Mostrar mensagens com a etiqueta Funeral. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Funeral. Mostrar todas as mensagens

sábado, 14 de março de 2026

Respeitar a Dignidade do Corpo Após a Morte

Por David Langness.


Por que razão, perguntou uma vez uma professora numa aula da minha da faculdade, os seres humanos têm rituais, funerais e cerimónias quando as pessoas morrem? Porque damos tanta importância ao enterro do corpo humano?

A turma pareceu perplexa com a pergunta, até que uma aluna de antropologia respondeu com outra pergunta: "Bem... porque é que os elefantes e os chimpanzés enterram os seus mortos?"

Esta troca de ideias fez com que todos os alunos repensassem a morte. Se alguns mamíferos superiores têm o instinto, a emoção ou o respeito de enterrar os seus mortos, porque não o teriam os humanos?

Na verdade, o Homo Sapiens realiza funerais há muito tempo, mesmo antes de termos surgido como humanos modernos. Temos evidências significativas de funerais neandertais de há mais de cem mil anos. O sepultamento é um dos costumes humanos mais difundidos, presente em todas as culturas desde os primórdios da nossa história.

Aquelas culturas primitivas pareciam compreender que os nossos corpos provêm da Mãe Terra e a ela regressam. Reconheciam também claramente a dignidade do corpo humano e entendiam que o enterro era um sinal de respeito pelo seu espírito. O grande ciclo da vida e da morte, assinalado com este regresso às nossas origens, está presente em todos os povos desde o princípio dos tempos.

Da mesma forma, os ensinamentos Bahá'ís afirmam que os nossos espíritos regressam às suas origens: "Eu vim de Deus e a Ele regresso, desprendido de tudo, excepto d'Ele, segurando-me firmemente ao Seu Nome, o Misericordioso, o Compassivo."

Esta frase simples, uma citação do Livro Mais Sagrado de Bahá'u'lláh, está inscrita nos anéis funerários Bahá'ís. Quando um Bahá'í morre, um destes anéis é colocado no seu dedo antes do enterro. Serve como lembrar aos vivos o destino de todas as nossas almas.

Também é um testemunho da fé de quem o usa e honra a forma física dessa pessoa, cujo “… corpo, embora agora pó, foi outrora exaltado pela alma imortal do homem!” O Guardião da Fé Bahá’í, Shoghi Effendi, escreveu esta frase numa carta a uma jovem Bahá’í chamada Sally Sanor, em 1944.

Assim, qual a melhor forma de preservarmos a dignidade e a nobreza de cada ser humano quando este abandona este plano terreno? Os ensinamentos Bahá’ís recomendam um funeral rápido e simples, sem embalsamamento ou outros conservantes artificiais; e um serviço fúnebre digno, mas humilde, que inclua orações.

Todos desejamos uma vida plena de sentido, culminando numa morte também plena de sentido. O falecimento de cada pessoa merece ser reconhecido. Como sociedade atenciosa e espiritual, precisamos de encorajar a aceitação da morte como parte do ciclo natural da vida, um ciclo que traz beleza e significado a este segundo nascimento no reino espiritual.

Preservar esta dignidade e comemorar o lugar de cada indivíduo no ciclo da vida exige um funeral solene e sublime, não apenas uma cremação rápida, como salientou ‘Abdu’l-Bahá:

Se a desintegração [do corpo] for rápida, isso provocará uma sobreposição e um abrandamento na cadeia de transferências, e esta descontinuidade prejudicará as relações universais dentro da cadeia das coisas criadas.

Por exemplo, este corpo humano elementar surgiu dos mundos mineral, vegetal e animal, e após a sua morte será completamente transformado em organismos animais microscópicos; e de acordo com a ordem divina e as forças motrizes da natureza, estas minúsculas criaturas terão um efeito sobre a vida do universo e assumirão outras formas.

Ora, se entregarmos este corpo às chamas, ele passará imediatamente para o reino mineral e será impedido de seguir o seu caminho natural através da cadeia de todas as coisas criadas.

