terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Aborto: sim ou não

Recebido hoje por email:
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Quando se implementa uma solução para um problema, deve-se ter em atenção duas coisas, primeiro, se essa solução resolve realmente o problema (como é obvio), e segundo se essa solução não cria outros problemas que antes não existiam.
Quanto ao primeiro ponto, visto que 25% dos abortos são feitos após as 10 semanas, esta lei não ira resolver a situação destas pessoas, isto é continuarão a haver abortos clandestinos, o sim é uma solução para alguns, mas não é para todos.
Quanto ao segundo ponto, nos países europeus ditos "desenvolvidos" o numero de abortos disparou depois da legalização, muitos desses abortos são feitos não por pura necessidade económica, não por desespero ou ultimo recurso, mas sim por pura conveniência, isto é, mulheres que podiam perfeitamente ter o filho sem qualquer problema económico ou social grave , e que noutras circunstancias não abortariam, passam -graças a despenalização- a abortar, a despenalização passa assim a ser como uma espécie de contraceptivo. Quem achar que o aborto é algo "errado" não pode votar "sim" neste referendo, este não só é uma solução incompleta como também cria um cenário que não é moralmente aceitável. O voto no "não" por seu lado vai permitir explorar alternativas melhores e possivelmente sem criar os cenários que existem hoje ou que poderão ser criados caso o "sim ganhe". voto não. :)

abraço,
I.M.
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Recebido pouco depois:

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Amigo I.M.,

Limita-te a explicar as razões porque vais votar «Não» e não tentes condenar os que votam «Sim». Arranja-me uma pessoa que aplauda o aborto e eu calo-me.

Com cumprimentos,

PM

PS: A não existência de campanhas eleitorais na Religião Bahá'í também serve para estes casos.

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Pois é. Até entre os baha’is o tema é fracturante...

20 comentários:

Anónimo disse...

15 QUESTÕES SOBRE O REFERENDO

1 - QUAL A QUESTÃO QUANDO SE FALA DE DESPENALlZACÃO DO ABORTO ?
Em 1984 legalizou-se o aborto em Portugal, mas os prazos dessa lei foram alargados em 1997. Nesse ano tornou-se legal abortar por razões de saúde da mãe até às 12 semanas ou até aos 9 meses no caso de perigo de morte ou grave lesão para esta, até às 24 semanas (6 meses) no caso de deficiência do feto, até às 16 semanas no caso de violação. O referendo de 2007 propõe que a mulher possa abortar até às 10 semanas nos hospitais e em clínicas privadas, com os serviços pagos pelos nossos impostos, sem ter que dar qualquer razão (por não estar satisfeita com o sexo do bebé, por exemplo), e inclusivamente contra vontade do pai da criança. De facto, trata-se duma legalização e liberalização do aborto.

2 - MAS QUEREM QUE AS MULHERES QUE ABORTAM VÃO PARA A CADEIA ?
Uma mãe apanhada a roubar pão para um filho com fome não vai presa, precisa é de ajuda, e lá por isso ninguém diz que o roubo deve ser legalizado e feito com a ajuda da polícia. É importante que as pessoas saibam que o aborto é um mal e por isso é punível por lei, mas as penas têm um objectivo pedagógico (colaboração com instituições de solidariedade social, por ex.), sendo a possibilidade de prisão, tal como no caso do crime de condução sem carta, considerado um último recurso. Há mais de 30 anos que nenhuma mulher vai para a cadeia por ter abortado e a ida a Tribunal (já muito rara) evita-se sem ter que mudar a lei. O importante é ver quantas vidas uma lei salva...

3 - O BEBÉ TEM ALGUMA PROTECCÃO LEGAL ?
A sociedade deve considerar que todos, e especialmente os mais fracos e desprotegidos, merecem protecção legal; mesmo na lei de 1984 este era o princípio base, no qual se abriam algumas excepções. A liberalização do aborto muda esse princípio base, como se a sociedade portuguesa dissesse que há seres humanos com direitos de vida ou de morte sobre outros seres humanos, admitindo que o mais forte imponha a sua vontade ao mais fraco sem que este tenha quem o defenda.

