui uma parte vital do plano divino, representando
um forte vínculo no processo da revelação progressiva ao longo dos tempos. Mas
como é que uma religião com escassas referências a Deus pode ser parte do mesmo
sistema global que as religiões teístas? Para responder a estas questões,
precisamos investigar a história e as escrituras Budistas.
Siddhartha
Gautama, o Buda, nasceu por volta de 500 aC, em Kapilavastu, no Nepal. Sobre o
início da vida de Buda, um investigador budista escreve:
A tradicional história da vida
transmitida e conhecida entre todos os budistas é bastante completa. Podemos
estar bastante seguros de que contém informações históricas muito precisas.
Temos a certeza que contém elaborações e adições posteriores. O que muitas vezes
não sabemos é qual é qual. (L.S. Cousins, A Handbook of Living Religions)
Foto Mosteiro de Nigrodharama
![]() |
| Ruínas do mosteiro de Nigrodharama perto do local de nascimento de Sidartha e onde Ele esteve durante a sua iluminação |
Algumas das
histórias contadas sobre o Buda lembram mitos - mas é sempre mais fácil
detectar os mitos de outra religião do que os mitos da nossa própria religião.
A grandeza dos mitos, no entanto, revela a grandeza do Buda nos corações dos
Seus seguidores. O Buda, sem dúvida, foi um grande ser - o Fundador de uma das
grandes religiões mundiais - reverenciado e respeitado em todo o mundo.
Tal como as
histórias que se contam sobre o Buda, a autenticidade das escrituras Budistas
também tem aspectos problemáticos. Os ensinamentos Budistas apenas foram
escritos no século I aC - um período de pelo menos 300 anos desde o tempo em
que o próprio Buda viveu. Os textos Budistas mais antigos foram recuperados no
Sri Lanka e foram escritos num idioma conhecido como pali - embora a palavra
apenas signifique "texto". O Buda não falava pali; falava Magadhi.
Pali é uma linguagem sintética, uma amálgama de vários dialectos, incluindo o
que o Buda falava. Hoje em dia não é falado, excepto por devotos e estudiosos
Budistas, tal como o latim para os estudiosos ocidentais.
Originalmente,
os ensinamentos de Buda foram divididos em nove categorias (as seguintes
explicações variam): sutra (prosa), geya (prosa e verso), vyakarana (respostas às perguntas), gatha jataka (histórias de
nascimentos passados), udana (frases
inspiradas) itivrttaka (palavras
memoráveis), vedalla (catecismo) e adbhutadharma (qualidades maravilhosas),
mas depois da morte do Buda, uma categorização mais simples entrou em vigor e
as escrituras foram divididas em nikayas
("volumes" em pali) ou agamas
("colecções de escrituras" em sânscrito).
![]() |
| Escrituras Budistas em sânscrito |
O primeiro
volume destas colecções de escrituras chama-se vinaya (tanto em pali como em sânscrito) e contém instruções sobre
disciplina monástica. O segundo chama-se sutta
em pali e sutra em sânscrito. Contêm
registros dos discursos ou ensinamentos públicos do Buda (dhamma em pali e dharma
em sânscrito). Posteriormente, surgiu um terceiro volume chamado abhidhamma em pali e o abhidharma em sânscrito. Estes discursos
sobre dharma reflectiam diferentes
entendimentos dos ensinamentos do Buda. É provável que no início tenham sido produzidas
muitas versões distintas, mas apenas duas versões completas sobreviveram: uma -
da escola Sarvāstivāda - tornou-se
dominante no norte da Índia e na Ásia central; e outro - da escola cingalesa -
espalhou-se para o sul e seguidamente para o sudeste asiático. Juntos, estes
três grandes volumes de escrituras são chamados de Tipitaka em pali (tripatika
em Sanskrit), que literalmente significa, "três cestos".
Podemos
perceber um pouco da imensidão do problema da autenticidade das escrituras
Budistas ao saber que apenas os discursos contêm muitas milhares de páginas,
muitas vezes maiores do que a Bíblia, ocupando o espaço equivalente de pelo
menos 50 volumes em edições modernas. É inconcebível que uma tão grande
quantidade de material possa ter sido transmitida oralmente sem modificação,
alteração ou erro durante centenas de anos antes de ser escrito.