O corpo elementar, após a morte e a sua libertação da vida composta, transformar-se-á em componentes separados e em minúsculos animais; e mesmo que agora esteja privado da sua vida composta na forma humana, a vida animal ainda estará presente nele, e ele não estará totalmente desprovido de vida. Se, no entanto, for queimado, transformar-se-á em cinzas e minerais, e uma vez transformado em mineral, deverá inexoravelmente seguir em direcção ao reino vegetal, para depois ascender ao mundo animal. Isto é o que se descreve como um salto. (‘Abdu’l-Bahá, The Wisdom of Burying the Dead.)

A cremação e outras formas semelhantes de "preceitos" rápidos com os falecidos interrompem os processos naturais do nosso ambiente, disse 'Abdu'l-Bahá numa carta de 1920 à cantora e compositora Bahá'í Shahnaz Waite:

O corpo do homem, que se formou gradualmente, deve igualmente decompor-se gradualmente. Isto está de acordo com a ordem real e natural e com a Lei Divina. Se fosse melhor que fosse queimado após a morte, na sua própria criação teria sido planeado que o corpo se incendiasse automaticamente após a morte, fosse consumido e transformado em cinzas. Mas a ordem divina, formulada pelo preceito celestial, é que após a morte este corpo seja transferido de um estágio para outro, diferente do anterior, de modo que, de acordo com as relações existentes no mundo, possa gradualmente combinar-se e misturar-se com outros elementos, passando assim por etapas até chegar ao reino vegetal, transformando-se em plantas e flores, desenvolvendo-se em árvores do mais alto paraíso, tornando-se perfumado e alcançando a beleza da cor.

A cremação impede rapidamente a realização destas transformações, pois os elementos decompõem-se tão rapidamente que a transformação para estas várias fases é interrompida. (Star of the West, Volume XI, No. 19, page 317)

------------------------------------------------------------
Texto original: Respecting the Dignity of the Body After Death (www.bahaiteachings.org)

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 31 de janeiro de 2026

Morte, Funeral e Natureza Humana

Por David Langness.


Quando era criança, vi um filme antigo que me fez reflectir profundamente sobre a morte. Chamava-se "On Borrowed Time" (“Tempo Emprestado”), e apresentava uma nova versão de uma antiga fábula grega sobre a Morte presa numa árvore, incapaz de realizar o seu trabalho.

É necessário ver o filme para perceber todo o seu impacto, mas vou resumir: basicamente, para salvar o seu amado avô, um rapaz engana o Sr. Brink – também conhecido como Ceifador, Morte, Tânatos – fazendo-o subir a uma árvore que o aprisiona.

Consequentemente, em todo o lado, as pessoas param de morrer.

Alerta spoiler: o rapaz depressa percebe que a morte é uma parte essencial da vida e que impedi-la significa prolongar o sofrimento de milhões e atrasar o progresso do mundo – e de cada alma individual.

A morte, no fundo, é essencial para a vida. A vida depende da morte, desenhando um ciclo que se repete desde sempre.

Talvez este filme me tenha ajudado a conhecer a Fé Bahá’í, que descobri e comecei a investigar alguns anos mais tarde, na adolescência. Os ensinamentos de Bahá’u’lláh sobre a vida e a morte tocaram-me profundamente assim que os ouvi:

  • A primeira vida, que pertence ao corpo elementar, terminará, como foi revelado por Deus: “Toda a alma provará a morte”. Mas a segunda vida, que provém do conhecimento de Deus, não conhece a morte...
  • Ó Filho da Mundanidade! Agradável é o reino do ser, se o alcançares; glorioso é o domínio da eternidade, se ultrapassares o mundo da mortalidade; doce é o êxtase sagrado se beberes do cálice místico… Se alcançares esta posição, serás libertado da destruição e da morte, do trabalho e do pecado.
  • ...a verdadeira vida não é a vida da carne, mas a vida do espírito. Pois a vida da carne é comum tanto aos homens como aos animais, enquanto a vida do espírito é possuída apenas pelos puros de coração que beberam do oceano da fé e provaram do fruto da certeza. Esta vida não conhece a morte, e esta existência é coroada pela imortalidade.

Percebi cedo, depois de atingir a idade adulta e de sofrer com a morte dos pais, dos avós e de uma querida irmã mais nova, que uma das maiores e mais importantes tarefas que temos de enfrentar nesta existência física passa por aceitar a realidade da morte.