4 - DIZEM QUE O FETO AINDA NÃO É PESSOA E POR ISSO NÃO TEM DIREITOS…
Dentro da mãe não está com certeza um animal ou uma planta, está um ser humano em crescimento com todas as suas caracteristicas em potência desde o momento da concepção. Dependente da mãe, como estará durante muito tempo depois de nascer - pois se deixarmos um bebé no berço sem o alimentarmos ele morre - dependente como muitos doentes ou idosos. Será que por isso estes também não são pessoas, nem têm direitos? É por serem mais frágeis que os bebés, dentro ou fora do seio materno, os doentes e idosos, precisam mais da protecção legal dada por toda a sociedade.
Em 1857 o Supremo Tribunal dos EUA decretou que os escravos legalmente não eram pessoas e portanto estavam privados de protecção constitucional. Queremos fazer o mesmo aos bebés ainda não nascidos?

5 - E OS PROBLEMAS DA MULHER ?...
A suposta solução dos problemas dum ser humano não pode passar pela morte doutro ser humano. Esse é o erro que está na base de todas as guerras e de toda a violência. A mulher em dificuldade precisa de ajuda positiva para a sua situação. A morte do seu filho será um trauma físico e psicológico que em nada resolve os seus problemas de pobreza, desemprego, falta de informação. Para além disso, a proibição protege a mulher que muitas vezes é fortemente pressionada a abortar contra vontade pelo pai da criança e outros familiares, a quem pode responder que recusa fazer algo proibido por lei. Nos estudos que existem, referentes aos países onde o aborto é legal, mais de metade das mulheres que abortaram afirmam que o fizeram obrigadas.

6 - MAS A MULHER NÃO TEM O DIREITO DE USAR LIVREMENTE O SEU CORPO ?
A mulher tem o direito de usar o seu corpo, mas não de dispor do corpo de outro. O bebé não é um apêndice que se quer tirar, é um ser humano único e irrepetível, diferente da mãe e do pai, cujo coração já bate aos 18 dias, com actividade cerebral visível num electroencefalograma desde as 6 semanas, com as características físicas e muitas da personalidade futura presentes desde o momento da concepção.

7 - E QUANTO À QUESTÃO DA SAÚDE DA MULHER QUE ABORTA ?
Legal ou ilegal, o aborto representa sempre um risco e um traumatismo físico e psicológico para a mulher. Muitas vezes o aborto é-lhe apresentado como a solução dos seus problemas, e só tarde demais ela vem a descobrir o erro dessa opção. O aborto por sucção ou operação em clínicas e hospitais legais, pode provocar cancro de mama, esterilidade, tendência para aborto espontâneo, infecções que podem levar à histerectomia, depressões e até suicídios. O aborto químico (comprimidos), cujos efeitos sobre a mulher são em grande parte desconhecidos, quadruplica o risco da mulher vir a fazer um aborto cirúrgico. O trauma pós-aborto deixa múltiplas sequelas psicológicas durante anos.

8 - E QUANDO A MULHER NÃO TEM CONDIÇÕES ECONÓMICAS PARA CRIAR UM FILHO ?
Quem somos nós para decidir quem deve viver ou morrer? Para decidir quem será ou não feliz por causa das condições no momento do nascimento? O destino de cada um é uma surpresa, basta ver quantas estrelas milionárias do futebol vieram de bairros de lata. Deviam ter sido abortadas? Uma mãe com dificuldades precisa de ajuda para criar os seus filhos, abortar mantê-la-á na pobreza e na ignorância, o que só leva ao aborto repetido.

9 - MAS TEM QUE SE ACABAR COM O ABORTO CLANDESTINO...
, E verdade, temos mesmo é que acabar com o aborto, que ninguém pense que precisa dele, mas a despenalização não ajuda em nada à sua abolição. Em todos os países, após a despenalização aumentou muito o aborto legal (segundo a Eurostat, no Reino Unido 733%, por ex.), mas não diminuiu o aborto clandestino, pois a lei não combate as suas causas (quem quer esconder a sua gravidez não a quer revelar no hospital, por exemplo). E após os prazos legais regressa tudo à clandestinidade. A diminuição do aborto passa por medidas reais e positivas de combate às suas causas, e não há melhor forma de ajudar os governos a demitirem-se destas prioridades do que despenalizar o aborto. O que importa é ajudar a ver as situações pelo lado positivo e da solidariedade, e não deixar que muitas mulheres se vejam desesperadamente sós em momentos extremamente difíceis das suas vidas. É preciso que elas saibam que há sempre uma saída que não passa pela morte de ninguém, e que há muitas instituições e pessoas de braços abertos para as ajudarem, como as muitas dezenas delas que têm vindo a ser criadas ao longo do país e com o apoio dos vários movimentos “pela vida”.