Os Bahá’ís
acreditam que Buda foi um Manifestante de Deus, como Cristo, mas que os seus
seguidores não possuem as suas escrituras originais. Este problema de
autenticidade afecta muitas religiões, incluindo o Judaísmo, o Cristianismo e
(em menor medida) o Islão. Mas, apesar deste problema e do problema paralelo da
corrupção gradual dos ensinamentos autênticos e originais de cada um dos
Profetas ao longo do tempo, os principais ensinamentos destas grandes religiões
têm uma consistência e congruência notáveis:
O verdadeiro ensinamento de Buda
é o mesmo ensinamento de Jesus Cristo. Os ensinamentos de todos os Profetas são
os mesmos em carácter. Agora os homens mudaram o ensinamento. Se virem a
prática actual da religião Budista, verão resta pouca coisa da Realidade. Há
muita adoração de ídolos, embora os seus ensinamentos o proíbam. (Abdu’l-Baha in London, p. 63)
É claro que
algumas formas de Budismo não estão focadas em ídolos, mas o Budismo, como
todas as religiões, precisa de renovação.
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Texto Original: Buddhism and the Baha’i Faith (www.bahaiteachings.org)
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Tom
Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e
investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e
também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat
Press.
quarta-feira, 10 de janeiro de 2018
sábado, 6 de janeiro de 2018
Krishna, o Hinduísmo, e o Monoteísmo - uma perspectiva Bahá'í
Por Tom-Tai-Seale.
Os ensinamentos Bahá'ís afirmam que todas as grandes religiões monoteístas do mundo são uma só, que todas provêm da mesma Fonte e transmitem à humanidade a mesma mensagem essencial. Os Bahá’ís acreditam que esta unicidade progressiva inclui o Hinduísmo, uma antiga família de religiões originárias do subcontinente indiano.
Os Hindus são frequentemente classificados em diferentes grupos consoante os objectos da sua devoção, as suas práticas e o foco das suas Escrituras, levantando a questão “será o Hinduísmo uma única religião?”. Os ocidentais também têm tido, ao longo do tempo, uma variedade de ideias diferentes sobre Deus e os seus atributos. Quando um Ocidental decide tornar-se jesuíta em vez de franciscano ou um baptista em vez de presbiteriano, ele continua a aceitar outras formas de religião Cristã como expressões legítimas - apesar dessas formas diferentes enfatizarem diferentes aspectos ou métodos no Cristianismo. Os Hindus fazem o mesmo. Eles escolhem uma forma de religião que lhes é confortável, respeitando as restantes como diferentes expressões do Deus universal. Assim, os diferentes ramos do Hinduísmo, enfatizando diferentes aspectos de Deus, estão unidos como uma única família Hindu.
É certo que existem representações de muitos deuses no Hinduísmo, mas será correcto descrever o Hinduísmo moderno como politeísta? Tal como o Deus das religiões semitas, Brahman - o deus Hindu dos Vedas - é descrito como estando muito acima de nós. Os Vedas dizem: "Brahman é Aquele cujas palavras não podem descrever, e de Quem a mente, incapaz de O alcançar, se mostra confusa." E, no entanto, as escrituras Hindus dizem que Ele está no coração de todos, sendo essencialmente semelhante ao Deus monoteísta do Judaísmo, do Cristianismo e do Islão.
Os Bahá'ís acreditam num Ser Supremo e rejeitam o politeísmo e o culto de múltiplos deuses. Os ensinamentos Bahá'ís reconhecem as bases monoteístas do Hinduísmo e os seus mandamentos altamente morais. Também veneramos Krishna - o Avatar Hindu cujo ministério tem mais evidências históricas.
A bondade e a gentileza dos Hindus, as mentes analíticas brilhantes de muitos dos seus sábios, as suas escrituras de beleza esmagadora são dádivas que a cultura hindu trouxe à família das religiões e das nações. É uma oferta de que não podemos abdicar.
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Texto Original: How Baha’is View Hindus, Krishna and Monotheism (www.bahaiteachings.org)
Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press.