Todo o ser humano enfrenta essa mesma luta existencial.

A perda de um ente querido pode atingir-nos com muita, muita força. Sofremos, lamentamos e choramos, e a nossa dor pode dominar-nos. Descobri, na minha própria vida, que ajuda poder recordar e ter uma recordação física da presença deste ente querido – um lugar a visitar, onde a memória e a meditação possam evocar o espírito da pessoa que partiu.

O luto é, na verdade, apenas o amor expresso na ausência do ente querido, e por essa razão os ensinamentos Bahá’ís recomendam o enterro. 'Abdu'l-Bahá, numa carta que escreveu a Laura Clifford Barney sobre o enterro versus a cremação, disse:

… embora a alma humana tenha cortado a sua ligação com o corpo, os amigos e os entes queridos continuam veementemente apegados ao que resta, e não suportam vê-lo destruído instantaneamente. Não conseguem, por exemplo, ver o rosto do defunto apagado e espalhado, embora uma fotografia seja apenas a sua sombra e, no final, também deva desaparecer. Na medida do possível, protegem qualquer vestígio que lhes reste, seja um fragmento de barro, uma árvore ou uma pedra. Quão mais prezam a sua forma terrena! Nunca o coração pode aceitar contemplar o corpo querido de um amigo, de um pai, de uma mãe, de um irmão, de um filho, e vê-lo desfazer-se instantaneamente em nada — e esta é uma exigência do amor.

Porque guardamos as fotografias, vídeos e cartas dos nossos familiares falecidos? Guardamo-los porque nos recordam o amor que sentimos por eles.

Como sugere o antigo filme sobre o Sr. Brink, todos nós vivemos num tempo emprestado, as nossas vidas afastam-se constantemente do nosso primeiro nascimento e aproximam-se cada vez mais do segundo. Podemos ajudar-nos a nós próprios e às pessoas que amamos reconhecendo este facto e preparando-nos para a sua chegada inevitável. Parte desta preparação passa por planear dois eventos, respondendo a estas questões: Qual a melhor forma de desenvolver o meu espírito enquanto ainda estou aqui neste plano de existência material? E o que quero fazer com o meu corpo quando ele terminar a sua função?

------------------------------------------------------------
Texto original: Death, Burial, and Human Nature (www.bahaiteachings.org)

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.

sábado, 10 de janeiro de 2026

O Argumento Ambiental contra a Cremação e o Embalsamamento

Por David Langness.


No debate entre a cremação/enterro, os ensinamentos Bahá’ís posicionam-se decisivamente a favor do enterro, por três razões principais: a protecção do ambiente, a natureza humana e a dignidade dos nossos corpos.

Neste artigo analisaremos a primeira destas razões e examinaremos os argumentos ambientais contra a cremação e o embalsamamento.

'Abdu'l-Bahá, em resposta a uma pergunta sobre cremação feita pela pioneira Bahá'í americana Laura Clifford Barney, escreveu:

No que diz respeito aos fenómenos universais, por mais que o intelecto humano se esforce por encontrar os procedimentos correctos ou o sistema perfeito, nunca poderá descobrir algo semelhante à criação divina e à sua ordem de transferências e trajectórias dentro da cadeia da vida. Pois as transferências, as composições, os encontros e dispersões de elementos, de partes constituintes e de substâncias, sucedem numa cadeia poderosa e impecável. Observai as leis universais reais e vede quão solidamente estabelecidas, seguras e fortes são.

Tal como a composição, a formação, o crescimento e o desenvolvimento do corpo físico ocorreram gradualmente, também a sua decomposição e dispersão devem ser graduais. (Additional Tablets, Extracts and Talks)

Esta cadeia da vida, como lhe chamou 'Abdu'l-Bahá, refere-se também à "grande cadeia do ser", ou em latim, à scala naturae ou "escada da natureza". O conceito surgiu originalmente com Platão e Aristóteles, e constitui a base científica para ordenar e classificar a matéria viva e não viva, desde os minerais e as plantas aos animais e aos seres humanos.