10 –A DESPENALlZACÃO SERIA SÓ PARA AS MULHERES ?
Não. A despenalização abrange todos: médicos, pessoas com fortes interesses económicos nesta prática, pessoas que induzem ao aborto Pessoas que na lei de 1984/97 tinham penas muito mais pesadas que a
própria mulher. As leis pró-aborto abrem as portas ao grande negócio das Clínicas Privadas Abortivas e aos acordos para o Estado pagar esses serviços, enquanto os verdadeiros doentes esperam anos para serem atendidos sem terem direito a essas regalias.

11 - MAS A DESPENALlZACÃO NÃO OBRIGA NINGUÉM A ABORTAR...
Está provado que a despenalização torna o aborto mais aceitável na mentalidade geral, e por isso mesmo leva na prática ao aumento do número de abortos. A lei não só reflecte as convicções duma sociedade como também forma essa mesma sociedade. O que é legal passa subtilmente a ser considerado legítimo, quando são duas coisas muito diferentes.

12 - PORQUE SE PROPÕEM PRAZOS PARA O ABORTO LEGAL ?
Não há nenhuma razão científica, ética, ou mesmo lógica para qualquer prazo. Ou o bebé é um ser humano e tem sempre direito à vida, ou é considerado uma coisa que faz parte do corpo da mãe e sobre o qual esta tem sempre todos os direitos de propriedade. Os próprios defensores da despenalização sabem que o aborto em si mesmo é um mal e que a lei tem uma função dissuasora necessária, por isso mesmo não pedem a despenalização até aos nove meses. No entanto, é de perguntar porque é que até às 10 semanas mulheres e médicos não fazem mal nenhum, e às 10 semanas e um dia passam a ser todos criminosos.

13 - SEGUNDO A LEI O PAI DA CRIANÇA TEM ALGUM DIREITO OU DEVER NESTA DECISÃO ?
Não, o homem fica sem nenhuma responsabilidade, e também sem nenhum direito. A mulher pode abortar o filho dum homem contra a vontade dele. Quando a mulher decide ter a criança a lei exige que o pai, mesmo contra vontade, lhe dê o nome, pensão de alimentos e até acompanhamento pessoal, mas se decide não o ter o pai não pode impedir o aborto - fica excluído na decisão de vida ou de morte do seu próprio filho.

14 - O ABORTO É UM PROBLEMA RELIGIOSO, OU ABRANGE OS DIREITOS DO HOMEM ?
O aborto ataca os Direitos do Homem. O direito à Vida é a base de todos os outros. O direito de opção, o direito ao uso livre do corpo, o direito de expressão... todos os direitos de que usufruímos, só os temos porque estamos vivos, porque nos permitiram e permitem viver. Ao tirarmos a vida às nossas crianças estamos também a roubar-lhes todos os outros direitos. A Declaração dos Direitos do Homem explicita que estes são universais, ou seja, são para todos. Porque é que alguns bebés, só porque não são planeados, devem ser excluídos dos direitos de toda a humanidade?

15 - SER CONTRA A DESPENALlZACÃO NÃO É SER INTOLERANTE E RADICAL ?
Não, o aborto é que é totalmente intolerante e radical para com a criança, porque a destrói; não lhe dá quaisquer direitos, não lhe dá opção nenhuma. O "Sim" ao aborto tem em conta a posição dum só dos intervenientes, a mulher, pensando erradamente que a ajuda. O "Não" ao aborto obriga-nos a todos, individualmente e como sociedade, a ter em consideração os dois intervenientes. Ao bebé temos de proteger e de permitir viver. À mãe temos de ajudar para que possa criar o seu filho com amor e condições dignas ou para que o possa entregar a quem o faça por ela, através de adopção.

Anónimo disse...

Não sei quem é o IM mas os argumentos que apresentam resultam de uma distorsão da realidade. Não vou aqui contrapô-los porque já ando farto de ouvir falar sobre aborto, e verdade seja dita têm-se ouvido enormidades sobre o assunto e a grande maioria vindas do campo do não!

Anónimo disse...

Era eu o 2º anonymous

Elforadiante disse...

Hipócritas, cínicos e ignorantes.