Os ensinamentos Bahá'ís afirmam que todas as grandes religiões monoteístas do mundo são uma só, que todas provêm da mesma Fonte e transmitem à humanidade a mesma mensagem essencial. Os Bahá’ís acreditam que esta unicidade progressiva inclui o Hinduísmo, uma antiga família de religiões originárias do subcontinente indiano.
Os Hindus são frequentemente classificados em diferentes grupos consoante os objectos da sua devoção, as suas práticas e o foco das suas Escrituras, levantando a questão “será o Hinduísmo uma única religião?”. Os ocidentais também têm tido, ao longo do tempo, uma variedade de ideias diferentes sobre Deus e os seus atributos. Quando um Ocidental decide tornar-se jesuíta em vez de franciscano ou um baptista em vez de presbiteriano, ele continua a aceitar outras formas de religião Cristã como expressões legítimas - apesar dessas formas diferentes enfatizarem diferentes aspectos ou métodos no Cristianismo. Os Hindus fazem o mesmo. Eles escolhem uma forma de religião que lhes é confortável, respeitando as restantes como diferentes expressões do Deus universal. Assim, os diferentes ramos do Hinduísmo, enfatizando diferentes aspectos de Deus, estão unidos como uma única família Hindu.
É certo que existem representações de muitos deuses no Hinduísmo, mas será correcto descrever o Hinduísmo moderno como politeísta? Tal como o Deus das religiões semitas, Brahman - o deus Hindu dos Vedas - é descrito como estando muito acima de nós. Os Vedas dizem: "Brahman é Aquele cujas palavras não podem descrever, e de Quem a mente, incapaz de O alcançar, se mostra confusa." E, no entanto, as escrituras Hindus dizem que Ele está no coração de todos, sendo essencialmente semelhante ao Deus monoteísta do Judaísmo, do Cristianismo e do Islão.
Vós sois o fogo, Vós sois o sol, Vós sois o ar, Vós sois a lua, sois o firmamento estrelado, sois o Brahman Supremo: Vós sois as águas - Vós, o criador de todos.Estas palavras poderiam ter sido escritas por um místico Cristão ou Sufi. No entanto, até mesmo os Upanishads fazem a distinção entre Deus e o Seu universo. Como a continuação do mesmo versículo deixa claro, enquanto Deus cria coisas que mudam, Ele permanece o mesmo. Os versículos afirmam:
Cheias de Brahman estão as coisas que vemos; cheias de Brahman estão as coisas que não vemos; de Brahman flui tudo o que existe; E Brahman porém permanece o mesmo.Será isso panteísmo? Um sábio hindu escreve:
Não existe, propriamente falando, panteísmo na Índia - mesmo que as aparências possam por vezes sugerir o contrário. O Hindu vê Deus como a energia derradeira na criação e por trás de toda a criação; mas nunca, nem nos tempos antigos, nem nos tempos modernos, Ele é idêntico a ela. (Swami Prabhavananda, The Spiritual Heritage of India, p. 33)
| Os dez avatares de Vishnu |
As almas abençoadas - seja Moisés, Jesus, Zoroastro, Krishna, Buda, Confúcio ou Maomé - foram a causa da iluminação do mundo da humanidade. Como podemos negar tais provas irrefutáveis? Como podemos ser cegos para essa luz? (‘Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 346)A crença num agente divino organizador que procura educar e aperfeiçoar o carácter humano e permitir o crescimento social constitui o fundamento comum a todas as grandes religiões. A ênfase Hindu na oração e na meditação, na busca interior para encontrar o Bem-Amado, o desejo apaixonado de libertação da escravidão do mundo material e a tentativa de viver de acordo com uma ordem universal (dharma) conseguiram criar milhões de pessoas boas e nobres entre os Hindus do mundo.
A bondade e a gentileza dos Hindus, as mentes analíticas brilhantes de muitos dos seus sábios, as suas escrituras de beleza esmagadora são dádivas que a cultura hindu trouxe à família das religiões e das nações. É uma oferta de que não podemos abdicar.
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Texto Original: How Baha’is View Hindus, Krishna and Monotheism (www.bahaiteachings.org)
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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press.
quarta-feira, 3 de janeiro de 2018
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