A Grande Cadeia do Ser e a Hipótese Gaia

Nas palavras de ‘Abdu’l-Bahá, a grande cadeia do ser refere-se também à biologia evolutiva de toda a existência, à inter-relação de todos os seres e ao movimento e transmissão contínuos de elementos entre cada nível da vida. Numa palestra proferida em Paris, no início do século XX, ‘Abdu’l-Bahá elaborou – e, ao fazê-lo, propôs pela primeira vez – a " hipótese Gaia", o conceito de que a própria Terra manifesta vida:

Na criação física, a evolução ocorre de um grau de perfeição para outro. O mineral, com as suas perfeições minerais, passa para o vegetal; o vegetal, com as suas perfeições, passa para o mundo animal, e assim sucessivamente até ao da humanidade. Este mundo está repleto de aparentes contradições; em cada um destes reinos (mineral, vegetal e animal), a vida existe no seu grau; embora, comparada com a vida no homem, a Terra pareça morta, também vive e tem vida própria. (Paris Talks, p.66)

A hipótese Gaia, desenvolvida 60 anos mais tarde pelo pioneiro químico e ambientalista britânico James Lovelock e pela microbiologista evolucionista norte-americana Lynn Margulis, defende que os organismos vivos interagem constantemente com o meio inorgânico que os rodeia, formando um sistema sinérgico e auto-sustentável. Este sistema e o seu constante movimento de elementos perpetuam as condições para que a vida prospere no nosso planeta – o que significa que a própria Terra está viva.

Este sistema “poderoso”, como salientou 'Abdu'l-Bahá na sua resposta a Laura Clifford Barney, surge da ordem natural – o que significa que os corpos humanos, como parte integrante da criação física, devem poder regressar ao ecossistema de forma natural e gradual:

… a composição e a decomposição, o agrupamento, a dispersão e a deslocação de todas as criaturas devem ocorrer segundo a ordem natural, o governo divino e a grandiosa lei de Deus, para que nenhuma perturbação ou dano afecte as relações essenciais que emergem das realidades internas das coisas criadas. É por isso que, segundo a lei de Deus, nos é ordenado que sepultemos os mortos. (Additional Tablets, Extracts and Talks)

A cremação interrompe e anula violentamente estes processos naturais graduais, transformando imediatamente os corpos em dois subprodutos: as cinzas e a poluição atmosférica.

A revista National Geographic, num artigo de 2019 sobre os factos científicos da cremação, destacou que "a cremação requer muito combustível e resulta em milhões de toneladas de emissões de dióxido de carbono por ano – o suficiente para que alguns ambientalistas estejam a tentar repensar o processo".

A cremação de um corpo – afinal, os seres humanos são formas de vida baseadas no carbono – acrescenta mais de 225 kg de CO² à atmosfera. No mundo ocidental, a cremação utiliza combustíveis fósseis para gerar o calor acima dos 650 °C necessário para queimar os corpos. A maioria das cremações no mundo, que ocorrem em países hindus como a Índia, utiliza a madeira como combustível, o que também contribui para a desflorestação e aumenta a pegada de carbono. Além disso, o calor intenso necessário para a cremação resulta na vaporização tóxica de mercúrio proveniente de obturações dentárias, tornando-se uma das principais fontes da crescente poluição atmosférica por mercúrio no mundo.

Porque é que os Bahá'ís não embalsamam

O embalsamamento dos corpos dos mortos antes do enterro é uma prática secular. Basicamente, o embalsamamento consiste em drenar o sangue e injetar substâncias químicas e conservantes, como o formaldeído, o glutaraldeído e o metanol, no sistema arterial do falecido, além de remover cirurgicamente os fluidos internos do corpo. Embora o embalsamamento não seja obrigatório por lei na grande maioria dos países, os agentes funerários sugerem frequentemente aos familiares enlutados que o falecido seja embalsamado, talvez porque algumas agências funerárias lucrem consideravelmente com o procedimento.

O embalsamamento atrasa o processo natural de decomposição, permitindo funerais com caixão aberto, onde o defunto pode ser visto. No entanto, após o sepultamento, os fluidos tóxicos provenientes do embalsamamento acabam por ser absorvidos pelo solo em redor da sepultura e podem contaminar o lençol freático. Por esta razão, o embalsamamento tem sido questionado do ponto de vista ambiental.