Parece que alguém está a distorcer a realidade com o fim único de defender o indefensável.

Na actual lei qualquer mulher pode interromper a gravidez se tiver sido violada, e, no entanto, não ouço ninguém a defender o direito à vida nestes casos.

Acho que avançámos bastante nesta questão.
Que esta gente se não esqueça que muitos dos defensores das leis estado-unidenses são os que admitem sem qualquer pejo que os gerreiros do império possam violar as mulheres dos países ocupados e, não ouço ninguém a contrapor seja lá o que for a esta situação de barbárie que os senhores civilizados do ocidente tanto apregoam.
Esquecem-se tavez que a Declaração dos Direitos do Homem foram escritas em pleno clima do Terror imposto por Robespierre, em França, e que essa questão da inviolabilidade da vida humana os conduziu à criação da guilhotina, que por mero acaso era um médico, Monsieur Guilhotine.
Quando invocamos os direitos do homem parece que nos esquecemos da história recente.
É que esta história da IVG, anda muito mal contada.
Pelo meu trabalho, lido todos os dias com senhoras que, umas a favor outras outras contra, são as que defendem o "Direito à Vida"; são as que já abortaram mais que uma vez e não foi nunca por razões económicas ou sociais. São pessoas esclarecidas e que, no entanto, lá estão na primeira linha do Não.
As outras que até estão a favor do Sim da despenalização da IVG, são aquelas que menos abortos fizeram e, algumas, quase todas, nunca interromperam uma gravidez.
Estamos a falar de pessoa esclarecidas e com forte poder económico.
Nunca vi ninguém, nem conheço, que defenda o aborto. Há casos de abortos, que vão fazer a Inglaterra, motivos puramente sociais, até para defenderem a "linha" do seu bonito físico e, outras menos abonadas que o vão fazer a Espanha em clínicas onde têm todas as condições e mais algumas, e por cá as abortadeiras, muitas vezes obstetras nos hospitais fazem-nos em casa a troco de chorudas maquias às desgraçadas que não têm a hipótese de o fazerem em Espanha ou Inglaterra. Essas senhoras, abortadeiras, que trabalham em hospitais, e não estou a falar apenas das parteiras, porque são muitas vezes médicos e médicas que o fazem são as que aparecem a dar a cara pelo "Não" e, compreende-se o porquê, porque estão a defender o seu direito a praticarem os abortos clandestinos até qualquer semana, pouco preocupadas se estão nas dez ou vinte semanas, ou até nas trinta.
São os defensores da hipócrisia do "Não à despenalização" que se aproveitam das desgraçadas sem possibilidades económicas e que as sugam até ao tutano.
Quando vejo nas tvs e nas rádios essas alminhas a defenderem o "Sim à Vida" dá-me vontade de vomitar pois algumas conheço-as eu das minhas consultas. Muitas destas senhoras que abortam em condições privilegiadas são senhoras casadas cujos rebentos que decidem interromper são maioritariamente frutos de realações extra conjugais, e muitos dos senhores que matêm o mesmo tipo de atitude em realação à "defesa da vida" são os mesmos que antes de irem para a cama com as senhoras casadas com outros, levam já no bolso a pílula do dia seguinte. E, lá estão eles a defender com unhas e dentes o Direito a que as outras desgraçadas possam ser julgadas pelo crime de não terem dinheiro para fazerem os o que as suas esposas e amantes fazem todos os dias. Mas, enfim, lá terão as razões deles.
Todos têm uma opinião muito consevadora - salvo raras e honrosas excepções -, a favor de seja lá o que for. A verdade, nua e crua, é que estes senhores, médicos, médicas, parteiras, enfermeiras e afins são os que mais têm a perder com a despenalização da IVG. Compreendo-os perfeitamente, estão apenas a defender o seu "direito à vidinha deles".
Muito mais haveria a dizer mas seriam apenas mais e mais palavras ao vento, porque ninguém, repito ninguém vai votar sim ou votar não só porque algumas cabeças "coroadas" se dispôem aos tais quinze minutos de glória na tv para dizerem, com termos "científicos" que a vida começa no momento da concepção, isto é, quando os espermatozóides entram em contacto com o óvulo. É sem dúvida uma vida que se começa a desnvolver como já sabiam há muitos anos os Vikings quando invadiam, saqueavam e por fim violavam as mulheres dos inimigos para poderem beneficiar do direito à progénie que daí adviria. Por acaso hoje ainda se faz o mesmo em todas as guerras do planeta.
Confúcio dizia: "ninguém encontrará um homem sensato no meio de uma guerra"
As guerras não são feitas nos campos de batalha apenas, começam sempre em gabinetes luxuosos com os diplomatas e conselheiros de estado que resolvem que determinadas vidas são dispensáveis, incluindo as dos desgraçados que mandam para as frentes de batalha..., e, mais uma vez lá vêm a defender os acordos de Berna ou de Viena para a defesa dos Direitos Humanos dos ocupantes chegando-se ao ponto de defenderem que os seus guerreiros não poderam ser acusados de crimes de guerra pois estão a defender os seus modos de vida, tal como o fazem os abortadores e abortadeiras cá do burgo.
Pois é, e antes que alguém aproveite o texto para defender o "Não" como já me fizeram com um post que coloquei no Blog e um comment que aqui foi posto, que fique bem claro que sou um Defensor da Despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez a pedido da mulher. E porque deixo os homens de fora?, pela simples razão de que são egoístas e quando decidem engravidar a senhora, também não lhe perguntaram, no momento do orgasmo se esta quer engravidar ou não. O homem só pode fecundar se estiver com disposição para isso, a natureza assim o obriga, enquanto que a mulher terá de ser passiva até porque a natureza assim a fez.

