quinta-feira, 5 de maio de 2005

Dia da Lembrança

Costumo dizer que em Israel até a mais pequena pedra tem pelo menos 1000 anos de história. Das três vezes que tive a oportunidade de visitar a Terra Santa (sempre por ocasião de algum evento baha'i), fiz questão de ir um pouco mais cedo de modo a ter possibilidade de visitar alguns locais históricos.

Jerusalém, o Muro das Lamentações, a Esplanada das Mesquitas, o Mar Morto, Masada Nazaré, Belém, o Lago Tiberíades... são alguns dos destinos mais conhecidos. Sempre procurei conhecer novos lugares de interesse histórico e cultural naquela que é uma Terra Santa para comunidades religiosas. Mas houve um local que impressionou profundamente e onde me desloquei em cada uma das minhas três visitas: o Yad Vashem, o Museu do Holocausto.

Este museu contém um conjunto de testemunhos impressionantes de uma das páginas mais negras da história recente da humanidade. É impossível não passar ali sem nos sentirmos esmagados por um turbilhão de emoções. As roupas e os sapatos dos prisioneiros, réplicas do interior das camaratas dos campos de concentração, filmes, imagens, números e tantas outras coisas ajudam a preservar a lembrança do holocausto.

Talvez o mais impressionante seja a Ala das Crianças (foi renovada recentemente). Numa sala escura estão afixados fotos de crianças entre os 3 e os 10 anos. Têm o sorriso inocente e encantador de qualquer criança. E na sala apenas se ouve uma voz que vai dizendo o nome, a idade e o campo de concentração onde a criança morreu. Sente-se um aperto no estômago, um nó na garganta, e faz-se força para conter as lágrimas...

Não se consegue esquecer.

Se voltar a visitar a Terra Santa, irei novamente ao Yad Vashem.

4 comentários:

Anónimo disse...

Tive o privilégio de viver em Israel durante ano e meio, o que é bastante diferente de um passeio turístico ou uma visita guiada.
No cantacto do dia-a-dia com os judeus pude-me aperceber, mesmo nas gerações mais novas, o quão o holocausto está interiorizado. Na realidade, a fundação do Estado de Israel é resultante do desejo de uma grande massa de judeus da Europa oriental em emanciparem-se após sentitem-se apátridas e procurarem viver com dignidade.
Daí sentir na grande maioria da população o desejo de viver em paz e ao mesmo tempo o medo de voltarem a ser alvo de tentativas de extermínio. Acresce, que nesta vivência fui deitando de vez abaixo certos estereótipos dos judeus, tanto para bem como para mal. Não vi neles um povo nem disciplinado nem arrogante, antes vi um povo constituido por emigrantes e um Estado com as contradições internas resultante dos diferentes grupos que o constituem, isto porque há uma grande diferença de customes entre os judeus etípoes e russos por exemplo. É caso para dizer que na Rússia ou Etiópia eram judeus mas em Israel São russos ou etíopes.
A minha experiência resulta essencialmente da minha vivência em Haifa e Akka, onde pude contrastar o ambinete que ali se vivia e aquele mostrado no média, o contraste é gritante.
Aliás em termos de segurança, pude constatar o à vontade com que as pessoas, incluindo mulheres jovens, passeavam a qualquer hora, em qualquer lado na cidade de Haifa, um cenário impossível de transpor para Lisboa, por exemplo.
Por útimo gostava de acrescentar que Jesus profetizou que "haveria de voltar" quando o Seu povo regressasse à Terra prometida. Se os judeus já estão a regressar á Terra Prometida, então é porque Jesus já veio.

João Moutinho

Anónimo disse...

Só lamento que este povo não tenha aprendido nada com os problemas que tiveram. Tiveram direito a uma terra por decreto das Nações Unidas e tornaram-se os déspotas dos donos dessa terra. O holocausto dos palestinianos, quando é que terminará? Quem e quem agora?
A mim parece-me impossível que um povo que passou pelo que passou, mas sempre foi arrogante e viveu a olhar para o umbigo, não tenha aprendido nada da sua própria história de povo massacrado e sejam agora eles os algozes.
Os designios de Deus são inimagináveis, mas como é que se compreende isto? Como é que os ex-torturados se tenham tornado torturadores? E não me venham dizem que é tudo culpa dos outros, porque eles só tiveram que responder à agressão, à intromissão, ao roubo da terra. Gostava de ver se os espan´hóis entrassem por aqui a dentro a reclamar que isto era deles!

O Holocausto foi horrivel e um crime para toda a Humanidade, mas o que está a acontecer não é o mesmo???

Ana

Marco disse...

Ana

Já escrevi uma vez que desejo que relacionamento entre israelitas e palestinianos seja igual àquilo que é hoje o relacionamento entre franceses e alemães. No fundo estes dois povos europeus guerrearam-se durante vários séculos até que descobriram que vivem muito melhor em paz. E hoje são o motor da União Europeia. Também espero que israelitas e palestinianos não demorem séculos a perceber o valor e benefícios mútuos que se conseguem com a paz.

Uma análise de um conflito entre povos ou nações exige que sejamos imparciais e justos. Que imparcialidade existe quando se manifestam preconceitos em relação a uma das partes em conflito? ("um povo... que... sempre foi arrogante e viveu a olhar para o umbigo")

Também não podemos ser ingénuos ao ponto de pensar que dum lado estão os bons e do outro os maus. A sociedade israelita está profundamente dividida em relação a este conflito. Ou será que nunca ouviu falar do "Paz Agora" (http://www.peacenow.org.il)? (Sugiro-lhe que procure na Rua da Judiaria links e referências a organizações pacifistas israelo-palestinianas) Essa divisão de opiniões também se verifica entre os palestinianos. Ou acha que eles são todos do Hamas?

Aquilo que geralmente se designa por "Holocausto" foi um plano sistematizado a uma escala nunca vista que visava o genocídio em massa de um grupo social (neste caso os judeus). O que se passa no conflito israelo-palestinano é uma guerra não declarada onde grupos radicais de ambos os lados lideram acções militares com terríveis consequências essencialmente para a população civil palestinana. Apesar de serem coisas muito diferentes, é óbvio que urge encontrar uma resolução para o conflito israelo-palestiniano.

Parecido com o Holocausto dos Judeus, podemos encontrar o Holocausto dos Arménios em 1915 perpetrado pelos Otomanos, as chacinas actualmente em curso no Darfur, e os massacres de povos indígenas das Américas (perpetrados por Americanos, Espanhóis e Portugueses).

Anónimo disse...

Marco,
Há ainda dois exemplos de Holocaustos mais recentes: o Ruanda (com motivações étnicas e políticas) e o Cambodja (com motivações políticas).

Menina Ana,
O seu discurso é típico de uma certa esquerda que só quando se engasga a comer lagosta é que começa a falar dos "coitadinhos dos palestinianos" e dos "malvados israelitas" e a fazer comparações absurdas entre o Holocausto e o conflito israelo-palestinano. Se você estivesse um nadinha atenta ao que se passa no mundo saberia que o conflito israelo-palestiniano é comparável à colonização javanesa de Irian Jaya e das Flores.

Mas como você é esquerda fina, nem deve saber onde ficam estes locais. Em contrapartida, deve saber onde é que o Miguel Portas compra roupa...

F. Cirilo