Os ensinamentos Bahá’ís proíbem o embalsamamento, a menos que seja exigido por lei, como explica esta carta de 1988 escrita em nome da Casa Universal de Justiça:

Bahá’u’lláh aconselhou que é preferível que o enterro ocorra o mais cedo possível após o falecimento. Quando as circunstâncias não permitam o sepultamento do corpo logo após a morte, ou quando há uma exigência da lei civil, o corpo poderá ser embalsamado, desde que o processo utilizado tenha o efeito de retardar temporariamente a decomposição natural por um curto período. Contudo, o corpo não deve ser submetido a um processo de embalsamamento que tenha o efeito de preservá-lo sem decomposição por um longo período; tais processos visam geralmente preservar o corpo indefinidamente.

As leis Bahá’ís sobre o enterro exigem que os corpos dos defuntos sejam tratados com bondade e cuidado, dado que outrora foram os repositórios do espírito humano. Isto significa simplesmente lavar o corpo, envolvê-lo numa mortalha limpa de algodão ou seda e sepultá-lo na terra num caixão de madeira nobre, cristal ou pedra. O enterro deve ocorrer logo após a morte, recomendam os ensinamentos Bahá’ís, e a uma distância de até uma hora do local do falecimento, para evitar o transporte de corpos por longas distâncias. No enterro, os Bahá’ís costumam ler e recitar a oração de Bahá’u’lláh pelos mortos, que começa assim:

Ó meu Deus! Esta é a Tua serva e filha da Tua serva, que acreditou em Ti e nos Teus sinais, e voltou o seu rosto para Ti, totalmente desapegada de tudo, excepto de Ti. Tu és, em verdade, dentre os que mostram misericórdia, o mais misericordioso.

Trata-a, ó Tu que perdoas os pecados dos homens e ocultas as suas faltas, como convém ao céu da Tua generosidade e ao oceano da Tua graça. Concede-lhe admissão nos recintos da Tua misericórdia transcendente que existia antes da fundação da terra e do céu. Não há outro Deus além de Ti, o Sempre Clemente, o Mais Generoso.

(Se a pessoa falecida for um homem, a oração é: “Ó meu Deus! Este é o Teu servo e filho do Teu servo…”, etc.)

Composição e Decomposição: O Ciclo Natural da Vida

As leis funerárias Bahá’ís preconizam a simplicidade e a dignidade no tratamento da morte, pois o embalsamamento ou a cremação de corpos humanos interrompem e desviam o ciclo natural da vida. Quando os seres vivos morrem, decompõem-se naturalmente, transformando-se nos nutrientes necessários a outras formas de vida. Os Bahá’ís acreditam que este processo ambiental natural — o ciclo da vida e a inter-relação de todos os seres vivos — deve ser permitido que ocorra de acordo com a intenção de Deus e da natureza. Em Respostas a Algumas Perguntas, 'Abdu'l-Bahá disse:

Quanto às coisas criadas, a sua vida consiste na composição e a sua morte na decomposição. Mas a matéria e os elementos universais não podem ser completamente destruídos e aniquilados. Não, a sua aniquilação é meramente uma transformação. Por exemplo, quando um homem morre, o seu corpo transforma-se em pó, mas não se torna absolutamente inexistente: conserva uma existência mineral, mas ocorreu uma transformação, e essa composição foi submetida a decomposição. O mesmo acontece com a aniquilação de todos os outros seres; pois a existência não se torna absolutamente inexistente, e a absoluta inexistente não adquire existência. (Respostas a Algumas Perguntas, cap. 53)

Este tipo de enterro compassivo e digno – que trata os nossos corpos como parte integrante e importante da teia da vida – faz sentido tanto do ponto de vista lógico como ecológico.

Ao observarmos belas árvores e plantas floridas a crescer nos cemitérios, podemos começar a reconhecer a grande beleza deste ciclo da vida e a compreender o seu significado ambiental e espiritual.

------------------------------------------------------------
Texto original: The Environmental Case Against Cremation and Embalming (www.bahaiteachings.org)

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site BahaiTeachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.