nina disse...

Como futura mãe (assim espero), como filha, como MULHER e sobretudo como "SER PENSANTE”" tenho reflectido muito sobre esta questão do ABORTO: SIM ou NÃO, até porque é praticamente impossível ficar impassível. Somos constantemente bombardeados (de há uns tempos para cá) pela TV, nos jornais, nas conversas de café ou rua por ser um tema tão "quente" que não gera, nunca, qualquer consenso nos intervenientes e somente grandes "batalhas" de palavras que me leva mais a OUVIR (mesmo se me dá vontade de vomitar e de ripostar!) do que a falar porque fico "vermelha" de raiva perante certos "argumentos" (hipócritas, cínicos, absurdos, ingénuos, ignorantes, ridículos e até hilariantes, mesmo se não é caso para rir, mas é o meu humor negro) do NÃO e do SIM, também. E por estas razões vou tentar ser sintética e não extrapolar demasiado:
- A vida humana é um BEM (e mais valia) universal e essencial de valor inestimável nisso estarão TODOS de acordo. Ninguém nega que a vida humana é definida desde o momento da concepção até à morte física! Deveremos por isso atirar poeira aos olhos e onde ficarão todas as conflitualidades de valores que chocam e/ ou se soprepõem às várias vidas humanas?! A vida não é simples nem linear, é demasiado complexa e paradoxal!
Para os defensores do NÃO:
- Abortar como resultado de violação ou mal formação do facto não deixa de ser o término de uma vida! Que culpa tem de ter sido concebido à força e violentamente ou se vem “mal feito” (imperfeito)? Não terá ele também DIREITO à vida independentemente disto tudo? Não existirão aqui também conflitos de direitos e valores? Desligar a máquina porque esse virou um “vegetal” (irrecuperável ou à espera de um milagre), não será igualmente matar? Deixar vir ao mundo crianças sem condições sócio-económicas e afectivas não será também um crime? Fechar os olhos a tantas vidas de tragédias, doenças, guerras, mortos de fome e desafortunados não será também um crime da nossa cumplicidade? Vir ao mundo sem se desejar como diz um amigo meu (que já se tentou suicidar várias vezes) que diz que não pediu para nascer e os pais nunca o deveriam ter “fabricado”, que não foi tido nem achado e que agora tem de carregar nos ombros esta “cruz” de viver? Tomar a pílula, seja a normal ou a do dia seguinte não estaremos também a matar possíveis vidas? E até as simples "ejaculações" contém sementes de vida! Visto por estes prismas não seremos todos uns criminosos? Não seria melhor optarmos pela castidade ou então como a (maior parte das) religiões defendem, ter relações (mais intimas) como finalidade única e exclusivamente para a fecundidade e procriação? Se é o SIM À VIDA então defendamo-la na sua totalidade e plenitude e não apenas quando nos convém ou dá jeito. Óbvio que ninguém é favor do aborto em si! Estamos a discutir a despenalização das pessoas que o praticam com um alargamento das excepções já abrangidas pela actual lei. Afirmam, que, se a lei passar vão ser abortos e abortos a torto e direito, que serão feitos quando der na gana da mulher, usados como método de concepção, por puro egoísmo, sem qualquer razão e apenas porque não lhes “dá jeito” ter um filho! Que os nossos impostos vão pagar “resmas” de abortos, que o SNS que já não tem resposta (agora), depois ainda será pior! Absurdos!!! Quem faz um aborto não o faz por gosto, pensou e repensou nas consequências e não o faz de ânimo leve. A única diferença é que na lei actual os “esclarecidos e endinheirados” o podem fazer em boas condições em clínicas privadas quer seja em Portugal, ou no estrangeiro. Têm opção de escolha porque têm meios para o fazer, enquanto as “desgraçadas” são obrigadas a fazê-lo em vãos de escada sem as mínimas condições, pondo em risco uma vida, a delas próprias e a de futuros seres.
Para os adeptos do SIM, o aborto clandestino não irá acabar com a nova lei, continuará a existir, não já por ser mais barato ou acessível, mas por vergonha de o assumirem perante uma entidade do estado e da própria sociedade. As “abotoadeiras” são (e sempre foram) uma das mais velhas profissões do mundo. Não imagino por outro lado, as mulheres que o façam a vangloriarem-se disso, mas pelo menos existe a possibilidade de escolha de quem o quiser fazer, com dignidade, de forma limpa, cuidada e salubre. È o direito de escolha que está em causa, sem que para isso seja julgada juridicamente (socialmente sempre o será). Por tudo isso vou votar no SIM, não porque sou a favor do aborto, até porque fosse qual fosse a circunstância penso (agora) que não faria, mas mesmo que não concorde, tento compreender o desespero e as razões de quem o faz e de tudo o que está por trás. Não quero se juiz de ninguém e muito menos atirar pedras às Madalenas, Jesus não o fez porque o faria eu?! Quanto aos aumentos do número de abortos concerteza que irão disparar até porque actualmente os clandestinos não constam das estatísticas. Se há o perigo de se cometerem abortos por razões “fúteis”? Claro que sim, sempre existiu e continuará a haver independentemente da lei. Se vida é um DIREITO, a maternidade também o é, além de ser um simples dever. Quando há direitos há deveres também. No dia 11/02/07 quer votem no SIM ou no NÃO, VOTEM! Mas sem preconceitos, sem falsos moralismos, sem fanatismos, sem influências de este ou daquele, porque são obrigados ou apenas porque parece bem! VOTEM com (e em) consciência.

Anónimo disse...

Pois é nina, votem em consciência mas votem... NÃO! é?

nina disse...

Rectificação:
Onde está “abotoadeiras” deverá ler-se "abortadeiras", ou a frase não fará qualquer sentido. Peço desculpa pelo lapso.

nina disse...

Para o Anônimo:
Não pretendo influenciar NINGUÉM, mas apenas demonstrar que nem tudo é preto ou branco! E que há razões tanto do SIM como do NÃO em que discordo plenamente, outras em que me revejo. Sei qual vai ser o meu voto e no que a (minha) consciência me dita (e subscrevo-o sem reservas) quando aos outros, cada um saberá de si. E Caro(a) Senhor(a) se leu nas entrelinhas deverá ter "captado" que sou 100% a favor da vida e contra o aborto em qualquer das suas formas (eu não tomaria essa opção), no entanto vou VOTAR SIM, porque não quero impor as minhas "ideias" aos outros e não suporto injustiças, fanatismos, puritanismos, falsos (m)oralismos, protagonismos e tudo acabado em ismos... :)

iuri disse...

anonimo,

"Não sei quem é o IM mas os argumentos que apresentam resultam de uma distorsão da realidade."
Por favor, diga quais sao estas distorsoes da realidade, nem que seja uma ou duas, se houver estou muito curioso para ouvir :)

Elforadiante disse...

Eu já tinha jurado a mim próprio que não iria postar mais nada aceca da Despenalização da IVG a pedido da mulher.

Mas hoje deu-me para o exotérico e, aí vai.

Que é querem hoje deu-me para aqui.


Diz Richard Bach que o mundo do Espírito é como uma Universidade em que cada alma tem de aprender algo num corpo humano para avançar na progressão espiritual.


Então - enquanto ainda nas plagas do Espírito -, essas almas decidem o que precisam de aprender sob a forma humana; assim umas têm de aprender o que é viver durante setentas anos, outra noventa, outras ainda apenas três semanas, outras ainda só precisam de saber algo dentro de útero durante alguns dias, outras durante algumas semanas ou meses e, ainda outras que tendo concluído os nove mese e, aprendido tudo o que tinham a parender, alçam voo para as plagas de onde vieram e continuarão a aprender nos vários mundos de Deus.

Assim sendo não adianta que se degladiem os humanos por haver uma interrupção ou não duma gravidez, porque aquela alma só partirá quando achar que deve partir. A IVG ou IIG (Interrupção Involuntária da Gravidez) não depende do voto inútil de alguns mentecaptos que se acham senhores detentores das verdades absolutas do Universo para decidirem seja lá o que for.

Aquela alma partirá quando tiver aprendido o que veio aprender e nada nem ninguém a poderá impedir na sua progressão pois tudo foi planeado muito antes de dois corpos de sexos opostos se unirem numa relação sexual que terá a finalidade de uma gravidez, quer a mulher queira ou não queira, pois assim foi determinado nas plagas divinas.

Também nas plagas do Espírito é decidido se alguma alma tem de aprender algo nascendo num casal de toxicodepentes, alcoolicos, ricos ou pobres. Assim é decidido e assim será cumprido.


Outras almas há que têm de passar pela aprendizagem de saber como se gera um filho e outras como se perde um ser humano em desenvolvimento e, assim por diante consoante o grau de aprendizagem.


Almas há que têm por missão o desencorajar ou encorajar os corações humanos para uma aprendizagem que requer outro tipo de sabedoria.

Outras serão mestre nas artes e outras nas ciências humanas outras ainda na influência do saber universal e outras ainda têm de ensinar o que é estar contra isto ou favor daquilo em matérias tão diversas como tudo acerca do que o Homem se interroga.

Algumas almas têm mesmo por missão de aprendizagem o semear da discórdia para assim poderem aprender algo que de outra forma não aprenderiam.

Assim não adianta grande coisa andarmos para aqui a defender o Sim ou Não porque isso já estava mais que decidido que em determinada altura da evolução da raça humana iria acontecer para que as plagas do infinito ficassem mais ricas de conhecimento adquirido aqui neste mundo de pó.

João disse...

Meu caro IM, já que mo pede não vou fugir ao debate:
Justificar o NÃO com o argumento de que vai continuar a haver abortos clandestinos porque 25% dos abortos se fazem depois das 10 semanas não me parece sério.
A questão é que agora quem quiser abortar (independentemente das semanas a que o queira fazer)tem que o fazer no estrangeiro ou clandestinamente em más condições. Com a mudança da lei a mulher que aborte tem dez semanas para decidir e poder fazê-lo com o devido acompanhamente...ou seja só fará aborto clandestino quem quiser e não todas as mulheres que não têm meios para o fazer lá fora como agora sucede.

Quanto ao aborto como método contraceptivo, restou mesmo a ver que a partir de agora já nenhuma mulher vai querer que o companheiro use o preservativo...se qualquer coisa correr mal vai ao Hospital e aborta!!! Acham mesmo que é assim?
É curioso ver também que entre os maiores defensores do não está a Igreja que também condena os métodos contraceptivos...quanta hipócrisia...
"Se o não ganhar vão-se criar outras alternativas"...vê-se! Quais foram as alternativas criadas durantes estes anos em que vigora a criminalização?

nina disse...

Concordo a 200% consigo, João. Fracos argumentos estes do "NÃO". Mas alguém no seu "juízo perfeito" usa ou vai usar o aborto como método contraceptivo???!!!! Está-se mesmo a ver que sim, que é o método mais barato, prático e seguro! E as vendas das pílulas, preservativos e afins a baixar consideravelmente ...

daniella disse...

Eu que aqui estou baralhada. Não entendo vocês.
Estão a final a favor da vida ou não?
Ou estão a favor da vida desde que esta vida não atrapalha a vossa?
Acham não ser justo a mulher ser penalizada pelo aborto, perder anos da sua vida - 3 anos no máximo- persa com uma marca no seu atestado antecedência criminal ( o que de facto eu também não acho justo) mas acham ser justo um ser humano chamado bebe perder todos anos da sua vida, perder todas as oportunidade de viver, de crescer, de progredir e de se evoluir neste mundo porque um outro ser humano não se acha capaz de amá-lo?
Ou pensam que pelo facto de haver muita criança abandonada e carente no mundo ou pelo facto de mãe não ter condição (financeira ou física ou psicológica) agora por uma simples conjunto das palavras chamada LEI podemos atribuir-lhe o direito de ser Deus e decidir pelas vidas humanas?
E nós temos que concordar com isso para não ser chamados de "Hipócritas, cínicos e ignorantes"?
Sinceramente não entendo vocês.
E amanhã será o grande dia!!! mas também não é porque o assassino faz o que quer fazer se não for amanhã vai ser depois no parlamento.
Não é mesmo?

João disse...

Querida Daniella, é bonita essa sua confiança cega em Deus...

Daniella disse...

E não só também não entendi também o sarcasmo do comentário do João.
Meu caro onde foi que você encontrou a minha confiança cega em Deus?
Não é a minha cega confiança em Deus que está em questão portanto o que está em questão é que as mulheres e o pior são os homens que se acham perito nesta matéria quererem fazer papel de Deus e decidir por vidas humanas, vida de quem não tem poder nenhum sobre ela. Do bebe, do feto, do embrião... o que você queira chamar, tanto faz, é uma vida.

Por favor explica-me?
Com tanta coisa para prevenir uma gravidez será mesmo preciso cometer um homicídio?
Em que você acredita?
Em nada???!!!

João disse...

Daniella...se calhar estamos a entender-nos mal, mas o que parece é que para si Deus cria a vida, mas pai e mãe não existem.
Neste debate quem quer decidir pelos outros é quem é pelo não...mas hoje é dia de reflexão e eu não quero que o Marco tenha problemas com a Comissão de eleições:-)

Segunda feira cá estaremos, quer ganhe o sim ou o não!

iuri disse...

Joao, nina,

Se a pergunta do referendo fosse "Concorda com a IVG por escolha da mulher e certificado por assistentes sociais que ha motivos fortes economico-sociais para tal?" entao - apesar de achar o aborto algo errado- a minha resposta ate poderia ser SIM. Mas a pergunta na forma tal como esta permite uma liberaliza;ao total, uma especie de "vale-tudo", e a experiencia de outros paises prova que os abortos desnecessarios dispararam com a despenalizacao e por abortos desnecessarios estou a falar de abortos feitos sem fortes razoes economicas e que sem a permissao da lei nao sao seria concretizados.

Daniella disse...

João,
se calhar estamos a entender-nos mal mesmo.
Mais uma vez venho a dizer que não entendi e desta vez não entendi de onde você tirou esta brilhante ideia! Hoje em dia nem as freiras pensam assim, claro que a mãe e o pai existem e a questão exactamente é esta: uma mãe que é irresponsável e um pai que foge da responsabilidade e querem decidir por uma terceira pessoa que não tem poder para decidir se quer viver ou não.
Ah, o que foi esta da COMISSÃO DE ELEIÇÕES ?
Será que vou criar algum problema para Marco!?

Elfo disse...

Acima de tudo, com informação ou/e desinformaçao ganhou a Democracia. É o Povo de Portugal que está de Parabéns!

Anónimo disse...

Li todos os vossos comentarios e respeito-os assim como respeito o resultado do referendo. E agora?
O "SIM" ganhou. Eu volto a perguntar e agora? O que é que Portugal tem para oferecer? O que é que o nosso governo, seja ele qual for, vai oferecer? Acordos com clinicas espanholas para não ter filas de espera das mães que querem praticar o aborto? Ou aquelas boas clinicas que vão ser legais no nosso País onde qualquer mulher com dinheiro possa abortar? E aquelas que não tem dinheiro e o quiserem fazer, vão para as filas da Segurança Social à espera de uma consulta que demora 30 semanas e elas só tem 10 e se calhar nem isso?
OK. Falam de acompanhamento a todas as mães que quiserem abortar. De quem? Das assistentes sociais que trabalham das 10h às 13 ou das 14h às 16h? Alguem por acaso se lembrou que Portugal só tem na Uniao Europeia Lisboa e Porto, o resto é pobre, analfabeto, em pleno sec.XXI existem aldeias sem luz, sem agua canalizada, sem condições e sem apoio. A bem da Humanidade portuguesa era bom assumirmos a realidade e deixarmos as fachadas.